quinta-feira, março 05, 2026

Capanga de Vorcaro suicidou-se na prisão ou foi apagado em queima de arquivo?


Caso Master - Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro,  morreu nesta quarta-feira (4). Ele estava internado no Hospital João XXIII,  em Minas Gerais, para onde foi levado depois

Reprodução do portal g1

Felipe de Paula, Aguirre Talento e Raquel Landim
Estadão

Preso nesta quarta-feira, 4, pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Daniel Vorcaro, se suicidou enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais. A informação foi divulgada pela própria corporação.

Ele chegou a receber atendimento e foi levado ao hospital, mas não resistiu.

ENFORCADO – De acordo com fontes da Polícia Federal, Luiz Phillipi Mourão teria se enforcado usando a própria camiseta. Segundo eles, ele teria amarrado uma das pontas da peça que usava em uma das barras e a outra no pescoço, dependurando-se em seguida.

Mourão foi inicialmente reanimado por cerca de 30 min pelo grupo Grupo de Pronta Intervenção da PF/MG (GPI) e levado ao hospital com a chegada da equipe médica do Samu, que o levou ao hospital.

Do latim “Sicarius”, homem da adaga, o apelido “Sicário” não era apenas simbólico para Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro, dono do Banco Master.

DENTES QUEBRADOS – Segundo o relatório, Vorcaro teria solicitado a “Sicário” que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido e tivesse “todos os dentes quebrados” em um assalto forjado.

Nesta quarta, no momento da prisão de Vorcaro, o banqueiro afirmou que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que as mensagens atribuídas a ele foram retiradas de contexto.

De acordo com a PF, o “Sicário” teria acessado indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol, para monitorar adversários e desafetos do banqueiro.

ERA CAPANGA – Para os investigadores, mensagens interceptadas indicam que Vorcaro acionava Luiz Phillipi Mourão para monitorar e intimidar funcionários que se opunham às suas ordens e vontades.

Em um dos diálogos, o banqueiro relata que estaria sendo ameaçado por uma funcionária e ordenou que Sicário “moesse essa vagabunda”.

Em outro bate-papo no WhatsApp, Mourão se oferece para mobilizar “A Turma”, estrutura usada para coleta de informações, a fim de constranger um empregado que teria feito uma gravação indesejada de Vorcaro.

OUTRAS ORDENS – As conversas incluem ainda troca de dados pessoais e pedidos para “levantar tudo” sobre dois funcionários, incluindo um chef de cozinha.

Para a Polícia Federal, há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro por intermédio do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, que se apresentou aos federais nesta quarta após não ser localizado nos endereços alvo de busca.

Em nota, a defesa de Zettel afirmou que ele “está à inteira disposição das autoridades”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Tudo muito estranho, e o caso Vorcaro ganha tons hollywoodianos. O nome Sicário é o título de uma série de filmes de violência na Netflix. Agora aparece na vida real, como coadjuvante numa série de corrupção, terror e política no Brasil. Sicário, como o próprio apelido indica, era o capanga para as missões de violência de Vorcaro. Morreu na cadeia, nas mesmas condições de Vladimir Herzog, para parecer um suicídio. Era um homem corpulento. Fica difícil imaginar que a camiseta tenha suportado o peso de seu corpo a ponto de matá-lo. Vamos aguardar. (C.N.)


Caso Master: STF aponta acesso indevido a sistemas da PF e da Interpol

Publicado em 5 de março de 2026 por Tribuna da Internet

A quebra de sigilo de Lulinha e o novo campo de batalha eleitoral

Publicado em 5 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Mesmo com tornozeleira, Vorcaro continuava a financiar ataques ao Banco Central


Influenciadores foram pagos para atacar o BC

Johanns Eller
O Globo

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, continuou a planejar ações criminosas mesmo após sua primeira prisão em novembro de 2025 e a subsequente imposição de tornozeleira eletrônica após ser liberado da cadeia pela Justiça Federal. A Polícia Federal (PF) aponta como um dos exemplos o pagamento a influenciadores de direita que atacaram o Banco Central (BC) e questionaram a liquidação do Master pelo órgão regulador.

De acordo com os investigadores, o dinheiro era repassado aos influencers por meio de um dos comparsas de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão, que segundo a PF também é conhecido pelo apelido de “Sicário”. As informações constam da decisão do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que determinou nesta quarta-feira a nova prisão do banqueiro e de seu cunhado e operador financeiro, o pastor Fabiano Zettel.

DENÚNCIA – Em janeiro, o esquema acabou denunciado por dois influenciadores de direita, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) e Juliana Moreira Leite, que não toparam fazer o serviço. O “briefing” apresentado aos influencers orientava a disseminação da narrativa de que o Banco Central havia se precipitado ao decretar a liquidação do Master.

Nos documentos repassados aos influenciadores, aos quais a equipe da coluna teve acesso à época, o serviço foi batizado de “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro.

A estratégia digital ocorreu no mesmo período em que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus instou o BC a explicar o processo de liquidação do Master e sinalizou a possibilidade de reverter a medida por meio da corte contábil, o que posteriormente foi descartado pelo próprio presidente do órgão, Vital do Rêgo, diante da repercussão negativa.

ENCOMENDA – Entre as encomendas aos influenciadores estava a divulgação uma reportagem de 19 de dezembro do portal Metrópoles que noticiava um despacho do tribunal de contas. “TCU vê indícios de precipitação em liquidação do Master e dá 72 horas para BC se explicar”, dizia a manchete a ser compartilhada nos perfis com centenas de milhares e até milhões de seguidores.

“As novas evidências apresentadas agora a esta Suprema Corte comprovam que Phillipi Mourão faz a ponte entre os desejos de Daniel Vorcaro em influenciar a opinião pública e influenciadores contratados pela organização criminosa. Esse mesmo modus operandi está em investigação nos autos do Inq. 5035, cujas ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do “Projeto DV” foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal”, diz um trecho da representação da PF destaca no despacho de Mendonça.

“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada”

FUGA – A liquidação do Master se deu em 17 de novembro, um dia após a prisão preventiva de Vorcaro pela PF. O executivo tentava embarcar em um jato no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com destino a Malta, o que foi encarado pelos investigadores como uma tentativa de fuga.

O banqueiro deixou a cadeia em 28 de novembro por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas foi submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica. Os esforços para cooptar influenciadores financeiramente e atacar o Banco Central se deram ao longo de dezembro e janeiro, quando Vorcaro estava sujeito às diligências da Justiça.

A delação de Vorcaro e o pânico silencioso que impacta Brasília

Publicado em 5 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Liminar de Dino gera corrida ao Supremo e coloca em xeque 87 quebras de sigilo

Publicado em 5 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Dino suspendeu a quebra dos sigilos de Roberta Luchsinger

Luiz Vassallo
Fausto Macedo
Felipe de Paula
Estadão

Ao suspender a quebra de sigilo bancário da empresária Roberta Luchsinger, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino abriu espaço para que a decisão beneficiasse também o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já foi dado início à corrida para que dezenas de alvos da mesma decisão peçam para ser agraciados pelo mesmo despacho do ministro.

A empresária teve seu sigilo quebrado no dia 26 de fevereiro. Em uma mesma votação, parlamentares decidiram votar conjuntamente 87 medidas contra investigados. Nessa lista, também está o filho do presidente. E foi contra a decisão da CPMI sobre esses 87 pedidos, votada de uma vez só, que a defesa da empresária se insurgiu no STF.

ALVOS  – Nesse rol de investigados atingidos pela mesma votação na CPMI, estão alvos de todas as bandeiras políticas. Além de Roberta e Lulinha, por exemplo, há empresas do grupo familiar do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincon, que tem longo histórico no Republicanos.

A partir da decisão de Dino, defesas de investigados começaram a se movimentar e mesmo a pedir a extensão de seus efeitos para seus clientes. Foi o caso do ex-vice-presidente do BMG, Márcio Alaor, que foi alvo de pedidos de quebra de sigilo bancário apreciados na mesma decisão da Câmara que avalizou a medida contra Roberta e Lulinha.

Em sete das nove páginas de seu despacho, Dino não discorreu sobre a situação individual da empresária. O ministro dedicou esse espaço a se ater à ilegalidade de qualquer ato de investigação que tenha sido aprovado na mesma votação da Comissão Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que quebrou o sigilo de Roberta.

VOTAÇÕES EM BLOCO – Dino afirmou que votações em bloco podem acontecer para aprovação de projetos de lei no Legislativo, mas são inconstitucionais quando seu objeto é uma medida de investigação, como é o caso de uma quebra de sigilo bancário.

“Não se cuida de uma controvérsia regimental, e sim constitucional, não sendo cabível o afastamento de direitos constitucionais “no atacado”, com votação “em globo”, sem análise fundamentada de cada caso, regular debate e deliberação motivada. Portanto, tenho por presente a plausibilidade do direito invocado pela impetrante”, escreveu o ministro.

Ao fim do documento, logo após discorrer sobre a decisão da Câmara que considerou ilegal, o ministro Flávio Dino decidiu conceder liminar para “suspender os efeitos do ato impugnado e do cumprimento dos ofícios respectivos”. Ele não especificou a qual ato estava se referindo. Não disse se estava suspendendo toda a votação, que foi objeto de análise na maior parte do texto de sua decisão, ou somente a ofícios ao Banco Central para que fossem entregues dados bancários da empresária à CPMI.

CASSAÇÃO DA VOTAÇÃO  -A decisão foi interpretada por advogados do filho do presidente e de diversos outros investigados como a cassação de toda a votação e, portanto, também, do sigilo bancário de Lulinha. Até mesmo parlamentares da oposição na CPMI entendem que a decisão fez derreter toda a votação.

Após a repercussão da decisão, o gabinete do ministro procurou a imprensa para afirmar que a decisão atinge somente o caso de Roberta Luchsinger – o que não ficou claro no próprio despacho. Questionada sobre a que o ministro se referia e se a decisão só atingiria outros investigados caso provocassem ao STF, a assessoria do ministro informou que ele não se manifestaria sobre o assunto.

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