Flávio fez menção à revisão da Reforma Tributária
Fabio Graner
O Globo
Com a crescente competitividade mostrada nas pesquisas mais recentes, a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República está reforçando os cuidados nos temas da seara econômica.
Por enquanto, o trabalho é basicamente se colocar como oposto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em alguns tópicos, como a questão do aumento de impostos e do nível de gastos públicos, mas sem descer em minúcias para evitar problemas como os da disputa à reeleição do seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022.
DESGASTE – Naquele ano, discussões sobre desindexação ou desvinculação do salário mínimo, que já eram teses defendidas previamente pela equipe econômica de Bolsonaro, voltaram ao debate faltando pouco tempo para o pleito e geraram desgaste ao então presidente.
Nesse sentido, causou preocupação em aliados de Flávio o movimento nas redes sociais sobre uma declaração dele na qual menciona a possibilidade de revisão da Reforma Tributária. A referência, segundo pessoa próxima a ele, era à reforma do consumo, aprovada em 2024 e cuja implementação efetiva começa a partir de 2027 até 2033.
Mas um mapeamento interno das redes da equipe do senador mostrou que estava crescendo um movimento de dizer que ele iria revogar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
DESMENTIDO – Foi detectado que o movimento era crescente, embora relativamente limitado a perfis de esquerda, de acordo com integrantes da campanha. Nesse contexto, agências de checagem de fatos foram acionadas para desmentir as insinuações. O monitoramento, porém, continua e a situação reforça essa lógica de pisar em ovos para evitar polêmicas que possam tirar votos.
Apesar disso, nos bastidores, há equipes discutindo um programa e até a possibilidade de um novo arcabouço de regras fiscais. Outras pessoas próximas ao senador também trabalham na formatação de textos que poderão ser enviados ao Congresso para acelerar uma “revogaço” de legislações que supostamente prejudicam a competitividade econômica, caso Flávio consiga vencer a disputa ao Planalto.
Por enquanto, a lógica de definir uma espécie de porta-voz econômico, similar ao papel de Paulo Guedes (o Posto Ipiranga de Bolsonaro em 2018), não é o caminho considerado para o curto prazo, segundo interlocutores do senador.