sexta-feira, março 20, 2026

Governo dá 48 horas para Ipiranga, Raízen e Vibra explicarem aumento dos combustíveis após guerra

 

Governo dá 48 horas para Ipiranga, Raízen e Vibra explicarem aumento dos combustíveis após guerra

Empresas dizem que têm compromisso com transparência, integridade e respeito às normas legais

Por André Borges/Folhapress

19/03/2026 às 19:26

Atualizado em 19/03/2026 às 19:39

Foto: Agência Brasil/Arquivo

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Posto de combustível

As três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil receberam prazo de 48 horas para apresentar informações detalhadas ao Ministério da Justiça sobre o reajuste de preços que fizeram nos últimos dias.

A ação ocorre em meio à escalada abrupta nos preços. Internamente, o governo identificou aumentos que considerou suspeitos e generalizados. A suspeita é que estes foram realizados antes mesmo de efeitos externos da guerra no Oriente Médio e, inclusive, em regiões onde não houve variação de custos de aquisição e refino.

Conforme informações obtidas pela reportagem, a Vibra Energia, a Raízen e a Ipiranga, três gigantes responsáveis por cerca de 60% abastecimento nacional, foram oficialmente notificadas nesta quinta-feira (19), por volta das 12h, pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), para que entreguem levantamento detalhado de suas operações de vendas de combustíveis. Como se trata de dias corridos, cada uma das companhias terá até a tarde deste sábado (21) para fornecer os dados.

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, que era controlada pela Petrobras, é a maior empresa do setor, com participação próxima de 22% do mercado e presença em milhares de postos em todo o território nacional. A Raízen, que é uma parceria entre Shell e Cosan, aparece na sequência, com cerca de 15% de mercado. A Ipiranga, do grupo Ultra, também tem cerca de 15% do setor, o que faz destas empresas as três maiores distribuidoras do país.

Qualquer movimento de preços dessas companhias, portanto, tem impacto instantâneo sobre os consumidores. A suspeita é que parte dos aumentos realizados pode ter sido abusiva, sem ter lastro efetivo na valorização do petróleo no mercado internacional ou na variação cambial em decorrência da guerra que se alastra no Oriente Médio.

Uma quarta distribuidora, a Larco Comercial de Produtos de Petróleo, que tem sede na Bahia e tem avançado no Nordeste, também foi notificada nesta quinta-feira, mas pediu prazo adicional de cinco dias para prestar as informações, ainda sem resposta.

As notificações enviadas às empresas exigem dados detalhados sobre volumes de combustíveis que foram solicitados pelos postos e efetivamente fornecidos. O governo também quer saber quais são os níveis de estoque, se houve atrasos na entrega e os critérios usados para o atendimento.

Em cada ofício, a Senacon pede que as empresas informem se houve pedidos não atendidos ou parcialmente atendidos, detalhando quantidades.

Questionada pela reportagem, a Raízen confirmou que recebeu uma fiscalização em sua base no Distrito Federal na quarta-feira (18) e disse que "irá avaliar a situação e prestar os devidos esclarecimentos" à Senacon. "A empresa reforça seu compromisso com a transparência, a integridade e o respeito às normas legais em todas as suas operações e relacionamentos", afirmou.

A Ipiranga declarou que "os preços no setor são influenciados por múltiplos fatores, incluindo diferentes formas de suprimento de combustível —como aquisições via importação e operações específicas de mercado— além de custos logísticos e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência".

Em uma linha defensiva, a companhia afirmou ainda que "a autuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis se baseou em somente uma parcela destes impactos, no caso o preço Petrobras, sem considerar os componentes de preços como os valores de importação, elevado em meio à instabilidade política global".

Um exemplo disso, segundo a Ipiranga, "é a própria pesquisa de custos da ANP que, mesmo com duas semanas de defasagem, já demonstra mais de R$ 1 em aumento de custo nos produtores e importadores".

"A Ipiranga reitera seu compromisso com a transparência, sua responsabilidade com o abastecimento do Brasil, o respeito ao consumidor e o cumprimento das normas que regem o mercado de combustíveis", afirmou.

A Vibra não comentou o assunto até a publicação desta reportagem.

O governo pretende fazer esse pente-fino em 11 distribuidoras. Estes são, porém, os primeiros nomes de companhias que vêm à tona. Também foram listadas 62 cidades brasileiras como prioritárias para fazer um trabalho detalhado de fiscalização, por suspeita de aumento abusivo no preço do diesel. A relação de municípios foi consolidada em um relatório técnico concluído na terça-feira (17) pelo MME (Ministério de Minas e Energia).

O monitoramento aponta que foram observados padrões de reajustes simultâneos entre postos em determinadas localidades, o que sugere formação de cartel, embora tudo ainda dependa de comprovação.

Segundo uma fonte que acompanha o tema dentro do governo, o pedido de informações detalhadas também é um enfrentamento à falta de transparência de dados consolidados sobre preços, custos e margens que costumam marcar o setor.

Representantes das distribuidoras costumam afirmar que não monitoram nem divulgam essas informações, porque há restrições ligadas à legislação concorrencial. Para o governo, é uma caixa-preta que precisa ser aberta.

No último dia 8, a Senacon acionou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para avaliar possíveis infrações de concorrência. Dois dias depois, instaurou um procedimento formal para monitorar o mercado de combustíveis. Nos dias seguintes, mobilizou Procons para intensificar a fiscalização e padronizar a coleta de informações.

As fiscalizações já alcançam Procons de 16 estados, que realizaram inspeções em centenas de postos e dezenas de distribuidoras, com emissão de multas.

O agravamento da guerra no Oriente Médio, com os primeiros ataques a instalações de petróleo e gás na região, joga ainda mais pressão por novo reajuste no preço do diesel nas refinarias da Petrobras, que voltou a operar com defasagem superior a R$ 2 por litro.

Nesta quinta-feira (19), após uma noite de ataques sobre instalações no Irã, na Arábia Saudita e no Qatar, a cotação do petróleo Brent chegou a bater US$ 119 por barril, caindo depois para perto de US$ 110.

Politica Livre

Master e JBS repassaram R$ 18 milhões a consultoria que pagou filho de Nunes Marques

 

Master e JBS repassaram R$ 18 milhões a consultoria que pagou filho de Nunes Marques

Por Vinícius Valfré, Aguirre Talento e Levy Teles / Folha de São Paulo

20/03/2026 às 06:32

Atualizado em 20/03/2026 às 06:10

Foto: Luiz Silveira/STF

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Kassio Nunes Marques

O Banco Master e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os repasses, realizados entre agosto de 2024 e julho de 2025, aparecem em documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a movimentações do Master.

O banco de Daniel Vorcaro enviou R$ 6,6 milhões à Consult. A JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, outros R$ 11,3 milhões. As transações correspondem à totalidade do que foi recebido no período analisado pelo Coaf pela empresa, que declarou faturamento de R$ 25,5 mil.

A discrepância levou o órgão vinculado ao Ministério da Fazenda a classificar as transações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa, “indicando que alguns dos valores podem ter origem não formal”. Ou seja, o documento aponta que o entra e sai de dinheiro não bate com o volume movimentado até ali e que os altos repasses repentinos poderiam representar uso da firma apenas para passagem de recursos.

Além do que a Consult recebeu de JBS e Master, o Coaf levantou o que a consultoria pagou no período.

Entre os pagamentos realizados pela Consult, levantados pelo Coaf por amostragem, foram identificados 11 transferências, que totalizam R$ 281.630,00, ao advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Nunes Marques.

Os pagamentos foram feitos por meio do escritório de Kevin Marques, do qual ele é o único responsável, segundo os registros da Ordem dos Advogados do Brasil.

O advogado Kevin de Carvalho Marques afirmou que o pagamento é lícito, oriundo do exercício regular da advocacia “voltada ao fisco administrativo” (leia mais abaixo). O ministro não comentou.

No site sobre sua atividade que foi retirado do ar, Kevin se apresentava no ano passado como advogado “com um ano de experiência na OAB”. “Tenho me dedicado a entender profundamente as complexidades do sistema tributário brasileiro, buscando soluções eficientes e personalizadas para cada cliente”, dizia o texto de apresentação.

Em nota, a JBS disse que “como toda grande empresa brasileira que lida com a complexidade do sistema tributário nacional”, contrata consultores “para apoiar sua atuação nessa área, entre eles a Consult Inteligência Tributária”. O Master foi procurado, mas não comentou.

O escritório de Kevin de Carvalho Marques, por sua vez, afirmou que o pagamento citado é lícito e decorrente do exercício regular da advocacia. “A atuação para a empresa mencionada foi voltada ao fisco administrativo”, disse.

Em nota, pontuou ainda que o filho do ministro do STF “nunca defendeu nenhum caso” na Suprema Corte e rechaçou o que chamou de “tentativas de criminalização da advocacia e de interferência no sigilo profissional”.

Jovem advogado, Kevin Marques tornou-se um dos procuradores da Refit, a antiga Refinaria Manguinhos, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O pai dele era desembargador desse tribunal quando foi escolhido, em 2020, pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma cadeira no STF.

A Consult Inteligência Tributária foi aberta em 2022 por Francisco Craveiro de Carvalho Junior, um empresário e contador de Teresina (PI) — cidade natal do ministro Nunes Marques. A empresa tem endereços em Barueri (SP) e Brasília (DF).

Em nota, a Consult afirmou que a empresa foi criada há quatro anos para “expandir o atendimento às regiões Sul e Sudeste”, mas que o grupo atua desde 2004, com outro CNPJ, atendendo mais de 300 empresas.

Sobre os pagamentos feitos por Master e JBS, a empresa de Craveiro Junior disse que “prestou serviços de auditoria e consultoria tributária, bem como de desenvolvimento e implantação de sistemas destinados à execução e ao processamento de dados para fins de auditoria tributária, além de serviços de migração de dados às empresas desses grupos”.

Em novembro de 2025, após os pagamentos de Master e JBS, Craveiro se retirou da empresa e a repassou a um irmão. Na saída, negociou o recebimento de R$ 13 milhões da divisão de lucros, que serão repassados em três parcelas até 2028. No último dia 6 de março, ele voltou a ser sócio da empresa.

Segundo a Consult informou à reportagem, a saída temporária “fez parte de um processo de reorganização societária do grupo”.

A reportagem perguntou à Consult quais os serviços de Kevin Marques que contratou e o porquê da escolha do filho do ministro do STF.

A empresa disse somente que o valor pago ao advogado era por uma “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para a Consult, entre 2024 e 2025″.

Dono da Consult, Craveiro Junior tem pelo menos outras duas empresas: uma administradora de imóveis, aberta em 2025, em Teresina, e uma consultoria de informática, aberta em 2021, em São Paulo.

O telefone celular de Daniel Vorcaro apreendido pela PF traz registros de conversas dele com o próprio Kássio Nunes Marques, de acordo com pessoas com acesso às investigações.

Procurado, Nunes Marques disse não ter relação de proximidade com o empresário. “O ministro Nunes Marques informa que não possui relação de proximidade com o senhor Daniel Vorcaro e não se recorda de troca de mensagens para tratar de amenidades ou eventos sociais”, afirmou em nota enviada pelo STF.

Os dados da agenda de contatos de Vorcaro identificam que o telefone de Nunes Marques foi salvo em junho de 2024, sob o nome “Min Kassio Nunes”. O número corresponde efetivamente ao celular usado pelo ministro. Também foram encontradas conversas entre eles no aparelho celular do banqueiro.

De acordo com fontes com acesso às informações, esses diálogos tinham teor “superficial” e mostram que o ministro e Vorcaro se conheciam e já se encontraram. As conversas, segundo essas fontes, não indicavam uma intimidade nem suspeitas de irregularidades na relação entre eles.

No final de novembro, quando a defesa de Vorcaro pediu que a investigação sobre o Banco Master fosse remetida ao STF, os advogados haviam solicitado que o caso fosse distribuído diretamente ao ministro Nunes Marques. Na ocasião, porém, a Presidência da Corte entendeu que a distribuição deveria ser feita por sorteio e o processo acabou ficando com o ministro Dias Toffoli.

Politica Livre

PT privilegia disputa ao Congresso na distribuição de fundo eleitoral e joga governos estaduais para o fim da fila

 

PT privilegia disputa ao Congresso na distribuição de fundo eleitoral e joga governos estaduais para o fim da fila

Por Folha de São Paulo

20/03/2026 às 08:03

Foto: Tuane Fernandes/Reuters

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Lula e Fernando Haddad

O PT vai aumentar a prioridade às eleições para o Senado e a Câmara dos Deputados na distribuição do seu fundo eleitoral, deixando candidatos a governador mais para o fim da fila.

A ordem foi definida internamente por uma resolução aprovada no final do ano passado e deverá ser ratificada pelo diretório nacional em abril.

A sequência é encabeçada pela eleição presidencial. A mudança vem a seguir, com as disputas ao Senado ficando em segundo lugar e à Câmara, em terceiro. Os governos estaduais vêm em quarto, superando apenas as corridas pelas Assembleias Legislativas.

Na eleição de 2022, os governos estaduais figuravam logo após a disputa presidencial, à frente, portanto, das eleições congressuais.

Desde então, o cenário político mudou, com as críticas ao Supremo Tribunal Federal virando prioridade para o bolsonarismo. Neste contexto, aumentar a bancada ao Senado, que terá dois terços renovados neste ano, virou o foco da direita. São os senadores que votam o impeachment de ministros do STF

O PT acordou tarde para a ameaça de um Senado bolsonarista e corre atrás do prejuízo. O próprio presidente Lula tem dito que prefere vencer uma eleição para senador do que cinco para governador.

Integrantes da direção nacional petista preveem, no entanto, que haverá chiadeira de candidatos aos governos por causa da divisão do bolo.

Membros da Executiva Nacional respondem que campanhas estaduais têm de fazer sua parte, ajudando a captar doações, e não apenas depender do fundo eleitoral.

Os valores exatos para as campanhas ainda não foram definidos, porque o PT espera a indicação dos tetos de gastos pelo TSE e o valor exato do fundo.

A única decisão já tomada é que a campanha de Lula terá direito ao teto previsto. A estimativa é de cerca de R$ 130 milhões.

Politica Livre

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