terça-feira, fevereiro 21, 2023
Para alívio do Planalto, a CPI dos Atos Golpistas deve ser arquivada no Senado
Charge do Thyagão (Diário do Nordeste)
Natália Portinari
Metrópoles
A proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os atos golpistas no Senado não deve sair do papel. Os articuladores da comissão não conseguiram coletar assinaturas após 1º de fevereiro, quando teve início a nova legislatura. O requerimento foi entregue pela autora, Soraya Thronicke, com 38 assinaturas, o que inclui nomes de senadores que não estão mais no mandato e de outros que desistiram do apoio.
Aliados de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, dizem que ele só aceitará ler o requerimento se houver uma nova coleta de assinaturas. Como o governo Lula fez pressão para que a CPI não vá adiante, a iniciativa não está encontrando respaldo entre os parlamentares.
DESGASTE PARA LULA – O entendimento é de que mesmo se a CPI for liderada por aliados no Congresso, ela vai acabar desgastando a imagem do governo Lula com convocações de ministros e militares e servirá como palanque para a oposição.
Parlamentares alinhados ao governo têm se justificado dizendo que apoiaram a CPI no calor do momento mas que, hoje, as investigações em andamento na Polícia Federal e no próprio governo bastam para resolver a questão.
Já se passaram 40 dias desde o 8 de janeiro. Sem o respaldo de Pacheco, a oposição agora está se articulando para tentar pedir uma CPMI, uma comissão mista com deputados e senadores. A ideia é que a bancada de 99 deputados do PL, partido de Jair Bolsonaro, ajude na empreitada.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O fato concreto é que o presidente Rodrigo Pacheco já aprendeu a andar na corda bamba. Diz que aceita a CPI, mas fica na encolha, porque sabe que havia quórum na legislatura passada, quando conseguiram 38 assinaturas, mas agora está difícil chegar ao número mínimo, de apenas 27 senadores. Não sei não. Acho que a oposição tem condições de alcançar as assinaturas, como Sérgio Moro já conseguiu para ressuscitar o projeto da prisão após segunda instância. (C.N.)
Bolsonaro agora reconhece erros, mas sua responsabilidade na pandemia foi bestial
Publicado em 20 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Nos EUA, Bolsonaro diz que errou ao se meter na pandemia
Elio Gaspari
Folha
Na sua entrevista à repórter Luciana Magalhães, do The Wall Street Journal, Bolsonaro fez uma espécie de “mea culpa” em relação à sua conduta diante da Covid. Afirmou que se pudesse voltar no tempo, “eu não diria coisa nenhuma, deixaria o assunto para o Ministério da Saúde”.
É pouco. A responsabilidade de Bolsonaro numa pandemia que matou cerca de 700 mil pessoas foi muito além das palavras.
FEZ MUITA COISA – Em ações concretas, como presidente e no exercício de suas atribuições, demitiu dois ministros da Saúde e um diretor da Polícia Rodoviária Federal que lastimou a morte de um agente.
Além disso, forçou a fabricação de quatro milhões de comprimidos de cloroquina.
De um diplomata que serve no exterior e veio ao Brasil em férias: “Minha vida mudou, há um mês passei a circular durante as recepções sem o receio de entrar numa conversa constrangedora com um colega.”
GUARDA NACIONAL – Subiu no muro a ideia da criação, neste ano, de uma Guarda Nacional para proteger áreas do Distrito Federal, fronteiras e sabe-se lá o que mais.
Seus defensores reconhecem a dificuldade para aprovar a emenda constitucional necessária para sua formação.
Nas Forças Armadas, a simpatia pela ideia é nula.
Debate sobre o papel dos militares e da Justiça Militar continua borbulhando
Publicado em 20 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

À frente do STM, Joseli quer punir com rigor os golpístas
Eliane Cantanhêde
Estadão
Os militares saíram dos holofotes, mas as discussões sobre o papel das Forças Armadas, a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o sigilo de cem anos do caso Pazuello e os limites e a própria existência da Justiça Militar continuam borbulhando, após a identificação de militares e a suspeita de omissão no atentado de 8 de janeiro e a troca do comandante do Exército.
Dentro do cronograma, mas num ambiente de despolitização do Exército, estão mudando também sete dos oito Comandos de área, como o Comando Militar do Planalto (CMP), da capital da República.
FUNÇÕES BUROCRÁTICAS – O general Gustavo Henrique Dutra, que sai, se opôs à prisão de golpistas em torno do QG do Exército na noite do dia 8. E o Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), que não se preparou nem impediu a invasão do Planalto, é vinculado ao CMP.
Assim, o general Dutra deixa o comando importante e vai para função burocrática até a reserva. Mesmo caminho, aliás, do general Hamilton Mourão, que em 2015 caiu do Comando Militar do Sul ao conclamar militares para “o despertar de uma luta patriótica”, e do almirante Flávio Rocha, que foi ativo secretário de Assuntos Estratégicos no governo Bolsonaro e resvalou para um cargo discreto no Rio.
Enquanto isso, o Supremo julga se a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) , que é contra crimes comuns, por exemplo, em comunidades dominadas pelo tráfico, é missão civil ou militar. Com placar de 5 a 2, faltava um voto para confirmar o entendimento de que é militar, mas o grande problema são os desdobramentos.
JUSTIÇA MILITAR – A maioria dos ministros concorda que GLO é militar, mas não que o julgamento das ações seja necessariamente na Justiça Militar.
O temor é de que a “excludente de ilicitude” para policiais em ação, apelidada de “licença para matar” e não aprovada, se aplique na prática a militares.
Para lembrar: os militares que dispararam 257 tiros contra o carro do músico Evaldo Rosa, morto a caminho de uma festinha de crianças com a família, só foram condenados pela Justiça Militar por 3 a 2. Um voto! A questão, portanto, é complexa e exige tempo.
PUNIÇÃO COM RIGOR – E o futuro presidente do Superior Tribunal Militar (STM), brigadeiro Francisco Joseli, piloto do Aerolula nos governos 1 e 2, se antecipa e avisa que militares envolvidos nos atos de 8/1 serão punidos com rigor.
O Congresso se mexe para rever a GLO (usada 145 vezes desde 1992) e a Controladoria-Geral da União derrubou o sigilo de cem anos para a decisão do Alto-Comando que inocentou o então general da ativa Eduardo Pazuello por uma gritante quebra de disciplina, prevista no regimento do Exército e no Estatuto Militar.
Assim, as Forças Armadas estão voltando ao normal, assim como o próprio Brasil.
Debate sobre meios de evitar aquecimento global se acirra, e Brasil pode sair perdendo
Publicado em 20 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Ilusração de Luciana Salles (Folha)
Candido Bracher
Folha
As últimas semanas foram ricas em notícias relacionadas, direta e indiretamente, ao combate ao aquecimento global. Pode-se discutir se o saldo final é positivo ou não para o mundo, mas não tenho dúvidas de que é muito negativo para o Brasil. O aquecimento global resulta de uma situação conhecida em economia como “tragédia dos bens comuns”.
Ocorre quando muitas pessoas têm acesso a um bem coletivo, mas cada uma busca maximizar seu interesse individual, provocando a degradação do bem em prejuízo de todos.
EXEMPLO INGLÊS – A teoria surgiu a partir do exemplo inglês da utilização de pastos comunitários por criadores de carneiros. Cada criador procura colocar o máximo de animais no pasto, provocando a sua exaustão. No fim, todos perdem.
No caso do aquecimento global, o pasto é a atmosfera, e os carneiros são os gases de efeito estufa (GEE) resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis. Como a atmosfera é um bem comum, foi ocupada indiscriminadamente sem que ninguém pagasse nada por isso.
Agora está perto da exaustão e é necessário reduzir a zero a emissão de GEE até 2050, sob pena de provocar um nível de aquecimento que comprometa gravemente as condições de vida no planeta.
TECNOLOGIAS LIMPAS – A solução intuitiva e óbvia é estabelecer uma governança que regule o direito à emissão de gases, e a forma mais simples de implementá-la é através de um preço global por tonelada de GEE, de modo a desestimular os processos emissores e encorajar o desenvolvimento de tecnologias alternativas e mudança de hábitos.
A União Europeia tem liderado esse processo no mundo através do sistema de “cap & trade”, recentemente aperfeiçoado com um imposto de importação baseado no conteúdo de GEE de cada produto, o “carbon border tax”.
Ocorre que os demais países resistem fortemente a adotar medidas semelhantes, receando desagradar aos eleitores. O Congresso dos EUA, há poucos meses, aprovou um pacote ambiental chamado “Inflation Reduction Act” (IRA), que contém um volume expressivo de subsídios ao desenvolvimento de tecnologias “limpas”, mas não traz uma única medida taxando a emissão de GEE.
SEMPRE PASTANDO… – É como se, no exemplo histórico, em vez de cobrar pelo uso do pasto, se concedessem subsídios para desenvolver uma alimentação alternativa para os carneiros. O problema, naturalmente, é que os animais não deixam de pastar, enquanto aguardam o novo cardápio.
A reunião de Davos em janeiro foi dominada pela discussão dessa questão. A presidente da Comissão Europeia protestou contra os subsídios americanos, que criam uma situação injusta de competição, provocando fuga de investimentos e empresas tecnológicas europeias para os EUA, onde encontram condições mais favoráveis.
Economistas de renome, como Olivier Blanchard, utilizaram o termo “guerra comercial” para se referir à política americana, e o jornal inglês Financial Times noticia que investidores pressionam uma empresa alemã que atua na fronteira tecnológica da geração de energia limpa, Marvel Fusion, a mudar-se para os EUA para usufruir dos subsídios do IRA.
TORRE DE BABEL – Ao ler sobre essas reações, fui tomado de desânimo e me veio à mente a imagem da Torre de Babel; apesar do objetivo comum —o “net zero”—, os homens são incapazes de se entender para atingi-lo.
Pressionados pelos fatos, alguns representantes europeus opinaram publicamente que a União Europeia deveria também estabelecer uma política de subsídios em resposta à iniciativa americana e que algum acordo deveria ser negociado.
A ideia é polêmica, uma vez que a concessão de diferentes subsídios por diferentes membros do bloco contraria os fundamentos do mercado comum europeu. Por outro lado, atores relevantes, como Faith Birol, diretor da Agência de Energia Internacional, consideraram o IRA “a iniciativa climática mais importante desde o Acordo de Paris em 2015”. Entusiasmo semelhante foi manifestado por muitos empresários presentes a Davos.
É UM AVANÇO – Refletindo sobre essas declarações, julguei natural o entusiasmo que o IRA desperta. Afinal, a medida é o que se chama “fuga para a frente”; em vez de retroceder, avançar. Em vez de reduzir a atividade para conter as emissões de GEE, aumentar os investimentos, buscando soluções alternativas. Quem, afinal, não gostaria de emagrecer comendo mais? Resta saber se a terapia terá bons resultados.
Também em janeiro, Nicholas Stern, reconhecido economista envolvido com o combate ao aquecimento global, publicou um trabalho no qual prevê que novas tecnologias limpas para setores como aviação, cimento e aço se tornarão competitivas em datas variando de hoje a 2030.
Esse conjunto de reações me levou a reconsiderar o pessimismo contido na metáfora da Torre de Babel. Ponderei que a humanidade deve seu progresso com maior frequência à competição que anima o engenho humano do que a ações coordenadas em empreitadas comuns. Por que não seria assim desta vez?
TOM POSITIVO – Eu gostaria de encerrar esta coluna no tom positivo da frase acima. Mas resta tratar das implicações para o Brasil. A falta de uma governança global que estabeleça um preço que onere as emissões de GEE traz como contrapartida provável a ausência de remuneração para a captura de GEE. Esses recursos seriam fundamentais para financiar a preservação de nossas florestas e recuperação de áreas degradadas.
Para agravar ainda mais a situação, o jornal inglês The Guardian, tradicionalmente preocupado com questões ambientais, publicou ampla reportagem na qual afirma que mais de 90% dos créditos de carbono provenientes de florestas tropicais não têm nenhum valor.
A pesquisa citada aponta que a empresa americana Verra, que certifica 75% de todos os créditos de carbono negociados no mercado voluntário, utiliza critérios de avaliação falhos. A empresa reagiu vigorosamente e outros órgãos da comunidade científica a apoiaram, mas a polêmica está criada e naturalmente afeta negativamente o valor que se pode obter com a conservação e a recuperação de florestas tropicais.
POTENCIAL DE CAPTURA – Dessa forma, não apenas nosso principal “produto verde” —o potencial de captura de carbono de nossas florestas— está ameaçado de ficar sem mercado como também a própria qualidade dessa captura carece de certificação adequada. Enfrentar esse duplo desafio deve ser prioridade de nossa política ambiental.
Finalmente, ameaça muito mais concreta à preservação de nossas florestas veio contida na revelação das condições sub-humanas de vida na reserva yanomami, invadida por garimpeiros contando com a complacência do Estado e, inevitável reconhecer, da sociedade brasileira.
A questão ambiental empalidece diante do terrível drama humano e da vergonha de vermos renovadas nos nossos dias as duras palavras que Castro Alves dirigiu ao auriverde pendão de nossa terra: “Antes te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha”.
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