quinta-feira, março 26, 2026

Ala do STF quer usar julgamento sobre CPIs para proteger ministros e evitar excessos em comissões

 

Ala do STF quer usar julgamento sobre CPIs para proteger ministros e evitar excessos em comissões

Por Luísa Martins, Ana Pompeu e Augusto Tenório / Folha de São Paulo

26/03/2026 às 06:35

Atualizado em 26/03/2026 às 07:03

Foto: Gustavo Moreno/STF

Imagem de Ala do STF quer usar julgamento sobre CPIs para proteger ministros e evitar excessos em comissões

André Mendonça

Uma ala de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) quer usar o julgamento sobre a prorrogação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), nesta quinta-feira (26), como plataforma para enviar recados sobre o que eles classificam como excessos cometidos pelas comissões legislativas.

A tendência é a de que seja derrubada a decisão individual do ministro André Mendonça que determinou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a leitura do requerimento de prorrogação dos trabalhos.

O magistrado precisa do apoio de pelo menos mais cinco colegas, número que até seus auxiliares próximos consideram difícil de alcançar.

Quatro dos dez ministros ouvidos pela Folha afirmam que, em um momento de vulnerabilidade do tribunal em meio aos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master, é preciso fixar parâmetros claros à atuação de CPIs, para que as comissões não se transformem em instrumento de intimidação do Supremo.

A avaliação é que, se a corte não estabelecer diretrizes claras, o Congresso pode avançar para além das suas atribuições e forçar conexões entre o objeto da CPI e a atuação de ministros, o que pode configurar desvio de finalidade, ampliar os pontos de atrito entre os Poderes e agravar a crise de desconfiança da sociedade no Judiciário.

Essa leitura é feita inclusive por um magistrado que, na correlação de forças do tribunal, costuma concordar com Mendonça. À Folha esse ministro se disse preocupado com a aprovação, por comissões parlamentares, de requerimentos genéricos e sem justificativas plausíveis —caso da CPI do Crime Organizado, que tem olhado para além das facções e mirado políticos e outras personalidades.

Nessa esteira, essa comissão aprovou a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa da família do ministro Dias Toffoli, mas o ato foi invalidado pelo ministro Gilmar Mendes. O decano entendeu que a medida era invasiva, não tinha fundamentação válida e desbordou os limites do objeto da comissão.

"Somente uma interpretação jurídica estagnada no tempo poderia levar à conclusão de que todos esses dados podem ser devassados sem a chancela do Judiciário", escreveu o magistrado na decisão. Segundo ele, não há "um único elemento concreto" que vincule a Maridt aos fatos narrados no requerimento de criação da CPI.

O Senado Federal recorreu, afirmando que a quebra de sigilo era necessária para investigar a venda, pela Maridt, de metade da participação no resort Tayayá ao fundo de investimentos Arleen —usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para perpetrar fraudes financeiras do Master. O recurso ainda não foi apreciado.

Toffoli afirma que faz parte do quadro societário da Maridt e reconhece que a empresa vendeu cotas do grupo Tayayá em fevereiro de 2025, mas diz desconhecer o gestor do fundo Arleen. O ministro também nega ter recebido dinheiro de Vorcaro ou mantido relações de amizade com o ex-banqueiro, que está preso e negocia um acordo de delação premiada.

Gilmar sinalizou a auxiliares que é preciso haver balizas sólidas para controlar os atos praticados por comissões parlamentares e coibir "excesso de poder". Uma das regras que pode vir a ser discutida, segundo esses interlocutores, é fixar um lapso temporal para quebras de sigilo —proibindo, por exemplo, o acesso a dados de cinco ou dez anos atrás.

A preocupação manifestada pelos ministros alinhados a Gilmar tem origem no avanço da tecnologia: se na era pré-smartphone a quebra de sigilo telefônico abrangia tão somente ligações feitas e recebidas, hoje a mesma medida pode levar uma CPI a acessar um sem fim de dados privados, como fotos, vídeos, geolocalização e informações financeiras.

Outro ponto que pode ser levantado, aliás, é a obrigatoriedade de se estabelecer às comissões parlamentares o chamado "dever de guarda" de documentos, para evitar vazamentos de dados sensíveis. O tema voltou à tona após a disseminação de informações sigilosas do caso Master.

No julgamento, um grupo de ministros também deve rechaçar votações feitas pelos parlamentares em bloco, e não de forma individualizada —o que foi frisado pelo ministro Flávio Dino ao suspender a quebra de sigilo de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela CPMI do INSS.

A exploração política dessas informações também deve ser foco de debate entre os magistrados no julgamento. Um grupo de ministros teme que os materiais colhidos por comissões parlamentares e vazados indevidamente sirvam para viralizar nas redes sociais, inclusive com possibilidade de manipulação por inteligência artificial.

Na semana passada, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pediu ao STF informações sobre um número de telefone que, segundo ele, era vinculado à corte e mantinha contato com Vorcaro. A direção-geral do Supremo afirmou ao parlamentar que a solicitação "demanda melhor delimitação de sua finalidade e de seu alcance".

Caciques do centrão, lideranças do PT e a cúpula do Congresso avaliam que o STF precisa derrubar a decisão de Mendonça, uma vez que a extensão do funcionamento da CPMI pode tumultuar o processo eleitoral. A avaliação é de que os trabalhos vão acabar sendo contaminados pelas campanhas políticas.

O avanço sobre o caso Master e a imprevisibilidade dos materiais é tratada como uma espécie de caixa de Pandora, que pode afetar nomes de diversos espectros políticos. O principal fator de preocupação é o vazamento de conteúdos íntimos dos celulares de Vorcaro e de outros personagens que podem se tornar alvos da CPI.

Viana e o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), propuseram a prorrogação por, no mínimo, mais 90 dias, com possibilidade de estender por mais trinta dias se surgirem fatos novos. Alcolumbre, no entanto, ignorou o requerimento, o que fez o caso parar no STF.

O presidente do Senado, assim como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram a aliados que a prorrogação decretada por Mendonça foi uma intervenção do Supremo em uma prerrogativa exclusiva do Legislativo, o que viola o princípio constitucional da separação dos poderes.

Parlamentares têm reclamado das decisões individuais de ministros do STF que impactam os trabalhos das comissões parlamentares, não só em casos de suspensão das quebras de sigilo, como também em relação a testemunhas convocadas para depor e que acabam sendo desobrigadas de comparecer.

Mendonça inicialmente designou uma sessão virtual de referendo da sua liminar para a Segunda Turma, colegiado menor do qual faz parte no STF. Em seguida, fez uma retificação e pediu julgamento em plenário presencial, com o quórum completo de ministros. O presidente da corte, Edson Fachin, incluiu o processo rapidamente na pauta desta semana.

Politica Livre

Suspense total! Os dias passam e a delação de Vorcaro ainda está sendo “negociada”


O SISTEMA ESTÁ EM EBULIÇÃO EM BRASÍLIA! ⚖️💣 A manutenção da prisão de Daniel Vorcaro (ex-Banco Master) colocou a República em alerta máximo. O cenário neste mês de março de 2026 é

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Deu na Folha

A informação de que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu fechar com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) um acordo de delação premiada aumentou o clima de tensão em Brasília com possíveis novas revelações sobre o escândalo do Banco Master.

A avaliação na classe política, jurídica e empresarial é a de que as revelações podem provocar danos em todas as vertentes. A eventual delação tem potencial de atingir integrantes do governo Lula (PT), do Congresso, da cúpula dos partidos do centrão, da oposição e do STF (Supremo Tribunal Federal), além de outras instâncias do Judiciário.

IMPACTO ELEITORAL – Entre os políticos, a principal preocupação é que as investigações invadam o período de campanha e que as repercussões da delação afetem o xadrez eleitoral, com denúncias e operações policiais ao longo do pleito. O ministro André Mendonça, relator do processo no STF, já afirmou a auxiliares que não pretende suspender as apurações durante a eleição.

No Congresso e no Judiciário, há críticas sobre o que veem como vazamentos seletivos de informações por parte da polícia, como forma de ganhar apoio popular para investigar autoridades. Há a percepção de que revelações sobre as festas luxuosas de Vorcaro, com gastos milionários, popularizaram e atraíram atenção para o escândalo, que, até então, era de conhecimento restrito a quem acompanha o mercado financeiro.

Congressistas ouvidos pela Folha preveem que os presidentes dos dois maiores partidos do centrão devem ser atingidos: Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. Em conversas com aliados, eles confirmam as relações pessoais com Vorcaro, mas negam transações financeiras.

FOTOS DA FESTAS – O ex-banqueiro participava e patrocinava eventos e festas com autoridades. De acordo com relatos, Nogueira e Rueda defendem em conversas reservadas que a participação em festas não é crime e que todos os políticos desejavam se aproximar de Vorcaro na época. 

Há um receio, no entanto, do vazamento de fotos e conversas pessoais que podem ser exploradas por adversários para constrangê-los na campanha.

Aliados do presidente Lula também buscam blindá-lo e investem no discurso de que foi seu governo que desbaratou esquemas herdados da gestão Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (19), ele disse em discurso: “Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central”.

DIREITA FESTEJA – Entre políticos da direita e bolsonaristas, a negociação para a delação foi comemorada e a esperança é de que sejam atingidos nomes do centrão e da esquerda, mas principalmente ministros do STF. O discurso de membros do PL, por exemplo, é o mesmo que embasou os pedidos de CPI do Master protocolados com objetivo de que tudo deve ser investigado.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, escreveu: “Por favor, Vorcaro, delate todo mundo! Sejam políticos, pastores, empresários, ministros do STF etc. Em nome de Jesus”.

Parte do bolsonarismo ainda desconfia que Vorcaro pode tentar poupar as relações com ministros da Suprema Corte e entregar apenas políticos. Também há receio de que uma delação que implique o STF ou a própria Procuradoria-Geral da República não seja homologada, numa tentativa de blindagem às autoridades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Por enquanto é tudo especulação. Há delações que realmente são amplas e completas, como a dos empreiteiros na Lava Jato. Outras são falsas e incompletas, como as do tenente-coronel Mauro Cid, que teve de fazer 14 depoimentos, para corrigir ou completar declarações anteriores, misturando verdades e mentiras. E ele mentiu e omitiu, porque em nenhum momento revelou a informação de que Bolsonaro tinha desistido do golpe, conforme ficou comprovado com as gravações de conversas de coronéis envolvidos. Mas quem se interessa? Aliás, é preciso reconhecer que não será surpresa se os ministros do Supremo encontrarem uma forma de escapar. (C.N.)

Piada do Ano! Supremo elimina alguns penduricalhos e mantém os principais


Fausto Macedo, Felipe de Paula e Lavínia Kaucz
Estadão

O plenário do Supremo Tribunal Federal determinou, nesta quarta-feira, 25, a extinção de 15 penduricalhos do funcionalismo público, manteve oito verbas indenizatórias e fixou que a soma dessas parcelas não poderá ultrapassar 35% do subsídio bruto, mantido pela Corte em R$ 46.366,19 – teto do funcionalismo pago aos ministros do STF.

As normas compõem um regime de transição que valerá até que o Congresso edite lei para estabelecer quais parcelas indenizatórias serão cabíveis para as carreiras de Estado.

PRÓS E CONTRAS – Os ministros vetaram pagamento em dinheiro de licença-prêmio, licença compensatória por plantão judiciário ou audiência de custódia, mas discretamente mantiveram vivo o maior penduricalho da magistratura e das procuradorias – a conversão em dinheiro das férias ‘vendidas’.

Os magistrados e os promotores e procuradores têm dois meses de férias anuais. Sob alegação de ‘acúmulo’ de trabalho eles desfrutam de apenas um mês de férias. O outro mês é ‘vendido’ à Corte ou ao MP, elevando seus contracheques a até quatro vezes o teto salarial pago ao funcionalismo.

De acordo com os ministros, a proposta feita no voto acarreta uma economia de R$ 566 milhões por mês aos cofres públicos

TEMPO DE SERVIÇO – O Supremo manteve a chamada parcela de valorização por tempo de antiguidade na carreira, que funciona como um adicional por tempo de serviço. Esse valor poderá ser pago tanto para quem está na ativa quanto para aposentados e será calculado em 5% sobre o subsídio a cada cinco anos de atuação em atividade jurídica, podendo chegar ao limite de 35%.

Os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, relatores da proposta do regime de transição, apresentaram um voto conjunto para limitar a proliferação dos adicionais pagos a membros dos Três Poderes. Eles são relatores de diferentes ações que tratam sobre benefícios à magistratura e ao Ministério Público.

De acordo com os relatores, a proposta feita no voto acarreta uma economia de R$ 566 milhões por mês aos cofres públicos (ou R$ 6,8 bilhões ao ano), sendo R$ 326 milhões relacionados aos pagamentos a juízes e R$ 240 milhões em relação aos promotores e procuradores do Ministério Público. A comparação é em relação à média paga aos juízes e procuradores em 2025.

TOTAL TRANSPARÊNCIA? – Os ministros votaram para estabelecer uma remuneração padronizada no Judiciário e no Ministério Público e defenderam “total transparência” sobre os valores pagos a juízes e procuradores.

Segundo o relatório, tribunais, Ministérios Públicos, Tribunais de Contas, Defensorias e a Advocacia Pública deverão publicar mensalmente, de forma detalhada, os valores recebidos por seus membros, com a discriminação de cada rubrica. Hoje, no entanto, portais de transparência enfrentam instabilidades, dificuldades para o cruzamento de dados e dispersão de informações sobre as remunerações.

A gratificação por acúmulo de função só será paga quando o juiz ou membro do Ministério Público atuar ao mesmo tempo em mais de uma unidade, como duas varas diferentes, juizados especiais ou turmas recursais. O pagamento não será permitido quando o acúmulo envolver atividades normais do cargo, como participação em sessões, julgamentos, comissões internas ou órgãos administrativos dos tribunais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, pode-se dizer que o Supremo não teve coragem nem espírito público para defender a Constituição. O fato é que, para não haver dúvidas, os constituintes fixaram em dois artigos diferentes o rigorosíssimo teto salarial do serviço público. Mas o Supremo, no passar dos anos, foi fingindo não “entender” essa determinação. Hoje, os juízes brasileiros estão entre os mais caros e bem pagos do mundo, com salários e benefícios superiores aos de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e França, chegando a ganhar até seis vezes mais do que autoridades judiciárias máximas em países da Europa, como Portugal, enquanto quase a metade da população continua sem contar com saneamento básico. Ah. Brasil…!!! (C.N.)


Nota da Redação deste Blog - 

EDITORIAL: A Farra dos Penduricalhos e a Anatomia da Desigualdade Teratológica


Por José Montalvão 

O brocardo jurídico ensina que "a lei é o que está escrito". Quando a norma é clara e expressa, não cabe interpretação criativa: cabe aplicação direta. No entanto, o que assistimos no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta última quarta-feira, dia 25, foi um exercício de malabarismo institucional que afronta o cidadão comum e tripudia sobre a Constituição Federal.

Ao julgar a extinção de alguns penduricalhos, mas manter os principais e fixar um teto de 35% de "verbas indenizatórias" sobre o subsídio bruto (que já é de R$ 46.366,19), o STF não apenas validou o privilégio; ele oficializou a desigualdade em sua forma mais teratológica — ou seja, monstruosa e deformada.


O Teto que Virou Piso: A Miopia Seletiva da Corte

Como bem destacou o jornalista Newton Carlos, os constituintes foram rigorosos ao fixar o teto salarial do serviço público em dois artigos diferentes. Mas o Supremo, ao longo dos anos, desenvolveu uma "miopia conveniente", fingindo não entender o que está escrito em letras garfais na Carta Magna.

Enquanto um juiz brasileiro chega a ganhar trinta vezes mais que um operário que labuta de sol a sol, o país amarga estatísticas de terceiro mundo. A conta é simples, mas dolorosa:

  • Brasil vs. Mundo: Nossos magistrados estão entre os mais caros do planeta, superando em benefícios autoridades de potências como Estados Unidos, Alemanha e França. Ganhamos mais que a Europa, mas entregamos serviços de subsistência.

  • O Contraste do Esgoto: Quase metade da população brasileira ainda não possui saneamento básico. Enquanto se discute se o auxílio-moradia deve ou não entrar no cálculo dos 35%, o povo pisa no esgoto a céu aberto.


A Responsabilidade de Quem Está no Topo

Não se trata apenas de números; trata-se de omissão e desvio de poder. Quem ocupa o topo da pirâmide e se recusa a cumprir a lei que ele mesmo deveria guardar, torna-se corresponsável pelo subdesenvolvimento da nação.

Essa elite burocrática suga e explora os recursos que deveriam estar sendo investidos em:

  1. Saneamento e Saúde: Onde o esgoto corre na porta, a dignidade morre.

  2. Segurança e Dignidade: A Cracolândia a céu aberto é o monumento máximo da falência do Estado, que gasta bilhões com privilégios e centavos com recuperação humana.

  3. Educação: Onde o mérito foi substituído pelo "prestígio político".


A Imoralidade de quem deveria dar o Exemplo

Se os julgadores, que são os faróis da justiça, não se submetem à letra fria da lei, com que autoridade moral podem exigir que o cidadão comum, o pequeno comerciante ou o trabalhador informal cumpram suas obrigações?

O "regime de transição" criado pelo STF, à espera de uma lei do Congresso que pode nunca vir, é apenas um salvo-conduto para a manutenção do status quo. É o "faz de conta" jurídico operando em plena luz do dia.


Conclusão: Ah, Brasil...!

O grito de Newton Carlos ecoa em cada brasileiro indignado. O Supremo não teve espírito público para defender a Constituição; teve espírito de corpo para defender o bolso de sua própria classe.

Enquanto a elite do funcionalismo se blinda em gabinetes refrigerados e penduricalhos imorais, o Brasil real continua labutando no atraso. A pior ditadura, como diria Rui Barbosa, é a que se veste de toga para ignorar a lei que deveria proteger a todos, sem distinção de castas.


Blog de Dede Montalvão: Onde a verdade dói, mas a justiça é o único norte.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

Lula vai se reunir com Alcolumbre para enviar indicação de Messias ao STF


Lula e Alcolumbre devem se reunir nesta quinta-feira

Victoria Azevedo
Luísa Marzullo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a aliados nos últimos dias que deverá enviar ao Congresso Nacional nos próximos dias a mensagem com a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com aliados do petista, há uma expectativa de que ele se reúna na quinta-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar do tema.

De acordo com relatos, um grupo de ministros do governo e lideranças do Congresso se reuniu com Lula nesta semana e tratou desse assunto, entre outras questões do cenário político. Um dos presentes afirma que eles levaram ao presidente a preocupação com o tensionamento entre Planalto e Alcolumbre e afirmaram que era momento para que isso fosse resolvido, diante da preocupação de o STF ficar com um ministro a menos em meio ao avanço das investigações do caso Banco Master.

MENSAGEM AO CONGRESSO – Esse político diz que um dos presentes afirmou a Lula no encontro que era preciso o presidente tirar esse problema do colo dele e enviar a mensagem ao Congresso, ainda que o cenário não esteja confortável para Messias. Alcolumbre foi informado dessa conversa.

Parlamentares da base dizem acreditar que, apesar de resistências pontuais, o nome de Messias é viável e deve avançar no Senado, desde que o governo atue para garantir um ambiente político favorável à sabatina e à votação em plenário. A leitura predominante é que Lula busca evitar novos ruídos e assegurar uma aprovação sem sobressaltos.

ARTICULAÇÃO –  Ainda não há clareza, no entanto, de quando essa sabatina será marcada. Alcolumbre já havia indicado a integrantes do governo que deixaria esse processo para acontecer somente após as eleições, em outubro. Um aliado do presidente do Senado, no entanto, diz que há um movimento para tentar convencer o senador do contrário, já que o Congresso deverá ficar esvaziado a partir de junho por causa do processo eleitoral.

Apesar de governistas falaram em um clima mais favorável a Messias hoje no Senado de quando ele foi anunciado no ano passado, aliados mais próximos de Alcolumbre falam o contrário: eles dizem que há uma insatisfação da cúpula da Casa com a atuação da Polícia Federal e dizem enxergar influência do Planalto e de Lula no avanço de investigações que miram parlamentares. Interlocutores do governo federal no Congresso, por sua vez, dizem apostar nessa conversa de Lula e Alcolumbre para melhorar o ambiente para o chefe da AGU.

Nos bastidores, aliados do presidente também afirmam que o envio da indicação neste momento funciona como um gesto político ao Senado — inclusive ao próprio Alcolumbre — ao permitir que a Casa exerça seu papel constitucional na análise do nome, mesmo diante do risco de rejeição. A avaliação é que, ao formalizar a indicação, Lula divide a responsabilidade pela decisão e ajuda a reduzir a tensão acumulada nos últimos meses.

ANÚNCIO HÁ QUATRO MESES –  Lula anunciou o nome de Messias para a vaga na Corte aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em 20 de novembro, contrariando Alcolumbre e a cúpula do Senado, que apostavam no nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De lá para cá, houve um distanciamento de Alcolumbre com o Palácio do Planalto –o senador foi um dos principais pontos de governabilidade do Executivo no Congresso neste Lula 3.

O presidente do Senado chegou a marcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em 10 de dezembro, prazo considerado apertado para governistas. Diante dessa resistência e de um cenário desfavorável para o chefe da AGU, o Planalto segurou o envio da mensagem presidencial formal como estratégia para ganhar tempo.

Alcolumbre e Lula se reuniram em dezembro e deram início a uma reaproximação, após ficarem mais afastados. Aliados dos dois políticos dizem que eles se falaram pelo telefone, mas não tinham se reunido para tratar especificamente de Messias. A previsão é que esse encontro ocorra na quinta, já que o petista está fora de Brasília nesta quarta, cumprindo agendas em São Paulo. Esse encontro, no entanto, já foi adiado outras vezes.

Vacinação nacional contra gripe começa neste sábado, 28

 Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses


(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado, 28, nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul. A mobilização segue até 30 de maio e prioriza os grupos mais suscetíveis a formas graves da doença: crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes.

O Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses da vacina contra a gripe, e a orientação da pasta é que estados e municípios intensifiquem as estratégias já no primeiro mês da campanha, com ações de busca ativa para o alcance imediato dos públicos prioritários. O Dia D nacional será realizado também neste sábado, com vacinação gratuita nas unidades básicas de Saúde (UBS).

Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo os da influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Na Região Norte do país, a campanha será realizada no segundo semestre, em função da sazonalidade da doença.

Vacina atualizada
A vacina influenza trivalente integra o Calendário Nacional de Vacinação e, neste ano, protege contra as variantes Influenza A/Missouri/11/2025 (H1N1) pdm09, Influenza A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/linhagem Victoria).

A proteção é realizada anualmente para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação. Por isso, o Ministério da saúde reforça a importância da imunização periódica para assegurar uma proteção eficaz.

A imunização ainda é ofertada como estratégia especial para outros grupos prioritários, como profissionais de saúde, indígenas, população em privação de liberdade e pessoas com doenças crônicas.

Para crianças de 6 meses a 8 anos, o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já vacinadas anteriormente recebem uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas.

A aplicação pode ser realizada de forma simultânea a outras vacinas do calendário nacional, como a da covid-19.

Com informações da Agência Brasil

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Suspeito de matar empresária em hotel de Aracaju recebe alta do Huse

 O investigado passa por exames no IML e foi encaminhado ao Presmil

(Foto: reprodução/redes sociais)

Acusado de matar a empresária Flávia Barros em um hotel na zona sul de Aracaju, o policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos recebeu alta médica nesta quarta-feira, 25, e foi encaminhado ao Presídio Militar de Sergipe (Presmil). Ele estava internado no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) desde o último domingo, 22, dia em que ocorreu crime.

A alta hospitalar foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). Tiago deu entrada no hospital em virtude de um ferimento por arma de fogo. Ele permaneceu na Ala Vermelha, passou por cirurgia e, na terça-feira, 24, foi transferido para a enfermaria, de onde obteve a alta médica.

A Polícia Civil informou que, mesmo durante a internação, o suspeito já estava sob custódia. Após deixar o hospital, ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames periciais e, em seguida, conduzido ao Presmil, onde permanece à disposição da Justiça. O investigado também deve ser ouvido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Relembre o caso

Na madrugada de domingo, 22, a empresária Flávia Barros foi morta a tiros por Tiago Sóstenes, supostamente seu namorado. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a porta do quarto arrombada e, no interior, o casal sobre a cama, ambos com ferimentos causados por disparos de arma de fogo.

Flávia era empresária com tinha forte presença nas redes sociais e morava em Paulo Afonso, no norte da Bahia. O velório ocorreu na cidade onde a vítima residia. O corpo foi levado para Canindé de São Francisco, em Sergipe, onde foi sepultado na segunda-feira, 23.

Por Aline Souto e Verlane Estácio

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