segunda-feira, março 16, 2026

Trump ameaça aliados por ajuda para reabrir o Estreito de Ormuz

 

Trump ameaça aliados por ajuda para reabrir o Estreito de Ormuz

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Foto: Nathan Howard / Getty Images via AFP

A Otan vai enfrentar um “futuro muito ruim” caso seus membros europeus não ajudem a romper o bloqueio feito pelo Irã ao Estreito de Ormuz. A ameaça partiu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que enfrenta as consequências de uma guerra iniciada por ele mesmo há duas semanas ao lado de Israel contra o regime dos aiatolás. Em resposta, além de atacar alvos em toda a região, o Irã bloqueou o estreito de 50km, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo, e chegou a bombardear navios. Inicialmente Trump prometeu que embarcações de guerra americanas escoltariam os petroleiros no trajeto, mas isso ainda não aconteceu. Agora, o presidente americano quer que os países europeus e a China, tradicional aliada do Irã, patrulhem a região para evitar novos ataques, ameaçando adiar ou mesmo cancelar a visita que deveria fazer a Beijing este mês. Mesmo países com alinhamento mais estreito com os EUA, como Japão e Coreia do Sul, precisam de aprovação de seus Parlamentos para enviar navios, e estes levariam até quatro semanas para chegar ao Golfo. (CNN)

O impacto de bloqueio em Ormuz e a indefinição sobre o conflito fizeram o barril do petróleo Brent chegar a US$ 105 na abertura dos negócios desta segunda-feira, projetando efeitos negativos sobre a economia mundial. A tensão, claro, não se limita aos mercados. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos disseram ter abatido drones iranianos, mas um deles atingiu um depósito de combustíveis perto do aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, provocando a interrupção nos voos. (AP)

Para ler com calma. A duração da guerra obriga Trump a fazer uma escolha difícil: permanecer na batalha para alcançar os objetivos ambiciosos que estabeleceu ou tentar se desvencilhar de um conflito crescente e cada vez mais intenso, que está gerando consequências militares, diplomáticas e econômicas devastadoras. (New York Times)

Enquanto isso... Uma declaração de forte cunho autoritário do presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, Brendan Carr, provocou críticas até mesmo entre republicanos. Carr afirmou que pode cassar as concessões de redes de TV que vincularem o que chamou de “notícias falsas” sobre o conflito com o Irã. O senador republicano Ron Johnson, do Wisconsin, reagiu, criticando o controle governamental sobre a iniciativa privada e a tentativas de interferir na liberdade de expressão protegida pela Constituição. (Guardian)

  

O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master elevou a temperatura entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a preocupar o governo Lula pelo potencial desgaste eleitoral que o caso pode gerar. Além disso, há tensão entre integrantes do Supremo e a cúpula do Congresso com o governo federal. Nos bastidores, políticos e magistrados dizem enxergar aval do Planalto na condução da Polícia Federal (PF) nas investigações. Além disso, avaliam que o entorno do presidente Lula fez coro às críticas a Dias Toffoli, expondo o ministro e a Corte como um todo. Já congressistas acusam o Planalto de influenciar a atuação da PF para prejudicar adversários políticos de Lula. Na sexta-feira, a segunda turma do STF formou maioria para manter a prisão de Daniel Vorcaro. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça, e o decano Gilmar Mendes tem até a próxima sexta para votar. Dias Toffoli se declarou impedido. (Globo)

Uma troca na defesa de Vorcaro pode contribuir para a elevação dos ânimos. O advogado Pierpaolo Bottini, que é contra acordos de delação, deixou o caso. O dono do Banco Master passará a ser defendido por José Luis Oliveira Lima, que entende a delação premiada como um meio de defesa. A mudança veio logo após se formar maioria para manter a prisão do banqueiro. (g1)

Eliane Cantanhêde: “A delação de Vorcaro é esperada com pânico pelos múltiplos suspeitos e com ansiedade por investigadores e pela sociedade brasileira, já desconfiada de que um só cidadão, com um sócio embrenhado no mundo político, um cunhado pastor e um criminoso contratado, não seria capaz de corromper tantos, ao mesmo tempo. Afinal, Vorcaro é o dono do Master e o cérebro de tudo isso, ou é apenas parte pública e visível de uma engrenagem muito maior?” (Estadão)

  

O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma pequena melhora na função renal, segundo boletim médico divulgado ontem pelo hospital DF Star. O comunicado informa, porém, que foi preciso aumentar a dose de antibióticos devido a uma “nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue”. Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital em Brasília em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. No sábado, os médicos alertaram para risco de morte após pneumonia mais grave que o ex-presidente já teve. (Estadão)

A internação do ex-presidente não interrompe a campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à presidência nem as divergências internas. A ala bolsonarista radical rejeita a indicação de um ministro da Economia ligado ao mercado, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Eles acreditam que o primeiro escalão de um eventual governo do Zero Um deva ser alinhado ideologicamente ao bolsonarismo, com quadros técnicos ocupando cargos subalternos. (Folha)

E Flávio Bolsonaro foi um dos principais assuntos da festa de 80 do ex-deputado petista José Dirceu neste domingo. Entre um parabéns e outro, o aniversariante fez um discurso afirmando que a eventual eleição do senador representaria a “aliança com Trump, com a guerra e com a submissão do Brasil”. (Poder360)

  

  

A maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6x1, atualmente em debate no Congresso Nacional, segundo pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana. Para 71% dos brasileiros, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto outros 27% acreditam que não deveria e apenas 3% não opinaram. O apoio à redução da jornada de trabalho cresceu em comparação a dezembro de 2024, quando 64% disseram ser favoráveis ao fim da escala com seis dias de trabalho na semana, enquanto 33% disseram ser contra. (Folha)

  

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Cultura

Não deu dessa vez. Uma Batalha Após a Outra foi o grande vencedor do Oscar 2026, levando seis estatuetas, incluindo melhor filme, melhor roteiro adaptado, edição e a inédita categoria de direção de elenco. Com três estatuetas, Paul Thomas Anderson entrou para o seleto grupo de diretores que venceram em pelo menos três categorias em uma única edição. Pecadores veio na sequência, com quatro vitórias, como melhor roteiro original, de Ryan Coogler; melhor atuação para Michael B. Jordan; e Autumn Durald Arkapaw, que foi a primeira mulher a vencer o prêmio de melhor fotografia. Por seu trabalho em Hamnet, Jessie Buckley também se tornou a primeira mulher irlandesa a ganhar o troféu de melhor atriz. Já a Noruega ganhou seu primeiro prêmio com Valor Sentimental, que levou melhor filme internacional. Também houve um momento raro na celebração, quando foi anunciado um empate de vencedores para melhor curta-metragem entre The Singers e Two People Exchanging Saliva, algo que até hoje só aconteceu sete vezes em quase um século de Oscar. Apesar das cinco indicações, os brasileiros saíram de mãos vazias mesmo com quatro indicações de O Agente Secreto e uma do diretor de fotografia Adolpho Veloso por Sonhos de Trem. (Deadline)

Inconformados, os fãs brasileiros protestaram na página da Academia no Instagram. “Não queremos posts, queremos Oscars”, foi a tônica dos quase 30 mil comentários em uma postagem com a foto de Wagner Moura. (g1)

Confira a lista completa de vencedores do Oscar 2026 e, claro, os looks que brilharam no tapete vermelho. (Hollywood Reporter)

  

A Fundação Biblioteca Nacional anunciou na sexta-feira o Prêmio João do Rio, dedicado a livros de crônicas, que passa a fazer parte do Prêmio Literário Biblioteca Nacional a partir deste ano. Pioneiro da crônica brasileira, João do Rio foi jornalista, cronista, contista e teatrólogo, sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1910. Autor de obras como A alma encantadora das ruas e As religiões do Rio, foi um dos primeiros repórteres a sair da redação para retratar o cotidiano do Rio de Janeiro, a boemia e a vida das classes populares, mesclando jornalismo e literatura. (Globo)

  

Viver

Considerado um dos pensadores mais influentes do mundo contemporâneo, morreu no sábado, aos 96 anos, o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas em Starnberg, na Alemanha. Nascido em Düsseldorf, foi um dos principais nomes da Escola de Frankfurt, influenciado por pensadores marxistas como Theodor Adorno e Max Horkheimer, dedicando-se a temas como linguagem, racionalidade e construção da esfera pública. Combateu as tentativas de relativização de crimes nazistas ao compará-los com outros regimes autoritários e defendeu que a reconciliação com o passado tinha de ser fundamental para a identidade do país no pós-Segunda Guerra. (CNN Brasil)

  

Um estudo inédito do Centro de Evidências da Educação Integral revela que um em cada quatro jovens desiste de abandonar o Ensino Médio graças ao Pé-de-Meia, programa do governo federal que oferece um benefício em dinheiro para combater a evasão escolar. A pesquisa também mostra que aumentar os valores da bolsa não contribui para ampliar as taxas de permanência dos alunos. O Pé-de-Meia paga bolsas mensais para alunos de famílias socialmente vulneráveis, além de uma bonificação extra anual para cada ano concluído. O custo anual da política estudantil é de R$ 12 bilhões. (Folha)

  

Cientistas brasileiros identificaram uma nova espécie de dinossauro gigante que tem ligação com uma espécie semelhante encontrada na Espanha, reforçando a evidência de que América do Sul, África e Europa foram unidas por uma rota terrestre há cerca de 120 milhões de anos. Batizada de Dasosaurus tocantinensis, a espécie é uma das maiores encontradas no país, segundo artigo publicado no Journal of Systematic Palaeontology. Os fósseis foram encontrados em 2021 durante obras de infraestrutura perto de Davinópolis, no Maranhão. Os exemplares incluem um fêmur medindo cerca de 1,5 metro, com o animal tendo um comprimento estimado de aproximadamente 20 metros. (Reuters)

  

Cotidiano Digital

Chatbot de IA de Elon Musk, o Grok está burlando os mecanismos de proteção de conteúdo dos jornais brasileiros, chamados paywall, entregando textos que exigem assinatura para serem acessados. É o que mostram os testes realizados pelo Globo, que analisou o comportamento de diferentes chatbots com textos do veículo, além de FolhaEstadão e Zero Hora. A verificação incluiu as versões gratuitas do ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity, DeepSeek e Meta AI, mas apenas o Grok mostrou integralmente os textos dos colunistas solicitados no chat. A prática viola a legislação brasileira, que proíbe a disseminação indiscriminada de conteúdo jornalístico protegido por direitos autorais. (Globo)

  

Jogos online da produtora Riot, incluindo o famoso League of Legends (LoL), vão estar bloqueados para menores de 18 anos no Brasil a partir desta quarta-feira. De acordo com a companhia, a limitação cumpre com os novos requisitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Já o título Valorant poderá ser jogado por jovens de 12 a 17 anos, desde que tenham a autorização dos pais. Para comprovar a maioridade, os usuários vão ter de escanear o documento de identidade, como o RG, passar pelo reconhecimento facial para estimar idade ou fornecer CPF ou número de cartão de pagamento. (g1)

  

Para ler com calma. Empresas de tecnologia competem para capturar nossa atenção e transformá-la em lucro. É o que afirma o escritor e ativista Peter Schimdt. Em entrevista ao Estadão, ele afirma que “toda experiência humana está sendo moldada pelas mídias sociais”, e a desinformação é alastrada de modo que “até mesmo a informação válida é divulgada para nos irritar em vez de nos informar”. Ele defende que a única maneira de se proteger é com um movimento popular, exercendo um controle coletivo sobre a atenção ao tratá-la como um bem comum da sociedade, não como um recurso comercial. (Estadão)

  

Na guerra entre Irã e Estados Unidos, a arma mais poderosa de Teerã pode não estar no campo de batalha. O Estreito de Ormuz — por onde passa boa parte do petróleo do mundo — voltou ao centro da disputa e mostra como a economia global ainda depende dos combustíveis fósseis. Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, Yan Boechat explica por que esse gargalo no Golfo Pérsico é estratégico e como o regime iraniano o usa para colocar na defensiva um adversário muito mais poderoso. Vale a leitura.


No PSB, chegada de Simone Tebet é dada como certa para candidatura em São Paulo

 

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DUPLA TROCA?

No PSB, chegada de Simone Tebet é dada como certa para candidatura em São Paulo | Além da definição de que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) será o candidato do presidente Lula ao governo de São Paulo, outro traço desse parece perto de ser riscado. De acordo com membros do PSB do estado, as conversas com a ministra Simone Tebet (Planejamento) já estão bem adiantadas para que ela deixe o MDB do Mato Grosso do Sul e se filie à legenda socialista em São Paulo para se candidatar ao Senado. Fontes do partido ouvidas pelo PlatôBR indicam que as tratativas com Simone estão mais avançadas do que com a ministra Marina Silva (Meio Ambiente), ainda dividida sobre a possibilidade de se filiar ao PSB ou retornar aos quadros do PT. LEIA+

VAGA ABERTA

Motta sinaliza que pode pautar escolha de ministro do TCU na próxima semana | O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sinalizado a aliados que pretende pautar já na próxima semana a escolha do novo ministro para o TCU (Tribunal de Contas da União). A avaliação no entorno do deputado é que o cenário atual da disputa favorece o deputado Odair Cunha (PT-MG), o que permitiria ao presidente cumprir um acordo político firmado com o PT. A vaga foi aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. A expectativa é que o tema seja tratado na reunião de líderes antes de eventual inclusão na pauta do plenário. Nos bastidores, aliados de Motta avaliam que a eleição tende a favorecer o petista diante da fragmentação entre os demais candidatos. LEIA+

AGENDA ELEITORAL

CPI do Crime Organizado muda de foco e passa a mirar caso Master e fraudes do INSS | A CPI do Crime Organizado no Senado Federal mudou o foco desde o início de 2026 e passou a mirar o escândalo do banco Master e até as fraudes do INSS. Os requerimentos recém-protocolados na comissão não têm mais como objeto entender o funcionamento de facções criminosas, grupos paramilitares e realizar oitivas de governadores e especialistas em segurança pública. LEIA+

JOGO DA DIREITA

A cartada bolsonarista que tirou o conforto de Eduardo Paes na eleição no Rio | Como um bom carioca, Eduardo Paes (PSD) cresceu na política justamente por ostentar a fama de “bonachão” e “espirituoso”, dois traços marcantes de quem nasce e vive na capital fluminense. No caso do prefeito do Rio, o perfil rendeu um feito: o bom trânsito entre os extremos ideológicos. Só que a fórmula perdeu o efeito para sua candidatura a governador neste ano. LEIA+

UM PASSO À FRENTE

Discurso de Lula acelera corrida de mineradoras por minerais críticos | Declarações recentes do presidente Lula sobre minerais críticos provocaram uma reação no setor de mineração e aceleraram movimentos de investidores estrangeiros interessados em projetos no Brasil, segundo fontes do mercado. Em encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no início da semana, Lula afirmou que o Brasil “não vai fazer com as terras raras e minerais críticos o que foi feito com o minério de ferro”. O país é a segunda maior reserva desses minerais no mundo, atrás somente da China. LEIA+

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Há 50 anos, prisões de jornalistas mobilizaram a ABI contra a ditadura

 

Há 50 anos, prisões de jornalistas mobilizaram a ABI contra a ditadura


14/03/2026


Por Geraldo Cantarino

No início de 1976, há exatos 50 anos, o clima nas redações brasileiras era de intranquilidade e apreensão. Sucessivas prisões de jornalistas aumentavam a insegurança na categoria. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Prudente de Moraes, Neto, chegou a enviar um telegrama ao então ministro da Justiça, Armando Falcão, manifestando preocupação com a situação. E depois participou de várias audiências em Brasília com dirigentes do Congresso, do Judiciário, e com o próprio Falcão.

Apesar do discurso de abertura política do governo Ernesto Geisel, o contexto permanecia bastante tenso. Ainda era forte a repercussão do assassinato sob tortura do jornalista Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, pouco mais de quatro meses antes, no DOI-Codi, em São Paulo. Mais recente ainda era a morte sob tortura do operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, em 17 de janeiro de 1976, episódio que levou à exoneração do general Ednardo D’Ávila Mello do comando do 2º Exército, em São Paulo.

 Maurício Azedo

 Luiz Paulo Machado

Em março de 1976, em meio à investida da repressão contra membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB), duas prisões causaram grande preocupação nas redações e tiveram a ABI como alvo direto: a do fotógrafo de O Globo, Luiz Paulo Santana Machado, e a do redator da Editora Abril, Maurício Azêdo. Ambos eram associados da entidade e integravam a coordenação do Cineclube Macunaíma — que contava ainda com mais dois jornalistas, Fichel Davit Chargel e Ancelmo Gois. Além de conselheiro e membro da Comissão de Liberdade de Imprensa, Azêdo era também o principal editor do Boletim ABI e viria a ser presidente da entidade de 2004 a 2013.

 Ancelmo Góis

Luiz Paulo e Azêdo foram presos e torturados sob acusação de envolvimento em atividades subversivas do PCB no Rio de Janeiro. Alegava-se, inclusive, que seriam responsáveis pela criação de uma base do partido na própria ABI. As detenções foram noticiadas pela imprensa, em jornais como O GloboJornal do Brasil e O Estado de S. Paulo, além de ganhar destaque na coluna “Jornal dos Jornais”, do jornalista Alberto Dines, na Folha de S.Paulo.

Agentes do Departamento de Polícia Política e Social (DPPS) prenderam Luiz Paulo quando ele se dirigia para casa após o trabalho e revistaram sua residência, em Laranjeiras. A família do fotógrafo (que era casado com a jornalista Elane Maciel) contratou o advogado Humberto Jansen para acompanhar o caso. Na defesa de Azêdo atuaram os advogados Alcyone Pinto Barreto e Augusto Sussekind de Moraes Rego.

A denúncia que seguiu para a 1ª Auditoria do Exército também incluiu Ancelmo Gois e o jornalista e publicitário Anderson Campos (também associado da ABI), representados pelos advogados Antônio Modesto da Silveira e Evaristo de Moraes Filho, respectivamente. Durante todo o processo, desde o momento da prisão dos jornalistas, a ABI esteve empenhada em acompanhar o caso. O presidente da entidade, Prudente de Moraes, Neto, manteve contatos com o Comando do 1º Exército, divulgou informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), e emitiu notas manifestando preocupação com as detenções e reivindicou a observância dos preceitos legais de detenção e prisão, sobretudo quanto ao tratamento dispensado aos detidos ou presos. Os quatro jornalistas foram absolvidos pela Justiça Militar em 24 de maio de 1978, dois anos depois.

Para o presidente da ABI, Octávio Costa, relembrar as prisões de jornalistas em 1976 é uma oportunidade de resgatar a memória e a verdade. “É bom não esquecer que nosso país viveu esses momentos de repressão, autoritarismo e tortura praticada pelo Estado. Ditadura nunca mais!”

https://www.abi.org.br/ha-50-anos-prisoes-de-jornalistas-mobilizaram-a-abi-contra-a-ditadura/


Nota da Redação Deste Blog - Memória contra o Esquecimento: Os 50 Anos da Caça aos Jornalistas e a Herança Maldita do Autoritarismo


Por José Montalvão


A história não é apenas um registro do passado; é um tribunal que julga o presente. Ao completarmos, em 2026, exatamente 50 anos dos sombrios episódios de 1976, o Brasil se depara com um espelho incômodo. Relembrar o clima de terror que assolou as redações brasileiras meio século atrás não é apenas um exercício de saudosismo, mas um grito de alerta contra os "filhotes da ditadura" que, ainda hoje, tentam usar o poder e o cargo para amordaçar a imprensa e ocultar seus desmandos.

No início de 1976, o ar era irrespirável. Prisões sucessivas de jornalistas criaram um rastro de insegurança e medo. Naquela época, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Prudente de Moraes Neto, precisou ir a Brasília, batendo às portas de ministros e tribunais para tentar garantir o básico: a integridade física de profissionais cujo único "crime" era informar.


A Tática da Mordaça: Ontem e Hoje

O abuso de poder tem um DNA que se repete. Na ditadura, usava-se o AI-5 e o porão; hoje, os métodos podem ser mais sofisticados — como o uso mesquinho de processos judiciais em massa e o cerceamento financeiro —, mas o objetivo é o mesmo: o silêncio.

  • 1976: Jornalistas eram presos para que as atrocidades do Estado permanecessem acobertadas pela impunidade.

  • 2026: Comunicadores independentes e blogueiros são perseguidos para que desvios administrativos e corrupção local não venham à tona.

Como bem afirmou o atual presidente da ABI, Octávio Costa, resgatar essa memória é uma oportunidade de restabelecer a verdade. O país viveu tempos de tortura praticada pelo Estado, e permitir que o espírito autoritário sobreviva em gabinetes modernos é um atentado de morte à democracia.


A Impunidade como Combustível do Desmando

Os "filhotes da ditadura" — aqueles que herdaram o desprezo pela liberdade alheia — acreditam que o cargo que ocupam é um escudo para cometer todo tipo de atrocidade. Eles se sentem confortáveis na sombra da impunidade, onde podem perseguir quem denuncia e perseguir quem ousa pensar diferente.

A mordaça imposta à imprensa é a primeira etapa do desmoronamento democrático. Quando um jornalista é calado, o cidadão comum perde a sua voz e a sua defesa. A história nos ensina que o silêncio da sociedade é o que permite que o monstro do autoritarismo cresça.


Ditadura Nunca Mais: O Dever da Indignação

Não podemos permitir que a capacidade de indignação do povo brasileiro seja anestesiada. O abuso do cargo para perseguir a imprensa é uma violação gravíssima que deve ser julgada com rigor. Relembrar 1976 é dizer aos atuais "pequenos ditadores" que a história os observa e que a justiça, embora por vezes lenta, não ignora os passos da tirania.

O Blog do Montalvão, como herdeiro dessa luta por uma comunicação livre e independente, reafirma seu compromisso: a mordaça não nos serve. Honramos a memória daqueles que foram presos e torturados para que hoje tivéssemos o direito de escrever.

A liberdade de expressão não é um presente do poder; é um direito conquistado com suor e sangue. E nós não abriremos mão dele.


Blog do Montalvão: Onde a memória é viva e a mordaça não tem vez.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

URGENTE! FASCISTAS INCITAM ÓDIO E VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

 URGENTE! FASCISTAS INCITAM ÓDIO E VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Madame michelle bostanauro e parlamentares da extrema-direita acabam de cometer um dos maiores crimes de ódio contra os jornalistas, fomentando uma onda de ataques e ameaças a esses profissionais e suas famílias. Em 57 anos de jornalismo (completo no próximo de 1º de abril, eu juro!), jamais vi nada semelhante.

Baseada no vídeo pífio de uma seguidora da seita, que acusa os repórteres que se encontram em frente ao hospital onde o inelegível está internado de estarem conversando sobre a possível morte dele (nada comprova, é uma acusação meramente aleatória, sem qualquer diálogo que a sustente), michele amplificou a falsa denúncia em sua rede do instagram, com mais de 8 milhões de seguidores, com a legenda “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13″.

Os fascistas também estão espalhando montagens e vídeos com uso de Inteligência Artificial incitando a violência contra os profissionais, além de exporem fotos de filhos e familiares, como forma de intimidação.

Já há relatos de inúmeros ataques a jornalistas e seus familiares, por conta dessa campanha criminosa e irresponsável. Repórteres que aparecem nas imagens estão sendo identificados e atacados nas redes sociais e nas ruas. Duas repórteres foram reconhecidas no transporte público e sofreram ataques presenciais. Em um dos casos, foi divulgado um vídeo, feito com IA, sugerindo que uma jornalista fosse esfaqueada. Em postagem no X, usuário chama repórter de "vagabunda". "Vc é a vagabunda que ficou desejando a morte do Bolsonaro, né? Agora somos nós que desejamos a sua! E vc é repórter de rua, né? Que chato! O Brasil é um país tão violento!", diz a publicação. Outro jornalista recebeu postagem com ameaças a seu filho. Profissional, que não quis se identificar, acabou fechando as redes sociais e registrou BO sobre o ocorrido.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais.

A ABI lançou a seguinte nota de Repúdio:

“A Associação Brasileira de Imprensa repudia as manifestações de hostilidade e ódio dirigidas a jornalistas que realizam a cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, nos últimos dias, em Brasília.

Profissionais de imprensa que cumprem seu dever de informar a sociedade têm sido alvo de ataques verbais e intimidações por parte de apoiadores do ex-presidente, em um ambiente de crescente hostilidade contra o trabalho jornalístico.

Causa indignação a atitude da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que compartilhou em suas redes sociais um vídeo com ataques a jornalistas. O material, produzido por uma influenciadora bolsonarista e amplificado por parlamentares da extrema direita, foi difundido sem qualquer verificação, disseminando desinformação e expondo profissionais que apenas exerciam seu trabalho.

A partir dessa campanha, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a ser identificados e atacados nas redes sociais. As agressões ultrapassaram o ambiente digital: repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público e sofreram ataques presenciais. Também circularam montagens e vídeos com uso de Inteligência Artificial simulando violência contra profissionais, além da exposição de fotos de filhos e familiares como forma de intimidação.

É inadmissível que figuras públicas utilizem sua influência para difundir conteúdo falso ou estimular campanhas de difamação contra jornalistas. Esse tipo de prática não ameaça apenas indivíduos, mas representa um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação.

O episódio remete ao período de 2019 a 2022, em que a violência contra jornalistas foi praticada e estimulada diretamente pelo próprio Bolsonaro, então presidente da República, por meio de diversos episódios de triste memória. Foram diversas as ocasiões em que entrevistas coletivas na Presidência da República se tornavam espaços para ataques aos profissionais de imprensa no “cercadinho” sob o comando de Bolsonaro e apoiadores.

Manifestamos solidariedade aos profissionais que estão em serviço e reiteramos a defesa incondicional do respeito à atividade jornalística e à liberdade de imprensa.

Rio de Janeiro, 15 de março de 2026

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA

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