sábado, agosto 21, 2021

Ministros do STF não veem chance para Bolsonaro em ação contra inquérito sem aval do MPF


por Matheus Teixeira e Marianna Holanda | Folhapress

Ministros do STF não veem chance para Bolsonaro em ação contra inquérito sem aval do MPF
Foto: Isac Nóbrega/PR

A ação apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que a corte seja proibida de instaurar uma investigação sem aval da PGR (Procuradoria-Geral da República) foi classificada nos bastidores do tribunal como despropositada e sem chance de prosperar.
 

Em conversas reservadas, ministros afirmaram que a medida expõe a contradição do governo em relação ao tema, uma vez que a AGU (Advocacia-Geral da União) se posicionou a favor do inquérito das fake news quando o plenário do tribunal avalizou a apuração, em junho do ano passado.
 

A avaliação de integrantes da corte é que o próprio chefe do Executivo sabe que será derrotado, mas decidiu protocolar a ação para animar sua militância, que costuma fazer críticas e, às vezes, ataques infundados à atuação do Supremo.
 

Após a rejeição da Câmara à proposta que instituía o voto impresso, o presidente mudou de estratégia e passou a defender o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso como forma de manter seus eleitores ativos na disputa que trava com o STF.
 

Nesta sexta (20), Bolsonaro formalizou no Senado um pedido de afastamento de Moraes -e disse que apresentará contra Barroso nos próximos dias.
 

Apesar de a iniciativa do presidente de questionar investigação sem aval do Ministério Público ter pouca chance de prosperar, a análise interna do tribunal é que a medida ajuda a tensionar ainda mais a relação entre os Poderes e dificulta a retomada do diálogo entre o Supremo e o Palácio do Planalto.
 

Isso porque, como todos os indícios apontam para a baixa probabilidade de sucesso na investida de Bolsonaro, a ação foi interpretada apenas como uma forma de contrapor mais uma vez a corte ao eleitorado bolsonarista.
 

O placar do julgamento que validou a decisão individual do então presidente da corte, ministro Dias Toffoli, de instaurar de ofício a apuração sobre a disseminação de notícias fraudulentas contra integrantes do STF é apontado como principal indicativo de que a ação de Bolsonaro deverá ser enterrada em breve pelo tribunal.
 

Na ocasião, 10 dos 11 ministros defenderam a constitucionalidade do artigo do regimento interno da corte que Bolsonaro, agora, quer que seja declarado inconstitucional.
 

Inicialmente, a abertura do inquérito sem pedido da PGR nesse sentido enfrentou resistência interna e dividiu o tribunal, pois geralmente o Judiciário só age quando é provocado.
 

Prova disso é que Toffoli evitou levar ao conjunto da corte em um primeiro momento a análise de ações que contestavam sua decisão.
 

As contestações ao inquérito aumentaram ainda mais em abril de 2019, quando o relator, Alexandre de Moraes, censurou reportagem da revista Crusoé contra Toffoli. Três dias depois, porém, Moraes revogou a própria decisão.
 

Com o passar do tempo, as investigações passaram a mirar exclusivamente a militância bolsonarista e, com o crescimento dos ataques ao Supremo por aliados do presidente, a temperatura do tribunal sobre o tema mudou.
 

Mais de um ano e três meses depois de aberto o inquérito, o plenário, por 10 a 1, referendou a decisão de Toffoli de abrir o inquérito.
 

O único voto contrário e que poderia, portanto, ser a favor da ação de Bolsonaro foi o do ministro Marco Aurélio, que se aposentou em julho e não integra mais a corte.
 

A contradição apontada por ministros nos bastidores diz respeito à manifestação da AGU no julgamento do caso. Na oportunidade, o então advogado-geral da União, José Levi, fez uma sustentação oral no plenário em defesa da decisão da corte de lançar mão do artigo 43 para instaurar uma investigação sem ter sido provocada pela Procuradoria.
 

Representando o governo federal perante o Supremo, Levi afirmou que a medida adotada pelo tribunal foi regular e não pediu a suspensão do inquérito. O então chefe da AGU defendeu o prosseguimento do caso e fez apenas algumas ponderações.
 

"Na dúvida entre liberdade de expressão e possível fake news, deve ser assegurada a liberdade de expressão", disse.
 

Além de o histórico do tema contrariar o pedido de Bolsonaro, a escolha do ministro Edson Fachin como relator da matéria foi apontado nos bastidores como mais um motivo para o chefe do Executivo não alimentar esperanças em relação à ação.
 

Não houve sorteio de relatoria e o processo foi direto para o gabinete de Fachin por ele já ser o responsável por uma ação do PTB com o mesmo teor. Após a aposentadoria de Celso de Mello no fim de 2020, o magistrado assumiu a frente no Supremo nas críticas ao presidente.
 

Além do inquérito das fake news, que já levou à prisão e a ordens de busca e apreensão de deputados, blogueiros e empresários bolsonaristas, também irritou o chefe do Executivo o fato de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter adotado medida similar para investigar a conduta do presidente da acusar, sem provas, o sistema eletrônico de votação de ser fraudável.
 

Nos bastidores, ministros têm comparado a ação contra o artigo do regimento interno ao processo em que o presidente pediu para o Supremo derrubar decretos de três estados que restringiam a circulação de pessoas como forma de conter o avanço da Covid-19.
 

O presidente apresentou uma ação contra normas de três estados mesmo após a corte ter reafirmado, em diversas oportunidades, que os entes da federação têm autonomia para deliberar sobre as medidas a serem adotadas contra a pandemia.
 

No fim, o ministro Luís Roberto Barroso rejeitou a ação e disse que a os decretos respeitavam a decisão do Supremo e frisou que as medidas eram "voltadas à contenção do contágio de Covid-19".
 

A postura do atual procurador-geral de Justiça, Augusto Aras, vista como próxima ao presidente, tem causado reações de entidades e personalidades públicas. Nesta sexta (20), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Paulo Evaristo Arns, conhecida como Comissão Arns, pediu ao STF a abertura de um inquérito para investigar o que dizem ser crimes comuns praticados pelo PGR.
 

A entidade é formada por ex-ministros de estado, intelectuais e advogados. A representação foi enviada ao presidente da corte, Luiz Fux, com pedido de encaminhamento para o Conselho Superior do Ministério Público Federal para abertura de investigação.
 

Segundo a comissão, Aras "não tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e das leis". "Ao contrário, tem instrumentalizado politicamente a ampla discricionariedade que lhe é conferida pela Constituição, de forma a subverter as funções de seu cargo, atuando mais como um guardião do próprio governo e de seus integrantes, do que efetivamente cumprindo com seus deveres institucionais".
 

"A postura do PGR aduz uma cumplicidade deliberada com o presidente da República, parecendo estar configurado o interesse pessoal do agente público em beneficiar o chefe do executivo que caracteriza o delito de prevaricação", diz a entidade.

Bahia Notícias

Se não mudar, Bolsonaro será responsável pela derrota em 2022, avaliam alguns aliados dele


Charge do Cícero (Correio Braziliense)

Valdo Cruz
G1 Política

Em um momento em que o presidente da República Jair Bolsonaro eleva o tom do conflito com o Judiciário, aliados do governo avaliam negativamente o momento político. Dizem que o próprio presidente pode acabar sendo o principal responsável por uma eventual derrota na eleição presidencial do ano que vem.

Segundo eles, se o presidente não mudar, a crise política vai contaminar de vez a economia e piorar os indicadores para 2022, conforme já indicam as previsões do mercado financeiro.

TENSÃO NA ECONOMIA – Para interlocutores de Bolsonaro, o presidente perde muito tempo com polêmicas desnecessárias, só para manter seu eleitorado mobilizado, e acaba contribuindo para gerar tensão da economia. O resultado já é visto nos últimos, com o dólar subindo, a Bolsa caindo e os juros futuros já acima de 10%. Atualmente, o dólar está por volta de 5,25%.

As previsões para o crescimento da economia seguem na casa de 5%, mas para o ano da eleição elas estão recuando, alguns economistas já falando em um número de PIB abaixo de 2%.

Inflação alta e desemprego elevado, aliados ao desgaste presidencial pela crise sanitária, vão tirar, segundo aliados de Bolsonaro, a competitividade eleitoral do presidente.

RETOMADA DA ECONOMIA – Os interlocutores mais pessimistas de Bolsonaro chegam a prever que ele pode ficar fora de um eventual segundo turno da eleição presidencial se o cenário econômico não melhorar. Eles dizem que, atualmente, Bolsonaro joga contra o seu próprio time, ao não focar no que realmente interessa, como a aprovação de temas no Congresso que levem a uma recuperação sustentável da economia.

Por isso, chegam a defender uma mudança na área econômica, até com a possibilidade de saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, para fazer uma correção de rumos. Para eles, uma saída de Paulo Guedes neste momento não criaria mais tensão no mercado como antes e, a depender do substituto, pode até significar uma retomada da credibilidade do governo junto ao empresariado.

Essa defesa já chegou aos ouvidos do presidente da República, que mantém o apoio a seu ministro da Economia. Bolsonaro tem em Paulo Guedes um aliado fiel e não pretende trocá-lo.


Bolsonaro discursará em São Paulo e Brasília, para agravar a crise e justificar a intervenção

Publicado em 21 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)

Merval Pereira
O Globo

O presidente Bolsonaro “ameaça” discursar no dia 7 de setembro e, como é descontrolado, vai botar fogo nessa crise. Com uma multidão pedindo a saída de ministros do Supremo, voto impresso, e outras coisas, não terá palavras sóbrias; não vai dar certo.

Bolsonaro vai querer mostrar que o povo está do lado dele e será difícil se controlar. A ação da Polícia Federal contra Sergio Reis e Ottoni de Paula é uma demonstração clara de que não dá para brincar.

TOTAL INCONSEQUÊNCIA – Não é possível incentivar revolução, invasão do Supremo e quebra-quebra no Congresso e ficar por isso mesmo. Mas grave mesmo é quando o presidente da República toma essa atitude, demonstrando total inconsequência, sem avaliar o que pode acontecer a partir daí. Ou até avalia, mas acredita que a arruaça vai favorecê-lo. Esse é o perigo, quando o presidente da República chega a esse ponto.

No meio da confusão, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está tendo um papel importante nesse momento conturbado da política. Com seu jeito mineiro, marca posição e procura acalmar a situação.

Mas pode entrar na lista de adversários de Bolsonaro, já que seu nome foi lançado à corrida presidencial pelo ex-ministro Gilberto Kassab. Assim, cada passo que ele der poderá ser tomado como atitude contrária ao presidente.

TERCEIRA VIA – Está se colocando como político sensato, habilidoso, que quer o diálogo, o que é uma opção importante para quem quer se viabilizar como terceira via.  Na discussão política partidária, o Senado está tomando posições importantes, como ficar contra as coligações. Acredito que não haverá espaço por lá para votar a reforma eleitoral já aprovada na Câmara. Não tem sentido fazer mudança numa reforma já feita em 2017 e que precisa ser aprovada rapidamente, sem o debate necessário. 

2022 será a primeira experiência da reforma de 2017 em eleições para o Congresso. Não tem sentido mudar mais uma vez antes de ela acontecer.


Bolsonaro recorre para tentar subordinar o STF à Procuradoria Geral da República

Publicado em 21 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro rejeita previamente qualquer tipo de diálogo institucional

Pedro do Coutto

Reportagem de Mariana Muniz, Paula Ferreira e Jussara Soares, O Globo de sexta-feira, revela que no início da noite de quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro, em mais um ato completamente absurdo, que aliás é uma rotina em seu desgoverno, encaminhou representação ao STF no sentido de estabelecer que a Corte somente possa abrir inquéritos com o aval da Procuradoria-Geral da República. O ato acrescenta mais um recorde do governo em matéria de desorientação e até mesmo de provocação.

Como é possível que o Poder Judiciário possa remeter a si mesmo para um patamar abaixo e dependente da autorização da PGR? A iniciativa de Bolsonaro tem como objetivo, acentua a reportagem, obstruir os inquéritos contra as fake news que ameaçam a democracia e com isso agridem toda a sociedade brasileira.

SEM DIÁLOGO – Por outro lado, o objetivo do presidente é o de rejeitar previamente qualquer tipo de diálogo institucional, tanto com o Poder Legislativo quanto com o Poder Judiciário. Não é possível que Bolsonaro não tenha recebido assessoria competente destinada a evitar que cometesse essa atitude dramática no quadro constitucional do país. É evidente que ele sabe muito bem que a Corte Suprema só pode rejeitar de plano tal representação e com isso pretende o chefe do Executivo agravar a crise que já coloca em posição difícil o seu próprio governo.

Bolsonaro, no fundo, digo, não deseja soluções dentro do quadro legal brasileiro. Pelo contrário. Daí porque a sabatina de Augusto Aras marcada para terça-feira no Senado, no processo de sua recondução ao cargo de Procurador-Geral , ganha uma conotação inevitavelmente política. O Senado tem plena consciência de que Bolsonaro deseja um veto a Augusto Aras já desenhado pelas acusações de inércia e omissão.

Porém, está também em discussão a escolha de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal. Tenho a impressão de que o Senado, apesar das restrições a Aras, considera melhor reconduzi-lo do que aceitar a nomeação de Mendonça. Tanto assim que,  enquanto a sabatina está marcada para terça-feira,  a análise de André Mendonça pela Comissão de Constituição e Justiça não tem ainda data prevista.

DESEMBARQUE – Douglas Gavras  e Isabela Bolzani publicaram reportagem na Folha de S. Paulo de ontem destacando que o mercado financeiro está vendo com desconfiança tanto os rumos econômicos quanto às rotas políticas do governo Jair Bolsonaro e começa a preparar uma operação de desembarque,  temendo que o seu apoio à reeleição termine se revertendo num lance prejudicial aos próprios interesses da mão de tigre que rege o mercado financeiro do país.

A economista Zeina Latif em declaração à Folha diz que há um acúmulo de notícias negativas envolvendo o governo e o mercado começa a reagir por falta de um gatilho. O gatilho a que a economista se refere, tenho a impressão, é aquele que rege as aplicações e investimentos financeiros, sobretudo num momento em que a inflação dos últimos 12 meses, de acordo com o IBGE, atinge 7%, enquanto a taxa Selic está fixada em 5,25% ao ano.

CREDORES – Os bancos, esta que é a verdade, não são devedores, mas sim credores deste índice Selic, na medida em que a remuneração reflete a incidência do percentual sobre o total da dívida brasileira que alcança R$ 6 trilhões. O gatilho seria assim uma forma de evitar que as aplicações via Selic permanecessem num sistema de juros negativos, ou seja, inferiores à inflação do IBGE.

Mas o gatilho, digo, deve se referir também aos salários, os quais, conforme informou a TV Globo no Jornal Nacional de quinta-feira, assinalam um avanço dos preços da alimentação, enquanto os salários não saem da estaca zero. Assim, a diminuição concreta da remuneração do trabalho gera uma retração forte no consumo de alimentos,  diretamente refletida e comprovada pela diminuição do consumo da população nos supermercados.

Se até os alimentos encontram-se em retração, por isso pode-se imaginar os cálculos da compressão envolvendo restaurantes, viagens, movimento na Bolsa de Valores e outras faixas econômico-financeiras que formam o sistema do Produto Interno Bruto. Com o desemprego na escala de 14,8% não há consumo que possa se expandir e, portanto, não há PIB que possa avançar.

Augusto Aras, o prevaricador-geral, consegue ser pior do que o tucano Geraldo Brindeiro

Publicado em 21 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

O procurador-geral da República, Augusto Aras, durante discurso de posse no Palácio do Planalto em 26 de setembro de 2019 — Foto: Adriano Machado/Reuters

Augusto Aras conseguiu destruir a credibilidade da Procuradoria

Conrado Hübner Mendes
Folha

Augusto Aras está para Geraldo Brindeiro como Jair Bolsonaro está para Fernando Henrique Cardoso. Mas essa síntese não é suficiente para expressar a magnitude do equívoco dessa comparação apressada, incompleta e benevolente.

Brindeiro foi procurador-geral pelos oito anos do governo FHC e se celebrizou como engavetador-geral da República. Não sem razão. Dizia examinar as representações que lhe chegavam “com a cautela que a matéria requer”. Costumavam terminar mesmo na gaveta.

COMPARAÇÃO – Por pressão de FHC, recuou e não pediu intervenção federal no Espírito Santo pelo colapso de segurança pública. Miguel Reale Jr., então ministro, demitiu-se por isso. Sua apuração sobre compra de votos para emenda da reeleição (a “pasta rosa”) e os casos contra autoridades do governo também ilustram sua deferência.

Não foi pouco. Apesar disso, Brindeiro nunca foi inimigo do Ministério Público, nunca lutou contra a instituição a pretexto de combater o “facciosismo”; nunca perseguiu ou desqualificou colegas de MP, nunca saiu em defesa gratuita e performática do presidente, nunca disputou publicamente corrida ao STF. Nunca perseguiu críticos do presidente e de si próprio. E não tinha sobre sua mesa a delinquência de Bolsonaro.

O Senado, prestes a reconduzir o PGR para novo mandato, precisa de um balanço que faça justiça a Aras. Um balanço que não o diminua. A omissão de Aras, diferentemente da de Brindeiro, requer muito trabalho (como descrevi em outra coluna). Seu primeiro mandato foi uma enormidade.

TAREFAS DE ARAS – Esses dois anos de gestão foram dedicados a três tarefas principais: garantir tranquilidade ao bolsonarismo; implodir a Lava Jato sem fazer as distinções que importam (entre Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo; entre combate à corrupção e a corrupção do combate à corrupção); conflagrar e definhar o MPF.

A primeira tarefa exerceu de forma tão espalhafatosa que resultou em inéditos escrachos públicos por ministros do STF, solicitando que faça algo, cumpra prazos; e culminou em duas representações por crime de prevaricação feitas por ex-subprocuradores e senadores.

A segunda, ao generalizar os graves vícios da Lava Jato de Curitiba para as forças-tarefas de São Paulo e Rio de Janeiro, bloqueou, abruptamente, avanços contra a corrupção. A cúpula dos governos de SP e RJ respirou aliviada. Aproveitou a onda e desmontou a Força Tarefa da Amazônia. À arbitrariedade do lavajatismo respondeu com mais arbitrariedade.

GUERRA INTERNA – A terceira tarefa é extensa. Mas pode ser ilustrada pelas muitas manchetes que narram a guerra interna. Como esta: “Corregedora da PGR aponta manobra de Aras para blindar aliados e perseguir adversários”. E esta: “Subprocuradores querem que MPF oficie MEC por censura a manifestação política”.

Quando se defende das críticas, Aras surfa na hermenêutica declaratória. Autoafirmação é seu critério de legalidade. Vale qualquer coisa que saia de sua boca ou caneta: “existe alinhamento à Constituição”, “vou me manifestar dentro do quadrado constitucional”.

Vende silogismo jurídico e entrega dadaísmo. A premissa maior: o PGR deve obedecer a Constituição. A premissa menor: eu sou o PGR. A conclusão: Portanto, eu obedeço a Constituição. Inferências produzidas por fluxo de consciência, onde a lógica não entra.

DADAÍSMO TRONCHO – Faz um dadaísmo troncho, para ficar claro. Abraça a contradição, recusa a racionalidade e se deleita com a sonoridade das palavras, mas ignora a parte do dadaísmo que combate a violência. Em vez do protesto contra a brutalidade, chancela Bolsonaro.

Esse dadaísmo também produz nonsenses ridículos. Diz, por exemplo, que Roberto Jefferson tem liberdade de expressão para incitar e ameaçar, mas cidadão não tem pra criticá-lo. Seu tratado sobre a liberdade nem precisa ser escrito, pois se resume à fórmula “acho que sim, acho que não”. A fórmula não é lotérica nem jurídica. E nada ingênua.

Dia desses, citou em live corporativa o conceito de “sociedade aberta dos intérpretes da Constituição”, de Peter Häberle. Concluiu que o MP não combina com eleições internas e listas tríplices, mas com mérito. Afora o palavrório, parecia crer que Bolsonaro o nomeou por mérito. A meritocracia bolsonarista, lembre-se, deixa brasileiro morrer sem vacina e oxigênio.

Brindeiro só não fazia. Era grave. Aras faz muito. É incomparável.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Aras será sabatinado pelos senadores no dia 24. A aprovação de seus nome será uma afronta à nação(C.N.)


Vice-presidente da Câmara aponta ‘chantagem’ de Guedes para calote nos precatórios

Publicado em 21 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Reprodução do Arquivo Google

Alberto Bombig e Matheus Lara
Estadão

Não desceram redondas no Legislativo as frases ditas por Paulo Guedes na Comissão de Relações Exteriores do Senado. O ministro da Economia, em linhas gerais, condicionou até o pagamento de salários da máquina pública à aprovação da PEC dos precatórios.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), resume o sentimento de grupo representativo, segundo apurou a Coluna: “Ele já deveria ter aprendido que a Câmara não se submete a esse tipo de chantagem barata. Sugiro que ele dialogue sobre a PEC em termos sérios e técnicos”.

BOLSA FAMÍLIA – Apesar do alerta, diz Marcelo Ramos: “A Câmara tem boa vontade de dialogar com o ministro Guedes sobre saídas para a reestruturação do Bolsa Família”.

Até aqui, o deputado tem votado com o governo nas pautas que considera serem de interesse do País. Inclusive, Ramos foi peça fundamental na aprovação da reforma da Previdência, maior feito de Guedes.

Mas o parcelamento dos precatórios realmente enfrenta resistências. As declarações do ministro Guedes só aumentaram o desafio de Ciro Nogueira e Flávia Arruda.

OUTROS PROBLEMAS – Não está fácil a vida do governo na agenda econômica. Segundo associação de redes de farmácia, a proposta de reforma tributária bancada por Bolsonaro pode dificultar ainda mais a manutenção da saúde da população e levar a aumento de 12% no preço dos remédios.

Um dos líderes do MBL, Kim Kataguiri protestou contra os gastos do cartão corporativo de Bolsonaro e fez convocação para a manifestação do próximo dia 12.

O evento organizado pela direção do PTB como desagravo a Roberto Jefferson, com apoio do clã Bolsonaro, praticamente não teve adesão de parlamentares do próprio PTB. O motivo? Os ausentes acharam que poderia rolar pedido para que fossem fotografados segurando armas, como fez Jefferson. Quem tem juízo não vai ter o mesmo destino do “Leão do PTB”, preso faz uma semana por ordem do STF.

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P.S. –
 Por fim, a chegada de Rodrigo Maia ao Palácio Bandeirantes é aguardada com curiosidade. Criado no Rio, ele é visto como um “carioca da gema”. Assessores de João Doria no palácio dizem que Maia terá de aceitar que biscoito, claro, não é bolacha.


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