sábado, dezembro 04, 2021

Exércitos brasileiro e dos EUA fazem exercício militar inédito em SP e Rio




Os Exércitos do Brasil e dos Estados Unidos irão mobilizar quase mil militares dos dois países em um exercício combinado que será realizado a partir da próxima segunda-feira, 6, nas cidades paulistas de Lorena e Cachoeira Paulista, e em Resende, no Rio de Janeiro. Denominado Core (Combined Operations and Rotation Exercise, ou Exercício Combinado de Rotação e Operações), o exercício segue até o próximo dia 16 e terá o emprego de helicópteros, incluindo ainda o treinamento de caçadores, como são chamados os atiradores de precisão (snipers). Este será o primeiro exercício combinado executado por tropas dos Estados Unidos na América Latina.

De acordo com o Exército, o exercício será conduzido por uma força-tarefa do 5º Batalhão de Infantaria Blindada (5º BIL), sediado em Lorena, tendo incorporado uma companhia da 101ª Divisão de Assalto Aéreo do Exército dos Estados Unidos. O efetivo terá 750 militares brasileiros e 240 norte-americanos.

O Core 2021 resulta de um programa de cooperação em adestramento militar entre os dois países que estipulou um exercício combinado por ano, até 2028. O programa militar permite o desenvolvimento de operações conjuntas entre tropas brasileiras e norte-americanas. Entre os objetivos estão o treinamento das forças de prontidão e o aprimoramento dos sistemas de prontidão operacional da força terrestre do Exército brasileiro.

A abertura será no dia 6, no batalhão de Lorena. No dia 7, está prevista uma ação de assalto aeromóvel, com o uso de helicópteros, no Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Cachoeira Paulista. No dia 8, haverá demonstração de tiro defensivo na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende. Do dia 12 ao encerramento, no dia 16, serão realizadas demonstrações de tiro de fração, tiro de integração e um exercício denominado pista de combate à localidade.

Caçadores

O Core 2021 vem sendo preparado desde março deste ano, quando o Comando Militar Sudeste do Exército brasileiro recebeu uma comitiva do Exército dos Estados Unidos para a conferência inicial de planejamento e visita aos locais dos exercícios. No período de 12 a 16 de junho, foi a vez dos militares brasileiros participarem de uma conferência de planejamento na cidade de San Antonio, no Texas (EUA).

Outras ações preparatórias foram desenvolvidas pelas unidades do Exército brasileiro. No dia 21 de outubro, por exemplo, o 6º Batalhão de Infantaria Leve de Caçapava (SP) fez um treinamento com a turma de caçadores da Brigada Aeromóvel que vai participar do exercício combinado com os militares americanos na Academia das Agulhas Negras.

Para aprimorar o preparo dos caçadores para os tiros de precisão, foi realizado um apronto operacional com o armamento, seguido de uma marcha de 16 quilômetros. Depois, foram executados exercícios de tiro real com o emprego de técnicas de progressão e caçada, tomada de posição, avaliações de distâncias e técnicas de tiro. Popularmente conhecido como sniper, o caçador é considerado um eficiente multiplicador do poder de combate, que tem como principais missões neutralizar alvos e destruir meios materiais, utilizando técnicas, táticas e procedimentos específicos em situação de guerra e de não guerra.

Estadão / Dinheiro Rural

Para Randolfe, PEC dos Precatórios é ‘bola de neve de R$ 300 bilhões em dívidas’

 





O líder da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse na quinta-feira, 2, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios é "uma bola de neve de mais de R$ 300 bilhões" que será deixada para as próxima gerações.

"Auxílio, sim. Calote, não! Essa sempre foi minha postura e por isso fui contrário à PEC dos Precatórios. Não posso concordar em legar às futuras gerações uma bola de neve de mais de R$ 300 bilhões em dívidas, para dar um cheque de R$ 100 bilhões a Bolsonaro em ano eleitoral", afirmou em publicação no Twitter.

A PEC foi aprovada no Senado em segundo turno na quinta-feira por 61 votos a 10. Com a aprovação do texto, o governo terá espaço fiscal de R$ 106,1 bilhões no Orçamento de 2022 e poderá, então, implantar o Auxílio Brasil no valor de R$ 400 a partir deste mês de dezembro. Por causa de alterações feitas por senadores, a matéria retornará à Câmara.

Na quinta, após reunião com líderes, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a Câmara e o Senado farão "o máximo esforço" para promulgar o quanto antes as partes comuns da PEC dos Precatórios aprovada pelas duas Casas.

Trata-se de uma "promulgação fatiada", na qual a parte aprovada pelas duas Casas é publicada e entra em vigor, e a parte alterada por uma das Casas continua em análise na outra Casa, como proposta independente.

Deputados opositores à proposta alegam que a PEC vai gerar uma "farra fiscal", possibilitando ao governo gastar altas quantias com emendas em troca de apoio político.

Estadão / Dinheiro Rural

A única verdade de André Mendonça




Por Ruth de Aquino (foto)

“Não se pode criminalizar a política”. O novo juiz terrivelmente evangélico, André Mendonça, mentiu muito na sabatina, nem parecia servo de Deus. Disfarçou, lambeu a boca seca e repetiu o tique nervoso de projetar o pescoço para o lado, o que revela ansiedade. Mas Mendonça falou uma verdade incontestável: não se pode criminalizar a política no Brasil. Porque ela já é terrivelmente criminosa.

As análises sobre o desempenho de Mendonça variam. Uns dizem que ele foi inteligente, estratégico. Assim, ensinamos a nossos filhos e netos. Quer ser inteligente, convincente? Minta muito quando for preciso. Com a maior cara de pau. Se perceber que derrapou, como no “não derramamento de sangue na ditadura militar”, peça logo desculpas e elabore uma mentira mais estapafúrdia. Vai colar. Ainda mais se você for uma autoridade. 

Em que momento Mendonça conquistou o coração do Senado? “Não se constrói uma democracia sem política, sem políticos e sem partidos políticos”, afirmou. “Então, todos somos contra a corrupção, todos somos sabedores de que não se pode criminalizar a política”. Todos contra a corrupção, todos a favor da transparência. Teve checagem? É fake news? Humor? Não dá para fingir que a gente acredita. Seria passar recibo de suprema ingenuidade.

Não há espaço aqui para listar os crimes de nossos políticos. Corrupção é o mais velho deles, não importa o partido no poder. Cada um tem sua desculpa. A mais ouvida é: não dá para governar no Brasil sem corromper ou ser corrompido. Agora, não querem dar nomes aos bois. É vergonhosa a ginástica da Câmara e Senado, leia-se Lira e Pacheco, para desrespeitar o Supremo. A determinação de Rosa Weber: abram o orçamento secreto. 

Eu quero saber, você quer saber, até as torcidas do Flamengo e do Palmeiras querem saber quais foram os beneficiados com os bilhões de emendas parlamentares. As verbas da União – que são nossas – foram distribuídas, não para o bem do povo. O volume de “presentes” indecorosos e de mentiras para não revelar quem se deu bem no toma lá dá cá nos dois últimos anos...é de fazer corar. Acesso público, trombadinhas!

Quer ler a justificativa oficial do Congresso para não abrir o orçamento? “A impossibilidade fática de estabelecer retroativamente um procedimento para registro das demandas”. Entendeu? Não é mesmo para entender. A linguagem também é secreta. Desculpe, pessoal, tal palavreado em código! Combina com “PEC dos precatórios”. E com “prevaricação”. Brasília precisa ter tradução simultânea. Decifra-me ou te devoro. 

É, não se pode criminalizar a política. Eu queria ver um juiz assumir com a promessa de acabar com a impunidade na política. Porque é essa a realidade que a gente vive. A operação blindagem de políticos que disseminam fake news é um exemplo. 

Mais? A escandalosa impunidade do senador Flávio Bolsonaro. Foro especial cruzado. Entendeu? É difícil. Ainda mais porque tem miliciano no meio – e aí é crime diferenciado. Sigilo garantido nas operações bancárias do Flávio, apesar de todas as provas de rachadinhas mil, chocolaterias fantásticas, apartamentos com valores manipulados – coaf, coaf, coaxam os sapos no pântano ou no Planalto. Por isso Bolsonaro não quer debater a famiglia. Carlos, Eduardo, quanta vidraça suja, não tem como lavar a jato.

Talvez o título correto da coluna fosse “a hipocrisia de Mendonça”. Mas não. O juiz comemorou seu “salto para os evangélicos”. Vamos aderir ao êxtase da Michelle e entoar, com lágrimas, glórias às alturas e não às baixarias. 

O Globo

A largada do segundo pelotão

 




Bolsonaro, Moro, Ciro e Doria sabem que só há uma vaga para o confronto direto com Lula

Por Bruno Boghossian (foto)

A formação das trincheiras para 2022 precipitou a disputa pelo segundo lugar da corrida presidencial. A liderança de Lula nas pesquisas e a incerteza sobre o destino dos votos que elegeram Jair Bolsonaro aceleraram o embate entre os candidatos que buscam uma vaga para um confronto direto com o petista.

Sergio Moro, Ciro Gomes, João Doria e o próprio Bolsonaro se veem como adversários. O quarteto sabe que, ao que tudo indica, só haverá espaço para um deles no segundo turno. Todos trabalham para fortalecer suas credenciais de oposição a Lula e, ao mesmo tempo, desinflar ou evitar o crescimento de outros competidores nesse campo.

Não foi acidental o tom do discurso de Flávio Bolsonaro na filiação do pai ao PL. Ainda que tenha carimbado Lula mais uma vez como "ladrão", o senador dedicou atenção especial a Moro, a quem chamou de "traidor".

O clã presidencial percebeu que o ex-juiz lançou sua candidatura em busca do eleitor de direita. O objetivo dos governistas é desqualificar Moro como um personagem desse campo e lembrar que ele é apenas um genérico do Bolsonaro original.

Moro segue o caminho inverso. Ainda que confirme a posição de adversário político de Lula, sua campanha tenta desbotar os retratos de sua participação no governo e vendê-lo como uma versão higienizada de Bolsonaro, em busca dos antigos eleitores do presidente.

Os outros concorrentes também se movem. Nas últimas semanas, Ciro virou suas baterias para Moro, a fim de evitar que o ex-juiz abra vantagem na competição de tiro sincronizado contra Lula e Bolsonaro. Recém-escolhido candidato, João Doria terá o mesmo desafio, ainda que prefira preservar pontes com Moro.

A disputa nesse pelotão leva boas e más notícias para Lula. Até aqui, não há competição real por votos na esquerda, e seus adversários gastam energia com ataques entre si. Por outro lado, fica claro que a eleição terá um excesso de candidatos no palanque do antipetismo, o que tende a ampliar a rejeição ao ex-presidente.

Folha de São Paulo

Defesa avança nos projetos estratégicos com nova aeronave KC390 Milllennium e 500º veículo blindado Guarani

 




O recebimento do avião foi comemorado, oficialmente, nesta quarta-feira (01), na Ala 2 (Base Aérea de Anápolis), em Goiás

Por Mariana Alvarenga

Manter as Forças Armadas adequadamente equipadas e promover a autonomia tecnológica do País está entre os principais objetivos para a garantia da Segurança e da Defesa nacionais. Assim, como parte desse processo, mais uma aeronave KC-390 Milllennium e a 500ª viatura blindada Guarani integram, agora, os meios da Força Aérea Brasileira e do Exército, respectivamente. O recebimento do avião foi comemorado, oficialmente, nesta quarta-feira (01), na Ala 2 (Base Aérea de Anápolis), em Goiás.

O Ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, esteve na cerimônia, ao lado do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior. “Mais um momento que marca nossa história e da Força Aérea, que renova sua frota. Isso é muito bom para todos nós”, salientou o Presidente. Esta é a quinta unidade entregue da aeronave da Força Aérea.

A solenidade comemorou, ainda, o aniversário de 60 anos do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1° GTT) – Esquadrão Zeus, sediado em Anápolis. A organização militar opera o avião, que já transportou toneladas de cilindros de oxigênio, medicamentos, vacinas e materiais hospitalares para atenuar os efeitos da pandemia de Covid-19 nos diversos estados brasileiros.

Na solenidade, o Presidente da República, o Ministro da Defesa e o Comandante da Aeronáutica realizaram o tradicional rito de batismo, comemorando mais uma conquista alcançada e o sucesso do projeto estratégico, que projetou o País como um dos grandes produtores de equipamentos de defesa no mundo, fortalecendo a Base Industrial de Defesa nacional.

Exército recebe a 500ª viatura Guarani

O Ministério da Defesa, por meio do Exército Brasileiro, recebeu a 500ª unidade da Viatura Blindada de Transporte de Pessoal (VBTP) Guarani.

O marco histórico foi comemorado em solenidade nas instalações da fabricante Iveco, em Sete Lagoas, Minas Gerais, dia 23 de novembro. O evento contou com a presença do Comandante do Exército, General de Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e de integrantes do Alto Comando da Força Terrestre.

Na ocasião, houve a entrega, também, do primeiro lote da Viatura Blindada Multitarefa Leve sobre Rodas (VBM-LSR) 4x4, somando 32 unidades. O acordo prevê a entrega total de 186 unidades.

O Projeto Guarani foi concebido pelo Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército Brasileiro, em parceria com a empresa Iveco Defence Vehicles. Com previsão de duração de 20 anos, contempla mais de 1,5 mil veículos. A parceria das Forças Armadas com a fabricante contribui para o crescimento da Indústria de Defesa Nacional. Além disso, dezenas de unidades do Guarani 6x6 já foram exportadas para outros países.

O contrato iniciou em 2006, quando a empresa venceu o processo de concorrência para o Guarani. Já o projeto do LMV-BR começou em 2015, também, após concorrência.

Defesa / DefesaNet

Governos contra a política

 




A política brasileira sempre teve suas extravagâncias e nenhuma delas levou a um bom desfecho. Sempre que a ordem normal das coisas prevaleceu, os resultados foram melhores.

Por Roberto Brant (foto)

Para as pessoas da minha geração, a primeira anormalidade ocorreu quando a UDN, partido das elites e dos bacharéis, cansada de perder eleições, tomou emprestado um aventureiro de um partido desconhecido, para disputar a eleição em seu nome.

O personagem era Jânio Quadros, que ganhou a eleição com um discurso moralista e demagógico. Sem conseguir verdadeiramente governar, renunciou seis meses depois, precipitando o país num abismo por 24 anos.

Na primeira eleição presidencial da redemocratização, uma nova aventura, chamada Collor, ofereceu-se aos eleitores sem memória, parodiando o discurso moralista de 1960 e prometendo combater os “marajás”, entidade indefinida, feita na medida para satisfazer a todas as formas de ressentimento.

O modelo foi semelhante. Uma novidade, vinda de um partido inventado para a ocasião, chegava para acabar com a política, mesmo que a política naquela hora fosse Ulysses Guimarães, Mário Covas, Aureliano Chaves, Brizola e até o Lula. Ganhou a eleição, mas fez um governo caótico e tumultuado, que terminou com um impeachment e o país desorganizado e em frangalhos.

Volto a esses episódios quase esquecidos para lembrar que a democracia está sempre sujeita a essas extravagâncias e que elas podem voltar a ocorrer. Os juízos políticos nas democracias de massa são quase sempre fundados em emoções de superfície e raramente na razão.

Para conciliar a vontade popular com as exigências de governar sociedades complexas e cada vez mais diversas e informadas – ou mal-informadas –, é necessária a mediação das instituições políticas, em especial o Parlamento e os partidos políticos. Não há caminho alternativo.

Vivemos tempos semelhantes, com a política correndo fora dos trilhos. O atual presidente se elegeu fora dos partidos e com um discurso contra a política. Eleito, descobriu que, em nosso sistema constitucional, governos sem maioria própria no Congresso podem pouca coisa a não ser falar de seus planos e reclamar da falta de poder.

Governar apenas com discurso não é suficiente. Afinal, as pessoas têm problemas reais e esperam que o governo os resolva. Em busca de salvar o governo ainda a tempo, o presidente buscou apoio onde era possível. Acabou deixando seu partido e se associando aos políticos do Centrão, último refúgio de todos os governos em crise, a quem tanto havia criticado nos discursos de campanha.

Os temas da eleição foram arquivados, mas uma parte das pessoas sempre perdoa essas coisas.

Até aí, temos uma história que não é propriamente original. O inusitado é que nosso presidente, pela primeira vez na história, não está mais filiado a qualquer partido e anda à procura de uma legenda para disputar a reeleição e, se vencer, continuar governando do mesmo modo, sem sustentação organizada no Congresso e sem nenhuma ambição de reformar a vida do país. A ideia parece ser apenas estar no poder, mesmo que para nada.

Nosso sistema constitucional funciona dentro de certas regras, que são universais na democracia. Os Poderes são separados e independentes. O Legislativo funciona com base na vontade popular, representada pelos partidos políticos. Escolher um presidente cujo propósito é lutar contra o Judiciário, os partidos e os políticos é, na verdade, ir em busca de um desgoverno, não de um governo.

Ou então é sonhar para que o presidente consiga destruir ou dominar os outros Poderes. Nesse caso, estaremos simplesmente escolhendo a ditadura pelo voto, como estamos vendo em muitas partes do mundo.

As previsões da meteorologia política são inquietantes. Nas eleições, podemos ter candidato contra a política, no governo e até na oposição. Que ninguém se iluda: votar contra a política é votar contra a vida democrática. Que cada um tenha isso claro na consciência, no primeiro domingo de outubro de 2022. O preço pode ser muito alto.

Jornal Metrópoles

Governo medíocre, PIB idem - Editorial

 




Com mais um recuo, o País mantém um dos piores desempenhos econômicos do mundo, longe da fantasia do ministro Paulo Guedes

Com dois tombos em dois trimestres, inflação disparada e desemprego muito alto, o Brasil mantém um desempenho econômico desastroso, muito longe da ficção sustentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Sem nenhum grande avanço para celebrar, economistas discutem agora se o País voltou à recessão, com duas taxas trimestrais negativas, ou se está apenas estagnado, em contraste com a maior parte do mundo. A discussão pode ir longe, enquanto a economia mal se move. No período de julho a setembro o Produto Interno Bruto (PIB) foi 0,1% menor que nos meses de abril a junho, quando já havia diminuído 0,4% em relação ao volume dos primeiros três meses. Essa sequência, segundo analistas, caracteriza uma recessão técnica. Como as quedas foram pequenas, há quem prefira falar de “estabilidade”, mas isso em nada melhora o quadro.

Desmentindo o ministro Guedes e seus auxiliares, os dados internacionais mostram o Brasil em posição muito desvantajosa. O PIB cresceu nos três primeiros trimestres – 0,7%, 1,7% e 0,9% – no conjunto de países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na União Europeia houve recuo de 0,1% nos primeiros três meses e avanços de 2% e 2,1% nos períodos seguintes. Na maior parte dos grandes emergentes os números também têm sido positivos. Além disso, o desemprego na OCDE já caiu para 5,8% e a inflação nos 12 meses até outubro ficou em média em 5,2%.

No Brasil, todos os principais indicadores são muito piores. Embora em queda, o desemprego ainda correspondeu no terceiro trimestre a 12,6% da força de trabalho, com 13,5 milhões de pessoas em busca de ocupação. A alta dos preços ao consumidor chegou a 10,73% nos 12 meses terminados em novembro, segundo a prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15). Enquanto os dados pioram no dia a dia, pioram também as projeções para o próximo ano e até para o seguinte, o primeiro do próximo período presidencial.

Não há surpresa, portanto, nos números muito ruins do terceiro trimestre, em parte já indicados pelas prévias do PIB publicadas mensalmente pelo Banco Central e pela Fundação Getúlio Vargas.

A maior parte da economia foi mal no período de julho a setembro. Só um dos três grandes setores produtivos, o de serviços, teve desempenho positivo no terceiro trimestre, com expansão real de 1,1%. A agropecuária produziu 8% menos que nos três meses anteriores, em parte por causa da base de comparação elevada, em parte por causa das más condições do tempo. O conjunto da indústria ficou estagnado, com variação zero. Isso é em parte atribuível a falhas no suprimento de insumos, um problema global e muito sério para a produção automobilística.

Mas a explicação geral tem de ser mais ampla, porque só um dos segmentos industriais, o da construção, teve resultado positivo, com avanço de 3,9%. Parte importante da resposta deve estar na demanda final. O consumo das famílias aumentou 0,9%, mas permaneceu muito contido, por causa do desemprego, da inflação e da perda de renda. Em quatro trimestres, o gasto com o consumo familiar aumentou só 2,1% enquanto o PIB cresceu 3,9%. O empobrecimento, um dado inegável, condena a maior parte da população a conter os gastos severamente, baixando os padrões de consumo e, em muitos casos, limitando as possibilidades de desenvolvimento dos filhos.

Desemprego, inflação, perda de renda, falhas nas ações anticíclicas e de ajuda emergencial mantêm o presente estagnado e o futuro incerto. A insegurança quanto aos próximos anos é agravada pelo risco de piora das contas públicas, ameaçadas pela irresponsabilidade presidencial e pelo rompimento com as boas normas de uso do dinheiro público, sujeito cada vez mais aos fins pessoais do presidente e ao apetite de seus apoiadores. Quase encerrado o ano, os sinais econômicos positivos permanecem escassos, enquanto as incertezas se acumulam, alimentadas também pelo temor de novas cepas de coronavírus, tanto mais perigosas quanto maior a carência de um governo sério e competente.

O Estado de São Paulo

'Rachadinha': ex-funcionário de Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio afirma ao MPRJ que nunca teve crachá nem sabe o nome dos colegas da época




GloboNews tem acesso a depoimento de ex-funcionário de Carlos Bolsonaro (foto) que nunca teve crachá

Gilmar Marques trabalhou no gabinete de Carlos por sete anos. Mesmo assim, afirmou a promotores que não se lembra dos nomes de colegas e disse que trabalhava em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Por Ricardo Abreu

O ex-servidor público Gilmar Marques, que trabalhou no gabinete do vereador do Rio Carlos Bolsonaro de 2001 a 2008, disse ao Ministério Público que não se lembra dos nomes das pessoas com quem trabalhava e que nunca teve crachá.

A declaração foi dada no âmbito da investigação que a apura a possível existência de um esquema de "rachadinha" no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O MP investiga se Carlos Bolsonaro recebeu de volta parte dos salários de ex-funcionários que trabalharam em seu gabinete. Ele já teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, junto com outras 26 pessoas, e o MP continua ouvindo depoimentos de funcionários investigados.

Ao depor, Gilmar disse que, apesar de trabalhar por sete anos com Carlos Bolsonaro e receber salário pago com dinheiro público, nunca teve crachá na Câmara do Rio. Em maio, a GloboNews mostrou que a Justiça autorizou a quebra dos sigilos.

Relações

Em setembro, o MP convocou para prestarem depoimentos o casal Gilmar Marques e Andrea Siqueira Valle, que está separado.

Isso porque Gilmar trabalhou com Carlos Bolsonaro de 2001 a 2008, o mesmo período em que a ex-cunhada e ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, foi chefe do gabinete do parlamentar.

Andrea é irmã de Ana Cristina Siqueira Valle, que é ex-mulher de Jair Bolsonaro e chefiou o gabinete de Carlos Bolsonaro no mesmo período, entre 2001 e 2008.

Andrea já foi assessora de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados entre 1998 e 2006. Também trabalhou de 2008 a 2018 no gabinete do então deputado e hoje senador Flávio Bolsonaro. Antes disso, foi assessora de Carlos Bolsonaro, de 2006 a 2008, na Câmara dos Vereadores do Rio.

Ela é investigada sob a suspeita de praticar a "rachadinha" tanto no gabinete de Flávio quanto no de Carlos. Andrea foi alvo de quebra de sigilo em duas investigações. No depoimento aos promotores do Ministério Público, ela preferiu exercer o direito de ficar calada.

Relacionamento antigo

Andrea teve um relacionamento com Gilmar Marques, de 62 anos, com quem teve uma filha em 2000. O casal se separou logo em seguida. Em depoimento ao MP, Gilmar contou que, na época em que a filha nasceu, ficou desempregado.

Depois disso, foi procurado pela ex-cunhada, Ana Cristina Siqueira Valle, e comentou que estaria em "vias de perder o emprego", e que poderia passar por dificuldades para pagar a pensão da filha. Foi aí que, segundo Gilmar, Ana Cristina ofereceu ajuda.

Ela teria afirmado a ele que teria condições de colocá-lo pra trabalhar em um dos gabinetes da família Bolsonaro.

O depoimento

Gilmar trabalhou no gabinete de Carlos por sete anos, de 2001 a 2008, mas disse aos investigadores que não se recorda bem do trabalho que realizava. A função ocupada por ele era a de assessor parlamentar na Câmara do Rio.

Durante todo esse tempo, ele contou aos promotores que morava em Juiz de Fora, em Minas Gerais, a 186 quilômetros do Centro do Rio. De carro, o trajeto dura quase três horas, ou seja, cerca de seis horas para ir e voltar.

Segundo ele, havia muita "flexibilidade no serviço" e que não vinha com frequência ao Rio, mas também não deixava de ir ao trabalho.

'MP do Rio retoma depoimentos em investigação sobre rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro'

A flexibilidade teria permitido a ele, inclusive, não usar um crachá para ter acesso à Câmara Municipal. Gilmar afirmou que ele precisava pedir autorização para poder subir no gabinete.

Ele também afirmou que "acredita que não tivesse folha de ponto", nem se lembra de ter assinado ponto. Normalmente, o homem declarou que "não tinha muito serviço".

Andar errado

Apesar de não ir muito à Câmara, o ex-funcionário se lembrou que o gabinete do vereador ficava no bairro da Cinelândia, no Centro do Rio. Mas falou acreditar que a sala do parlamentar ficava no 14º andar de um prédio, mesmo sem saber com certeza.

A informação não bate com o gabarito dos gabinetes dos vereadores da cidade - que só vão até o 10º andar de um dos prédios da Câmara.

A investigação do MP aponta que Gilmar tinha cinco endereços registrados enquanto trabalhava no gabinete Carlos Bolsonaro, três deles são em municípios de Minas Gerais e outros dois no Rio. Os dois imóveis pertenceram ao presidente Jair Bolsonaro. Um deles é um apartamento no bairro do Maracanã, na Zona Norte; o outro é uma casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

Um registro obtido pela GloboNews aponta que o apartamento foi do presidente até 2002. Já a casa está listada na declaração de bens de Bolsonaro à Justiça Eleitoral em 2006.

O imóvel também foi registrada na Câmara do Rio como residência de outros três parentes da ex-mulher de Jair Bolsonaro, além de Gilmar. Todos trabalharam no gabinete de Carlos.

Apesar disso, ele disse que não se recorda de ter utilizado o endereço na Barra da Tijuca, e que acredita que possa ser um comprovante de residência que tenham arranjado pra ele.

Sem memória

Outros detalhes também fugiram da memória do ex-assessor de Carlos Bolsonaro. Gilmar falou em depoimento que ficava mais acompanhando os outros assessores, mas não sabe exatamente o que estava acompanhando.

Acrescentou que eram várias pessoas e que não se recorda dos nomes das pessoas com quem trabalhava.

Gilmar Marques e a ex-mulher Andrea Siqueira Valle estão entre as 26 pessoas que tiveram sigilo bancário, fiscal e telemático quebrado junto com o vereador, na investigação sobre a suposta prática de "rachadinhas" na Câmara Rio.

Em depoimento, Gilmar negou que devolvesse parte do salário para qualquer pessoa do gabinete do parlamentar.

O que dizem os citados

Em nota, a defesa de Carlos Bolsonaro afirmou que, "em respeito ao sigilo determinado pelo juízo, não pode se manifestar sobre a investigação". Acrescentou, ainda, que "lamenta profundamente mais um vazamento ilegal de informações desse procedimento, que está sendo utilizado apenas para atacar a imagem do vereador".

GloboNews / G1

Oposição dá discurso social a Bolsonaro

 



Por Vera Magalhães (foto)

“Evidentemente, nós, que somos cumpridores de acordo, vamos encaminhar o voto ‘sim’, mas eu faço questão de registrar isto: nós estamos cometendo um crime contra a credibilidade do país”, profetizou o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, na votação de ontem da PEC dos Precatórios.

Poucas frases podem ser mais esquizofrênicas e mais emblemáticas do que a oposição chancelou nesta quinta-feira: um cheque em branco para Jair Bolsonaro sair das cordas em que está desde a pandemia e entabular um discurso social para as eleições de 2022.

Essa frase e a votação de ontem certamente serão objeto de estudo se o presidente conseguir recuperar fôlego após o início do Auxílio Brasil, um benefício que ataca um flagelo grave e oferece uma transferência necessária de renda, mas empurrando montanha abaixo uma bola de neve fiscal de efeito explosivo para todos, principalmente os mais necessitados.

E Bolsonaro está enfunando as velas para redirecionar toda a sua campanha com esse propósito. Sua live semanal nesta quinta-feira foi ao lado do ministro da Cidadania, João Roma. Parecia aquele quadro em que Silvio Santos tirava um maço de notas do bolso e perguntava para um auditório lotado: “Quem quer dinheiro?”.

Bateu bumbo com o Auxílio Brasil, o Auxílio Gás e a tarifa social da energia elétrica, disse que zerou impostos sobre os combustíveis. Faturou em cima do Pix Saque e do Pix Troco como se fossem medidas de governo, dizendo que o Brasil está “tirando” bilhões dos bancos. É o Bolsonaro pai dos pobres, homem do povo, com o discurso prontinho para 2022.

Recessão técnica? Nem um pio. Os problemas, como sempre, foram terceirizados para os governadores e para o Supremo Tribunal Federal, a quem empurrou a responsabilidade pelo preço dos combustíveis.

João Roma, empolgado com o Pix que acabara de receber do Congresso, tascou um slogan para o chefe: “O senhor hoje venceu a burocracia para ajudar os mais necessitados”.

O capitão nesta semana ingressou no PL, depois de algumas rusgas. Pavimentando o caminho partidário, também deverá em breve fechar alianças com o PP e, talvez, com o Republicanos. Menos um obstáculo.

A oposição, Lula e PT à frente, parece acreditar que Bolsonaro chegará fraco ao segundo turno graças às dificuldades econômicas e ao desgaste da pandemia. Não parece levar em conta que o Orçamento agora praticamente liberado pela PEC dos Precatórios, sem limites de uso de emendas e com o teto implodido, tem um imenso poder de fogo num ano eleitoral.

Leia também: Bolsonaro e Lira inauguram o vale-tudo eleitora; Senado vai chancelar?

Também não leva em conta que a pandemia — assim esperamos todos nós — poderá estar debelada no momento das eleições e que isso poderá fazer com que a revolta diante dos vários crimes perpetrados pelo presidente e seus assessores no enfrentamento da Covid-19 também tenha arrefecido.

O raciocínio que pautou a forma bovina como o Senado chancelou uma das mais indefensáveis propostas legislativas já formuladas, a muitas vezes remendada PEC dos Precatórios, parece ter sido que pegaria mal não viabilizar o Auxílio Brasil.

Não foram poucas as vozes que se levantaram para provar que não era necessário dar calote nos precatórios nem arrombar o teto para pagar o benefício. Bastava derrotar a medida do governo — o que seria, ademais, uma sinalização de que o país não está disposto a abrir mão de qualquer princípio de saúde fiscal — e colocar em seu lugar uma outra, que focasse única e exclusivamente no Auxílio, indicando outras fontes de receita para viabilizá-lo, mexendo, por exemplo, nas sagradas emendas ao Orçamento.

Foi uma semana benfazeja para Bolsonaro, que ganhou um partido, emplacou mais um aliado no Supremo Tribunal Federal e ganhou de bandeja da oposição um discurso social para tentar crescer nas intenções de voto. Apostar que o capitão está morto e que em 2022 será fácil vencê-lo pode se mostrar um erro crucial.

O Globo

O credo do novo ministro do Supremo - Editorial




Por quanto tempo André Mendonça será vinculado a Bolsonaro e aos critérios inconstitucionais que o levaram ao STF, só ele pode dizer

O Senado aprovou a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) por 47 votos a favor e 32 contra. Mendonça obteve apenas seis votos acima do mínimo necessário e chega à mais alta instância do Poder Judiciário com a menor aprovação parlamentar da história recente. Mas, a rigor, isso é apenas um reflexo dos obtusos critérios que pautaram a sua indicação pelo presidente Jair Bolsonaro. O placar já não tem a menor importância. Uma vez que o ex-advogado-geral da União seja empossado, seus votos como ministro do STF valerão rigorosamente a mesma coisa que os votos de seus dez colegas. E sobre Mendonça recairá a mesma e ingente obrigação dos demais ministros: garantir a ordem constitucional do País acima de tudo.

A partir de agora, portanto, os olhares devem estar voltados para o futuro, um longo futuro. Com 48 anos, André Mendonça poderá permanecer no STF por quase três décadas. Por um lado, isso inspira preocupação porque é tempo demais para que tenha assento na Corte Constitucional um ministro que, até o momento, só deu mostras nos cargos públicos que ocupou de que não hesita em rebaixar a Constituição quando estão em jogo valores da fé religiosa que professa ou os interesses de ocasião de seu padrinho político, o presidente Bolsonaro.

Evidente que toda indicação ao STF é política. A própria Corte é eminentemente política. Mendonça jogou o jogo para ser indicado e, depois, aprovado pelo Senado. Assim é o arranjo constitucional brasileiro no que concerne à composição do Supremo. O que merece atenção, no caso particular de Mendonça, é que Bolsonaro fez questão de enfatizar o tempo todo que só indicou o ex-advogado-geral da União ao cargo por ele ser o que chamou de “terrivelmente evangélico” e, em tese, leal a seus interesses. Bolsonaro é alguém que pensa o Estado e o exercício do poder sob a ótica do patrimonialismo. Basta lembrar que há pouco tempo o presidente da República afirmou ter “10% do STF”, e que só indicou o ministro Kassio Nunes Marques porque este “toma tubaína” com ele nos fins de semana. Se Bolsonaro passará a ter “20%” do STF, só André Mendonça pode dizer.

Por outro lado, o longo tempo que Mendonça tem pela frente no STF – muito além de mandatos presidenciais – servirá para que ele, que se diz “genuinamente evangélico”, mostre à sociedade que é, antes, genuinamente um ministro da Corte, que tem como norte apenas a Constituição. É o que se espera. Por quanto tempo o ministro calouro será identificado com Bolsonaro e com os critérios inconstitucionais que orientaram sua indicação depende exclusivamente dele.

Se a fé religiosa de Mendonça foi uma espécie de passaporte para sua entrada no STF, agora se converte em um fardo do qual o ministro precisa se livrar caso queira dissipar as suspeitas que pairam sobre sua atuação na Corte. Não foi por outra razão que Mendonça abriu sua fala na sabatina perante a Comissão de Constituição e Justiça do Senado afirmando que defende, antes de tudo, a democracia e o Estado de Direito – era só o que faltava dizer o contrário – e a laicidade do Estado. “Ainda que genuinamente evangélico, comprometo-me com o Estado laico. Entendo não haver espaço para manifestação pública ideológica durante sessões do Supremo”, disse Mendonça, negando um pedido de Bolsonaro para que, uma vez ministro, fizesse uma “oração semanal” no início das sessões do STF.

Durante a sabatina, na verdade uma encenação coletiva, Mendonça deu respostas sob medida – corretas e longamente treinadas – para delimitar seu comportamento como cidadão, pastor presbiteriano e ministro do STF. “Na vida, a Bíblia”, disse o sabatinado, “no Supremo, a Constituição.” Entretanto, já aprovado, Mendonça afirmou que sua entrada na Corte era “um passo para o homem, um salto para os evangélicos.”

Espera-se que a paráfrase da notória fala do astronauta americano Neil Armstrong tenha sido apenas uma espécie de prestação de contas às lideranças evangélicas que fizeram intenso lobby pela sua chegada ao STF, e não um sinal de como se portará o novo ministro daqui para a frente.

O Estado de São Paulo

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