terça-feira, setembro 13, 2022

Eleições 2022: quem são os candidatos a presidente e os obstáculos que devem enfrentar




A campanha para a eleição presidencial de 2022 começou oficialmente e segue em clima de grande polarização, com Jair Bolsonaro (PL) disputando a reeleição e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentando retornar à Presidência da República para um terceiro mandato.

Mais distantes nas pesquisas de intenção de voto estão os candidatos que tentam emplacar como opção da terceira via: Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB).

Ainda estão registrados pela Justiça Eleitoral na disputa: Vera Lúcia (PSTU), Felipe d'Avila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Leonardo Péricles (Unidade Popular), Eymael (DC) e Soraya Thronicke (União Brasil).

Entre os nomes que se retiraram da corrida presidencial estão:

    O deputado federal André Janones, que abriu mão da candidatura pelo Avante para apoiar Lula

    O ex-juiz Sergio Moro, que é candidato ao Senado pelo União Brasil no Paraná

    O ex-governador de SP João Doria, que anunciou sua saída da política institucional

    O deputado federal Luciano Bivar e presidente nacional do União Brasil, partido que terá a senadora Soraya Thronicke na disputa

    Cabo Daciolo, que é candidato ao Senado pelo PDT no Rio de Janeiro

    Pablo Marçal, que teve a candidatura cancelada pelo PROS

    Roberto Jefferson, do PTB, que teve a candidatura negada pela Justiça por causa da Lei da Ficha Limpa - Jefferson tem uma condenação por causa do Mensalão

A BBC News Brasil lista aqui os 11 nomes que estão na disputa pela Presidência.

Jair Bolsonaro (PL)

O presidente Jair Bolsonaro vai disputar a reeleição pelo Partido Liberal (PL), legenda de Valdemar Costa Neto, um dos condenados no escândalo do Mensalão. Atualmente ele tenta alavancar seus números nas pesquisas eleitorais.

Na pesquisa Ipec divulgada no dia de 15 de agosto, encomendada pela TV Globo, Bolsonaro ficou com 32% das intenções de voto.

No começo do ano, Bolsonaro enfrentava efeitos de uma avaliação negativa sobre sua condução do governo como a reação do governo à pandemia do coronavírus, os escândalos envolvendo seus filhos, especialmente em relação às chamadas "rachadinhas" e acusações relacionadas à compra de vacinas contra a covid-19.

Seu governo também foi atingido por suspeitas de irregularidades praticadas no Ministério da Educação. As suspeitas são de que pastores evangélicos estariam cobrando propina de prefeitos em troca da liberação de verbas do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE). O governo alega que determinou que o caso fosse investigado, mas o caso já levou à queda do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que chegou a ser preso.

A crise econômica, com alta contínua da inflação, e o aumento da pobreza também podem significar desafios para a reeleição de Bolsonaro.

Por outro lado, o aumento do valor do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) para R$ 600 pode ajudar a recuperar parte dos votos. Bolsonaro deu novo nome ao programa, em uma tentativa de imprimir marca própria na assistência social. O presidente também conta com uma base de eleitores fiéis dispostos a ir às ruas para defender suas posições, como ocorreu nos protestos de 7 de setembro do ano passado.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O ex-presidente Lula aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República, com 44% das intenções de voto na pesquisa Ipec encomendada pela TV Globo - e 52% dos votos válidos.

Sua candidatura pelo PT à Presidência, que pareceu distante há alguns anos, ganhou força e se materializou desde que Lula teve sua condenação por corrupção anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF),

A pesquisa Ipec indica uma vantagem de 12 pontos de Lula sobre Bolsonaro, que é o segundo colocado.

Além disso, a rejeição do ex-presidente é menor do que a de Bolsonaro: 33% x 46%.

Uma das estratégias do PT para diminuir a resistência a Lula foi a indicação do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB) como vice da chapa.

O principal obstáculo do ex-presidente é o antipetismo, que ainda deve ter peso na próxima disputa presidencial, com eleitores buscando alternativas em uma terceira via ou recorrendo a Bolsonaro para evitar uma vitória de Lula.

Ciro Gomes (PDT)

O PDT lançou a candidatura de Ciro Gomes no dia 21 de janeiro, em ato na sede do partido em Brasília. Será a quarta vez que Ciro Gomes concorre ao cargo. Em 2018, ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,5% dos votos.

Ele também concorreu à Presidência em 2002 e 1998. Candidato associado à esquerda ou centro-esquerda, Ciro Gomes tenta novamente despontar como alternativa a Lula e Bolsonaro.

Na pesquisa Ipec de 15 de agosto, Ciro marcou 6% nas intenções de voto. A mesma pesquisa indicou que 64% de seus eleitores admitem que podem mudar o voto.

A seu favor, ele conta com experiência política, em uma eleição que não dará o mesmo peso a outsiders, ou figuras antipolíticas, como a de 2018. Ciro foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos de Itamar Franco e Lula.

Para fazer frente à candidatura de Lula, Ciro tem adotado uma estratégia de ataque, criticando fortemente o ex-presidente. Ciro chegou a acusar Lula de conspirar para o impeachment de Dilma e, quando a petista saiu em defesa do padrinho político, Ciro reagiu dizendo que a ex-presidente foi uma das pessoas "mais inapetentes, incompetentes e presunçosas" a presidir o Brasil.

Se por um lado essa estratégia visa firmar Ciro Gomes como alternativa a Lula, por outro, pode eventualmente afastar eleitores que nutrem alguma simpatia pelo PT ou que defendem uma ampla aliança contra Bolsonaro.

Simone Tebet (MDB)

A candidatura de Simone Tebet foi lançada em dezembro de 2021 pela direção nacional do MDB e oficializada em julho deste ano.

Ela foi a primeira mulher a disputar o comando do Senado, em 2021. Também foi a primeira mulher a comandar a disputada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a primeira vice-governadora de Mato Grosso do Sul e primeira prefeita de Três Lagoas (MS).

A possibilidade de candidatura à Presidência surgiu do destaque que Tebet teve na CPI da Covid no Senado. Embora não fosse integrante fixa da comissão, ela participou dos principais depoimentos com uma postura contundente e crítica à gestão de Bolsonaro na pandemia.

O principal obstáculo que a senadora enfrenta é se tornar nacionalmente conhecida. Na última pesquisa Ipec, Tebet atingiu apenas 2% das intenções de voto.

Vera Lúcia (PSTU)

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) lançou a candidatura de Vera Lúcia em 19 de março e a oficializou em julho. Esta será a segunda vez que ela disputa a Presidência pela sigla. A primeira foi em 2018, quando obteve 55,7 mil votos, o equivalente a 0,05% dos votos válidos.

O PSTU foi fundado no início dos anos 1990 a partir de dissidências de outros partidos como o PT, partido ao qual Vera Lúcia chegou a ser filiada até 1992. O partido se autodefine como "socialista e revolucionário".

Antes de ingressar na política, Vera Lúcia foi faxineira e costureira em Sergipe, Estado onde iniciou sua militância. Ela participou da fundação do sindicato dos profissionais de costura da indústria calçadista do Estado.

Durante os governos petistas, o PSTU se colocou como oposição, fazendo críticas tanto às gestões de Lula quanto de Dilma.

Na última pesquisa Ipec, Vera Lúcia obteve 1% das intenções de voto.

Sofia Manzano (PCB)

Em fevereiro, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) lançou a candidatura da professora universitária Sofia Manzano, que foi oficializada em julho. Ela tem 50 anos de idade e começou sua militância política aos 18, em 1989.

Manzano é economista formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mestre em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP).

Desde 2013, ela vive em Vitória da Conquista, onde dá aulas na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). O foco das suas pesquisas são as relações de trabalho e a desigualdade social.

Em entrevista concedida em abril para o site Brasil de Fato RS, Manzano defendeu propostas como intensificar pesquisas universitárias para o setor agrícola para que elas tenham como foco a agricultura familiar e as pequenas propriedades e não o chamado agronegócio. Ela também fez uma defesa do comunismo.

Luiz Felipe D'Ávila (Novo)

O cientista político Luiz Felipe D'Ávila foi anunciado em novembro e oficializado em julho como candidato do Partido Novo à Presidência da República.

Em 2018, a legenda surpreendeu em desempenho quando seu então candidato à presidente, João Amoêdo, terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,5% dos votos, à frente de candidatos como Henrique Meirelles (então MDB, hoje no União Brasil) e Marina Silva (Rede).

Amoêdo, que chegou a anunciar voto em Bolsonaro no segundo turno, passou a defender o impeachment do presidente durante a pandemia. Ele chegou a ser lançado novamente como pré-candidato pelo Novo no início do ano, mas sua candidatura sofreu oposição de parcela dos integrantes do partido, sobretudo entre os que apoiam Bolsonaro.

O partido, então, decidiu lançar D'Ávila. Ex-PSDB, coordenou o programa de governo do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, em 2018, mas depois deixou o partido. Ele é crítico de Bolsonaro e Lula e diz que os dois formaram governos "populistas de direita e esquerda".

Ao ser lançado pré-candidato pelo Novo, defendeu privatizações e outras reformas para reduzir o papel do Estado na economia.

"O populismo apenas perpetua a miséria, a pobreza, a corrupção e o mau funcionamento das instituições democráticas", disse.

Ele não pontuou na última pesquisa Ipec, de 15 de agosto.

Leonardo Péricles (Unidade Popular)

Leonardo Péricles é técnico em eletrônica e presidente nacional do Unidade Popular pelo Socialismo (UP), partido de esquerda fundado em 2019. Ele mora em uma ocupação em Belo Horizonte, e sua candidatura foi anunciada em novembro de 2021 e oficializada em julho de 2022.

O pré-candidato defende pautas como a realização de uma nova Assembleia Constituinte e um plebiscito para consultar a população sobre refinanciamento da dívida pública do país e a reforma urbana por meio da destinação de imóveis ociosos para moradia popular.

Assim como Vera Lúcia, Leonardo também enfrenta uma alta taxa de desconhecimento por parte do eleitorado. Segundo pesquisa Datafolha de julho, somente 9% dos eleitores entrevistados afirmaram conhecer o pré-candidato, que não pontuou nas pesquisas de intenção de voto do Ipec de 15 de agosto.

Soraya Thronicke (União Brasil)

A senadora por Mato Grosso do Sul Soraya Thornicke será a candidata do União Brasil após a desistência do presidente da sigla, Luciano Bivar, que resolveu disputar a reeleição como deputado federal por Pernambuco.

A empresária tem 49 anos e nasceu em Dourados (MS). Foi eleita em 2018 pelo PSL, partido que elegeu Bolsonaro e se tornou o União Brasil. Foi vice-líder do governo no Congresso e é coordenadora política da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Tem como propostas a criação de um imposto único, o fim do foro privilegiado para todas as autoridades e a fundação de uma corte anticorrupção formada por 30 juízes e 11 desembargadores.

Ela não pontuou na pesquisa Ipec de 15 de agosto.

José Maria Eymael (Democracia Cristã)

O fundador e atual presidente do Democracia Cristã José Maria Eymael já disputou a Presidência outras cinco vezes no passado. Foi deputado federal constituinte em 1988 (seu nome na urna será "Constituinte Eymael") e ficou conhecido pelo jingle "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão", lançado em 1985, quando se candidatou a prefeito de São Paulo pela primeira vez.

No discurso em que formalizou sua participação na corrida de 2022, o empresário e advogado, com especialização em direito tributário, disse ser a favor de "valores da família" e que defende a adoção de programas de emprego e moradia para o país.

"Nossos valores são os valores da família, as necessidades da família. E na campanha para a Presidência da República vamos defender alguns princípios. Um deles é o emprego. E, para ter emprego, precisamos ter desenvolvimento no país", declarou.

Eymael, de 82 anos, concorreu à Presidência nas eleições de 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018. Nunca foi para o segundo turno e, nas últimas eleições, recebeu 41,7 mil votos (0,04%). Ele não pontou na última pesquisa de intenção de votos do Ipec.

Padre Kelmon

Depois que o TSE negou a candidatura de Roberto Jefferson, o PTB enviou um novo nome como candidato à Presidência, Padre Kelmon, que era candidato a vice de Jefferson antes da impugnaçao.

O plano de governo, intitulado Direita, Graças à Deus, não sofreu alterações. 

BBC Brasil

O eleitor não é ingênuo - Editorial




Benefícios eleitoreiros não diminuíram a reprovação de Jair Bolsonaro. As altas taxas de rejeição dele e de Lula mostram maturidade do eleitor. Ele sabe o que faz mal ao País

Há muita desinformação e muita manipulação nas redes sociais, o que tensiona aspectos vitais do regime democrático. A mentira massiva não apenas difunde conteúdo inverídico, como corrói o ambiente de confiança tão necessário numa sociedade. Tudo isso pode produzir certo pessimismo em relação à qualidade da decisão do eleitor. De toda forma – e aqui está o ponto a ser destacado –, as pesquisas de opinião indicam que o eleitor não é ingênuo. Os quase quatro anos de governo Bolsonaro tiveram profundas e duradouras consequências na percepção do eleitor: metade da população diz que não votará em Jair Bolsonaro de jeito nenhum.

A taxa de rejeição de Bolsonaro não é um fenômeno temporário, fruto de uma insatisfação pontual. Desde a pandemia, parte considerável da população vem manifestando profundo descontentamento com a administração Bolsonaro, rejeição esta que se consolidou ao longo do tempo. O dado recente, extremamente positivo em relação à maturidade do eleitor, é que a concessão de benefícios eleitoreiros neste segundo semestre não modificou a reprovação do presidente Jair Bolsonaro. A última pesquisa do Ipec indicou que 49% dos eleitores afirmam que não votarão de jeito nenhum em Jair Bolsonaro. Também é expressiva a rejeição de Lula: 36% dos eleitores dizem que não votam nele de forma nenhuma.

Esse quadro revela que os atos dos governantes têm consequências políticas. Certamente, pode-se argumentar que o eleitor poderia e deveria ser ainda mais exigente. Por exemplo, a combinação de compra de 51 imóveis com dinheiro vivo pela família Bolsonaro e as fortes suspeitas de rachadinha – nunca esclarecidas – deveria ser motivo para que ninguém preocupado com o combate à corrupção no País apoiasse ou votasse em Jair Bolsonaro. Não é razoável reconduzir ao mais alto cargo do Executivo federal um político envolvido em suspeitas de lavagem de dinheiro. Seja pela responsabilidade da função, seja pela dimensão de exemplaridade, a Presidência da República merece ser ocupada por pessoas com reputação ilibada.

De toda forma, mesmo que o cenário de consciência cívica tenha muito a melhorar, é preciso reconhecer que já existe de fato uma responsabilização pelo modo como o governante exerce o cargo que lhe foi atribuído. Metade da população não quer um presidente da República que coloca em dúvida o sistema eleitoral, que descuida da educação pública, que não tem planejamento, que desrespeita as mulheres, que dificulta a transparência dos atos do governo, que debocha dos doentes e, principalmente, que não trabalha. O eleitor médio pode ter dificuldades de entender toda a gravidade do orçamento secreto – verdadeira aberração antirrepublicana –, mas ele sabe que o País tem muitos problemas e que o chefe do Executivo federal precisa trabalhar, e trabalhar bem: sem criar desordem, sem fugir de suas responsabilidades e sem favorecer os amigos.

A rejeição de Lula revela também que, ao contrário do que às vezes se diz, o eleitor não se esquece completamente das gestões passadas. O PT pode fingir que, por estar à frente nas intenções de voto para a Presidência da República, não precisa explicar os casos de corrupção de seus 13 anos no governo federal e, principalmente, que não necessita apresentar o que fará de diferente para evitar que, num eventual futuro governo, os escândalos se repitam. A tática diversionista, no entanto, não funciona com parte relevante da população. Mais de um terço da população diz que não vota de jeito nenhum em Lula.

A democracia não é uma ilusão. Por mais que haja fake news – o governo de Jair Bolsonaro chegou a montar um gabinete do ódio no Palácio do Planalto para atacar e difamar adversários políticos –, a população está em contato com a realidade. Não se governa um País com motociata. Não se vence a pandemia com cloroquina. Que até o dia 2 de outubro o eleitor possa fazer uma avaliação responsável dos diversos candidatos, suas trajetórias e respectivas propostas. É preciso não colocar no poder gente tão eficiente em gerar rejeição.

O Estado de São Paulo

Cair de podre




Por António José Gouveia (foto)

Mais do que o recente avanço das tropas ucranianas na reconquista de território, a melhor notícia para o Ocidente é a (ainda ténue) oposição interna a Putin e que fará mudar o curso de uma guerra que tem levado a Europa a uma crise sem precedentes, mas também a um empobrecimento galopante da população russa.

É que, em Moscovo, está a voltar-se à era soviética com o colapso de uma economia que depende do petróleo e do gás para sobreviver e que basicamente importa quase tudo. Com as sanções, a importação de produtos agravou-se e já há alimentos a faltarem nas prateleiras dos supermercados ou a falharem matérias-primas para produzir umas simples calças. Os russos, que nos últimos 30 anos se habituaram a um estilo de vida de abundância e de consumo, podem não estar disponíveis para apertos em nome da pátria. Não é assim de estranhar que o primeiro sinal de forte oposição a Putin tenha vindo de dezenas de conselheiros de Moscovo e de São Petersburgo a pedir a demissão do presidente russo sob a acusação de alta traição. Cumprindo os requisitos da Constituição, representantes de dezenas de municípios escreveram uma carta à Duma (Parlamento) propondo que o presidente seja destituído do cargo devido às consequências da sua ofensiva na Ucrânia. 

Os políticos instam a Duma a tomar medidas contra o presidente porque o seu ataque causou a expansão da NATO para a Suécia e a Finlândia e forçou o Ocidente a fornecer milhares de milhões de euros em armas aos ucranianos. Claro está que o promotor, Dmitri Paliuga, foi logo preso e será hoje julgado "por desacreditar o presidente da Federação Russa".

O avanço das forças ucranianas sobre posições que levavam meses nas mãos russas está a abrir as primeiras fissuras no discurso político do Kremlin. Os líderes da propaganda russa instam abertamente a executar os comandantes que deveriam defender o enorme território perdido, enquanto outras vozes reclamam que chegou a hora de castigar quem convenceu Putin de que as suas tropas seriam recebidas de braços abertos na Ucrânia. Até o presidente checheno, Razman Kadirov, falou abertamente sobre os erros na estratégia do Kremlin. A solução desta guerra é mesmo Putin cair de podre.

Jornal de Notícias (PT)

Viagens de Bolsonaro buscam imagem de estadista, mas 'destemperos' podem prejudicá-lo, dizem analistas




Jair Bolsonaro deve comparecer ao funeral da rainha Elizabeth 2ª em Londres e à Assembleia-Geral da ONU em Nova York

Por Julia Braun, em São Paulo

A decisão do presidente Jair Bolsonaro (PL) de comparecer ao funeral de Estado da rainha Elizabeth 2ª em Londres e à Assembleia-Geral da ONU em Nova York na próxima semana faz parte de uma estratégia utilizada com frequência por líderes mundiais para fortalecer sua imagem como estadistas antes de eleições, afirma Christopher Sabatini, do instituto independente de política Chatham House.

Mas segundo o pesquisador do Programa para a América Latina, EUA e Américas do think tank sediado em Londres, as viagens também podem prejudicar o mandatário e candidato à reeleição caso ele diga ou faça algo que perturbe sua imagem a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais.

"Em meio a uma campanha dura e difamatória, Bolsonaro está tentando projetar uma imagem de estadista sério com essas viagens, tanto domesticamente como internacionalmente", afirmou Christopher Sabatini à BBC News Brasil.

"É muito comum que chefes de Estado compareçam a cerimônias formais e encontros multilaterais como forma de impulsionar sua imagem."

"Mas o efeito na eleição deve depender das suas declarações durante as viagens", diz o especialista em Relações Internacionais. "Especialmente nas Nações Unidas, se ele fizer um discurso destemperado, pode acabar se prejudicando."

"Mas, de forma geral, viagens ao exterior tendem a ajudar líderes mundiais durante eventos complexos, projetando uma imagem de alguém que está acima de qualquer controvérsia."

Bolsonaro pediu ao Ministério das Relações Exteriores para confirmar sua ida à Inglaterra ao lado de sua esposa, Michelle Bolsonaro, para prestar homenagem à rainha Elizabeth 2ª durante seu funeral de Estado, segundo informações divulgadas pelo G1.

Chefes de Estado de todo o mundo foram convidados a se juntar aos membros da Família Real na abadia de Westminster, em Londres, para o evento marcado para segunda-feira (19/9).

Na terça-feira (20/9), dia seguinte ao funeral, Bolsonaro discursará em Nova York, na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Para Peter Hakim, presidente emérito do think tank Diálogo Interamericano, com sede em Washington, o presidente pode se beneficiar da atenção que receberá durante as viagens.

"Ele provavelmente vai receber mais atenção indo para o Reino Unido e discursando na ONU do que ele receberia ficando no Brasil", diz o especialista em política latino-americana.

"Seu discurso na Assembleia-Geral também pode alcançar uma audiência mais diversificada do que outros pronunciamentos, atingindo pessoas que não estão atentas aos seus posts nas redes sociais, por exemplo."

Hakim também acredita que declarações ou ações controversas do presidente podem prejudicar sua imagem a poucas semanas das eleições, mas afirma que por se tratarem de cerimônias muito protocolares, os riscos são menores.

"Os procedimentos formais e cerimoniais do funeral da rainha e da Assembleia-Geral da ONU tornam qualquer declaração ou ação que possa prejudicar sua imagem improvável", afirmou à BBC News Brasil.

'Bolsonaro gostaria de ser rei'

Jair Bolsonaro discursou na ONU em 2019, 2020 e 2021 — por tradição, o chefe de Estado brasileiro é o primeiro na lista de governantes a discursar na Assembleia-Geral.

Essa, porém, será sua primeira viagem oficial ao Reino Unido.

O presidente brasileiro já se encontrou com o agora Rei Charles 3°, filho mais velho e sucessor da rainha Elizabeth.

Os dois tiveram um encontro bilateral no Japão, em meio a uma viagem de dez dias que o titular do Palácio do Planalto fez por países asiáticos em outubro de 2019. Na conversa, os dois discutiram o desenvolvimento da Amazônia.

O príncipe Charles é um "homem simpático", mas, "como o resto do mundo, está equivocado sobre a Amazônia", disse Bolsonaro após o encontro.

'Príncipe Charles e presidente Bolsonaro se encontram no Japão durante entronização de imperador japonês'

Em outubro de 2021, durante uma viagem a Roma para a reunião do G20 que ficou marcada pelo isolamento do presidente brasileiro, Bolsonaro não ouviu o discurso do então príncipe Charles aos chefes de Estado presentes ao evento.

O chefe de Estado saiu para caminhar pelas ruas da cidade, acompanhado por alguns integrantes de sua equipe e seguido por apoiadores, e enviou o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, para lhe representar durante o discurso.

Mas para Peter Hakim, Bolsonaro vê como positiva sua associação à rainha Elizabeth 2ª e aos valores da família real britânica e, por isso, pode ter decidido fazer a viagem a Londres mesmo às vésperas da eleição presidencial.

"Os veículos de comunicação têm coberto extensivamente a morte da rainha Elizabeth 2ª, noticiado todas as formalidades e falado sobre as questões morais que envolvem a família real", diz o presidente emérito do Diálogo Interamericano.

"Essa pode ser vista como uma oportunidade de Bolsonaro se associar a tudo isso, dizer que foi convidado e ser fotografado lá."

"A ideia de monarquia parece agradar Bolsonaro, independentemente de seu poder real. Ele certamente gostaria de ser rei."

"Também pode ser parte de um esforço para mostrar que ele é capaz de celebrar uma mulher poderosa e reconhecer suas realizações, como uma forma de atrair o voto feminino", completa Hakim.

'Rainha Elizabeth 2ª morreu em 8 de setembro de 2022'

Christopher Sabatini afirma que todo o cerimonial e a pompa de um funeral de Estado da família real também podem ter motivado o presidente a comparecer.

"A rainha Elizabeth 2ª está sendo classificada e lembrada como uma figura imponente, que atraía certo consenso internacional. Se associar a essa ideia certamente o beneficia", diz o pesquisador da Chatham House.

"Mas, de forma geral, acredito que a maior motivação neste momento seja ser fotografado e estar ao lado de outros chefes de Estado, seja do Reino Unido, de outros países da Europa ou dos EUA, e de membros da família real. Isso vai fortalecer sua imagem como estadista e chefe de Estado."

'Reforçar alianças internacionais'

Para Sabatini, a viagem a Nova York para a Assembleia-Geral da ONU também pode ser vista como uma oportunidade para Bolsonaro fortalecer suas alianças internacionais com encontros bilaterais e contatos informais antes de uma eleição marcada por alegações infundadas de fraude.

O presidente disse em várias ocasiões que as urnas eletrônicas não são confiáveis e insinuou que pode não aceitar o resultado do pleito em outubro.

"Ele pode tentar reforçar suas alianças internacionais para evitar potenciais críticas negativas caso tente alegar fraude eleitoral ou haja alguma agitação política", diz o pesquisador da Chatham House.

"Seria uma tentativa de fazer algo similar ao que aconteceu naquela reunião com os embaixadores em Brasília. Mas agora em um evento mundial."

Em julho, em uma reunião com embaixadores estrangeiros, o presidente repetiu suspeitas já desmentidas por órgãos oficiais sobre a credibilidade das eleições de 2018 e a segurança das urnas eletrônicas. 

BBC Brasil

Lula, o MST e o agro




Mal não faria o candidato do PT ao explicitar suas posições, sem tergiversar. Reconhecer os erros passados seria já um grande avanço!

Por Denis Lerrer Rosenfield* (foto)  

Talvez Lula devesse se perguntar por que o setor agrícola se opõe tão veementemente à sua candidatura. De nada adiantam inventivas ideológicas, senão mentirosas, rotulando os produtores rurais de “fascistas e reacionários”. Se medisse um pouco as suas palavras e abandonasse essa retórica sem nenhum fundamento, não teria o risco de um efeito propriamente bumerangue. Durante anos – e até hoje –, justificou e apoiou a invasão de terras, com armas brancas e de fogo, do MST, que reinava soberano e impune no campo brasileiro. Isso para não falar de seu apoio incessante a todas as ditaduras que se dizem de esquerda – sendo a mais recente a da Nicarágua, com a prisão de vários padres católicos. Isso para não falarmos, ainda, das ditaduras vizinhas, como Venezuela e Cuba. Seriam eles “democratas e progressistas”?

No debate na Band, foi um “artista” ao sair em defesa do MST. Teve a ousadia de declarar, em deslavada mentira, que o MST nunca tinha invadido uma propriedade produtiva. Na verdade, não foi uma, mas centenas, senão milhares, com absoluto desrespeito ao direito de propriedade e ao Estado Democrático de Direito. Hordas reinavam no campo. Propriedades invadidas, tratores queimados, sedes de fazendas destruídas, trabalhadores rurais feitos prisioneiros, gado esquartejado à espera da morte, incêndios, e assim por diante.

De nada adianta dizer que se tratava de terras improdutivas, pois tal qualificação só poderia ser considerada enquanto tal pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) após o devido processo legal, assegurando o direito de defesa aos proprietários. O que acontecia? O MST declarava que a terra era improdutiva e exigia que o Incra seguisse as suas decisões. Ou seja, a violência era a lei. O legal e o constitucional eram ditados por ele. O que fazia Lula? Em cerimônias no Palácio do Planalto, colocava o boné do MST! A sua cabeça estaria no lugar em que verdadeiramente acredita?

Na verdade, o governo Temer e, em seu prolongamento, o governo Bolsonaro acertaram em suas políticas fundiárias. Além de cortarem as fontes de financiamento das invasões do MST, partiram para a titularização dos assentamentos. Até então, os assentados eram uma massa de manobra do MST e, indiretamente, do PT, que ali podiam exercer sua tutela política. Opunham-se a esse processo de titularização pois um assentado que se torna proprietário torna-se uma pessoa com direitos, um cidadão, capaz de decidir por si mesmo de forma autônoma. Torna-se, no sentido estrito, um agricultor familiar, um proprietário, colhendo o fruto de seu próprio trabalho. Não precisa mais fazer militância no MST nem participar de suas invasões.

Lula, como costuma fazer em suas fantasias sobre os governos petistas – embora evite o quanto pode falar do governo de sua sucessora, como se lhe suscitasse uma reação alérgica –, procurou enaltecer os assentamentos do MST. Dilma, com muito mais realismo e perspicácia, qualificou, com razão, estes mesmos assentamentos de “favelas rurais”. Onde está a verdade, na versão idílica ou na real, em claro contraste entre dois discursos petistas?

Se algo inovador houve nas manifestações de Lula, reside em sua apresentação dos assentamentos como cooperativas. Ainda segundo ele, seria essa a nova realidade. Se for verdade, e se ele pensa seguir por este caminho, estaremos diante de uma grande mudança ideológica. Seria o abandono do modelo emessista, baseado numa suposta propriedade coletiva, que na União Soviética já tinha mostrado todo o seu potencial, não produtivo, mas destrutivo, levando à morte milhões de agricultores. Isto é, seria o reconhecimento da propriedade privada como forma de desenvolvimento econômico e agrário do País. Seria, nesse sentido, muito importante que o PT levasse adiante essa ideia em seu plano de governo, tendo como fundamento a propriedade privada, cujo pressuposto é a titularização dos assentamentos. De quebra, haveria o abandono de um discurso retrógrado socialista/comunista.

Nada, infelizmente, é tão simples. O líder do MST, João Pedro Stédile, logo aproveitou a deixa de Lula para a retomada de seu discurso comunista, baseado na luta de classes. Segundo ele, seria o momento do retorno às invasões, contando novamente com o beneplácito de um governo petista. Procura ele, mais uma vez, ditar a lei, senão o horror da violência, no campo, contando com esta “justificativa”, há muito ultrapassada, da luta contra o latifúndio e a propriedade improdutiva. Propriedade improdutiva só existe em sua cabeça, segundo sua ideologia marxista, tendo a história já mostrado todo o seu poder devastador. O campo brasileiro é, hoje, moderno e produtivo, e está nas primeiras posições entre os maiores produtores de alimentos do planeta. O mundo depende do Brasil. É o seu alvo?

Neste contexto eleitoral, mal não faria o candidato Lula da Silva ao explicitar suas posições, sem tergiversar. O reconhecimento dos erros passados seria já um grande avanço!

*Professor de filosofia na UFRGS.

O Estado de São Paulo

Resposta russa ao avanço da Ucrânia é imprevisível




A Ucrânia reconquistou várias cidades e milhares de quilômetros quadrados das mãos russas, uma reviravolta para a qual a resposta de Moscou é imprevisível.

No final de agosto, a situação parecia estagnada. Mas desde então, o conflito mudou e a Ucrânia obteve importantes vitórias territoriais.

"Será como uma bola de neve, começará a rolar, rolar, rolar (...) E veremos o segundo maior exército do mundo recuar", disse o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, ao jornal francês Le Monde nesta segunda-feira.

Há semanas, os ucranianos anunciaram uma contraofensiva em Kherson, no sul, uma das primeiras cidades capturadas por Moscou após a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro.

Mas a retirada mais importante das forças russas ocorreu no norte.

"O ataque a Kherson não foi apenas uma distração, mas também desempenhou esse papel", comentou à AFP Alexandre Grinberg, do Instituto de Segurança e Estratégia de Jerusalém.

Após o anúncio, explica o especialista, muitas tropas russas deixaram a região de Kharkiv e Izyum, no norte, com o objetivo de reforçar a frente sul. Mas não conseguiram.

- "Deslocalização" -

Analistas ocidentais acreditam que a Ucrânia quer atingir as linhas de abastecimento de seu inimigo.

No sábado, as forças de Kiev anunciaram a recaptura de Kupiansk, um centro ferroviário estratégico no norte do país.

Os russos "dependem muito da malha ferroviária para equipamentos pesados e munição de artilharia", explicou o general aposentado americano Ben Hodges, ex-comandante das forças da Otan na Europa.

Numa região com muitos rios, "basta destruir as pontes [para] cortar as cadeias logísticas", confirma Alexandre Grinberg.

Em poucos dias, Kiev recuperou a eficácia que a caracterizou durante a primavera, quando as forças do Kremlin abandonaram seu objetivo de tomar a capital para se concentrar no Donbass, a área de mineração no leste do país.

Móvel, com pequenas unidades autônomas e cheio de patriotismo, o exército ucraniano desafia as tropas russas, que têm uma hierarquia excessivamente piramidal e um Estado-Maior descrito como desconectado do terreno.

"A Rússia carece acima de tudo de força humana", diz Alexandre Khramchikhin, um especialista militar russo independente.

"É incapaz de controlar grandes territórios e uma grande linha de frente", acrescenta.

O especialista também aponta para "dados de inteligência dos EUA", que ajudam Kiev.

Como resultado, os ucranianos obtiveram "o primeiro deslocamento de uma posição inimiga em campo aberto desde o início da guerra", observa o coronel francês Michel Goya.

"Mesmo que tivesse falhado, o simples fato de poder organizar duas operações ofensivas simultâneas com 20.000 homens a uma distância de 700 km, contra russos que não são mais capazes de fazê-lo, já mostraria que as curvas de capacidade se cruzaram", acrescenta.

- Opções "limitadas" -

A história da guerra, no entanto, é cheia de reviravoltas.

A Rússia insiste que vai reagir. O porta-voz do ministério da Defesa, Igor Konashenkov, informou nesta segunda-feira sobre bombardeios em áreas recuperadas por Kiev no leste e o Kremlin garantiu que sua ofensiva continuará "até que os objetivos sejam alcançados".

Alexander Grinberg antecipa importantes movimentos russos, embora prefira não se aventurar em sua eficácia.

"Será necessário ver se esta derrota, muito espetacular, mesmo que seja apenas tática, tem algum impacto na opinião pública" na Rússia.

O presidente russo, Vladimir Putin, "é muito limitado em suas opções", diz Ivan Klyszcz, pesquisador do Instituto de Política Externa de Tallinn, na Estônia.

Mesmo uma derrota parcial seria invendável após mais de seis meses de esforços.

Negociar parece fora de questão. Mas a médio prazo, a aproximação do inverno pode mudar a situação.

"Moscou está depositando suas esperanças no inverno e nos problemas socioeconômicos de Kiev", diz Alexander Khramchikhin, um especialista russo.

AFP / Estado de Minas

Nacionalistas russos criticam Putin e estratégia militar na Ucrânia

Militares da Ucrânia na região de Kharkiv 


Nas últimas semana, Kiev tem anunciado a reconquista de várias regiões ucranianas aos invasores russos e a retomada da cidade Izium, na província de Kharkiv, foi a pior derrota militar da Rússia desde o início da invasão à Ucrânia. Com perda do principal bastião no nordeste da Ucrânia, os nacionalistas russos criticaram Vladimir Putin e pediram que o presidente mude a estratégia para garantir a vitória final na guerra.

No domingo, o exército ucraniano confirmou que retomou "mais de 20 localidades" em 24 horas, no quadro da sua contra-ofensiva contra o exército russo, nomeadamente no leste da Ucrânia. Numa mensagem em reação a esta notícia, Ramzan Kadyrov, o líder da Chechénia indicado pelo Kremlin, criticou a liderança do exército russo.

“Se hoje ou amanhã não forem feitas mudanças na condução da operação militar especial, serei forçado a dirigir-me à liderança do país para explicar a situação no terreno”, disse Kadyrov numa mensagem publicada no Telegram.

Advertindo que o Kremlin pode enfrentar consequências com a perda de território que as a Rússia afirmava que pretendia manter “para sempre”, Kadyrov sugeriu que Vladimir Putin pode não estar ciente do estado real das coisas.

“Cometeram erros e acho que vão tirar as conclusões necessárias”, disse na mensagem de aúdio, no domingo. “É uma situação interessante. Surpreendente, diria eu”.Nacionalistas preocupados com silêncio russo

A Ucrânia afirmou no domingo ter recuperado cerca de 3.000 quilómetros quadrados do território, principalmente na região de Kharkiv, desde o início de setembro.

"A libertação de localidades dos invasores russos continua nas regiões de Kharkiv e Donetsk", lê-se no relatório do Exército ucraniano. Em toda a linha de frente, “as forças ucranianas conseguiram expulsar o inimigo de mais de 20 localidades” em 24 horas, acrescenta-se no documento.

"Durante a retirada, as tropas russas abandonaram as suas posições à pressa e fugiram".

E, enquanto as forças russas abandonavam as cidades no sábado, Putin estava a inaugurar a maior roda gigante da Europa num parque de Moscovo, para celebrar a fundação da cidade em 1147. O silêncio do Kremlin em resposta a esta derrota provocou descontentamento nas redes sociais entre alguns russos pró-guerra e nacionalistas.

Desde o início da invasão em fevereiro, o Kremlin tem-se concentrado em silenciar as vozes críticas à guerra, mas são vários os líderes nacionalistas que pressionam, cada vez mais, a Rússia para que mude de estratégia e envie mais tropas para vencer a guerra contra a Ucrânia.

À medida que as forças ucranianas iam reconquistando território, o Ministério russo da Defesa foi publicando vídeos, alegando que os militares russos estavam a ser enviados para a região de Kharkiv. No domingo, o Ministério afirmou ainda que as forças russas tinham atacado posições ucranianas na região com dispositivos aéreas, mísseis e artilharia.

Mas nem Putin, que é o comandante supremo das Forças Armadas da Rússia, nem o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, comentaram publicamente a derrota russa no domingo.

Sergei Mironov, líder do partido da oposição mas leal a Putin, Rússia Justa, escreveu no Twitter que o fogo de artifício pelas celebrações em Moscovo deveria ser cancelado, considerando a situação militar. Também pelo Telegram, o correspondente de guerra Semyon Pegov referiu-se às comemorações como “insultuosas” e à recusa das autoridades russas de avançar para uma guerra em grande escala como “esquizofrénica”.

"Ou a Rússia se constrói ela mesma com o nascimento de uma nova elite política, ou deixará de existir", escreveu Pegov.

As forças ucranianas, por seu lado, continuam a avançar para o norte na região de Kharkiv e para o sul e leste do país, disse o chefe do Exército da Ucrânia. 

Reuters / RTP

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