Posted on by Tribuna da Internet

Sérgio Moro tornou-se uma espécie de personagem de Hitchcock
Pedro do Coutto
Numa entrevista a Fausto Macedo e Ricardo Brandt, manchete principal da edição de quarta-feira de O Estado de São Paulo, o Ministro Sérgio Moro desafiou frontalmente os que pesquisaram suas conversas pelo celular e publicaram os diálogos com o procurador Deltan Dallagnol. O desafio que Moro dirigiu foi para que os autores publiquem logo todo o material constante das gravações, não deixando nada de fora. A entrevista ocupou duas páginas do jornal.
Moro afirmou que a equipe que invadiu o espaço dos celulares terá que apresentar o conteúdo divulgado à Polícia Federal. Um dos aspectos do desafio, na minha impressão, é aquele que todo o material gravado possui espaço muito além do que tornaram públicos. As quais, certamente trazem à tona episódios submersos aos que todo o país já conhece.
CLIMA DE SUSPENSE – Na verdade, Sérgio Moro situa-se como personagem de Hitchcock, pois é o homem que sabia demais. Mas certamente o teor completo dos diálogos deixará ainda em pior situação alguns envolvidos nas sombras do anonimato. Tornar-se-á ainda pior o peso da lei sobre os que realizaram e pagaram pelo trabalho feito.
As verdadeiras faces, hoje ocultas, serão publicadas amanhã. Uma delas já se sabe qual é: a vinculação com o ex-presidente Lula, uma vez que em seguidas às publicações iniciou-se um movimento para tornar nula a sentença de Curitiba.
Entretanto, o Ministro Edson Fachin, relator do Supremo, declarou que a Lava Jato já constitui um fato, não dando margem a qualquer mudança de rumo ou retrocesso.
RAPINA NA PETROBRAS – A tormenta que atingiu a Petrobrás constitui uma prova absoluta. O gerente Pedro Barusco devolveu 95 milhões de dólares que estavam depositados do exterior. As diretorias da estatal foram divididas em várias partes, cada uma delas liderada pelas direções de diversos partidos. Além disso, existem as delações de empresários. E como se não bastasse, lembremos que Marcelo Odebrecht passou dois anos na prisão. No plano internacional, houve financiamentos do BNDES a juros negativos para obras em Cuba, Angola e outros países.
O mais importante agora é que os que mergulharam no universo da Internet, o que possibilitou as gravações, aceitem o desafio. Vale acentuar que a Polícia Federal é vinculada ao Ministério da Justiça.
INCOMPETÊNCIA – Mudando de assunto, Paulo Guedes revela ser incompetente absoluto no campo político. O ministro mostra não possuir a menor habilidade. Rejeitada a figura da capitalização, e também a isenção de empresas para o INSS, partiu para um ataque frontal contra a Câmara dos Deputados e especialmente contra Rodrigo Maia. Este, por sua vez, rebateu ressaltando que o governo transformou-se em uma usina de crises.
Mas no reflexo que a derrubada do projeto de reforma causou junto à opinião pública e ao eleitorado brasileiro, Rodrigo Maia ficou bem na fotografia, ao rechaçar os ataques de Paulo Guedes. Diante do ataque e do contra-ataque, o Congresso não poderá fazer uma ressurreição quando a matéria estiver no Plenário, primeiro da própria Câmara, e, segundo, no Senado Federal.
Pensando bem, Paulo Guedes só tem criado problemas, um atrás do outro, para o governo Bolsonaro.