Onda de direita deixa Flávio à frente de Lula no 1º turno

Fotos: Douglas Schneider / AFP e Julia Ju / Anadolu via AFP
O voto útil, o chamado “antipetismo de chegada” e uma onda à direita falaram alto no primeiro turno das eleições gerais, realizado neste domingo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou a primeira rodada de votação quase dois pontos à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem vai disputar o segundo turno no próximo dia 25. Segundo números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio obteve 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 (45,16%) de Lula. O bom desempenho do filho mais velho de Jair Bolsonaro se refletiu na desidratação dos demais candidatos de direita, que tiveram desempenho abaixo das projeções. Augusto Cury (Avante) chegou em terceiro, com 2,89%, seguido de Renan Santos (Missão), com 2,24%; Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%; e Romeu Zema (Novo), com 0,27%. Os demais postulantes não passaram de 0,1%. (UOL)
Por região, Lula manteve sua predominância e ganhou nos nove estados do Nordeste. Flávio virou Minas Gerais, que o presidente havia levado em 2022. Nos três maiores colégios eleitorais do Brasil (São Paulo, Minas e Rio), Flávio liderou em 1.089 cidade, incluindo Belo Horizonte e Rio. Lula ficou na frente em 500, sendo a capital paulista uma delas. Confira as votações por estado. (g1)
Durante a apuração, Flávio Bolsonaro chegou a ter dobro da vantagem aberta pelo pai contra Lula em 2022. Lula permaneceu, ao longo da maior parte da apuração, cerca de seis pontos percentuais aquém do próprio desempenho no primeiro turno de quatro anos atrás. Contra Jair Bolsonaro, o presidente virou a apuração quando havia cerca de 70% das urnas contabilizadas. Veja a evolução dos votos durante a contagem. (Globo)
Com o resultado, Lula perdeu 3,4 milhões de votos entre 2022 e 2026 e teve pior votação, em porcentagem de votos válidos, desde 1998, quando perdeu já no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso. (CNN Brasil)
Flávio Bolsonaro não escondia a alegria com o resultado, mesmo ainda tendo um segundo turno pela frente. O senador disse estar confiante de que será eleito presidente, o que, segundo ele, marcará “o fim da era do PT”. “Estou muito feliz com o resultado, são quase 56 milhões de brasileiros que me deram esse voto de confiança, para mudança. A palavra é mudança”, declarou. (CNN Brasil)
Já o presidente Lula admitiu que o segundo lugar foi “inesperado”, já que imaginava vencer ainda no primeiro turno — o que não aconteceu em qualquer uma das eleições que venceu. Ao discursar para correligionários em São Paulo, porém, Lula se disse confiante na vitória sobre Flávio Bolsonaro, classificando o segundo turno como a “prova dos nove”. “Eu sou muito bom no mata-mata. No tête-à-tête. Aí, nós vamos ver quais são os projetos que o país tem”, disse o presidente. (g1)
Uma das frentes do segundo turno será levar para as urnas quem preferiu não participar. Pela primeira vez desde 1998, a abstenção em uma eleição presidencial ficou acima de 21%. De acordo com o TSE, 21,09% dos eleitores não apareceram para votar. (Globo)
A diáspora brasileira foi na contramão do voto doméstico. Lula venceu em 52 países, enquanto Flávio Bolsonaro liderou em 33, incluindo os Estados Unidos, onde está o maior número de eleitores brasileiros no exterior. (Poder360)
Computados os votos, começa a disputa pelos eleitores dos candidatos que ficaram de fora do segundo turno. Reconhecendo que o quarto lugar ficou distante de suas expectativas, Renan Santos disse que não vai apoiar ninguém e liberou os militantes do MBL e do Missão. A postura é a mesma de Augusto Cury, o terceiro colocado. O escritor voltou a pregar o “fim da polarização” e parabenizou Lula e Flávio Bolsonaro, mas disse que não vai apoiar qualquer um dos dois na nova rodada. Após dizer que “caiu de pé”, Ronaldo Caiado informou que discutiria o segundo turno com a cúpula do PSD, mas, pouco depois, o presidente do partido, Gilberto Kassab, anunciou que a legenda ficará neutra, liberando os diretórios regionais para acordos locais. (Globo)
O fim está próximo
Spacca

O PL não tem do que reclamar no primeiro turno das eleições. Além da liderança de Flávio Bolsonaro, o partido viu Nikolas Ferreira (MG) se tornar o deputado federal mais votado na história do Brasil, com mais de 3 milhões de votos. A conquista mais emblemática, porém, foi no Senado. O partido elegeu 19 senadores e, com os nove que estão em meio de mandato, terá 28 parlamentares na casa, a segunda maior bancada desde a redemocratização. Como explica Malu Gaspar, esse resultado pode elevar a tensão com o STF, já que, incluindo senadores de outros partidos, o grupo que defende o impeachment de ministros do Supremo deve chegar a 51 nomes, apenas três a menos que o mínimo exigido pela mudança que Gilmar Mendes determinou na lei do impeachment. (Globo)
Além de obter a maior bancada, o PL fez a dobradinha para o Senado em cinco unidades da Federação: DF (Michele Bolsonaro e Bia Kicis), MS (Reinaldo Azambuja e Capitão Contar), RJ (Carlos Portinho e Carlos Jordy), RD (Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid) e SC (Carol de Toni e Carlos Bolsonaro). O PT, que elegeu seis senadores, só ficou com as duas vagas na Bahia, com Rui Costa e Jaques Wagner. (Valor)
O clã Bolsonaro se elegeu em peso. Além de Michelle e Carlos, Jair Renan (filho caçula, deputado federal por SC) e Renato Bolsonaro (irmão, deputado federal por SP) conseguiram uma vaga no Congresso. Do outro lado, nomes históricos e ex-ministros do PT não conseguiram se eleger. José Dirceu, Rui Falcão, Paulo Teixeira e Gleisi Hoffmann foram alguns dos que ficaram de fora. (UOL)
Confira a lista completa de deputados federais eleitos por estado. (Terra)
E veja a lista completa de senadores eleitos por estado. (g1)
As eleições deste domingo registraram o maior número de governadores eleitos no primeiro turno neste século. Ao menos 20 estados definiram a disputa já na primeira etapa, enquanto cinco estados e o Distrito Federal terão segundo turno. O recorde anterior havia sido registrado em 2010, quando 18 governadores foram eleitos no primeiro turno. A eleição também foi marcada pelo elevado número de governadores reconduzidos ao cargo. (Folha)
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi reeleito neste domingo e garantiu um novo mandato já no primeiro turno. A vitória amplia o peso político de Tarcísio e o coloca entre os nomes com potencial para disputar a Presidência em 2030. (Estadão)
No Rio, a eleição está indefinida por conta de uma questão judicial. Com os votos de Anthony Garotinho sub judice, não é possível saber se a eleição no Estado irá para o segundo turno ou não. Se a Justiça decidir que os votos de Garotinho não têm validade, Douglas Ruas (PL) estará eleito no 1º turno. Porém, se o TSE entender que eles são válidos, Ruas vai disputar o segundo turno contra Eduardo Paes (PSD). (Globo)
Já o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais com vitória já no primeiro turno. Cleitinho, de 44 anos, chegará ao governo de Minas depois de uma trajetória política iniciada há apenas dez anos e sem ter ocupado anteriormente um cargo no Executivo. (Estado de Minas)
Raquel Lyra (PSD) foi reeleita governadora de Pernambuco e garantiu mais quatro anos no comando do estado. Com 96,25% das seções apuradas, ela tinha 53,21% dos votos válidos, segundo o TSE. João Campos (PSB) terminou em segundo lugar, com 44,84%.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também foi reeleito no primeiro turno. Com 95,02% das urnas apuradas, o petista tinha 55,26% dos votos válidos, contra 44,25% do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). (Jota)
No restante da Região Nordeste, em apenas um estado a eleição para governador não terminou no 1º turno. Nos demais, tudo foi definido neste domingo. Em Alagoas, JHC, do PSDB, foi eleito governador com 52,15% dos votos válidos. No Ceará a vitória foi de Elmano de Freitas (PT), reeleito governador do estado. Ele venceu Ciro Gomes com 53,07% dos votos válidos. Na Paraíba, Lucas Ribeiro, do Progressistas, foi eleito com 64,30% dos votos. No Piauí, Rafael Fonteles (PT) foi reeleito governador no 1º turno, enquanto no Sergipe a vitória ficou com Fábio (PSD), também reeleito. No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) foi eleito governador no 1º turno com mais de 54% dos votos válidos.
A região Sul do país não terá segundo turno. No Rio Grande do Sul, o deputado federal Luciano Zucco (PL) foi eleito com folga sobre sua principal adversária, Juliana Brizola (PDT). O ex-juiz Sérgio Moro (PL) teve mais dificuldades que seu colega gaúcho, mas assegurou a vitória no 1º turno com pouco mais de 50% dos votos válidos. Em Santa Catarina, o governador Jorginho Melo (PL) foi reeleito com quase 69% dos votos válidos. (UOL)
Na Região Norte, em quatro estados as eleições para governador também terminaram no 1º turno. No Pará, Dr. Daniel (Podemos) surpreendeu a governadora Hana Ghassan (MDB) e se elegeu no primeiro turno com mais de 51% dos votos válidos. Em Rondônia, o candidato do PL, Marcos Rogério, foi eleito com mais de 55% dos votos válidos. No Amapá o resultado foi inverso. Dr. Furlan, do PSD venceu as eleições no 1º turno com mais de 60% dos votos válidos. Em Roraima a vitória também foi do PL. Arthur Henrique foi eleito governador com quase 70% dos votos válidos. (g1)
No Centro-Oeste, apenas no Distrito Federal a eleição não foi resolvida no 1º turno. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) superou Wilder Morais e foi eleito neste domingo com 59% dos votos válidos. Já em Mato Grosso Otaviano Pivetta (Republicanos) foi eleito com mais de 60% dos votos válidos, enquanto no Mato Grosso do Sul Eduardo Riedel (PP) venceu a disputa com 67% dos votos válidos. (CNN Brasil)
As eleições para governador foram para o segundo turno em apenas cinco estados - incluindo aí o Rio de Janeiro - e o Distrito Federal. Ainda vão para as urnas o Acre, o Amazonas, o Tocantins e o Rio Grande do Norte, além do DF. (TSE)
Pedro Doria: “Se há o desejo de iniciar uma recuperação, é muito importante que a esquerda entenda que está falando com a elite, que perdeu a capacidade de falar com o povo.” (Meio)
Dora Kramer: “Os principais partidos não fizeram ofertas, estavam interessados só na eleição para o Congresso. Os principais candidatos presidenciais não oferecem nada que seja de nível”. (Meio)
Magno Karl: “O jovem hoje vê Lula como establishment. Ele não conseguiu atrair esse voto mais jovem, que estava em disputa e que ele atraiu em 2022.” (Meio)
Flávia Tavares: “Pode-se rejeitar ambos, mas o eleitor sabe o que cada grupo político representa. O saldo é: o Brasil está dizendo que quer o PL, quer Flávio Bolsonaro e quer essa direita mais dura.” (Meio)
O Meio nasceu há dez anos como uma newsletter enviada todas as manhãs. De lá para cá, cresceu para podcasts, vídeos, lives e uma plataforma própria de streaming. Tudo isso foi viabilizado pelos assinantes do Meio Premium: é a assinatura deles que mantém esse jornalismo funcionando, inclusive o que você lê de graça todos os dias. Junte-se a eles e assista às séries e aos documentários originais do streaming do Meio, no celular ou na TV. O plano mensal custa R$ 15 e não tem fidelidade. Assine.

Viver
Os cientistas Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel foram anunciados nesta manhã como vencedores do Nobel de Medicina por suas descobertas sobre canais iônicos ativados pela luz e optogenética, que abrem um novo campo para a neurociência. (NobelPrize.org)

Cultura
O filme Vingadores: Ultimato voltou ao topo das maiores bilheterias da história do cinema e tirou o posto de Avatar, com US$ 2,925 bilhões arrecadados no mundo contra US$ 2,923 bilhões do longa de James Cameron. A virada veio com o relançamento do filme da Marvel, que a Disney colocou de volta nos cinemas para aumentar a expectativa em torno de Vingadores: Doomsday, previsto para dezembro. (Variety)

Cotidiano Digital
O presidente Donald Trump nomeou neste domingo o diretor de inteligência nacional dos EUA Jay Clayton para acumular o cargo de “czar da inteligência artificial” da Casa Branca. Clayton vai comandar a recém-anunciada Força de Superinteligência, que deve coordenar a relação do governo com empresas do setor, consumidores, grupos religiosos e operadores de infraestrutura. Antes de chefiar as 18 agências de inteligência do país, ele foi procurador federal em Manhattan e presidiu a SEC no primeiro mandato de Trump. (Guardian)
Aliás, Elon Musk disse que vai mudar o nome da divisão de inteligência artificial da SpaceX de SpaceXAI para SpaceXSI, depois da pressão de Donald Trump pelo uso do termo superinteligência. No mês passadoTrump pediu que o governo deixasse de usar a expressão inteligência artificial. (Reuters)

A apuração mostrou em quem o Brasil votou. Na última Edição de Sábado, você descobre o porquê. Boa parte dessa resposta está com as mulheres: maioria do eleitorado e maioria entre quem chegou aos últimos dias sem candidato a presidente. Flávia Tavares e Leonardo Pimentel foram a campo ouvir o que elas esperavam da campanha, e se alguém estava falando com elas. E ainda: para relaxar depois da agitação das eleições, a equipe fez uma curadoria especial de filmes e séries, exclusiva para assinantes Premium. Leia agora.


