sábado, dezembro 12, 2009

A cada três dias, um servidor municipal é processado no Paraná

| Rhodrigo Deda

A cada três dias, em mé­­­dia, um funcionário público de prefeituras paranaenses é acionado na Justiça por mau uso de recursos repassados pelo governo federal aos municípios do estado. O dado faz parte do balanço anual (de novembro de 2008 a novembro de 2009) do escritório paranaense da Ad­­­vocacia-Geral da União (AGU), di­­­vulgado nesta semana.

No total, 130 servidores municipais foram processados pela AGU, em 59 ações de improbidade administrativa. Nesses processos, estão incluídos também 60 ex-prefeitos, 3 ex-deputados federais e 13 empresas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela AGU, mas o órgão informou que todas as ações são referentes a acusações de fraudes em licitações.

O valor total das irregularidades, que a AGU tenta reaver, é de quase R$ 3 milhões – dos quais R$ 2,3 milhões foram bloqueados pela Justiça de forma preventiva. “Apontamos a existência de indícios de ilegalidade e provamos que haveria prejuízo aos cofres públicos, se não ocorresse o bloqueio, já que a ação demora para ser processada”, afirma o advogado da União Vitor Pierantoni Campos.

Segundo ele, o elevado nú­­mero de funcionários municipais envolvidos em fraudes licitatórias ocorre porque as licitações, em geral, passam pelas mãos de muitas pessoas para serem lançadas. Nor­­­malmente, diz Campos, além de uma autoridade pública envolvida em irregularidades de licitações, há também servidores designados para praticar o ato ilícito.

A AGU entrou ainda na Justiça com oito ações civis públicas no mesmo período, nas quais está discutindo o ressarcimento de R$ 8,1 milhões repassados a municípios ou instituições paranaenses. A ação que envolve o maior valor tramita sob sigilo de Justiça e pede que uma empresa que usou irregularmente patrimônio natural da União devolva de R$ 6,2 milhões. Os nomes dos envolvidos também não foram divulgados.

Já em relação a multas e débitos referentes a condenações do Tribunal de Contas da União (TCU) não pagos, a AGU entrou com 31 ações cobrando ao todo R$ 1,6 milhões em todo o Paraná. No total, foram acionados judicialmente sete ex-prefeitos, sete ex-presidentes de conselhos profissionais, seis servidores públicos um secretário estadual e outras seis pessoas (nenhum nome foi divulgado pela AGU).

Ao todo, as 97 ações da AGU no Paraná tentam reaver cerca de R$ 12,6 milhões (ver quadro). Os da­­­dos fazem parte de levantamento feito pelo Departamento de Pa­­­trimônio Público e Probidade Ad­­­ministrativa da AGU. Segundo o levantamento, em todo o Brasil, as ações contra a corrupção que a AGU ingressou na Justiça, entre no­­­vembro de 2008 e novembro de 2009, tentam resgatar R$ 1,4 bilhão.

Participação social

O advogado da União Vitor Pierantoni Campos coordena o Grupo Permanente de Combate à Corrupção da AGU no Paraná. Ele explica que o trabalho de recuperação de valores gastos de forma irregular sempre existiu. Mas, com a criação do grupo, em nível nacional no ano passado, as ações anticorrupção começaram a ocorrer de forma organizada em todo o Brasil.

Ele ainda diz que o trabalho do órgão depende do auxílio da população. “A AGU é um dos instrumentos que o sistema tem para atuar contra a corrupção. Mas, sozinha, não consegue atuar; é preciso pensar na participação de toda a sociedade.”

Fonte: Gazeta do Povo

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