sexta-feira, julho 25, 2025

Lula diz que Trump foi levado a crer em mentira; ‘Não quero brigar, mas, se quiserem, vai ter’

 Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

O presidente Lula (PT)25 de julho de 2025 | 15:16

Lula diz que Trump foi levado a crer em mentira; ‘Não quero brigar, mas, se quiserem, vai ter’

brasil

Em um discurso repleto de citações à família Bolsonaro e a Donald Trump, o presidente Lula (PT) voltou a defender negociações com os Estados Unidos, mas disse que, se quiserem continuar brigando com ele, “vai ter”.

“Minha vida é essa. Eu não quero brigar. Mas se quiser continuar brigando comigo, ainda não quero brigar. Mas se quiser continuar brigando comigo, aí vai ter”, disse, em um evento em Osasco (SP).

Lula ainda comparou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a Joaquim Silvério dos Reis, traidor de Tiradentes, disse que deputados aliados “têm que tomar uma atitude” com relação a ele e afirmou que o presidente dos Estados Unidos implementou a sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros porque “foi induzido a acreditar em uma mentira”.

Lula reafirmou que, caso a invasão ao Capitólio dos Estados Unidos tivesse ocorrido no Brasil, Trump seria julgado da mesma forma que Jair Bolsonaro (PL) está sendo.

“Nós temos políticos no Brasil que tomaram para eles a bandeira nacional. Tomaram para ele a bandeira nacional, a camisa da seleção brasileira e se diziam patriotas”, disse o presidente.

“[Tiradentes] ia fazer um movimento para fazer a independência. Apareceu um cara, que parecia amigo dele, que chamava Silvério dos Reis, e esse cara traiu o Tiradentes. Por conta dessa traição, Tiradentes foi preso e foi enforcado”, continuou.

“Esses mesmos cidadãos ou cidadãs que utilizavam a camisa da seleção brasileira e a bandeira nacional estão agora agarrados na bota do presidente dos Estados Unidos pedindo para ele fazer intervenção no Brasil. Numa total falta de patriotismo. Junta a falta de patriotismo com traição”, afirmou.

“Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente. Eu explicaria, porque tenho boa relação com todo mundo. Se ele me ligasse, mas não. Ele foi induzido a acreditar em uma mentira de que o Bolsonaro está sendo perseguido.”

Lula disse ainda ter sido alvo do que chamou de mentiras durante a Operação Lava Jato, mas que optou por enfrentar o processo judicial, e ironizou Bolsonaro, obrigado na semana passada a colocar uma tornozeleira eletrônica.

“Quando foram me propor um acordo para eu ir para casa de tornozeleira, eu disse para eles que não troco minha dignidade pela minha liberdade. Não vou colocar tornozeleira porque não sou pombo correio”.

Ainda tratando da crise com Trump, Lula reagiu mais uma vez à carta do norte-americano em que o anúncio da sobretaxa foi feito.

Falando especificamente das big techs, Lula disse que “nós vamos fazer regulação. Porque eles têm que respeitar a legislação brasileira. Não pode ficar promovendo ódio entre os adolescentes, contando mentira, tentado destruir a democracia e o Estado democrático”.

“Todos os dados brasileiros sobre saúde, sobre educação, tudo, está nas mãos de quem? Está nas mãos dos americanos. Nós gastamos com eles no ano passado 23 bilhões [ele não disse em qual moeda]. Então, se você pegar serviços e comércio, eles têm um superávit, em 15 anos, de US$ 410 bilhões. Então, quem deveria estar reclamando éramos nós. E nós não estamos reclamando, estamos querendo negociar”, afirmou.

Lula abordou outros temas, falando do programa Celular Seguro, que pretende combater o roubo e furto de celular, mas disse que este crime é cometido por um “pobre desgraçado” contra outro nas periferias.

“O que é que leva uma pessoa que mora na periferia a votar num cara rico? Ora, porque quando a gente vota num cara rico significa que a gente está colocando uma raposa para tomar conta do galinheiro. Vocês acham que a raposa vai tomar conta do galinheiro?”, disse Lula.

Ele ainda rebateu críticas a estratégia “nós contra eles” adotada pela comunicação do governo. “Não é nós contra eles, é ‘eles contra nós’.”

Durante a fala do petista, um homem começou a gritar “ladrão” no meio da plateia e foi hostilizado pelo público presente. Ele foi retirado do local pelos seguranças e saiu por uma porta lateral. O presidente foi informado por um segurança da confusão e ficou alguns segundos sem falar nada, deixando que a plateia gritasse e batesse palmas. “Nós não aceitamos provocação e não jogamos o jogo rasteiro dos adversários”, acrescentou.

Juliana Arreguy/Bruno Ribeiro/FolhapressPoliticaLivre

Com sanção ao Brasil, Trump pode desfazer sua fama de “amarelão”

🚨 ARREGOU: Trump volta atrás e isenta de tarifas extras os produtos  eletrônicos importados, como celulares, computadores e semicondutores! -  Cerca de 90% da montagem dos celulares da Apple é feita na China. 📰 CNNAdriana Fernandes
Folha

Para rebater a piada de que ‘sempre volta atrás’, presidente americano pode usar o nosso país como exemplo. A ênfase dada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), ao revelar que o governo já trabalha com um plano de contingência para socorrer empresas que venham a ter prejuízos com a confirmação da sobretaxa de 50% de Donald Trump, é o sinal mais contundente de que Lula vê como baixíssima, para não dizer remota, a chance de negociação de um acordo até o dia 1º de agosto.

Uma tentativa de mostrar que medidas estão sendo preparadas na hora em que o pior cenário chegar, indicando à população que o governo não está de braços cruzados em contraponto ao desfecho previsível. Sem avanços nas conversas, faz uma sutil, mas importante, virada de discurso após a fase inicial da crise de reforçar o patrocínio da família Bolsonaro na ameaça de Trump.

ESTRATÉGIA – O governo se volta à estratégia de ampliar a percepção de que quem fechou os canais da negociação foi a turma de Trump. Em Brasília, pipocam informações apontando as dificuldades do governo na busca de diálogo com Washington. Uma resposta à pressão dos empresários, que não escondem que querem ver mais empenho do governo e menos eleição nas negociações.

Enviar uma delegação de alto nível aos EUA, mesmo com o risco de os negociadores serem recebidos com portas fechadas, pode ser um bom negócio, como relatam auxiliares de Lula.

Diferentemente da humilhação, o governo mostraria humildade. Na briga entre o grande e o pequeno, a lógica é a de que o mais fraco sempre recebe mais simpatia.

NOVA RECUETA – Desta vez, a expectativa de um novo “TACO trade” (“Trump Always Chickens Out”, na sigla em inglês), acrônimo usado pelo mercado financeiro que significa “Trump sempre volta atrás”, pode frustrar os mais otimistas. Até mesmo como uma tentativa de o presidente norte-americano de desafiar o “TACO”. O Brasil como exemplo.

A chegada ao “dia D” sem acordo não significa o fim da negociação. Não por menos, o número 2 da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a alta da tributação das big techs não está sendo tratado no contexto atual do embate comercial.

Para bom entendedor, meia palavra basta.

Soberania para quê? Supremacia para quem? Vamos pensar sobre isso.


Lula: Respeito pela soberania popular é fundamental | CNN 360°Conrado Hübner Mendes
Folha

Veio a tornozeleira. A prisão preventiva ficou para depois, mas as práticas de coação e obstrução bolsonaristas continuam. A semana que passou teve não só eventos de grande importância jurídica e política. Houve episódios de valor didático não ordinários. Daquelas semanas que contam para o resto de nossa vida democrática.

Alexandre de Moraes, em medida cautelar, detalhou a atuação da família Bolsonaro na barganha da anistia e ordenou adoção de tornozeleira e medidas restritivas sobre Jair. Deputados aliados o receberam no Congresso, ouviram lamentos, gritaram por anistia, pressionaram por interromper o recesso e encaminhar votação.

SAÍDA E REGIMENTO – Eduardo Bolsonaro, cuja conspiração se financia por dinheiro da Câmara e do pai, tenta saídas para não perder o mandato, ou, na pior hipótese, não se tornar inelegível. Os mesmos deputados buscam mudar regimento para lhe permitir morar no exterior com salário. Até governadores de SP, SC e MG têm sido sondados para empregar Eduardo no governo estadual, como representante.

Ficou mais claro que a sanção tarifária imposta por Trump ao Brasil tem mais a ver com interesses do poder corporativo americano do que com Bolsonaro. O Pix, a forma como o Brasil teria inventado o “futuro do dinheiro”, segundo Paul Krugman, e os riscos de restrições a redes sociais incomodam os grandes de tecnologia e finanças.

Invocando Bolsonaro, Trump suspendeu visto de oito ministros do STF e familiares. Foram poupados Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Circularam notícias sobre ataques tecnológicos que o Brasil poderia sofrer, dada a dependência do país em relação às mesmas empresas estrangeiras.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Fux divergiu do colegiado do STF e votou contra a medida cautelar alegando falta de provas e liberdade de expressão. Surpreendeu menos pelo teor do argumento jurídico do que por vir de quem veio. Alguns leram a conversão de um lavajatista num garantista como mudança hermenêutica. Outros enxergam razões menos confessáveis.

O deputado Henrique Vieira propôs projeto de lei para acrescentar nos “crimes contra a soberania”, o ato de “negociar ou articular com governo ou grupo estrangeiro medidas que causem relevante dano ou coloquem em grave risco a economia, a infraestrutura tecnológica ou a prestação de serviços digitais do país, com o fim de interferir nos processos decisórios dos Poderes constituídos”. A intenção é dar efeito penal mais claro ao projeto de Eduardo nos EUA.

Stephen Levitsky, cientista político de Harvard, declarou em entrevista: “As instituições democráticas do Brasil parecem ter respondido de forma muito mais saudável do que as dos Estados Unidos. Hoje as instituições brasileiras estão funcionando melhor. Você pode concordar com isso ou não, mas é o processo democrático do Brasil funcionando”. O STF de imediato postou em seu site.

MISCELÂNEA DE FATOS -Há muitas maneiras de se interpretar essa desconcertante miscelânea de fatos.

Os conceitos de soberania nacional e soberania popular, junto com os conceitos de supremacia da Constituição e supremacia judicial, têm sido distorcidos, usurpados e instrumentalizados numa esfera pública desorientada. Têm confundido mais que esclarecido.

Superestimados na sua abrangência e subestimados na sua importância, precisamos desses conceitos para avaliar o que acontece.

Crise tarifária: Brasil lidera resposta multilateral contra medidas dos EUA


Na OMC, Brasil recebeu o apoio de cerca de 40 países

Pedro do Coutto

Na última sessão da Organização Mundial do Comércio (OMC), ocorrida nesta quarta-feira, o representante brasileiro proferiu um discurso contundente e necessário. A fala denunciou o uso político, desequilibrado e unilateral das tarifas comerciais por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especificamente contra países como o Brasil. A crítica ganha relevo não apenas por sua dureza, mas pela consistência técnica e pelo risco real que tais medidas representam para a ordem econômica internacional.

A decisão de Trump de impor um novo pacote de tarifas — conhecido nos bastidores como tarifaço — não é apenas um ato protecionista. Trata-se de uma jogada que visa produzir efeitos eleitorais internos e reafirmar sua retórica de “America First”, ainda que isso custe a estabilidade do comércio global. A crítica brasileira ganhou respaldo imediato entre diversos países membros da OMC, justamente porque a elevação arbitrária das tarifas compromete o equilíbrio das cadeias produtivas e comerciais mundiais. Não é apenas uma questão entre EUA e Brasil — é um ataque ao sistema multilateral que sustenta o comércio desde o pós-guerra.

INFLAÇÃO INTERNA – É importante lembrar que o aumento de tarifas, ao contrário do que muitas vezes se propaga nos discursos nacionalistas, também afeta duramente o país que as impõe. Os produtos encarecem, a inflação interna sobe e empresas que dependem de insumos importados perdem competitividade. Estudos de instituições como o Peterson Institute for International Economics e o próprio Congressional Budget Office mostram que as tarifas impostas por Trump desde seu primeiro mandato resultaram em aumento de preços para o consumidor americano, perdas de empregos na indústria e tensões com aliados estratégicos.

No caso brasileiro, setores como o agronegócio, a indústria de base e a exportação de aço são diretamente impactados. O Brasil, que nos últimos anos vinha reconstruindo sua credibilidade internacional, vê-se agora forçado a responder à altura. Segundo fontes do Itamaraty e da Secretaria de Comércio Exterior, o presidente Lula da Silva avalia a formação de uma rede comercial de resistência, composta por até 40 países, para contrabalançar os efeitos das novas tarifas, que devem vigorar a partir de 1º de agosto.

DIPLOMACIA – A proposta lembra a articulação do chamado Sul Global e da União Europeia em momentos de tensão com Washington, e pode reforçar a diplomacia econômica brasileira como um vetor de liderança internacional. As tarifas elevadas causam, além de distorções de preços, um verdadeiro caos regulatório.

Ao variar de país para país, a diversidade de alíquotas quebra a previsibilidade necessária para o planejamento de empresas e investidores. Isso gera incertezas, desestimula o comércio e encoraja medidas retaliatórias. É nesse cenário de confusão que Trump prospera. Seu estilo político é alimentado por conflitos — comerciais, diplomáticos e ideológicos. E isso faz dele não apenas um líder controverso, mas um agente de instabilidade global.

RESPONSABILIDADE –  O alerta brasileiro na OMC deve ser entendido como um gesto de responsabilidade internacional. É preciso haver um contraponto à escalada tarifária e ao uso das tarifas como armas políticas. A OMC, embora enfraquecida nos últimos anos, ainda é o foro legítimo para conter abusos e restaurar a confiança no sistema multilateral.

Por fim, o que está em jogo vai além das tarifas em si. Trata-se da manutenção de um ambiente internacional baseado em regras, previsibilidade e cooperação — fundamentos que garantiram décadas de crescimento e desenvolvimento. O Brasil faz bem em reagir com firmeza, mas também com inteligência estratégica, para que não sejamos reféns da lógica de conflito que Trump parece não saber — ou não querer — evitar.

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Encarregado dos EUA aponta interesse de Trump em minerais estratégicos do Brasil

 Foto: Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

O presidente dos EUA, Donald Trump24 de julho de 2025 | 17:15

Encarregado dos EUA aponta interesse de Trump em minerais estratégicos do Brasil

economia

O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, afirmou que o governo americano tem interesse nos materiais críticos em solo brasileiro. O tema foi debatido nesta semana durante encontro com representantes privados do setor.

No encontro, Escobar demonstrou atenção à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos que o governo brasileiro está elaborando, bem como às iniciativas parlamentares que tratam do tema. O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) reforçou em entrevista nesta quarta-feira (23) que o plano está sendo finalizado.

Os representantes das empresas já ouvem o interesse dos EUA nesses materiais desde o governo Biden, e três meses atrás tiveram uma reunião semelhante também com Escobar. Os materiais interessam aos americanos para diferentes propósitos, inclusive para a indústria da defesa.

Os participantes privados da reunião não ouviram nas falas de Escobar uma ligação direta entre o interesse mineral e a negociação sobre o tarifaço anunciado por Donald Trump. Mesmo assim, veem uma chance de o assunto entrar nas negociações sobre a pauta de importações e exportações.

Representantes do setor lembram que a China chegou a restringir a exportação de terras raras aos EUA em meio às tensões com a gestão Trump. Depois, voltou atrás em um acordo comercial com os americanos.

De qualquer forma, os representantes empresariais ressaltaram que qualquer interesse do governo americano no assunto deve ser relatado diretamente ao governo brasileiro. Isso porque a União, pela Constituição, é quem decide sobre o uso do subsolo nacional.

A princípio, relatam esses representantes, não há impedimento para que empresas americanas atuem na mineração no Brasil. Já há diversas companhias privadas estrangeiras fazendo esse trabalho, como chilenas e argentinas —embora não governos de forma direta.

O encontro entre o representante americano e o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) tratou da organização de uma possível missão empresarial brasileira ao mercado americano, mas prevista para ocorrer somente entre setembro ou outubro. Isso porque uma viagem em agosto pode se tonar pouco produtiva graças ao período de férias escolares nos EUA e um consequente impedimento nas agendas para as conversas.

O início da sobretaxa americana de 50% aos produtos brasileiros, anunciada por Trump, está previsto para 1º de agosto.

Os minerais críticos são insumos considerados essenciais para a economia e a segurança nacional de um país, mas que enfrentam riscos elevados de escassez ou interrupção no fornecimento. Isso ocorre, em boa parte, porque a sua produção está concentrada em poucos países, além da dificuldade de substituição por outros materiais e da alta demanda em setores estratégicos como energia limpa, tecnologia, defesa e mobilidade elétrica.

Esses minerais são fundamentais, por exemplo, para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.

Entre os principais minerais críticos frequentemente citados estão lítio, cobalto, níquel, grafite, nióbio, terras raras, tântalo, cobre e urânio. O lítio é vital para baterias recarregáveis de veículos elétricos, enquanto o cobalto e o níquel integram a cadeia das baterias.

As terras raras, um grupo ainda mais restrito de minérios, são essenciais para usos em itens como ímãs permanentes usados em turbinas e motores elétricos. Já o grafite natural é usado no ânodo das baterias, enquanto o nióbio está presente em ligas metálicas para a indústria e infraestrutura.

Os Estados Unidos têm buscado diversificar seus fornecedores desses minerais, especialmente para reduzir sua dependência da China, que domina a cadeia de suprimento global de diversos desses insumos.

O Brasil é dono de reservas de minerais estratégicos como nióbio, grafite, terras raras e lítio. Por isso, é visto como um parceiro estratégico nas cadeias globais de fornecimento. Por outro lado, tem pouca capacidade de refino e processamento desses materiais —uma cadeia dominada pela China.

Os EUA respondem por respondem por 4% das compras de minérios do Brasil e se situam como o 12º maior importador de minérios do país em tonelagem. Os EUA importam do Brasil ouro (aquele país importou 4,9% do total em 2024); pedras naturais e rochas ornamentais (31,4%); ferro (0,7%); caulim (18,3%); nióbio (7,1%).

Na entrevista, Silveira afirmou que agregar valor dentro das fronteiras nacionais aos minerais extraídos em solo brasileiro é uma diretriz com que trabalha o governo no novo plano voltado à exploração de materiais críticos.

O Ibram tem acompanhado o tema do tarifaço anunciado por Trump com atenção. “Desde que os EUA comunicaram este fato ao governo brasileiro, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) tem mantido consulta junto às mineradoras associadas para avaliar os possíveis impactos”, declarou o instituto, que é presidido pelo ex-ministro Raul Jungmann.

“A conclusão é que essa imposição unilateral, sem embasamento técnico ou econômico convincente, fere o ambiente de negociação que tem se perpetuado no comércio internacional de minérios, razão pela qual este IBRAM apresenta publicamente seu repúdio à atitude do governo norte-americano, e espera que tal anúncio não se concretize”, afirmou o Ibram, em nota.

Ao incluir os minérios entre os alvos do tarifaço, declarou o Ibram, os EUA “surpreendem negativamente” e “obrigam o Brasil a buscar novos parceiros no mercado mundial, abandonando uma parceria histórica com os EUA, que beneficia ambos os países”.

Na avaliação do Ibram, os impactos dessas novas tarifas vão além do setor mineral porque esta indústria responde por 47% do saldo positivo da balança comercial, conforme dados de 2024. E abalos na exportação de minérios sempre são preocupantes sob este aspecto.

André Borges/Fábio Pupo/Folhapress

Plano para matar autoridades foi ‘pensamento digitalizado’, afirma general réu ao Supremo

Foto: Isac Nóbrega/PR/Arquivo
O general da reserva Mário Fernandes24 de julho de 2025 | 21:15

Plano para matar autoridades foi ‘pensamento digitalizado’, afirma general réu ao Supremo

brasil

O general da reserva Mário Fernandes afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (24) que o arquivo “Punhal Verde e Amarelo”, com plano para matar autoridades e encontrado no seu computador, se tratava de “pensamentos digitalizados” e que nunca foi compartilhado com ninguém.

O militar é interrogado como um dos seis réus do segundo núcleo do processo da trama golpista de 2022. A Primeira Turma da corte faz nesta quinta-feira os interrogatórios dos réus do segundo núcleo da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Fernandes foi questionado se confirmava a existência do documento e respondeu de forma positiva, mas argumentou que era uma análise do momento do país.

“Confirmo, excelência. Esse, na verdade, é um arquivo digital que nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilar de dados, um estudo de situação, meu pensamento, uma análise de riscos que eu fiz e, por um costume próprio, eu resolvi, inadvertidamente, digitalizar”, disse.

Segundo a denúncia, o documento Planejamento Punhal Verde Amarelo “tramava contra a liberdade e mesmo a vida” do ministro do Alexandre de Moraes, do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB). O plano citava alvos como “Jeca”, “Joca” e “Juca”.

De acordo com a defesa do general, o plano não foi discutido nem encontrado com quaisquer dos investigados.

“Não foi apresentado a ninguém esse pensamento digitalizado, não foi compartilhado com absolutamente ninguém. E, eu garanto, este arquivo é absolutamente descontextualizado”, afirmou.

O general foi preso em 19 de novembro do ano passado. Segundo as investigações, Fernandes imprimiu o planejamento dos assassinatos em 9 de novembro de 2022 no Palácio do Planalto. Cerca de 40 minutos depois, ele teria ido até o Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência então ocupada por Bolsonaro.

Segundo ele, no entanto, no interrogatório, foi uma coincidência. “A coincidência desse horário foi uma coincidência em relação à função da produção aqui do Estatuto de Logística minha, como secretário-executivo. Mas eu não levei, não apresentei, não compartilhei esse arquivo, seja em digital ou em texto, com ninguém”.

Investigação da Polícia Federal apontou que cinco pessoas, presas em novembro de 2024 (quatro militares, incluindo Mario Fernandes, e um policial federal), conversavam em 2022 em um aplicativo de mensagens sobre o plano para matar o Lula, Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo as investigações que respaldaram o aval de Moraes à operação policial de novembro passado, os suspeitos se conectavam pelo aplicativo Signal em um grupo nomeado Copa 2022. Cada um utilizava como codinome o nome de um país (Alemanha, Áustria, Brasil, Argentina, Japão e Gana), de forma a não serem identificados.

Ainda segundo a polícia, a ação ocorreria em 15 de dezembro de 2022, com o plano de prisão e assassinato contra autoridades. A operação não foi efetivada.

Ana Pompeu/Folhapress

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