sexta-feira, dezembro 03, 2021

Bolsonaro rasga a fantasia - Editorial




Presidente agora está no PL, mas consistência partidária nunca foi seu forte

O presidente Jair Bolsonaro oficializou sua filiação ao PL, legenda que compõe o Centrão e é presidida pelo notório ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado pelo Supremo a 7 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito do escândalo do mensalão. Em discurso após o ato que selou seu ingresso no partido comandado por um corrupto condenado, Bolsonaro afirmou estar “em casa”. De fato, havia muitas razões para o presidente se sentir bem acolhido (ver editorial Bolsonaro em casa, publicado em 12/11/2021).

Com a filiação ao PL, Bolsonaro traiu de papel passado a confiança dos eleitores que acreditaram naquela espécie de cruzada “antipolítica”, “antissistema” ou outro engodo qualquer, que foi a tônica de sua campanha eleitoral em 2018. Foi justamente essa falácia moralizadora o que mais arrebanhou votos para Bolsonaro. Suas propostas de governo seguramente não foram, pois nunca existiram.

É compreensível, portanto, que muitos eleitores de Bolsonaro, quando confrontados com a real natureza indômita do “mito”, sintam cada vez mais o peso do arrependimento. As sondagens de intenção de voto e avaliação do governo realizadas por diferentes institutos de pesquisa revelam que a confiança no presidente da República e sua popularidade têm caído ao longo do mandato a níveis que, hoje, se aproximam do ponto de irreversibilidade, de acordo com estatísticos.

Ainda estão vivas na memória dos brasileiros as pesadas críticas que o então candidato Jair Bolsonaro fazia ao que chamou de “velha política”, um termo genérico que foi malandramente difundido durante a campanha presidencial passada para designar a associação entre atividade política e roubalheira, sendo o Centrão, no discurso de Bolsonaro e de seus apoiadores, a materialização desta liga do mal. Presente à cerimônia organizada pelo PL no dia 30 passado, o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, estava tão à vontade que nem por um momento lembrou aquele Heleno que, há três anos, deixara sutilezas de lado ao associar o Centrão, que hoje manda no seu chefe e governa o País de facto, a um valhacouto de ladrões.

Outro que parece bastante confortável em torcer o idioma e as suas próprias balizas morais é o senador Flávio Bolsonaro, que seguiu o pai e também se filiou ao PL, a terceira legenda do parlamentar em apenas seis meses. “Ainda querem nos fazer crer que um ex-presidiário, preso por roubar o povo brasileiro, estará à frente (da campanha pela eleição presidencial)”, discursou o senador, sem corar a face por dizer o que disse ao lado de Valdemar Costa Neto, ele também um ex-presidiário.

Bolsonaro se filiou ao PL porque foi a legenda que aceitou recebê-lo – não de forma desinteressada, que fique claro. A rigor, o presidente poderia ter ingressado em qualquer outro partido, haja vista que consistência partidária nunca foi o seu forte. Ao longo de uma carreira política marcada pela passagem por nada menos que nove siglas, Bolsonaro sempre deixou claro que enxerga o ingresso em partidos políticos como mera formalidade legal para, de eleição em eleição, manter uma fonte de renda estável. Não vê os partidos como organizações da sociedade civil para a defesa de ideias e projetos de desenvolvimento do País. Para o presidente, tanto faz a sigla pela qual concorrerá à reeleição. Seu partido sempre foi e será o “Partido da Família Bolsonaro”.

Para o PL, o ingresso de Bolsonaro em seus quadros não determinará o futuro da legenda. Talvez o partido possa aumentar a sua base de parlamentares eleitos em 2022 e, com isso, o volume de recursos que recebe dos fundos partidário e eleitoral. O fato é que o PL continuará sendo o que sempre foi: um partido da situação, jamais da oposição. Seja qual for o resultado da eleição do ano que vem, uma coisa é certa: o PL não perderá. O partido estará na base do presidente eleito, seja quem for. Portanto, não hesitará em fazer campanha até para opositores de seu candidato oficial à reeleição, se isso for necessário para acomodar os interesses de Costa Neto, a grande estrela daquele festim de falsidades havido em Brasília.

O Estado de São Paulo

OCDE exorta a América Latina a resolver ‘quatro armadilhas’ que impedem seu desenvolvimento

 




Imigrantes no México unem-se a uma caravana que segue para a fronteira dos Estados Unidos em busca de oportunidades de emprego.

A organização prevê crescimento de 6% na região este ano, mas alerta para a desaceleração a partir de 2022. Em relatório feito com outras entidades, defende a renovação do contrato social

Por Isabella Cota

Cidade do México - Neste ano, as economias da América Latina e do Caribe crescerão em média 6%, segundo estimativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Além disso, a evolução da pandemia de covid-19 continuará a determinar o comportamento da economia. Os autores de um relatório divulgado nesta quinta-feira por diversos organismos multilaterais preveem que o crescimento será mais lento em 2022 e afirmam que os problemas estruturais dos países da região tornaram-se mais urgentes, entre os quais o vencimento de um contrato social que mantém a população descontente e desconfiada.

A OCDE publicou em conjunto com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), a Comissão Europeia e a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) um relatório anual com perspectivas econômicas. Nele, especialistas dizem que a América Latina enfrenta quatro “armadilhas” para o desenvolvimento que antecedem a pandemia e que precisam ser atacadas para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar dos cidadãos. Em sua opinião, a baixa produtividade, a desigualdade, as instituições fracas e a ameaça à sustentabilidade ambiental são impedimentos ao crescimento econômico inclusivo.

Apesar das medidas mais rápidas para responder à pandemia, a América Latina foi a região mais afetada do mundo em termos socioeconômicos. O produto interno bruto per capita local só retornará aos níveis anteriores à pandemia em 2023 ou 2024.

“A pandemia golpeou a América Latina e o Caribe em um momento em que a região já enfrentava as profundas armadilhas do desenvolvimento identificadas desde 2019″, diz o relatório de 270 páginas. “O contexto pós-covid-19 tem que ser aproveitado como uma oportunidade única para adotar uma estratégia multidimensional de desenvolvimento e redefinir as políticas nacionais mediante a construção de consenso entre os cidadãos e da implementação das reformas pendentes necessárias para impulsionar a recuperação”, acrescenta.

O crescimento verificado em muitos países da região este ano não se deve apenas à recuperação estatística de comparação, quando se considera a queda brutal do produto interno bruto (PIB) em 2020, mas também aos efeitos positivos da demanda externa e do aumento no preço das matérias-primas exportadas, bem como a expansão da demanda. “O cenário para o que resta de 2021 e para 2022 está sujeito à evolução da pandemia, ao ápice da variante delta, à distribuição da vacina e ao descontentamento público que tem resultado em protestos sociais em alguns países”, afirma o relatório finalizado antes da identificação da cepa ômicron.

“O principal motor do crescimento no curto prazo será a demanda interna, em especial o consumo, pois as restrições à mobilidade estão sendo retiradas, permitindo a retomada dos serviços. Além disso, um ciclo político completo na região, com eleições presidenciais e/ou legislativas entre o segundo semestre de 2021 e o final de 2022 na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, México e Peru, pesa nas expectativas e poderia manter os investimentos moderados”, afirmam os órgãos multilaterais.

O relatório enfatiza a inquietação social em alguns países latino-americanos, como resultado da desigualdade, da falta de serviços públicos de qualidade e da desconfiança nas instituições. “O mal-estar social continua a ser um fator-chave que afeta a estabilidade econômica. Os protestos sociais recentes apontam para a necessidade de alcançar um modelo de crescimento mais inclusivo, melhorar o bem-estar dos cidadãos e criar consenso entre os cidadãos em um contrato social renovado”, apontam os especialistas.

A OCDE e as demais organizações que assinam o documento insistem na implementação de estratégias de vacinação eficazes e equitativas como uma medida de curto prazo para promover a recuperação econômica. No médio prazo, os Governos precisam adotar políticas que aumentem a produtividade, como o impulso às tecnologias digitais para abrir um leque de oportunidades de trabalho. As entidades multilaterais também incluíram um capítulo inteiro sobre o vencimento do contrato social vigente, item que se refere ao acordo implícito entre o Estado e seus cidadãos sobre seus direitos e obrigações.

“A renovação do contrato social pode implicar a celebração de vários pactos em áreas políticas específicas [por exemplo, um pacto fiscal] e a criação de um amplo apoio entre as várias partes interessadas [por exemplo, o Governo, a sociedade civil, os sindicatos, o setor privado]”, assinalam as organizações no documento. “Alcançar pactos justos, legítimos e estáveis exigirá o envolvimento em processos de formulação de políticas abertas e inclusivas e a aplicação de políticas fortes de integridade pública para evitar o risco de elites poderosas se apoderarem das políticas. Estar atento à economia política da reforma será fundamental para se chegar a acordos estáveis e duradouros”, acrescentam.

El País

Atriz de 22 anos é assassinada| 7 sintomas da Ômicron| Bolsonaro xinga Moro

 

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 EDIÇÃO BRASILEIRA DE SEXTA, 03 DE DEZEMBRO DE 2021
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Empresários, pilotos e advogados ligados ao PCC são alvos da PF em várias Estados

 

Blog da Noelia Brito

Posted: 02 Dec 2021 12:04 PM PST

Foto:Divulgação/PF 




De acordo com as investigações que deram origem à OperaçãoManifest, a organização criminosa é formada por empresários do setor de aviação agrícola, advogados, pilotos e traficantes ligados ao PCC. Os crimes identificados pela PF foram tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta quinta-feira, 2, 15 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca em oito estados para desarticular um esquema do PCC para o tráfico internacional de cocaína através da rota Bolívia-Paraguai-Brasil com o uso de aeronaves. Os mandados fazem parte da Operação Manifest e é realizada nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Roraima e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações nessa rota começaram em dezembro de 2020 a partir de um acidente aéreo na cidade de Muitos Capões, no Rio Grande do Sul. À época, um avião utilizado para transportar a droga pousou em uma região de plantação e ficou escondido no local por cerca de uma semana.

Ainda de acordo com as investigações, organização criminosa é formada por empresários do setor de aviação agrícola, advogados, pilotos e pessoas ligadas ao PCC. Os crimes identificados pela PF foram tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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