domingo, junho 16, 2019

Guedes diz que Levy não quis abrir a “caixa-preta” das irregularidades no BNDES


O presidente do BNDES, Joaquim Levy (esq.), e o ministro da Economia, Paulo Guedes (dir.) — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Guedes se comporta como se não tivesse nada a ver com Joaquim Levy
Gerson CamarottiG1 Brasília
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou neste sábado (15) ao blog que entende a “angústia” do presidente Jair Bolsonaro com o presidente do BNDES, Joaquim Levy. Para Guedes, é natural Bolsonaro se sentir “agredido”, uma vez que Levy escolheu para o banco “nomes ligados ao PT”.
Mais cedo, no sábado, Bolsonaro disse que Levy está com a “cabeça a prêmio”. Acrescentou que, se Levy não demitir o diretor de Mercado de Capitais do BNDES, Marcos Barbosa Pinto, ele, Bolsonaro, demitirá Levy “sem passar pelo Paulo Guedes”.
EXISTE SINTONIA? – Questionado se houve falta de sintonia com Bolsonaro no episódio, Guedes negou: “Pelo contrário, existe sintonia. Eu entendo a angústia do presidente. É algo natural ele se sentir agredido quando o presidente do BNDES coloca na diretoria do banco nomes ligados ao PT”.
Marcos Pinto foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Guedes lembrou ao blog que Bolsonaro apresentava como promessa de campanha “abrir a caixa-preta” do BNDES. O governo, ressaltou, já tem seis meses e isso ainda não aconteceu.
IRREGULARIDADES – Bolsonaro costuma dizer que houve problemas em empréstimos do BNDES para Cuba, Venezuela e os chamados “campeões nacionais”, como Joesley Batista.
“Ninguém fala em ‘abrir a caixa-preta’ e ainda nomeia um petista. Então, fica clara a compreensão da irritação do presidente”, disse Guedes ao blog. “O grande problema é que Levy não resolveu o passado nem encaminhou uma solução para o futuro”, ressaltou.
O “passado”, segundo Guedes, seria abrir a “caixa-preta”. Em relação ao “futuro”, conforme o ministro, seria tratar de temas como privatizações, infraestrutura, saneamento e ajudar a reestruturação de estados e de municípios. Até agora, na avaliação da equipe econômica, o BNDES não tem cumprido esses objetivos.
RESISTÊNCIA – Desde o primeiro momento, havia resistência de Bolsonaro a Levy por ele ter sido ministro de Dilma Rousseff e secretário de Sérgio Cabral. Para Guedes, em atenção, Bolsonaro decidiu bancar a nomeação de Levy.
Segundo o blog apurou, Bolsonaro está incomodado há muito tempo com o fato de Levy não ter feito o que considera uma “mudança significativa” em cargos importantes do BNDES, além de nomear Marcos Pinto.
Ainda segundo o blog apurou, Bolsonaro recebeu uma mensagem de um amigo dizendo o seguinte: ‘Quem diria ver no governo Bolsonaro o BNDES comandado por petistas?”.
TELEFONEMAS – Isso irritou profundamente o presidente, que chegou a ligar neste sábado (15) para Guedes antes de dar a entrevista na qual falou sobre Levy. Depois da entrevista, ligou de novo para relatar o que havia dito.
Guedes chegou a falar a pessoas próximas que havia indicado três nomes para ajudar Levy, mas o presidente do BNDES não aceitou. Os três técnicos, então, passaram a trabalhar com o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar. “Além de não satisfazer o presidente, não atendeu ao ministro”, afirmou ao blog um integrante do governo. Segundo integrantes do Poder Executivo, Bolsonaro já havia pedido a cabeça de Levy há três meses.
Na avaliação da equipe econômica, diferentemente de outras instituições, como Banco Central, Caixa e Petrobras, quem têm tido “bom desempenho”, o BNDES “não está conseguindo decolar”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelentes informações do Gerson Camarotti, mostrando que a insatisfação com Joaquim Levy não se resume ao caso do diretor Marcos Pinto.
Porém, o mais importante e curioso na matéria é o ver ministro Paulo Guedes dar declarações como se não tivesse nada a ver com o assunto, embora o problema tenha sido criado exatamente por ele. Parece Piada do Ano. (C.N.)

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