sexta-feira, outubro 14, 2022

Piada do Ano! Tesouro quer impor limites para Judiciário e Legislativo no teto de gastos


Teto de gastos e as emendas | Charges | O Liberal

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Idiana Tomazelli
Folha

A proposta do Tesouro Nacional para um novo desenho do teto de gastos sugere a aplicação de um limite mais rígido para o crescimento das despesas de outros Poderes, como Judiciário e Legislativo, e também para gastos com pessoal no Executivo. Dessa forma, demais despesas (como Previdência, Auxílio Brasil, saúde, educação e investimentos, entre outras) teriam prioridade no espaço adicional gerado a partir da flexibilização da regra fiscal —que permitiria correção dos gastos acima da inflação.

A discussão tem sido colocada pelo órgão do Ministério da Economia como uma sugestão. Por isso, ela ainda não integra oficialmente a proposta que vem sendo apresentada a interlocutores de fora do governo, embora seja considerada relevante para auxiliar na sustentabilidade das contas públicas.

NOVA REGRA – Como antecipou a Folha, o Tesouro Nacional trabalha em uma reformulação do teto de gastos que autoriza o crescimento real das despesas conforme o nível e a trajetória da dívida pública, a uma taxa a ser definida a cada dois anos. A regra também concede um bônus anual de ampliação dos gastos em caso de melhora do superávit nas contas públicas.

A proposta está em fase final de elaboração e deve ser divulgada em novembro. “Independentemente de quem for o vencedor da eleição, a gente quer contribuir com o debate. Esse é o papel que cabe ao Tesouro”, disse o secretário do órgão, Paulo Valle, em entrevista coletiva em 29 de setembro.

Hoje, o limite de despesas é corrigido apenas pela inflação. Pelo desenho preliminar, o novo teto poderia ter um crescimento real de 0% a 1%, caso o endividamento esteja aumentando. Mas o ganho poderia ser maior, de 0,5% a 2%, se a trajetória da dívida for de queda.

DEPENDE DA DÍVIDA – O percentual exato a ser aplicado dependeria do nível de endividamento. Além disso, o governo poderia ter um bônus de 0,5 ponto porcentual caso o resultado primário (diferença entre receitas e despesas) seja positivo e também mostre melhora com o passar dos anos.

A sugestão de incluir limites diferenciados para os demais Poderes busca evitar que esses órgãos incorporem para si ganhos que deveriam ser direcionados para políticas públicas, cuja realização está concentrada nas mãos do Poder Executivo.

No formato atual do teto, não há diferenças entre os Poderes e a mesma variação é aplicada aos limites individuais de Executivo, Judiciário, Legislativo, Ministério Público e Defensoria Pública.

EM ANO ELEITORAL – Por isso, quando o governo Jair Bolsonaro (PL) articulou, no fim de 2021, uma mudança na correção do teto de gastos para conseguir gastar mais em ano eleitoral, os demais Poderes também foram beneficiados. Eles acumulam juntos uma sobra de R$ 2,7 bilhões em 2022 e já planejam usar o espaço para conceder reajustes salariais a seus servidores no ano que vem.

Enquanto isso, o Executivo precisou bloquear R$ 10,5 bilhões de suas despesas neste ano e vê seu volume de investimentos cair ano a ano. Entre as explicações estão a ausência de revisão em outros gastos e o crescimento mais acelerado de rubricas como a Previdência, afetada por outros fatores —como o envelhecimento da população.

A premissa dos técnicos é que o mais apropriado seria flexibilizar o teto para permitir ampliação de investimentos, um tipo de gasto mais nobre e com retorno social elevado, e proporcionar melhor acomodação de benefícios sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Só pode ser Piada do Ano! Como imaginar que Judiciário e Legislativo irão aceitar corte de gastos para beneficiar Educação e Saúde? Eles estão lá em cima, pouco ligando para o que acontece aqui baixo… Mas vem chegando o Natal e os burocratas do Tesouro certamente sonham com Papai Noel num outro mundo. (C.N.)   

Bolsonaro tenta intimidar o país




Nos últimos dias, Bolsonaro renovou ameaças e provocações. Impede as Forças Armadas de divulgar relatório e convoca seguidores a cercar seções

Por Míriam Leitão (foto)

É vergonhoso para as Forças Armadas a não divulgação do relatório da fiscalização da votação, pelo qual tanto se empenharam. Desta forma, elas perdem a credibilidade. Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro convoca seus seguidores a permanecerem nas seções eleitorais após votar. Isso é intimidação do eleitor e pode caracterizar cerceamento do voto. Isso tudo numa semana em que o presidente, o vice-presidente e o líder do governo na Câmara ameaçam interferência no Supremo, com aumento do número de ministros, após as eleições.

As ameaças institucionais continuam diariamente. O filho do presidente, Flávio, e coordenador da campanha, disse ao GLOBO: “Vocês estão vendo o presidente muito mais calmo, a cada dia mais preparado, com a inteligência emocional cada vez melhor.” Evidentemente, ninguém está vendo isso. A campanha quer passar a ideia para afastar os temores que o candidato propaga.

A reportagem da Malu Gaspar, Rafael Moraes Moura e Alice Cravo publicada neste jornal é claríssima. Num esforço dos jornalistas, eles conseguiram ouvir de três generais, dois deles do Alto Comando, que o relatório está pronto e não mostra qualquer problema com as urnas eletrônicas. Mas o presidente da República determinou que não fosse divulgado. O TCU está em cima, felizmente. É vergonhoso, e essa palavra ouvi de alta autoridade brasileira, que as Forças Armadas se deixem usar dessa maneira para atender aos propósitos eleitorais de um candidato. Sim, candidato. Bolsonaro é comandante em chefe das Forças Armadas apenas para as questões do Estado brasileiro. Como um dos que disputam o próximo mandato, não tem essa autoridade. Elas ficarem submissas e subservientes a ele só aumentou o nível da vergonha e a dimensão da perda de credibilidade.

A ameaça de mudar o número de ministros do Supremo foi feita pelo presidente em entrevista à “Veja”, depois repetida por ele em falas sequenciais. O vice-presidente Hamilton Mourão respaldou a ameaça, em entrevista a Julia Duailibi e Tiago Eltz, da Globonews, acrescentando outros detalhes a serem alterados no STF como o mandato dos ministros e as decisões monocráticas. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, explicou em entrevista a Andréia Sadi, no Estudio i, que era necessário “enquadrar” o Supremo. Pois, apesar dessas abundantes declarações, Bolsonaro, durante campanha em Pelotas, disse para os jornalistas “vocês inventaram isso. Eu falei que isso não estava no plano do governo e botaram na minha conta”. Antes que alguém afirme que ele “recuou” da proposta, quero repetir: Bolsonaro mentiu quando disse que a imprensa inventou. Ele afirmou, repetiu e seu entorno também disse. Mas, seu aliado Arthur Lira alertou: “Não é o momento adequado”. É preciso não se deixar enganar. O plano é esse, e apenas Lira avisa que não é a hora certa de falar isso, antes das eleições de segundo turno. Porém, foi o presidente que iniciou essa conversa.

O professor de Direito da FGV Oscar Vilhena, em esclarecedor artigo ontem na “Folha de S.Paulo”, historiou o assunto. Foi defendida por Hitler em 1930 na escalada nazista. Foi praticada no Brasil pelas ditaduras de Getúlio e dos militares. Foi aplicada por Hugo Chávez. “O general Mourão, que serviu como adido militar brasileiro na Venezuela, certamente conhece o desfecho dessa história”, escreveu o articulista. Foi adotada também por Viktor Orbán, na Hungria, por Recep Erdogan, na Turquia, que, em seguida, determinou a prisão de 2.745 juízes turcos. Esse é o caminho de se destruir a democracia. E foi o que Bolsonaro disse que deixou para depois das eleições.

Enquanto isso, e com efeito imediato, o presidente convoca seus seguidores a ameaçarem as seções eleitorais. “No próximo dia 30, vamos votar, e mais do que isso, vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração do resultado”, afirmou Bolsonaro e mais uma vez disse que desconfia do resultado das urnas. Os partidos precisam fazer uma representação contra isso, o mais rápido possível. Isso é uma forma de intimidação e pode resultar num cerceamento do direito de voto.

Bolsonaro nunca moderou-se, nunca recuou de seu projeto. Ele quer tumultuar o país se não for reeleito. E se o for, ele seguirá com o seu plano de desmanche das instituições. Como tenho dito aqui, não ver esse risco é o maior dos riscos.

O Globo

Moraes diz que País enfrenta ‘2ª geração’ de fake news nas eleições deste ano




O presidente Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, afirmou nesta quinta-feira, 13, que o segundo turno das eleições deste ano criou uma "segunda geração" de notícias falsas. Para o ministro, os criadores de fake news têm simultaneamente manipulado premissas verdadeiras para chegar a conclusões inverídicas. Outro artifício, segundo Moraes, é o uso de informações veiculadas pelas mídias tradicionais para plantar conteúdos desinformativos que são replicados pelas campanhas.

"Não se pode admitir mídia tradicional de aluguel, que faz uma suposta informação jornalística absolutamente fraudulenta para permitir que se replique isso. Esses casos cresceram muito a partir do segundo turno, e devem ser combatidos para garantir a informação de verdade", afirmou Moraes.

As afirmações do presidente do TSE foram feitas durante o julgamento da produtora de vídeos Brasil Paralelo, acusada de utilizar os artifícios mencionados por Moraes para atacar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Corte determinou a empresa apague nas próximas 24 horas publicação realizada no Twitter em que relaciona o candidato do PT a esquemas de corrupção ocorridos durante o seu primeiro mandato, em 2006, mas dos quais não há prova do seu envolvimento. A decisão, por quatro votos a três, derruba uma liminar concedida anteriormente pelo ministro Paulo Tarso Sanseverino, que havia autorizado a manutenção da postagem.

Sanseverino justificou em seu voto que a publicação realizada pela Brasil Paralelo consiste em vídeo "estruturado com matérias jornalísticas e que apresenta conteúdo crítico ao governo do Partido dos Trabalhadores e de Luiz Inácio Lula da Silva", o que não justificaria a remoção por se encontrar dentro dos limites da liberdade de expressão. Ele foi acompanhado integralmente pelos ministros Sergio Banhos e Carlos Horbach. "A publicidade não transmite, como alegado, informação gravemente descontextualizada ou suportada por fatos sabidamente inverídicos, que extrapole o debate político e o direito à crítica inerente ao processo eleitoral, a ponto de justificar a interferência desta Justiça especializada", afirmou.

O vice-presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, divergiu e apontou "grave desordem informacional" nos vídeos da produtora ao tentar atribuir a Lula escândalos de corrupção dos quais não há indícios da sua participação, tampouco relação com o Poder Executivo. Na publicação, a Brasil Paralelo afirma que 2006 foi o ano da corrupção e passa a elencar dezenas de denúncias ocorridas no período. Lula, porém, nunca chegou a responder judicialmente por alguns dos esquemas encontrados naquele ano, como o da chamada máfia dos sanguessugas.

"Considero grave a desordem informacional apresentada, como tal, apta a comprometer a autodeterminação coletiva, a livre expressão e a livre formação da vontade do eleitor", afirmou Lewandowski. "O discurso falso não apenas esgarça o tecido social, mas também sufoca a expressão do que lhe é antagônico, efeito social nocivo que essa corte não pode permitir", prosseguiu.

Lewandowski foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Benedito Gonçalves. O ministro Moraes, que preside a Corte, afirmou que a produtora Brasil Paralelo utilizou informações verdadeiras para apresentar ao público das redes sociais uma conclusão falsa, o que, segundo ele, caracteriza tentativa de "manipulação de premissas'. Já a ministra Cármen explicou que "a desinformação contempla as mentiras e descontextualizações, que levam a uma desordem de informação, gerando ilação ou conclusão oposta àquela que se tem nos fatos".

Fake news religiosa e 'lulaflix'

Na última quarta-feira, 12, a ministra Maria Cláudia Bucchianeri determinou a remoção de conteúdos das redes sociais que acusam falsamente presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de dizer que venceria as eleições "com ajuda do pai Xangô" e que iria acabar com o cristianismo. A publicação falsa foi feita por um perfil no Twitter que tentava se apresentar como a conta oficial de Lula.

"Os representados, ao que tudo indica, estão compartilhando um tuíte montado, fraudulento, jamais postado pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em claríssima e gravíssima situação configuradora desinformação, a impor imediata atuação corretiva desta Justiça Eleitoral", escreveu a ministra na decisão.

Bucchianeri , contudo, também negou a remoção do site "Lulaflix" da internet. A página tem feito ataques ao candidato do PT e rememora uma série de reportagens antigas com denúncias de corrupção envolvendo o ex-presidente. Durante a sessão desta quinta-feira, a ministra argumentou não ser possível excluir por completo um canal da internet, pois nem todos os conteúdos publicados pela página se tratam de notícias falsas e propaganda negativa contra o ex-presidente Lula. Ela foi acompanhada apenas pelo ministro Sergio Banhos. Entre os demais ministros prevaleceu o voto do vice-presidente Ricardo Lewandowski, que manteve a página no ar, mas determinou a remoção de um vídeo com menção ao chamado "kit gay". A Corte ainda determinou que os responsáveis pelo site alterem nas próximas 24 horas o layout para constar que se trata de propaganda eleitoral.

Estadão / Dinheiro Rural

Políticos pagaram R$ 13 milhões por pesquisas que agora criticam




O partido que mais desembolsou dinheiro com pesquisas foi o União Brasil, com R$ 5,6 milhões gastos durante a campanha

Os partidos que defendem punição aos institutos de pesquisas, com penas que chegam até 10 anos de prisão para os responsáveis, gastaram R$ 13,5 milhões para realizar esses levantamentos durante a campanha deste ano. Recursos públicos do fundo eleitoral foram utilizados por PL, PP, União Brasil, PSC e Podemos. O levantamento considera os gastos de partidos e candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

PL, PP, União Brasil e PSC apoiam um projeto de lei de criminalização dos erros dos institutos. Já o Podemos tenta criar no Senado uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as empresas no Congresso. Todos os partidos usaram verbas para realizar pesquisas de intenção de voto e mapear o interesses dos eleitores.

O partido que mais desembolsou dinheiro com pesquisas foi o União Brasil, com R$ 5,6 milhões gastos durante a campanha. O candidato da legenda ao governo de Pernambuco, Miguel Coelho, derrotado na disputa, contratou o instituto Alfa Inteligência por R$ 840,9 mil para fazer pesquisas de opinião qualitativas, tipo de levantamento que capta a impressão dos eleitores sobre um determinado assunto ou político. O União assinou o requerimento de urgência para colocar o projeto em votação no plenário da Câmara.

O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, gastou R$ 4,6 milhões para realizar pesquisas. O próprio presidente usou R$ 2,2 milhões do fundo partidário para contratar pesquisas eleitorais de dois institutos durante o primeiro turno da disputa. Bolsonaro foi o candidato que mais gastou recursos da campanha com esses levantamentos. A campanha contratou a Cota Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública por R$ 1,7 milhão e o Ibespe Estudos & Marketing por R$ 500 mil para realizar e fornecer pesquisas eleitorais ao candidato.

Durante a campanha, quando aparecia atrás do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na preferência do eleitorado, Bolsonaro declarava não acreditar em pesquisas. Na noite do primeiro turno, após o fechamento das urnas, no último dia 2, ele voltou a criticar os responsáveis pelos levantamentos diante do resultado. O presidente obteve 43% dos votos, um porcentual maior do que aparecia nas pesquisas dos institutos. "Desmoralizou de vez os institutos de pesquisa. Acho que não vão continuar fazendo", disse Bolsonaro a um grupo de apoiadores no Palácio da Alvorada.

O presidente e ministros inclusive passaram a incentivar que os eleitores bolsonaristas não respondam às pesquisas. Institutos argumentaram que os erros se devem à alta abstenção entre segmentos mais favoráveis a Lula e a mudanças no comportamento do eleitor.

A base de Bolsonaro tenta aprovar um projeto de lei para punir os institutos de pesquisa. A proposta é defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O texto, de autoria do líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), estabelece punição para quem errar o resultado da eleição fora da margem de erro, com prisão de quatro a dez anos para o estatístico responsável.

Aliados do governo tentaram votar o projeto na terça-feira, 11, véspera de feriado, mas a iniciativa fracassou por falta de acordo. Não há data marcada para nova votação.

Autor do projeto que pune os responsáveis das empresas com prisão, o líder do governo também usou o dinheiro da eleição para contratar pesquisas. Ricardo Barros gastou R$ 45 mil para realizar pesquisas quantitativas com o instituto Data Vox Brasil durante sua campanha à reeleição. Barros foi eleito para mais um mandato na Câmara pelo Paraná e trabalha pela reeleição de Bolsonaro.

CPI

Além da punição pela alteração na lei, a base governista pressiona o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os institutos de pesquisa na Casa. Um requerimento com assinaturas suficientes já foi apresentado. Pacheco prometeu avaliar a instalação, mas já avisou que nenhuma CPI vai funcionar durante o período eleitoral.

Na terça-feira, Pacheco se posicionou contra o projeto patrocinado pelo governo na Câmara. "É um texto, especialmente na parte penal, que eu vi, absolutamente inadequado porque pune muito severamente um erro", disse o presidente do Senado, ao citar que a pena prevista na proposta supera a prisão determinada para os crimes de peculato e corrupção.

O líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), declarou que assinou o requerimento de urgência para o projeto de Ricardo Barros, mas que vai trabalhar para alterar o texto na busca de um acordo que permita a iniciativa ser aprovada. Questionado sobre as pesquisas contratadas pelo União, o deputado evitou dizer se elas erraram, mas defendeu uma apuração de todos os institutos de pesquisa. "Temos que investigar para não ser leviano (sic.)", afirmou.

Procurado, o Podemos disse que não ia comentar. PL, PP, PSC e o deputado Ricardo Barros não responderam à reportagem.

Estadão / Dinheiro Rural

Católico ou evangélico: qual é a religião de Jair Bolsonaro?




Frequentador de cultos evangélicos, o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) participou nesta quarta-feira, 12, de celebrações católicas do Dia de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, onde o arcebispo Dom Orlando Brandes cobrou "identidade religiosa" dos fiéis. A confusão sobre a fé do presidente é comum: muitos acreditam que ele seja evangélico, no entanto, o chefe do Executivo se diz católico.

Em 2015, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro publicou um tweet dizendo que era católico e que seus dois filhos mais velhos, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador do Rio Carlos Bolsonaro, frequentavam igrejas batistas. A evangélica mais conhecida da família, entretanto, é a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

No ano seguinte, enquanto corria no Senado o processo pela admissibilidade do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff (PT), em um movimento simbólico, Bolsonaro foi batizado no Rio Jordão, em Jerusalém, pelo evangélico Pastor Everaldo. Em 2020, conforme mostrou o Estadão, o religioso foi preso na Operação Placebo, que também afastou o então governador do Rio, Wilson Witzel.

Manipulação religiosa

Em entrevista ao portal de notícias DW Brasil, a pastora luterana Romi Bencke, articuladora de um pedido de impeachment contra Bolsonaro em 2021, falou que o presidente é um tipo "híbrido de religioso" e o acusou de "manipulação religiosa". "Ele é católico, mas se rebatizou, no Rio Jordão, por um pastor evangélico, sem negar, como dizem os evangélicos, o batismo anterior".

Conforme levantamento Genial/Quaest divulgado pela jornalista Mônica Bergamo, há grande confusão entre os evangélicos sobre a fé de Bolsonaro. Metade deles (50%) acredita que ele também seja evangélico. Só 16% acertaram a identidade religiosa dele.

Entre os católicos, a confusão também se dá. Segundo o mesmo levantamento, 32% acham que o mandatário seja evangélico, ante 17% que acertam sua religião como católica.

Conforme dados de pesquisa Genial/Quaest divulgados na semana passada, no primeiro turno Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o favorito entre os católicos: 41% deles disseram ter votado no petista, ante 27% em Bolsonaro. Já entre os evangélicos, o atual presidente obteve 49% dos votos e Lula, 19%.

Estadão / Dinheiro Rural

O papel de FHC no apoio a Lula




Eduardo Leite pecou por excesso de ambição; pode ficar sem nada

Por Cristiano Romero (foto)

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva trataram, nos bastidores, do apoio dos tucanos ao petista. Presidente emérito do PSDB, FHC deixou claro que não poderia defender aliança já no primeiro turno da eleição, mesmo sabendo que o partido não teria um candidato competitivo.

As primeiras conversas ocorreram em março do ano passado, quando ambos fizeram diagnóstico convergente sobre a extrema polarização que caracteriza a política brasileira neste momento. Trata-se de fenômeno nada parecido com a disputa protagonizada pelo PSDB e o PT durante vinte anos (entre as eleições de 1994 e 2014). Concluída essa análise, FHC e Lula também convergiram sobre a necessidade de formação de uma frente ampla para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (PL) no pleito deste ano.

Fernando Henrique jamais acreditou na emergência de uma “terceira via” competitiva. Amigo de João Doria, elogiou a gestão do tucano no governo de São Paulo e defendeu oficialmente seu direito de disputar a Presidência da República, conquistado em eleição prévia e, depois, “cassado” pela cúpula do próprio PSDB. FHC não apostava, porém, na possibilidade de Doria tornar-se competitivo frente a Bolsonaro e Lula.

Indagado certa vez sobre Eduardo Leite, o elogiado ex-governador do Rio Grande do Sul, Fernando Henrique disse o seguinte: “Dizem que ele é bom, mas nunca veio aqui me visitar”. Não se trata de arrogância do único político do PSDB a ser eleito presidente da República - duas vezes (em 1994 e 1998), ambas no primeiro turno, algo inédito desde 1989, quando esse instituto foi adotado no Brasil.

Jovem (37 anos) e novato na política, Eduardo Leite mostrou-se extremamente ambicioso. Elegeu-se governador em 2018 com o apoio decisivo de Bolsonaro. Depois, durante a pandemia, como fizeram outros aliados do presidente naquele pleito, rompeu com o mandatário e, com o apoio de antigas lideranças do PSDB (Aécio Neves e José Aníbal, por exemplo), entrou em disputa renhida contra Doria na eleição prévia para a escolha do candidato do partido à Presidência.

No Rio Grande do Sul, com Eduardo Leite no comando, pela primeira vez, até onde a vista alcança, um governador conseguiu a proeza de promover mudanças institucionais consideradas impopulares e, simultaneamente, ter sua gestão aprovada pela maioria da população. E olha que os gaúchos nunca deram a ninguém o direito de se reeleger.

Entusiasmado com a repercussão de seu desempenho no Estado e entre formadores de opinião de peso nacional, Leite acreditou que seria o candidato tucano à Presidência mesmo se fosse derrotado nas prévias pelo então governador de São Paulo. Incensado por correligionários que lhe asseguravam que Doria seria “cristianizado”, deu relevante contribuição para fragilizar, ainda mais, o partido que sai desta eleição como o maior derrotado.

Os tucanos foram apeados por Bolsonaro da polarização com o PT; perderam São Paulo depois de administrar o Estado mais rico do país por 28 anos; não têm expectativa de poder em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, outrora a segunda maior área de influência da legenda, e agora correm o sério risco de malogro onde, antes da campanha eleitoral, estavam bem - o Rio Grande do Sul de Eduardo Leite.

O fato é que Doria venceu a terceira prévia consecutiva que disputou no PSDB, porém, foi mesmo “cristianizado” pela cúpula da legenda. No entanto, Leite, depois de renunciar ao cargo de governador bem avaliado do Rio Grande do Sul e posar para fotos acompanhado de Aécio Neves e de políticos que jamais embarcariam na campanha do tucano, não ganhou nem no tapetão a candidatura a presidente. E, aí, para desgosto de seu sucessor no Sul, certo de que disputaria a reeleição agora, Leite voltou ao Estado para descumprir promessa feita em 2018 - a de não se candidatar à reeleição.

Todo político se caracteriza pela ambição ao poder, não há nada errado nisso. O pecado de Eduardo Leite foi “entrar no ônibus e já querer se sentar na janela”, como disse certa vez Romário, quando ainda era gênio do futebol em vez de político, sobre seu então técnico no Fluminense, Alexandre Gama, que cometeu a “heresia” de não escalá-lo para vários jogos do time e, também, de afirmar que Ronaldo Fenômeno foi o melhor jogador brasileiro revelado depois de Pelé. Ademais, Leite só procurou FHC depois na véspera das prévias. Tarde demais. Agora, as últimas pesquisas mostram empate técnico entre o tucano e Onyx Lorenzoni, candidato do PL e de Bolsonaro ao governo do Rio Grande do Sul.

FHC explica que, no ambiente de polarização aguda no qual o país vive desde o impeachment de Dilma Rousseff da Presidência, em 2016, Lula e Bolsonaro são as únicas lideranças de expressão nacional. O que acontece agora, em torno do petista, foi antecipado em detalhes pelo ex-presidente no início do ano passado, quando ficou claro para ele que, apesar do negacionismo de Bolsonaro durante a pandemia, fato que teria atrasado a vacinação dos brasileiros e, assim, tornado o país um dos epicentros da contaminação da população pelo vírus da covid-19, o presidente chegaria à eleição deste ano mais competitivo do que se esperava.

“O jogo do poder é um jogo difícil de ganhar do Lula, não é brincadeira, é difícil. Ele sabe. Lula segue a regra. Instintivamente, ele sempre faz isso. Isso não quer dizer que o outro lado não possa transformar o Lula num fantasma outra vez. Pode, independentemente do Lula. É claro que eu não vou contribuir para isso nunca”, disse o ex-presidente. Ele previu a “frente ampla” que se fez em torno do petista, inclusive, com a sua ajuda.

“Bolsonaro é mais extremo que o Lula. Se não aparecer uma [terceira] candidatura, o Lula vai somar essa gente [que hoje faz oposição ao governo] para enfrentá-lo”, disse FHC em março do ano passado.

Ficou claro para Lula que, amparada num grande arco de alianças, sua candidatura em 2022 não poderia simbolizar o que seu adversário o acusa de representar - ideias extremistas de esquerda, associadas ao socialismo, como sempre defenderam algumas tendências do PT. Nasceu dessas conversas a ideia de aproximação do petista do ex-governador Geraldo Alckmin, que, sem espaço no PSDB, filiou-se ao PSB como parte de um acordo para ser candidato a vice na chapa de Lula.

Valor Econômico

Suspeita laranja - Editorial




Há novos sinais de candidatos de fachada à Câmara, hoje mais vital para siglas

O caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções, diz o velho provérbio segundo o qual bons propósitos nem sempre são suficientes para fazer com que algo funcione adequadamente.

Esse é o caso da legislação e das resoluções do TSE que estabelecem cotas de gênero e raça na distribuição da verba do fundo eleitoral.

Pelas regras, os partidos devem destinar parte da verba na proporção das candidatas (nunca menos de 30%) e dos candidatos negros que lançar. O objetivo é elevar a participação de minorias em cargos políticos com mandato.

Na prática, porém, a norma não tem funcionado tão bem. A participação de mulheres e negros tem crescido, mas não na proporção que se desejaria. Além disso, e ainda mais grave, manipulações e até fraudes são investigadas.

Reportagem da Folha mostrou que, neste ano, R$ 50,6 milhões do fundo foram destinados a 1.430 candidatos de cotas a deputado federal que obtiveram menos de 300 votos cada. Alguns desses casos podem ter explicação legítima, mas parece provável que os números escondam tentativas de burla.

O caso expõe um desalinhamento de interesses. Os partidos sempre procuraram constituir as maiores bancadas na Câmara. Recentemente, entretanto, devido a uma série de reformas e decisões judiciais, ser maioria se tornou prioridade para as siglas.

O Supremo Tribunal Federal proibiu doações de empresas, em decisão duvidosa que levou ao advento do ainda mais controverso fundo eleitoral —distribuído conforme o tamanho das bancadas federais. Do lado das medidas corretas, entraram em vigor a cláusula de desempenho e o fim das coligações em eleições proporcionais.

Como o número de deputados é fundamental, a estratégia dos partidos passa a ser investir o máximo nas campanhas dos chamados puxadores de votos ou, ao menos, nas candidaturas tidas como certas.

Nesse contexto, a obrigação de financiar nomes menos conhecidos pode levar partidos a simularem candidaturas de minorias apenas para cumprir as cotas, mas redistribuir o dinheiro para os concorrentes mais competitivos.

Se tal hipótese for confirmada, trata-se de fraude —a repetir escândalo de 2018 envolvendo o PSL, então partido de Jair Bolsonaro, hoje no PL— que precisa ser identificada e punida pela Justiça Eleitoral.

Folha de São Paulo

Não verás eleição nenhuma




Nessa competição, só a urna eletrônica permanece íntegra

Por Conrado Hübner Mendes* (foto)

Eleições são tão essenciais à democracia quanto à autocracia. Eleições distintas, mas nem sempre se percebe como: livres e justas, de um lado; um simulacro mais ou menos disfarçado, de outro. Todo autocrata gosta de brincar de se eleger sem risco. Precisa exibir musculatura. Putin, Chávez, Maduro, Ortega, Orbán, Erdogan, Lukashenko: Bolsonaro joga nessa superliga e as eleições de 2022 já avançam nessa direção.

Eleições podem apresentar graus de autoritarismo quando se tornam jogo assimétrico. Regras são violadas sem consequência e um lado dispõe e usa de recursos de poder incomparáveis ao outro. A ciência política dá contribuições analíticas à avaliação do autoritarismo eleitoral contemporâneo. São lentes para se observar cada variável do processo.

Garantir eleições justas depende da livre formação e expressão da escolha do eleitor. Requer informações públicas confiáveis e ausência de medo. Depende da distribuição transparente e equilibrada de dinheiro de campanha, sujeito à fiscalização, e de instituição de estado imparcial para arbitrar esse jogo.

Sabemos que a reeleição traz problemas para o fair play democrático. O incumbente, que está na cadeira e tenta se reeleger, leva sempre alguma vantagem. A vantagem dada pela máquina de governo, ou pelo "governismo", mesmo sem violar regras eleitorais, é difícil de se neutralizar. Mas aceitamos conviver com essa anomalia. Com esse "fator desequilibrante", diria Tite.

A eleição presidencial de 2022, contudo, não é mais um exemplo da vantagem do governismo. Curiosamente, é a primeira em que o incumbente sai atrás nas pesquisas e é derrotado no primeiro turno. Ao mesmo tempo, a campanha bolsonarista tem cometido violação estrutural e não ordinária das regras do jogo. Descumpre a lei massivamente e desafia instituições de controle. Por fadiga e hesitação, elas não dão conta. Não é governismo, mas bolsonarismo.

Os exemplos de abuso de poder (político, econômico, religioso e midiático) na campanha de Bolsonaro são inéditos e vastos em escala. A utilização do aparato do estado, de recursos orçamentários, de notícia falsa travestida de liberdade de expressão e do pânico moral travestido de liberdade religiosa deveria resultar em sanções como inelegibilidade e cassação de mandato.

Nessa Blitzkrieg, Jair Bolsonaro se utiliza de armas pesadas. A começar pelo assédio institucional permanente às instituições de justiça, sobretudo ao STF e ao TSE; ao envolvimento das Forças Armadas na certificação do pleito, como se fosse atribuição constitucional; a ameaça periódica de golpe; a campanha antecipada e permanente por meio de performances e comícios pelo país; a instrumentalização de feriados nacionais.

Ou a construção de propulsor mastodôntico de corrupção coronelista, que se chamou de "orçamento secreto"; ou o conjunto de auxílios financeiros criados para o período eleitoral, sob o ardil jurídico do estado de emergência; ou o perdão de dívidas. O gasto eleitoreiro, vestido de gasto social, constrói um ambiente econômico artificial insustentável.

A disseminação de notícias falsas e escatológicas, e a transformação de culto religioso em ritual de estelionato espiritual de igreja com partido, completam o arsenal.

O tempo judicial, somado aos remédios modestos que juízes eleitorais dispõem, não acompanha o tempo eleitoral na era da comunicação instantânea. A Justiça Eleitoral continua a perder esse jogo. Não voltaremos a ter pleitos equilibrados sem repensar esse desenho regulatório.

O país não está dando passos para trás. Dá passos para o desconhecido. Um desconhecido onde a vida é descartável, a mulher é servil, o diferente é violentado, a criança não tem proteção social, laços são precários e regidos por ódio e medo. Onde Deus é cruel e a lei é a do homem armado que atira primeiro. Hoje ele mata, amanhã ele morre.

Eventos climáticos extremos, pobreza extrema e riqueza extrema, protegida em bunkers físicos e simbólicos, compõem a distopia que Ignácio de Loyola Brandão foi capaz de imaginar em "Não verás país nenhum", 40 anos atrás. Bolsonaro vende essa vida perigosa e miserável como "vida livre".

Esse ritual visceralmente comprometido pela delinquência política, Bolsonaro chama de "eleições livres". E, apesar de tudo, ainda pode perder, pois a urna eletrônica segue funcionando. Se perder, chamará de "eleições fraudadas". Sua derrota é o fio que resta para um futuro menos bruto, seco e aquecido. Mas não verás eleição democrática nenhuma.

*Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e membro do Observatório Pesquisa, Ciência e Liberdade - SBPC

Folha de São Paulo

Bolsonaro, fariseus e blasfêmias




Religião, blasfêmias e fariseus dominam a conversa política no início do segundo turno

Por Vinicius Torres Freire 

A campanha do segundo turno começou com a agitação dos "apoios" de políticos e de gente conhecida aos candidatos. Na maior parte fofoca politiqueira, o assunto praticamente morreu. Faz pelo menos uma semana, a conversa dominante é religião, como indicam certas medidas de temperatura da lama nas redes sociais e como se ouve no comentarismo jornalístico ou parecido com isso.

O vídeo de 2017 de Jair Bolsonaro (PL) no templo maçom, seu "satanismo", a "Carta aos Cristãos" de Lula da Silva (PT), Bolsonaro no Círio de Nazaré, Bolsonaro e seus fanáticos tumultuando as cerimônias católicas em Aparecida foram as notícias da querela religiosa.

O assunto ferve de diversas maneiras nos subterrâneos das redes, dizem pesquisadores que medem a altura dessas marés de lixo. Depois do tumulto causado por vendilhões do templo em Aparecida, "Bolsonaro Não é de Deus" era um dos assuntos no alto do ranking do Twitter.

E assim chegamos ao décimo dos vinte e oito dias de intervalo entre o primeiro e o segundo turno de votação.

O assunto "religião" não apenas é pautado pela campanha de Bolsonaro. Passou a organizar a política brasileira. Há um partido evangélico, no sentido amplo. A politização do Supremo, que vem de mais de década e já era degradante o suficiente, degenera em política religiosa por causa de Bolsonaro. Católicos e evangélicos votam mais do que nunca em direções majoritariamente opostas.

As forças políticas laicas, até faz pouco dominantes ou majoritárias (agora, é duvidoso), não foram capazes de inventar uma reação a esse movimento, de várias frentes, de enquadrar a política pela religião. O ataque é estimulado, mas não determinado de todo, pelo bolsonarismo e pela torrente conservadora ou reacionária em que ele navega.

As lideranças da empresa religiosa, de bancadas parlamentares e mesmo líderes menos mundanos organizaram um bloco político direcionado, que influencia parte grande dos fiéis, tem um programa político-moral, ora adere a Bolsonaro e lança anátemas sobre políticos que julgam desviantes e sobre crentes que não andam na linha justa. Isso é o partido evangélico, "lato sensu".

O movimento é tão forte que reescreve o passado recente. Desde quarta-feira passada, pelo menos, vaza para jornais que uma parte do comando petista havia convencido Lula a publicar uma "Carta aos Cristãos". Foi a única saída que arranjaram até agora para evitar o apedrejamento político-religioso.

Afora demagogias que quase qualquer político faz com quase qualquer eleitorado específico, religião jamais foi assunto de governos petistas ou tucanos, por falar nisso, menos ainda houve qualquer perseguição religiosa ou algo remotamente parecido. Agora, Lula tem de participar de um auto de fé midiático. Assim será com qualquer candidato que se oponha à seita reacionária de Bolsonaro ou aos fariseus dinheiristas.

As blasfêmias e outras indignidades, como a imundície que bolsonaristas promoveram na igreja de Aparecida nesta quarta-feira, serviram para abafar a promessa renovada de golpe (a manipulação da composição do Supremo). Ocupam até agora o lugar de qualquer outra conversa política, pelo menos até que esse ruído canse.

Como lidar com a pauta da conversa bolsonarista é a questão. Bolsonaro não governou, fez campanha de sua revolução reacionária e parasitou o que restava de funcional no Estado. Bolsonaro, muito menos ainda que qualquer outro candidato, não discute planos de políticas de governo na eleição —também parasita a democracia. Ao menos nas mídias, tem tido sucesso, como teve no 7 de Setembro. As forças de oposição e democráticas ainda não inventaram um jeito de mudar a conversa.

Folha de São Paulo

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