sábado, maio 29, 2021

Pazuello define a estratégia da defesa oral que vai fazer ao comandante do Exército

Charge do Fernandes (Charge Online)

Kenzô Machida
CNN, em Brasília

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello pretende fazer sua defesa oral diante do Comando do Exército na semana que vem, complementando as explicações por escrito. O próprio regulamento disciplinar prevê esse direito.

De acordo com interlocutores do general, na próxima semana Pazuello terá um encontro com o comandante do Exército, Paulo Sérgio Oliveira.

NEGA A TRANSGRESSÃO – Na defesa oral, o ex-ministro da Saúde vai negar que tenha incorrido em uma transgressão militar ao participar de um ato com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último domingo (23), no Rio de Janeiro, e sinalizar que a sua ida para a reserva poderá acontecer ainda este ano, quando o Exército fará promoções da carreira militar, portanto, não precisaria  acontecer agora.

O conteúdo da defesa de Pazuello foi antecipado pelo analista da CNN Caio Junqueira.

À CNN, fontes do Exército explicaram que será seguida uma cronologia obrigatória para a apuração de fatos. Consta no regimento que são necessárias 72 horas para o militar apresentar a defesa, prazo este que terminou na quinta-feira(27).

DEFESA ORAL – Nos cinco dias posteriores ao vencimento desse prazo, a autoridade militar vai apreciar a justificativa escrita e, se houver solicitação, em seguida ouvir o militar implicado.

Além disso, ainda tem outros três dias corridos para justificar a não punição ou a aplicação de sanção. É importante lembrar que esse tempo pode ser prorrogado.

Militares que conversaram com a CNN ressaltaram que o caso do general Pazuello é tratado com muita cautela no Alto Comando do Exército, pois a não punição pode abrir precedentes para outros militares, e uma punição mais severa pode colocar o comandante, recém-chegado, numa posição desconfortável diante do presidente Jair Bolsonaro, criando-se uma crise institucional.

DIZ O REGULAMENTO – Esses militares com quem a CNN falou argumentaram que, na letra fria do regulamento, Pazuello deveria ser punido com o rigor que o cargo dele exige, mas a expectativa é que, se for punido, Pazuello levará uma sanção mais branda.

Esses mesmos militares dizem que, na caserna, há uma expressão para descrever o que esperam da punição a Pazuello,  explicando o meio termo:  “Não vamos cortar a cabeça; também não vamos deixar ir à praia.”

Natuza Nery desafia senador do DEM: “Não vai fazer comigo o que você faz na CPI!”

Publicado em 29 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Senador Marcos Rogério (DEM-GO)

Marcos Rogério achou que estava na CPI e se deu mal

Ana Mendonça
Correio Braziliense

A jornalista Natuza Nery, da GloboNews, e o senador Marcos Rogério (DEM-RO), entraram em uma discussão durante um debate promovido na emissora nesta sexta-feira (28/5). O senador interrompeu a jornalista, que por sua vez, respondeu de forma ríspida à interrupção.

Os dois debatiam sobre as manifestações durante a pandemia de covid-19. Isso porque estavam marcadas para este sábado (29/5), manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em várias cidades do país.

AGLOMERAÇÃO – No debate, Marcos Rogério afirmou que as manifestações anti-Bolsonaro estão sendo “aplaudidas”. Natuza discordou e afirmou que qualquer tipo de manifestação, durante a pandemia de covid-19, deve ser repreendida por ser uma aglomeração.

Em seguida, o senador interrompe a jornalista. E ela responde: “O senhor não vai fazer comigo igual faz na CPI. Não há justificativa para aplaudir manifestações, independente da pauta. Não é razoável aglomerações de qualquer bandeira neste momento”, defendeu a jornalista.

Marcos Rogério interrompe mais uma vez Natuza e ela volta a dizer: “O senhor vai me deixar concluir ou o senhor vai fazer o que senhor faz com as senadoras mulheres na CPI?”, perguntou.

INTERRUPÇÃO – Depois da fala da jornalista, a mediadora do debate Maria Beltrão precisou interromper a troca de palavras.

Marcos Rogério é grande apoiador do presidente e um dos maiores articuladores do governo na CPI da COVID. Ele foi convidado para debater com o senador Otto Alencar (PSD-BA). O baiano é médico e grande defensor da vacina e opositor do chefe do Executivo na CPI. E acabou saindo do sério ao debater com a jornalista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Natuza Nery está com a razão. Qualquer manifestação – contra ou a favor – deveria ser terminantemente proibida. No caso, é o próprio presidente da República se encarrega de convocar as aglomerações. Mas quem se interessa? (C.N.)

Nota à Imprensa

 Salvador, 28 de maio de 2021.

Nota à Imprensa
O jornalista Fabio Costa Pinto, sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, informa à todos os profissionais de imprensa do estado e veículos de comunicação, ter protocolado na tarde do dia 27/05/2021, uma Carta de Reivindicações, nas comissões de Direitos Humanos e Segurança Pública, e a de
Constituiçao e Justiça da Assembleia Legislativa do Estado – Alba.
O documento enviado demonstra a preocupação, e o acompanhamento enérgico na apuração minuciosa sobre as investigações dos
episódios de tortura e morte dos jovens Bruno e Yan Barros, tio e sobrinho, no dia 26 de
abril, entregues por seguranças do mercado Atakarejo, à supostos traficantes. Os corpos foram deixados no porta malas de um carro na localidade da Polêmica, em Brotas, Salvador.
A carta também demonstra indignação e repúdio à todas as agressões,
perseguições, mortes e crimes cibernéticos contra profissionais de Imprensa. Reivindica
liberdade de expressão e respeito aos jornalistas e profissionais da Imprensa, principalmente no exercício de sua função como no caso do insulto sofrido pela Jornalista
Driele Veiga da TV Aratu, chamada de “idiota” pelo Presidente da República, no dia 26 de abril, durante coletiva de imprensa na Bahia.
Solicitamos imediata apuração à violência contra o radialista e jornalista Davi Alves, da
rádio Alvorada FM, no município de Jeremoabo na Bahia, em setembro de 2020. Davi
realizava matéria sobre o uso de material da administração municipal em obra particular
quando foi agredido fisicamente e verbalmente por funcionários e secretário de Infraestrutura, João Batista Andrade, durante gestão do prefeito Derisvaldo dos Santos
(PP). Um ano após o crime, nenhuma resposta foi dada.
Cobramos justiça contra as perseguições, ameaças
de morte e duas fake News anunciando a morte da Jornalista Investigativa Milmara
Nogueira, atuante e estudiosa no combate ao crime organizado no estado, uma delas no
dia do jornalista 7 de abril, o que entendermos como um recado para toda a imprensa.
Fnalizamos manifestando nossa preocupação com a urgência em combater o crescimento acelerado do modelo miliciano carioca, em território baiano desde 2019, logo após a vinda para o estado de milicianos cariocas como Adriano da Nobrega e Rodrigo
Silva Neves, assassino do genro do contraventor Castor de Andrade. Segundo dados de
órgãos no combate ao crime organizado no estado, só em 2021 cerca de vinte policiais foram presos no estado por
associação a grupos paramilitares. Certo de que estamos fazendo o nosso papel de defensores e pleno exercicio da
constitucional, pelo que nus cabe. Cobramos um maior dialogo sobre todos esses temas
relevantes com a sociedade civil e Imprensa nos colocando á disposição para
encontrarmos uma solução conjunta num debate democrático e justo para todos.
Cordial abraço,
Fabio Costa Pinto
Sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa - ABI.
Jornalista / Repórter Fotografico.
Mtb 33.166/RJ , ABI E-2521, Sinjorba-2524 e FENAJ
E-mail: representacaobahia.abi@gmail.com
Telefones: 55. 21.99054-0114 / 71.99198-4115
(Leia abaixo a carta de Reivindicações enviada às comissões Direitos Humanos e Segurança Pública, e a de Constituiçao e Justiça da ALBA).
Senhores (as) deputados (as),
A Representação na Bahia da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, por mim assinado, vem reivindicar de vossas excelências ações enérgicas e acompanhamento minucioso sobre as
investigações nos episódios de tortura e morte dos jovens Bruno e Yan Barros, tio e
sobrinho, entregues a supostos "traficantes" e assassinados no dia 26 de abril, depois de
supostamente terem furtado carne no supermercado Atakarejo, no bairro do Nordeste de
Amaralina, em Salvador, Bahia.
Excelências, como representantes da entidade de Imprensa no Estado da Bahia, lutamos pelos direitos humanos, acreditamos que estas dignas comissões têm plenas capacidades
em não deixar um crime tão desumano e anti-democrático ficar sem as devidas respostas
à sociedade, e principalmente ao povo negro, pobre e desempregado. Por isso, por meio
desta carta, a ABI reitera a cobrança de apurações duras e severas contra os mandantes e
envolvidos nesse crime hediondo. Ato hediondo e com indícios de atuação miliciana,
segundo o secretário de Segurança Pública, Ricardo Mandarino, não pode ficar sem
respostas.
Também, por meio deste documento democrático, alertamos e viemos denunciar sobre a
urgência em combater o crescimento acelerado de grupos milicianos em território baiano,
com ações de fiscalização das atuações das polícias e corregedorias das polícias. Vem
sendo denunciada, por diversos setores da sociedade, em documentos sigilosos, de que já
existe atuação de milicianos na Bahia desde 2003, e esse modelo empresarial de grilagem
de terras, expulsão de moradores de aluguel, domínios de bairros inteiros para exploração
imobiliária, crescimento alarmante de grupos de extorsão e extermínio nos bairros mais
pobres, além de alianças ao crime organizado, foi ampliado logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2019. Modelo miliciano carioca chegou à Bahia depois da
vinda para o estado de milicianos como Adriano da Nóbrega (morto na Bahia em 2020).
Em novembro do ano passado, numa atuação conjunta das polícias Civil e Militar da
Bahia e Rio de Janeiro, foi preso no sul da Bahia outro miliciano carioca, o policial militar
Rodrigo Silva das Neves, acusado de ser um dos assassinos de Fernando Ignacio de
Miranda, genro do bicheiro Castor de Andrade .
Só este ano foram presos cerca de 20 integrantes das forças de segurança associados com
crimes, fato constatado através
de estatísticas, por órgãos diversos, em contato com jornalistas e pesquisadores da
segurança pública no Estado.
No último dia 5 de maio, a Polícia Militar prendeu três ex-agentes penitenciários,
suspeitos na tentativa de seqüestro a um empresário de Cruz das Almas, cidade da região
do Recôncavo baiano.
No dia 17 de abril, um ex-policial civil foi preso por envolvimento com uma quadrilha de
traficantes da Boca do Rio, em Salvador. Ainda no mês de abril, dois policiais civis foram
presos pelo Gaeco - Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas
e Investigações Criminais por associação com plantadores de maconha na região da
Chapada Diamantina.
Em fevereiro deste ano, sete policiais militares e um policial civil foram presos por
integrar uma milícia que praticava diversos crimes de homicídio e intimidação coletiva
em municípios no sul da Bahia, como Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus e Itacaré.
Sempre acreditando na Liberdade de Expressão, Democracia e Direitos Humanos,
reafirmamos a nossa preocupação sobre como a imprensa tem sido vítima de toda ordem
de perseguições.
Cerca de vinte dias antes do desembarque do Sr. Presidente Jair Bolsonaro na Bahia, no
mês passado, a jornalista Investigativa Milmara Nogueira, atuante e estudiosa no combate
ao crime organizado e milícias no estado, sofreu duas Fake News anunciando sua morte,
(publicações em anexo). A última delas no dia 7 de abril, dia que se comemora o Dia dos
Jornalistas, o que precisa ser investigado com maior atenção. Consideramos estes fatos
como um recado para toda a nossa classe e exigimos a apuração precisa desses tipos de
crimes cibernéticos contra jornalistas.
A jornalista tem recebido apoio teste jornalista sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa, pelas perseguições e ameaças de morte que vem passando.
Solicitamos a imediata apuração, à violência contra o radialista e jornalista Davi Alves,
da rádio Alvorada FM, no município de Jeremoabo na Bahia, em setembro de 2020. Davi
realizava matéria sobre o uso de material da administração municipal em obra particular
quando foi agredido fisicamente e verbalmente por funcionários e secretário de
Infraestrutura, João Batista Andrade, durante gestão do prefeito Derisvaldo dos Santos
(PP). Um ano após o crime, nenhuma resposta foi dada.
Como se não bastasse, Bolsonaro finalizou a viagem com mais intimidações à imprensa.
Durante coletiva na Bahia chama de "idiota" a jornalista Driele Veiga, da retransmissora
do SBT na Bahia, depois de ser questionado sobre a postagem da foto com a mensagem
"CPF Cancelado". "Uma mulher em pleno exercício da função ser chamada de idiota por um presidente da República é um fato a se lamentar", desabafou Driele. O caso de Driele,
inclusive, está registrado no boletim de abril da Comissão de Defesa da Liberdade de
Imprensa e dos Direitos Humanos da ABI Brasil, (publicação em anexo).
Diante de tamanhas evidências é que estamos preocupados e vigilantes, por inúmeras
agressões e ameaças aos profissionais de imprensa". É inaceitável e repugnante a agressão
à liberdade de imprensa, que muito mancha a democracia em nosso país. Não há
democracia sem Imprensa livre! Não podemos aceitar agressões de nenhum tipo contra
os profissionais de Imprensa, principalmente no exercício da sua função. Repudiamos as
perseguições, agressões de qualquer natureza à liberdade de expressão, bem como ao
estado democrático de direito.
Reafirmamos, portanto, o nosso apoio a esta luta árdua e democrática, nos colocando à
disposição para buscar soluções. Assim como acreditamos em um Legislativo honrado e
digno da população que o elegeu, também cremos que apenas unidos podemos encontrar
um caminho de justiça, solidariedade e união para todos os baianos.
(Anexo, outros documentos).
Cordialmente,
Salvador, 27 de Maio de 2021.
Fabio Costa Pinto
Sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa - ABI.
Jornalista / Repórter Fotografico.
Mtb 33.166/RJ , ABI E-2521, Sinjorba-2524 e FENAJ
E-mail: representacaobahia.abi@gmail.com
Telefones: 55. 21.99054-0114 / 71.99198-4115

'Nem sempre o que é legal, é justo', diz advogada sobre contexto de abandono de bebê em SSA


por Mari Leal

'Nem sempre o que é legal, é justo', diz advogada sobre contexto de abandono de bebê em SSA
Foto: Ilustrativa/Pixabay

A história da recém-nascida abandonada em um banheiro do terminal de ônibus da Estação Acesso Norte, em Salvador, na quarta-feira (26) (reveja), traz para o centro da discussão a ausência da figura paterna, sobretudo no desfecho jurídico. A mãe, uma mulher de 27 anos, foi presa em flagrante no dia seguinte (27), com base no artigo 133 do Código Penal Brasileiro (CPI), por abandono de incapaz (reveja). Ela está à disposição da Justiça e aguarda audiência de custódia. Na delegacia, a mulher contou que o pai sabia da existência da criança e esteve com ela na saída da maternidade, momento em que tentou demovê-la da intenção de se “livrar da criança” (reveja). 

 

“O pai da minha filha é casado, não quis assumir o relacionamento comigo, me disse para eu criar a filha sozinha e que ele ajudaria em segredo. Que não estava disposto a romper a relação dele para ficar comigo”, disse a mãe em depoimento. 

 

A advogada Mariana Regis, especializada em Direito das Famílias com perspectiva de gênero, pontua que, considerando a legislação, o pai, neste caso, não poderia ser responsabilizado por abandono de incapaz porque se exige que o incapaz esteja sob cuidado, guarda ou vigilância da pessoa que o abandona. O que pode ser pontuado, segundo ela, é a ocorrência de “negligência”, a partir de uma interpretação do Art. 227 da Constituição Federal e do Art.5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 


FotoBahia Notícias

 

“Eu penso que o tratamento legal está distante do que seria justo neste caso. Então, fazendo uma interpretação direta desses dispositivos, vejo um encaixe entre a situação e o dever previsto. Mas, infelizmente, nem o ECA, nem o Código Penal tipificam a negligência como crime, não estabelecem pena”, diz. Mariana destaca ainda que, caso a investigação conclua que o pai, de fato, sabia que a mãe iria abandonar a criança no banheiro, em situação de risco, a situação pode mudar, pois passa a ser configurada a “omissão”, já que haveria ciência sobre o fato. 


FotoBahia Notícias

 

PAIS OMISSOS

Um levantamento realizado pela Associação Nacional dos Registradores Civis de Pessoas Naturais do Estado da Bahia (Arpen-BA) concluiu que, das 88.118 crianças nascidas e registradas em cartórios da Bahia nos primeiros seis meses de 2020, 6,77% não têm o nome do pai na Certidão de Nascimento. A porcentagem representa 5.966 baianos registrados apenas com o nome das mães (reveja). 

 

Sob a perspectiva de gênero, Mariana propõe uma reflexão a partir de aspectos sociais conjunturais, os quais se apressam em conferir “culpa” à mulher nas situações mais diversas. “Os homens têm licença para assumirem os filhos ou não. Têm licença para criar, educar ou não. Uma ‘liberalidade’ que não é garantida às mulheres. Se essa mulher tivesse sido amparada pelo pai da criança, teria sido essa sua ação?”, questiona. 

 

“Vejo o pai como corresponsável, sim. Mas a legislação não trata da mesma forma, salvo se ficar comprovado que ele tinha ciência do que ela faria. Nem sempre o que é legal, é justo. Se a gente pensar que um pai só é obrigado pelo Judiciário a pagar pensão pros filhos a partir da decisão judicial que a fixar, fica bem claro como o Estado legitima o abandono paterno, avaliza a conduta do pai irresponsável, omisso.”

 

A reflexão da advogada dá conta da ideia de “naturalização da irresponsabilidade paterna”, termo recorrente nos debates pautados por movimentos sociais de pautas feministas e de enfrentamento ao machismo, pesquisadores, pesquisadores e especialistas focadas nas relações de gênero e as interseccionalidades. “A verdade é que se trata de uma conduta violenta que causa graves danos não somente aos filhos e filhas, mas às mães.  ‘Quem pariu Mateus que balance’, diz o dito popular”, reflete Mariana.

 

E acrescenta: “Temos uma cultura de abandono paterno e uma cultura de exploração e violência contra mulheres. Casos como esse refletem essa cultura e são oportunidades para a gente refletir o que a maternidade representa para uma mulher. A construção desta maternidade é extremamente opressora, pois o abandono e irresponsabilidade paterna são naturalizadas socialmente, então o que resta para uma mãe? Arcar com toda carga de gestar e trazer um filho ao mundo. Com todas as perdas e renúncias. Para o homem, sempre o privilégio, o direito de escolher se vai ser pai, como e quando exercerá essa paternidade”. 

Bahia Notícias

Mais vulneráveis à Covid, idosos só terão maior proteção após vacinação em massa


por Everton Lopes Batista | Folhapress

Mais vulneráveis à Covid, idosos só terão maior proteção após vacinação em massa
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As vacinas não protegem a todos da mesma maneira. Os imunizantes dependem do sistema imunológico para gerar os anticorpos e outras moléculas que funcionam como uma barreira contra a infecção, e em pessoas que têm um sistema imune mais fraco a tendência é que essa resposta seja menor ou até mesmo inexistente.
 

Os mais velhos, pelo acúmulo de doenças crônicas, geralmente contam com um sistema imunológico mais debilitado. Pessoas infectadas pelo HIV, que tenham doenças que enfraquecem o sistema imune ou que tomam algum remédio que inibe a ação das moléculas de defesa --caso de pacientes que receberam transplante de órgão ou alguns pacientes com câncer-- também podem ter menor ou nenhum benefício com o uso de uma vacina.
 

"Qualquer doença crônica pode comprometer o sistema imune, e quanto mais tempo o paciente carrega a doença, pior fica a resposta imunológica. Há um comprometimento do organismo como um todo", afirma a médica pediatra Flávia Bravo, presidente da Comissão de Informação e Orientação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
 

Para a infectologista Raquel Stucchi, coordenadora da Comissão de Infecção em Transplantes da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) a expectativa dos cientistas é que as vacinas anti-Covid sejam menos potentes nos públicos mais frágeis. "De uma maneira geral, sabemos que as vacinas conhecidas para outras doenças têm eficácia menor nessas pessoas", diz.
 

Os dados sobre o resultado da vacinação contra o coronavírus nesses grupos ainda são poucos, mas já apontam na direção de uma eficácia menor dos imunizantes, como os especialistas esperavam.
 

Em artigo publicado em abril na revista científica American Journal of Transplantation, cientistas de Israel mostraram que pacientes com transplante de rim tiveram um benefício muito inferior ao da população geral após a aplicação da vacina da Pfizer/BioNTech.
 

Apesar de a vacina ter uma das maiores taxas de eficácia entre os imunizantes em uso (acima de 95% nos testes clínicos), somente 51 dos 136 pacientes acompanhados no estudo israelense desenvolveram anticorpos contra a doença (cerca de 37%).
 

Outro estudo, publicado em abril no periódico Clinical Infectious Diseases, revelou que a vacina Pfizer/BioNTech induz menos anticorpos contra o Sars-CoV-2 em pessoas mais velhas.
 

Dados de um estudo brasileiro divulgado neste mês indicou que a eficácia da Coronavac também é menor para os mais velhos.
 

Assim, se nenhum vacinado pode relaxar as medidas básicas de proteção contra o coronavírus devido à alta circulação do patógeno no país atualmente, as pessoas mais velhas e as que têm algum comprometimento do sistema imune ainda podem ter risco elevado de complicações causadas pela doença até que a campanha de imunização alcance uma parcela grande da população e derrube as taxas de transmissão do vírus.
 

Quantas pessoas precisam ser vacinadas para que haja tranquilidade nesses grupos? A ciência ainda não tem uma resposta definitiva. Usamos vacinas com eficácias variadas em grupos que respondem aos imunizantes de maneira diversa, o que torna o cálculo muito complexo.
 

Os pesquisadores concordam que pelo menos 70% da população precisa estar completamente imunizada para vermos os melhores resultados da campanha, com uma redução drástica no número de casos. Até a sexta-feira (28), pouco mais de 10% da população brasileira estava com a imunização completa (duas doses).
 

"É necessário manter os cuidados como uso de máscara e distanciamento social, não tem outro jeito agora", diz Flávia Bravo, da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
 

Segundo Bravo, as investigações atualmente em curso devem apontar os caminhos para trazer maior proteção aos mais suscetíveis. Uma solução pode ser a aplicação de doses de reforço, como é feito para prevenir outras doenças.
 

Essa é uma proposta que depende de muitos dados ainda inexistentes, como o comportamento dos anticorpos desenvolvidos pela vacina nos pacientes ao longo do tempo. É natural que a quantidade dessas moléculas caia após alguns meses, mas espera-se que alguma proteção seja mantida mesmo com quantidades reduzidas de anticorpos.
 

Somente os estudos vão dizer quando pode ser uma boa hora para receber mais uma dose de vacina --e isso não apenas para o público mais suscetível, mas também para a população geral. Cientistas vêm admitindo a possibilidade de que a vacinação contra o coronavírus se torne periódica.
 

Diante de um cenário de escassez de imunizantes, porém, a proposta só poderá ser viável se a capacidade produtiva dos fabricantes for ampliada e os entraves logísticos superados.
 

Outra opção, de acordo com Bravo, seria a vacinação das pessoas que convivem com o paciente que não responde bem à vacina. Dessa forma, seria formada uma barreira de proteção para evitar que o vírus chegue até ele.
 

O caso dos pacientes com comprometimento do sistema imune evidencia que a vacinação é uma estratégia coletiva para proteção da população. As pessoas que não conseguem nenhum benefício com as vacinas dependem que os demais também recebam o imunizante para ficarem livres de riscos.
 

Pessoas que podem não ter boa eficácia com o uso da vacina devem recebê-la assim que for oferecida a possibilidade, dizem as especialistas. Os imunizantes usados no país (Coronavac, AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech) são seguros para esses públicos, de acordo com a Anvisa. "Mesmo com limitação, o paciente pode gerar anticorpos. Qualquer proteção é melhor do que nenhuma proteção", afirma Stucc

'Fui abraçada pelo assassino', diz mãe de médico encontrado morto no Rio Jacuípe


'Fui abraçada pelo assassino', diz mãe de médico encontrado morto no Rio Jacuípe
Foto: Reprodução / Aldo Matos - Acorda Cidade

Os familiares do médico psiquiatra Andrade Santana Lopes, de 32 anos, encontrado morto no Rio Jacuípe, em São Gonçalo dos Campos, interior da Bahia, estiveram no Departamento de Polícia Técnica de Feira de Santana (DPT) nesta sexta-feira (28) para reconhecimento do corpo.

 

O médico ficou cinco dias desaparecido, quando saiu de Araci, na região sisaleira, para ir a Feira de Santana. Andrade é natural do Acre.

 

Na tarde desta sexta-feira (28) em Feira de Santana, um homem considerado o principal suspeito pela morte do médico Andrade Lopes Santana foi preso. Ele era amigo da vítima segundo a polícia. O acusado, que também é médico, teve a prisão temporária decretada por 30 dias pela juíza titular da Vara do Júri de Feira de Santana após os investigadores suspeitarem do envolvimento dele.

 

Ao portal Acorda Cidade, a mãe de Andrade disse que estava muito triste e que foi abraçada pelo suspeito. “Isso é um absurdo né? É muito triste. A gente não merece isso. Eu fui abraçada pelo assassino, ele me confortava, chorou comigo, sentiu a minha dor junto comigo. Isto é muito triste. Ninguém merece isso, eu estou arrasada com isso. Eu reconheci o corpo do meu filho pelos pés porque o resto estava deformado. Mataram meu filho de joelhos", disse Domitila Lopes, que saiu do Acre para acompanhar as investigações.

 

Segundo a mãe de Andrade, o suspeito apontou outras pessoas como responsáveis pelo crime.

 

“Ele começou a culpar os amigos dele. Olha, cuidado com fulano porque fulano não tem uma cabeça legal, e ficava jogando um contra o outro, tentando maquiar, né. Maquiar a participação dele no crime. Graças à oração do Brasil, Deus permitiu que viesse à tona. Minha filha estava perto, foi junto com ele ver onde estava o carro, ele disse que estava falando com a mãe dele sobre Londres, ele já estava querendo ir embora do Brasil. Deus não permitiu. Ele vai pagar por tudo isso. Se você é cristão tem que perdoar né, mas a pena dele, ele vai ter que pagar né”, disse a mãe da vítima.

Bahia Notícias

Suspeito de matar médico confessa crime; venda de arma teria motivado

 


Suspeito de matar médico confessa crime; venda de arma teria motivado
Foto: Reprodução

Preso na tarde desta sexta-feira (28), em Feira de Santana, o suspeito pela morte do médico Andrade Lopes Santana teria confessado o crime. Segundo a polícia, ele era amigo da vítima.

 

O acusado, que também é médico, teve a prisão temporária decretada por 30 dias pela juíza titular da Vara do Júri de Feira de Santana após os investigadores suspeitarem do envolvimento dele.

Foto: Reprodução / Rede sociais

 

Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, o suspeito teria vendido uma 'Glock' para a vítima mas não queria entregar a arma. Andrade então havia pedido o dinheiro, cerca de R$ 9 mil reais, de volta e a motivação do crime teria sido uma desavença entre os dois.

 

Andrade Lopes, de 32 anos, havia desaparecido na segunda-feira (24), depois de sair de Araci, na região sisaleira, com destino a Feira de Santana. Natural do Acre, Andrade teve o corpo amarrado a uma âncora, também localizada pelos policiais. 

Bahia Notícias

MP Federal recorre da absolvição de Temer e políticos do MDB no caso do ‘quadrilhão’

Publicado em 28 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Vladimir Netto e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

O Ministério Público Federal recorreu nesta quinta-feira (27) de decisão do juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, que absolveu o ex-presidente Michel Temer e outros políticos acusados de envolvimento no chamado “quadrilhão do MDB” (vídeo abaixo).

Na mesma sentença, também foram absolvidos os ex-ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves; os ex-deputados Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures; o coronel João Baptista Lima, apontado como operador financeiro de Temer; o advogado José Yunes, amigo do ex-presidente; o doleiro Lúcio Funaro; Altair Alves Pinto e Sidney Szabo.

POR CORRUPÇÃO – Michel Temer e os políticos do MDB foram denunciados em 2017 pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para o juiz da primeira instância, porém, não há elementos contra os políticos, e o MPF não conseguiu comprovar o crime de organização criminosa e tentou criminalizar a atividade política.

Agora, o MP acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região a fim de tentar rever a decisão. Para o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, que assina o recurso, “as provas produzidas são mais do que suficientes para sustentar a aptidão da peça acusatória”.

FATO CRIMINOSO – “Com efeito, ao contrário do entendimento do juízo de origem, a exordial [a denúncia do MP que iniciou a ação penal] descreveu o fato criminoso em todas as suas nuances e circunstâncias, notadamente a comunhão de esforços e unidade de desígnios dos réus para a prática de ilícitos penais”, argumentou.

“As negociações espúrias desenvolvidas pelo esquema criminoso dos denunciados permitiu que estes angariassem, pelo menos, o montante de R$ 587.101.098,481, além de terem ocasionado um desfalque de ao menos de R$ 29 bilhões de reais aos cofres públicos”, completou.

MANOBRAS BANCÁRIAS – Ainda segundo o recurso, houve “recorrente emprego de manobras de ocultação e dissimulação de valores ilícitos por meio de transferências bancárias e a aquisição de instituições financeiras com sede no exterior”.

O procurador também contestou o argumento de que houve tentativa de criminalização da atividade política. “Não há que se falar em criminalização das atividades partidárias do PMDB ou mesmo atribuir finalidade ilícita à sua constituição, uma vez que as ilicitudes denunciadas repousam sobre os interesses escusos envoltos nas alianças firmadas pelo núcleo político da organização a partir da compra de apoio político, materializada, por sua vez, no preenchimento de cargos públicos e no recebimento de propina.”

Quando apresentou a denúncia, a PGR afirmou que Temer liderava uma suposta organização criminosa também formada por Cunha, Henrique Alves, Geddel, Rocha Loures, Padilha e Moreira Franco.

TODOS NEGAM – Segundo a Procuradoria, a suposta organização foi criada para cometer crimes contra empresas e órgãos públicos. Quando a denúncia foi apresentada, todos os envolvidos negaram a acusação.

Ainda de acordo com a denúncia, os integrantes do suposto esquema receberam valores de propina que, somados, superaram R$ 587,1 milhões, arrecadados de empresas e órgãos públicos, entre os quais ais Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Agricultura, Secretaria de Aviação Civil e Câmara dos Deputados.

FALTAM ELEMENTOS – No entanto, de acordo com o juiz Reis Bastos, a denúncia do MP não traz os elementos que constituem o crime de organização criminosa e não aponta, por exemplo, a existência de estrutura ordenada estável e atuação coordenada dos denunciados.

“Numa só palavra, não evidencia a subsistência do vínculo associativo imprescindível à constituição do crime”, escreveu Bastos.

O juiz afirmou ainda que “a imputação a dirigentes de partidos políticos do delito de organização criminosa sem os elementos do tipo objetivo e subjetivo, provoca efeitos nocivos à democracia, entre os quais pode se mencionar a grave crise de credibilidade e de legitimação do poder político como um todo”.

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