
Barroso ressalva que os militares brasileiros se democratizaram
Gustavo SchmittO Globo
Ao analisar a situação econômica e social do país em palestra na capital paulista nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso fez um diagnóstico dos problemas da educação. Sem citar diretamente políticos ou ministros do governo federal, Barroso criticou a abordagem de pautas de costumes como o foco dos problemas do ensino brasileiro.
Para o ministro, as políticas públicas devem mirar questões como a evasão escolar no Ensino Médio, o déficit de aprendizagem e a falta de atratividade da carreira do magistério.
ASSOMBRAÇÕES – “Quem achar que o problema da educação básica no Brasil é escola sem partido, identidade de gênero ou saber se 1964 foi golpe ou não foi golpe, está assustado com assombração errada” — afirmou o ministro.
No entanto, Barroso negou que tenha feito qualquer referência política em seu discurso. Afirmou que sua análise parava na conjuntura política de 2018, mas que se tratava apenas de como proteger as instituições num cenário político em que há ascensão de lideranças políticas populistas com aspirações autoritárias.
Para o ministro do Supremo, está em curso um processo de erosão da democracia.
NÃO HÁ GOLPE – “O que há de relevante é que essa crise da democracia não foi produto de golpes. Tem sido causada por líderes populares e populistas eleitos pelo voto. E chegando ao poder, eles vão tomando providências. Concentra-se poder no executivo, persegue-se o líder da oposição, censura-se a imprensa aqui e ali, e empacota-se o Pudiciário acolá. A soma disso leva ao autoritarismo” — disse o ministro.
Apesar do alerta, Barroso assinalou que não vê riscos no país. Ele afirmou que as ditaduras da América Latina sempre dependeram do suporte das Forças Armadas e que este não é o caso do Brasil de hoje.
DEMOCRACIA – “Nos últimos 30 anos, as Forças Armadas brasileiras se democratizaram. Por isso, não vejo risco” — afirmou o ministro.
Barroso também saiu em defesa da reforma da previdência e de uma simplificação tributária. Segundo a visão do magistrado, o sistema brasileiro é injusto e acaba pesando mais sobre os mais pobres.