sexta-feira, junho 19, 2026

Bispo aliado de Bolsonaro diz que caso Master prejudicou Flávio entre evangélicos

 



Lula acertou ao responder Trump: soberania nacional não admite tutores estrangeiros


Lula cobrou respeito à soberania nacional

Pedro do Coutto

A política externa raramente decide eleições no Brasil. Mas, quando um presidente dos Estados Unidos resolve comentar a disputa presidencial brasileira, o debate deixa de ser apenas diplomático e passa inevitavelmente para o terreno eleitoral. Foi exatamente isso que ocorreu quando Donald Trump classificou o Brasil como um país “politicamente perigoso” e voltou a demonstrar preferência pelo campo político ligado à família Bolsonaro.

A resposta do presidente Lula da Silva foi direta: “Não se meta nas eleições no Brasil.” Acrescentou que as eleições brasileiras dizem respeito exclusivamente aos brasileiros e cobrou respeito à soberania nacional.

NÃO INTERVENÇÃO – Independentemente das preferências partidárias de cada eleitor, é difícil contestar o princípio que orientou a resposta presidencial. Desde a redemocratização, um dos pilares da política externa brasileira tem sido justamente a defesa da não intervenção nos assuntos internos dos Estados. O Brasil historicamente rejeitou ingerências estrangeiras, fossem elas vindas de Washington, Moscou, Pequim ou de qualquer outro centro de poder internacional.

Esse princípio não pertence à esquerda nem à direita. É uma tradição diplomática construída ao longo de décadas pelo Itamaraty. A declaração de Trump, portanto, produz um efeito político curioso. Ao demonstrar simpatia por um dos campos da disputa eleitoral brasileira, o presidente americano oferece a Lula a oportunidade de ocupar um terreno historicamente sensível para o eleitorado nacional: a defesa da soberania.

O nacionalismo brasileiro possui características próprias. Diferentemente de outros países, ele costuma emergir quando há percepção de pressão externa. Em momentos assim, divergências ideológicas frequentemente cedem espaço à ideia de que decisões nacionais devem ser tomadas exclusivamente dentro das fronteiras brasileiras.

REAÇÕES – Não é a primeira vez que esse fenômeno aparece. Ao longo da história recente, manifestações de governos estrangeiros sobre temas internos brasileiros quase sempre provocaram reações de defesa institucional, inclusive entre grupos políticos que normalmente divergem em praticamente tudo. A percepção de que uma potência estrangeira tenta influenciar decisões nacionais costuma gerar resistência muito maior do que apoio.

Sob esse aspecto, Trump acabou oferecendo a Lula uma pauta politicamente confortável. Ao responder que o presidente americano pode ter suas preferências pessoais, mas não deve interferir nas eleições brasileiras, Lula evitou transformar o episódio em confronto ideológico com os Estados Unidos. Em vez disso, deslocou a discussão para um princípio amplamente aceito nas relações internacionais: o respeito à soberania dos Estados.

Isso não significa que as declarações de Trump tenham potencial para alterar significativamente o resultado das urnas. O peso eleitoral de um presidente americano sobre o voto do brasileiro sempre foi limitado. Questões como inflação, emprego, renda, segurança pública e qualidade dos serviços costumam exercer influência muito superior na decisão do eleitor. Entretanto, episódios internacionais podem moldar narrativas políticas.

ARGUMENTOS – Neste caso, Lula ganha argumentos para reforçar o discurso de que seu governo defende a autonomia nacional diante de pressões externas. Já a oposição enfrenta um desafio adicional: demonstrar que eventuais aproximações com Washington não representam subordinação política nem aceitação de interferências em assuntos internos.

O episódio também evidencia um aspecto mais amplo das relações internacionais sob Donald Trump. Ao longo de sua trajetória política, o presidente americano rompeu diversas convenções diplomáticas tradicionais ao manifestar preferências por candidatos, partidos e lideranças de outros países. Esse estilo personalista produz repercussões internas que nem sempre favorecem aqueles que recebem seu apoio. Em democracias consolidadas, demonstrações explícitas de preferência por parte de líderes estrangeiros frequentemente despertam reações nacionalistas e fortalecem o discurso da autonomia política.

No caso brasileiro, essa lógica parece especialmente evidente. Ao dizer que o Brasil se tornou “politicamente perigoso”, Trump buscava criticar o ambiente institucional brasileiro. No entanto, ao fazê-lo durante um período pré-eleitoral e ao associar suas declarações ao contexto envolvendo aliados da família Bolsonaro, acabou permitindo que Lula respondesse ocupando uma posição institucionalmente difícil de contestar: a defesa da independência do processo eleitoral brasileiro.

DECISÃO NAS URNAS – No fim das contas, a principal lição desse episódio talvez seja menos sobre Lula ou Trump e mais sobre a natureza das democracias. Países soberanos escolhem seus governantes nas urnas, por decisão de seus próprios cidadãos. Preferências internacionais sempre existirão, assim como afinidades ideológicas entre líderes. O que não pode se tornar normal é a expectativa de que governos estrangeiros influenciem processos eleitorais que pertencem exclusivamente às sociedades nacionais.

Nesse ponto específico, a resposta de Lula transcendeu a disputa entre governo e oposição. Reafirmou um princípio que antecede qualquer eleição, qualquer partido e qualquer presidente: a soberania popular não admite tutela externa. É esse princípio, e não uma conveniência circunstancial, que sustenta a legitimidade de qualquer democracia.

Cadé os bilhões de reais que a PF diz ainda estarem disponíveis a Vorcaro?


Vorcaro segue preso sem prazo definido e terá destino julgado pela Segunda  Turma do STF #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Duarte Bertolini

Muitas coisas mudam – e velozmente – no Brasil. Mas outras continuam imutáveis e guiando nossos dias. Por exemplo, o bordão “O Brasil não é para amadores”. Sempre que é citado, percebo minha absoluta ignorância. Foi o que aconteceu ao ler esta manchete: “PF está pressionando Vorcaro a devolver bilhões de reais aos fundos…”

A grande imprensa publica uma notícia desse teor, mas ninguém pergunta aonde foram parar estes bilhões. Se ainda restam no patrimônio ou estão disponíveis de Vorcaro, não deveriam estar sob a guarda do Banco Central?

MAIS DÚVIDAS – Se continuam à disposição do Vorcaro, como a PF ainda não encontrou essa fortuna? Ou as espalhafatosas buscas e apreensões seriam só para animar os telejornais e aumentar o prestígio do PF?

Se estão em paraíso fiscal, em contas de laranjas no exterior, em imóveis registrados por cúmplices, em bitcoins ou similares, por que os famosos rastreamentos da PF, Receita Federal, Coaf, Banco Central e Tribunal de Contas da União não encontraram qualquer rastro? O sempre útil e necessário site Intercept, oráculo de todos os segredos favoráveis à esquerda, não poderia ajudar neste caso?

Essas inquietantes dúvidas vêm confirmar o bordão celebrizado por Tom Jobim mostrando que o Brasil realmente não é para amadores.

TERCEIRA TENTATIVA – Os bilhões podem até sumir, mas uma coisa é certa – a delação de Vorcaro vai acontecer. Lembrem que na Lava Jato as delações possibilitaram a devolução de bilhões aos cofres públicos, mas depois os empresários corruptos recuperaram tudo, devido ao apoio entusiasmado do Supremo.

No caso da trama do golpe que não houve, a delação foi coisa de profissionais. O tenente-coronel Mauro Cid, brilhante oficial que era orgulho do Exército, foi moldando seus depoimentos às necessidades da relatoria até chegar ao que interessava aos grandes atores/defensores da democracia desta vibrante nação.

Somente depois de prestar nove depoimentos, Mauro Cid deixou de ser pressionado e sua delação foi aprovada com aplausos. Quanto a Daniel Vorcaro, o banqueiro está apenas no terceiro depoimento. Ainda faltam seis, pelo menos. Enquanto isso, os bilhões do banqueiro vão se evaporando, num país que não é mesmo para amadores.

“Tô com saudade de tu, meu desejo; tô com saudade do beijo e do mel…”


Nando Cordel - Pesquisa Escolar

Nando Cordel, grande músico pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, expressa o que acarreta a saudade de um amor na letra de “Gostoso Demais”, parceria com Dominguinhos. A música foi gravada por Maria Bethânia no LP Dezembros, em 1987, pela Universal Music.

GOSTOSO DEMAIS
Dominguinhos e Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo.
Tô com saudade do beijo e do mel,
Do teu olhar carinhoso,
Do teu abraço gostoso,
De passear no teu céu.

É tão difícil ficar sem você,
O teu amor é gostoso demais.
Teu cheiro me dá prazer,
Quando estou com você,
Estou nos braços da paz.

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz assim
Tem dó de mim,
O que eu posso fazer?                     

Eduardo Bolsonaro vira ‘camisa 10’ de Lula e amplia desgaste da candidatura de Flávio


Eduardo transformou-se em um grande cabo eleitoral de Lula

Roseann Kennedy
Estadão

A história política do País registrou um capítulo irônico na última terça-feira, 16. Ao ser condenado por unanimidade no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação de ministros no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) consolidou seu papel de “camisa 10” no time do presidente Lula.

De forma involuntária, o filho “Zero Três” do ex-presidente Jair Bolsonaro transformou-se em um grande cabo eleitoral do petista. Além de presentear Lula com o discurso em defesa da soberania nacional, ele ainda corre o risco de tirar a próprio família de campo.

AGENDA NO EXTERIOR – Curiosamente, enquanto Eduardo era sentenciado a 4 anos e 2 meses de prisão — acusado de articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e ministros do STF —, o presidente Lula cumpria agenda no exterior justamente propagando a bandeira da soberania nacional.

O resultado do julgamento no STF tem potencial para prejudicar mais a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Eduardo sempre foi o principal fiador do nome do irmão no grupo político, a despeito de todas as críticas e das sinalizações de que uma chapa de centro-direita teria mais força para enfrentar Lula.

Vivendo em uma espécie de mundo paralelo nos Estados Unidos, Eduardo acabou colando a imagem do irmão às ameaças de um novo “tarifaço” americano contra produtos brasileiros, sobretudo após articular o recente encontro de Flávio com Donald Trump. Essa associação afasta o eleitor independente — que deve decidir o pleito deste ano —, uma vez que o teto dos votos radicais já está estabelecido.

SABOTAGEM INTERNA – Aliados que circulam no núcleo duro do bolsonarismo e da pré-campanha já identificam um movimento de sabotagem interna para que Flávio desista da disputa eleitoral de 2026.

É claro que a pressão está muito mais associada ao seu derretimento nas pesquisas após as revelações de conversas em que pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, além do temor de novos escândalos. Contudo, a condenação de Eduardo joga combustível na crise. Os primeiros passos, segundo apurou a Coluna, sinalizam uma tentativa de viabilizar o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) para substituí-lo.

Ou seja, embora a bolha bolsonarista aposte em uma espécie de “VAR” jurídico para virar o jogo — forçando um paralelo do caso de Eduardo com o desfecho do julgamento de Carla Zambelli na Corte italiana, que apontou a parcialidade do ministro Alexandre de Moraes —, o risco real é de o grupo imitar a seleção da Itália: ver os Bolsonaros fora desta “Copa” eleitoral.


EDITORIAL: A Balança Seletiva de André Mendonça – O Rigor Contra Jaques Wagner e a inércia Sobre os Milhões de Flávio Bolsonaro

 


EDITORIAL: A Balança Seletiva de André Mendonça – O Rigor Contra Jaques Wagner e a inércia Sobre os Milhões de Flávio Bolsonaro


Por José Montalvão


A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, jogou luz sobre o que há de mais sofisticado e, ao mesmo tempo, de mais degradante na simetria do poder em Brasília. Investigar fraudes bilionárias, o uso espúrio do parlamento para favorecer interesses de banqueiros e o trânsito de vantagens indevidas é o papel constitucional indiscutível das instituições de controle. O que não se justifica de forma alguma, e clama por uma crítica severa da sociedade, é a gritante disparidade com que o ministro-relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, maneja a balança da Justiça. Onde há o rigor implacável da caneta para uns, há um silêncio sepulcral e uma pasmante inércia para outros.

O escândalo em torno do Banco Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, redesenhou o mapa das relações promíscuas entre o sistema financeiro e o Congresso Nacional. Diante do colapso de uma estrutura acusada de fraudar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), as investigações começaram a puxar os fios de uma extensa rede de influência política. No entanto, o desenho final dessa malha de suspeitos sob a tutela de André Mendonça revela uma seletividade que afronta a lógica do interesse público e evoca os piores fantasmas de blindagem partidária e ideológica.

O Abismo Entre a Canetada Contra o PT e o Silêncio Sobre o PL

O mesmo rigor de Mendonça que justificou a autorização para a investida contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) parece desaparecer quando o alvo muda de espectro político. Líder do governo no Senado, Wagner viu seus endereços em Salvador e Brasília serem vasculhados por agentes federais que apuram se o parlamentar baiano atuou no Congresso para inflar o teto de cobertura do FGC, supostamente operando por meio do banqueiro Augusto Lima, o “Guga”, envolvendo um suposto imóvel de R$ 2,5 milhões. Trata-se de uma suspeita grave que exige, por óbvio, apuração rigorosa. Da mesma forma, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi exposto em suas relações.

O que causa profunda estranheza e perplexidade no eleitor brasileiro não é o avanço sobre Wagner ou Ciro; é o tamanho do abismo que separa essas ações do tratamento dispensado ao filho do ex-presidente da República, o também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Enquanto o líder do governo é alvo de buscas por uma suposta interlocução em solo nacional, Flávio Bolsonaro permanece intocado, em uma zona de aparente imunidade processual infinitamente mais grave. O filho do ex-presidente é citado em transações que envolvem montantes muito maiores — cifras que chegam a impressionantes R$ 61 milhões —, além de áudios explícitos que desafiam qualquer princípio de equidade e lógica jurídica. Como explicar que, diante de provas tão robustas, a caneta do ministro-relator perca a tinta?

O Teatro dos Extremos e a Necessidade de Isenção

O que a maioria dos brasileiros quer saber do Ministro André Mendonça é simples: qual é o critério técnico para o ritmo de suas decisões? A engrenagem judicial não pode funcionar como um apêndice de preferências políticas ou de gratidões ministeriais do passado. No fundo, assistimos a um teatro onde os extremos políticos usam os escândalos para empurrar a lama para o colo alheio, mas, nos bastidores do Judiciário, a seletividade das investigações acaba operando como um freio de mão para proteger aliados de primeira hora.

A República exige que a lei seja aplicada de forma retilínea e linear. Se há indícios contra Jaques Wagner, que ele responda perante o STF e apresente suas defesas. Mas que o mesmo peso e a mesma medida de busca e apreensão entrem nos endereços de quem movimenta dezenas de milhões em benefício próprio ou familiar. Do contrário, a Justiça perde a sua majestade e passa a ser vista como mera ferramenta de perseguição política.

Conclusão: Que se Quebre Quem For Podre, Sem Seletividade

O meu ponto de vista permanece firme, coerente e sem amarras: que se quebre quem for podre! Seja de direita, de esquerda, do PT ou do PL. O Brasil só encontrará a verdadeira viabilidade socioeconômica e o caminho do desenvolvimento integral quando as suas instituições limparem o estábulo da corrupção por completo, sem poupar sobrenomes ou dinastias políticas.

Aqui no interior da Bahia, o cidadão de Coronel João Sá, de Jeremoabo e de Antas já aprendeu a cobrar transparência e responsabilidade dos seus governantes locais, celebrando o fim do amadorismo administrativo. É hora de Brasília aprender a mesma lição com o povo sertanejo. Ministro André Mendonça, a opinião pública aguarda respostas claras: a lei vale para todos os senadores ou os R$ 61 milhões de Flávio Bolsonaro gozam de um salvo-conduto especial? A balança da Justiça não pode ter lado!

Blog de Dede Montalvão: Denunciando a seletividade do poder, exigindo o mesmo rigor da lei para todos os investigados e defendendo a moralidade pública doa a quem doer!

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025


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