quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Ministros do STF afirmam que Moraes tentou se blindar com Operação da PF


Alexandre de Moraes usa 'caso IOF' para rebater críticas de ativismo do  Supremo

Moraes está ficando cada vez mais isolado no Supremo

Malu Gaspar
O Globo

A devassa que a Polícia Federal realizou sobre funcionários da Receita acusados de vazar informações sigilosas de parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, acendeu um alerta entre os próprios colegas de Alexandre de Moraes, que determinou a ação.

Dois ministros ouvidos sob reserva consideram a ação “absurda” e enxergam indícios de abuso de autoridade. Na ala do Supremo que não gravita em torno de Moraes, pegou mal o fato de ele não ter sequer comunicado aos colegas que havia uma suspeita de acesso indevido aos seus sigilos fiscais. Um magistrado disse ter manifestado seu descontentamento a Edson Fachin, presidente do STF.

O fato de Moraes ter pedido à Receita que verifique se houve acesso ilegal aos dados de cerca de 100 pessoas foi encarado internamente como uma tentativa do ministro de fazer uma “fishing expedition”, ou pesca probatória, que é como o jargão jurídico define a prática ilegal de fazer buscas genéricas, sem objetivo determinado, para tentar encontrar provas de crimes. Essa era uma acusação comumente feita à força-tarefa da Lava Jato e que agora se repete à boca pequena no Supremo.

AUTOBLINDAGEM – Esses ministros temem que Moraes use os dados sobre integrantes do STF e parentes que venham a ser obtidos na devassa da PF para se blindar do avanço das apurações sobre ele mesmo e sobre sua mulher, Viviane, que tem um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master até hoje inexplicado.

Ainda está fresco na mente dos togados o vazamento da reunião secreta que terminou com Dias Toffoli renunciando à relatoria do caso Master, depois de o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter entregue ao presidente do STF um relatório listando motivos para a sua suspeição – como o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro.

Detalhes da reunião, incluindo trechos literais das falas de alguns magistrados, foram publicados pelo site “Poder 360”, e levaram os colegas a desconfiar que Toffoli teria gravado o encontro e feito um vazamento seletivo, privilegiando os trechos das conversas que o favoreciam.

EFEITO ORLOFF – Toffoli nega qualquer gravação, mas isso não diminuiu a tensão interna, pelo contrário.

 Para alguns colegas de Supremo, com a ação de terça, Moraes teme o “efeito Orloff”, como se, ao olhar para Toffoli, ele ouvisse a voz da antiga propaganda em que um sujeito diz ao outro: “eu sou você amanhã”.

E isso é tudo o que Moraes  não quer ouvir.

Irmão de Bolsonaro aciona Justiça contra desfile pró-Lula e propaganda antecipada


Renato Bolsoanro critica ‘tratamento jocoso’ ao irmão

Julia Duailibi
G1

O irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, apresentou duas ações judiciais em que pede providências após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Sapucaí, na noite de domingo (15). As ações apontam possíveis atos de improbidade administrativa e propaganda eleitoral antecipada.

Na representação dirigida a autoridades eleitorais, o irmão de Bolsonaro argumenta que o samba-enredo da Niterói cita o número 13 e o jingle de Lula. Além disso, diz que integrantes da escola fizeram a letra “L” com a mão durante a transmissão do desfile. Renato Bolsonaro afirma ainda que a escola deu tratamento jocoso a seu irmão, “caracterizando-o como um palhaço”, e a famílias conservadoras de direita.

PALHAÇO BOZO – A Niterói usou a imagem do palhaço Bozo para se referir a Bolsonaro em dois momentos do desfile: na comissão de frente, em que atores e dançarinos representavam também Lula e os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer, e no carro alegórico que mostrou uma escultura gigante do palhaço atrás das grades.

O desfile também tinha uma ala chamada “Neoconservadores em Conserva”. A fantasia representava uma lata de alimentos. No rótulo, havia a imagem de um casal com duas crianças e o texto “família em conserva”.

Políticos de direita consideraram um ataque a famílias evangélicas. “Usar verba pública para ridicularizar a Igreja Evangélica é inadmissível. O governo Lula recebeu o roteiro do desfile. O governo Lula sabia cada ala que iria desfilar”, afirmou a senadora Damares Alves (PL-DF). “A fé cristã foi exposta ao escárnio em nome da cultura travestida de politicagem”, disse a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher.

POLÊMICAS –  Em nota divulgada na segunda (16), a Acadêmicos de Niterói afirma ter sofrido perseguições durante a preparação do desfile e defende que a avaliação dos jurados seja “justa, técnica e transparente”.

Nos dias que antecederam o carnaval, o desfile da Niterói foi alvo de pelo menos dez ações na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). Partidos e parlamentares da oposição apontaram propaganda eleitoral antecipada.

No dia 12 de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou uma liminar que pedia a proibição do desfile, mas os ministros alertaram que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral.

PERSEGUIÇÕES –  A primeira-dama, Janja da Silva, desistiu de desfilar e assistiu à passagem da escola em um camarote ao lado de Lula. Em nota, Janja afirmou que tomou a decisão para evitar “possíveis perseguições à escola de samba e ao presidente Lula”.

Após o desfile, políticos da oposição fizeram novas críticas e anunciaram que tomarão providências. Lula, por sua vez, publicou uma mensagem nas redes sociais sobre sua participação no carnaval no Rio, no Recife e em Salvador. “Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção”, escreveu.

Na Sapucaí, o presidente desceu do camarote para cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói. Ao longo da noite, repetiu o gesto com integrantes das outras escolas que desfilaram naquela noite.

 

BC decreta liquidação do Banco Pleno, do baiano Augusto Lima, ex-sócio do Master

 

BC decreta liquidação do Banco Pleno, do baiano Augusto Lima, ex-sócio do Master

Por Eduardo Rodrigues e Cícero Cotrim/Estadão Conteúdo

18/02/2026 às 08:29

Atualizado em 18/02/2026 às 11:57

Foto: Vaner Casaes/Arquivo/Ag ALBA

Imagem de BC decreta liquidação do Banco Pleno, do baiano Augusto Lima, ex-sócio do Master

Augusto Lima

O Banco Central decretou na manhã desta quarta-feira, 18, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, com extensão do regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A (Pleno DTVM), que integra o grupo. Em agosto do ano passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do Banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.

Baiano de Salvador, o economista era sócio do mineiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e do carioca Maurício Quadrado. Lima também chegou a ser preso em novembro do ano passado pela Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Master.

Na época da prisão, sua defesa disse ter recebido a operação “com absoluta surpresa” porque “Augusto Lima já havia se desligado definitivamente de todas as suas funções executivas no Banco Master em maio de 2024″. Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master. Naquele mês, a PF também prendeu Vorcaro.

Segundo o Banco Central, o conglomerado do Pleno é de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, informou o BC.

A autoridade monetária reforçou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais, o que pode levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes. Além disso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.

Quem é Augusto Lima?

O começo da trajetória de Lima como banqueiro de destaque remonta ao negócio de crédito consignado Credcesta, adquirido em uma privatização feita na Bahia em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil.

Lima arrematou na época, depois de dois leilões sem interessados, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era dona da rede estatal de supermercados Cesta do Povo, que operava com produtos populares e com preços subsidiados. Lima mantém esse negócio de varejo em operação na Bahia.

Menos de um mês depois de Lima vencer o leilão, o governo da Bahia autorizou servidores públicos e pensionistas a fazer compras no Cesta do Povo com recursos do programa de crédito consignado Credcesta, que também ganhou o direito de ampliar os seus negócios financeiros. Logo, o negócio prosperou e, em poucos meses, ele estava atuando em quase todos os Estados.

A interlocutores, Lima, que estudava microcrédito antes da aquisição, costuma dizer que nunca imaginaria que o negócio decolasse tão rapidamente por todo o País.

Vorcaro e Lima foram apresentados por um amigo em comum, e logo surgiu um acordo para o Master representar o Credcesta, em busca de ampliar a sua atuação. Vorcaro procurava fazer o Master chegar também às classes mais populares, com um negócio de varejo com empréstimos garantidos e seguros. Poucos meses depois, ainda em 2019, o Credcesta foi incorporado pelo Master, oficializando a união e a entrada de Lima como sócio.

O que é a liquidação?

A liquidação extrajudicial é um regime de resolução à disposição do BC para lidar com problemas graves em instituições financeiras, a fim de manter a estabilidade do sistema.

A medida interrompe o funcionamento da instituição, retirando-a do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que o banco fecha, deixa de funcionar.

Esse regime é adotado quando a situação de insolvência — ou seja, de endividamento — é irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade.

O BC nomeia um liquidante, que buscará a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento, que for possível, aos credores.

Também é acionado o FGC, uma espécie de “seguro” aos investidores e correntistas contra calotes. O FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição bancária.

​Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação: ela termina por decisão do Banco Central ou pela decretação da falência da instituição.

Politica Livre

A polêmica da Acadêmicos de Niterói, a oposição e a política do espetáculo



Presença de Lula fortalece política no Carnaval ao mesmo tempo em que enfraquece aliados

 

Presença de Lula fortalece política no Carnaval ao mesmo tempo em que enfraquece aliados
Foto: Ednei Cunha/ Bahia Notícias

A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que numa passagem de cerca de 2h pelo Circuito Osmar, no Campo Grande, fortaleceu o debate político na capital baiana em 2026. No entanto, boa parte das atenções ficou centrada no presidente, o que impossibilitou que outros atores, especialmente do lado do governo Jerônimo Rodrigues, assumissem algum tipo de protagonismo. Lula, aonde quer que vá, concentra os holofotes e “apaga” o entorno. Foi um risco programado pelos aliados, imagino.

 

Entretanto, em um ano eleitoral, o foco ideal deveria ser permitir que nomes como o próprio Jerônimo conquistassem um maior destaque. Não foi o que houve. Nas interações com a imprensa e com o público, concentradas no Circuito Osmar, o governador não conseguiu atrair atenções, seja com boas aspas, seja com uma ação mais contundente – em reação a eventuais críticas da oposição pela presença de Lula, por exemplo. O vice-governador Geraldo Jr. (MDB) seguiu como coordenador do Carnaval e, outra vez, também não fez jus ao título figurativo dado ainda no primeiro ano da administração de ambos.

 

O ministro Rui Costa, que nos últimos anos se manteve alheio ao Carnaval, pareceu até um vibrante folião – algo que contradiz a própria história. Falou com a imprensa na abertura da folia, para garantir que Quinho (PSD) permanece ao lado dele, fugiu no sábado quando chegou momentos antes de Lula no Camarote do Governo e no domingo ativou um modelo não visto até então, quando subiu no trio elétrico do Camaleão, com Bell Marques. Quase um bellzeiro típico, como nomes da oposição como Elmar Nascimento, que também marcou presença no trio.

 

O outro integrante da chapa, Jaques Wagner, apareceu no último dia de Carnaval e disse que preferia não falar de política. Como se fosse possível, um senador candidato à reeleição não falar de política em um ano eleitoral. Porém houve o esforço e isso deve ser reconhecido. Ainda que, mais uma vez, tenha defendido publicamente a permanência de Geraldo Jr. na chapa, ante a fala de Jerônimo em tentar postergar esse debate.

 

Lula fortaleceu esse lado da cena política. Mas afastou, por exemplo, que momentos tradicionais para uma espécie de beija-mão clássico acontecesse. Na saída do Ilê Ayiê, no Curuzu, somente figuras de menor destaque prestigiaram o mais belo dos belos. Para a sorte da população – e da imprensa -, o presidente optou por não ir até a Liberdade e acabou esvaziando um momento bem típico do Carnaval da capital baiana.

 

Lula e o governo da Bahia ainda surfaram na passagem do trio Navio Pirata, da BaianaSystem, patrocinado pela prefeitura de Salvador. Foi uma espécie de festa paga pelo grupo adversário, o que rendeu provocações nos bastidores – algumas até pouco comedidas. Do lado da oposição ao governo, a resposta foi até cortês, sugerindo que não haverá retaliações por eventuais excessos nas odes à Lula – seja por Russo Passapusso ou por Thiago Aquino, que também foi bancado pela gestão de Bruno Reis.

 

O prefeito, mais uma vez, conseguiu aproveitar bem a janela de visibilidade que o Carnaval permite. Tanto ele quanto os secretários não lidaram com grandes entraves, apesar de alguns pequenos episódios de tensão, como atrasos de trios e a superconcentração de pessoas no Circuito Dodô no dia da passagem de Anitta, que felizmente não terminou em tragédia. Com um Carnaval tranquilo, não houve razões para grandes ataques por parte da oposição, ainda que a ausência dele no Campo Grande quando Lula esteve tenha sido um ponto explorado por adversários.

 

No entanto, como a visita do presidente não foi institucional, Bruno acabou encontrando uma justificativa menos esfarrapada para não o receber. No domingo, o prefeito chegou a dividir holofotes com seu antecessor, ACM Neto, que há algum tempo não participava desse dia da folia no Campo Grande. Por se tratar de ano eleitoral, o ex-prefeito aproveitou a popularidade do aliado e circulou pela imprensa do interior que cobre o Carnaval, tal qual Jerônimo fez. Ou seja, equilibrou a visibilidade alcançada pelo atual governador nesse quesito.

 

Se 2026 é ano de urnas, o Carnaval foi, novamente, mais morno do que em outras oportunidades. Como não houve nenhuma grande celeuma recente – a saída de Angelo Coronel da base do governo é tratada como superada – e Lula acabou ofuscando outros temas, Momo deixou os políticos bem tranquilos para curtir a folia. Notícia teve. Só não lidamos excessos nem a repercussão que os detentores de voto sempre desejam.

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