segunda-feira, abril 15, 2024

Há censura no Brasil? Eis a pergunta que Moraes e o STF não querem responder

Publicado em 15 de abril de 2024 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Inquérito eterno no STF contra 'atos antidemocráticos' é declaração de guerra

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Fernando Schüler
Veja

“Para que tanta censura?”, começou perguntando Elon Musk. Depois o caldo entornou. A bronca de Musk vem na sequência da revelação dos Twitter Files, pelo jornalista Michael Shellenberger, e das denúncias que todos de algum jeito conhecemos. O Estado brasileiro querendo dados de usuários, para saber quem divulga esta ou aquela hashtag, censura a parlamentares, desmonetização e apagamento de contas, e por aí vai.

Os temas envolvidos são políticos, os personagens são políticos, e não há muita novidade aí. A área jurídica da rede disse que “não havia indício de ilegalidade” naquelas opiniões. Mas obviamente o conceito do que é legal ou ilegal se tornou bastante flexível, ao menos por aqui, nos últimos tempos. O direito “líquido”, me disse um colega, bem-humorado, por estes dias. E quem sabe nesse ponto resida boa parte do problema.

O imbróglio, nesta confusão toda, não é Musk. Ronaldo Lemos matou a charada ao dizer que não cabia ao Estado brasileiro fazer todo esse alarde com as declarações de Musk. Bastaria agir na forma da lei, caso a empresa de fato cometer uma ilegalidade. O problema é que as perguntas, alertas e denúncias de Musk incomodam.

Ele faz o papel daquele vizinho que, em um dia qualquer, diz que “está acontecendo alguma coisa estranha naquela casa”. Sejamos claros: o que ele diz sobre censura prévia e controle de opinião, no país, basicamente já sabemos. E fomos empurrando com a barriga.

A diferença é que agora a coisa toda foi jogada em um imenso ventilador. Xingar o Musk, chamar de “menino mimado”, “drogado”, “extremista de direita” e os impropérios de sempre, pode ser um bom divertimento, mas não passa muito de um truque.

FILA DE PERGUNTAS – As perguntas que realmente importam dizem respeito a nós mesmos e à nossa democracia. E nós sabemos quais são: há ou não censura prévia no Brasil? Há devido processo? Acesso de advogados aos autos? E o que vamos fazer com os famosos inquéritos, que já vão para mais de cinco anos? Há uma fila de perguntas, e nada disso tem a ver com Elon Musk, nem será resolvido por ele.

O que me fascina, nessa confusão toda, é o choque entre duas histórias e duas culturas jurídicas. De um brilhante jurista, escutei que “Musk faz isso porque sabe que está protegido pela Primeira Emenda”. Bingo. É porque está sob a guarda das instituições da mais antiga democracia do planeta que Musk pode dizer o que pensa e dormir tranquilo.

Ele sabe que fala ancorado em uma tradição que vem de Madison e Jefferson, do Bill of Rights de 1791, atualizada por gerações de juízes da Suprema Corte americana.

DELITO DE OPINIÃO – Do lado de cá, nós também temos a nossa tradição. Nossas sete constituições, nossas duas longas ditaduras, no século XX. E aquela frase de Sérgio Buarque sobre nosso estranhamento com a ideologia “impessoal” do liberalismo, que “jamais se naturalizou entre nós”.

Choque de culturas significa o seguinte: não há “delito de opinião”, na tradição americana. Diferentemente do que acontece por aqui. Vimos isso ainda agora, quando a Justiça americana negou a extradição do blogueiro Allan dos Santos.

Depois de assistir a vídeos do sujeito, levados pela turma do lado de cá, o funcionário americano (imagino que um tanto entediado), foi claro: “São apenas palavras”. E encerrou a questão. É o mesmo caso do youtuber Monark. Em uma conversa meio sem nexo, na internet, ele resolveu “achar” que qualquer agremiação política, mesmo um partido nazista, deveria ter direito à expressão. Foi o que bastou.

MUDANÇA NAS LEIS – Banimento, processo, pedido de multa milionário. Do seu jeito tosco, ele defendeu o mesmíssimo princípio consagrado no direito americano. O direito afirmado em decisões históricas, como a tomada pela Suprema Corte em 1978, autorizando uma passeata nazista em Skokie, comunidade judaica, perto de Chicago.

O que o youtuber sugeriu, na prática, foi uma mudança na lei brasileira. Da qual discordo, o que é irrelevante. A pergunta é: vivemos em um país onde os cidadãos não podem defender uma mudança nas leis? Defender, por exemplo, algo similar à Primeira Emenda americana? É este o país em que nos transformamos?

É exatamente aqui que entra um novo personagem: Oliver Wendell Holmes. Veterano da Guerra Civil Americana e depois juiz da Suprema Corte, foi ele quem formulou o famoso critério do “risco claro e imediato” para definir os limites da liberdade de expressão.

RISCO IMEDIATO – O caso tratava de um líder socialista da Filadélfia, Charles Schenck, que havia soltado panfletos contra o recrutamento obrigatório na Primeira Grande Guerra. O critério de Holmes era claro: o direito à expressão não deveria depender de interpretações abertas sobre os riscos de uma opinião. O critério deveria ser objetivo: o risco imediato da violência.

Meses depois, Holmes julgaria um caso envolvendo ativistas comunistas, em Nova York, contrários à interferência americana na Revolução Russa. Um deles era Jacob Abrams, judeu e militante de esquerda.

Holmes agiu com base naquele princípio. E o fez na forma de um voto dissidente. Absolveu Abrams e seus colegas, e colocou seu próprio nome na tradição dos direitos e da democracia liberal.

MERCADO DE IDEIAIS – Holmes argumentou que, se há algo que podemos aprender com a tradição moderna, é que não há forma mais segura de nos aproximarmos da verdade do que o “livre mercado de ideias”. E que esta era, em última instância, a “teoria da nossa Constituição”.

É um “experimento”, ele diz, “como toda a vida é um experimento”. Sempre me surpreendo com essas palavras. Da ideia da Constituição como um “experimento”. Holmes havia lido muito Adam Smith, e de alguma forma transfere para o mundo das ideias e do próprio direito o princípio que Smith tão bem compreendeu para a economia.

A lógica simples de que respeitar a regra do jogo, mantendo-se sempre aberta a praça do mercado à livre competição de ideias, é uma ótima maneira de viver. Onde todos ganham, ainda que isso nos custe o preço de muitas péssimas ideias, no curto prazo. O custo, por exemplo, de ideias “perigosas” como aquelas que Abrams e seus amigos espalhavam em uma noite qualquer de Nova York.

LÁ E CÁ – Por vezes as pessoas me sugerem que não há muito sentido em falar da tradição americana. Que somos brasileiros e que por aqui temos outra visão sobre a liberdade de expressão. Discordo. Não me consta que teríamos sido feitos para o cangote.

E, tanto lá como aqui, as leis vedam a censura prévia e não reconhecem o delito de opinião. Também nós temos uma teoria de nossa Constituição, filha dos anos 80 e de seu desejo de garantir a liberdade e limitar o poder. De consagrar uma sociedade aberta, não a democracia de tutela em que vamos nos convertendo. A estranha democracia feita de agentes de Estado bisbilhotando conversas no rádio, vídeos no YouTube, contas no Twitter e bate-papos no WhatsApp.

Se esse será nosso destino ou se andamos apenas num desvio de curso é a pergunta a que devemos responder. Talvez nos falte um Holmes ou um Madison, lá atrás. Ou, quem sabe, uma grande tradição liberal. Não sei. O fato é que nossa marcha da insensatez já foi longe demais. São sobre isso, no fundo, os alertas que nos são dados, por estes dias, aos quais deveríamos prestar atenção.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Enviado por Duarte Bertolini, o artigo de Fernando Schüler é uma aula de política, que exibe os erros gravíssimos que o Supremo está cometendo, ao levar para um buraco imundo a democracia plena pela qual tanto lutamos e muitos morreram na ditadura militar. É preciso dar um basta em Alexandre de Moraes e seus acólitos do STF, que não têm coragem de enfrentá-lo ou são tão ditatoriais quanto ele. (C.N.)

domingo, abril 14, 2024

"Jeremoabo: Desafios e Perspectivas na Paisagem Política em Evolução"

Charge da manhã: Duke e os novos partidos políticos | Liberdade! Liberdade!

Por: J. Montalvão

ABI: C-002025

Na atual paisagem política de Jeremoabo, somos constantemente confrontados com uma série de eventos desconcertantes que desafiam nossa compreensão e minam a confiança no sistema. A cada novo dia, surgem reviravoltas envolvendo os líderes locais, deixando-nos perplexos diante das mudanças repentinas. Candidaturas são retiradas sem aviso prévio, vereadores eleitos abandonam seus compromissos, alianças políticas inesperadas são forjadas, e discursos vazios são proferidos em palanques erguidos com intenções duvidosas. Além disso, as diretrizes dos tribunais de contas, destinadas a assegurar a integridade e a transparência na gestão dos recursos públicos, são frequentemente ignoradas de forma flagrante.

.É crucial reconhecer que as decisões políticas têm um impacto significativo em nossas vidas cotidianas. A escolha do próximo prefeito e dos vereadores determinará as políticas que moldarão o futuro de Jeremoabo nos próximos quatro anos - um período de tempo substancial o suficiente para completar um curso universitário. No entanto, alguns podem subestimar a importância desse processo, talvez acreditando que seu voto não faz diferença ou que os candidatos não são dignos de confiança.

É fundamental compreender que essa atitude de desinteresse contribui para a perpetuação de uma administração pública deficiente por mais um mandato completo. Cada voto conta e tem o poder de influenciar diretamente o rumo da cidade. Portanto, é essencial que cada cidadão assuma a responsabilidade de fazer uma escolha informada e consciente nas próximas eleições.

É lamentável que antes mesmo de começar a corrida eleitoral, já tenham surgido indivíduos oportunistas, ávidos por explorar a miséria e a vulnerabilidade da população. Muitos se dedicam ao assistencialismo, pois enxergam na miséria uma oportunidade de se beneficiar e perpetuar seu poder através dos recursos públicos.

Jeremoabo precisa urgentemente evoluir. O status quo já não é mais aceitável. É necessário romper com o continuísmo da mesmice, marcado por esquemas corruptos, fake news, mentiras e enganações eleitorais. A cidade precisa de uma mudança genuína e progressista, que priorize o bem-estar da comunidade e promova uma gestão transparente e responsável dos recursos públicos.

‘Só por teimosia, Padilha vai ficar muito tempo’, diz Lula após críticas de Lira

Publicado em 14 de abril de 2024 por Tribuna da Internet

Lula elogia atuação de Padilha na articulação política

Pedro do Coutto

Os ataques do deputado Arthur Lira ao ministro Alexandre Padilha ganharam contornos de comédia, levando o presidente Lula a dizer nesta sexta-feira que o ministro das Relações Institucionais permanecerá no cargo “só por teimosia”. A fala do presidente acontece após críticas feitas pelo presidente da Câmara que chamou Padilha de “incompetente” depois de ser questionado por jornalistas sobre a votação na Câmara que manteve a prisão do deputado Chiquinho Brazão.

Nos bastidores, parlamentares dizem que Lira ficou contrariado com o que considerou ser uma interferência do governo, sobretudo de Padilha, na análise pela Câmara da situação de Brazão. Padilha disse, publicamente, que o governo orientaria pela manutenção da prisão. Em um evento no Rio de Janeiro, o ministro de Lula se defendeu. Questionado sobre a fala de Lira, Padilha disse que não desceria “a esse nível” e que seguirá atuando sem “rancor”.

ATO – “O único ato que fizemos durante a votação desse tema foi afirmar que o governo defendia a prisão desse parlamentar que [foi preso], a partir de um processo de investigação de seis anos, com uma atuação forte do ministro Flávio Dino e do ministro Ricardo Lewandowski no governo do presidente Lula”, disse Padilha.

Paralelamente, a declaração de Lula em defesa de Padilha, dada durante a inauguração da sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, em São Paulo, deixa clara uma desarticulação entre as forças políticas. Governistas têm receio de que a crise entre Padilha e Lira atrapalhe a votação de propostas de interesse do Executivo

Apesar de vitorioso em votações, como acabou sendo no caso do deputado Chiquinho Brazão, o Planalto não está numa situação confortável em relação à maioria no Congresso. Os problemas fundamentais estão sendo esquecidos enquanto os confrontos se deslocam para o campo do humor.

Lula recorre a núcleo de conselheiros nas crises e quer dar ‘chacoalhão’ no governo; veja os nomes

Foto: Montagem/Estadão
Núcleo de conselheiros de Lula inclui Sergio Gabrielli, Sidônio Palmeira, João Paulo Cunha, Edinho Silva, Paulo Okamotto e Luciano Coutinho14 de abril de 2024 | 15:15

Lula recorre a núcleo de conselheiros nas crises e quer dar ‘chacoalhão’ no governo; veja os nomes

BRASIL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem ouvido pessoas de fora do governo sobre assuntos que vão da política à economia. Nessas conversas, Lula costuma pedir opiniões sobre a condução de crises, relacionamento com o Congresso e até julgamentos sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia é montar um núcleo de conselheiros que possa lhe dar sugestões e indicar como corrigir erros de percurso.

Alguns dos nomes consultados por Lula, sempre de forma informal, já trabalharam com ele ou com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na lista estão o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, o publicitário Sidônio Palmeira, marqueteiro da campanha de 2022, e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha. Em 2021, Gabrielli foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), juntamente com outras seis pessoas, pela compra da refinaria de Pasadena no Texas (EUA). João Paulo, por sua vez, foi abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005.

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva, o presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, e o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, também fazem parte do grupo de conselheiros. No governo, os mais requisitados para dar palpites diante das últimas turbulências têm sido o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.

Na semana passada, por exemplo, Lula decidiu manter o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, após dias de rumores sobre sua queda. Quem ajudou na articulação para dar sobrevida a Prates foi Haddad.

‘Eu só respondi a uma pergunta objetiva’, diz Haddad

Nos bastidores, porém, a atuação do ministro em defesa da distribuição dos dividendos extraordinários da estatal foi criticada pelo titular de Minas e Energia, Alexandre Silveira, desafeto de Prates.

“Mas eu fui chamado (para dar opinião) pelo chefe dele, que, por acaso, é o meu também”, disse Haddad. “Havia uma controvérsia. E a pergunta que o presidente queria que eu ajudasse a responder era: ‘Vai ter problema de liquidez para o plano de investimento (da Petrobras)?’ Respondi: ‘Não vai’. Não pacifiquei nada, não segurei ninguém nem larguei a mão de ninguém. Só respondi a uma pergunta objetiva”, descreveu o ministro, para quem todo o burburinho em torno da Petrobras foi “surreal”.

Gabrielli, na outra ponta, foi consultado por Lula não apenas a respeito de quem tinha razão nessa queda de braço, mas sobre outras polêmicas envolvendo a Petrobras, como o pedido da estatal para fazer prospecção de petróleo na foz do Rio Amazonas.

O assunto divide os ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia, o Ibama e a própria empresa. Na avaliação de Gabrielli, que sempre definiu sua condenação pelo TCU como um “processo injusto e kafkiano”, a companhia deve manter o plano de exploração. “O pré-sal é fundamental, mas não eterno”, afirmou ele ao Estadão, ainda no ano passado, quando o confronto veio a público.

Na seara política, João Paulo Cunha é visto no Palácio do Planalto como uma espécie de curinga tanto para assumir um ministério como para concorrer a deputado federal, em 2026.

Após ser condenado pelo STF a prisão, no processo do mensalão, João Paulo estudou Direito, escreveu livros e sua banca de mestrado contou até mesmo com o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, e com o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O petista que chegou a ser preso é hoje sócio de escritórios de advocacia em São Paulo e em Brasília, tem trânsito em vários partidos e fala bem tanto com o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, como com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), os desafetos da vez na cena política.

Além disso, continua próximo de Lula e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que também caiu no rastro do mensalão.

Dirceu se prepara para concorrer a uma vaga de deputado federal, daqui a dois anos, mas não tem conversado com o presidente com tanta frequência. “Quando ele quer me procurar, sabe onde eu estou”, resume.

Política de ‘faca no pescoço’ irrita presidente

Lula está irritado com o ataque de Lira a Padilha e fez questão de avisar que o ministro de Relações Institucionais fica onde está. A aliados, ele disse, ainda, que não vai admitir política de “faca no pescoço”. A contenda pode interferir até mesmo na eleição para presidente da Câmara, em fevereiro de 2025, caso o Planalto decida se opor a Lira.

A portas fechadas, Lula também observou que planeja dar um “chacoalhão” no governo. Não foi à toa que ele chamou Sidônio Palmeira para melhorar sua imagem e a de ministros como a da Saúde, Nísia Trindade, num momento de queda da popularidade.

“Se cada um só falar das suas coisas, do seu ministério, não adianta”, afirmou Lula, no último dia 21, ao lançar o Plano Juventude Negra Viva, que tem o objetivo de reduzir a violência ligada ao racismo. No seu diagnóstico, a equipe precisa alinhar o discurso e bater o bumbo sobre as entregas do governo como um todo. “Se não for assim, o programa (lançado) vira natimorto”, reclamou.

A bronca é cada vez mais repetida em conversas reservadas. Foi com essa avaliação que Lula decidiu testar auxiliares para ver quais mudanças serão necessárias, sobretudo na “cozinha” do Planalto.

Antes de fazer uma reforma ministerial, ele vai retomar as reuniões de segunda-feira da coordenação política, que não são realizadas há quase dois meses, na tentativa de promover um freio de arrumação no núcleo duro do governo.

Os encontros costumavam ter a participação de Padilha, Haddad, Rui Costa (Casa Civil), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral) e dos líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), no Senado, Jaques Wagner (PT), e no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).

A agenda oficial do presidente indica, porém, que a última reunião nesse modelo ocorreu em 19 de fevereiro.

Dois interlocutores de Lula disseram à reportagem, sob reserva, que o governo sofre as consequências da “desorganização política”. Não se trata de uma crítica a Padilha, como faz Lira, mas, sim, à falta de coordenação, que leva a uma rotina de “bate-cabeça” e desencontros.

Há muitos litígios na equipe. Rui Costa, por exemplo, atribuiu ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o vazamento da delação da empresária Cristiana Prestes Taddeo, que citou o nome dele em uma fraude na compra de respiradores, durante a pandemia de Covid-19. O caso foi revelado pelo portal de notícias UOL.

O chefe da Casa Civil, que à época era governador da Bahia, negou irregularidades. Mas não foi só: como Costa não tem bom relacionamento com Haddad, ele também desconfia da participação de auxiliares do ministro da Fazenda no fogo “amigo”. Haddad e Costa são pré-candidatos à sucessão de Lula, em 2030.

Nas fileiras do PT, duas saídas são dadas como certas no ministério: a de Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, e a do titular do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, ambos filiados ao partido.

Macêdo pode ser transferido para outro departamento e Dias deve retornar ao Senado. Lula avalia que, embora os dois trabalhem bastante, não têm conseguido produzir fatos para alimentar a base de esquerda. Edinho Silva, prefeito de Araraquara, é cotado para presidir o PT em 2025, ou até mesmo para substituir Paulo Pimenta na Secretaria de Comunicação Social.

Falta um ‘atacante’ no governo

Desde que Flávio Dino deixou o Ministério da Justiça para assumir uma cadeira no STF, Lula também não conta mais com alguém que faça o contraponto com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Preencher a vaga de “atacante” na equipe é tarefa considerada essencial, principalmente neste ano de eleições para as prefeituras.

Dino, porém, virou interlocutor de Lula no Supremo, assim como os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Até Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, se aproximou do presidente depois que ele escolheu o juiz João Carlos Mayer Soares como desembargador do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1). Detalhe: Mayer Soares também tinha Lira como padrinho.

Apesar de perguntar para advogados e magistrados o que acham da revisão dos acordos de leniência celebrados no âmbito da Lava Jato, Lula até agora não chamou Dias Toffoli para uma conversa a sós.

As decisões que beneficiam a J&F e a Novonor (antiga Odebrecht) foram dadas por Toffoli. No caso da J&F, o ministro suspendeu a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo fechado com o Ministério Público, acatando pedido da empresa para ter acesso ao material colhido pela “Operação Spoofing”.

Assessores de Lula dizem, no entanto, que ele ainda guarda mágoa de Toffoli. O problema vem de 2019, quando o petista estava preso e o magistrado negou autorização para que ele fosse ao velório do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em São Bernardo do Campo (SP).

Anos mais tarde, Toffoli relatou só não ter liberado Lula – que o nomeara para o STF dez anos antes – porque, se o fizesse, haveria um confronto nas ruas entre apoiadores do PT e seguidores de Bolsonaro. À época, ele autorizou o petista a se encontrar com a família em uma unidade militar na região do ABC paulista, podendo o corpo de Vavá ser levado para lá. Lula recusou e nunca se esqueceu do episódio.

Vera Rosa/ Estadão

PoliticaLivre

Barco à deriva é encontrado com corpos no Pará; número de mortos não foi confirmado

 Foto: Reprodução/X

Pescadores localizam corpos em barco à deriva no Pará no sábado (13)14 de abril de 2024 | 14:46

Barco à deriva é encontrado com corpos no Pará; número de mortos não foi confirmado

BRASIL

Corpos foram encontrados em um barco à deriva neste sábado (13) na região nordeste do Pará, segundo a Polícia Federal, que abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do caso.

Até as 10h30 deste domingo (14), não havia confirmação oficial do número de mortes, nem da nacionalidade das vítimas. Há suspeita de que elas sejam estrangeiras, conforme autoridades locais.

De acordo com a Defesa Civil do município de Bragança (a 214 km de Belém), pescadores localizaram a embarcação durante a manhã de sábado na região da baía do Maiaú, próximo da ilha de Canelas. O local é considerado de difícil acesso.

A PF declarou na manhã deste domingo que equipes estão em ação para resgatar o barco e os corpos. Isso deve ocorrer ao longo do dia, segundo a corporação.

“É muito provável que se trate de um barco estrangeiro, porque, preliminarmente, não foi detectado sumiço de pescadores da região”, afirmou Ubiranilson Oliveira, coordenador municipal da Defesa Civil de Bragança.

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, que seria do momento no qual os pescadores localizaram a embarcação, é possível ouvir pessoas falando em “muita gente morta” e “mais de 20” vítimas.

A Marinha do Brasil disse que tomou conhecimento na manhã de sábado da embarcação encontrada à deriva por pescadores nas proximidades da ilha de Canelas.

Uma equipe de inspetores navais foi acionada para se deslocar até o local. O objetivo é apurar informações para abertura de investigação do IAFN (Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação).

Também no sábado, agentes da Polícia Federal no Pará foram acionados para o atendimento da ocorrência. Além deles, peritos e papiloscopistas da sede da PF em Brasília foram deslocados para a região.

“Um dos principais objetivos é descobrir quem eram as pessoas no barco, usando protocolos de Identificação de Vítimas de Desastres (DVI)”, afirmou a corporação. A Polícia Federal disse ter sido informada sobre a ocorrência na manhã de sábado.

O MPF (Ministério Público Federal) do Pará anunciou a abertura de duas investigações nas áreas cível e criminal.

“Uma investigação criminal foca em eventuais crimes cometidos e na responsabilização penal de autores. A investigação cível concentra-se em questões de interesse público e na proteção de direitos que não necessariamente envolvem crimes”, declarou o MPF.

Leonardo Vieceli/FolhapressPOLITICAlIVRE

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