domingo, dezembro 11, 2022
A meritocracia, de Confúcio a Sandel
11 A ciência prova que todos têm chifres.
A democracia contra os extremistas
Alerta dos EUA sobre protestos mobiliza Lula e Alckmin
“Queremos tirar os sem-vergonha do Bolsa Família”, diz membro da equipe de transição

Tereza Campello denuncia que o Auxílio virou um caça-votos
Pedro Venceslau
Estadão
A economista Tereza Campello, de 60 anos, disse ao Estadão que sua principal missão é desarmar o que ela acredita ser uma bomba-relógio deixada pelo governo de Jair Bolsonaro para a próxima gestão do Cadastro Único do Auxílio Brasil, que vai voltar a se chamar Bolsa Família.
Ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Dilma Rousseff (PT), atua no Gabinete de Transição como uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho de Assistência Social, ao lado da senadora Simone Tebet (MDB-MS).
Qual a expectativa sobre o Bolsa Família para 2023?
O que já sabemos, a partir das investigações, é que há distorções muito grandes no Cadastro Único. A imprensa fala muito em pente fino, como se a população pobre tivesse um comportamento de fraudador, mas não foi isso que aconteceu.
Quais são as distorções?
Temos duas situações muito graves. O governo Bolsonaro fez uma péssima gestão do Cadastro Único e do Auxílio Brasil e isso induziu as pessoas a se cadastrar errado. Não é que as pessoas tentaram fraudar, mas o modelo que eles implantaram induz as famílias a se cadastrarem por adulto. Se tem dois adultos na mesma casa, se cadastram os dois. O certo seria uma família, como era no Bolsa Família. Um adulto morando sozinho ganha R$ 600, e uma mãe com duas crianças ganha o mesmo. Isso gera uma desigualdade enorme. Eles criaram um modelo injusto e que induz que as famílias se fracionem. Nunca fizeram campanha explicando, não conversaram com os municípios e não treinaram as equipes na rede de assistência social. Criaram um aplicativo que quando você entra já puxa o CPF e induz (o beneficiário) a fazer o cadastro individualmente.
Vai ser muito difícil regularizar o cadastro?
Vai dar muito trabalho. Além da população pobre ter sido induzida por má gestão e do modelo equivocado, houve o movimento pré-eleitoral para ampliar o número de pessoas beneficiadas, o que é abuso de poder econômico e político. Por que explode o cadastro? Porque botaram dentro do Auxílio Brasil na última hora e véspera da eleição milhões de pessoas. Tem um monte de gente que entrou que não faz parte da população pobre ou desinformada. Tem gente com má fé. Veja os casos do agressor do Gilberto Gil e da filha do Pazuello. Está coalhado de casos que são fraude mesmo. Será preciso apurar. Foram 79 mil militares que receberam o benefício. Temos que ir atrás do dinheiro.
A revisão do benefício não pode gerar uma revolta?
Estamos tentando administrar essa situação. Quando chegou em dezembro (de 2021), esses benefícios unipessoais – que são as pessoas que alegam estar morando sozinhas – deram um pulo de 2 para 3 milhões. Depois, passou para 3,5 milhões, para 4 milhões, 4,5 e chegou a 5 milhões em um ano. É um escândalo. O governo devia ter visto e tomado atitude para impedir, mas não tomou. Agora, após a eleição ele entrou com processo de averiguação, chamando as pessoas e dizendo que vai bloquear entre janeiro e fevereiro.
O governo Bolsonaro deixou uma bomba relógio?
Queremos criar um ambiente de construção de uma transição, mas ao mesmo tempo é irregular. A legislação é clara: as pessoas não podiam estar recebendo. Estamos conversando com os municípios. Esse povo vai bater na porta da prefeitura quando o recurso for bloqueado. Serão filas enormes no início do governo Lula com muita gente pobre, mas também muita gente sem vergonha. Queremos tirar os sem-vergonha.
Então essa é uma crise precificada logo no começo do governo Lula?
É uma crise conhecida porque estamos atuando. Somos transição. Não somos governo. Já fizemos uma reunião que o governo atual devia ter feito. Chamamos as prefeituras e as organizações dos municípios que fazem a gestão do Bolsa Família para tentar construir uma trajetória comum com o setor público que, na ponta, vai administrar essa filas.
Foi o risco de quebra da disciplina militar que levou Lula a anunciar cinco ministros
Os comandantes militares atuais ainda preocupam Lula
Denise Rothenburg
Correio Braziliense
Estava tudo pronto para que o presidente Lula anunciasse a primeira leva de ministros na segunda-feira, dia 12, logo depois de sua diplomação pelo Tribunal Superior Eleitoral. Mas ele preferiu desatar logo alguns nós. Diante das incertezas que vive o país, inclusive com risco de saída antecipada de comandantes militares, o que poderia levar a uma leitura de quebra de hierarquia e disciplina militar, Lula decidiu anunciar antecipadamente os ministros considerados chaves.
Com isso, começou a efetivar a transição, para evitar transtornos – isso, em pleno dia de jogo do Brasil, o que não estava nos planos iniciais do presidente, um aficionado por futebol.
CARGOS ESTRATÉGICOS – Pelo menos quatro dos ministros anunciados – Casa Civil, Justiça, Defesa e Fazenda – são os mais estratégicos para qualquer governo. Especialmente, num cenário em que há tanta gente acampada nas portas dos quartéis, pedindo intervenção. Vamos à importância de cada um.
Defesa: Na transição e fora dela, há quem tenha detectado um risco de quebra de hierarquia com a saída antecipada de comandantes militares. Isso porque, nas Forças Armadas, não há transição. Há apenas troca de comando depois da posse. E, no momento em que os comandantes se preparam para sair antes, pode-se passar à tropa e aos escalões inferiores a ideia de rejeição ao novo governo e ao presidente eleito. Agora, com José Múcio Monteiro anunciado ministro da Defesa, ele fará as conversas com o meio militar com um peso maior, dissipando leituras e, como ele já estará atuando como futuro ministro, espera-se que afaste qualquer leitura de quebra de hierarquia.
Justiça: A pasta inclui a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, acusada de fazer “corpo mole” quando do bloqueio de rodovias por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro logo depois de conhecido o resultado da eleição. Agora, caberá ao futuro ministro, Flávio Dino, começar a transição nas polícias.
Casa Civil: De lá saem decretos e leis. Por isso, é preciso ficar de olho no que está sendo preparado nesta reta final de governo. A partir de agora, o governador da Bahia, Rui Costa, terá condições de montar uma equipe que ajude a acompanhar de perto a Casa Civil, de forma a evitar surpresas.
Fazenda: Decidido a fatiar o Ministério da Economia e retomar o modelo anterior com ministérios separados para Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio, Lula anuncia logo o ministro da Fazenda para dar mais tempo à transição. O futuro ministro é Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, que montará uma equipe mais técnica para os cargos-chaves da pasta, Secretaria do Tesouro, Política Econômica e tudo mais.
Itamaraty – Por fim, Lula decidiu anunciar logo o embaixador Mauro Vieira para Relações Exteriores, que foi chanceler no governo Dilma Rousseff, a fim de colocar o Itamaraty no preparo das viagens que o presidente eleito deve fazer depois da posse, começando por Estados Unidos e Argentina.
Os anúncios desta sexta-feira devem ainda esvaziar ainda mais os gabinetes da transição. Lula, por exemplo, tem feito a maioria das conversas importantes no hotel onde está hospedado. Agora, os novos ministros passarão a dividir as atenções.
Alemanha demonstra que cabe a cada país enquadrar extremistas e submetê-los à lei
Publicado em 11 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Nos EUA, este chifrudo pegou 3 anos e 5 meses de prisão
João Gabriel de Lima
Estado
A polícia alemã desbaratou, na quarta-feira, dia 7, uma organização que planejava um atentado contra o Parlamento do país. Foram presos 25 integrantes do Reichsburger, um grupo que armazenava armas e treinava militantes com o intuito de realizar atos terroristas.
Investigam-se ainda 27 suspeitos de manter laços com a quadrilha ou apoiá-la financeiramente. Seu líder é o autodenominado príncipe Henrique XIII, descendente de nobres e renegado pela própria família.
EXTREMISMO, NÃO! – “Foi entre os constitucionalistas alemães de 1945 que surgiu a distinção entre extremistas e radicais. Radicais são os que querem mudanças drásticas, mas dentro da Constituição. Extremistas são os que atuam de forma violenta contra a democracia”, diz o cientista político italiano Riccardo Marchi, estudioso do assunto.
Segundo ele, a Alemanha tem um histórico de identificação e detenção de extremistas, talvez pela marca do passado nazista.
A ação da Justiça alemã evocou a invasão do Capitólio e a imagem do militante Jacob Anthony Chansley, apelidado de “Xamã” – inesquecível em sua pintura facial com as cores da bandeira americana e um par de chifres pregados na testa. Por causa dele, os vândalos americanos ficaram conhecidos nas redes sociais como “os chifrudos do Capitólio”. A polícia dos Estados Unidos já efetuou mais de 700 prisões entre os fanáticos trumpistas.
GRAVE PROBLEMA – Com indumentária bizarra ou delírios de nobreza, extremistas dão bons memes. O assunto, no entanto, é sério e é estudado na academia, que identifica padrões nos diferentes grupos.
Um ponto em comum é acreditar em teorias conspiratórias, como as que veem em tudo um suposto “perigo vermelho” – como se a União Soviética não tivesse se dissolvido há mais de 30 anos.
Outra coisa é o aliciamento de integrantes do Exército e de forças policiais. “Na Alemanha, os militares são monitorados por causa disso, e algumas brigadas chegam a ser desativadas pela proximidade com extremistas”, diz Marchi.
AGIR PREVENTIVAMENTE – A pluralidade de ideias, à esquerda e à direita, é saudável e desejável nas democracias. As exceções, como diz Marchi, são os que advogam a destruição da própria democracia. A invasão do Capitólio deixou cinco mortos e vários feridos. Felizmente os alemães agiram antes que houvesse vítimas.
As democracias vêm aprendendo, aos poucos, a identificar e punir seus extremistas. Cabe a cada país nomear seus bois, agarrá-los pelos chifres e – respeitado o devido processo legal – submetê-los aos rigores da Justiça.
Alemães e americanos vêm fazendo isso, pelo bem de suas democracias. Dão um exemplo ao mundo.
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