sexta-feira, abril 03, 2026

Bolsonaro prioriza maioria pró-impeachment do STF no Senado enquanto Flávio evita expor embate

 

Bolsonaro prioriza maioria pró-impeachment do STF no Senado enquanto Flávio evita expor embate

Por Carolina Linhares/Folhapress

03/04/2026 às 06:43

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

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Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prioriza consolidar uma maioria de senadores pró-impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em 2027 ao escalar os nomes da direita que devem disputar as eleições de outubro, na contramão do discurso oficial adotado por seu filho na corrida ao Planalto.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem evitado expor desgaste com a corte e tentado pregar a estratégia de moderação, apesar de seu passado político.

Questionados pela Folha a respeito de metas se eleitos ao Senado, pré-candidatos bolsonaristas falam em reequilibrar os Poderes e em impeachment de magistrados, especialmente de Alexandre de Moraes, relator da ação em que o ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Bolsonaro recebeu alta médica na sexta-feira passada (27) e, após autorização de Moraes, foi transferido para prisão domiciliar. O ex-presidente está desde então em casa, depois de duas semanas de internação e de ter permanecido desde janeiro na Papudinha, onde recebia visitas para articular as candidaturas do PL nas eleições.

A eleição para o Senado e o controle da Casa são prioridade para Bolsonaro, segundo quem o visitou nos últimos meses. O ex-presidente discutiu com políticos sua lista de nomes favoritos para o cargo de senador. Ele quer emplacar inclusive sua família no Senado —Michelle (PL) no Distrito Federal e Carlos (PL) em Santa Catarina.

O PL definiu que Bolsonaro é responsável por escolher os candidatos do partido para a Casa Alta, enquanto Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, está encarregado de governadores e deputados.

Levantamento da Folha mostra que o PL já tem 35 nomes lançados ou cogitados ao Senado. Desses, a reportagem conversou com 5 que apoiam a saída de Moraes e apurou que ao menos outros 24 já defenderam publicamente o impeachment do ministro ou assinaram pedidos pela instauração do processo.

Considerando também aliados de Flávio de outros partidos, há mais de 50 possíveis candidatos da direita bolsonarista.

De acordo com cálculos do ex-presidente, a direita bolsonarista (seja apenas o PL ou somando outras siglas aliadas, como o Novo) poderia eleger até 35 candidatos e, portanto, ultrapassar 41 senadores em 2027, garantindo a maioria da Casa.

Neste ano, cada estado elege dois representantes. Ou seja, serão eleitos 54 dos 81 senadores, cujo mandato é de oito anos. O PL tem atualmente 17 senadores, sendo que 7 estão no fim do mandato e 10 vão permanecer em 2027.

O partido pretende ter ao menos um candidato próprio ao Senado em cada estado —até agora, só não há opções de filiados para lançar no Amapá.

Com o controle do Senado, a ideia é eleger o presidente e fazer avançar pautas antes travadas pela cúpula da Casa, como o impeachment de ministros do STF.

Na sexta, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) explicitou os planos da família. "Os futuros senadores vão 'impichar' o Alexandre de Moraes. Vamos chutar para fora esses juízes corruptos. No dia seguinte, eu vou processá-lo pelos crimes que ele cometeu", disse em evento conservador nos EUA.

O deputado federal Sanderson (PL-RS), que vai disputar o Senado, diz que obter maioria é importante para Bolsonaro "porque ele é a vítima da maior perseguição da história do Brasil".

"A Suprema Corte está fora de controle, e quem pode fazer o controle é o Senado, só que nunca fez. Nós vimos que a maneira de tentar corrigir os rumos do Brasil era vencermos o Senado", afirma. Sanderson diz ver justa causa para impeachment de Moraes e Dias Toffoli.

Flávio, por sua vez, não tem fomentado o discurso anti-STF, algo que deve ficar a cargo de seus apoiadores e candidatos ao Legislativo. A estratégia do presidenciável é mirar o governo Lula (PT) e priorizar propostas.

A avaliação do entorno do senador é que a retórica beligerante do pai e o seu enfrentamento com os demais Poderes pesaram na derrota de 2022 e que esses erros não devem ser repetidos. Aliados de Flávio dizem também que ele, na condição de filho, quer evitar atrito com Moraes, que pode suspender a prisão domiciliar do pai.

Quando questionado, porém, Flávio faz críticas ao STF e defende o impeachment de ministros de forma protocolar. Ele também esteve, no início do mês, na manifestação bolsonarista contra Moraes e Toffoli.

"Vou defender sempre que, se comprovado crime de responsabilidade, sofra impeachment. No meu ponto de vista, houve infringência, como participação político-partidária e decisões sem embasamento legal onde o magistrado deveria se declarar impedido. Manterei minha postura favorável ao impeachment de ministro que descumpra a lei; isso não é antidemocrático", respondeu à CNN, na semana passada.

Pré-candidatos afirmaram à reportagem que não veem problema em Flávio evitar o embate com o STF. "Vejo ele focado na futura gestão à frente do Planalto", disse Sanderson.

Signatária de diversos pedidos contra Moraes, a deputada Bia Kicis (PL-DF), que deve disputar o Senado, afirmou que Flávio defende o impeachment, mas "tem que agir com cautela, porque ele já é alvo e vai ser cada vez mais".

O tom contra Moraes também foi atenuado entre postulantes ao Senado. O coronel Hélio Oliveira (PL-RN) disse que o impeachment é um instrumento legal, mas evitou mencionar nomes de ministros à Folha, embora tenha publicações a favor da saída de Moraes.

A respeito de Flávio, afirma que ele "não precisa falar de impeachment de ministros, porque não é papel de presidente da República falar disso".

O ex-ministro Marcelo Queiroga (PL), que vai concorrer na Paraíba e também já tratou de impeachment nas redes, diz que isso "não é obsessão".

"Eu não vou ser candidato ao Senado para vir aqui e fazer impeachment de Alexandre de Moraes ou de qualquer um. Agora, existindo indícios de crime de responsabilidade, cabe a abertura de um processo, não com o intuito de se vingar de quem quer que seja, mas dentro do devido processo legal."

O deputado Filipe Barros (PL-PR), também postulante ao Senado, diz que o impeachment "é uma pauta, mas é inevitável uma reforma do Judiciário". "Esse é um debate que tem que ser feito de forma sóbria, com juristas, com todo o Senado envolvido, com os próprios ministros."

Politica Livre

Moraes voou em avião da empresa de Vorcaro na véspera de reunião com banqueiro, indicam documentos

 

Moraes voou em avião da empresa de Vorcaro na véspera de reunião com banqueiro, indicam documentos

Por Vinícius Valfré, Aguirre Talento, Weslley Galzo e Gustavo Côrtes/Estadão Conteúdo

03/04/2026 às 08:54

Foto: Luiz Silveira/Arquivo/STF

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Alexandre de Moraes

Documentos da CPI do Crime Organizado, da Aeronáutica e de empresas de táxi aéreo indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), viajou de Brasília para São Paulo em agosto de 2025 em um avião de empresa da qual o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, era sócio. No dia seguinte à viagem, ele teria se reunido com o banqueiro, segundo mensagem de Vorcaro enviada à ex-mulher na ocasião.

Moraes acessou o terminal de aviação executiva do aeroporto de Brasília às 19 horas do dia 7 de agosto de 2025, segundo dados enviados à CPI pela Inframérica, administradora do aeroporto da capital federal. Era uma quinta-feira, após sessão plenária do STF.

A reportagem analisou os registros de partidas e chegadas de Brasília naquela data mantidos pela Aeronáutica. Após a chegada de Moraes, três aeronaves voaram para Congonhas, em São Paulo.

Às 19h16, decolou um avião da empresa FSW PSE, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro entre os sócios. A reportagem teve acesso a um documento ao qual o piloto que conduziu a aeronave Falcon 2000, da FSW, neste dia afirma categoricamente que o ministro Alexandre de Moraes não esteve a bordo.

Em seguida, um voo da Prime, empresa que teve participação de Vorcaro até setembro de 2025, partiu de Brasília para o Aeroporto de Congonhas. O Phenom 300, de prefixo PR-SAD, decolou às 20h05 e aterrissou às 21h33.

O terceiro voo com destino a Congonhas realizado pela aviação privada em Brasília, no dia 7 de agosto, partiu às 20h29. Era uma aeronave da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso.

Um dia após embarcar em Brasília, o ministro teve uma reunião com Daniel Vorcaro. Ao menos foi o que o banqueiro relatou em conversa com a ex-mulher Martha Graeff, encontrada no celular dele e obtida pela CPI do INSS.

Às 18h39 de 8 de agosto de 2025, o banqueiro escreveu para Martha Graeff, em duas mensagens de texto: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. Essas seriam referências ao ministro do STF e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

No dia 11 de agosto, segunda-feira, o ministro fez palestra em programação jurídica do Tribunal de Contas de São Paulo.

Outras viagens de Moraes

Em 16 de maio, os registros apresentam nova vinculação entre a presença de Moraes no terminal executivo e avião ligado a Vorcaro. Naquela data, a entrada do ministro no terminal foi registrada às 9h30. O PR-SAD decolou para Congonhas às 9h37, segundo a Aeronáutica. Um outro voo para São Paulo só decolaria às 21h51.

Uma dinâmica semelhante ocorreu em 1º de agosto. Moraes e a mulher dele, a advogada Viviane Barci, além de um policial da equipe do ministro, chegaram ao terminal às 12h40, conforme o registro da Inframérica. O único voo que partiu para Congonhas foi o PR-SAD, às 12h44.

Em nota divulgada na terça-feira, 31, o escritório de Viviane Barci afirmou que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”.

Disse também que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”.

A reportagem perguntou ao escritório, ainda na quarta-feira, 1º., se Viviane e Moraes usaram o voo das 20h05, da Prime. Não houve nova manifestação.

O Master, de Vorcaro, firmou contrato com o escritório de Viviane Barci em fevereiro de 2024 por um total de R$ 129 milhões em três anos, cerca de R$ 3,6 milhões mensais em honorários. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo. O contrato foi encerrado em novembro, após a liquidação do Master pelo Banco Central.

A reportagem também procurou a equipe do ministro Alexandre de Moraes, que não se manifestou. Na terça-feira, o ministro divulgou nota na qual afirmou que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”. As informações foram publicadas inicialmente pela Folha de S.Paulo.

“O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, destacou o gabinete do magistrado. A nota, contudo, não fez comentários sobre voos em aeronaves que pertencem à empresa que era de Vorcaro.

Politica Livre

CGU apontou irregularidade em emenda parlamentar de presidente da CPI do INSS à Lagoinha


Por Augusto Tenório/Folhapress

03/04/2026 às 09:52

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado/Arquivo

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Carlos Viana

A CGU (Controladoria-Geral da União) concluiu que o senador Carlos Viana (PSD-MG) escolheu a Fundação Oásis, da Igreja Lagoinha, de maneira irregular para receber dinheiro de uma emenda parlamentar.

O órgão afirmou que Viana, pela natureza da emenda, não poderia ter feito a indicação. A escolha da entidade também demandava a realização de concorrência pública prévia.

Em 2022, a CGU emitiu um parecer sobre o envio de emendas parlamentares para a Prefeitura de Belo Horizonte, no qual consta uma destinação assinada por Viana endereçada à Lagoinha.

A verba, de R$ 700 mil à época (R$ 983,1 mil em valores atuais), foi direcionada à instituição sem objetivo definido e não chegou a ser desembolsada porque a organização estava em situação fiscal irregular.

Viana se tornou alvo do STF (Supremo Tribunal Federal) por causa do envio de outros R$ 3,6 milhões em emendas à Lagoinha, mencionada em investigações do caso do Banco Master.

Procurado, o parlamentar negou irregularidades e disse que apenas indicou o destino do dinheiro e que caberia à Prefeitura de Belo Horizonte o cumprimento dos requisitos para o repasse.

O senador presidiu a CPI do INSS, que teve acesso a informações sigilosas sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal no caso Master. O dono do banco, Daniel Vorcaro, é cunhado do empresário Fabiano Zettel, pastor afastado da Lagoinha. A PF investiga se Zettel seria o operador financeiro de Vorcaro, fazendo pagamentos em nome do ex-banqueiro.

Como mostrou a Folha, Zettel fez 54 transferências entre outubro de 2024 e janeiro de 2026, que totalizaram R$ 40,9 milhões, para a unidade do Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha, localizada em região nobre de Belo Horizonte.

"A Fundação Oásis estava com a situação fiscal irregular entre 09/06/2020 e 23/04/2021, houve atraso no início do processo de parceria decorrente da presente transferência voluntária", apontou a CGU.

De acordo com a CGU, a verba foi direcionada por Viana à Fundação Oásis "sem que houvesse uma definição prévia do objeto". Além disso, o órgão de controle disse que, mesmo com a organização "apresentando irregularidades em sua situação fiscal", os recursos ficaram parados numa conta de investimento "ao longo de todo o processo de regularização".

A verba para a Lagoinha faz parte de uma emenda de Viana no valor total de R$ 1,5 milhão, dos quais R$ 700 mil iriam para a instituição e outros R$ 800 mil para uma obra de engenharia. Ambos os valores ficaram parados.

A CGU apontou ainda que Viana "poderia ter destinado o montante de R$ 1,5 milhão, via emenda, para outro unicípio que apresentasse necessidades mais imediatas". De acordo com a controladoria, ninguém soube explicar o que seria feito com os R$ 700 mil da Fundação Oásis, mas que ficou claro que Viana escolheu a instituição como beneficiária desse recurso.

O cadastro da fundação no Suas (Sistema Único de Assistência Social) classifica a entidade como de acolhimento institucional de crianças e adolescentes, idosos e mulheres em situação de violência.

Ao ser questionada pela CGU sobre o critério de escolha da Oásis para o recebimento do recurso, a Prefeitura de Belo Horizonte disse que o próprio senador estabeleceu a destinatária. Tal decisão, apontou a controladoria, é irregular quando feita sem chamamento público.

O relatório da controladoria considerou ter havido o descumprimento de uma artigo da lei de parceiras com organizações sociais, que exige a seleção pública de entidades, para que sejam escolhidas as mais eficazes.

A equipe do senador Carlos Viana disse que não há desrespeito à lei "porque os ofícios são apenas indicativos e não isentam as prefeituras de cumprirem todos os requisitos para o repasse, ou não, exatamente como a emenda citada".

A CGU apontou que "houve grande demora na aplicação dos recursos da emenda" pela Prefeitura de Belo Horizonte, "sendo que até o momento não há sequer a definição do objeto que será executado" com os R$ 700 mil destinados à Lagoinha.

O relatório do órgão de controle afirmou que a demora poderia ser explicada, "em grande parte, pelo fato de o próprio parlamentar definir o objeto e/ou a instituição em que serão aplicados os recursos e ao tempo necessário para regularizar eventuais pendências, além da insuficiência de normativos que tragam orientações claras sobre a utilização dos recursos das emendas especiais".

A equipe de Viana disse que a emenda, "originalmente indicada à Fundação Oasis no exercício de 2020", foi remanejada para a construção de uma quadra poliesportiva no bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte. Segundo o senador, a mudança foi feita depois que a prefeitura o avisou que a fundação não era apta ao recebimento da indicação.

A Prefeitura de Belo Horizonte confirmou que Viana tentou direcionar o recurso da emenda para a Lagoinha, o que não foi possível.

A Lagoinha, por sua vez, se manifestou através da Fundação Oásis, e disse ter atuação abrangente em assistência social e educação e que está em coformidade com a Lei Orgânica da Assistência Social e com o Sistema Único de Assistência Social.

"Sobre a mencionada situação na CGU, a Fundação Oásis não foi notificada e nem possui conhecimento de seu teor", disse a entidade, em nota.

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