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Gilmar esta todo animado com o lobby para destruir a Lava Jato
Pedro do Coutto
O jornalista Élio Gáspari e o Ministro Gilmar Mendes encontraram-se na estrada da Lava Jato, não na tentativa vã de reverter todas as condenações dos acusados de corrupção. A formação de quadrilhas de assaltantes de modo geral, no entanto principalmente no caso do ex-presidente Lula. O ataque de Gáspari foi mais profundo, já que sustenta que o Ministro da Justiça deve renunciar e deixar o governo de Jair Bolsonaro. Bolsonaro, em consequência perderia grande parte de seu poder junto à opnião pública.
Para chegar à conclusão da convergência de ideias entre um e outro, basta ler o artigo de Gaspari, publicado simultaneamente em O Globo e na Folha de São Paulo, edições de quarta-feira. E também as afirmações do Ministro do Supremo reproduzidas nas reportagens de André de Souza, Renata Mariz e Carolina Brígido (O GLobo) e de Felipe Rachteld, (Folha de São Paulo) igualmente ontem.
SEGUNDA INSTÂNCIA – Por coincidência (?), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Dias Tofolli, marcou mais uma sessão da Corte Suprema para decidir sobre a legitimidade ou não da prisão dos réus condenados em segunda instância. Será a quarta reunião de uma série na escala de três julgamentos anteriores. Até agora 3X0. Mas esta é outra questão.
Se, no entanto, a toga dos magistrados deslocar-se para nova direção, ocorrerá no país, não tenho dúvida, um vendaval na política e abrir-se-á nova série de capítulos.
Quero dizer diretamente que, diante de uma eventual decisão que colocaria em liberdade Luiz Inácio Lula da Silva, o governo estará sujeito a uma tempestade no convés da nave na qual viaja o poder do Planalto. Difícil prever qual poderá ser o desfecho de uma decisão desse porte.
FICARÁ PIOR – Se o panorama atual já não está bom para o governo, ficará ainda pior. Lula solto na quarta investida significará a hipótese de um possível terremoto no país.
Deve-se considerar também uma passagem muito importante . Quando na presidência da Corte Suprema encontrava-se a Ministra Carmen Lúcia, ela se negou a pautar novamente uma questão já objeto de três julgamentos anteriores. Agora seu sucessor, Dias Tofolli pensa contrariamente da visão jurídica de sua antecessora. Dias Tofolli, com sua decisão, praticou um lance muito arriscado de dados.
PREVIDÊNCIA – Além do panorama de hoje, o amanhã está se projetando em torno da reforma da Previdência Social e deve preocupar muito intensamente o Ministro Paulo Guedes. Pois no momento em que Brasília recorre aos governadores para que pressionem as bancadas no Congresso, deixa nítido que até aqui o Palácio do Planalto foi derrotado nas articulações em que diretamente se envolveu. Os esforços que foram feitos até aqui não alcançaram êxito.
A prova desse fracasso está nitidamente focalizada na reportagem de Bernardo Caran, na Folha de SP, destacando quatro exigências apresentadas pelos governadores. Assumiram uma posição para eles próprios pressionarem também o governo federal.
OBSTÁCULO – No entanto, a meu ver, diante de tal realidade existe ainda um outro obstáculo. Chama-se Rodrigo Maia. Para mim, o presidente da Câmara não tem real interesse numa eventual vitória do projeto de Paulo Guedes. Neste caso, as perspectivas suas para alçar voo na sucessão de 2022 reduzem-se expressivamente. Ao passo que, se Bolsonaro perder o horizonte, se amplia a trajetória de Rodrigo Maia rumo à presidência da República.
E o mais interessante é que Maia nem precisa atrapalhar a reforma da Previdência. Nas mãos de Paulo Guedes, o projeto já nasceu atrapalhado.