segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor a Bolsonaro se pressão por CPI do Master esfriar

Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor a Bolsonaro se pressão por CPI do Master esfriar

Por Política Livre

23/02/2026 às 06:51

Foto: Jefferson Rudy/Arquivo/Agência Senado

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Congresso Nacional

A cúpula do Congresso Nacional sinalizou que pode marcar, no início de março, uma sessão para a análise do veto ao projeto de redução de penas aos condenados por golpismo, chamado de PL da Dosimetria, desde que não haja pressão para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master.

A proposta pode reduzir o tempo que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai passar em regime fechado de 6 a 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação.

Para analisar os vetos presidenciais, é preciso que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), convoque uma sessão conjunta de senadores e deputados. Mas, nessas reuniões, ele precisa também ler os requerimentos para instalar as comissões parlamentares de inquérito, o que quer evitar.

Por isso, desde a abertura do ano legislativo, Alcolumbre tem buscado ganhar tempo e adiar a sessão. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também resiste a instalar CPI sobre o tema na Casa.

Como mostrou a Folha, cardeais do centrão e do Congresso atuam para blindar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, que se afastou da relatoria do processo, e criticam o que chamam de uma "Lava Jato 2" sobre o caso, com prejulgamento e "vazamento seletivo" de informações contra políticos e ministros do Supremo.

No início de fevereiro, a Polícia Federal realizou uma operação contra a Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, por investimentos feitos no Master e que devem gerar um rombo no fundo dos servidores do Amapá. Um dos alvos foi um aliado de Alcolumbre, Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev que foi tesoureiro de campanha do senador.

Em nota, o parlamentar disse defender que tudo seja apurado e esclarecido e que os verdadeiros culpados sejam punidos, com respeito ao devido processo legal.

Segundo apurou a reportagem, a ideia do comando da Câmara e do Senado é negociar com a oposição a realização da sessão conjunta sobre o veto ao PL da Dosimetria tendo como garantia que não haverá pressão para a leitura do requerimento da CPI mista do Master.

Caso haja um acordo nesse sentido, a previsão é de que haja uma sessão na primeira semana de março. Caso contrário, ela pode ser postergada ainda mais.

A oposição ao governo Lula (PT), especialmente os bolsonaristas, vem cobrando Alcolumbre a pautar a redução de penas, já que a expectativa é que o veto de Lula seja derrubado. Com isso, além de Bolsonaro, seriam beneficiados os demais condenados pela trama golpista e pelo 8 de Janeiro.

Para manter o veto, o PT precisaria reverter ao menos sete votos favoráveis ao PL da Dosimetria no Senado, o que petistas não consideram impossível. A derrubada do veto exige votos de 257 deputados e 41 senadores. O projeto foi aprovado na Câmara com 291 votos favoráveis e, no Senado, com 48.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), já afirmou que, caso o veto seja derrubado, há a possibilidade de recorrer ao STF, já que o Palácio do Planalto classifica a medida como inconstitucional.

Signatários do requerimento de uma CPI mista sobre o Master, encabeçado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), entendem que Alcolumbre é obrigado a ler o documento e instalar a comissão na primeira sessão do Congresso após o protocolo, feito no último dia 3. O pedido teve o apoio de 42 senadores e 238 deputados.

Também há requerimentos, separadamente, na Câmara e no Senado. O apoio à instalação de comissões parlamentares de inquérito sobre o Master cresce no Congresso, com adesão de bolsonaristas, governistas e integrantes do centrão.

Nesse contexto de interesses que envolvem tanto o veto ao PL da Dosimetria como a instalação de uma CPI do Master, Alcolumbre tem sido alvo de reclamações por parte de senadores de oposição, que veem inação e alinhamento do presidente do Senado ao governo Lula.

Além do veto ao PL da Dosimetria, há ainda outros 73 vetos presidenciais pendentes de análise, incluindo o restante dos vetos ao projeto de lei que flexibiliza as regras para o licenciamento ambiental.

O senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco que reúne o PL e o Novo, diz que a estratégia do governo é esfriar a CPI e a análise dos vetos.

"O Senado transformou uma semana de Carnaval em um mês. Praticamente não houve sessões. Não está certo o Congresso e, principalmente, o Senado, ficar tanto tempo sem pauta", afirma.

Na quinta-feira (12), em uma entrevista à imprensa para defender a CPI do Master e o impeachment de Toffoli, o senador Eduardo Girão (CE), líder do Novo, também reclamou da paralisia no Senado.

"A pressão da sociedade vai ser decisiva nisso tudo, porque os acordões parecem estar se movendo, ganhando tempo. Não é à toa que a gente teve cancelamento das sessões na semana passada e nesta semana", afirmou. 

Politica Livre

André Mendonça acelera apuração do caso Master no Supremo Tribunal Federal

Publicado em 22 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet

Mendonça convoca a PF para nova reunião 

Valdo Cruz
Fernanda Vivas
G1

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou nova reunião com a Polícia Federal nesta segunda-feira (23). O magistrado é o relator das apurações envolvendo supostas irregularidades do banco Master. O encontro deve servir para uma espécie de balanço das investigações e para tratar dos novos passos.

Mendonça foi sorteado para conduzir o caso no dia 12, após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria. Em uma das primeiras medidas como relator, Mendonça fez uma reunião com investigadores no dia 13 para obter um panorama geral da investigação.

“FLUXO ORDINÁRIO” – Na última quinta-feira (19), o magistrado determinou a retomada do “fluxo ordinário” de ações de perícia e tomada de depoimentos nas apurações. Na prática, ele alterou a determinação anterior do ministro Toffoli, que chegou a indicar quais peritos da PF deveriam se debruçar sobre o material.

De acordo com o Instituto Nacional de Criminalística, a perícia do caso Master envolve cerca de 100 dispositivos eletrônicos, estimando-se que um único perito consumiria aproximadamente 20 semanas de dedicação exclusiva para a realização da extração dos dados.

A Polícia Federal havia pedido que essa análise seguisse uma distribuição regular das demandas entre peritos habilitados, conforme critérios técnicos e administrativos, como ocorre em outras investigações. Na última sexta-feira (20), Mendonça autorizou que a CPI do INSS tenha acesso às informações da quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, a segunda reunião entre o relator e a Polícia Federal deve ser de acompanhamento do trabalho dos investigadores e análise dos desdobramentos do caso.


Congresso acumula 77 vetos de Lula e impasse trava CPMI do Banco Master

Publicado em 22 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Vanessa Araujo
Terra

Sem convocação de sessão conjunta desde novembro, o Congresso acumula 77 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ainda aguardam deliberação.

Na fila estão decisões que envolvem “penduricalhos” a servidores do Legislativo, mudanças na dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, regras do Fundo Partidário, segurança pública e medidas ambientais.

SEM PREVISÃO – A análise depende da convocação de uma sessão pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Ainda não há uma data prevista. A leitura do requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar operações do Banco Master precisa ocorrer nessa reunião, o que formalizaria a criação do colegiado e ampliaria o embate político.

Entre os vetos pendentes está o que atingiu trechos do projeto que reajusta salários e benefícios de servidores do Poder Legislativo. Lula barrou dispositivos que poderiam abrir brecha para remunerações acima do teto do funcionalismo público, fixado em R$ 46.366,19, e impediu aumentos escalonados previstos para os próximos anos. O reajuste previsto para 2026 foi mantido.

A oposição articula para que a sessão seja convocada. O foco principal não é o veto aos benefícios, mas a tentativa de derrubar a decisão presidencial que manteve penas aplicadas aos condenados pela tentativa de golpe. Parlamentares também defendem a instalação da CPMI do Master.

AUMENTO DE DESPESAS – No campo orçamentário e político, aguardam votação vetos ao mecanismo automático de reajuste do Fundo Partidário previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 e à proposta que ampliava de 513 para 531 o número de deputados federais. O governo argumentou que as medidas provocariam aumento de despesas sem estimativa de impacto ou contrariariam o interesse público.

Também estão pendentes vetos a projetos da área de segurança pública, como o que estabelece limite máximo de idade para ingresso nas carreiras policiais, e a trechos da proposta que tratava do porte de arma por policiais legislativos. No meio ambiente, segue sem análise a decisão que barrou dispositivo sobre regularização de áreas desmatadas ilegalmente no Pantanal.

Entre os principais vetos na fila do Congresso estão : “Penduricalhos” dos servidores do Judiciário; Dosimetria de penas para condenados pelos atos de 8 de Janeiro (veto total); Mecanismo de reajuste do Fundo Partidário na LDO 2026; Ampliação do número de deputados federais (veto total); Porte de armas para policiais legislativos; Limite de idade para ingresso nas carreiras policiais (veto total); Licenciamento ambiental; Trecho do Estatuto do Pantanal; Marco Regulatório do Setor Elétrico.

Possibilidade de delação de Vorcaro cresce com o escândalo dos bacanais


Banco Master: CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro para 26 de  fevereiro

Delação premiada é a única alternativa para Daniel Vorcaro

Carlos Newton 

O pedido ao Tribunal de Contas da União para que mande a Polícia Federal investigar os bacanais organizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso, região paradisíaca do Sul da Bahia, muda inteiramente de feição o chamado caso do banco Master. Não se trata mais de uma simples maracutaia financeira, mas de um escândalo político da maior gravidade, envolvendo importantes figuras da República em ambientes de sexo, drogas e rock and roll.

Torna-se explícita a estratégica adotada pelo banqueiro, para se proteger da lei e da ordem. Ele se comportava com uma desenvoltura tamanha, que somente poderia haver duas explicações – ou estava com seu equilíbrio mental afetado ou tinha controle sobre importantes autoridades dos três Poderes, a ponto de se julgar totalmente impune.

MAIS VAZAMENTOS – Para desespero dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo, os vazamentos não cessam. Pelo contrário, aumentaram em profusão, devido à quebra da criptografia que blindava o principal celular de Vorcaro, e agora não há como sufocar o escândalo, ao contrário do que ocorreu no episódio anterior, a Lava Jato.

Naquela época, o então senador Romero Jucá, um dos líderes do chamado Quadrilhão do MDB, a mais forte e inatingível facção do crime organizado do país, ensinou como destruir a Lava Jato e “estancar essa sangria, por meio de um acordo com o Supremo, com tudo”…

Agora, não será possível repetir a exitosa estratégia, porque desta vez um dos principais envolvidos na corrupção é o próprio Supremo, cuja resposta corporativista tem sido blindar os denunciados Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ao invés de puni-los por enlamear a imagem da Suprema Corte. É evidente que isso não vai dar certo.

VÍDEOS REVELADORES – Durante o ano eleitoral, a atenção continuará concentrada nos escândalos do grupo Master. São devastadoras as notícias de que existem vídeos clandestinos que Vorcaro mandou gravar nos bacanais, para garantir o apoio dessas festivas autoridades que ele convidava.

Se realmente existem esses vídeos no celular que Vorcaro julgava ser “blindado” pela criptografia, logo saberemos quem são os amigos do banqueiro, que somente convidava políticos e autoridades de grande influência, para desfrutar do apoio deles no futuro.

O novo relator, ministro André Mendonça, que substituiu o trêfego Dias Toffoli, sabe que o caso Master é sua grande oportunidade de se tornar um jurista respeitado. Portanto, saberá usar a lei com seu devido rigor.

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P.S.
 – Diante dessa realidade altamente adversa, o banqueiro/estelionatário Daniel Vorcaro não tem saída e será obrigado a requerer uma delação premiada, que vai abalar as estruturas da República em pleno ano eleitoral. Por isso a pipoca vai substituir o feijão como principal alimento dos brasileiros. (C.N.)


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