terça-feira, março 30, 2021

O que falta? A líder da Nova Zelândia, a vacinação de Israel e o comportamento social do japonês

Publicado em 30 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Liderada pela primeira-ministra Jacinda Ardern, a Nova Zelândia se tornou exemplo de enfrentamento à pandemia - Hagen Hopkins/Getty Images

Premier Jacinda Ardem venceu a Convid-19 na Nova Zelândia

Fernando Gabeira
O Globo

Como sair dessa? Quando sair dessa? As perguntas não cessam de martelar nossa cabeça, e cada um tenta respondê-las com a mistura de análise e desejo que se entrelaçam em nossas conversas. De uma forma muito simples, sem censura, tento desenhar para mim um quadro ideal de superação desta crise que, além de matar muita gente, pode nos roubar uma década de desenvolvimento, segundo a própria ONU.

Nesse quadro ideal, unifico três condições: um líder como a da Nova Zelândia, uma vacinação tão intensa como a de Israel e um comportamento social como o japonês.

POUCOS RECURSOS – Diante desse quadro, sinto-me como aqueles andarilhos de uma peça de Harold Pinter que entraram, subitamente, na cozinha de um restaurante. De repente, começaram a surgir pedidos complexos, e eles tinham apenas alguns alimentos nas suas pobres sacolas.

É preciso fazer algo com poucos recursos, porque a luta contra o vírus é real, assim como é verdadeira a tragédia que se abate sobre nosso povo.

O primeiro ponto, liderança nacional: esquece. Bolsonaro é um estorvo, e temos de seguir sem ele nesta luta, derrubando-o assim que for possível, pelos caminhos viáveis no momento dado.

COMITÊ DE VERDADE – É necessário um comitê nacional de crise, e não farsa encenada pelo Planalto. Um comitê que expresse a crítica à maneira como se conduziu até agora a luta contra a pandemia.

De nada adiantará, entretanto, apenas um comitê nacional. Ele teria de se apoiar em centenas, talvez milhares, de microcomitês, que tentem impulsionar uma política virtuosa. Esse movimento molecular ainda não surgiu na plenitude, embora tenha se esboçado no princípio da pandemia.

Nos milhares de grupos de amigos, dentro ou fora da internet, teria de ser colocada a pergunta: o que podemos fazer dentro de nossas possibilidades? Sempre haverá uma resposta, por mais modesta.

OUTRO COMPORTAMENTO – Essa liderança multiplicada seria importante não só para a necessária solidariedade. Mas também para a busca de uma nova tática que busque um comportamento mais responsável diante da doença.

Mais do que lições de moral, o discurso de cooperação só terá efeito se as pessoas sentirem os benefícios de pertencer a um coletivo humano.

Isso não implica a ausência de lockdowns, mas uma tentativa de superar, com o comportamento, a sucessiva necessidade de lockdowns, o constante fecha e abre que o vírus nos impõe.

EXEMPLO DO CHILE – O êxito da vacinação não resolve o problema a curto prazo. O Chile planejou e vacinou intensamente, mas está às voltas com um novo pico da doença.

A vacinação em massa é a grande estratégia, e isso até o obtuso presidente parece compreender, agora. Não creio que o governo conseguirá vacinar 70 milhões de brasileiros até o fim do ano. Basta analisar o complexo mercado planetário de vacinas.

Quebrar patentes é uma solução que a Índia e a África do Sul defendem. Ambas acreditam que existem fábricas ociosas no Sul, e só não produzem porque não detêm o conhecimento. Esse é um clamor justo. Como dizia Jonas Salk: vamos patentear o Sol?

LIDERANÇA COLEGIADA – Mas não há tempo hábil. A própria Índia está restringindo exportações. A Europa neste fim de semana fez uma reunião para endurecer as regras da exportação. Além de obter a tecnologia para produzir vacinas na Fiocruz e no Butantan, é necessário ficar atento ao mercado internacional. Uma janela pode se abrir nos EUA, que vacinam ao ritmo de três milhões por dia. Pfizer, Moderna e Johnson podem ter uma folga no segundo semestre.

No fim de semana, o Instituto Butantan anunciou uma vacina 100% nacional para ser aplicada em julho. Terá de passar pela Anvisa, mas é uma esperança para o segundo semestre.

Será na combinação desses fatores, nem todos favoráveis, que podemos achar um caminho. Uma liderança nacional colegiada tem apenas uma desvantagem: não dispõe dos recursos materiais que estão sob o controle de Bolsonaro. Mas pode funcionar.

Como é possível o PIB avançar 3% com os salários congelados e o poder aquisitivo em queda?

Publicado em 30 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Jorge Braga (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

No editorial de ontem, segunda-feira, o Estado de São Paulo focalizou as afirmações do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fazendo uma previsão no crescimento do Produto Interno Bruto, este ano, da ordem de 3,4%.

Seriam 3,4% sobre R$ 6,6 trilhões. Aliás, faço uma observação, como dizia o avô do atual presidente do Bacen, Roberto Campos, quando se tratava de escrever sobre percentagem obrigatoriamente deveria dizer-se sobre qual número absoluto ela incidia. Esse aspecto fundamental vem faltando ao nosso jornalismo de hoje.

OUTRA QUESTÃO – Por exemplo, fala-se no orçamento para 2021. Mas esquecem que este orçamento deve ser um pouco maior do que R$ 3,6 trilhões. Isso porque o orçamento de 2020 foi de R$ 3,6 trilhões e a inflação de 4,3% para corrigi-lo, de acordo com a lei em vigor. Mas essa é outra questão.

O fato essencial é que francamente não acredito na previsão de Paulo Guedes e de Roberto Campos Neto pois se o desemprego não cedeu, se os salários estão congelados, exceto dos militares, e se o consumo vem registrando queda em todos os setores, como é possível o PIB avançar?

Aí está uma pergunta interessante para o ministro da Economia e também para o presidente do Banco Central. É verdade que eles condicionam tal sonho à contenção da pandemia Covid-19. Mas esquecem, na previsão que fazem, que para a pandemia ser contida é indispensável que combatida seja em primeiro lugar a contaminação diária de pessoas em todo o país, na escala de 79 mil em média. Há dias inclusive que ultrapassa esse trágico limite.  

MENSAGEM DE HAMILTON – Na corrida da Fórmula-1 de domingo, o piloto Lewis Hamilton vestiu uma camisa, terminada a prova, com uma frase em inglês: “as ações falam mais do que as palavras”. É exatamente isso que está faltando ao governo Bolsonaro, especialmente na área da Saúde, que deveria ser responsável por enfrentar com vigor o desafio de impedir a morte de seres humanos.  

O ministro Marcelo Queiroga, a meu ver, ajusta-se bem na frase de Hamilton: fala pouco, visita a USP, estudantes cobram o combate ao coronavírus e ele se reúne com médicos, colegas seus, e pede apenas o apoio. Claro que todos concordam com o apoio. Neste ponto é que entra Hamilton. Apoiaram com palavras, mas as ações do ministro não estão assumindo uma característica concreta. O tempo vai passando, e faltam as ações enquanto sobram as palavras.

SEM RUMO – O governo Bolsonaro está de fato absolutamente desorientado.  Vejam por exemplo o caso do ex-ministro Ernesto Araújo. Conseguiu mobilizar o país inteiro contra a sua total e desastrosa administração. Nunca na história da República, e lá se vão mais de 130 anos, houve um chanceler tão ridículo, tão absurdo, tão fracassado e tão prejudicial ao Brasil na imagem internacional do que ele, Ernesto Araújo.

Inclusive, há cerca de 45 ou 50 dias, o vice-presidente Hamilton Mourão, falando a jornalistas quando chegava ao Palácio do Planalto, afirmou com todas as letras que Ernesto Araújo deveria ser demitido.

A reação se limitou a um círculo da intimidade do presidente da República. Porém, o panorama anunciava a tempestade e o desastre. A tempestade chegou acompanhada pela demissão. Na minha opinião, o governo que balançava começou a desmoronar.  

UMA HISTÓRIA DA IMPRENSA – Excelente o livro sobre Samuel Wainer, de Karla Monteiro, que se encontra nas livrarias. Focaliza não só a figura do repórter que anunciou o retorno de Vargas nas eleições de 1950 e previu a sua vitória por larga margem.

Apoiado por Vargas, com financiamento do Banco do Brasil, Samuel Wainer criou a Última Hora. Travou a partir do início de 1952 um combate terrível com a Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda. Os grandes jornais da época não apoiavam Getúlio Vargas e, conforme o estilo de triste memória do passado, assumiam ostensivamente posições políticas não levando a sério, como é hoje, a realidade e o desencadeamento dos fatos. As coisas mudaram, se modernizaram, era extremamente negativo negar os fatos ou então brigar com eles.

ENTREVISTAS FALSAS – Lacerda inventou na luta contra Vargas uma série de entrevistas falsas, como o livro de Karla Monteiro assinala, reproduzindo as investidas  A pressão internacional era forte. O consumo brasileiro de petróleo estava em torno de 300 mil barris/ dia. Porém a produção nacional estava contida na escala baixa de 5 mil barris.

A diferença estava na importação. As grandes empresas petrolíferas internacionais, é claro, não tinham interesse no crescimento da Petrobras. E a campanha contra a Petrobras foi intensa. Mas JK de 1956, quando assumiu, a janeiro de 1961, quando passou o governo a Jânio Quadros, elevara a produção para 100 mil barris diários.  

Sem dúvida, tal resultado contrariou os exportadores de petróleo. Mas os interesses não eram apenas esses. Os automóveis eram importados, grande parte da produção de aço também, a energia elétrica estava nas mãos da Light e da Chesf. Carlos Lacerda, contra posse de JK e contra o seu governo, falava diariamente à noite pela Rádio Globo. Falou até 1959. Por uma coincidência, nesse ano, JK assinou o decreto possibilitando a criação da TV Globo.  O livro de Karla Monteiro é simplesmente sensacional. Uma viagem pela história moderna do Brasil. Em outra oportunidade voltarei ao assunto.

DEMISSÃO DE AZEVEDO – Na tarde de ontem, segunda-feira, a GloboNews anunciou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a renúncia do general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa.

Trata-se, a meu ver, de sintoma gravíssimo do que pode acontecer no universo político do país. O que teria motivado a iniciativa do presidente da República  que o levou a um gesto de risco, demitindo um general que estava (ou está) à frente de um posto ao qual o Exército, a Marinha e a Aeronáutica estão vinculados e subordinados.  Há algo muito tenso no cenário político. Como será recebido o ato de Bolsonaro, sobretudo pelo Exército ?
 
ENIGMA – O comandante do Exército, Edson Leal Pujol, cujo posicionamento reflete uma posição democrática, transforma-se numa peça chave do enigma. Na atmosfera de Brasília reapresenta-se uma dimensão que aconteceu nos episódios Jânio Quadros, João Goulart e no ato em que o presidente Ernesto Geisel demitiu o general Sílvio Frota do ministério.
 
Sílvio Frota pressionava para uma solução que não era o projeto de Geisel. O irmão de Ernesto Geisel, Orlando Geisel, era o ministro do Exército. O presidente da República consolidou João Figueiredo para sucedê-lo no Palácio do Planalto.

segunda-feira, março 29, 2021

Demissão do general Azevedo revela a gravidade da crise provocada por Bolsonaro

Publicado em 29 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Como será recebido o ato de Bolsonaro, sobretudo pelo Exército ?

Pedro do Coutto

Na tarde de hoje, segunda-feira, a GloboNews anunciou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a renúncia do general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa.

Trata-se, a meu ver, de sintoma gravíssimo do que pode acontecer no universo político do país. O que teria motivado a iniciativa do presidente da República  que o levou a um gesto de risco, demitindo um general que estava (ou está) à frente de um posto ao qual o Exército, a Marinha e a Aeronáutica estão vinculados e subordinados.  Há algo muito tenso no cenário político. Como será recebido o ato de Bolsonaro, sobretudo pelo Exército ?
 
ENIGMA – O comandante do Exército, Edson Leal Pujol, cujo posicionamento reflete uma posição democrática, transforma-se numa peça chave do enigma. Na atmosfera de Brasília reapresenta-se uma dimensão que aconteceu nos episódios Jânio Quadros, João Goulart e no ato em que o presidente Ernesto Geisel demitiu o general Sílvio Frota do ministério.
 
Sílvio Frota pressionava para uma solução que não era o projeto de Geisel. O irmão de Ernesto Geisel, Orlando Geisel, era o ministro do Exército. O presidente da República então consolidou João Figueiredo para sucedê-lo no Palácio do Planalto. E pós fim à crise militar. Mas agora os tempos são outros.

Governo diz que é fake news o decreto que vai abolir bens privados

em 29 mar, 2021 12:07

Governador Belivaldo Chagas (PSD) (Foto: Mario Sousa)

O Governo de Sergipe informou nesta segunda-feira, 29, que é mentirosa a informação de que a administração estadual elaborou um decreto que vai abolir a propriedade privada. De acordo com o comunicado oficial, é “inoportuna, fantasiosa e desleal” qualquer publicação ou notícia neste sentido.

“A previsão de requisição administrativa, em cenários de calamidade, é mera repetição do previsto na Constituição Federal(Art.5, XXV) e no Art. 3, VII da Lei 13.979/20 (combate ao coronavírus), lei essa de iniciativa do presidente Jair Bolsonaro e aprovada pelo Congresso Nacional. Nem velha, nem nova, só repetição”, explica o Governo de Sergipe.

Ainda de acordo com o comunicado, o decreto de calamidade pública em vigor é de abril de 2020, sendo apenas renovado. “Sergipe infelizmente está sendo vítima de uma enxurrada de fake news construídas para desgastar politicamente o Governo do Estado”, avalia a administração estadual.

A Superintendência de Comunicação do Governo de Sergipe destacou ainda que no texto do decreto “não tem nada que fale em abolir propriedade privada”. “Todo decreto de calamidade é padrão, baseado na Constituição Federal e em Lei aprovada pelo Congresso Nacional”, destaca a superintendência.

Ainda de acordo com o órgão de comunicação, Sergipe está “sendo vítima de uma fábrica de fake news, baseada na política do ódio”.

por João Paulo Schneider 

INFONET

Dança das cadeiras: Bolsonaro faz seis trocas no governo, confirma demissões e leva nome do Centrão para o Planalto

Publicado em 29 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)

Deu no Estadão

O presidente Jair Bolsonaro oficializou nesta segunda-feira, dia 29, seis trocas no governo. Em nota, ele confirmou a demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, da Advocacia-Geral da União, José Levi, e a nomeação da deputada Flávia Arruda (PL-DF) como ministra da Secretaria de Governo, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

O ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, também foi demitido. Sua saída vinha sendo cobrada dentro e fora do governo. Na visão de parlamentares, especialistas e empresários, a atuação do chanceler na pasta, considerada ideológica, prejudicou o País na obtenção de insumos e vacinas para combater a covid-19. Em seu lugar entrará o diplomata Carlos Alberto Franco França, ex-cerimonialistas da Presidência.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA – No Ministério da Justiça, Bolsonaro trocou André Mendonça, que volta a comandar a AGU, seu antigo cargo, e colocou no lugar o delegado da Polícia Federal Anderson Torres. Até então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Torres havia sido cotado para assumir a diretoria-geral da Polícia Federal em ao menos três oportunidades, e agora deve assumir um cargo hierarquicamente superior. Ele é próximo da família do presidente.

As outras mudanças foram apenas de nomes que já integravam o governo e foram realocados: o general Walter Braga Netto assume o Ministério da Defesa e o general Luiz Eduardo Ramos vai para o seu lugar, na Casa Civil, abrindo a vaga para Flávia Arruda na Secretaria de Governo.

“SINAL AMARELO” – A deputada é próxima ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), que na semana passada cobrou uma mudança de postura do governo federal no enfrentamento da pandemia. Na ocasião, alertou que a declaração era um “sinal amarelo” do Congresso ao chefe do Executivo e, sem citar o impeachment, disse que o Legislativo possui “remédios políticos amargos”, alguns “fatais”.

No mês passado, Bolsonaro já havia acomodado um nome do Centrão no governo, com a nomeação de João Roma (Republicanos-BA) no Ministério da Cidadania.

As trocas ocorrem no momento mais agudo da pandemia de covid-19 no País, com recordes diários de mortes pela doença e colapso na rede de saúde de diversas cidades. Ao mesmo tempo, pesquisas apontam queda na popularidade do presidente.

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NOTA OFICIAL

O Presidente Jair Bolsonaro alterou a titularidade de seis ministérios nesta segunda-feira (29). As seguintes nomeações serão publicadas no Diário Oficial, a saber:

• Casa Civil da Presidência da República: General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira;

• Ministério da Justiça e Segurança Púbica: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres;

• Ministério da Defesa: General Walter Souza Braga Netto;

• Ministério das Relações Exteriores: Embaixador Carlos Alberto Franco França;

• Secretaria de Governo da Presidência da República: Deputada Federal Flávia Arruda;

• Advocacia-Geral da União: André Luiz de Almeida Mendonça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O mais importante é saber se Bolsonaro vai conseguir a demissão dos comandantes das Forças Armadas. Se não conseguir, ficará frustradíssimo e tudo pode acontecer, porque hoje é noite de lua-cheia e tudo pode acontecer quando se trata de um governo totalmente desequilibrado. (C.N.)

Bolsonaro confirma reforma ministerial com mudanças no comando de 6 pastas; veja


Bolsonaro confirma reforma ministerial com mudanças no comando de 6 pastas; veja
Foto: Marcos Corrêa/PR

A segunda-feira (29) foi movimentada no plano político. Logo pela manhã foi divulgado o pedido de demissão do, agora, ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ao longo do dia, uma série de mudanças em ministérios foram especuladas e adiantadas por veículos de imprensa. Já durante a noite, O presidente jair Bolsonaro oficializou, por meio de nota emitida pela Secretaria de Comunicação Social, uma reforma ministerial. Seis pastas federais passam a ter novos comandos. São elas: 

 

  • Casa Civil da Presidência da República: General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira;
  • Ministério da Justiça e Segurança Púbica: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres;
  • Ministério da Defesa: General Walter Souza Braga Netto;
  • Ministério das Relações Exteriores: Embaixador Carlos Alberto Franco França;
  • Secretaria de Governo da Presidência da República: Deputada Federal Flávia Arruda;
  • Advocacia-Geral da União: André Luiz de Almeida Mendonça.
Bahia Notícias

Cúpula do Exército foi pega de surpresa com demissão de Azevedo e Pujol convoca reunião com alto comando


Cúpula da Força não espera que Pujol peça demissão ou seja demitido

Vinicius Sassine
Folha

A cúpula do Exército ficou surpresa com a queda a jato do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, considerou anormal o que ocorreu e vem manifestando preocupação com possibilidade de demissão do comandante da Força, general Edson Leal Pujol.

Se isso ocorrer, seria algo sem precedentes desde a redemocratização, segundo percepção de generais ouvidos pela Folha sob a condição de anonimato. Eles não esperam que o comandante peça demissão ou seja demitido.

REUNIÃO – Pujol convocou uma reunião virtual com o alto comando do Exército para o início da noite desta segunda-feira (29). Ele deve explicar os próximos passos diante da crise aberta com a demissão de Azevedo, general da reserva do Exército. Antes, Pujol reuniu-se com os comandantes da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Antonio Bermudez, e da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior.

A nomeação ao cargo de comandante é uma atribuição do presidente da República. Mesmo assim, os militares entendem que o cargo é de natureza eminentemente técnica, e não política.A tradição é o envio de uma lista tríplice ao presidente, com os nomes dos três generais quatro estrelas mais antigos na ativa. O normal é uma troca de um mandato presidencial para outro.

COLEGA DE TURMA – Pujol foi colega da turma de Bolsonaro, a de 1977, na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras). Na campanha presidencial de 2018, o general aconselhou o então candidato por diversas vezes, especialmente no sentido de não radicalizar e amansar o discurso durante o pleito.

Bolsonaro confirmou a expectativa na caserna e indicou Pujol ao cargo de comandante do Exército, em janeiro de 2019. Ele substituiu Eduardo Villas Bôas, que ficou quatro anos no cargo. Bolsonarista, Villas Bôas foi abrigado num cargo no Palácio do Planalto após deixar o comando do Exército.

Pujol alinhou-se ao presidente em determinadas questões, como no aval à permanência do general Eduardo Pazuello na ativa da Força e no cargo de ministro da Saúde.

INVESTIGAÇÃO – Pazuello foi demitido na semana passada. É investigado pela Polícia Federal por supostos crimes ao se omitir na crise de oxigênio em Manaus, em janeiro. Pujol também avalizou a produção de cloroquina pelo Laboratório Químico Farmacêutico do Exército. O medicamento, sem eficácia para Covid-19, é o carro-chefe de Bolsonaro na pandemia. Foram produzidos 3,2 milhões de comprimidos na gestão do comandante.

Mesmo assim, Bolsonaro tem divergências com Pujol. Ele se ressente de posturas não negacionistas do militar durante a pandemia, especialmente no que diz respeito a medidas de distanciamento social dentro do Exército.

A demissão de Azevedo pegou de surpresa generais que integram o alto comando do Exército. Alguns deles ligavam a TV sintonizados em canais de notícias para entender o que estava ocorrendo. Generais se reuniram na semana passada em Brasília com Pujol, e a demissão de Azevedo não estava no radar desses militares.

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