domingo, julho 11, 2021

Fala de comandante da Aeronáutica irrita parlamentares governistas e da oposição

 Foto: Divulgação

Braga Netto e comandantes das Força Armadas11 de julho de 2021 | 07:20
BRASIL

A reação no Congresso à entrevista ao jornal O Globo do comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Junior, foi unânime entre os grupos políticos: reprovação absoluta.

De oposicionistas do governo na CPI da Covid até bolsonaristas, os parlamentares viram como inoportunas e desnecessárias as falas de Baptista Junior após a divulgação da nota assinada com os outros comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

Na cúpula do Congresso, a atitude de Baptista foi entendida como um avanço para o campo da política, fora do escopo das Forças Armadas.

A própria disposição em dar uma entrevista já revela postura que destoa da forma como vinham agindo seus antecessores e outros comandantes das Forças, avessos a externar opiniões publicamente.

Nela, o tenente-brigadeiro disse que a nota das Forças era um “alerta às instituições” e que não enviariam 50 notas para o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Nas redes sociais, Baptista também é menos contido e se manifesta por meio de curtidas em mensagens políticas, geralmente em apoio a Jair Bolsonaro.

https://politicalivre.com.br/


Maioria no país não acredita em nada do que é dito por Bolsonaro

 por Igor Gielow | Folhapress

Maioria no país não acredita em nada do que é dito por Bolsonaro
Foto: Reprodução / Flickr Palácio do Planalto

O índice de brasileiros que não confia em nada que é dito pelo presidente Jair Bolsonaro é o maior desde que o Datafolha começou a aferir esse índice, em agosto de 2019: 55%.
 

É o que aponta pesquisa nacional feita pelo instituto em 7 e 8 de julho, na qual foram ouvidas presencialmente 2.074 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
 

A série tem 11 levantamentos até aqui. Desde o anterior, de maio passado, a desconfiança subiu de 50% para os atuais 55%. Confiam em tudo o que Bolsonaro diz 15%, ante 14% no levantamento passado. Já a avaliação de que o presidente é crível às vezes caiu de 34% para 28%.
 

Os dados conversam com o mau estado da popularidade presidencial aferida pelo instituto, constatada nesta rodada.
 

Bolsonaro está com a pior avaliação de sua gestão e teria hoje baixa possibilidade de reeleição, segundo a fotografia captada pelo Datafolha. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito neste momento.
 

O governo vive uma grave crise política, inserida na tragédia sanitária dos mais de 500 mil mortos pela Covid-19 e sombras de problemas econômicos sérios, como inflação, aperto fiscal e até racionamento de energia elétrica.
 

A CPI da Covid e apurações paralelas têm descoberto suspeitas sérias de corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde, e desde o fim de maio há protestos de rua inauditos até aqui.
 

Isso não significa que Bolsonaro esteja à beira de um impeachment, conforme avaliam líderes políticos de vários espectros. Mas sua condição política está deteriorada.
 

Não creem em nada que Bolsonaro fala mais mulheres e menos instruídos (60% de incredulidade), além de moradores da fortaleza petista do Nordeste (65%).
 

Acreditam sempre no presidente mais os maiores de 60 anos (22%), os moradores de áreas bolsonaristas como o Norte/Centro-Oeste (21%) e os aliados evangélicos (22%) --embora mesmo ali a maioria, 51%, não acredita em Bolsonaro.
 

Nos grupos mais específicos, há previsibilidade em consonância com outros aspectos captados pelo Datafolha. Para 38% dos empresários, Bolsonaro sempre diz a verdade. Já homossexuais e bissexuais, alvos da homofobia presidencial, são quase unânimes (75%) em rejeitar as falas do presidente. Tal avaliação é feita por 63% dos pretos.
 

O melhor momento de popularidade de Bolsonaro, dezembro do ano passado, já não tinha um índice muito grande de crença: 21% acreditavam no presidente. De lá para cá, a avaliação de que ele não fala a verdade subiu de 37% para o patamar atual.

Bahia Notícias
 

Divisa de Bahia e Alagoas,"Ponte sobre o Rio São Francisco"

Homem morre após ser atacado por tubarão em praia de Pernambuco; veja vídeo

Homem morre após ser atacado por tubarão em praia de Pernambuco; veja vídeo
Foto: Divulgação

Um homem de 51 anos morreu após ser atacado por um tubarão, neste sábado (10), na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Marcelo Rocha Santos chegou sem vida ao Hospital da Restauração (HR), na área central da capital pernambucana.

 

Desde 1992, quando começaram a ser registrados os ataques no litoral pernambucano, foram notificados outros 65 incidentes com tubarão. Os dados são do Comitê Estadual de Monitoramento (Cemit). Ao todo, houve 25 outras mortes, nesse período.

 

Segundo o G1, a região é conhecida como Igrejinha de Piedade, onde já tinham acontecido outros 12 casos. No local, há um posto de guarda-vidas. A vítima teve lesões graves na coxa e em uma das mãos, que foi amputada, de acordo com os bombeiros.

 

Veja:
 

A política de rapinagem transformou a mais rica colônia francesa num inferno chamado Haiti

 

A violência eclodiu depois que o presidente do Haiti foi assassinado na quarta-feira.

O presidente foi fuzilado quando estava nesse automóvel

Eurípedes Alcântara
O Globo

‘Koudeta’. As crianças em idade escolar no Haiti são familiarizadas com essa palavra. É como se escreve em creole “coup d’État”, golpe de Estado em francês. Foram mais de 30 golpes ou trocas violentas de poder na história do país, que divide com a República Dominicana a Ilha de Hispaniola, como os conquistadores espanhóis chamaram sua possessão no Caribe depois de visitada em 1492 por Cristóvão Colombo.

Quase três séculos depois, no mesmo mês de julho de 1794 em que Robespierre perdeu a cabeça na guilhotina, pondo fim ao reinado do terror da Revolução Francesa, a Espanha cedeu a porção ocidental da ilha para a França. O creole é idioma resultante da mistura do francês com as línguas faladas pelos escravos trazidos à força da África Ocidental.

PRESIDENTE FUZILADO – Quase posso ouvir agora as crianças comentando o assassinato do presidente Jovenel Moïse, ele próprio autor de um golpe destinado a alongar seu mandato, fuzilado na semana passada por mercenários na residência oficial em Porto Príncipe: —Koudeta.

Poucas imagens me emocionaram mais do que ver crianças haitianas em seus impecáveis uniformes com camisas brancas imaculadas indo para a escola de manhã, brotando como flores dos becos de bairros sórdidos e caminhando com o cuidado das garças sobre o piso imundo das ruas da capital.

Era 1994, e o Haiti tentava escapar dos desdobramentos de mais um golpe de Estado, desfechado pelo militar Raoul Cédras contra o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide. Às meninas e aos meninos de braços dados, eu perguntava se sabiam por que havia tantos militares nas ruas. Mal me olhavam, repetindo automaticamente sem interromper o passo: — Koudeta, blan mwen.

UM PAÍS INVIÁVEL – A política de rapina da direita, da esquerda e do centro nunca deu uma chance às crianças haitianas. Quando elas deixam seus uniformes, só lhes resta a tragédia cinicamente armada por gerações de adultos sem lei que fingem aceitar ajuda de instituições estrangeiras, apenas para se livrar do dever de construir suas próprias.

A fina camada de civilização foi esgarçada a ponto de não poder mais ser recuperada, como a antes frondosa vegetação desmatada com fúria e varrida para o mar pela erosão das encostas.

Assisti em Porto Príncipe a uma briga que começou depois de o condutor de um carrinho de pedreiro carregado de carvão bater a roda numa pedra, e a caçamba tombar, espalhando pela rua sua “valiosa” carga. Quando homens quase se matam por pedaços de carvão, a situação chegou ao limite. Os políticos do Haiti se matam por um país calcinado.

TRISTE COMPARAÇÃO – Gêmeos idênticos criados por famílias separadas são o melhor laboratório de estudos sobre nature vs. nurture, entre a genética e a criação, envolvendo aqui o ambiente familiar, os amigos, a cultura e a educação formal.

A Ilha de Hispaniola oferece a mesma clareza de comparação entre Haiti e República Dominicana, destino frequente de Anitta e de 6 milhões de turistas de todo o mundo antes da pandemia.

Os dois países são geograficamente vizinhos, mas seus moradores estão mais distantes entre si que os cariocas do Leblon estão do Deserto de Gobi. A República Dominicana, sem ser um exemplo histórico de democracia ou justiça social e econômica, produziu políticos melhores e instituições mais sólidas, tendo sofrido três interrupções bruscas de poder — contra as mais de 30 do Haiti.

UMA COLÔNIA RICA – A República Dominicana educou melhor seu povo, cuidou de suas riquezas naturais e teve a sorte de ser menos pilhada pelos colonizadores — até mesmo por ser, originalmente, mais pobre que o vizinho.

O Haiti foi a colônia francesa mais rica. Centenas de milhares de escravos africanos, usados na produção de açúcar, café, coco e algodão, tornar-se-iam mais tarde deserdados do destino.

Mesmo tendo feito uma guerra vitoriosa contra as tropas de Napoleão Bonaparte, nunca conseguiram estar em paz consigo mesmos, destruindo-se de koudeta em koudeta.


Revolução Constitucionalista de 1932 não derrubou Vargas, mas teve boas consequências

Publicado em 10 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Cartaz do movimento para derrubar a ditadura getulista

José Carlos Werneck

Num país sem memória como o Brasil, vale lembrar que esta sexta-feira, dia 9, marcou a passagem dos 89 anos de um dos mais importantes e dramáticos acontecimentos da história republicana brasileira: a Revolução Constitucionalista de 1932.

Motivado pela insatisfação dos paulistas com a Revolução de 1930, o movimento pretendia convencer o Governo Provisório de Getúlio Vargas da necessidade de pôr fim ao caráter discricionário do regime sob o qual vivia o Brasil.

CONTRA A DITADURA – Em 9 de julho de 1932 eclodiu na capital paulista a Revolução Constitucionalista, liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, o mesmo do levante de 1924.

Contando com a participação de vários remanescentes do movimento de 1930, como os militares Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo (pai do também general e presidente João Figueiredo), a revolução recebeu amplo apoio dos mais diversos segmentos das camadas médias paulistas.

Getúlio Vargas, que muitos insistem em classificar como um governante “democrático”, foi um dos mais cruéis e sanguinários ditadores da História Republicana do País.

O DITADOR VARGAS – Odiava eleições, sua polícia espancava, torturava e matava opositores do Governo. Era inimigo ferrenho da liberdade de expressão, perseguia jornalistas. Moveu uma odiosa campanha contra o jornal “O Estado de S.Paulo”, que culminou com a usurpação temporária do matutino fundado pela família Mesquita.

Se, militarmente, os paulistas saíram derrotados do movimento de 1932, o mesmo não se pode dizer em relação à política e à economia, pois São Paulo continuava a ser o principal fornecedor de divisas do país, num quadro de crise econômica mundial e de queda do preço do café no mercado internacional.

Assim, o Governo Provisório manteve a política de valorização do café, comprando e retendo estoques, além de permitir o reescalonamento das dívidas dos cafeicultores e aceitar bônus de guerra como moeda legal, entre outras medidas.

PELA NOVA CONSTITUIÇÃO -Do ponto de vista político, a revolução provocou o fortalecimento do projeto constitucionalista, com Getúlio Vargas sendo levado a reativar a comissão que elaboraria o anteprojeto de Constituição, e com a criação de novos partidos para concorrer às eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, realizadas em maio de 1933 e deram a vitória à Chapa Única por São Paulo Unido, composta por membros da Frente Única Paulista(FUP) que haviam permanecido no país e amplamente dominada por representantes do PRP.

Além disso, em agosto de 1933, São Paulo finalmente viu chegar um civil e paulista à chefia do governo do estado, com a indicação de Armando de Sales Oliveira para substituir o general Valdomiro Lima. E em 1935 Armando Sales foi eleito governador constitucional de São Paulo pela Assembleia Constituinte Estadual.

Explosão de casos de Covid faz da Espanha uma nova ‘zona de risco’ no contexto europeu

Publicado em 10 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Contaminação aumentou muito, mas as mortes diminuíram

Susana Bragatto
Folha

“Volta um dos clássicos do verão”, festeja a newsletter cultural que recebo no meu e-mail. O texto se refere a um dos principais festivais de música de Barcelona, o Cruïlla (“Encruzilhada” em catalão, uma referência à “vocação” do evento de promover “encontros”, segundo explica a página oficial), que, depois de um ano de pausa, acontece entre 8 e 10 de julho de 2021.

O evento, que recebe até 75 mil pessoas em cada edição, acontece ao mesmo tempo em que a Espanha, em questão de duas semanas, se transformou de novo em um dos países com mais alta taxa de contágios da Europa, graças à expansão da variante Delta, sobretudo entre jovens.

CONTAMINAÇÃO – Em outras palavras, num farfalhar de pestanas veranis, a Espanha passou a responder por quase 50% (4 de cada 10) contágios detectados no continente.

A Catalunha, com Barcelona como estrela, é de longe a província mais preocupante, com um vertiginoso salto de 150 casos a mais de mil por dia (ou 6 mil só na última segunda, 5 de julho, em apenas uma semana).

Diante disso, nos últimos dias, França e Alemanha divulgaram notas oficiais recomendando a seus cidadãos que evitem a Espanha (e Portugal, outro país em que o bicho tá pegando) como destino turístico.

Turismo livre – Já vejo turista estrangeiro saindo pelos tubos. Imagens de destinos overturísticos como Ibiza, Mallorca e Salou vêm circulando nas redes, mostrando multidões alegres se espremendo em ruas e butecos.

Com a reabertura do ócio noturno no final de junho e a flexibilização das precauções sanitárias, como o uso obrigatório da máscara nas ruas, a Espanha, segundo destino mais visitado do mundo, queria se preparar para a chegada dos turistas gringos em julho, principalmente britânicos, alemães e franceses, que costumam vir em massa nessa época.

O problema é que a reabilitação da vida cultural e noturna no país coincidiu com fatores explosivos: férias escolares, a chegada do verão… e a expansão da variante Delta, até 60% mais contagiosa que anteriores.

MUITAS FESTAS – Embora a vacinação nacional esteja avançando (44,4% da população já recebeu o protocolo completo, e 58,2%, ao menos uma dose), o clima de já-ganhou levou a população a precocemente montar circo. Festa. Muitas.

Um dado positivo: ao contrário das outras quatro grandes ondas pandêmicas na Espanha, esta não é tão letal –foram registrados apenas 16 mortes por Covid em todo o país nos últimos sete dias –, mas vem se expandindo muito rapidamente. O foco principal desta vez: jovens de até 30 anos.

Estes não são, em geral, hospitalizados, mas buscam os postos de saúde. Resultado: embora menos de 10% dos leitos de UTI do país estejam ocupados atualmente por pacientes críticos com Covid, o sistema de atenção primária de saúde está voltando a colapsar. Pra agravar o cenário, em plena época de férias, há até 50% menos cobertura de pessoal.

sábado, julho 10, 2021

Militares X CPI: o que está por trás da insatisfação das Forças Armadas com Omar Aziz

Publicado em 10 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Senadores da CPI reúnem-se para discussão

Nota das Forças Armadas revoltou o presidente da CPI

Rodolfo Costa
Gazeta do Povo

As declarações do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, ainda estão “entaladas” nas Forças Armadas. O ministro da Defesa, Braga Netto, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), até conversaram na manhã desta quinta-feira (8) para colocar panos quentes após a reação de ambos os lados no episódio em que Aziz criticou o que considera ser o “lado podre” da instituição.

Mas a caserna permanece incomodada com as falas de Aziz. A Gazeta do Povo procurou militares para entender o que, afinal, desencadeou a reação via nota oficial do Ministério da Defesa.

AZIZ MINIMIZA – O presidente da CPI alega que foi mal interpretado e acusa as Forças Armadas de tentarem intimidá-lo. Para ele, a nota emitida foi “desproporcional”. “A minha fala foi pontual, não generalizada”, disse, na quarta-feira (7), no plenário do Senado.

A leitura feita no Alto Comando das Forças Armadas, contudo, vai em desencontro do que Aziz afirma. “No momento em que ele cita a Força Aérea Brasileira (FAB) para criticar e acusar militares da reserva ou reformados, ele está, sim, generalizando”, sustenta um interlocutor da ativa das Forças, sob condição de anonimato.

Para entender a reação das Forças Armadas, é importante relembrar o que exatamente disse o presidente da CPI da Covid.

SARGENTO DA FAB – Na quarta-feira, na sessão em que depôs Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, em determinado momento Aziz questionou Dias se ele havia sido sargento da Aeronáutica.

O ex-diretor do Ministério da Saúde confirmou a informação ao senador. Disse que em seus 10 primeiros anos de vida profissional serviu à Aeronáutica, tendo desempenhado “na maior parte do tempo” — segundo ele próprio — a função de controlador de tráfego aéreo. Suspeito de ter pedido propina de US$ 1 por dose comprada da AstraZeneca, ele foi preso por ordem de Aziz, mas solto após pagar fiança.

Tão logo Dias confirmou o passado na FAB, Aziz o questionou se ele conhecia o “coronel Guerra”, Glaucio Octaviano Guerra, coronel da FAB reformado em 2016. Ele aparece como um dos destinatários de mensagens de celular enviadas pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti em conversas sobre as negociações envolvendo a vacina AstraZeneca.

DESABAFO POLÊMICO – Em seguida, o presidente da CPI fez o polêmico desabafo que desagradou as Forças Armadas. “Olha, vou dizer uma coisa, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que, hoje, estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos, que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”, disse.

O presidente da CPI prosseguiu: “E aliás, não tenho nem notícia disso [suspeitas de corrupção] na época da exceção [ditadura militar] que teve no Brasil. Porque o [ex-presidente João] Figueiredo morreu pobre, porque o [ex-presidente Ernesto] Geisel morreu pobre, porque a gente conhecia, e eu estava naquele momento do lado contra eles. Mas uma coisa que a gente não acusava era de corrupção deles”, comentou.

 

Por fim, ainda no mesmo contexto, Aziz citou a parte que, para o Alto Comando das Forças Armadas, associa generalizadamente a instituição com suspeitas de corrupção supostamente cometidas por ex-integrantes do governo.

DISSE AZIZ – “Mas agora, você, Força Aérea Brasileira, coronel Guerra, coronel Élcio [Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde], general [Eduardo] Pazuello [ex-ministro da Saúde], e haja envolvimento de militares das Forças Armadas”, disse.

A contrariedade à fala de Omar Aziz foi rápida na caserna. Tão logo tomaram conhecimento, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e os comandantes das três Forças Armadas concordaram em se posicionar de forma conjunta em repúdio às declarações do presidente da CPI.

 Assim, ao fim da tarde de quarta, os comandantes do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos; e da Aeronáutica, tenente brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, se reuniram com Braga Netto no Ministério da Defesa. Desse encontro, decidiram se posicionar conjuntamente por meio de nota.

REPÚDIO VEEMENTE – No comunicado, eles deixaram claro que “repudiam veementemente as declarações do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Omar Aziz”. Para eles, a fala “desrespeitou as Forças Armadas e generalizou esquemas corrupção” associados à instituição.

O senador foi às redes sociais reforçar que não generalizou e não “atacou” os militares brasileiros. Porém, para a caserna, ao ter citado nominalmente “Força Aérea Brasileira” em um mesmo contexto de crítica e acusação ao coronel Guerra e ao coronel Élcio Franco — que é da reserva do Exército —, ambos nomes do “núcleo militar” do suposto esquema de corrupção na compra de vacinas no Ministério da Saúde, a interpretação feita entre militares é que Aziz generalizou.

“Como ele alega não generalizar quando cita a Força Aérea Brasileira como um todo? O que ele quis dizer então? Foram as Forças Armadas que negociaram as vacinas? Ou algum militar da ativa da instituição? Não. Ele poderia até ter acusado de desvio de conduta um ou outro membro da reserva das Forças. Mas não cabia a ele ter dito que existe ‘lado podre’ das Forças Armadas”, justifica um interlocutor militar à reportagem.

RECEPÇÃO NEGATIVA – O mesmo interlocutor confirma que a recepção entre os comandantes foi muito negativa. “A nota partiu das Forças Armadas, não teve qualquer participação ou pedido feito pelo presidente [Jair Bolsonaro]. Os comandantes ficaram incomodados. A intenção da nota era demarcar uma posição. Não pode um cara como o Omar Aziz, por conta da briga política [com o governo] ou que interesses o sujeito tenha, dizer o que disse”, explica o militar.

A reação de Omar Aziz e das Forças Armadas às repercussões levaram o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a manifestar seu “registro de respeito” pelas Forças Armadas ainda na noite de quarta. “Para que não paire a menor dúvida em relação ao que é o sentimento do Senado da República em relação às Forças Armadas”, disse.

O presidente da CPI discordou da fala de Pacheco e a classificou como um “discurso bastante moderado para o momento”. Para Aziz, o presidente da Casa deveria ter tratado a nota como “desproporcional” e saído em defesa dele. “Vossa Excelência, como presidente do Senado, deveria dizer isso no seu discurso: ‘eu sou um membro dessa Casa. Eu não aceito que intimide um senador da República’. Era isso que eu esperava de Vossa Excelência”, criticou.

DIÁLOGO E RESPEITO – Na manhã desta quinta, Pacheco e Braga Netto “passaram a limpo” a polêmica. “Ressaltamos a importância do diálogo e do respeito mútuo entre as instituições”, disse o presidente do Senado. “Deixei claro o nosso reconhecimento aos valores das Forças Armadas, inclusive éticos e morais, e afirmei, também, que a independência e as prerrogativas de parlamentares são os principais valores do Legislativo”, acrescentou.

O senador considerou, por fim, o “episódio de ontem” como “fruto de um mal-entendido” que, para ele, “foi suficientemente esclarecido”. “O assunto está encerrado”, afirmou.

Braga Netto, por sua vez, informou os comandantes sobre o diálogo com Pacheco. Segundo um interlocutor das Forças Armadas, o ministro da Defesa explicou que a nota não teve o intuito de intimidar Aziz, tampouco o Senado.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

 

Em destaque

Emendas atribuídas pela PF a Valdemar em um ano superam as de 512 dos 513 deputados

  Emendas atribuídas pela PF a Valdemar em um ano superam as de 512 dos 513 deputados Por Raphael Di Cunto / Folhapress 11/07/2026 às 10:40 ...

Mais visitadas