sábado, janeiro 15, 2022

Terceira via é um fracasso anunciado, pois Moro, Ciro, Doria e Tebet não conseguem se unir

Publicado em 15 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Galvão – Construindo a terceira via

Charge do Galvão Bertazzi (Folha)

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Cerca de dois anos e meio após o golpe de Estado de 1964, que destituiu o presidente João Goulart, o político que havia defendido aquela intervenção militar desde a eleição do presidente Getúlio Vargas, em 1950, o ex-governador da então Guanabara Carlos Lacerda fez uma surpreendente autocrítica e convocou seus antigos inimigos a se unirem contra os militares. Lançada em 28 de outubro de 1966, a Frente Ampla uniria os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, para restaurar a democracia.

Lacerda havia sido alijado do centro das decisões do governo do marechal Castelo Branco. Tentou, sem êxito, estruturar um novo partido, uma vez que a grande maioria da sua legenda, a União Democrática Nacional (UDN), principal base de apoio do governo no Congresso, ingressou no novo partido situacionista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena).

AS NEGOCIAÇÕES – Os deputados da Guanabara fiéis à orientação de Lacerda, entretanto, ingressaram no oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em julho de 1966. As negociações de Lacerda com Juscelino, cassado em junho de 1964 e exilado em Lisboa, avançaram com relativa facilidade, pois ambos haviam apoiado o golpe de Estado; porém, com o ex-presidente Goulart, foram mais difíceis.

A tensão entre os militares e os principais líderes políticos que apoiaram o golpe crescia. Em 3 de outubro, o Congresso elegera o marechal Artur da Costa e Silva à Presidência da República, que, nove dias depois, cassaria os mandatos de seis parlamentares, entre eles Doutel de Andrade, um dos articuladores da Frente Ampla. O arenista Adauto Lúcio Cardoso, presidente da Câmara dos Deputados, reagiu, afirmando que a decisão sobre as cassações de mandatos era competência da Câmara. Em resposta, no dia 21, o governo prendeu Doutel e fechou o Congresso.

A Frente Ampla foi finalmente lançada por Lacerda, em 28 de outubro de 1966, por meio de um manifesto dirigido ao povo brasileiro e publicado no jornal carioca Tribuna da Imprensa.

A FRENTE AMPLA – Em 19 de novembro de 1966, na Declaração de Lisboa, Lacerda e Kubitschek anunciaram que suas divergências estavam superadas e integrariam uma frente ampla de oposição ao regime.

Dez meses depois, Lacerda firmou, em Montevidéu, uma nota conjunta com Goulart, na qual a Frente Ampla era caracterizada como um “instrumento capaz de atender… ao anseio popular pela restauração das liberdades públicas e individuais”.

Comícios foram realizados em São Paulo (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul), em dezembro de 1967, e no Paraná (Londrina e Maringá), no início de abril de 1968.

PROTESTOS ESTUDANTIS – Simultaneamente, houve grandes manifestações estudantis em todo o país, em protesto contra a violência policial que, em fins de março, no Rio de Janeiro, resultara na morte do estudante Edson Luís de Lima Souto.

As atividades da Frente Ampla, porém, foram proibidas, em 5 de abril, por intermédio da Portaria nº 117 do Ministério da Justiça. Em 13 de dezembro de 1968, com a edição do Ato Institucional nº 5, houve o definitivo fechamento do regime.

A Frente Ampla defendida por Lacerda, Juscelino e Jango viria a se materializar muito mais tarde, na eleição de Tancredo Neves, no colégio eleitoral, em 1985, que morreu antes de tomar posse. Recebera o apoio de líderes que até então apoiavam o regime militar, como José Sarney (o vice que assumiria a Presidência), Antônio Carlos Magalhães, Marco Maciel e José Agripino. Velhos adversários foram capazes de deixar as diferenças de lado quando a necessidade os obrigou a se unirem.

NO BRASIL DE HOJE – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin, adversários em São Paulo desde as eleições de 1982, sinalizam uma aliança nessa linha.

Entretanto, os candidatos que defendem a chamada terceira via, até agora, não parecem dispostos a um entendimento, mantendo candidaturas que, isoladamente, não estão sendo capazes de romper a polarização existente entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é franco favorito, e o presidente Jair Bolsonaro (PL), até agora com lugar cativo no segundo turno.

Se as eleições fossem hoje, Lula venceria no primeiro turno, com 45% dos votos, segundo Pesquisa Genial Quaest. Bolsonaro (PL) teria 23% dos votos e Sergio Moro (Podemos), 9%, enquanto Ciro Gomes (PDT) ficaria com 5% e João Doria (PSDB), 3%. A senadora Simone Tebet (MDB) teria 1%. Nas respostas espontâneas, embora Lula registre 27% e Bolsonaro, 16%, o nível de indecisos ainda é elevado: 52%.

Com as mãos no Orçamento, Ciro Nogueira tem de elevar Fundo eleitoral a R$ 5,7 bilhões

Publicado em 15 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Izânio (Arquivo Google)

Cristiane Noberto
Correio Braziliense

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), mal botou as mão na chave do cofre da União e já tem de negociar com o Ministério da Economia a possibilidade de o Fundo Eleitoral subir de R$ 4,9 bilhões para R$ 5,7 bilhões neste ano. A equipe econômica busca uma forma de remanejar R$ 800 milhões para turbinar as campanhas dentro da revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

O movimento ocorreu um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (PL) ter concedido ao cacique do Centrão a palavra final sobre a gestão do Orçamento. A  verba original era de R$ 5,7 bilhões, mas Bolsonaro vetou para reduzir a R$ 4,9 bilhões, mas o Congresso derrubou o veto e o valor anterior prevalece.

A legislação eleitoral determina que os recursos do Fundo para as campanhas sejam distribuídos entre os partidos políticos com base em uma série de critérios, como o percentual de votos obtido no pleito mais recente e o número de deputados e senadores eleitos por legenda.

FATIA MAIS GORDA – “As principais siglas, que têm maior número de representantes na Câmara dos Deputados, são muito mais beneficiadas”, disse Márlon Reis, advogado de direito eleitoral. O Partido Progressista, de Nogueira e do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), tem a terceira maior bancada do Congresso, com 49 parlamentares em exercício nas duas Casas e, portanto, abocanharia uma fatia mais gorda do Fundão.

Procurado pela reportagem para comentar a eventual elevação do fundo eleitoral, o Ministério da Economia respondeu, em nota: “A Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento informa que esse assunto está em análise”.

Já a Casa Civil destacou que “a Lei Orçamentária de 2022 ainda não foi sancionada, e o autógrafo do PLOA 2022 encontra-se em análise pelos órgãos responsáveis no âmbito do Poder Executivo”.

AVAL DO CONGRESSO – A proposta em elaboração por Ciro Nogueira, no entanto, precisa do aval do Parlamento. Assim, o governo deve enviar um projeto ao Congresso explicando o motivo de tal alteração e de onde sairiam os novos recursos.

Segundo Juliana Damasceno, economista da Tendências e pesquisadora associada do FGV Ibre, o Orçamento já está completamente comprometido.

“Não tem como mexer em 93% (da peça orçamentária), que são de despesas obrigatórias. Assim, sobram 7% das discricionárias. Porém, dentro desse montante, estão algumas contingências, como o pagamento do Auxílio Brasil, que não é (despesa) obrigatória, mas que não se consegue mexer”, comentou. “A gordura para gastos é muito reduzida. Logo, o máximo seria tirar de investimento e do custeio da máquina.”

MAIS UMA PAULADA – Integrantes da Comissão Mista de Orçamento afirmaram que, se a ideia for levada a cabo, “vai ser uma paulada do Congresso em cima do governo e haverá, certamente, sérias resistências à aprovação da mudança, mesmo que isso interesse aos parlamentares”.

Segundo o vice-presidente da Comissão, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), “não tem chance nenhuma” de ser aprovado no Congresso, independentemente dos argumentos do governo e da fonte de recursos apresentada. “Foi uma briga para reduzir isso (Fundão). Aí, acordou, acabou. Eu tenho certeza de que não passa no Senado”, sustentou.

Na avaliação do parlamentar, uma alternativa seria implementar o Fundo com as emendas do relator (RP9). “É o que eles podem tentar fazer e, mesmo assim, acho difícil”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, para reduzir o Fundo Eleitoral, tem de ser aprovado um novo projeto modificando o Orçamento, na Câmara e no Senado. Até lá, o que foi aprovado pelo Congresso para o Orçamento tem de prevalecer, devido à derrubado do veto presidencial. (C.N.)


Em Jeremoabo o bambu só geme no lombo dos mais fracos.

Não estou entrando no mérito da questão para discutir se a presente portaria é legal ou ilegal, apenas quero dizer que por uma questão de justiça e da legalidade, que " o pau que dá em chico deveria dá em Francisco"; porém nesse atual (des)governo o pensamento mesquinho é " para os amigos vale tudo, para os contrários os rigores da lei", a discriminação impera.
O gestor ou seus prepostos deveriam escutar o barulho ensurdecedor e abusivo dos paredões, dos carros de som, das festas sem nenhum controle quase que diariamente na Praça do Forró, e o pior sem nenhuma exigência do atestado de vacinação, verdadeiro criadouro do COVID-19, foco de contaminação.
Será que nesse (des)governo municipal não existe ninguém que conheça a Lei do Silêncio, a Lei do  Sossego.

O que diz a lei?

Em seu artigo 1.277, o Código Civil assegura que todo proprietário deve  respeitar o direito de sossego e a saúde da vizinhança para a boa convivência. 

Quem perturba o trabalho ou sossego alheio pode sofrer as sanções previstas nos artigos 42 ou 65 da Lei de Contravenções Penais (que trata de delitos leves), que vão de multa a prisão de quinze dias a dois meses.

Espera-se apenas que com os mesmos rigores que estão agindo contra os feirantes, ajam com os perturbadores do sossego, bem como, com os contaminadores da população.



Agronegócio: exportação em 2021 foi recorde de US$ 120,6 bilhões

 




Em dezembro, o desempenho do setor também foi recorde, de US$ 9,88 bilhões

As exportações do agronegócio em 2021 somaram recorde de US$ 120,59 bilhões, alta de 19,7%, em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura. Em dezembro, o desempenho do setor também foi recorde, de US$ 9,88 bilhões, 36,5% superior aos US$ 7,24 bilhões de 2020.

'Valor Bruto da Produção Agropecuária fecha 2021 em R$ 1,13 trilhão, alta de 10%'

Segundo o ministério, em nota, no último mês do ano o resultado foi puxado pelo forte aumento dos preços dos produtos exportados (22,5%) e, também, da expansão do volume exportado (11,4%). "Além dos preços elevados, houve recorde no volume exportado pelo Brasil no agronegócio (15,62 milhões de toneladas). De acordo com os analistas da SCRI, os destaques foram para soja em grãos (2,71 milhões de toneladas; +889,5%); farelo de soja (1,72 milhão de toneladas; +82%); celulose (1,64 milhão de toneladas; +28,8%); e carnes (667 mil toneladas; +3,3%)", disse a pasta.

Com este cenário, preços elevados e aumento do volume exportado, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras voltou a crescer. Em dezembro de 2020, as exportações do agro foram responsáveis por 39,2% do valor total vendido ao exterior, e, em dezembro de 2021, a participação alcançou 40,6%.[

Estadão / Dinheiro Rural

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Valor Bruto da Produção Agropecuária fecha 2021 em R$ 1,13 trilhão, alta de 10%

Levantamento da Secretaria de Política Agrícola mostra que as lavouras somaram R$ 768,4 bilhões, o equivalente a 68% do VBP

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) atingiu R$ 1,129 trilhão em 2021, 10,1% acima do valor alcançado em 2020, de R$ 1,025 trilhão, segundo o Ministério da Agricultura. Levantamento da Secretaria de Política Agrícola mostra que as lavouras somaram R$ 768,4 bilhões, o equivalente a 68% do VBP e crescimento de 12,7% na comparação com 2020; e a pecuária, R$ 360,8 bilhões (32% do VBP),alta de 4,9%. Em nota, diz que o bom desempenho ocorreu mesmo diante da falta de chuvas, seca e geadas em regiões produtoras.

Para este ano, o VBP esperado é de R$ 1,162 trilhão, 2,9% acima do obtido em 2021. "Continuam boas as chances para algodão, café, milho, soja, trigo e produtos da pecuária, especialmente carnes bovina e de frango. Também não devemos ter problemas de abastecimento interno e externo, pois como mencionado as previsões são de safra elevada de grãos e oferta satisfatória de carnes", disse a pasta.

+ Agronegócio: exportação em 2021 foi recorde de US$ 120,6 bilhões

Os produtos com melhores resultados no VBP de 2021 foram soja, R$ 366 bilhões; milho, R$ 125,2 bilhões; algodão, R$ 27,6 bilhões; arroz, R$ 20,2 bilhões; cacau, R$ 4,2 bilhões; café, R$ 42,6 bilhões; trigo, R$ 12,5 bilhões; carne bovina, R$ 150,9 bilhões; carne de frango, R$ 108,9 bilhões; e leite, R$ 51,8 bilhões. Juntos, responderam por 76% do VBP do ano passado.

A pasta diz que três fatores impulsionaram o crescimento: preços favoráveis, quantidades produzidas e o mercado internacional que, em geral, tem sido favorável para vários desses produtos. "O mercado internacional e os preços foram os mais relevantes desses fatores", destaca o ministério na nota.

Estadão / Dinheiro Rural

Faltam vetores para crescer em 2022




Não há investimento se há ociosidade na capacidade produtiva e falta perspectiva de elevação da demanda

Por Antonio Corrêa de Lacerda* (foto)

A probabilidade de uma estagnação, ou até mesmo uma recessão, no Brasil em 2022 é maior do que a de crescimento. Há ausência de vetores que possam impulsionar a economia, a começar pela herança estatística. 2021 herdou um carregamento (carry trade) de 3,6% de 2020. Ou seja, 80% do desempenho positivo do ano, previsto em 4,5%, advém deste fator. Para este ano, o efeito estatístico do ano em curso será nulo.

Além disso, outros fatores macroeconômicos são adversos: a inflação, a política monetária, o mercado de trabalho e o investimento. A inflação derivada do choque de oferta das matérias-primas produz estragos na cadeia produtiva. A política monetária restritiva, com a elevação dos juros desestimula o consumo, que há tempos anda em falta, por estimular a poupança dos mais ricos e encarecer as dívidas das famílias e empresas.

O mercado consumidor também tem sido negativamente afetado pelo elevado desemprego em uma acepção mais ampla, considerando os desalentados e os subocupados. O fato é que mais de 30 milhões de pessoas estão fora do mercado de trabalho. A capacidade de compra das pessoas segue limitada, com a elevação do custo de vida e a insuficiência de reajuste de salários e honorários.

A política fiscal segue restringindo o investimento público, que está no menor nível médio histórico e seria crucial para promover uma medida anticíclica, pelo seu potencial efeito multiplicador e de demonstração. O investimento privado, dadas as circunstâncias apontadas, é circunscrito a algumas atividades ou ações de modernização estritamente necessárias. Nenhum empresário investe porque a mão de obra ficou mais barata, ou mediante eventual desoneração tributária, se há ociosidade na capacidade produtiva, falta perspectiva clara de elevação da demanda. Além disso, variáveis-chave para decisão, como a taxa de câmbio, por exemplo, não são previsíveis, inviabilizando o cálculo econômico.

As medidas de auxílio social, embora cruciais e necessárias, não serão suficientes para contrapor o cenário traçado. Completa o quadro o efeito das eleições gerais, que tradicionalmente geram muita especulação e volatilidade nos mercados. O aumento da incerteza exige mais clareza por parte dos postulantes aos cargos no Executivo e no Legislativo, especialmente quanto às propostas do que fazer na economia!

*Antonio Corrêa de Lacerda Presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor-doutor do Programa de Pós-graduação em Economia Política da PUC-SP, é autor de “O Mito da Austeridade” (Contracorrente).

O Estado de São Paulo

Temendo desgastes eleitorais com nova troca na Saúde, centrão trabalha para manter Queiroga no cargo




Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga

Ministros do governo Bolsonaro têm repetido à exaustão nos bastidores que os ataques do presidente às vacinas para crianças aceleram a deterioração da imagem dele junto à população.

Por Andréia Sadi 

Integrantes do centrão têm trabalhado para que Marcelo Queiroga não saia candidato durante as eleições de outubro e permaneça no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), para evitar um novo desgaste com mais uma troca no Ministério da Saúde em meio à pandemia do coronavírus.

A principal preocupação desses aliados, segundo um líder do centrão, é que Bolsonaro aproveite a saída de Queiroga para indicar um nome ainda mais ligado à sua base radical e a repercussão da indicação contamine ainda mais a imagem de Bolsonaro em meio ao processo eleitoral.

Aliados de Queiroga têm feito circular a versão de que ele tem dado sinais desde o fim de ano que pode não sair candidato "pois poderia parecer abandono em meio a pandemia".

'Queiroga volta a dizer que não há emergência para vacinar crianças contra a Covid'

Mas, na verdade, desde o começo de sua gestão, o ministro da Saúde – que é médico, mas rapidamente se alinhou ideologicamente ao presidente – tem usado a pasta como palanque político para se cacifar como candidato na eleição, disputando pelo seu estado, a Paraíba.

Nas últimas semanas, no entanto, ministros do governo Bolsonaro têm repetido à exaustão nos bastidores que os ataques do presidente às vacinas para crianças aceleram a deterioração da imagem dele junto à população, majoritariamente a favor da imunização.

Esses líderes do centrão, com cargos no governo, temem o reflexo disso nas eleições e afirmam que essa postura de Bolsonaro pode ser balizadora para que o bloco decida o apoio a Bolsonaro na eleição presidencial. Mesmo que apoiem o presidente formalmente, partidos como PP e Republicanos, por exemplo, podem trabalhar nos bastidores para outros candidatos em diferentes estados, fortalecendo, inclusive, campos políticos de adversários de Bolsonaro.

G1

Cheiro de mofo - Editorial




Sem nada a apresentar como legado que não seja desastroso, Bolsonaro ensaia volta às agressões vis

​De tão repetidas e mofadas que se tornaram as diatribes contra seus adversários, é com enfado que se encara a retomada do expediente pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em seu derradeiro ano de mandato.

O governante ensaia retornar ao radicalismo que mostrou sua face monstruosa —e sua absoluta impotência— nas últimas manifestações de 7 de Setembro. Insolências contra ministros do Supremo Tribunal Federal e insultos contra políticos adversários compõem o quadro de um Napoleão, daqueles de hospício, que perdeu os dentes.

O presidente vocifera porque reincidir nos esperneios autoritários é o que lhe restou após realizar a proeza de bater todos os recordes de incompetência e ignorância entre chefes de Estado na história da chamada Nova República.

A gestão Bolsonaro não deixa legado que permita ao incumbente apresentar-se como favorito à reeleição, num contraste vertical com os três outros mandatários que pleitearam o segundo mandato.

As condições de vida da maioria da população estão se deteriorando pela carestia e pela falta de empregos, para os quais a desídia e a estultice da administração federal contribuíram diretamente. O Brasil, a se concretizarem as expectativas sobre a economia, será um dos poucos países a registrarem queda na renda per capita neste ano.

A truculência, ainda mais quando a sua essência bravateira já é de todos conhecida, não vai restituir o que a inépcia presidencial destruiu. Não vai apagar a opção pelo obscurantismo e pela sabotagem no combate a uma pandemia que está para completar dois anos.

Ainda agora Jair Bolsonaro parece fazer o que pode para embotar a vacinação das crianças, o único grupo populacional sem proteção de imunizantes contra o novo coronavírus, enquanto o patógeno evolui para a terceira e mais acelerada onda de infecções no país.

Meteu-se o presidente numa enrascada com o funcionalismo ao prometer reajuste salarial, de resto inadmissível dada a gravíssima restrição orçamentária, apenas a categorias policiais. Não dá a mínima para a saúde e o emprego da imensa maioria da população, mas gasta suas energias, quando não está de férias na praia, como dublê de lobista de corporações armadas.

Não se conhecem meios de uma tal "plataforma" angariar maiorias de simpatizantes para assegurar a reeleição de Bolsonaro em outubro, quanto menos num país desigual, em que a massa de eleitores que decide de fato o escrutínio debate-se pelo pão de cada dia e duela contra o empobrecimento.

Inviável pelos seus feitos, ou não feitos, Jair Bolsonaro tenta retomar as agressões vis como se isso pudesse devolver-lhe alguma esperança de continuidade. Não pode.

Folha de São Paulo

OMS recomenda dois novos tratamentos contra covid-19




Medicamentos baricitinib, contra artrite reumatoide, e sotrovimab, à base de anticorpos sintéticos, podem evitar mortes e reduzir hospitalizações, enquanto variante ômicron já se torna cepa dominante em vários países.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou nesta sexta-feira (14/01) dois novos tratamentos contra a covid-19.

No momento em que a variante ômicron do coronavírus gera sobrecargas em hospitais mundo afora, os novos medicamentos ampliam o arsenal de combate à doença e aumentam as chances de evitar mortes e reduzir o número de doentes em estado grave.

Em artigo publicado no British Medical Journal, especialistas da OMS afirmam que o medicamento contra artrite reumatoide baricitinib, em combinação com corticosteroides, deve ser usado no tratamento de pacientes em estado grave ou crítico, e pode resultar num aumento do número de sobreviventes e na redução da necessidade de ventiladores. 

Além disso, o tratamento com anticorpos sintéticos sotrovimab pode ser aplicado em pessoas com infecções não graves, mas com alto risco de hospitalização, como os idosos ou indivíduos com imunodeficiência ou doenças crônicas, como diabetes.

A OMS considerou insignificantes os benefícios do sotrovimab para pessoas que não estão em risco de hospitalização. Além disso, sua eficácia contra a ômicron ainda é incerta.

Os medicamentos contra a artrite tocilizumab e sarilumab, os quais a OMS recomendou em julho, são inibidores de interleucina (IL-6) que suprime reações perigosas do sistema imunológico ao coronavírus Sars-Cov-2.

O baricitinib está em uma classe diferente de medicamentos conhecida como inibidores de Janus Kinase, embora esteja sob as mesmas diretrizes estabelecidas para os inibidores de IL-6.

Ômicron dominante em vários países

As diretrizes indicam que o sotrovimab pode ser utilizado em pacientes com as mesmas condições dos que recebem o tratamento com anticorpos sintéticos Regeneron, aprovado pela OMS em setembro.

As recomendações de tratamento da OMS são atualizadas regularmente com base em novos dados, resultantes de testes clínicos.

A OMS informou que a ômicron, que consegue evitar a proteção dada por muitas vacinas e tratamentos, já foi identificada em 149 países e supera a variante delta com a cepa dominante em várias regiões, levando governos e cientistas a reforçarem as defesas contra a doença.

O baricitinib, da farmacêutica Lilly, é comercializado sob a marca Olumiant. O sotrovimab é produzido pelo laboratório GlaxoSmithKline (GSK).

Deutsche Welle

Bolsonaro vê popularidade cair entre os mais ricos e escolarizados

 




Presidente Jair Bolsonaro, em queda nas pesquisas

Inflação alta e má condução da pandemia aumentam a rejeição ao presidente

Por Ingrid Soares e Bernardo Lima

Com planos de reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem visto sua popularidade em queda. As pesquisas de intenções de voto apontam que o chefe do Executivo tem perdido apoio de grupos que foram importantes para a vitória dele no pleito de 2018. Entre as principais queixas dos entrevistados, estão a alta da inflação — que fechou 2021 em 10,06%, maior nível desde 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — e a condução da pandemia, que levou à morte mais de 620 mil pessoas.

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 45%, contra 23% de Bolsonaro. Entre os entrevistados com maior renda (acima de cinco salários mínimos), a avaliação negativa do atual governo cresceu 8%, desde a edição anterior do levantamento, em dezembro. Antes, 44% desse público desaprovava a gestão do presidente, ante 52% em janeiro de 2022.

De acordo com a pesquisa, a alta da inflação é o fator que rende a maior desaprovação a Bolsonaro, com 80% de rejeição dos entrevistados. Apenas 18% aprovam o jeito como o presidente está lidando com o problema — 2% não souberam ou não responderam.

Analista da Consultoria de Risco Político Dharma Politics, Raquel Borsoi observou que a queda de popularidade de Bolsonaro se deve, principalmente, à má gestão da economia em meio à covid-19. "Quando pensamos no que realmente pesa para que o eleitor decida o seu voto, a variável de destaque apontada pela própria pesquisa Genial/Quaest é a economia. Na consultoria, temos uma máxima: 'Geladeira cheia, voto no governo; geladeira vazia, voto na oposição'", afirmou.

Para Carolina Botelho, cientista política do Iespe, a recuperação da economia é o que poderia dar uma chance de reeleição ao presidente, o que, segundo ela, parece improvável. "A economia é um fator que poderia reverter a condição dele, mas não vem dando sinais de recuperação, pelo menos com o fôlego necessário para uma reeleição. Estamos com índices de inflação e desemprego altos, o poder de compra menor, cesta básica encarecida."

Borsoi destacou que os caminhos da economia nos próximos meses determinarão, "em muito", o resultado nas urnas. "Sempre há possibilidade de reversão, haja vista que, além de possuir o controle da máquina pública, o presidente detém o Orçamento para distribuir a seus pares e grupos/categorias que poderão apoiá-lo em outubro, como é o caso dos policiais militares", observou.

A rejeição a Bolsonaro também cresceu entre os mais escolarizados. Conforme a pesquisa, 54% dos entrevistados com ensino superior incompleto ou mais avaliam negativamente a gestão do presidente. Em dezembro, esse número ficou em 49%.

"Creio que a queda de Bolsonaro em setores mais escolarizados está diretamente relacionada ao fato de que o governo falhou em muitas das demandas desses setores. De uma maior liberalização da economia, passando pelo rompimento com o compromisso no combate à corrupção e a própria gestão da pandemia. Isso gerou um desgaste, fez com que muitos que votaram em Bolsonaro se desiludissem", sustentou Borsoi.

O cientista político e diretor da Royal Consultoria e Marketing Político, Rócio Stefson, destacou que, em 2018, a tendência era votar em um candidato "apolítico", o que já começou a mudar nas eleições municipais. "Em 2020, tivemos uma mudança nesse panorama. As pessoas optaram por votar em candidatos que tivessem mais experiência em gestão pública. Isso vai se repetir e até aumentar em 2022. O eleitorado deve procurar um candidato que já tem experiência em gestão, Lula vem se destacando nas pesquisas de intenção de voto", frisou.

Correio Braziliense / Estado de Minas

Olaf Scholz foi espionado pela Stasi

 




Documentos revelados pelo jornal "Bild" mostram que o hoje chanceler federal alemão foi mantido sob vigilância na década de 80 pelo serviço de segurança da antiga Alemanha Oriental.

A polícia secreta da Alemanha Oriental espionou por anos o atual chanceler federal alemão, Olaf Scholz, na década de 80 chegando segui-lo na Alemanha Ocidental, em Hamburgo, onde residia na época, segundo reportagem publicada pelo tabloide Bild.

Scholz, que era então advogado, viajou várias vezes para a antiga Alemanha Oriental como líder da Jusos, a organização jovem de seu Partido Social-Democrata (SPD).

Scholz, que assumiu o cargo como sucessor de Angela Merkel em dezembro, disse que a reportagem do jornal não foi uma surpresa. "Claro, estou ciente do fato de que fui espionado", afirmou nesta quinta-feira (13/01). "Não é bonito, mas é como é."

De acordo com os documentos da Stasi, a política secreta alemã-oriental, consultados pelo Bild, os agentes identificaram Scholz como um "profissional político da velha escola, que tem muita influência". Eles instruíram seus colegas a dar a Scholz e seus companheiros um tratamento especial, como "vistos para Berlim, sem taxas" e "desembaraço educado, sem controle alfandegário". Ele também foi autorizado a entrar sem pagar a taxa de câmbio de moeda a uma coversão favorável.

Dados repassados à KGB

O futuro chanceler também foi espionado, junto com uma dúzia de outros colegas do SPD, quando retornou a Hamburgo. Algumas dessas informações também foram repassadas à polícia secreta soviética, a KGB. A KGB trabalhava em estreita colaboração com a Stasi e até mantinha um escritório em Berlim.

Ao longo dos anos 80, a Stasi tinha mais de 3 mil informantes na Alemanha Ocidental, fornecendo à polícia secreta da Alemanha Oriental informações sobre figuras políticas e empresários proeminentes, assim como artistas, intelectuais, ativistas e até mesmo pessoas comuns.

Scholz não comentou se ele também já tinha visto os documentos. Agora com 63 anos, o agora chanceler alemão se juntou à organização jovem do SPD em meados da década de 1970 e foi vice-presidente do grupo a partir de 1982 a 1988.

Deutsche Welle

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