terça-feira, junho 03, 2025

O universo onde a verdade e a mentira têm o mesmo valor


 O universo onde a verdade e a mentira têm o mesmo valor 


A ERA DA ESTUPIDEZ


Opiniões descabidas viralizam, moldam eleições, destroem reputações e corroem a autoridade do saber


Vivemos um tempo paradoxal. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostos à desinformação, ao ruído e à superficialidade. Em plena era da inteligência artificial, assistimos ao colapso do pensamento crítico. O psicólogo social Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York, alertou: “A humanidade está ficando mais estúpida exatamente no momento em que nossas máquinas estão ficando mais inteligentes que nós”. Essa constatação resume o espírito de uma era marcada pela derrocada do ecossistema do pensamento, agravada pela onipresença de smartphones e redes sociais. O que deveria ser ferramenta de ampliação da inteligência humana tornou-se, para uma imensa maioria, instrumento de sua atrofia. Umberto Eco alertou que as redes deram voz a uma legião de imbecis. A democratização da palavra sem educação e responsabilidade produziu uma avalanche de ignorância orgulhosa. Opiniões descabidas, antes perdidas num balcão de bar, hoje viralizam, moldam eleições, destroem reputações e corroem a autoridade do saber.


A crise da mediação atingiu em cheio a autoridade epistêmica: cientistas, professores e jornalistas passaram a disputar espaço, em condições de igualdade ilusória, com influencers, conspiracionistas e perfis anônimos. A verdade passou a valer tanto quanto a mentira — desde que ambas tenham os mesmos likes. No Brasil, o cenário é ainda mais grave. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional, mais de 30% da população é incapaz de compreender conceitos e argumentos complexos. Esse povo é bombardeado por conteúdos enganosos, contraditórios ou falsos, sem dispor de preparo para distinguir o real da manipulação. Educar nossos filhos será cada vez mais desafiador em um ambiente de inundação de informações inverídicas e manipuladoras.


A desigualdade hoje é também cognitiva. Uma elite capacitada interpreta, filtra e se protege. Já a maioria é arrastada pelo fluxo caótico da desinformação. A economia da atenção se converteu em indústria bilionária que transforma dados das massas em lucro para poucos, criando um ecossistema predatório onde somos simultaneamente consumidores e produto. Vivemos a era do colonialismo digital, em que gigantes tecnológicos extraem nossa atenção, comportamentos e desejos como novo recurso primário. Nessa estrutura de poder assimétrica, quem controla os algoritmos e a tecnologia determina não apenas o que consumimos, mas como pensamos, sentimos e interagimos, perpetuando dependências sistêmicas sob o disfarce da conectividade gratuita e da conveniência.


“A era da estupidez” não é somente um título provocativo: é um diagnóstico preocupante. Sintomas não faltam — das fake news à rejeição da ciência, do imediatismo na vida pública ao descrédito das instituições. E não será a tecnologia, por si só, que nos salvará. Sem base humanista, ela apenas amplifica nossas falhas. Enfrentar o desafio exige educação crítica, letramento digital, ética na comunicação, valorização do pensamento elaborado e, sobretudo, recuperar o tempo longo do argumento bem construído, da escuta verdadeira, da responsabilidade cívica. Pensar, hoje, é — mais do que nunca — um ato político necessário. Porque, se não pensarmos e agirmos, seremos pensados — por máquinas, algoritmos ou oportunistas produzidos pela estupidez.


Por Murillo de Aragão

segunda-feira, junho 02, 2025

Entidade investigada por descontos no INSS é ligada a frente parlamentar no Congresso

 Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

No lançamento da frente, em abril de 2024, o presidente da Conafer, Carlos Lopes, era o único agente privado no palco02 de junho de 2025 | 10:44

Entidade investigada por descontos no INSS é ligada a frente parlamentar no Congresso

brasil

A Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), investigada pela Polícia Federal no esquema de fraudes em descontos associativos pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), é ligada à Frente Parlamentar em Defesa do Empreendedorismo Rural, que conta com o apoio de 212 deputados e senadores.

No lançamento da frente, em abril de 2024, o presidente da Conafer, Carlos Lopes, era o único agente privado no palco.

Com ele estavam o presidente da frente, deputado Fausto Pinato (PP-SP), o vice-presidente, senador Chico Rodrigues (PSB-RR), e o secretário-adjunto da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pedro Neto.

No evento, Lopes afirmou que era muito importante “ter esse apoio do Congresso Nacional” e agradeceu aos parlamentares pela criação da frente. Ele se referiu a Rodrigues como “amigo e orientador”.

O senador discursou antes de Lopes e disse que a iniciativa do presidente da Conafer é reconhecida por todos. Afirmou também que haveria uma conexão grande entre os trabalhos da frente parlamentar e a entidade.

Pinato, o último a falar, afirmou que conheceu o presidente da Conafer havia “pouco tempo” e que conhecê-lo levou ao deputado “um pouco de esperança”.

Procurado, Pinato afirmou que a frente “nunca foi bancada pela Conafer”. “Ela sempre ouviu ideias da comunidade rural brasileira, inclusive da Conafer. Contudo, jamais a frente parlamentar se curvou ou beneficiou de qualquer entidade, a que título for”, disse.

O deputado acrescentou que “assim como ocorre com outras frentes parlamentares temáticas, ela conta com o apoio de diversos setores da sociedade civil, inclusive da iniciativa privada. Entre os apoiadores, está a Conafer”.

“O que nos liga são ideias e projetos que vão ao encontro dos anseios dos pequenos e médios produtores: projetos de lei, indicações ao Executivo”, concluiu.

O senador Chico Rodrigues não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Além desses dois parlamentares, também participaram da criação da frente os deputados Vander Loubet (PT-MS) e Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o senador Rogerio Carvalho (PT-SE).

Pettersen já atuou como porta-voz político da Conafer em reuniões com o INSS, de acordo com relatos feitos à Folha. Os parlamentares não responderam aos questionamentos da reportagem.

A Conafer é a segunda entidade com o maior volume de descontos associativos em benefícios pagos pelo INSS. A maior é a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

As duas associações estão entre as 11 investigadas pela PF por fraudes nesses pagamentos. As entidades afirmam que apoiam a fiscalização das irregularidades.

O setor tem um lobby influente no Congresso Nacional. Como mostrou a Folha, 31 parlamentares de 11 partidos defenderam o enfraquecimento de medidas de controle do mecanismo de descontos associativos desde 2019.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), abrigou em seu gabinete um diretor da Conafer, Jeronimo Arlindo da Silva Junior, conhecido como Junior do Peixe, entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021. Na época, ele também era diretor de Assuntos Institucionais da entidade. Motta não comentou o caso.

A operação Sem Desconto foi deflagrada pela PF em abril. De acordo com as investigações, a soma dos valores descontados chega a R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, mas ainda será apurado qual a porcentagem foi feita de forma ilegal.

Lucas Marchesini / FolhapresspOLITICAlIVRE

Para salvar Moraes, Barroso decide acelerar a regulação das redes sociais no país


Autor da FÓRUM, ministro Luís Roberto Barroso toma posse como presidente do STF - Editora FÓRUM - Conhecimento Jurídico

Barroso vai tocar o julgamento, tentando reduzir a pressão

Ana Paula Ramos e Hedio Ferreira Junior
O Tempo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, marcou para a próxima quarta-feira (4) o julgamento do processo que discute a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet – uma das principais discussões relacionadas à regulamentação das redes sociais no Brasil.

A análise do caso foi interrompida em dezembro quando o ministro André Mendonça solicitou mais tempo para estudar a questão. Por isso, o julgamento será retomado com o voto dele. A data de retomada deve ser oficializada na pauta que vai ser liberada na quinta-feira (29).

DESCONVERSANDO – Mais cedo, Barroso foi questionado pela reportagem de O TEMPO em Brasília se colocaria a ação na pauta de julgamento ainda neste semestre, diante da devolução da vista pelo ministro André Mendonça, mas desconversou. “Em breve”. Minutos depois, a comunicação do STF confirmou a data de retomada da análise da matéria.

Quando foi paralisado, o plenário discutia a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos publicados por terceiros.

O debate gira em torno da possibilidade de as empresas serem obrigadas a remover publicações ofensivas mediante simples notificação extrajudicial – ou apenas por ordem judicial. Dois recursos extraordinários (RE 1037396 e RE 1057258) estão sendo julgados em conjunto.

INQUIETAÇÃO – Durante a sessão em que pediu vista, Mendonça afirmou: “Essa matéria tem me inquietado bastante. Acredito que é necessário mais tempo de análise sobre o tema. Precisamos saber até que ponto não estaremos sendo injustos.”

A matéria é uma das prioridades de Barroso, que, segundo interlocutores, quer concluir votações de grande impacto antes de encerrar seu mandato na presidência do STF, em outubro.

Até o momento, os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux já votaram pela inconstitucionalidade do artigo 19, que hoje protege as plataformas de responsabilidade por publicações de terceiros, salvo por ordem judicial. A análise da Corte pode redefinir os limites da liberdade de expressão e da atuação das empresas de tecnologia no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Este é o cerne da questão. Toda a briga com o governo e o Congresso dos EUA deriva daí. Os americanos, com justa razão, querem manter a legislação brasileira que protege as big techs. O ministro Moraes, apressadinho, antes mesmo do julgamento do Supremo, decidiu revogar o artigo da lei e responsabilizou também as redes sociais. O resultado é essa briga cada vez mais séria com os EUA(C.N.)


Lula acena a Motta, critica Trump após embate com Moraes e fala em evitar ‘muvuca’ em 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT)02 de junho de 2025 | 06:41

Lula acena a Motta, critica Trump após embate com Moraes e fala em evitar ‘muvuca’ em 2026

brasil

O presidente Lula (PT) fez acenos ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), diante do impasse sobre mudanças no IOF, criticou o governo Donald Trump em meio ao embate dos EUA com o ministro do STF Alexandre de Moraes e defendeu a eleição de senadores da esquerda em 2026 para combater o que chamou de “muvuca” da extrema direita.

O petista participou neste domingo (1º) da convenção que oficializou o prefeito do Recife, João Campos, na presidência nacional do PSB, e também disse que, se estiver “bonitão do jeito que estou, a extrema direita não volta a governar esse país”.

Os acenos a Motta, que também esteve no evento, ocorreram frente às negociações do governo com a Câmara devido às novas regras do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

“Eu considero você uma novidade na política brasileira. Independente do partido que você pertence, teu comportamento e tua eleição como presidente da Câmara é demonstração que, dentre tantas coisas ruins que vivemos, começam a acontecer coisas boas”, disse Lula a Motta.

O presidente afirmou que o governo “tem de aprender que, quando quiser ter uma decisão que seja unânime entre todos os partidos, o correto não é a gente tomar uma decisão e depois comunicar”. Ele acrescentou que as lideranças partidárias no Congresso podem ajudar a corrigir as medidas que o Executivo quer aprovar.

O presidente também saiu em defesa de Moraes, que pode ser alvo de sanções do governo Trump. “Os EUA querem processar o Alexandre de Moraes porque ele quer prender um cara brasileiro que está lá nos EUA fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro”, afirmou.

“Que história é essa de criticar a Justiça brasileira? Eu nunca critiquei a Justiça deles e eles fazem um monte de barbaridade”, completou.

Por meio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a administração Trump afirmou ao ministro do Supremo Tribunal Federal que quatro ordens proferidas pelo magistrado contra a rede Rumble não têm efeito em solo americano. Para que elas pudessem valer, disse o órgão, o magistrado precisaria ter ingressado com uma ação em um tribunal dos EUA ou ter recorrido a canais legais.

A informação consta de documento encaminhado a Moraes na semana passada, com cópia ao Ministério da Justiça do governo Lula, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso. A notícia sobre a carta foi revelada pelo jornal The New York Times.

A revelação aconteceu após a decisão do governo Trump de suspender vistos a quem a gestão considerar que censurou empresas e cidadãos americanos. Bolsonaristas e até alvos de determinações de Moraes dizem acreditar que ele seria afetado pela iniciativa.

MAIORIA NO SENADO

Lula também falou sobre as eleições de 2026. De acordo com ele, os partidos de esquerda precisam eleger mais senadores “porque se esses caras [de extrema direita] elegerem maioria de senadores, eles vão fazer uma muvuca nesse país”.

“Precisamos ganhar maioria no Senado, senão esses caras vão avacalhar a Suprema Corte. Não é porque a Suprema Corte é uma maçã doce. Não. É porque precisamos preservar as instituições que garantem o exercício da democracia nesse país. Se a gente for destruir o que a gente não gosta, não vai sobrar nada”, afirmou.

“Podem ter certeza de uma coisa: se eu estiver bonitão do jeito que estou, apaixonado do jeito que estou e motivado do jeito que estou, a extrema direita não volta a governar esse país”, disse ele.

O presidente destacou ainda sua relação com o PSB: “Nós sempre governamos juntos. Nunca tive problema com o PSB em lugar nenhum, mesmo quando divergia. Quando acabava a eleição a gente encontrava jeito”, declarou.

Lula citou sua relação com o pai de João Campos, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que morreu em um acidente de avião em 2014 quando era candidato à Presidência.

Eduardo Campos foi ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro mandato de Lula. “Muito ministro petista tinha ciúmes da nossa relação”, disse.

Sobre as eleições do próximo ano, João Campos defendeu manter a dobradinha de Lula e o vice, Geraldo Alckmin (PSB).
O novo presidente do PSB também afirmou que pretende definir eventuais federações até outubro deste ano, para que haja tempo suficiente para organizar o próximo pleito.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Campos defendeu que o ideal para a esquerda na eleição em 2026 é trazer o centro para perto, e não jogá-lo para a direita.

Alckmin também discursou no evento: “Se perdendo a eleição, [a gestão anterior] tentou um golpe, imagina se tivessem ganhado”, declarou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, por sua vez, destacou a gestão de Campos à frente da Prefeitura do Recife. “A brilhante gestão que você realiza na prefeitura demonstra o quanto o PSB pode, deve e vai contribuir não só com a política em Pernambuco, mas nacional.”

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a formalização da troca de comando PSB ocorre em um cenário de dificuldade de renovação na esquerda.

Campos integra família que atua na política há mais de 70 anos, desde a década de 1940. É filho do ex-governador e ex-presidenciável Eduardo Campos, morto em 2014 em um acidente aéreo, e bisneto do ex-governador Miguel Arraes, um das figuras históricas da esquerda, morto em 2005.

A dificuldade da ascensão de novos quadros e a questão do “familismo” na política perpassa todos os campos políticos, mas os números no Congresso e a lista de cotados para herdar os capitais políticos de Lula e de Jair Bolsonaro (PL) indicam haver, neste momento, uma dificuldade maior na esquerda.

Lucas Marchesini / FolhapressPoliticaLivre

Lula acena a Motta, critica Trump após embate com Moraes e fala em evitar ‘muvuca’ em 2026

 Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT)02 de junho de 2025 | 06:41

Lula acena a Motta, critica Trump após embate com Moraes e fala em evitar ‘muvuca’ em 2026

brasil

O presidente Lula (PT) fez acenos ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), diante do impasse sobre mudanças no IOF, criticou o governo Donald Trump em meio ao embate dos EUA com o ministro do STF Alexandre de Moraes e defendeu a eleição de senadores da esquerda em 2026 para combater o que chamou de “muvuca” da extrema direita.

O petista participou neste domingo (1º) da convenção que oficializou o prefeito do Recife, João Campos, na presidência nacional do PSB, e também disse que, se estiver “bonitão do jeito que estou, a extrema direita não volta a governar esse país”.

Os acenos a Motta, que também esteve no evento, ocorreram frente às negociações do governo com a Câmara devido às novas regras do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

“Eu considero você uma novidade na política brasileira. Independente do partido que você pertence, teu comportamento e tua eleição como presidente da Câmara é demonstração que, dentre tantas coisas ruins que vivemos, começam a acontecer coisas boas”, disse Lula a Motta.

O presidente afirmou que o governo “tem de aprender que, quando quiser ter uma decisão que seja unânime entre todos os partidos, o correto não é a gente tomar uma decisão e depois comunicar”. Ele acrescentou que as lideranças partidárias no Congresso podem ajudar a corrigir as medidas que o Executivo quer aprovar.

O presidente também saiu em defesa de Moraes, que pode ser alvo de sanções do governo Trump. “Os EUA querem processar o Alexandre de Moraes porque ele quer prender um cara brasileiro que está lá nos EUA fazendo coisa contra o Brasil o dia inteiro”, afirmou.

“Que história é essa de criticar a Justiça brasileira? Eu nunca critiquei a Justiça deles e eles fazem um monte de barbaridade”, completou.

Por meio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a administração Trump afirmou ao ministro do Supremo Tribunal Federal que quatro ordens proferidas pelo magistrado contra a rede Rumble não têm efeito em solo americano. Para que elas pudessem valer, disse o órgão, o magistrado precisaria ter ingressado com uma ação em um tribunal dos EUA ou ter recorrido a canais legais.

A informação consta de documento encaminhado a Moraes na semana passada, com cópia ao Ministério da Justiça do governo Lula, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso. A notícia sobre a carta foi revelada pelo jornal The New York Times.

A revelação aconteceu após a decisão do governo Trump de suspender vistos a quem a gestão considerar que censurou empresas e cidadãos americanos. Bolsonaristas e até alvos de determinações de Moraes dizem acreditar que ele seria afetado pela iniciativa.

MAIORIA NO SENADO

Lula também falou sobre as eleições de 2026. De acordo com ele, os partidos de esquerda precisam eleger mais senadores “porque se esses caras [de extrema direita] elegerem maioria de senadores, eles vão fazer uma muvuca nesse país”.

“Precisamos ganhar maioria no Senado, senão esses caras vão avacalhar a Suprema Corte. Não é porque a Suprema Corte é uma maçã doce. Não. É porque precisamos preservar as instituições que garantem o exercício da democracia nesse país. Se a gente for destruir o que a gente não gosta, não vai sobrar nada”, afirmou.

“Podem ter certeza de uma coisa: se eu estiver bonitão do jeito que estou, apaixonado do jeito que estou e motivado do jeito que estou, a extrema direita não volta a governar esse país”, disse ele.

O presidente destacou ainda sua relação com o PSB: “Nós sempre governamos juntos. Nunca tive problema com o PSB em lugar nenhum, mesmo quando divergia. Quando acabava a eleição a gente encontrava jeito”, declarou.

Lula citou sua relação com o pai de João Campos, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que morreu em um acidente de avião em 2014 quando era candidato à Presidência.

Eduardo Campos foi ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro mandato de Lula. “Muito ministro petista tinha ciúmes da nossa relação”, disse.

Sobre as eleições do próximo ano, João Campos defendeu manter a dobradinha de Lula e o vice, Geraldo Alckmin (PSB).
O novo presidente do PSB também afirmou que pretende definir eventuais federações até outubro deste ano, para que haja tempo suficiente para organizar o próximo pleito.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Campos defendeu que o ideal para a esquerda na eleição em 2026 é trazer o centro para perto, e não jogá-lo para a direita.

Alckmin também discursou no evento: “Se perdendo a eleição, [a gestão anterior] tentou um golpe, imagina se tivessem ganhado”, declarou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, por sua vez, destacou a gestão de Campos à frente da Prefeitura do Recife. “A brilhante gestão que você realiza na prefeitura demonstra o quanto o PSB pode, deve e vai contribuir não só com a política em Pernambuco, mas nacional.”

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a formalização da troca de comando PSB ocorre em um cenário de dificuldade de renovação na esquerda.

Campos integra família que atua na política há mais de 70 anos, desde a década de 1940. É filho do ex-governador e ex-presidenciável Eduardo Campos, morto em 2014 em um acidente aéreo, e bisneto do ex-governador Miguel Arraes, um das figuras históricas da esquerda, morto em 2005.

A dificuldade da ascensão de novos quadros e a questão do “familismo” na política perpassa todos os campos políticos, mas os números no Congresso e a lista de cotados para herdar os capitais políticos de Lula e de Jair Bolsonaro (PL) indicam haver, neste momento, uma dificuldade maior na esquerda.

Lucas Marchesini / Folhapress

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