sábado, abril 18, 2026

Lula reage à liderança de Flávio Bolsonaro e tenta blindar discurso democrático: “o povo decide”


Estreito de Ormuz, o petróleo e o novo equilíbrio global: a geografia do poder


Energia redefine soberanias em um mundo mais instável

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

A geopolítica voltou ao seu estado mais implacável — e o faz no ponto mais sensível da economia global. O Golfo Pérsico voltou a concentrar uma tensão com capacidade imediata de contágio sistêmico. O reforço da presença militar norte-americana nas rotas marítimas, acompanhado por ações diretas de interdição a navios ligados ao Irã, vai além do plano da dissuasão: traduz uma reconfiguração concreta de um dos corredores vitais do planeta. Em um sistema internacional já marcado pela fragmentação e pela erosão de consensos, essa escalada devolve à energia seu papel mais antigo — o de instrumento central de poder.

O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial e uma parcela relevante do gás natural liquefeito, voltou a se afirmar como o ponto de maior vulnerabilidade da economia global. Mais do que um corredor logístico, assume a função de mecanismo de equilíbrio.

OSCILAÇÕES – Nos últimos dias, o preço do petróleo de referência na Europa (Brent) registrou oscilações superiores a 6% em sessões consecutivas, refletindo a antecipação de risco. Este é o dado decisivo: no sistema energético atual, a percepção antecede o fato e, muitas vezes, o substitui. O mercado reage ao que pode acontecer com a mesma intensidade com que reagiria ao que já aconteceu.

Teerã compreende essa lógica com precisão cirúrgica. Sua estratégia se baseia na manipulação do limiar da incerteza. Ao preservar a capacidade de perturbar o tráfego marítimo por meio de ações indiretas — de forças aliadas a operações de assédio naval — o Irã transforma a ambiguidade em um ativo estratégico. Não precisa fechar Ormuz para condicionar o sistema; basta tornar plausível essa hipótese. Essa forma de poder, assimétrica e calibrada, permite projetar influência muito além de seus meios convencionais.

Em paralelo, o cessar-fogo temporário entre Israel e o Líbano oferece uma aparência de contenção que não resiste a uma leitura mais exigente. Falta densidade política e capacidade de estabilização duradoura, funcionando sobretudo como uma pausa funcional em um cenário em recomposição. O Oriente Médio se afirma, cada vez mais, como um espaço de tensões interdependentes, no qual cada frente influencia as demais e amplia o risco de escalada por contágio. A estabilidade, nesse contexto, assume caráter transitório.

LIBERDADE DE NAVEGAÇÃO – Os Estados Unidos buscam reafirmar a liberdade de navegação como princípio basilar da ordem internacional. Fazem isso, porém, em um ambiente no qual sua capacidade de dissuasão é constantemente testada. A diferença em relação a crises anteriores é decisiva: a autoridade estratégica deixou de ser presumida e passou a ser verificada em tempo real. Cada movimento é observado por rivais que operam na lógica da pressão incremental, avaliando limites e explorando hesitações. A margem de erro diminuiu, e o custo de uma leitura equivocada pode ultrapassar amplamente o plano regional.

É nesse ponto que a crise se torna incontornável para a Europa. Ainda em processo de ajuste após o choque energético provocado pela guerra na Ucrânia, o continente enfrenta agora uma nova fonte de instabilidade em um eixo crítico de abastecimento. Apesar dos avanços na diversificação, a dependência indireta permanece suficiente para amplificar perturbações relevantes. A exposição europeia persiste, ainda que sob novas formas.

Os efeitos começam a se materializar com clareza. A volatilidade recente nos preços da energia já pressiona cadeias industriais, sobretudo na Alemanha, onde setores intensivos em energia permanecem particularmente sensíveis a variações abruptas. O Banco Central Europeu acompanha esse cenário com cautela crescente, ciente de que um novo ciclo de encarecimento energético pode comprometer o equilíbrio delicado entre o controle da inflação e a retomada econômica. O impacto se estende ao investimento, à competitividade e ao ritmo de crescimento.

FRAGILIDADE – Mais do que o choque imediato, importa o diagnóstico que dele decorre. A sucessão de crises expôs uma fragilidade estrutural europeia: a dificuldade de antecipar e agir de forma estratégica em matéria de segurança energética. A resposta tem sido eficaz, mas essencialmente reativa.

No Golfo, essa limitação se torna particularmente evidente. A União Europeia dispõe de influência diplomática, mas carece de instrumentos de projeção que lhe permitam atuar com verdadeira autonomia. Permanece, em larga medida, dependente de garantias externas para proteger interesses vitais.

O momento atual impõe uma leitura sem ambiguidades. A energia se consolidou como eixo de soberania. A transição para fontes renováveis é indispensável, mas não substitui a necessidade de uma estratégia geopolítica coerente. Sem essa dimensão, a Europa permanecerá vulnerável a ciclos recorrentes de instabilidade, com impactos cumulativos.

ESTABILIDADE – O que está em jogo no Golfo vai muito além do fluxo de petróleo. Trata-se da estabilidade de um sistema que depende da previsibilidade para funcionar. Quando essa previsibilidade se dissolve, o risco deixa de ser exceção e passa a ser condição permanente. Em um contexto no qual a incerteza se impõe como norma, o custo deixa de ser apenas econômico e passa a ser também político, social e estratégico.

A crise atual não anuncia necessariamente uma guerra aberta, mas revela algo mais profundo e duradouro: a instabilidade tornou-se estrutural. O mundo entrou em uma fase na qual o risco deixou de ser um desvio e passou a constituir o próprio ambiente de decisão. Para a Europa, a questão já não é apenas adaptar-se, mas fazê-lo com rapidez e autonomia suficientes para não se tornar refém de dinâmicas externas. No novo equilíbrio global, impõe-se uma regra incontornável: quem não controla sua energia, não controla seu destino.


Quaest : Flávio Bolsonaro lidera transferência de votos e pressiona Lula no segundo turno


Quem abusou da autoridade? O ministro Gilmar ou o senador Alessandro Vieira?

Publicado em 18 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Relator de CPI pede à PGR arquivamento de ação movida por Gilmar Mendes

Alessandro Vieira queria que a PF investigasse Gilmar

Dora Kramer

Se as coisas funcionarem como manda o figurino da institucionalidade, o ministro Gilmar Mendes pode ter dado um tiro de efeito bumerangue ao pedir que a Procuradoria-Geral da República investigue o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) por abuso de autoridade.

Na concepção do magistrado do Supremo Tribunal Federal, o então relator da CPI do Crime Organizado teria abusado de suas prerrogativas ao incluir no seu relatório pedido de indiciamento dele, dos colegas Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e do procurador-geral, Paulo Gonet.

ACOBRACIAS – O procurador Paulo Gonet terá de fazer acrobacias —o que não é impossível— para enxergar fundamento no pedido. Primeiro, porque o senador elaborou a peça no exercício de suas funções. Segundo, não houve consequência alguma, pois o relatório foi recusado mediante a troca de integrantes da comissão de inquérito. Terceiro, o senador tem imunidade em palavras e votos. Quarto, atos de natureza política são inerentes à atividade do político.

Se alguém extrapolou foi Gilmar ao fazer uso da autoridade do cargo para recorrer à estrutura de Estado a fim de se defender do que considerou uma ofensa pessoal. O abuso, então, deslocou-se do senador para o ministro do STF, cuja reação intempestiva evidenciou sentimento de intocabilidade.

PROVOCAÇÃO – Alessandro Vieira pode ter errado o cálculo ao sair da posição de habitual equilíbrio para fazer uma provocação em reação a interdições judiciais feitas na tentativa da CPI de incluir o Banco Master nas investigações.

O senador provocou, está sendo criticado por isso e as coisas teriam ficado por aí se o ministro não tivesse resolvido mandar mais um recado ao Congresso Nacional sobre as consequências decorrentes de tentativas de contestar atitudes de integrantes da corte. Contestações estas abrigadas pela Constituição.

O Parlamento talvez não se disponha ao contra-ataque de imediato. Mas as eleições estão aí com o tema do impeachment na agenda de campanha para o Senado. E é neste ponto que o fígado de Gilmar Mendes pode ter-lhe feito uma falseta.


Policial penal suspeito de matar empresária recebe alta do Huse

A alta hospitalar foi confirmada pela unidade de saúde

O policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, suspeito de matar a empresária Flávia Barros em um hotel na zona sul de Aracaju, recebeu alta do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) na última sexta-feira, 17. A informação foi confirmada pela unidade hospitalar.

Tiago Sóstenes foi readmitido no hospital no dia 9 de abril onde foi avaliado pela equipe de Cirurgia Geral, realizou exames e permaneceu sob cuidados da Neurocirurgia, com acompanhamento contínuo. No mesmo dia, ele foi denunciado pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE) pelo assassinato da empresária. O MPSE reconheceu a gravidade extrema do crime, destacando que a utilização de arma dificulta qualquer tentativa de defesa da vítima e a motivação torpe, relacionada ao ciúme excessivo e no sentimento de posse.

Sobre o caso

Na madrugada do dia 22 de março, a empresária Flávia Barros foi morta a tiros pelo policial Tiago Sóstenes dentro de um quarto de hotel em Aracaju. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a porta do quarto arrombada e, no interior, o casal sobre a cama, ambos com ferimentos causados por disparos de arma de fogo.

Flávia não resistiu aos ferimentos e morreu no local, mas Tiago estava vivo e foi encaminhado ao Huse, recebendo alta médica alguns dias depois. Tiago passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida. Ele está detido no Presídio Militar de Sergipe.

No dia 23 de março, ele foi exonerado do cargo de diretor do  Conjunto Penal de Paulo Afonso.

*Com informações do Huse

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MPBA reúne prefeitos baianos para debater políticas de segurança pública

 

Prefeitos que aderiram ao projeto ‘Município Seguro’ receberão selo da Instituição durante encontro

Por Redação

17/04/2026 às 18:15

Foto: Divulgação/MPBA

Imagem de MPBA reúne prefeitos baianos para debater políticas de segurança pública

Projeto Município Seguro do Ministério Público da Bahia

O Ministério Público do Estado da Bahia reúne, no próximo dia 28 deste mês, prefeitos de diversos municípios baianos para debater e fomentar a implementação de políticas na área de segurança pública. O primeiro ‘Encontro Estadual do Projeto Município Seguro’ acontece na sede do MPBA, no CAB, e será aberto, às 14h, pelo procurador-geral de Justiça Pedro Maia. Também estarão presentes o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner; o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, o presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, e a presidente em exercício da União dos Vereadores da Bahia.

Na ocasião, o MPBA entregará o selo “Compromisso por um Município Seguro” aos gestores que já aderiram à iniciativa, reconhecendo o engajamento das administrações municipais na consolidação de políticas públicas mais eficientes. O presidente da UPB, Wilson Cardoso, destacou a importância da parceria institucional para o fortalecimento das políticas públicas nos municípios. “Quando o Ministério Público e a UPB se unem, é certeza de que o sucesso será garantido. Foi assim com a educação, quando tivemos avanços na alfabetização na idade certa, e também no enfrentamento aos altos cachês cobrados por bandas nos festejos juninos. E será assim também com o programa ‘Município Seguro’, iniciativa que já conta com a adesão de 59 municípios”, destacou.

A programação contará com a apresentação do projeto ‘Município Seguro’, que será feita pelo coordenador do Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública e Defesa Social (Ceosp), promotor de Justiça Hugo Casciano de Sant’Anna, e pelo coordenador do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública (Geosp), Igor Clóvis Silva Miranda. O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, fará o lançamento da Escuta Social para elaboração do novo Plano Estratégico da Segurança Pública 2034. Já o diretor executivo do Instituto Cidade Segura, Alberto Koppittke, abordará o papel dos municípios no Sistema Único de Segurança Pública. O evento reunirá prefeitos, vice-prefeitos, secretários municipais, procuradores, presidentes de câmaras, vereadores e técnicos das gestões locais, além de membros e servidores do MPBA e representantes da UPB e UVB-BA.

O promotor de Justiça Hugo Casciano de Sant’Anna ressaltou que “a segurança pública deve ser compreendida para além da atuação repressiva, incorporando ações de prevenção e promoção de direitos fundamentais, como educação, convivência familiar e proteção de grupos vulneráveis, além de iniciativas voltadas ao bom uso dos espaços públicos, como melhoria da iluminação pública, da pavimentação urbana e videomonitoramento das vias. O ‘Município Seguro’ busca fomentar políticas integradas capazes de impactar diretamente na redução da violência”.

O projeto Município Seguro está em andamento em 373 municípios baianos, sendo que em 59 deles os gestores formalizaram a adesão e assumiram o compromisso de implementar os instrumentos previstos na Lei nº 13.675/2018. A iniciativa visa sensibilizar gestores e orientar a adoção de instrumentos previstos na Lei nº 13.675/2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), reforçando o papel estratégico dos municípios na construção de ações integradas de prevenção e enfrentamento à violência.

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