sexta-feira, dezembro 10, 2021

O que se sabe sobre a variante ômicron do coronavírus




Nova cepa da covid-19 foi declarada "variante de preocupação" pela OMS. Possivelmente mais contagiosa, ela pode dificultar a reação do sistema imunológico. Vários países impuseram restrições de viagem ao sul da África.

Por Alexander Freund e Roberto Crescenti

Onde foi detectada a nova variante do coronavírus?

A nova variante B.1.1.529, batizada de ômicron pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi descoberta em 11 de novembro de 2021 em Botsuana, que faz fronteira com a África do Sul, onde a cepa também foi encontrada dias depois.

Na África do Sul, os primeiros registros ocorreram principalmente nas cidades de Joanesburgo e Pretória, na província de Gauteng, onde a incidência da covid-19 está bastante alta. No dia 3 de dezembro, autoridades sul-africanas afirmaram que sete das nove províncias do país já haviam registrado casos da variante, e que as infecções haviam aumentado mais de 300% em uma semana.

Mais de 50 países já confirmaram casos da nova variante, inclusive o Brasil , os Estados Unidos e vários na Europa. 

Para tentar conter a disseminação do vírus, diversos países, entre eles os EUA, todos os 27 membros da União Europeia (UE) e o Brasil, impuseram restrições para viagens com origem na África do Sul e vizinhos. Japão e Israel chegaram a fechar suas fronteiras paras estrangeiros.

Quão perigosa é a nova variante?

Pesquisadores estão preocupados com o fato de a ômicron conter um número considerado extremamente alto de mutações do coronavírus. Eles encontraram 32 mutações na chamada proteína spike (S), que o vírus usa para se prender a células humanas e infectá-las. Na variante delta, considerada altamente infecciosa e dominante no mundo atualmente, foram encontradas oito mutações.

Ao mesmo tempo que o número de mutações nessa proteína não é uma indicação exata do quão perigosa a variante pode ser, isso sugere que o sistema imunológico humano pode ter maior dificuldade em combater a nova variante. Também há indicações de que a ômicron possa escapar das respostas imunológicas do corpo humano.

Infecções com a nova variante não necessariamente são mais graves do que as com cepas anteriores. Mas há sinais de que a ômicron se dissemina mais rapidamente, o que pode sobrecarregar sistemas de saúde.

Das mutações da ômicron, 15 são numa parte da proteína spike que se liga a anticorpos específicos e a receptores ECA2. O coronavírus usa esses receptores, que podem ser encontrados no nariz humano, por exemplo, para entrar no corpo, e é possível que as mutações facilitem infecções. 

Pesquisadores estão analisando três mutações específicas no local de clivagem (processo de divisão celular) da furina, uma enzima que vírus – como o Sars-Cov-2, influenza, dengue, HIV e muitos outros – precisam para ser funcionais, ou seja, para causar uma doença no corpo humano. 

Se a ômicron de fato tiver mais facilidade para infectar e se tornar totalmente funcional, cientistas afirmam que ela também pode ser capaz de se espalhar mais rapidamente e, portanto, terá uma taxa de transmissão mais alta.

O biólogo molecular Ulrich Elling, do Instituto de Biotecnologia Molecular de Viena, especializado em sequenciamento do coronavírus e detecção de novas variantes, afirmou à DW que as primeiras estimativas indicam que a ômicron "pode ser 500% mais infeciosa que a delta", a variante dominante atualmente no mundo. 

Além disso, cientistas sul-africanos afirmaram que reinfecções são três vezes mais prováveis com a ômicron do que eram com as variantes delta e beta.

Dados preliminares apontam que as hospitalizações por covid-19 estão aumentando na África do Sul, mas isso pode se dever ao fato de que mais pessoas estão contraindo o vírus, e não necessariamente à gravidade da ômicron.

Como reagiu a OMS?

No dia 26 de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a a B1.1.529 como "variante de preocupação" (variant of concern – VOC) e a nomeou de ômicron, seguindo a tendência de batizar as variantes do coronavírus Sars-Cov-2 com letras do alfabeto grego.

Dias depois, a OMS afirmou que a ômicron representa um risco global muito alto, apontando que a cepa apresenta mutações preocupantes, provavelmente se espalhará internacionalmente e pode ter consequências graves.

A agência ressaltou, no entanto, que são necessários mais estudos sobre o potencial de a nova variante escapar da imunidade induzida tanto por vacinas quanto por infecções anteriores e que ainda não foram registradas mortes ligadas à cepa.

Num relatório publicado em 28 de novembro, a OMS afirmou que "apesar de incertezas, é razoável pressupor que as vacinas atualmente disponíveis oferecem proteção contra casos graves e mortes" no caso de uma infecção pela variante ômicron.

Com base em estudo preliminares próprios, a Pfizer e a BioNTech afirmaram que três doses de sua vacina para a covid-19 oferecem proteção ampla contra a variante ômicron.

Como a nova variante se desenvolveu?

Uma teoria é que ela tenha emergido com todas as suas mutações de uma única vez.

O professor Francois Balloux, especialista em sistemas biológicos computacionais da University College de Londres, afirmou que é possível que o vírus tenha sofrido mutação durante uma infecção crônica em um indivíduo, cujo sistema imunológico estivesse já enfraquecido por outra infecção com o vírus HIV.

Mas, até o momento, isso é somente especulação.

Há alguma conexão com a variante beta?

Em todo o continente africano, a África do Sul foi o país mais atingido pelo coronavírus, com mais de 3 milhões de casos de covid-19 e em torno de 90 mil mortes em decorrência do vírus.

O alto número de mortes no país é atribuído à variante C.1.2, batizada de beta e qualificada pela OMS como variante de preocupação por causa da alta transmissibilidade e por ser mais resistente às vacinas.

Mas a variante delta, mais agressiva, superou de longe a beta na África do Sul, assim como no resto do mundo.

É possível deter a nova variante?

Os vírus e suas variantes não respeitam fronteiras nacionais. Mas é possível retardar a disseminação da nova variante restringindo o transporte aéreo, por exemplo, o que vários países já fizeram.

As restrições de viagem podem ajudar a diminuir as transmissões, mas, o fato de os primeiros casos em Botsuana terem sido detectados em meados de novembro faz com que seja concebível que a ômicron tenha sido transportada para vários outros países desde então.

A OMS pediu que países reforcem seus sistemas de saúde e ampliem a vacinação contra a covid-19 para conter a disseminação da variante ômicron, e afirmou que restrições de viagem podem fazer com que se ganhe tempo, mas não devem ser a única medida.

Apesar de indicativos de que a variante é altamente transmissível, a OMS afirmou que as informações disponíveis até o momento sugerem que as medidas que vinham sendo adotadas contra outras variantes, comouso de máscaras e distanciamento social, também devem ser eficazes contra a ômicron.

Deutsche Welle

A inércia da polarização




Bolsonaro mostra fôlego para se manter no páreo contra Lula

Por Maria Cristina Fernandes (foto)

O acordo da PEC dos Precatórios alinhavou quase todas as condições materiais da disputa de 2022 para o presidente Jair Bolsonaro. Ruma para garantir o Auxílio Brasil de R$ 400, colchão com o qual pretende segurar a miséria já que pobreza, num país sob o aperto monetário já sinalizado pelo Copom, não vai dar pra reduzir. É assim que o buraco aumenta. A cada aperto nos juros o presidente-candidato vai fazer mais um puxadinho no teto.

Na disputa que hoje se configura pela liderança do antipetismo, o retrato desta largada favorece Bolsonaro ante a ameaça de Sergio Moro. Se a terceira via, na definição do diretor da Quaest/Genial, Felipe Nunes, é uma demanda que se mantinha com pouca oferta, o ex-ministro, na última edição da pesquisa divulgada ontem, mostra que chegou para preencher esta lacuna. Ainda não há sinais, porém, de que será capaz de ultrapassar a postulação presidencial à reeleição.

A corrupção como problema mantém-se subordinada aos dramas da miséria, desigualdade e desemprego. Moro pode prometer, mas é seu ex-chefe que terá entregas a fazer em 2022. A expectativa delas, somada ao pagamento da primeira parcela do décimo-terceiro, já ajudou a reverter o azedume do eleitorado com Bolsonaro.

O presidente sempre pode por tudo a perder porque é desembestado, a operação do governo é ruim e a oscilação histórica do humor do eleitor prevê ressaca no primeiro trimestre do ano. A foto de hoje, porém, mostra que ele conta com os recursos e a expectativa positiva de um nicho do eleitorado capaz de colocá-lo no segundo turno.

A melhoria de sua avaliação entre evangélicos mostrou, como era previsível, que o presidente faturou a ida de André Mendonça para o Supremo contra a qual trabalhou. Busca prorrogar esse bônus prometendo, se reeleito, mais dois ministros da mesma filiação religiosa. O limite desta fatura é a economia. Se o assistencialismo segura as pontas da miséria, a previsão para juro, crescimento e emprego em 2022 é uma montanha que a fé custa a remover.

Quando se diz que em 2018 Moro teria mais chances do que hoje não é apenas porque a #vazajato e a adesão ao governo trincaram a imagem que havia propagado, mas também porque aquela eleição é filha única. Sucedeu ao governo mais impopular da história, sem legado a ser defendido, favorecendo a antipolítica.

A disputa de 2022, Felipe Nunes aposta, será diferente. Estará mais próxima daquela de 20 anos atrás. Na de 2002 o presidente não disputava a reeleição, mas o PT, como hoje, estava na oposição e se favoreceu pela crise econômica. Em mais de 30 anos de disputas eleitorais entre PT e PSDB também foi aquela a eleição em que os partidos mais se aproximaram, pela civilidade da transição.

A aproximação entre o ex-presidente Lula e Geraldo Alckmin sugere uma retomada daquele movimento, mas além de PT e PSDB já não serem os mesmos, nem tucano o ex-governador será. A contribuição dos partidos para afastá-los pode ser medida pelo fato de que Lula e Fernando Henrique se aproximaram na campanha do ex-presidente tucano ao Senado, em 1978, quando os dois partidos também não existiam.

O último gesto de relevância política de FHC foi o de declarar que, num segundo turno contra Bolsonaro, ficaria com Lula. O petista também se movimenta de maneira cada vez mais autônoma do PT, partido que tem perdido protagonismo parlamentar. Mostra-se incapaz de faturar a autoria de projetos como o vale-gás, que Bolsonaro já carimbou de seu, ou de justificar iniciativas como a proposta que pretendia aumentar o controle do Supremo e do Congresso sobre o Conselho Nacional do Ministério Público.

As idas e vindas da aproximação com Alckmin respondem menos à resistência petista do que à montagem da aliança com a qual Lula pretende disputar. Com a saída do PDT do bloco de aliados históricos e a atração de protagonistas da oposição, como o governador do Maranhão, Flávio Dino, e os deputados federais Marcelo Freixo (RJ) e Tabata Amaral (SP), o PSB subiu seu preço.

Onde se lê resistência do PT à aliança entenda-se barganha para reduzir o preço do PSB. Some-se a isso a importância da disputa em São Paulo, colégio eleitoral em que o PT só ganhou uma eleição presidencial, a de 2002. Mais do que acenar ao centro, a aliança com Alckmin obedece à centralidade do palanque no maior colégio eleitoral do país.

Com tantos nós na aliança petista a serem desatados, Alckmin achou por bem deixar a definição para o próximo ano. A opção da candidatura ao governo do Estado pelo PSD está de pé, ainda que cada vez mais isolada, visto que o União Brasil tende à aliança com o PSDB em torno da candidatura do vice-governador Rodrigo Garcia.

Está claro ainda, para o ex-governador, que Lula é mais favorito na disputa presidencial do que ele o é na estadual. E que ser vice na chapa de um presidente que chegaria ao final do primeiro mandato aos 82 anos lhe abre mais perspectiva de futuro do que um quinto mandato como governador de São Paulo.

Da resolução dos imbróglios da aliança petista ainda ficará claro se Alckmin teria o espaço que, no encontro com sindicalistas, sinalizou almejar. Se José Alencar, que era senador, chegou a ser ministro da Defesa, parece natural que o ex-governador de São Paulo, por quatro mandatos, tenha a expectativa de atribuições maiores. Os sindicalistas pediram o encontro numa sexta e conseguiram marcar já para a segunda seguinte. Saíram de lá com a impressão de que Alckmin prefere a disputa nacional, ainda que não esteja disposto a virar problema, mas solução.

A chapa com Alckmin mostraria ainda a aposta de Lula numa campanha menos enfeitada do que a de 2018. Marcada pelo que se fez, pelo que se deixou de fazer e pelo que ainda se pode fazer. E também pelo que fez de errado, como a gestão petista na Petrobras.

Já não tem lugar, nas periferias das grandes cidades, para o domínio de jovens que fazem “zoação” com memes em que Bolsonaro é herói. O voto no presidente deixou de encarnar a rebeldia despolitizada como o fez em 2018.

Da tríade antipolítica, troça e notícias falsas, que marcaram 2018, restará a última. E nesse campo, por mais restrições que lhe tenham sido impostas pela justiça eleitoral e pelas redes, Bolsonaro já demonstrou que não conhece limites. Não custará a ultrapassá-los. Primeiro contra Moro. Depois, contra Lula.

Valor Econômico

Moro reafirma que foi ‘sabotado’ por Bolsonaro no combate à corrupção




O pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, Sérgio Moro, voltou a acusar o presidente Jair Bolsonaro por ter progressivamente "sabotado" seu trabalho de combate à corrupção quando foi ministro da Justiça.

"A partir de 2018 aceitei ir para governo para tentar evitar que isso (revide de políticos) acontecesse e consolidar avanço no combate contra corrupção. Se tivesse tido apoio do presidente, possivelmente conseguiria. Mas é impossível conseguir sendo sabotado pelo presidente da República", afirmou Moro, durante fala no lançamento de seu livro 'Contra o sistema da corrupção', no Rio de Janeiro.

O ministro disse que ficou "desapontado" quando surgiram denúncias envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro. Queiroz é investigado no caso das "rachadinhas" e chegou a ser preso.

"O presidente falou, tanto internamente quanto publicamente, que o caso tinha que ser investigado e se alguém tivesse que pagar alguma coisa, que fosse assim. Então, me senti confortável e entendo que os órgãos de investigação seguiriam normalmente. Depois, vimos que não foi bem assim", disse Moro.

Moro confirmou que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo análise de declarações recentes de Bolsonaro, que reclamou dele por não ter atuado junto ao antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e à Receita Federal para evitar investigações.

O ex-ministro disse ainda que Bolsonaro teria "sabotado" o Ministério da Saúde durante a pandemia e que teria manifestado isso internamente dentro do governo, embora não publicamente. "Eu preferi sair não só para manter o que eu acredito, mas o que as pessoas acreditam sobre ter governantes honestos", disse.

Estadão / Dinheiro Rural

Bolsonaro atira em Moro e acerta o próprio pé




Por Josias de Souza (foto)

A pretexto de atacar seu ex-ministro Sergio Moro, hoje adversário na corrida presidencial, Bolsonaro desnudou a estratégia do Departamento de Blindagem. Embora não conste de nenhum organograma oficial, essa é a repartição mais eficiente do atual governo. Possui ramificações em todos os recantos da administração federal.

"Esse cara não fez absolutamente nada para que Coaf, a Receita, não bisbilhotasse não só a minha vida como de milhares de brasileiros", disse Bolsonaro, referindo-se a Moro numa entrevista à Gazeta do Povo. "Isso nos atrapalha. Você pode investigar o filho do presidente? Pode. Você pode investigar a mulher do presidente? Pode. Mas investiga legalmente, com uma acusação formal. Eu posso ser investigado, mas não dessa forma como eles fazem."

Bolsonaro já nem se preocupa em maneirar. Premiado com a inoperância do procurador-geral da República Augusto Aras, com a complacência do Supremo Tribunal Federal e com a inércia da Justiça Eleitoral, o presidente fala abertamente sobre sua aversão a investigações contra si mesmo, sua família e seus amigos.

É como se Bolsonaro, um transgressor didático, quisesse produzir provas contra si mesmo. Suas palavras soam mais soltas depois de ter desligado o Coaf da tomada, depois de ter aparelhado a Polícia Federal, depois de ter encomendado ao ministro Paulo Guedes, da Economia, o afastamento de um secretário da Receita Federal que resistia às incursões de Flávio Bolsonaro no órgão.

Se o Brasil fosse um país sério, Bolsonaro já não seria presidente. Mas o Departamento de Blindagem reimplantou no país a monarquia. Nela, reina a desfaçatez. Sergio Moro fica obrigado a dizer meia dúzia de palavras sobre as razões que o levaram a servir ao reino durante quase um ano e meio.

Blog do Josias de Souza

Almas gêmeas - Editorial




Escandalosamente conivente com o governo Bolsonaro, o PT nunca atuou seriamente para responsabilizar o presidente pelos seus atos. Lula precisa de Bolsonaro desimpedido

Não é raro ouvir o discurso de que o presidente Jair Bolsonaro tem sido ineficaz na promoção de suas promessas de campanha – em especial, das reformas econômicas – em razão da forte oposição que supostamente encontrou nos partidos de esquerda. O PT e seus satélites não teriam dado nenhuma trégua àquele que os bolsonaristas radicais dizem ser o primeiro governo “realmente de direita” do País.

É interessante que essa narrativa não é repetida apenas pelo bolsonarismo. O PT tenta se apresentar como contundente oposição contra o governo Bolsonaro. No entanto, apesar de servir a interesses de petistas e bolsonaristas, esse discurso não tem nenhum apoio na realidade. Os fatos mostram que o PT tem sido escandalosamente conivente com o governo federal.

Basta ver a atuação do partido de Luiz Inácio Lula da Silva na aprovação do nome de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF). O mesmo que foi visto antes, com Kassio Nunes Marques, ocorreu agora. Apesar de colocar-se como oposição nas redes sociais, o PT apoiou os escolhidos de Jair Bolsonaro.

É preciso que fique devidamente registrado para a posteridade. Os dois ministros indicados por Jair Bolsonaro para o Supremo contaram com o aval do PT. Ou seja, os erros do bolsonarismo em relação ao STF, cujos efeitos serão sentidos pelo País por muitos anos, não tiveram oposição do lulopetismo.

Ademais, é notória a falta de vontade do PT em pressionar pelo impeachment de Jair Bolsonaro. O partido de Lula não mobilizou sua militância. Em alguns momentos, quando se tornou constrangedor demais não fazer nada diante da pressão popular, o PT ainda ensaiou um jogo de cena, mas nada além disso, seja no Congresso, seja nas ruas.

Diante do histórico petista, tão raivoso contra os governos de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso, sabotados de todas as maneiras pelo partido de Lula, é acintoso o atual comportamento do demiurgo de Garanhuns e de seus correligionários, tão compassivos com as demandas de Jair Bolsonaro.

Eis a verdade inconveniente. Apesar de o País dispor de meios constitucionais para tirar um presidente da República que atua de forma incompatível com o cargo, os brasileiros tiveram de suportar Jair Bolsonaro por quatro anos em razão, entre outros fatores, do interesse de Lula de que Jair Bolsonaro continuasse elegível em 2022.

O PT nunca atuou seriamente para responsabilizar o presidente da República pelos seus atos. Essa frouxidão foi vista também na participação, um tanto acanhada, do partido de Lula na CPI da Covid. Não se viu nenhum vislumbre da antiga combatividade dos petistas em governos anteriores.

Fosse adiante o impeachment, Jair Bolsonaro não estaria no páreo eleitoral do ano que vem, o que certamente dificultaria os interesses eleitorais de Lula. Sem o nome do atual presidente na urna, todos os outros possíveis adversários do líder petista seriam desde já muito mais competitivos. Lula, portanto, precisa de Bolsonaro.

E, estranha ironia, Bolsonaro também precisa de Lula. Sem propostas, sem plano de governo e sem realizações a mostrar, o ex-capitão tem uma única bandeira: apresentar-se como o candidato mais radicalmente antipetista. 

Recentemente, o ex-juiz Sérgio Moro falou sobre a reação de Bolsonaro com a saída de Lula da cadeia. “A gente sabia que o Planalto, o presidente comemorou quando o Lula foi solto, em 2019, porque ele (Bolsonaro) entendia que aquilo o beneficiava literalmente”, disse o pré-candidato a presidente, em entrevista à Rádio Jovem Pan Paraná.

Um e outro, Bolsonaro e Lula, ambos com enorme passivo de malfeitos, demagogia e irresponsabilidade, precisam de um inimigo terrível para mobilizar o País – Lula, amigo de ditadores esquerdistas da América Latina, se apresenta como herói da democracia contra Bolsonaro; já o presidente, empenhado em reduzir o Estado a um despachante de seus interesses privados, brada que é o único capaz de impedir que o lulopetismo volte a controlar o Estado. Um e outro são, assim, associados na empulhação e no atraso.

O Estado de São Paulo

Os efeitos da Ômicron para a economia global




Para que a inflação diminua, é preciso que o consumo seja direcionado para o turismo e para a alimentação feita fora de casa Pouco mais de um ano após o primeiro sucesso de uma vacina contra a covid-19 em um ensaio clínico, uma sensação de pavor atingiu grande parte do mundo. A variante Ômicron do coronavírus, identificada publicamente pela primeira vez em 24 de novembro, poderá ser capaz de atravessar as defesas criadas pela vacinação ou infecção com covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a Ômicron representa um risco global "muito alto". O chefe da Moderna, fabricante de vacinas, alertou que as vacinas existentes podem enfrentar a nova variante com muitas mutações. Diante da terrível perspectiva de ainda mais bloqueios, fronteiras fechadas e consumidores nervosos, investidores reagiram vendendo ações de companhias aéreas e cadeias de hotéis. O preço do petróleo caiu cerca de US$ 10 o barril, o tipo de queda frequentemente associada a uma iminente recessão.

É muito cedo para dizer se as 35 mutações na proteína spike da Ômicron ajudam a torná-la mais infecciosa ou letal do que a dominante cepa Delta. À medida que os cientistas analisam os dados nas próximas semanas, o quadro epidemiológico ficará mais claro. Mas paira a ameaça de uma onda de doenças se espalhando de um país para outro cada vez mais sobre a economia mundial, amplificando três perigos existentes. PREJUÍZOS. O primeiro é que restrições mais rígidas no mundo rico prejudicarão o crescimento. Com a notícia da variante, países se esforçaram para bloquear viajantes da região sul da África, onde foi identificada pela primeira vez. Israel e Japão fecharam totalmente suas fronteiras. A Grã-Bretanha impôs novos requisitos de quarentena. A pandemia encerrou abruptamente uma descontrolada era de viagens globais. As restrições foram atenuadas este ano, mas a semana passada mostrou que os portões podem ser fechados muito mais rápido do que abertos.

A disseminação da Ômicron provavelmente também intensificará os limites à liberdade de movimento dentro do próprio país. A Europa estava restringindo muitas atividades domésticas antes mesmo da chegada da variante, a fim de combater o surto de infecções da variante Delta. A Itália mantém a maioria dos não vacinados fora dos restaurantes fechados, Portugal exige que mesmo aqueles que foram vacinados apresentem um teste negativo para entrar em um bar e a Áustria está em lockdown total. A tão esperada recuperação das enormes indústrias de serviços do mundo rico, da hospitalidade às conferências, acaba de ser adiada. Uma economia desequilibrada alimenta o segundo perigo, de que a variante pode aumentar a já elevada inflação. Esse risco parece maior nos Estados Unidos, onde o excessivo estímulo fiscal do presidente Joe Biden superaqueceu a economia e os preços ao consumidor aumentaram 6,2% em outubro em comparação com o ano anterior, uma alta não registrada em três décadas.

Mas a inflação anual também está desconfortavelmente alta em outros lugares, em 5,3% globalmente, de acordo com dados da Bloomberg. Poder-se-ia pensar que a Ômicron reduziria a inflação, deprimindo a atividade econômica. Na verdade, poderia fazer o oposto. Os preços estão subindo em parte porque os consumidores estão se empanturrando de mercadorias, entupindo as cadeias de suprimentos mundiais com tudo, de luzes de Natal a tênis. O custo do envio de um contêiner das fábricas da Ásia para os EUA continua extraordinariamente alto. Para que a inflação geral diminua, consumidores precisam redirecionar seus gastos para serviços como turismo e alimentação fora de casa. A Ômicron pode atrasar isso. A variante também pode desencadear mais bloqueios em importantes polos de manufatura, como Vietnã e Malásia, agravando falhas no fornecimento. E trabalhadores cautelosos podem adiar seu retorno aos postos de trabalho, pressionando os salários para cima.

Essa pode ser uma das razões pelas quais Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), indicou em 30 de novembro que é a favor do arrocho monetário. Essa postura é certa, mas traz seus próprios perigos. Os efeitos colaterais podem prejudicar as economias emergentes, que tendem a sofrer com saídas de capital e queda nas taxas de câmbio sempre que há um aperto do Fed.

Economias emergentes têm maiores reservas e dependem menos da dívida em moeda estrangeira do que durante a tentativa frustrada do Fed de reduzir o estímulo durante o "taper tantrum" (retirada de estímulos monetários) de 2013. No entanto, esses países também precisam lidar com a Ômicron em casa. Brasil, México e Rússia já aumentaram as taxas de juros, o que ajuda a conter a inflação, mas pode reduzir o crescimento no momento em que outra onda de infecções se aproxima. A Turquia fez o oposto, cortando as taxas e, como resultado, enfrenta o colapso da moeda. Mais economias emergentes podem enfrentar uma escolha nada invejável. O perigo final é o que tem a pior avaliação: uma desaceleração na China, a segunda maior economia do mundo.

Não faz muito tempo, o país era um exemplo brilhante de resiliência econômica contra a pandemia. Mas hoje está lutando com uma crise de dívida em sua enorme indústria imobiliária, campanhas ideológicas contra empresas privadas e uma insustentável política de "covid zero" que mantém o país isolado e o submete a draconianos bloqueios locais sempre que surgem novos casos. Mesmo com o governo considerando estimular a economia, o crescimento caiu para cerca de 5%. Exceto o breve choque quando a pandemia começou, este é o menor índice em cerca de 30 anos. Se a Ômicron for mais transmissível do que a anterior variante Delta, isso tornará a estratégia da China mais difícil.

Como essa linhagem viaja com mais facilidade, a China terá de reduzir ainda mais as atividades a cada surto para erradicá- lo, prejudicando o crescimento e interrompendo as cadeias de abastecimento. A Ômicron também pode tornar a saída da China de sua política de covid zero ainda mais complicada, porque a onda de infecções que inevitavelmente resultará da propagação do vírus pode ser maior, prejudicando a economia e o sistema de saúde. Isso é especialmente verdadeiro por conta dos baixos níveis de imunidade induzida por infecções na China e às dúvidas sobre quão bem as vacinas funcionam.

Mas nem tudo são trevas. O mundo não assistirá a uma repetição da primavera de 2020, com quedas no PIB de cair o queixo. Pessoas, empresas e governos se adaptaram ao vírus, o que significa que a relação entre o PIB e as restrições de movimento e comportamento são um terço do que foi, de acordo com o Goldman Sachs. Alguns fabricantes de vacinas esperam que novos dados mostrem que as vacinas existentes ainda terão condições de prevenir os casos mais graves da doença. E, se necessário, empresas e governos poderão lançar novas vacinas e medicamentos em alguns meses, até 2022. Mesmo assim, a Ômicron - ou, no futuro, Pi, Rho ou Sigma - ameaça reduzir o crescimento e aumentar a inflação. O mundo acaba de receber um doloroso lembrete de que o caminho do vírus para se tornar uma doença endêmica não será fácil

O Estado de São Paulo

Polícia Civil deflagra 3ª fase de operação em interior baiano

Polícia Civil deflagra 3ª fase de operação em interior baiano
Foto: Divulgação / Polícia Civil

Policiais deflagraram no começo da manhã desta sexta-feira (10) a terceira fase da operação Unum Corpus . As ações ocorrem em todo o estado da Bahia e envolve as 26 Coordenadorias Regionais de Polícia do Interior (Coorpins).

 

Segundo a Polícia Civil, os agentes cumprem mandados de prisão e busca e apreensão contra acusados de crimes diversos, desde os contra o patrimônio, tráfico de drogas e homicídios.

 

"Estamos a três meses consecutivos, cumprido mandados de prisão e de busca e apreensão, de diversos tipos de crimes, em cidades do interior do estado da Bahia. A Unum Corpus simboliza o trabalho integrado de nossas unidades e seguirá atuando também no próximo ano", disse a diretora do Depin, delegada Rogéria Araújo.

 

Ainda segundo a Polícia Civil, a operação, desde a primeira fase, já tirou de circulação mais de 100 pessoas envolvidas em crimes e apreendeu armas e drogas.  Nas ações desta sexta, trabalham mais de 500 policiais.

Bahia Notícias

 


Tirem as crianças da sala! O Congresso criou novos programas de partidos políticos na TV


AINDA ESPANTADO: agosto 2012

Charge do Luscar (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

De volta o medonho e patético espetáculo do rádio e televisão, o famigerado horário político. Teremos de tirar as crianças da sala, para evitar contaminação. É uma glamourizada pantomima de lorotas, promessas ocas e desfile de calhordas e canastrões. Não poupam a paciência do eleitor. Mentem e pedem votos com cinismo e cara lambida.

O cidadão recordará, entre indignado e envergonhado, por exemplo, no cardápio dos horrores, personagem diluviana flagrado pela polícia federal com dinheiro na cueca, assim como o filósofo do muro baixo,  “eu te ajudo e você me ajuda”, ensinando as mumunhas das “rachadinhas”.

01 EM CENA – Veremos também o ensaboado e achocolatado filho 01 do sábio de proveta, outro craque no mesmo ramo das rachadinhas, que enricou comprando e vendendo imóveis em dinheiro vivo, exibindo agora a mansão que comprou por 6 milhões de reais, depois da lavagem do dinheiro na loja da Kopenhagen.

Nesses filmes de terror, também surgirá um ex-ministro dando aulas de como se paga tapioca com cartão corporativo, além de um balaio de sorridentes e finórios parlamentares com dicas como viajar para o exterior, para não produzir nada em benefício da coletividade. Tudo à custa do bondoso erário.

O show de patetices que invade os lares brasileiros, costuma deixar pontas de esperanças para figuras surrealistas com qualidades além da política. Serve também para inspirar humoristas, figurantes de novelas e astros e estrelas de pornochanchadas.

PARA NADA – O empresário e ex-senador Paulo Octávio foi o anfitrião do senador Rodrigo Pacheco, no almoço do Lide (LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, criado por João Doria antes de entrar na política), que reuniu cerca de 100 empresários no Brasília Palace.

Evento simpático, farta distribuição de medalhas e discurseira manjada e surrada. Presença inútil e evasiva de Rodrigo Pacheco, do ponto de vista político-eleitoral. Ou seja, não foi nada, não serviu nem acrescentou nada mesmo. 

 

Acordo entre João Doria e Sérgio Moro fortalece a candidatura da terceira via


Articulação Moro-Huck para eleição de 2022 inclui Doria e vê Ciro à frente de Lula - 08/11/2020 - Poder - Folha

Dória, Moro e outros candidatos preparam uma coligação

Merval Pereira
O Globo

A conversa de Sergio Moro com João Doria é importante, se os dois tiverem juízo. A combinação deles é que por volta de abril do ano que vem, quem tiver menos chance abrirá mão. É um acordo sensato. Mais sensato do que fazer prévia entre os candidatos da terceira via.

As pesquisas eleitorais marcarão bem a posição de cada um na corrida eleitoral. Se houver esse acordo, é um avanço e sai uma chapa muito forte. Entre os demais, não vejo muita gente para aparecer como candidato forte da terceira via, a não ser Ciro Gomes, que já esteve em alta e agora foi superado por Moro.

POLARIZAÇÃO – Não vejo alguém que possa mexer na polarização entre Lula e Bolsonaro. Moro ocupou esse espaço, está fazendo trabalho político forte, conversando com todos e abrindo portas. Doria tem uma máquina partidária muito forte e uma base em São Paulo muito importante, mas não está conseguindo que se transforme em votos.

Faz um bom governo, mas não consegue transferir para sua imagem os votos correspondentes à sua atuação política. A vacinação é um instrumento espetacular para levá-lo para frente, mas não está funcionando.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A eleição é como a vida, em geral, “pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”, segundo Matheus, 22. Os candidatos João Dória, Sérgio Moro, Henrique Mandetta, Alessandro Vieira, Luiz Felipe d’Avila agem acertadamente, ao se comprometerem a apoiar o candidato da terceira que estiver à frente nas pesquisa. Acredita-se que Simone Tebet também o fará, sobrando na liça apenas Ciro Gomes, Rodrigo Pacheco e Cabo Daciolo. Isso significa que surgirá um nome fortíssimo na terceira via, que pode alavancar a eleição e até pulverizar a polarização Lula/Bolsonaro. Teremos, portanto, a eleição mais eletrizante da História Republicana, com três candidatos em idênticas chances de vitória. Por fim, voltando à Bíblia, no final desse versículo Matheus diz que Cristo teria afirmado: “Então, deem a César o que é de César”. Ou seja, temos de esperar para saber quem será o novo César. (C.N.)

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