terça-feira, janeiro 06, 2026

Geopolítica além do senso comum: a Venezuela, o chavismo e os equívocos de parte do Brasil


Geopolítica além do senso comum: a Venezuela, o chavismo e os equívocos de parte do Brasil

Por José Montalvão

É lamentável constatar que uma parcela significativa dos brasileiros ainda não compreende minimamente o funcionamento da geopolítica mundial e, por consequência, acaba sendo facilmente enganada por narrativas simplistas, seletivas e, muitas vezes, deliberadamente manipuladas. A realidade internacional é muito mais complexa do que os discursos prontos difundidos por setores ideológicos e pela grande mídia.

O que ocorreu recentemente na Venezuela é um exemplo claro disso. O presidente Nicolás Maduro foi, na prática, sequestrado do jogo político internacional por pressões externas e manobras diplomáticas, mas o Estado venezuelano não ruiu, tampouco o chavismo foi derrotado. Pelo contrário: o projeto político iniciado por Hugo Chávez continua vivo e operante, sustentado por uma base institucional e popular sólida.

A sucessão constitucional foi respeitada. A vice-presidente, eleita pelo voto popular dentro do mesmo projeto político, assumiu a Presidência, garantindo continuidade administrativa e institucional. Isso não é “golpe”, como muitos tentam propagar, mas exercício de soberania, algo que incomoda profundamente interesses estrangeiros.

É preciso observar com atenção o discurso — ou a ausência dele — das grandes potências. Donald Trump, até o momento, não demonstrou qualquer preocupação real com soberania, democracia ou direitos humanos na Venezuela. Sua fala é objetiva e reveladora: petróleo e ouro. Não por acaso, a Venezuela detém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, além de vastas riquezas minerais estratégicas.

A história se repete. Sempre que um país do Sul Global tenta controlar seus próprios recursos naturais e definir seu destino sem submissão aos interesses externos, passa a ser rotulado como “ditadura”, “ameaça à democracia” ou “regime ilegítimo”. A pauta humanitária surge apenas como verniz moral para justificar sanções, bloqueios e tentativas de isolamento internacional.

Enquanto isso, a oposição venezuelana, que apostou todas as suas fichas na tutela estrangeira, acabou isolada e jogada no escanteio da própria história. Ao invés de construir um projeto nacional, preferiu servir como instrumento de interesses externos. O resultado foi previsível: perdeu relevância política, apoio popular e capacidade de articulação real dentro do país.

Esse fenômeno guarda semelhanças evidentes com o que ocorre hoje com a direita no Brasil. Ao invés de dialogar com a realidade concreta do povo brasileiro, muitos setores optaram por importar discursos prontos, alinhar-se automaticamente a agendas estrangeiras e desacreditar as próprias instituições nacionais. O resultado é o isolamento político, a perda de credibilidade e a incapacidade de apresentar propostas viáveis para o país.

Geopolítica não é torcida organizada. Não se trata de gostar ou não de Maduro, de Chávez ou de qualquer outro líder. Trata-se de entender interesses estratégicos, disputas de poder, controle de recursos e soberania nacional. Quem ignora isso está condenado a repetir slogans, enquanto outros decidem os rumos do mundo.

A Venezuela segue resistindo não por acaso, mas porque compreendeu, há décadas, que independência política só existe quando um país controla seus recursos, fortalece suas instituições e não se curva a pressões externas. O Brasil, por sua vez, precisa aprender com a história recente e abandonar o amadorismo geopolítico, sob pena de continuar sendo apenas espectador das grandes decisões globais.

Entender o mundo é o primeiro passo para não ser enganado por ele

Trump convida Lula e Alexandre de Moraes para encontro na Casa Branca

 

                                        Foto: Ricardo Stuckert/PR


Alex Nascimento - OBemdito
Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 11h57 - Modificado em 16 de dezembro de 2025 às 14h11

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um encontro conjunto na Casa Branca. Além disso, o convite inclui o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O gesto confirma reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

O movimento ocorre após um período recente de tensões entre os dois países. Nesse contexto, divergências políticas e institucionais afetaram o diálogo bilateral. Por isso, o convite é visto como uma tentativa de superar a crise diplomática.

Segundo avaliações diplomáticas, a iniciativa indica disposição para retomar o entendimento em alto nível. Além disso, aponta para a reativação de canais formais de negociação. Assim, o gesto pode abrir espaço para novos acordos.

Simbolismo político

A presença de Alexandre de Moraes no encontro tem forte simbolismo político. Isso ocorre porque o ministro teve papel central em episódios com repercussão internacional. Como resultado, essas situações influenciaram o ambiente diplomático recente.

Ainda assim, a participação conjunta das autoridades sugere uma abordagem institucional. Portanto, a expectativa é de busca por soluções diplomáticas para impasses recentes. “O encontro representa um esforço de diálogo”, avaliam interlocutores.

Até o momento, os governos não divulgaram detalhes oficiais. Não há confirmação de data, pauta ou formato da reunião. Enquanto isso, autoridades mantêm cautela sobre possíveis desdobramentos.

Apesar disso, a expectativa no meio diplomático é positiva. A relação entre Brasil e Estados Unidos tem peso estratégico. Por esse motivo, qualquer sinal de aproximação gera repercussão internacional. Assim, o convite ganha relevância no cenário global.

Caso a reunião se concretize, o gesto terá impacto simbólico. Além disso, poderá reforçar uma agenda de cooperação bilateral.

Nesse cenário, o encontro indicaria uma reavaliação das relações diplomáticas. Portanto, o gesto pode marcar uma nova fase entre as duas nações. Ainda assim, os resultados dependerão das decisões tomadas à mesa.

https://obemdito.com.br/noticia/406950/trump-convida-lula-e-alexandre-de-moraes-para-encontro-na-casa-branca

Trump, petróleo e poder: a Venezuela e a erosão da ordem internacional



Entre a queda do ditador e o peso da força: a Venezuela no fio da navalha

 


América do Sul observa ações de Trump com apreensão

Pedro do Coutto

É difícil — para não dizer impossível — aplaudir a ação militar americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro ao lado de sua esposa. A política internacional raramente oferece escolhas simples, e a Venezuela, hoje, está no centro de um dilema que preocupa não apenas seus cidadãos, mas todo o continente sul-americano.

A captura de Maduro não encerra a crise venezuelana; ao contrário, abre uma fase ainda mais delicada. A pergunta inevitável é: quais serão os próximos passos de Washington? A história recente da política externa dos Estados Unidos recomenda cautela. Intervenções realizadas em nome da democracia frequentemente produziram efeitos colaterais duradouros, instabilidade regional e dependência política.

“ADMNISTRAÇÃO” – O anúncio do presidente Donald Trump de que haverá uma “administração de transição” para conduzir o país rumo a uma solução democrática soa, no mínimo, vago. Não há prazos, não há um desenho institucional claro e tampouco garantias de que essa transição será, de fato, temporária.

O próprio Trump demonstrou incerteza ao falar sobre como essa administração funcionará e por quanto tempo permanecerá. Essa indefinição alimenta o temor de uma ocupação prolongada, ainda que não formal, em um país já devastado por anos de crise. A ausência de um cronograma e de compromissos objetivos com a soberania venezuelana fragiliza o discurso democrático e fortalece a narrativa, tão comum na região, de que a força se sobrepõe ao direito.

Há também o custo humano, frequentemente relativizado nos discursos oficiais. A operação militar que levou à prisão de Maduro deixou cerca de 40 mortos. Não se trata de um “dano colateral” abstrato, mas de vidas interrompidas em um país que já convive com escassez, migração em massa e trauma coletivo. Democracia alguma se constrói sobre cadáveres ignorados, e esse preço pesa sobre qualquer avaliação moral da ação.

PETRÓLEO – O petróleo, por sua vez, surge como um elemento central — talvez decisivo — nesse novo capítulo. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo, e Trump foi explícito ao afirmar que empresas americanas terão papel relevante na retomada do setor petrolífero.

Do ponto de vista econômico, é compreensível que os Estados Unidos busquem segurança energética e oportunidades para suas companhias. Do ponto de vista político, porém, isso torna o discurso humanitário mais frágil. Quando a democracia caminha lado a lado com interesses econômicos bilionários, a desconfiança se instala quase automaticamente.

SEM LEGITIMIDADE – O complexo petrolífero venezuelano é extremamente sensível. Qualquer mudança abrupta, sem consenso interno e sem legitimidade reconhecida pela sociedade, pode aprofundar tensões e gerar novos conflitos. A reconstrução institucional do país exige mais do que a substituição de um líder autoritário; requer pactos, inclusão política, eleições confiáveis e, sobretudo, protagonismo dos próprios venezuelanos.

A América do Sul observa esse processo com apreensão. O precedente é perigoso: um ditador cai, mas pela força externa; a promessa democrática existe, mas sem contornos claros; e os interesses estratégicos falam alto desde o primeiro momento. O risco é que a queda de Maduro, em vez de inaugurar uma era de estabilidade, acabe reforçando a lógica da tutela e da dependência.


Se Vorcaro fizer delação premiada, a terra vai estremecer em Brasília


Charge do Aroeira | Metrópoles

Charge do Aroeira (Metrópoles)

Roberto Nascimento

O presidente Edson Fachin está isolado na Côrte Constitucional. O projeto do Código de Conduta, proposto por ele antes do caso do Banco Master, conta com um único apoio – da ministra Carmem Lúcia, que é solteira, não tem irmãos nem filhos advogados.

Logo a seguir, com o escândalo do Marques, a credibilidade do Supremo Tribunal Federal junto à opinião pública. no final do ano despencou a quase zero.

APOIO A PARENTES – Mudaram a Lei para permitir que parentes de ministros tivessem autorização para advogar nos Tribunais Superiores nos processos em julgamento. Até Luiz Fux foi a favor, por causa do filho que enriquece advogando nos tribunais superiores.

Somente Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Carmem Lúcia e Rosa Weber votaram contra. É por essa razão que Luiz Fux está calado, com seu boi na sombra. Apenas Carmem Lúcia está fora dessa encrenca.

Agora, os ministros estão envergonhados com o supercontrato da esposa de Alexandre de Moraes para salvar o banco Master, somente Gilmar Mendes veio a público defender Moraes, enquanto Dias Toffoli entrava no esquema, e está trabalhando não somente para o Banco Master, mas também para a J&F, a antiga Friboi.

SONHO INÚTIL – Apesar da repercussão negativa do caso Master, o ministro Toffoli ainda acredita que tem condições de suspender a liquidação do Master, embora o efeito possa ser pior do que uma bomba atômica.

No Judiciário e no Congresso, muitos personagens temem a delação premiada de Vorcaro, alguns estão tremendo de medo.

A credibilidade do Brasil no Fundo Monetário Internacional, por causa de Moraes, Toffoli e de Jhonatan de Jesus, novo ministro do Tribunal de Conta da União, pode prejudicar o grau de investimentos no Brasil. E esse TCU, vale algum tostão furado, a não ser como cabide de emprego de parlamentares aposentados?

UM TURBILHÃO – O país está atônito com os fatos que vem sendo revelados.

Chego a sentir pena do ministro Alexandre de Morais. Ele está completamente desconfortável com tudo isso. Quanto a Dias Toffoli, sua frieza é impressionante. Não liga para nada, porque acha que está acima do bem e do mal.

Fachin está tão isolado, que perdeu as condições de agir no caso Master, enquanto Toffoli decretava segredo em fatos de interesse público e marcava acareação  antes dos depoimentos. Depois recuou, mas manteve as perguntas a Daniel Vorcaro (Banco Master), Paulo Henrique Costa (BRB) e Ailton de Aquino (Banco Central), através da delegada federal Janaina Palazzo.

DELAÇÃO NA MIRA – Tentam uma saída para Daniel Vorcaro, que ameaçou delação premiada e assustou gregos e troianos em Brasília. A delação desse fraudador e corrupto causaria um terremoto na capital da gastança.

Ibaneis Rocha, governador de Brasília, não consegue dormir, de tão preocupado. Cláudio Castro, governador do Rio, teme o fim da sua carreira política e vê sua candidatura ao Senado escapar pelos dedos.

Davi Alcolumbre também está metido nessa, através de seu apaniguado no Amapá, que torrou dinheiro no Master através do Instituto de Previdência. Uma delação pegaria todo mundo.

Corina, líder da oposição, pede que a Venezuela seja devolvida ao seu povo

 


O que María Corina Machado disse a VEJA sobre uso da força para derrubar  chavismo | VEJA

Corina tenta evitar que os americanos “colonizem” o país

José Carlos Werneck

À luz dos preceitos do Direito Internacional, a única solução para a situação da Venezuela é a posse imediata de Edmundo González Urrutia, candidato escolhido pelos eleitores e que teve sua ascensão ao poder impedida pelo ditador Nicolás Maduro.

E esse é, também, o pensamento da líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, em seu primeiro pronunciamento oficial, após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.

DIZ CORINA – A líder oposicionista reivindicou que Edmundo González Urrutia, adversário de Maduro nas eleições de 2024, assuma o poder em Caracas “imediatamente”.

Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, publicou uma nota no início da tarde deste sábado, horas após o anúncio da ação americana pelo presidente dos EUA, Donald Trump, celebrando a chegada da “hora da liberdade”.

“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X”.

VITÓRIA FORJADA – Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista.

Apesar da vitória forjada de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, demonstrando robustamente que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.

Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos.

ESTÁ ASILADO – Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro saiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então.

Em seu comunicado, demonstrando confiança numa possível posse do parceiro de chapa, María Corina pediu aos venezuelanos que se preparem para “implementar” algo que prometeu comunicar “em breve” por meio de seus canais oficiais.

“Hoje, estamos preparados para exercer nosso mandato e tomar o poder. Permaneçamos vigilantes, ativos e organizados até que a Transição Democrática seja alcançada. Uma transição que precisa de todos nós”, afirmou a líder oposicionista.

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