terça-feira, setembro 13, 2022

Que país é este do ‘imbrochável’?




É preciso mais que um pênis ereto para debelar a fome de 33 milhões e a insegurança alimentar de quase 100 milhões

Por Fernando Gabeira (foto)

Sei que é uma pergunta batida, mas, na comemoração dos 200 anos da Independência, é razoável perguntar que país é este.

O que nos diz o presidente Bolsonaro subindo no palanque e gritando que é imbrochável? O que nos diz a multidão que o segue? O que nos diz o presidente comparando sua mulher com a do rival?

Estava meio perdido na melancolia de um desfile militar quando comecei a fazer essas perguntas. Como um velho delirante, concluí que estávamos quase prontos para participar da Segunda Guerra Mundial, embora até para isso os equipamentos tenham me parecido um pouco obsoletos.

No momento em que um grupo fez acrobacias com a própria arma, jogando-a para o ar, rodando-a febrilmente, pensei: isso é uma preparação para dias difíceis, um trampo diante dos sinais luminosos de trânsito?

Na verdade, enquanto Bolsonaro exorcizava aos gritos seu pavor da castração, a fumaça das queimadas na Amazônia começava a chegar a São Paulo. O cheiro de fumaça sempre teve um efeito de despertar consciências adormecidas, sobretudo quando acompanhado de calor.

Pouca coisa acontece. O presidente beijou sua mulher na boca, a conselho do marketing. Alguns vizinhos saem vestidos de amarelo com a bandeira do Brasil. Ignoram que um grande porta-aviões, o São Paulo, navega pelo mundo, carregado de substância tóxica, o amianto, e é rejeitado por todos. Venderam para a Turquia, e os turcos se uniram na praia com cartazes: não somos a lixeira do mundo. O Reino Unido proibiu que navegasse pelo Estreito de Gibraltar, e ele segue, solitário e rejeitado, para consumir-se no seu veneno, possivelmente na Ilha das Cobras.

A fumaça de nossa futura ruína continua chegando às metrópoles do Sudeste, e tudo o que presidente pode nos dizer é isto: “Sou imbrochável”. É preciso mais que um pênis ereto para debelar a fome de 33 milhões de brasileiros e a insegurança alimentar de quase 100 milhões.

Segundo Vinícius, o homem que diz sou não é, o homem que diz “tou” não “tá”. Os gritos de Bolsonaro na esteira de um desfile militar não são de bom-tom, diante do grande consumo de Viagra pelas Forças Armadas.

Na véspera desse espetáculo, em Copacabana, se você gritasse o clássico “joga a chave, meu amor”, era capaz de cair um paraquedista. Trazidos pelo vento, andaram se embaralhando nas árvores. Felizmente ninguém se feriu, exceto a confiança na eficácia de nossa defesa.

Foi um aniversário melancólico, se olhamos para a saúde de nossa democracia arranhada por Bolsonaro, para a integridade de nossas florestas, ardendo com o sopro de uma política destruidora.

Continuo acompanhando a saga de nosso porta-aviões, vendido como ferro-velho, expulso de portos onde tenta ancorar, e fico me perguntando se isso não é o Brasil ou apenas o símbolo de uma época, cujo veneno ainda pode durar muito e demandará paciência e habilidade para neutralizá-lo.

Se nosso limitado presidente fosse visitar Paquetá e refletir um pouco sobre José Bonifácio, certamente aprenderia alguma coisa — pelo menos a lição elementar de que a História não é algo que se conquiste com um pênis ereto, mas uma construção coletiva que nos tornou uma das importantes nações econômicas do mundo, com suor, coração e cérebro. Em outras palavras, estamos comemorando 200, e não 12 anos. Não é possível que, agitando tanto a Bíblia, ainda não tenha deparado com a “Primeira carta de Paulo aos Coríntios”: quando era menino, pensava como menino, agia como menino, agora que sou grande, dei de mão às coisas de menino.

No fim da tarde, quando saí para o trabalho, vi alguns vizinhos de Ipanema voltando com suas bandeiras, um pouco desfeitos pelo calor da primavera que se anuncia.

Pensei: este é o nosso país. Sobreviveremos ou seremos destruídos por uma política suicida? Duzentos anos de independência, não imaginava conviver com essas dúvidas. Muito menos, que estadistas como José Bonifácio fossem substituídos por fanfarrões gritando “imbrochável, imbrochável”.

O Globo

Milícias alcançam tráfico e já ocupam metade das áreas controladas por grupos armados no RJ, diz estudo




Com crescimento territorial de 387% em 16 anos, o domínio corresponde a quase duas vezes o tamanho de Niterói. Enquanto isso, mais de 2 milhões de pessoas estão sob controle do Comando Vermelho.

Um estudo que será lançado nesta terça-feira (13) afirma que as milícias alcançaram a influência do tráfico de drogas e passaram a ocupar metade das áreas dominadas por grupos armados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Enquanto isso, mais de 2 milhões de pessoas estão sob controle da facção do tráfico de drogas Comando Vermelho.

O levantamento do Instituto Fogo Cruzado e do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense, divulgado nesta terça-feira (13), mostra que o crescimento territorial dos milicianos foi de 387% em 16 anos. Com 256,28 Km² - 10% do estado, o domínio corresponde a quase duas vezes o tamanho da cidade de Niterói.

O estudo apresenta também o Comando Vermelho ainda à frente do maior domínio populacional: 2,042 milhões de moradores. Mais de 60% da expansão da facção criminosa ao longo dos anpos foi na Baixada Fluminense, em que quase metade das áreas controladas por grupos armados estão nas mãos da milícia.

De 2006 a 2008, o espaço total ocupado por grupos armados era de 8,7%. Desde então, as facções Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e ADA diminuíram a sua área de influência. A série histórica sinaliza então um “potencial de crescimento” das milícias “mais acelerado que os demais grupos”.

Mais de 90% da expansão de milicianos ocorreu em locais que não eram controlados por facções criminosas.

“Os dados do Mapa dos Grupos Armados não deixam dúvidas: as milícias são as principais responsáveis por esse aumento de áreas sob domínio de grupos armados, razão pela qual se tornaram a principal ameaça à segurança pública no Grande Rio”, diz a pesquisa.

Enquanto isso, o Comando Vermelho corresponde a 40,3% dos territórios ocupados por grupos armados. Terceiro Comando Puro alcança quase 9%, e ADA, 1,1%.

Na capital, os números são ainda maiores: 74,2% da área dominada pelas milícias. Quase 30% da cidade é controlada por algum grupo armado, em que três em cada quatro são de milicianos.

O estudo mostra que a milícia se concentra “quase que exclusivamente” na Zona Oeste do Rio, seguida pela Zona Norte. Números são inexpressivos e tendem a zero na Zona Sul e no Centro.

O levantamento analisou mais de 689.933 mil denúncias do portal do Disque Denúncia que mencionavam milícias ou tráfico de drogas entre 2006 e 2021.

G1

Príncipe Andrew, acusado de abuso sexual, causa constrangimentos durante homenagens à rainha Elizabeth




Rei Charles III (de chapéu preto com faixa vermelha), princesa Anne (de chapéu branco) e Andrew em Edimburgo, em 12 de setembro de 2022

Andrew foi processado por ter abusado uma menor de idade. Ele pagou dinheiro para chegar a um acordo no processo e, depois disso, a mãe dele, a rainha Elizabeth II, destituiu os seus títulos militares.

Durante o cortejo fúnebre da rainha Elizabeth II em Edimburgo, na Escócia, um homem da plateia se aproximou e gritou "Andrew, você é um velho doente!".

Andrew, o duque de York, é o terceiro filho de Elizabeth II. Ele é acusado de ter cometido abuso sexual contra uma menor de idade. Por isso, no começo deste ano, a própria rainha retirou dele os títulos militares.

A rainha morreu na última quinta-feira (8) no Castelo de Balmoral, aos 96 anos.

'Príncipe Andrew perde títulos por acusação de abuso sexual'

Nesta segunda-feira, Andrew apareceu em público nas ruas de Edimburgo, atrás do caixão. Caminhando em silêncio atrás do carro fúnebre, ele era o único filho de Elizabeth II que caminhava como civil: o rei Charles III, a princesa Anne e o príncipe Edward vestiam uniformes militares de gala.

    'Seu papel durante os 11 dias de luto nacional é uma das várias questões inconvenientes com as quais a Casa de Windsor tem que lidar, assim como a ruptura entre o herdeiro do trono, William, e seu irmão Harry (no sábado, os dois apareceram inesperadamente juntos)'.

Durante o fim de semana, Andrew também se uniu a outros membros da realeza para cumprimentar o público reunido do lado de fora de Balmoral e para receber o cortejo quando chegou na capital escocesa.

Sem função no futuro

Robert Hazell, especialista constitucional da University College London, diz que dificilmente Andrew terá uma função na monarquia no futuro.

A participação dele também atraiu olhares durante as cerimônias fúnebres de seu pai, o príncipe Philip, falecido em abril de 2021. Andrew chegou de surpresa junto com a rainha em um carro e a acompanhou na entrada da Abadia de Westminster.

Acordo milionário

Seu distanciamento reflete o prejuízo à imagem da família real que provocou por sua amizade com o magnata Jeffrey Epstein, que cometeu suicídio em agosto de 2019 nos Estados Unidos após ser acusado de exploração sexual de menores.

    'Andrew, pai das princesas Beatrice e Eugenie, foi acusado de abusar sexualmente de Virginia Giuffre quando a menina tinha 17 anos. Para dar fim ao processo judicial, ele fez um acordo extrajudicial e pagou milhões de dólares'.

O duque de York deu uma entrevista à BBC em 2019 para se explicar, mas não convenceu (ele questionou a autenticidade de uma fotografia sua com Giuffre). Desde então há apelos para que ele se afaste da vida pública.

Informalmente, Andrew era tido como filho favorito da rainha. De acordo com os setoristas de monarquia, ela tirou os títulos militares dele por pressão de Charles III e do príncipe William.

Robert Hazell, o especialista da University College London, disse que as monarquias que perderam o apoio popular desapareceram: "Qualquer monarca astuto sempre está atento à opinião pública e responde rapidamente", diz Hazell.

O biógrafo Robert Jobson disse esta semana que William, que foi visto conduzindo Andrew a Balmoral para acompanhar a rainha em seu leito de morte, é contra um retorno de seu tio à vida pública.

Função de Andrew: cuidar dos cachorros

Andrew chegou a ser popular no Reino Unido por ter ido para a Guerra das Malvinas, em 1982, contra a Argentina.

Agora, ele só deve ter responsabilidades privadas mais modestas. Andrew e sua ex-esposa Sarah Ferguson, com quem continua compartilhando uma casa próxima ao Castelo de Windsor, adotaram os cães corgi de Elizabeth II, Muick e Sandy, após a morte da soberana, disse sua porta-voz no fim de semana.

G1

Ida de Bolsonaro a Londres faz Mourão e Lira saírem do país, e Pacheco assume




O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (dir.) (PSD-MG), vai assumir a Presidência da República durante a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) para o velório da rainha Elizabeth 2ª, em Londres, no Reino Unido, no dia 19 de setembro.

O cargo deveria ser ocupado primeiro pelo vice-presidente, Hamilton Mourão (Republicanos), e, em sua ausência, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). No entanto, os dois são candidatos nas eleições deste ano e, segundo a legislação eleitoral, não podem ocupar o cargo de presidente nos seis meses anteriores ao primeiro turno da eleição, em 2 de outubro.

A expectativa é que Bolsonaro viaje já no fim de semana para a solenidade de despedida da rainha, que ocorre na próxima segunda-feira, e no dia seguinte siga para Nova York, onde ocorrerá a Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Neste caso, Mourão e Lira têm duas opções: um deles assumir a Presidência (o que o tornaria automaticamente inelegível) ou ambos saírem do país até que o Jair Bolsonaro volte.

A equipe de Hamilton Mourão confirmou à reportagem que o vice-presidente irá para o Peru, mas a reportagem aguarda informações sobre o período da viagem. Arthur Lira informou que também irá viajar, mas sua equipe afirma que ele ainda não definiu o destino.

Por isso, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, deve assumir as atribuições de presidente da República, segundo apurou a reportagem. Eleito senador em 2018 e com um mandato de oito anos, Pacheco não é candidato nas eleições atuais.
 
FolhaPress / Daynews

Mergulho na era das incertezas - Editorial




A pandemia reduziu o IDH global após décadas de evolução. Mais que um desvio momentâneo, queda acentua um complexo de incertezas que traz riscos, mas também oportunidades

O primeiro relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU a medir os impactos da pandemia foi publicado com o sugestivo título: Tempos Incertos, Vidas Instáveis – Construir o futuro num mundo em transformação.

O IDH caiu em mais de 90% dos países. Seria tentador considerar a pandemia, ou a guerra na Ucrânia, como turbulências: bastaria segurar firme, à espera do retorno à normalidade. Afinal, nas últimas três décadas indicadores como saúde, educação e padrão de vida melhoraram continuamente. Mas, argutamente, os pesquisadores descrevem a pandemia mais como uma “janela para uma nova realidade” do que um desvio da vida de sempre.

Há milênios os humanos são impactados por pestes, guerras ou desastres naturais. Mas, agora, “novas camadas de incertezas estão interagindo para criar novos tipos de incertezas – um novo complexo de incertezas nunca visto na história da humanidade”. O estudo destaca três “camadas”: os riscos do chamado “Antropoceno” – em que os humanos se tornaram uma força maior de transformações planetárias –; a transição para novas formas de organização das sociedades industriais; e a intensificação da polarização política e social, nos países e entre eles, facilitada por novas tecnologias de comunicação.

Esse complexo é chave para elucidar um cenário enigmático: as percepções das pessoas sobre suas vidas e sociedade contrastam com a elevação objetiva do bem-estar humano no último século. Pesquisas em mais de 14 milhões de livros publicados nesse período mostram um aumento acentuado em expressões de angústia e ansiedade – intensificadas desde 2012. Mais do que uma “distorção ótica”, esse contraste convida a reavaliar as noções de “desenvolvimento”.

A pandemia ofereceu um vislumbre do potencial de desenvolvimento humano – mas também evidenciou a lacuna entre esse ideal e a realidade. Estima-se que o extraordinário desenvolvimento das vacinas tenha salvado 20 milhões de vidas em um ano. Mas igualmente extraordinário é o número de vidas desnecessariamente perdidas pela imensa desigualdade no acesso aos imunizantes.

O Brasil ilustra muitos desses contrastes. Com 2,7% da população mundial, o País registrou 10,5% das mortes por covid, mesmo contando com o maior sistema de saúde pública do mundo e um programa de vacinação com boa reputação. Como se sabe, essas vantagens comparativas foram sabotadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, por razões ideológicas. O impacto no índice de mortalidade foi o principal fator a fazer com que a retração do IDH brasileiro fosse maior que a média mundial.

Mas há disfunções estruturais. O IDH nacional – 0,754, de 0 a 1 – é considerado elevado e está acima da média mundial (0,732). Mas, analogamente à “armadilha da renda média”, há uma “armadilha do IDH médio”. Quando o indicador é ajustado à desigualdade, ele despenca para 0,576, espantosos 23,6%.

Períodos de transição despertam apreensões, mas também oportunidades. É certo que “não está tudo bem”, mas nem por isso “tudo está perdido”. Assim como o mundo aprendeu a conviver com a covid, precisa aprender a conviver com esse complexo de incertezas. Isso significa mais que mera acomodação. Para concretizar todas as potencialidades desse mundo em transição, o estudo destaca três alavancas: investimentos que o preparem para riscos como novas pandemias ou as mudanças climáticas; seguridade e fortalecimento de serviços universais como educação e saúde para proteger contra contingências; e inovação – tecnológica, econômica e cultural – para responder criativamente a essas instabilidades, transformando-as em oportunidades.

Não há espaço para fatalismo. Crises agudas relembram, nas palavras da poeta e ativista Maya Angelou, citadas no relatório, a importância de “se trazer todas as nossas energias a cada encontro, de permanecer suficientemente flexíveis para notar e admitir quando aquilo que esperávamos que acontecesse não acontece”. E ela arremata: “Precisamos lembrar que fomos criados criativos e podemos inventar novos cenários tão frequentemente quanto eles são exigidos”.

O Estado de São Paulo

Elizabeth II tinha virtudes públicas ausentes no Brasil de Bolsonaro




A coroa está acima das disputas políticas mundanas porque a sua função primeira é a de se apresentar como fator de união. 

Por João Pereira Coutinho (foto)

A rainha Elizabeth 2ª morreu. Viva o rei Charles 3º! E antes que o leitor desmaie de fúria por minhas proclamações monárquicas, fique sabendo: não sou. O princípio republicano ainda me parece útil para governar as nossas sociedades modernas.

Há amigos (monárquicos) que não me perdoam a traição. Há amigos (republicanos) que também não: se sou adepto da república, como dar vivas à Casa de Windsor?

Só posso responder: olhando ao meu redor. Olhando para o Brasil, que comemorou recentemente os seus 200 anos com mais um espetáculo de fanatismo ideológico e boçalidade institucional.

A palavra "polarização" me parece um eufemismo bondoso. O clima é mesmo de pré-guerra civil –e até a revista Economist desta semana dedica um dos seus editoriais ao assunto.

Bolsonaro não é apenas danoso para o Brasil caso vença. Também será caso perca: há uma parte do país que será alimentada com doses regulares de ressentimento e revanchismo ("foi roubo!"), na melhor tradição Trump.

E, sabendo que há armas em excesso entre os seus asseclas, é possível imaginar o pior.

Eis o ponto: uma democracia só funciona quando existe um elemento pré-político que não oferece contestação. E esse elemento é o sentimento de pertencimento a algo que é anterior a nós e que irá sobreviver a nós.

Podemos chamar-lhe "nação" –uma identificação territorial, linguística, cultural, até emocional, que não deve ser confundida com a palavra "nacionalismo".

Como lembrava o saudoso Roger Scruton, eu posso perder uma eleição. Eu até posso desprezar o vencedor. Mas aceito os resultados porque, em linguagem bastante primitiva, fazemos todos parte da mesma tribo. Somos brasileiros, ou portugueses, ou americanos, antes de sermos de direita, de esquerda, de centro ou de nada.

Em sociedades onde o elemento nacional não existe –sociedades onde persistem divisões étnicas ou religiosas inultrapassáveis– acontece o que estamos habituados a ver na África ou no Oriente Médio. Democracia, por lá, não é apenas "one man, one vote". Como dizia o mesmo Scruton, é "one man, one vote, one time".

É aqui que entra Elizabeth 2ª. Ou qualquer monarca na arquitetura da constituição inglesa. "A nação está dividida em partidos, mas a coroa não é de nenhum partido", escrevia Walter Bagehot (1826-1877), um dos grandes intérpretes da constituição.

Traduzindo: a coroa está acima das disputas políticas mundanas porque a sua função primeira é a de se apresentar como fator de união, tradição e memória para todos os britânicos.

Sem surpresas, é isso que o povo relembra no momento da morte de Elizabeth. Do aristocrata ao motorista de táxi, todos falam da rainha como um elemento de "continuidade" no meio do fluxo demencial da vida do país nos últimos 70 anos –do racionamento do pós-Segunda Guerra Mundial ao traumático brexit.

Elizabeth 2ª foi o único ponto fixo no meio do caos. Mas não foi apenas isso: como recorda Brendan O’Neill (um republicano) na revista Spectator, ela soube exercer aquelas virtudes públicas que, no Brasil e não só, estão ausentes da discussão política: dignidade, reserva e desprendimento. É isso que fica?

Não tenho dúvidas. Tempos atrás, lendo um dos mais recentes livros do filósofo Byung-Chul Han ("Não-Coisas: Transformações do Mundo em que Vivemos"), encontrei essa passagem soberba que partilho com o leitor. É sobre um outro assunto –mas é sempre sobre o mesmo assunto.

"A fotografia 'Boulevard du Temple' de Daguerre apresenta de fato uma rua parisiense muito animada. Mas, devido a um tempo de exposição extremamente longo, característico do daguerreótipo, tudo o que se move é levado a desaparecer. Só é visível o que permanece imóvel. O bulevar du Temple irradia uma paz quase aldeã. Além dos prédios e das árvores, vê-se uma única figura humana, um homem a quem engraxam os sapatos e que, por esse motivo, está parado. Assim, a percepção do longo e lento só reconhece coisas imóveis. Tudo o que se apressa está condenado a desaparecer. O bulevar du Temple pode interpretar-se como um mundo visto com o olhar divino. Ao seu olhar redentor só aparecem aqueles que permanecem numa imobilidade contemplativa. É o silêncio que redime."

Folha de São Paulo

Escravidão moderna atinge 50 milhões no mundo, informa ONU




Relatório considera tanto trabalhadores forçados quanto mulheres e meninas obrigadas a se casarem contra a vontade. Números aumentaram consideravelmente desde o estudo anterior, de 2016.

Em torno de 50 milhões de indivíduos estão submetidos a situações análogas à escravidão por meio de trabalhos e casamentos forçados, segundo relatório promovido e divulgado pela Organização das Nações Unidas e a Fundação Walk Free nesta segunda-feira (12/09). Isso significa que, em média, praticamente um a cada 150 habitantes de todo o mundo sofre com esses crimes.

Até 2030, a ONU pretende erradicar todos os tipos de escravidão moderna. Segundo o estudo, no entanto, o número de atingidos aumentou significativamente nos últimos anos: entre 2016 e 2021, o número de casos cresceu quase 10 milhões.

"É chocante que a situação da escravidão moderna não esteja melhorando. Nada pode justificar a continuidade desse abuso de direitos humanos fundamentais", diz Guy Ryder, chefe da Organização Internacional para o Trabalho (ILO), uma das agências da ONU que atuou no estudo, em conjunto com a Organização Internacional para as Migrações (IOM).

De acordo com o levantamento, a pandemia de covid-19 e a resultante crise sanitária global é uma das razões que impulsionaram o crescimento da escravidão moderna, ao pioraras condições de trabalho e elevar as dívidas de muitos trabalhadores.

Outros motivos são as mudanças climáticas e os conflitos armados, que igualmente provocaram "uma disrupção sem precedentes para o emprego e a educação, aumentando a pobreza extrema e a migração arriscada e forçada", cita o relatório.

Os dados apontam que trabalhadores migrantes têm três vezes mais chances de se envolverem com trabalhos forçados do que os que não precisam migrar. "Este relatório destaca a urgência de garantir que toda migração seja segura, ordenada e regulamentada", afirmou António Vitorino, que comanda a OIM.

O estudo também indica que 14% dos escravos modernos estariam realizando trabalhos forçados impostos por autoridades. Dois exemplos são o trabalho prisional obrigatório em países como os Estados Unidos e os campos para os quais o regime chinês teria deslocado minorias, como na região de Xinjiang.

Mulheres e crianças, Copa do Mundo

A ONU destaca que a escravidão moderna está presente em todos os países, com mais da metade dos casos de trabalhos forçados e um quarto dos casamentos forçados registrados em países de renda média alta ou muito alta.

As estatísticas mostram que as mulheres e as crianças estão ainda mais vulneráveis: a ONU estima que o número de adultas ou meninas forçadas a se casarem cresceu 6,6 milhões desde 2016. De um total de 3,3 milhões de crianças, pelo menos a metade estaria sofrendo exploração sexual.

O relatório também menciona o Catar, sede da Copa do Mundo 2022, marcada para novembro e dezembro. O país tem sido acusado de violar de direitos trabalhistas, principalmente de migrantes que atuaram nas construções de estádios e outras áreas destinadas ao evento.

A ONU enfatiza, por outro lado, que houve um "significativo progresso" nas condições de vida e de trabalho para centenas de milhares de migrantes no país, principalmente depois que a ILO abriu um escritório na capital Doha. Ainda assim, a implementação de novas leis trabalhistas está sendo problemática.

Na última quinta-feira, o diretor executivo da Copa do Mundo 2022, Nasser Al Khater, afirmou que, em relação ao evento, o Catar estaria sofrendo numerosas críticas não baseadas em fatos, e que teria respondido a toda e qualquer crítica justa.

Deutsche Welle

As bolhas da estupidez




Lulistas e bolsonaristas podem aprender com a trajetória de Gilberto Freyre

Por Felipe Moura Brasil (foto)

“Não é nada fácil, mesmo para os mais lúcidos ou mais ousados, resistir ao canto da sereia das ideias dominantes.”

Esta foi, segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, a “grande lição” extraída por Maria Lúcia Pallares-Burke, “ao reconstituir” no livro Gilberto Freyre: um vitoriano nos trópicos “a trajetória tortuosa, mas corajosa (do eugenismo à valorização da mestiçagem)” que o sociólogo “teve de percorrer por sua própria conta e risco”, antes de publicar Casa-Grande & senzala, em 1933.

Pallares-Burke disse em entrevista de 2018 a Bernardo Buarque de Hollanda ter “um especial interesse por estudar o período formativo, aquilo que faz alguém se tornar ou realizar aquilo pelo qual depois ficou famoso”. Seu livro sobre Freyre apurou “o que teria feito um indivíduo que, quando jovem, compartilhava com a elite os preconceitos da época contra o mestiço, vendo-o como um elemento que impedia o progresso do Brasil, mudar drasticamente de atitude” e “se impor como um defensor da mestiçagem”.

Ela verificou “que ele havia compartilhado as ideias racistas mais extremas em voga nos Estados Unidos que conheceu a partir de 1918” e “que os preconceitos com que saíra do Brasil haviam aumentado significativamente, por algum tempo, com o que encontrou lá fora em total ebulição”: o racismo de pretensões científicas. “Ele chegou a escrever com simpatia sobre a Ku Klux Klan e outros defensores da ‘democracia branca’ nos Estados Unidos”, incluindo Tillman Benjamin, “um dos mais brutais”.

A historiadora considerou “chocante” o “elogio” de Freyre a Benjamin, bem como “sua admiração pelos programas norte-americanos para a ‘melhoria da raça’, muito inspirados na assim chamada ‘ciência da raça’ e na sinistra pseudociência da eugenia”.

Por influência de Rudiger Bilden, amigo que conheceu no ambiente universitário, porém, Freyre descobriu o antropólogo e professor Franz Boas, raro opositor do racismo científico. “As ideias de Boas foram absorvidas e digeridas por Freyre lentamente, fruto de conversas com Bilden e de leituras feitas com mais cuidado após sair da Columbia University e voltar para o Brasil. Não foi, portanto, uma conversão imediata”. Mas Freyre saiu da bolha. Bolsonaristas presentes no sequestro do bicentenário da Independência por D. “Imbrochável” I não são membros da KKK, como acusou Lula, agravando a estupidez eleitoral. O que falta a eles, como a lulistas, é abertura à influência de amigos e intelectuais resistentes ao “canto da sereia das ideias dominantes” de seu tempo.

O Estado de São Paulo

A abolição da família - Parte II




É por termos uma família que fazemos muitas das coisas que fazemos, nomeadamente todo tipo de sacrifícios para lhe deixarmos um mundo melhor,seja uma vida mais confortável, seja um regime mais livre. 

Por Patrícia Fernandes (foto)

1 É precisamente por termos uma filha

A definição de família pode dar origem a múltiplos debates filosóficos, mas a literatura geralmente ajuda nas tarefas difíceis. É um momento literário deste tipo que encontramos em O teu rosto será o último, quando João Ricardo Pedro descreve a discussão que a resistência ao Estado Novo gera entre marido e mulher:

«“Vamos embora. Podemos ir embora. Temos amigos na França, na Alemanha, eu tenho família em Espanha, é um saltinho, pegamos na nossa filha e saímos daqui.” Ele argumentava que a Espanha ainda era pior, e que estava quase. Que o regime estava prestes a ruir. Que existiam movimentações externas. Pressões diplomáticas. Os Estados Unidos, a Inglaterra. Era uma questão de meses. Acabavam a discutir. “Temos uma filha”, dizia a minha mãe a chorar. “É precisamente por termos uma filha.”»

É precisamente por termos uma filha. Ou, mais genericamente, é por termos uma família que fazemos muitas das coisas que fazemos, nomeadamente, todo o tipo de sacrifícios para lhe deixarmos um mundo melhor, seja uma vida mais confortável e com menor sofrimento, seja um regime político mais democrático e livre. Até muito recentemente na história da humanidade, a família constituía o primeiro ponto a partir do qual nos pensávamos no mundo – o entendimento individualista do homem é um produto da modernidade, e o individualismo exacerbado um subproduto muito recente.

Na filosofia peripatética, este aspeto é evidente: a perspetiva analítica de Aristóteles encontra na família a célula básica da organização social. Ela não é autossubsistente, o que levou à constituição de tribos e aldeias, por sua vez reunidas em poleis, que seriam a forma comunitária perfeita – mas é em torno da família que se organiza a oikonomía e se cria uma ampla rede de deveres e obrigações que liga os seus membros.

Há, naturalmente, razões biológicas para isto e a psicologia evolutiva (área polémica) tem oferecido contributos relevantes para a compreensão do nosso comportamento: a família é fundamental para a reprodução dos nossos genes e representa, nessa medida, a nossa sobrevivência para lá da morte. Seria este gene egoísta, para usar a expressão de Richard Dawkins, a justificar os imensos sacrifícios que estamos dispostos a fazer pelos nossos filhos (considerando que, enquanto espécie, temos baixos índices de propagação), mas também as responsabilidades que estamos dispostos a assumir pela família mais alargada, nomeadamente pelos nossos sobrinhos e primos, que ainda nos carregam geneticamente.

Encontraríamos a mesma lógica nas grandes religiões monoteístas: a proteção da família e a condenação do aborto, dos métodos de contraceção e da homossexualidade resultariam da necessidade de propagação dessas religiões em contextos altamente competitivos. Quanto mais os crentes se reproduzem, maior é a probabilidade de sobrevivência dessa fé, pelo que as suas regras devem proteger as possibilidades de reprodução.

E a própria instituição do casamento deveria ser entendida historicamente como um mecanismo de proteção genética: se o princípio de fidelidade garantiria ao marido a paternidade real da descendência, a impossibilidade de dissolução garantiria à mulher que o homem continuaria a providenciar a sua vida e a dos seus filhos para lá do término da sua fertilidade, quando o homem poderia procurar novas parceiras para expandir os seus genes.

Desta forma, a família estava ligada de forma inexorável à nossa sobrevivência, mesmo quando nos pensávamos enquanto indivíduos. E as nossas obrigações presentes correspondiam a obrigações futuras das próximas gerações em relação a nós.

2 A transformação familiar

O século XX veio, contudo, transformar radicalmente a instituição familiar e a sua dinâmica, com particular contributo de dois fatores: o desenvolvimento tecnológico e a criação do estado social.

O impacto da tecnologia na família está proficuamente estudado, em especial quanto à reformulação dos papéis desempenhados pelos seus membros. Mais do que as máquinas de lavar, terá sido o fogão a gás a libertar as mulheres para o desempenho de outras tarefas (uma vez que acender e manter o fogo constituía uma missão demorada e contínua), e todos os novos aparelhos domésticos avançaram na mesma lógica. A progressiva emancipação da mulher face às tarefas domésticas libertou-a para uma vida profissional e, com isso, toda a organização familiar de cuidado e educação dos filhos se revolucionou. Simultaneamente, os avanços científicos permitiram dispositivos de controlo de natalidade, que passou a ser criteriosamente dominado pela mulher.

Mas a tecnologia ofereceu igualmente novas garantias de sobrevivência. A esperança média de vida teve um crescimento contínuo ao longo do último século, enquanto a mortalidade infantil caiu a pique, levando à diminuição do número de filhos. A ideia de sobrevivência genética foi-se adaptando e as últimas décadas têm oferecido uma reflexão de cariz mais individualista: a grande ambição já não é a de sobrevivermos na nossa descendência, mas a de avançarmos para alguma forma de transição pós-humana. A aspiração humana é agora a de viver para sempre enquanto indivíduo, seja pela substituição deste corpo biológico por um corpo mecânico ou eletrónico, seja pela transição para uma espécie de equipamento de memória externa. Se a modernidade se caracteriza pelo entendimento da natureza como um objeto nas nossas mãos (pensemos em Francis Bacon, o filósofo, e o seu Novum Organum, de 1620), o individualismo exacerbado da contemporaneidade assume em pleno a sua tentativa de emancipação biológica.

Importa recordar que este individualismo moderno resulta diretamente da criação do estado moderno: é a modernidade que estabelece a noção abstrata de poder que nos coloca como agentes individuais de direitos e deveres, pelo que o desenvolvimento e crescimento do estado significou sempre um aprofundamento desse individualismo. Mas será a função social do estado a abalar radicalmente a lógica familiar: as obrigações que tradicionalmente cabiam à família – previdência, apoio, cuidado – foram transferidas para instituições estatais, o que naturalmente dispensa a necessidade de descendência e fragiliza as relações familiares mais amplas.

Este aspeto, quase sempre negligenciado, é evidente nos países onde o estado social é mais amplo (como nos admirados países nórdicos): onde se acredita que os serviços de previdência social vão assegurar as nossas necessidades presentes e futuras, regista-se um decréscimo da natalidade, uma desvalorização do casamento e fenómenos agravados de solidão nos mais velhos. Um estado mais amplo tende a enfraquecer as redes de solidariedade familiares e comunitárias, ao mesmo tempo que nos torna menos autónomos e mais individualistas.

3 A fuga total

O caminho percorrido conduziu-nos, não inesperadamente, a um individualismo agravado, em que a família parece agora representar todos os males do mundo e do passado – pelo que dela nos devemos libertar se queremos ser verdadeiramente livres e devidamente progressistas. Ao invés de nos concebermos a partir da família e das obrigações recíprocas que a alimentam, somos constantemente bombardeados com uma visão da família do tipo da de Alexander Portnoy, naquele que é, provavelmente, um dos melhores romances do século XX norte-americano:

“Para que servem, no fundo – pergunto eu – todas essas regras e proibições dietéticas, senão para nos dar a nós, criancinhas judias, o hábito da repressão? Vai-te habituando, meu querido, habitua-te, sim, habitua-te. A inibição não cai assim do céu, sabe – requer paciência, requer concentração, requer um pai ou uma mãe dedicados e cheios de espírito de sacrifício e uma criancinha esforçada e atenta para criar, no espaço de poucos anos, um ser humano verdadeiramente tolhido e servil.”

Essa demonização da família transporta-nos para uma realidade alternativa, na qual estaríamos marcados, como Portnoy, “da cabeça aos pés pelas minhas repressões, como um autêntico mapa das estradas. As auto-estradas da vergonha, da inibição e do medo atravessam-me o corpo todo.” E se não podemos negar que a realidade por vezes assume vestes abomináveis, em justiça temos de reconhecer o caráter excecionalíssimo dessas circunstâncias.

Decisões como a recente Recomendação do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida sobre o processo de Consentimento Informado em menores de idade, que visa ampliar a autonomia dos adolescentes e recusa, nessa medida, o direito à curiosidade por parte dos pais, são sintoma do modo individualista do nosso tempo, mas partem de uma noção malfazeja de família. Como se os interesses, as obrigações e, sim, a curiosidade não decorressem desse laço insolúvel que nos liga à família e que leva os pais a quererem o bem dos seus filhos e os filhos a cuidarem dos pais quando estes são mais velhos. Partir de uma consideração autonomista e individualista do adolescente condenar-nos-á a uma sociedade de adultos egoístas e idosos abandonados.

É este espírito do tempo que tem oferecido campo fértil para uma cultura de queerização, em crescimento fulgurante nas gerações mais jovens. Na tentativa de desfazer no ar tudo o que é sólido, já não basta a essa cultura a fuga total que Édouard Louis descreve em Para Acabar de Vez com Eddy Bellegueule. Para ser Édouard, Édouard tentou “acabar de vez” com Eddy, isto é, com o seu passado, as suas raízes, a sua família. Como nos diz em História da violência:

“Os estudos, a ideia de estudar tinha surgido muito mais tarde, quando compreendi que esse seria o único caminho possível, ou pelo menos o único caminho que me permitiria afastar-me não só geograficamente, mas também simbolicamente, socialmente, e, portanto, totalmente, do meu passado. (…) Só os estudos poderiam permitir-me uma fuga total.”

Mas Édouard Louis sabe que esta fuga é ilusória. Da mesma forma que não podemos emanciparmo-nos da natureza e da biologia, não nos podemos libertar da nossa família e do nosso passado e é por isso que os seus livros revolvem continuamente em torno dessa família e desse passado. Crescer é o processo de descobrir a ilusão da fuga total, mas trata-se de um caminho de amadurecimento pessoal e que tem de ser percorrido individualmente.

A cultura de queerização quer, no entanto, mais do que esta tentativa de fuga individual e é aí que reside o seu perigo: nascida do individualismo exacerbado da última década, o que se pretende aqui, sob as vestes de um novo vocabulário e uma nova linguagem, é a abolição social da família – com o objetivo claro de nos fazer esquecer de que é nela que reside a nossa identidade e a nossa maior possibilidade de liberdade.

*Professora da Universidade da Beira Interior

Observador (PT)

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