Flávio Bolsonaro e Lula disputarão segundo turno da eleição presidencial

Senador do PL termina o primeiro turno à frente
Deu no O Globo
Durante a reta final da campanha, Lula e Flávio estiveram praticamente o tempo inteiro empatados na margem de erro nas principais pesquisas eleitorais. No último sábado, a Quaest apontava 46% dos votos válidos para o petista contra 45% para o senador do PL, e o Datafolha, 45% e 42%, respectivamente.
DESCRÉDITO – O senador começou a disputa desacreditado inclusive pelos petistas. Por conta disso, não conseguiu agregar nenhum outro partido a sua coligação, nem mesmo legendas do Centrão que orbitam o movimento político liderado por Jair Bolsonaro.
Além disso, outros dois episódios abalaram a pré-campanha: em maio, Flávio teve revelada sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele justificou o recebimento de R$ 61 milhões como um financiamento para o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair. Depois, em junho, o senador sofreu desgastes públicos por uma briga com a madrasta Michelle Bolsonaro. A relação familiar, no entanto, foi acertada ainda em junho com um pedido de desculpas público do candidato.
SUSPEITAS – Já Lula teve que lidar com as suspeitas envolvendo a relação da empresária Roberta Luchsinger, com seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele diz acreditar na inocência de ambos. Depois, sofreu com a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial as acusações contra Alexandre de Moraes no caso Master.
Com a proximidade de Flávio nas pesquisas, Lula reagiu com um pacote de bondades e medidas populares. O petista conseguiu destravar o avanço do fim da escala 6×1 no Senado, decretou a proibição imediata das bets e cassinos on-line no país e aumentou o valor do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691, a poucas semanas da eleição.
SEM DEBATE – Lula e Flávio não se encontraram nenhuma vez durante a campanha eleitoral de 2026. Os dois faltaram ao debate da Rede Bandeirantes, em agosto, e depois decidiram não comparecer ao encontro da TV Globo, marcado para a última quinta-feira e que acabaria cancelado.
Esta é a sétima vez que Lula concorre à Presidência. Em 1989, na primeira eleição direta do país após a redemocratização, o ex-metalúrgico foi derrotado por Fernando Collor (PRN) no segundo turno por uma diferença de pouco mais de 4 milhões de votos (53% a 47%).
Nos dois pleitos seguintes — primeiro com Aloizio Mercadante (hoje seu coordenador de plano de governo) e depois com Leonel Brizola (PDT) como vice —, foi superado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em primeiro turno. A vitória, enfim, veio em 2002, superando José Serra (PSDB), seguida de reeleição contra o então tucano Geraldo Alckmin, hoje vice na sua chapa pelo PSB. Por fim, triunfou sobre Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
IMPEACHMENT – Depois de deixar a Presidência em 2010, com 87% de aprovação, o petista viu sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), sofrer um processo de impeachment (2016); ficou preso por 580 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro (2018-2019); e teve as condenações anuladas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2022, 1.087 dias depois de deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, tornou-se o primeiro brasileiro da História a ser eleito três vezes para o principal cargo do Executivo — e agora tenta renovar o recorde com a reeleição.
Já Flávio, de 45 anos, começou cedo na política, assumindo seu primeiro mandato como deputado estadual no Rio em 2002, quando tinha 21 anos. Na época, o sobrenome do pai, que já era deputado federal há mais de uma década, o ajudou a ser eleito. Antes, aos 19, havia sido nomeado em um cargo na Câmara dos Deputados, no gabinete da liderança do PPB, partido ao qual Jair Bolsonaro era filiado na época. No mesmo período em que estava lotado no cargo, que previa presença em Brasília, o hoje senador cursava Direito em uma universidade do Rio, também presencial.
CADEIRA NO SENADO – Após 15 anos como deputado estadual, Flávio conquistou uma cadeira no Senado, em 2018, na esteira da onda bolsonarista que levou o pai ao Palácio do Planalto. No ano seguinte, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio sob suspeita de manter um esquema de “rachadinha” — quando há o desvio irregular de parte dos salários dos funcionários — em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O caso foi paralisado sem que o mérito das acusações fosse julgado, após controvérsias em torno do foro privilegiado do senador e da legalidade das provas. Isso enfraqueceu a acusação, levando-a ao arquivamento em 2022.
Durante a campanha, com o avanço das investigações sobre o Master e a revelação da relação de Vorcaro com outras autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio passou a explorar o caso a seu favor. Em agosto, pesquisas já mostravam que as diferenças nas projeções de segundo turno entre ele e Lula não existiam mais. Em setembro, Flávio chegou a aparecer à frente numericamente, segundo levantamento da Quaest, mas voltou a ser ultrapassado pelo petista.