domingo, fevereiro 22, 2026

Motta promete debate sobre tarifa zero em pacote para recuperar popularidade e se aproximar de Lula

Motta promete debate sobre tarifa zero em pacote para recuperar popularidade e se aproximar de Lula

Por Raphael Di Cunto / Folhapress

22/02/2026 às 08:15

Foto: Vinícius Loures / Câmara dos Deputados

Imagem de Motta promete debate sobre tarifa zero em pacote para recuperar popularidade e se aproximar de Lula

Em busca de melhorar sua imagem e a do Legislativo às vésperas da eleição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu a parlamentares e prefeitos instalar nos próximos dias uma comissão especial para avaliar e debater a tarifa zero no transporte público.

A promessa faz parte de uma estratégia para reduzir o peso de assuntos que podem causar desgaste aos políticos, como a reforma administrativa, e avançar com propostas consideradas mais populares neste seu segundo ano no comando da Câmara, como a tarifa zero e o fim da escala de trabalho 6x1.

Ao destravar esses debates, Motta também busca se aproximar do presidente Lula (PT), cujo apoio é importante, na Paraíba, para ajudar a eleger seu pai para o Senado.

A gratuidade no transporte público das grandes cidades está em análise nos ministérios da Fazenda e das Cidades e deve ser explorada como mote da campanha presidencial de Lula. O governo avalia que há poucas chances de implantação ainda neste mandato do petista, dado o custo bilionário para bancar as tarifas e o atual déficit nas contas públicas da União.

Ainda assim, Motta prometeu, em reunião com prefeitos e deputados, criar uma comissão especial após o Carnaval para participar dessa discussão.

Uma das possibilidades em estudo é substituir o vale-transporte por uma contribuição de empresas para um fundo que custearia a gratuidade das tarifas. Outras formas de financiamento também devem ser discutidas, como o aporte de recursos da União, estados e municípios, além de subsídios cruzados.

"Vamos entrar no debate sobre as fontes de financiamento. Aí entra na questão do vale-transporte e de outras fontes rumo à tarifa zero", diz o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), cotado para coordenar o grupo.

Em busca de imprimir uma agenda mais popular para a Câmara neste segundo ano, Motta já anunciou também que terá como prioridade a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, o projeto de lei que regula a atuação de motoristas por aplicativo e a PEC que acaba com a escala 6x1.

Este último ponto foi destaque no pronunciamento de reabertura dos trabalhos legislativos, mas preocupou o setor empresarial. A PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) após uma intensa campanha nas redes sociais ficou parada por quase um ano.

Quando Erika protocolou a PEC, em fevereiro do ano passado, Motta desconversou e disse que era uma "falha de compromisso com o eleitor" prometer esse tipo de projeto. "Não dá para ficar vendendo sonho sabendo que esse sonho não vai se realizar", afirmou ele, em palestra organizada pelo Banco Safra.

Agora, ao enviar a proposta para a Comissão de Constituição e Justiça, o presidente da Câmara mudou o discurso. Fez uma defesa enfática do projeto e o comparou à criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) por Getúlio Vargas.

"Muitos disseram que o país quebraria, mas o que nasceu foi uma era de prosperidade e um país mais justo", disse Motta, em vídeo divulgado nas redes sociais. "Essa proposta não trata de trabalhar menos, mas sim de viver melhor."

O tema enfrenta resistências na iniciativa privada, com críticas da indústria, do comércio e do setor de serviços sobre aumento de custos. A Confederação Nacional dos Transportes, por exemplo, divulgou nota para defender que a jornada seja reduzida apenas por negociação coletiva, sem imposição por lei, e disse que "nos setores onde a jornada 5x2 é factível, ela já é praticada".

De acordo com a entidade, mais da metade das empresas de transporte de cargas e de passageiros diz que há dificuldade de contratar mão de obra. "Reduzir a jornada sem haver trabalhadores suficientes para suprir a demanda amplia o déficit, eleva custos e pode comprometer a regularidade dos serviços prestados à população", afirmou.

Apesar dessa preocupação, representantes do setor privado afirmam que a mudança de postura de Motta, de pautar o tema para debate às vésperas da eleição, dificulta barrar a aprovação da proposta, e a decisão agora será negociar para evitar "perder de WO".

A opção por uma PEC, com tramitação mais demorada e quórum maior para aprovação, foi criticada nos bastidores pelo governo, que pretendia encampar um projeto de lei em regime de urgência para tratar do tema com mais facilidade.

O presidente Lula e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, querem se reunir com Motta para debater o rito e convencê-lo a optar pelo projeto, que precisa de menos votos.

Politica Livre 

Ao antecipar anúncio de chapa, Wagner teria evitado que Lula avalizasse troca de Jerônimo por Rui em viagem à Índia

 

Ao antecipar anúncio de chapa, Wagner teria evitado que Lula avalizasse troca de Jerônimo por Rui em viagem à Índia

Por Política Livre

21/02/2026 às 11:36

Atualizado em 21/02/2026 às 16:50

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Imagem de Ao antecipar anúncio de chapa, Wagner teria evitado que Lula avalizasse troca de Jerônimo por Rui em viagem à Índia

Ao desautorizar publicamente Jerônimo Rodrigues (PT) e anunciar a chapa do governo à sucessão estadual numa entrevista a uma rádio no interior, ontem, o senador Jaques Wagner (PT) atuou para abortar uma trama que visava substituir o governador pelo ministro Rui Costa (Casa Civil) como candidato do grupo ao Palácio de Ondina.

A informação foi passada a este Política Livre agora pela manhã por fontes ligadas ao PT e aos três políticos. Segundo elas, Wagner passou a temer que, influenciado por Rui, o presidente Lula convencesse Jerônimo a abrir mão de disputar a reeleição em favor do ministro, durante uma viagem que os três fazem, neste momento, à Índia.

A própria escalação de Jerônimo por Lula para participar da comitiva teria levado o senador petista a desconfiar de que estivesse em curso uma operação neste sentido. Ao antecipar o anúncio sem a presença de Jerônimo, ainda que mantendo na chapa um vice fraco como Geraldo Jr. (MDB), Wagner considerou que conseguiria sustar qualquer articulação por mudança.

Considerada extrema, a atitude foi interpretada pelas mesmas fontes como uma demonstração de que a animosidade política entre Wagner e Rui, negada de público pelos dois, só vem se agravando, estimulada pelo grau de inimizade das duas ex-primeiras damas Fátima Mendonça e Aline Peixoto, pivô dos desentendimentos entre os dois políticos.

As especulações em torno da substituição de Jerônimo pelo ministro como candidato do grupo ao governo circulam desde o ano passado, incentivadas por pesquisas de opinião para consumo interno que apontariam o favoritismo do candidato das oposições ao governo ACM Neto (União) e a fragilidade da candidatura de Jerônimo à reeleição.

Os números teriam sido levados diretamente por Rui a Lula, preocupando imensamente o presidente, para quem o fraco desempenho de Jerônimo poderia atrapalhar sua campanha na Bahia e sua vitória nacional. Como as mesmas sondagens mostram que Rui é eleitoralmente o político mais forte dos três petistas, o ministro teria passado a defender sua candidatura em Brasília.

Antes da viagem ao Exterior com Lula e Jerônimo, Rui teria procurado o deputado federal Diego Coronel (PSD) para pedir que seu pai, Angelo Coronel (PSD), retardasse o anúncio de sua candidatura à reeleição ao Senado na chapa de Neto sob o argumento de que mudanças ainda poderiam acontecer do lado governista que levassem o senador a repensar o rompimento.

Na prática, se assumisse a candidatura ao governo, Rui poderia negociar com Coronel sua manutenção na chapa como candidato à reeleição ao lado de Wagner. O senador é apontado como o responsável pela saída de Coronel do grupo, depois que decidiu concorrer de novo ao Senado, rompendo um trato que fizera com o próprio ministro na campanha de 2022.

Um possível retorno do ministro ao governo preocupa Wagner porque ele e seu grupo político controlam a gestão hoje, condição que desaparecia na eventualidade de um novo governo de Rui, em cujas gestões à frente do Estado o senador petista ficou, segundo relatos, a pão e água.

Trocando em miúdos, é como se hoje Wagner temesse mais Rui do que Neto ou considerasse os dois produtos do mesmo material.

Leia também: 

Wagner não faz mais questão de esconder quem manda e quem obedece no Governo da Bahia

Ex-prefeito faz trocadilho com “chapa 4G” anunciada por Wagner: “é algo ultrapassado”

Geddel comemora manutenção de Geraldo Júnior na vice e provoca críticos: “Têm que se morder”

“É tão irrelevante e fraco que nem escolhe a própria chapa”, diz Leandro de Jesus sobre Jerônimo Rodrigues

Estratégia internacional de Lula mira Trump para esvaziar a direita na eleição


Campanha de Lula deve destacar ações internacionais

Gabriel de Sousa
Gabriel Hirabahasi
Estadão

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretendem transformar a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no principal tema da agenda internacional para as eleições de 2026. A avaliação desses integrantes é de que essa estratégia pode neutralizar o discurso da direita bolsonarista e reduzir o espaço para questionamentos sobre temas considerados sensíveis.

A aposta combina uma percepção factual com wishful thinking, um certo otimismo, de integrantes do governo. Eles dizem acreditar, por exemplo, que outro tema que poderia ser destaque durante a campanha, a relação com a Venezuela, perdeu força após a prisão de Nicolás Maduro no início deste ano, diminuindo seu potencial de desgaste eleitoral.

TARIFAÇO – Também contribui para essa estratégia a negociação, até aqui considerada bem-sucedida, para a retirada de tarifas impostas aos produtos brasileiros pelo governo norte-americano. A proximidade com Trump e a relação cordial que o petista conseguiu cultivar depois de um breve encontro em Nova York, na Assembleia das Nações Unidas, também são fatores positivos para rebater o discurso da direita bolsonarista – entusiasta de primeira hora do trumpismo.

Na avaliação do cientista político e professor da Florida International University Guilherme Casarões, o desempenho de Lula depois das negociações com Trump, além de minar ataques vindos da oposição referentes à agenda internacional, ajuda a fortalecer uma imagem de “estadista” do presidente.

Apesar disso, Casarões pondera que Lula deve se concentrar mais em questões internas para adquirir ganhos eleitorais. “Ainda que eu não ache que vá haver um efeito direto nas eleições, tudo acaba ajudando a compor a imagem do Lula, a reputação do Lula e essa habilidade que ele teve, inclusive, em lidar com o Trump ao longo desses últimos meses”, afirmou o professor.

AGENDAS – O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, avalia que Lula deve tentar conciliar as agendas interna e internacional mesmo com a chegada das eleições. O especialista observa que, por meio das viagens e da interlocução com líderes, o petista obtém ganhos econômicos e políticos necessários para aumentar a popularidade.

“Qualquer presidente, em ano eleitoral, priorizaria a agenda interna, quase que obrigatoriamente. Lula certamente não deixará de fazer isso, mas ele se desdobra para não abandonar a agenda internacional do próprio governo, e eu entendo que isso tem a ver com uma percepção própria que Lula tem de se considerar um líder internacional. Ou seja, o Lula divide o tempo dele entre a agenda interna e a agenda externa”, disse Gabiati.

Lula deve viajar a Washington em março, embora a data ainda não esteja fechada. A confirmação depende de acerto das equipes da Casa Branca e do Palácio do Planalto sobre o melhor período para que a conversa pessoal entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil ocorra.

ÚLTIMOS COMPROMISSOS – Auxiliares do presidente já preveem que sua agenda internacional será paralisada com a proximidade das eleições. A ida à Ásia e uma viagem à Alemanha, além da estada nos Estados Unidos, devem ser alguns dos últimos compromissos antes do início formal da campanha à reeleição.

Aliados do presidente dizem acreditar que outro fator fortalecerá a agenda internacional: o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O tratado foi assinado e agora precisa ser chancelado pelos países dos dois blocos. Assim que for aprovado por algum deles, no entanto, pode passar a valer provisoriamente.

Lula foi muito criticado no início de seu terceiro mandato por suas viagens internacionais. A oposição tentou emplacar o discurso de que ele ficava mais fora do Brasil do que em solo brasileiro. Esse discurso, no entanto, arrefeceu ao longo do tempo, especialmente depois da ida do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aos Estados Unidos e sua atuação em defesa do tarifaço de Trump contra empresas brasileiras.

Renan articula apoio da PGR e da CGU para devassar caso Master

Publicado em 21 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet

Senador preside GT que vai apurar fraudes do Master

Gabriela Echenique
Folha

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) se reúne nesta semana com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o chefe da CGU (Controladoria-Geral da União), Vinícius de Carvalho, para tratar do caso Master. O senador, que preside a Comissão de Assuntos Econômicos da Casa, deve ir à CGU na quinta-feira (26).

Os encontros ainda não constam das agendas oficiais e vão concluir o périplo que o senador alagoano tem feito com autoridades para tratar das fraudes do banco. Em conversa com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, Renan pediu acesso à investigação que tramita na corte e acesso aos dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

FECHANDO O CERCO – Ele também já se encontrou com o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, e com o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo. O senador quer fechar o cerco e acusa o centrão de tentar esvaziar o depoimento do banqueiro, previsto para acontecer na manhã da próxima terça-feira (24). A comissão já aprovou uma série de requerimentos e Vorcaro será o primeiro a depor.

Um dia antes, Vorcaro vai prestar depoimento na CPMI do INSS —neste caso, para tratar dos consignados oferecidos aos aposentados e pensionistas. Na CPMI, a expectativa é de plenário cheio. Os titulares do colegiado esperam a presença de mais de 50 senadores na sala. O dono do Banco Master garantiu a aliados que vai falar e que pretende responder às perguntas dos parlamentares.

Em destaque

Flávio e os dois milicianos que deram o azar de morrer, por Raul Monteiro*

  Flávio e os dois milicianos que deram o azar de morrer, por Raul Monteiro* Por Raul Monteiro* 16/07/2026 às 07:57 Foto: Lula Marques/Arqui...

Mais visitadas