quinta-feira, dezembro 02, 2021

Do evento do PL à PEC dos Precatórios, falência total da verdade e até da legalidade

Publicado em 2 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Eder (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Na edição de ontem, a primeira página do O Globo apresentou uma foto do evento em que Jair Bolsonaro assinou a sua inscrição no PL para concorrer às eleições presidenciais de 2022. Uma faixa ao fundo dizia que o presidente era o autor do maior projeto social do mundo, o que realmente gera perplexidade porque não pode haver projeto de desenvolvimento social com os salários congelados e com um quarto da população passando fome. O PL de Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, referiu-se ao Auxílio Brasil cuja passagem pelo Congresso está acentuando o desabamento da legislação brasileira.

Reportagem de Jussara Soares, Daniel Gulino, Natália Portinari, O Globo, focaliza a manifestação que ocorreu sob a luz do cartaz que nada tem de verdadeiro. Nada tem de verdadeiro também o processo de aprovação da PEC dos Precatórios pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Na mesma edição de O Globo, Geralda Adoca, Julia Lindner e Manoel Ventura retratam com precisão o caminho tortuoso que a PEC, criada no laboratório do Ministério da Economia, está percorrendo no Congresso Nacional.

ABSURDO TOTAL – É praticamente inacreditável que se transforme a apreciação de uma emenda constitucional num processo adotado para os projetos de lei ordinária e ainda por cima que se proponha na legislação constitucional algo episódico e temporário, a exemplo dos recursos destinados ao Auxílio Brasil.

Não fossem suficientes esses dois exemplos fantasmagóricos, ainda verificamos que o relator da proposta do Senado, Fernando Bezerra, líder do governo Bolsonaro, na tentativa de aprovar a matéria de qualquer maneira, colocou um dispositivo que adia o pagamento de precatórios, de modo geral, para num movimento isolado assegurar o pagamento em três anos, e cujos titulares são professores de órgãos federais.

Jamais se poderia imaginar que uma coisa assim acontecesse. E mais, sob o silêncio do senador Rodrigo Pacheco, presidente da Casa, e cuja atuação nesse momento vinha sendo positiva. O pagamento dos precatórios aos professores são os do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Valorização do Ministério.

PEC DO CALOTE – O custo dos precatórios está estimado em R$ 89 bilhões, enquanto os precatórios dos professores a serem pagos em três anos atingem o montante de R$ 10 bilhões. Quarenta por cento em 2022, trinta por cento em 2023 e trinta por centro em 2024. Como o dispositivo parcelou os precatórios dos professores e não há sinal de parcelamento para as demais dívidas judiciais, os precatórios devidos a estas ficarão para as calendas gregas. A PEC dos Precatórios transforma-se na PEC do Calote.

Aliás, a Constituição brasileira está sendo violada num momento em que o Senado emenda um projeto aprovado pela Câmara e não considera rejeitada a matéria original. Como escrevi outro dia, só se emenda aquilo que se rejeitou. E no caso da emenda constitucional, a rejeição remete o conteúdo da emenda para o arquivo, só podendo ser reapresentada no próximo exercício legislativo. Mas a bancada do governo e o líder Fernando Bezerra não querem saber desse limite. Vale tudo e assim submerge a verdade brasileira, a moral do país, a ética dos fatos.

Querem votar o Auxilio Brasil às custas do direito dos titulares dos precatórios. Trata-se não só de um calote, mas de uma subversão completa, uma bagunça absoluta, numa transferência de renda de assalariados que contribuem a vida inteira para a Previdência Social para os que vivem na miséria sem contribuição alguma. Transferência de renda é, isso sim, a passagem de recursos do capital para o trabalho e não do trabalho para a assistência social.

PROJETO ELEITORAL –  O projeto do Auxilio Brasil, é claro, é eleitoral. Mas, se benefícios assistenciais garantissem a vitória de quem está no poder, o governo não perderia eleições no mundo. E acontece exatamente o contrário, como os exemplos demonstram. Mas a visão do ministério comandado por Paulo Guedes não leva em conta que transferir carências sociais para ganhos de assalariados não resolve coisa alguma.

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes não querem resolver nada fora da visão no capitalismo ortodoxo. É uma posição que Guedes injetou no governo. Tanto, que ele próprio aplicou investimentos no paraíso fiscal das Ilhas Virgens para escapar, como ele próprio disse, da tributação dos Estados Unidos e, acrescente-se, também da tributação brasileira. No meio do redemoinho em que se transformou a administração do país, o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fez aplicações também em paraísos fiscais.

ORÇAMENTO SECRETO –  Reportagem de Bernardo Mello, O Globo, revela que no Congresso, portanto tanto a Câmara quanto  Senado Federal, os bolsonaristas, o integrantes do Centrão, representantes dos partidos que se apresentam como dispostos à terceira via, aprovaram novas regras para o orçamento secreto, desrespeitando assim a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria por nove votos a um.  A aprovação ocorreu por larga margem. Entre os senadores, uma surpresa: votou a favor Rogério Carvalho do PT de Sergipe.

Incrível a votação do Congresso, sob a capa de estabelecer um limite para as emendas de tais orçamento, manteve oculto os nomes dos parlamentares que receberam as verbas ao longo deste ano. Deixaram no ar o aspecto relativo à administração do orçamento envolvido por uma penumbra capaz de dificultar o movimento das verbas e suas destinações. De fato, os três episódios das últimas 24 horas demonstram a falência da verdade política e a falência moral predominantemente mais efetiva em todo o país.

quarta-feira, dezembro 01, 2021

Denúncias do vereador Sidnei, inclusive falta de transparência com o dinheiro da saúde e da educação

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Mais um vereador que  ontem (30.11)usou da tribuna para declinar  várias denuncias contra o (des)governo municipal de Jeremoabo.
Primeiramente o edil informou que o processo de um milhão contra a ex-prefeita Anabel  inúmeras vezes perguntados pelos vereadores da situação para colocar em dúvidas os cidadãos menos esclarecidos, já não existe, isso porque houve improcedência do pedido ou pedidos feitos na ação.
Esse processo foi auditado, apreciado pelos Ministros do TCU e julgados improcedentes, inclusive já foi transito em julgado, isso significa que não é mais passível de recursos,
Portanto, os vereadores falar desse processo é tão produtivo quanto enxugar gelo, noutras palavras " já era, já foi"..,
Após essa informação o vereador passou a responder várias perguntas concernentes a indagações infundadas e impertinentes sem nexo, do vereador Zé de Zezito.
Informou que a atual gestão recebeu mais de R$ 67.000.000.00(sessenta e sete milhões) por conta do COVID, motivo pelo qual perguntou o que está sendo feito com esse dinheiro se a saúde de Jeremoabo não anda bem, está na UTI; que em fiscalização com vários vereadores encontraram várias irregularidades, falta medicamentos no hospital, falta lençóis no hospital, falta ar condicionado.
 Perguntou ainda o que é feito com tanto dinheiro, qaundo até nos PSFs falta medicamentos.
Passando para a educação denunciou que tanto os professores quanto os funcionários da educação estão sendo perseguidos, no entanto, na secretária de educação entrou milhões de reais nessa gestão, todavia nas escolas as cadeiras estão quebradas. ônibus quebrados, que agora no ENEM prejudicou os alunos porque nem um ônibus foi doado para transportar os alunos da zona rural até o local das provas.
O que causa espécie é que desde o ano passado a ladainha é a mesma, falta de medicamentos, falta de lençóis, falta de transparência para justificar os gastos com os milhões; o gato comendo o dinheiro tanto da educação quanto saúde, a exemplo dos R$ 7000,000,00(sete milhões) das emendas parlamentares que chegou e ninguém sabe seu paradeiro, porém, não passa dessa ladainha, desse bla-bla-bla, porque solução nenhuma, o prefeito faz é zombar da cara de quem denuncia.
A pergunta que não irá parar de indagar é: qual o mistério, qual o medo de se instalar uma CPI para apurar e estancar todos esses desmandos?

Promotor baiano João Paulo Schoucair é indicado para compor CNJ


Promotor baiano João Paulo Schoucair é indicado para compor CNJ
Foto: Reprodução / JurisBahia

O promotor de Justiça João Paulo Schoucair foi indicado para compor o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a divulgação da indicação pelo  procurador geral da República, Augusto Aras, a associação do Ministério Público da Bahia (AMPEB) parabenizou o membro. 

 

Apesar da indicação ter sido formalizada hoje, o ofício foi assinado pelo procurador geral em outubro deste ano. No documento, Aras cumprimenta o promotor e o indica para a composição bienal do CNJ. De acordo com o MP-BA, o nome de João Paulo Shoucair foi escolhido após um longo processo extenso. Primeiro, uma votação interna no MP-BA definiu uma lista para a Procuradora-Geral de Justiça e o nome do promotor foi o mais bem votado.

 

Numa segunda etapa, foi formada uma lista tríplice do Conselho Nacional dos Procuradores (CNPG) para concorrer à vaga destinada aos Ministérios Públicos estaduais na composição do CNJ, biênio 2021/2023. 

 

"Nosso associado, Promotor de Justiça João Paulo Schoucair, acaba de ser indicado pelo Exmo. PGR, Augusto Aras, para compor o Conselho Nacional de Justiça. A AMPEB parabeniza o nosso associado, desejando-lhe êxito nessa importante função de âmbito nacional", diz nota da associação.

 

Conforme lembrou o MP-BA, João Paulo Schoucair ingressou no órgão em 2004. Atualmente, ele coordena  o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e Investigações Especiais do Ministério Público (GAECO/MP-BA), com atuação prioritária perante a Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organizações Criminosas da Comarca de Salvador.

 

Desde 2018, o promotor passou a atuar, como membro auxiliar da Procuradoria-Geral da República, posição que lhe permitiu aprimorar seus conhecimentos sobre a dinâmica de funcionamento das Cortes Superiores. 

Bahia Notícias

Mendonça descarta religião no STF e tenta se descolar de Bolsonaro em sabatina

por Renato Machado e Washington Luiz | Folhapress

Mendonça descarta religião no STF e tenta se descolar de Bolsonaro em sabatina
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro André Mendonça assumiu o compromisso de defender a democracia e a Justiça durante sua sabatina nesta quarta-feira (1º) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
 

O indicado, que deve enfrentar uma votação apertada por sua aprovação, também buscou se afastar em alguns momentos do mandatário do Planalto e seus seguidores e fez gestos para a classe política.
 

A sabatina na CCJ deve durar até o final da tarde. Depois disso, o nome de Mendonça deve ser submetido à votação do plenário do Senado ainda nesta quarta-feira.
 

Aos senadores o indicado "terrivelmente evangélico" de Bolsonaro também se comprometeu com a laicidade estatal, descartando o uso da religião no STF. "Como tenho dito quanto a mim mesmo: na vida, a Bíblia; no Supremo, a Constituição", afirmou.
 

Mendonça negou que tenha usado a Lei de Segurança Nacional para perseguir adversários do governo Bolsonaro.
 

O ex-advogado-geral da União é sabatinado na CCJ mais de quatro meses após sua indicação ter sido enviada para o Senado.
 

O presidente da comissão, Davi Alcolumbre (DEM-AP), resistia a pautar a sabatina, por defender para o cargo o nome do procurador-geral da República, Augusto Aras. O senador ainda entrou em atrito com o Palácio do Planalto, após ter perdido o controle sobre a distribuição de emendas parlamentares. ?
 

Em sua fala inicial na sabatina, Mendonça afirmou que usou a Lei de Segurança Nacional para pedir a instauração de inquéritos contra adversários de Bolsonaro em "estrita obediência ao seu dever legal".
 

Afirmou que a antiga legislação —revogada neste ano estava em vigor e que Bolsonaro se sentiu ofendido por algumas manifestações. Portanto, ele, como ministro da Justiça, estaria prevaricando se não agisse. No entanto negou que tenha perseguido adversários políticos.
 

"Em suma, minha conduta sempre se deu em estrita obediência ao dever legal e em função do sentimento de ofensa à honra da pessoa ofendida, mas jamais com o intuito de perseguir ou intimidar", afirmou.
 

Mendonça se comprometeu a defender o estado democrático de direito e enalteceu os regimes democráticos. Disse também que é preciso respeitar a separação entre os poderes.
 

No entanto, ao ser questionado sobre falas antidemocráticas e a defesa de regimes de exceção, afirmou que a transição para a democracia no Brasil não se deu com "derramamento de sangue".
 

"A democracia é uma conquista da humanidade. Para nós, não, mas em muitos países foi conquistada com sangue derramado e com vidas perdidas. Não há espaço para retrocesso. E o Supremo Tribunal Federal é o guardião desses direitos humanos e desses direitos fundamentais", afirmou.
 

O regime militar no Brasil, que durou duas décadas, teve uma estrutura dedicada a tortura, mortes e desaparecimento. Os números da repressão são pouco precisos, uma vez que a ditadura nunca reconheceu esses episódios. Auditorias da Justiça Militar receberam 6.016 denúncias de tortura. Estimativas feitas depois apontam para 20 mil casos.
 

Mais tarde, porém, Mendonça pediu desculpas pela fala e afirmou que ela não condiz com o que pensa. Afirmou que se referia ao fato de não ter havido uma guerra nas proclamações da Independência e da República.
 

Um dos temas predominantes de sua sabatina foi a sua religião, sendo o ex-ministro evangélico presbiteriano.
 

Ele respondeu em diversos momentos que vai resguardar a laicidade do Estado e chegou a rebater o presidente Bolsonaro, que havia pedido orações durante as sessões do Supremo Tribunal Federal.
 

"Diante até da fala do presidente de oração durante as sessões, eu até expliquei a ele que não há espaço para manifestação pública religiosa durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal", disse.
 

E completou: "lógico que eu vou preservar a minha individualidade, a minha manifestação individual e silenciosa, o que nós chamamos na igreja, uma oração silenciosa, individual, mas compreendendo a separação que deve haver entre atuação pública e atuação religiosa nesse sentido".
 

Mendonça também buscou se afastar de Bolsonaro e de seus apoiadores em diversos momentos da sabatina.
 

Enalteceu, por exemplo, o trabalho da CPI da Covid, tantas vezes atacada pelo chefe do Executivo. Sem citar nomes, chegou a falar em desvio de conduta de autoridades durante a pandemia.
 

"Nesse contexto, eu queria dizer que, em muitos momentos, eu pude observar que as autoridades foram aprendendo durante o processo. Logicamente, as situações podem ter extrapolado o que é o erro da má gestão e, às vezes, do desvio de conduta", afirmou.
 

Também prometeu total independência, caso seja efetivado no Supremo Tribunal Federal. A fala acontece depois de Bolsonaro ter dito que tem "10% de mim dentro do Supremo", em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, indicado por ele.
 

"Sempre pautei minha vida pública pelo respeito aos princípios da administração pública, não obstante sei a distinção entre os papéis de um ministro de Estado e de um ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou.
 

"Sei que, se aprovado por este Senado Federal, estarei credenciado a assumir o cargo de juiz da Suprema Corte do nosso País, incumbência que vai muito além de um governo, abrange a Nação como um todo e o seu futuro, exige independência plena para julgar, de acordo com a Constituição e as leis", completou.
 

O indicado à vaga também fez um aceno à classe política, ao criticar a delação premiada. Mendonça havia sido ligado à Operação Lava Jato, quando vieram à tona mensagens que mostram que ele se reuniu com integrantes da força-tarefa e atuou para impulsionar a agenda política dos procuradores.
 

"Também entendo que uma delação premiada não é elemento de prova. Eu não posso basear uma convicção com base em uma delação. Delação não é acusação".
 

Ele ainda lembrou que defendeu a prisão em segunda instância quando o STF julgou o assunto, mas afirmou que a decisão só deve ser revista se houver alguma iniciativa do Congresso.
 

"Entendo que a questão está submetida ao Congresso Nacional, cabendo a este deliberar sobre o tema, devendo o Supremo Tribunal Federal revisitar o assunto apenas após eventual pronunciamento modificativo por parte do Poder Legislativo sobre a matéria e caso o Judiciário seja provocado a fazê-lo", disse.
 

*
 

ENTENDA TRAMITAÇÃO DAS INDICAÇÕES NO SENADO
 

- A avaliação sobre a nomeação é feita pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Para iniciar o processo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), deve ler o comunicado da indicação em plenário, o que já foi feito;
 

- A principal etapa na comissão é a realização de uma sabatina do candidato pelos congressistas. Concluída a sabatina, a CCJ prepara um parecer sobre a nomeação e envia a análise ao plenário;
 

- A decisão sobre a indicação é feita em uma sessão plenária da Casa. A aprovação do nome só ocorre se for obtida maioria —ao menos 41 dos 81 senadores;
 

- Depois da aprovação pelo Senado, o presidente pode publicar a nomeação e o escolhido pode tomar posse no tribunal.

Bahia Notícias

Com 47 votos a favor e 32 contra, Senado aprova indicação de André Mendonça ao STF

por Felipe Dourado, de Brasília

Com 47 votos a favor e 32 contra, Senado aprova indicação de André Mendonça ao STF
Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

Em sabatina desde o início da manhã desta quarta-feira, o ex-Advogado Geral da União e ministro da Justiça e Segurança pública André Mendonça foi finalmente, depois de 5 meses desde sua indicação, avaliado pelo plenário do Senado Federal para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Todos os parlamentares votaram, e 47 foram favoráveis à indicação, com outros 32 contrários. Agora, ele assumirá o posto vago com a saída do ministro Marco Aurélio Mello, aposentado desde julho por atingir a idade-limite ao exercício do cargo.

 

"Terrivelmente evangélico", como adjetivado por Bolsonaro quando sugeriu seu nome, Mendonça se colocou a favor da defesa da laicidade do Estado. "Ainda que eu seja genuinamente evangélico, não vejo espaço para manifestação religiosa no STF. Na vida, a Bíblia, no Supremo, a Constituição", comentou em seu discurso inicial.

 

O ex-ministro também defendeu a liberdade de expressão e de imprensa, quando questionado a respeito do assunto pelos internautas que acompanhavam a sessão utilizando o portal e-Cidadania, da Casa. "Discordar é legítimo. Desrespeitar, não", comentou em síntese.

 

DEFESA DO CASAMENTO CIVIL DE PESSOAS DO MESMO SEXO

Respondendo a perguntas do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), Mendonça afirmou ser favorável ao casamento e união civil em relacionamentos homoafetivos, mesmo ressaltando que sua "concepção de fé específica" é contrária ao assunto. "O direito da família do senhor ser constituída, dentro daquilo que o senhor acredita, é o mesmo que o meu. Esses direitos têm que ser respeitados", complementou.

 

Em troca, Contarato criticou a omissão do ex-ministro da AGU diante de temas a respeito da defesa de minorias. "Naquele contexto, o senhor fez uma argumentação pública contra, e hoje o senhor fala que seria favorável à equiparação da homofobia com o crime de racismo", argumentou o senador, que ainda afirmou que o país precisa de um ministro "terrivelmente democrático, ambientalista e comprometido com os direitos humanos".

 

CRÍTICAS A DECISÕES MONOCRÁTICAS E A INTERVENÇÕES ENTRE OS PODERES

Quando questionado pelo senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), Mendonça afirmou "buscar sempre a colegialidade" em suas decisões. Guimarães tem como sua autoria a proposta de emenda à Constituição (PEC 08/2021), que inviabiliza decisões monocráticas por ministros do STF. "As preocupações trazidas pela PEC são legítimas e esta casa tem maturidade para tratar desse assunto", comentou.

 

Em outro momento de pergunta, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) acusou o STF de intervir de modo ilegítimo sobre decisões do Legislativo. A resposta de Mendonça foi enfática: "O Judiciário não deve ser omisso aos direitos e garantias fundamentais por eventuais de outros Poderes, mas não [pode] se sobrepor numa política pública".

Bahia Notícias

PF faz operação contra deputado do PL por desvios relacionados a emendas parlamentares

Publicado em 1 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Quem explica a fortuna milionária de Josimar de Maranhãozinho? – G7 MA -

Maranhãozinho enriqueceu depressa demais, ilicitamente

Breno Pires
Estadão

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira, dia 1º, mandados de busca e apreensão em quatro municípios do Maranhão, em investigação sobre desvio de verbas de prefeituras relacionadas a emendas parlamentares. O alvo é o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA).

A autorização partiu da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, que também é relatora de ações que pedem o fim das emendas de relator-geral, base do orçamento secreto, esquema revelado pelo Estadão em maio.

CASO SOB SIGILO – Segundo o Estadão apurou, os mandados estão sendo cumpridos nos municípios de Zé Doca, Maranhãozinho, Carutapera e na capital do Estado, São Luís. A prefeita de Zé Doca, Josinha Cunha, é irmã do deputado federal Josimar Maranhãozinho. O caso tramita sob sigilo.

De acordo com investigações da PF, a relação de parentesco e ligações pessoais de Maranhãozinho com prefeitos e secretários municipais fazem parte do modus operandi para desvio de dinheiro em áreas como saúde e infraestrutura. A operação de hoje, segundo pessoas envolvidas com o caso, está relacionada à infraestrutura.

Há pelo menos dois inquéritos sigilosos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o esquema, batizado de “feirão das emendas” por deputados e assessores. A suspeita é de que parlamentares cobram comissão para indicar recursos do Orçamento a uma determinada prefeitura. O dinheiro seria pago por empresas interessadas nas obras e serviços ou pelo próprio agente público.

JÁ É REINCIDENTE –  No caso de Maranhãozinho, ele já havia sido alvo da Operação Descalabro, deflagrada em dezembro. Na ocasião, a PF apontou que ele indicou um total de R$ 15 milhões em emendas para fundos de saúde controlados por prefeituras maranhenses, que, por sua vez, firmaram contratos fictícios com empresas de fachada em nome de laranjas. O destinatário final do dinheiro, de acordo com a investigação, seria o próprio deputado.

“Posteriormente essas empresas efetuaram saques em espécie e o dinheiro era entregue ao deputado, no seu escritório regional parlamentar em São Luís”, afirma relatório da PF sobre a operação de dezembro.

Como desdobramento da Operação Descalabro, um novo inquérito foi aberto, em maio. Desta vez, além de Maranhãozinho, mais dois deputados e um senador são alvo. Os nomes dos outros parlamentares não foram revelados.

EMENDAS PARLAMENTARES – Em uma das investigações, a PF encontrou papéis com nomes de parlamentares e menções a possíveis pagamentos de propina pela destinação de emendas parlamentares. O caso teve origem em denúncia feita pelo ex-prefeito de São José de Ribamar (MA), Eudes Sampaio, que se disse ameaçado por agiotas que buscavam obter porcentuais de recursos transferidos para a prefeitura.

Em outubro, o ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, admitiu, em audiência na Câmara, “não ter dúvida” de que há corrupção envolvendo recursos federais indicados por parlamentares via emendas.

Ao ser questionado sobre o orçamento secreto, esquema montado pelo governo de Jair Bolsonaro para aumentar sua base eleitoral no Congresso, Rosário afirmou que sua pasta e a PF investigavam a venda de emendas e que, “em breve”, deveria haver novidades.

AMIGO DE COSTA NETO – A ação da Polícia Federal ocorre um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro se filiar ao partido de  Maranhãozinho, o PL. O deputado tem relação próxima com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, condenado pelo esquema do mensalão, quando fazia parte de base aliada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Procurada, a defesa de Maranhãozinho disse que não se manifestaria porque não teve acesso à decisão que autorizou a operação de hoje.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O deputado só está sendo investigado porque ficou milionário de uma hora para a outra. Em suma, as emendas parlamentares são mais um escândalo nacional de corrupção. Mas quem se interessa? (C.N.)

Senado aprova André Mendonça ao Supremo e Davi Alcolumbre é o grande derrotado

Publicado em 1 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Senado aprova indicação de André Mendonça para o STF Por Reuters

André Mendonça teve seis votos a mais e vai ganhar sua toga

Lauriberto Pompeu, Weslley Galzo e Pepita Ortega
Estadão

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira, dia 1º, por 47 votos a 32, a indicação do ex-advogado-geral da União André Mendonça para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A aprovação representa a vitória do Palácio do Planalto na queda de braço com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que travou por quatro meses o processo de sabatina de Mendonça.

O hiato entre a indicação e a sabatina – um dos maiores intervalos da história – não foi suficiente, porém, para que Alcolumbre reunisse os votos necessários para impedir a entrada de Mendonça no Supremo. Pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, de Brasília, o ex-advogado-geral da União, que também foi ministro da Justiça, contou com o apoio maciço dos evangélicos.

NA SABATINA – Antes de receber sinal verde do plenário do Senado, Mendonça teve o nome aprovado na CCJ, após oito horas de sabatina, por 18 votos a 9. Ali ele precisaria contar com o apoio de no mínimo 14 senadores, dos 27 que integram o colegiado. No plenário eram necessários 41 votos dos 81 em disputa.

Com o resultado, Mendonça aguarda agora a definição da data da cerimônia de posse pelo presidente do Supremo, Luiz Fux. O ministro já manifestou que pretende marcar a solenidade antes do início do recesso do Judiciário, no próximo dia 17.

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, que o carimbou como “terrivelmente evangélico”, Mendonça adotou na sabatina um discurso alinhado à classe política, na tentativa de romper resistências à sua escolha. Disse que não vai reforçar a ala punitivista da Corte, acenou para pautas progressistas, como casamento gay, e descartou a possibilidade de agir para atender aos evangélicos.

ESTADO LAICO – “Na vida, a Bíblia. No Supremo, a Constituição”, destacou o ex-advogado-geral da União. Na sabatina, Mendonça disse saber separar sua religião da atuação como magistrado, defendeu o Estado “laico” e o respeito à independência entre os Poderes. Diante dos senadores, encarnou a figura de magistrado e procurou até se “descolar” de Bolsonaro para obter apoio.

“Ainda que eu seja genuinamente evangélico, entendo não haver espaço para manifestação pública ideológica durante as sessões do Supremo Tribunal Federal”, declarou logo na primeira fala na sabatina.

O presidente Jair Bolsonaro havia dito que, com Mendonça no Supremo, pediria a ele para puxar uma oração nas sessões, uma vez por semana. À CCJ Mendonça observou que este não é o papel da Corte.

CASAMENTO GAY – Em outro momento, pressionado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), disse que deixaria de lado sua ideologia para votar a favor do casamento gay. Ao falar com senadores, o ex-advogado-Geral da União também fez um aceno à ala anti-Lava Jato ao minimizar a defesa que fez da tese de prisão após condenação em segunda instância – oriunda da sua proximidade com os procuradores de Curitiba – e disse que “não se pode criminalizar a política”, mantra repetido por críticos da maior operação contra a corrupção do País.

O ex-advogado-geral da União afirmou ainda que a Constituição vai ser mais importante que a Bíblia caso seja confirmado na vaga. “A Constituição é e deve ser o fundamento para qualquer decisão por parte de um ministro do Supremo. Como tenho dito a mim mesmo, na vida, a Bíblia, no Supremo, a Constituição”, disse o escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para a vaga.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 O grande derrotado chama-se Davi Alcolumbre, um parlamentar terrivelmente inútil e desclassificado. (C.N.)


Aprovado na sabatina, Mendonça precisa arranjar mais 12 votos para se tornar ministro do STF


 (crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Apreensivo, Mendonça chegou a ficar com os cabelos em pé

Luana Patriolino

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o nome de André Mendonça para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (1º/12). O ex-advogado-geral da União foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro e esperava há quase cinco meses pelo trâmite. Agora, a votação será levada ao plenário da Casa, onde ele precisará da maioria (41) dos votos dos 81 senadores. Na CCJ, foram 18 votos votos a favor de Mendonça e 9 contra.

A sabatina de Mendonça teve início na manhã desta quarta. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) foi a relatora do processo. Ela foi a primeira mulher a relatar uma indicação ao STF.

DIREITO E RELIGIÃO – O ex-AGU iniciou o trâmite exaltando sua história no direito e citando sua religião. Pastor presbiteriano licenciado e servidor público federal concursado, ele ficou conhecido como a indicação do “ministro terrivelmente evangélico” de Bolsonaro.

Na sessão da CCJ, Mendonça foi questionado sobre liberdade de imprensa, compromisso com a Constituição, atuação durante o governo Bolsonaro, religião, marco temporal, democracia, casamento homoafetivo, dentre outros. Um dos principais pontos de discussão da sabatina foi a religião do advogado, que é pastor presbiteriano.

Uma indicação do presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF) nunca demorou tanto tempo para ser pautada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

SENTOU EM CIMA – O principal responsável pela demora foi o presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) — que se tornou desafeto do Palácio do Planalto e, segundo os bastidores, deixou o tempo passar para desgastar Mendonça e fazer com que ele fosse derrotado na etapa.

André Mendonça está prestes a ocupar a cadeira do STF deixada pelo ministro Celso de Mello, aposentado desde 12 de julho. Se aprovado, a previsão é que a cerimônia de posse na Corte seja realizada até 17 de dezembro, último dia das atividades deste ano. Depois disso, haverá recesso e o tribunal funcionará em regime de plantão. O presidente, Luiz Fux, julgará apenas casos urgentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – De Brasília, José Carlos Werneck revela que André Mendonça só tem garantidíssimos 29 votos dos 41 que necessita no plenário do Supremo. Portanto, precisa correr atrás de 12 senadores para ter seu nome aprovado. Parada dura, mas não impossível. (C.N.)

Piada do Ano! “Solução para bancar Auxílio Brasil cobrou preço muito alto em credibilidade”


Campos Neto mostra preocupação com crescimento estrutural no País após  pandemia - InfoMoney

Campos Neto não tem credibilidade e culpa os precatórios…

Jéssica Sant’Ana
G1 — Brasília

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira (30) que a solução encontrada pelo governo federal para bancar o Auxílio Brasil cobrou um preço “muito grande” em termos de credibilidade. Campos Neto deu a declaração ao participar de um evento da Federação Brasileira dos Bancos (Febrabran).

O governo aposta na aprovação da PEC dos Precatórios para bancar o Auxílio Brasil. O texto limita o pagamento anual das dívidas da União e muda o período de inflação para o cálculo do teto de gastos. A estimativa da área econômica é que, se aprovado, o texto pode abrir espaço superior a R$ 106 bilhões no orçamento.

DESVIO FISCAL – “O que foi feito pra promover essa continuação do programa de auxílio, nós pagamos um preço em termos de credibilidade muito grande para um desvio fiscal que eu não acho que é tão grande. Mas existe uma percepção que a forma que foi feita abalou o arcabouço fiscal que existia”, declarou Campos Neto.

Ao comentar as percepções pessimistas dos agentes econômicos para o desempenho da economia brasileira em 2022, Campos Neto afirmou que a maior dúvida é sobre a capacidade do Brasil de crescer “estruturalmente”, na casa dos 2,5% e com juros em patamar de 6% a 7%.

‘”O que começou a entrar nesse prêmio de risco é essa dúvida sobre nossa capacidade de crescer estruturalmente”, afirmou.

AGENDA DE REFORMAS – O presidente do Banco Central disse ainda que os dois elementos que contribuem para o crescimento estrutural da economia brasileira são a continuidade da agenda de reformas e a credibilidade fiscal.

“Fica aqui a mensagem de que a gente está nesse processo de normalização de juros global, onde você tem retirada de liquidez do mundo emergente e, ao mesmo tempo, temos nossos ruídos locais, desafios locais. Por isso, é tão importante avançar nessa agenda de reformas, de credibilidade”, declarou Campos Neto.

“Nós não temos recurso para sair, para gerar crescimento com recursos públicos, precisamos de recursos privados. Então, precisa de credibilidade, precisamos ter uma união de política em torno de gerar eficiência e produtividade nos próximos anos”, acrescentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A Piada do Ano é Campos Neto atribuir à PEC dos Precatórios a perda da credibilidade da equipe econômico. Em nenhum momento parece lhe passar pela cabeça que ele e Paulo Guedes não têm mais a menor credibilidade, porque não acreditam em suas próprias atuações e colocam suas fortunas no exterior, para obter enormes lucros com a queda na cotação do real. Se Guedes e Campos Neto não acreditam na política econômica do governo, quem poderia acreditar? Campos Neto é um piadista, igual ao avô, que era muito mais habilidoso nas frases de efeito do que na prática econômica. Conheci Roberto Campos de perto, trabalhei com ele no Senado e sei o que estou dizendo. (C.N.)

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