segunda-feira, março 29, 2021

Bolsonaro demite general Fernando Azevedo do Ministério da Defesa e deverá abrigar Centrão no Planalto

 


Azevedo anunciou saída em nota divulgada na tarde desta segunda

Deu na Folha

O general Fernando Azevedo e Silva foi demitido do cargo de ministro da Defesa nesta segunda-feira (29) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A saída faz parte de uma reforma ministerial que o presidente pretende anunciar até o final do dia.

Segundo assessores palacianos e dirigentes partidários do bloco do Centrão, Bolsonaro avalia deslocar o general Walter Braga Netto da Casa Civil para a Defesa. Segundo ministros próximos de Bolsonaro, há chances de ele trocar José Levi do Amaral, da AGU (Advocacia Geral da União).

CENTRÃO – Com as mudanças, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, deve ser acomodado na Casa Civil. A Secretaria de Governo, responsável pela articulação política, deve ser entregue a um parlamentar do bloco do Centrão, que sustenta a base aliada do presidente no Congresso.

Os nomes favoritos no Palácio do Planalto para assumir a coordenação política são o do ministro das Comunicações, deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

SURPRESA – “Ele [Bolsonaro] falou que haverá umas trocas até hoje à noite e que nós ficaríamos sabendo”, disse o senador Jorginho Mello (PL-SC), que se reuniu no início da tarde com o presidente. A demissão do general pegou de surpresa generais que integram o alto comando do Exército. Alguns deles ligavam a TV sintonizados em canais de notícias para entender o que estava ocorrendo.

Generais se reuniram na semana passada em Brasília com o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, e a demissão do ministro não estava no radar desses militares. A queda de Fernando Azevedo e Silva ocorre no mesmo dia da saída de Ernesto Araújo do cargo de ministro das Relações Exteriores. Segundo aliados, Bolsonaro deve promover novas trocar no primeiro escalão do governo federal.

GRATIDÃO – Em carta logo após a demissão, o general agradeceu o presidente e disse que, “nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”.

“O meu reconhecimento e gratidão aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira. Saio na certeza da missão cumprida”, afirmou o agora ex-ministro, em nota. Azevedo é o segundo militar demitido no intervalo de apenas duas semanas. Antes, o general da ativa Eduardo Pazuello foi trocado pelo médico Marcelo Queiroga no Ministério da Saúde.

INSATISFAÇÃO – Auxiliares de Azevedo dizem que havia insatisfação do general com declarações de Bolsonaro a respeito das Forças Armadas e uma avaliação de que ele tentava tratar o Exército como uma instituição a serviço do governo dele e não um instrumento de estado. É por isso, avaliam fardados, que Azevedo fez questão de frisar na nota em que confirmou sua demissão que no período ele preservou “as Forças Armadas como instituições de estado”.

Da mesma foram, assessores palacianos afirmam que o presidente também se sentia incomodado com Azevedo pelo fato de o agora ex-ministro já ter entrado em campo para contemporizar falas dele a respeito dos militares.

Segundo integrantes do Planalto e líderes do Centrão, a conversa entre o presidente e o ex-ministro foi rápida, mas dura. Bolsonaro teria dito que estava insatisfeito com Azevedo, reclamou da atuação do auxiliar e abriu a possibilidade de ele se demitir.

LEALDADE – “Agradeço ao Presidente da República, a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao País, como Ministro de Estado da Defesa. Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado.”

“O meu reconhecimento e gratidão aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira. Saio na certeza da missão cumprida.”
Fernando Azevedo e Silva

No STF (Supremo Tribunal Federal), a demissão de Azevedo foi vista com preocupação. Antes de assumir o ministério, o general era assessor do então presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli. Na época, ele estabeleceu boa relação com os ministros e manteve contato com eles depois de ir para o governo.

ARTICULAÇÃO – Integrantes da Corte lembram que, quando Bolsonaro insinuava acionar o Exército para resolver em seus embates políticos, era Azevedo quem entrava em contato com os ministros da Corte para afirmar que as Forças Armadas respeitam a Constituição e não concordam com a ideia de um novo golpe de Estado.

Isso aconteceu mais de uma vez. No desgaste gerado pela revelação do ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas de que discutiu com integrantes do Alto Comando a publicação de um tuíte com tom de ameaça ao STF antes do julgamento que levou à prisão de Lula em 2018, por exemplo, Azevedo procurou o presidente do Supremo, Luiz Fux, para apaziguar os ânimos.

No tribunal, a expectativa é que o chefe do Executivo escolha um substituto com perfil parecido do antecessor, que mantinha diálogo com os demais poderes e não reforçava as ideias da ala ideológica do governo.

PRESSÃO – Nos últimos dias, incomodados com a condução do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia da Covid-19, líderes do Centrão reforçaram os pedidos para que o presidente troque auxiliares considerados ideológicos, sob pena de perder apoios no Congresso e até nas eleições de 2022.

Um episódio de desgaste na relação de Lira com Bolsonaro envolveu a troca do general Pazuello no Ministério da Saúde. O nome chancelado pelo presidente da Câmara era o da cardiologista Ludhmila Hajjar, mas Bolsonaro optou pelo cardiologista Marcelo Queiroga.

A aliança Bolsonaro-Centrão, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que se acumulavam na Câmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaustão durante a campanha eleitoral, de que não se renderia ao que chamava de a velha política do “toma lá, dá cá”.

EMENDAS – Para atender o Centrãoe ajudar na eleição de Lira para o comando da Câmara, o governo fez promessas de liberação de bilhões em emendas parlamentares e chegou a cogitar até a recriação de ministérios, contrariando outro discurso da campanha, o do enxugamento da máquina pública.

Além disso, ao mesmo tempo em que reforçava a militarização de seu governo ao entregar cargos como a presidência da Petrobras a um general, Bolsonaro decidiu arejar seu núcleo duro nas últimas semanas e levar nomes do Centrão para o Palácio do Planalto, local onde trabalham seus principais conselheiros.

Em fevereiro, por exemplo, Bolsonaro deu posse a Onyx Lorenzoni (DEM-RS) como ministro da Secretaria-Geral, em mais um passo no sentido de colocar políticos para perto de si. Onyx agora despacha no quarto andar da sede do governo, a um lance de escadas do chefe.

HEGEMONIA MILITAR – Este movimento de amenizar a hegemonia militar em seu principal círculo de influência começou com o ingresso de Fábio Faria (PSD-RN) no governo, em junho do ano passado, e ganhou corpo com a mudança dele, ministro das Comunicações, para o segundo andar do Planalto, apenas um pavimento abaixo do gabinete presidencial —antes despachava no prédio da pasta, a cerca de 1 km do Planalto.

Pelo lado militar, estão no Planalto os generais da reserva Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), além do chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, que começou forte no governo, mas perdeu influência e hoje se tornou um coadjuvante.

Ministro da Defesa foi demitido após recusar alinhamento das Forças Armadas ao governo Bolsonaro


Ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva

Azevedo e Silva diz que saiu, mas na verdade foi demitido

Eliane Cantanhêde
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro pediu o cargo do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, seu amigo de décadas, porque ele se recusava a garantir um alinhamento automático e a manifestar apoio das Forças Armadas a posições do presidente que caracterizariam o envolvimento direto dos militares com a política.

A crise agravou-se com os sucessivos vexames do general da ativa Eduardo Pazuello na Saúde e se deteriorou de vez quando Bolsonaro disse que o “meu Exército” não iria para as ruas “obrigar o povo a ficar em casa”.

OUTRAS EXONERAÇÕES – Além de Azevedo e Silva, também podem entregar os cargos os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez. Enquanto o ministro apresentava uma nota à imprensa anunciando sua saída do cargo, os três comandantes se reuniram para tomar uma posição conjunta.

A relação entre Bolsonaro e Azevedo Silva vinha se deteriorando havia meses e na semana passada o ministro avisou aos comandantes e a assessores diretos que estava se tornando insustentável.

No domingo, a gota d’água foi uma entrevista do chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército, general Paulo Sérgio, ao jornal Correio Braziliense, comparando as ações efetivas do Exército na pandemia ao desastre produzido por Bolsonaro. O índice de letalidade por covid na população é de 2,5%, no Exército fica em 0,13%.

GENERAL FOI FRANCO – Na expectativa do Planalto, a Defesa e o Comando do Exército deveriam ter tomado alguma atitude, repreendido de alguma forma o general, que, inclusive, defendera a Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social, o home office, as máscaras e as vacinas, sem uma única manifestação de aprovação ao uso da cloroquina ou do “tratamento precoce” propagandeado pelo presidente.

Nesta segunda-feira, 29, Bolsonaro chamou Azevedo e Silva ao Planalto e os dois tiveram uma conversa rápida e decisiva. O presidente pediu o cargo ao ministro e tentou lhe oferecer um prêmio de consolação, fosse num conselho de estatal, fosse em algum instituto com sede no Rio de Janeiro, Estado do general, que não aceitou. Sua única concessão foi combinar que ele faria a nota e assumiria que a decisão de sair tinha sido dele. Não foi. Objetivamente, o general foi demitido pelo presidente.

AS TRÊS ARMAS – Marinha e Aeronáutica sempre fizeram questão de manter distância da política, do Planalto, do governo e do próprio Bolsonaro e também são as mais críticas aos rumos do governo e às falas do presidente na pandemia.

Assim, a Força mais afetada pela chegada do capitão da reserva ao poder foi o Exército. Além de encher o Planalto de militares do Exército, ele também nomeou muitas centenas de militares em estatais, conselhos, Saúde, Meio Ambiente – áreas que têm manchado a imagem do Brasil no exterior.

O Exército, por exemplo, nunca engoliu que Bolsonaro tenha participado de manifestação “golpista” com o Quartel-General ao fundo, nem que tenha levado Azevedo em um helicóptero militar para sobrevoar uma outra manifestação desse tipo.

ARMAS PARA MILÍCIAS – Incomodou também o fato de o presidente ter derrubado três portarias da Força sobre limites e monitoramento de armas e munições em mãos de civis e, depois, tenha feito mudanças da sua própria cabeça, por decreto, sem ouvir as ponderações dos militares. Eles se preocupam com o desvio de revólveres e armas pesadas para as milícias.

Também houve um mal estar, nunca resolvido, por Bolsonaro ter jogado no lixo um detalhado estudo da inteligência do Exército defendendo o isolamento social no início da pandemia. Jogou no lixo e não pôs nada do lugar, além de ter nomeado o general Pazzuelo para executar suas ordens absurdas e transformá-lo em bode expiatório.

A reação de Pazuello – “um manda, outro obedece” – mexeu com os brios militares, virou uma espécie de marco.

ALMIRANTE ROCHA – O vazamento do nome do almirante da ativa Flávio Rocha para o Itamaraty também estremeceu ainda mais as relações do presidente com as três Forças, que se sentem traumatizadas pelo desastre da gestão Pazuello na Saúde e já não gostavam de um almirante da ativa no Planalto, quanto mais numa área sensível como política externa.

Na Marinha, a reação foi instantânea: se Rocha quisesse assumir o cargo, teria de automaticamente passar para a reserva, o que ele não pretende fazer.


Caso Serra seja escolhido, tendência é a de que o clima de tensão permaneça

Camila Mattoso
Folha

Cotado para assumir o Ministério de Relações Exteriores, o embaixador de Paris, Luís Fernando Serra, é visto por parlamentares como tão ou mais radical que Ernesto Araújo. Depois de pressão do centrão e atrito neste domingo (28), Araújo pediu demissão do cargo nesta segunda-feira (29).

Senadores e deputados experientes chamaram Serra de extremista, dizem que ele é contra os direitos humanos e também não tem perfil de para manter bom relacionamento com outros países. Os parlamentares afirmam que a decisão de escolha de ministro é de Jair Bolsonaro, mas a tendência é a de que o clima de tensão permaneça caso ele seja escolhido.

CASO MARIELLE – Em 2020, por exemplo, Serra enviou uma carta a legisladoras francesas manifestando sua “profunda indignação” com o fato de o assassinato da vereadora Marielle Franco receber mais atenção do que o homicídio do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e a facada contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro.

A manifestação se deu em resposta a cartas da senadora Laurence Cohen, do Partido Comunista francês, e da deputada Christine Pirès, do Partido Socialista, que pediam esclarecimentos sobre o andamento da investigação do assassinato de Marielle.


CARTA DOS GOVERNADORES: QUEREMOS VERDADE E PAZ!

 

Os governadores manifestam sua indignação em face da crescente onda de

agressões e difusão de Fake News que visam a criar instabilidade institucional nos Estados e no País. Vivemos um período de emergência na saúde, e a vida de todos os brasileiros está em grave risco.

 

Os governadores, juntamente com os servidores públicos e profissionais do

setor privado, estão lutando muito para garantir atendimento de saúde e apoio social à população.  Enquanto isso, alguns agentes políticos espalham mentiras sobre dinheiro jamais repassado aos estados, fomentam tentativas de cassação de mandatos, tentam manipular policiais contra a ordem democrática, entre outros atos absurdos.

 

Registramos especialmente o nosso protesto quando são autoridades federais,

inclusive do Congresso Nacional, que violam os princípios da lealdade federativa. 

 

Conclamamos o Presidente da República, os Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, bem como o Presidente do Supremo Tribunal Federal, para que adotem todas as providências de modo a coibir tais atos ilegais e imorais. 

 

Os Estados e todos os agentes públicos precisam de paz para prosseguir com

o seu trabalho, salvando vidas e empregos. Estimular motins policiais, divulgar Fake News, agredir Governadores e adversários políticos, são procedimentos repugnantes, que não podem prosperar em um país livre e democrático.

 

Finalmente, sublinhamos a nossa gratidão a todos os servidores públicos e

profissionais que têm atuado incessantemente para vencermos a pandemia. Merecem especial destaque as forças policiais, que têm a nossa solidariedade e apoio em relação a reivindicações justas quanto à vacinação, pleito em análise no âmbito do Ministério da Saúde pela Comissão Intergestores Tripartite - CIT.

Brasília, 29 de março de 2021.  Assinam esta carta:

 

 

RUI COSTA

Governador do Estado da Bahia

 

FLÁVIO DINO

Governador do Estado do Maranhão

 

HELDER BARBALHO

Governador do Estado do Pará

 

PAULO CÂMARA

Governador do Estado de Pernambuco

 

1

 

JOÃO DORIA

Governador do Estado de São Paulo

 

RONALDO CAIADO

Governador do Estado de Goiás

 

MAURO MENDES

Governador do Estado de Mato Grosso

 

EDUARDO LEITE

Governador do Estado do Rio Grande do Sul

 

CAMILO SANTANA

Governador do Estado do Ceará

 

JOÃO AZEVÊDO

Governador do Estado da Paraíba

 

RENATO CASAGRANDE

Governador do Estado do Espírito Santo

 

WELLINGTON DIAS

Governador do Estado do Piauí

 

FÁTIMA BEZERRA

Governadora do Estado do Rio Grande do Norte

 

BELIVALDO CHAGAS

Governador do Estado de Sergipe

 

REINALDO AZAMBUJA

Governador do Estado de Mato Grosso do Sul

 

WALDEZ GOÉS

Governador do Estado do Amapá

 

2

 

Após alta hospitalar, 1/4 dos pacientes intubados por Covid-19 morre por sequelas

 Dado faz parte do estudo Coalizão, conduzido por oito hospitais de excelência do Brasil e institutos de pesquisa, que avalia a qualidade de vida e os desfechos de sobreviventes de hospitalizações por Covid-19

Por Folhapress

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Participantes são pacientes internados nessas instituições. São monitorados por ligações telefônicas a cada três, seis, nove e 12 meses após a alta hospitalar
(Foto: )

No período de seis meses após a alta hospitalar, um em cada quatro pacientes graves de Covid-19 que foram intubados acaba morrendo. Entre os internados que não precisaram de ventilação mecânica, a taxa de mortalidade é de 2%. Os resultados preliminares são do estudo Coalizão, conduzido por oito hospitais de excelência do Brasil e institutos de pesquisa, que avalia a qualidade de vida e os desfechos de sobreviventes de hospitalizações por Covid-19

Os participantes são pacientes internados nessas instituições. São monitorados por ligações telefônicas a cada três, seis, nove e 12 meses após a alta hospitalar. Os pesquisadores investigam, por exemplo, se eles foram reinternados por alguma razão, se sofreram eventos cardiovasculares e falta de ar e se voltaram ao trabalho e às atividades habituais.

Os dados já disponíveis mostram que, no período de seis meses, a taxa de nova hospitalização geral desses pacientes foi de 17%. Entre os intubados na primeira internação por Covid, 40% tiveram que ser reinternados.

- Trabalho em UTI, estou envolvido com vários estudos e fiquei muito surpreso com esses resultados. Mesmo nos casos mais leves, a doença não tem uma evolução tão benigna quanto pensávamos - diz Alexandre Biasi, diretor de pesquisa do HCor (Hospital do Coração) e membro da Coalizão Covid-19 Brasil.

> Painel do Coronavírus: saiba como foi o avanço da pandemia em SC

A rede é formada pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa e os institutos Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Embora a intubação esteja associada a uma maior taxa de mortalidade e complicações na internação e após a alta, é a gravidade da doença, e não o procedimento em si, a responsável pelos desfechos ruins. A ressalva é importante porque muitas pessoas têm retardado a ida ao hospital com medo da intubação, o que piora ainda mais o quadro clínico.

O estudo Coalizão ainda está compilando as causas das mortes e das reinternações dos sequelados pela Covid, mas os dados preliminares já servem de alerta para a importância do acompanhamento desses pacientes após a alta. O trabalho mostra que 20% dos pacientes que foram intubados ainda não tinham voltado a trabalhar seis meses após deixarem o hospital. Entre os que não precisaram de ventilação mecânica, foram 5%.

- O problema não acaba quando o paciente sai do hospital. Temos agora um contingente absurdo de pessoas com sequelas de uma doença aguda que antes não tínhamos na sociedade. Falta de ar, por exemplo, é super comum, mesmo em casos que não eram graves. É uma perda para as pessoas, uma perda para a sociedade- diz Biasi.

Os primeiros resultados do estudo Coalizão envolveram 1.006 pacientes. Atualmente, mais de 1.200 estão sendo acompanhados e outros ainda serão incluídos. A idade média dos participantes é de 52 anos, sendo 60% homens. O tempo médio de hospitalização foi de nove dias. Um quarto necessitou de ventilação mecânica.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é a alta taxa de queixas de transtornos mentais após a alta hospitalar: 22% relatam ansiedade, 19%, depressão e 11%, estresse pós-traumático.

- Independentemente de terem sido ou não intubados, o impacto na saúde mental é grande. Em três meses após a internação, 20% dos pacientes intubados apresentam sinais de estresse pós-traumático. Entre os não intubados, foram 12% - diz.

> Acompanhe dados da vacinação em cada município de SC no Monitor da Vacina

Nos pacientes mais graves, os pesquisadores estão analisando os efeitos da chamada "síndrome pós-UTI". Essas disfunções acabam gerando sequelas importantes como fraqueza muscular e redução da capacidade física. O fisioterapeuta Rogério Dib, do departamento de pacientes graves do hospital Albert Einstein, explica que os pacientes intubados, além da imobilismo e da sedação, usam uma medicação chamada de neurobloqueador, que "desliga" os músculos. O tempo de reabilitação depende da gravidade da doença, do tempo de internação e da condição prévia de saúde do paciente.

Quanto mais frágil o paciente, mais sujeito a ter complicações.

"Alguém precisava me ajudar a sair da cama", conta empresário infectado

O empresário Victor Simão, 62, foi infectado em outubro do ano passado e ainda busca recuperar os sete quilos de músculo perdidos nos 19 dias de internação no Einstein, sete dos quais na UTI, intubado. No seu caso, a evolução da doença foi muito rápida. Em menos de uma semana de sintomas, 75% do pulmão ficou comprometido, ele sofreu uma embolia pulmonar e precisou ser intubado.

Ao sair do hospital, ele conta que não tinha condições de ficar em pé tamanha a fraqueza. Em casa, precisou de mais 20 sessões de fisioterapia para ir recuperando a força muscular. No período, também contou com ajuda da fonoaudióloga para reaprender a comer sem engasgar.

- Você começa a dar importância às pequenas coisas da vida, que é a sua independência. Naquele período, me ajudavam a escovar os dentes, a pentear o cabelo, a ir ao banheiro. Alguém precisava me ajudar a sair da cama porque se eu ficasse em pé, cairia.

Ele retomou a rotina de trabalho e faz academia quatro vezes por semana.

- Estou quase no que eu era. Não consigo levantar os mesmos quilos de antes, mas estou chegando lá.

Para ele, foi um conjunto de fatores que possibilitou a sua rápida recuperação. "Acho que foram as correntes de orações, o hospital, os médicos, as enfermeiras, a fisio, a fono, a nutricionista. Você depende de uma série de pessoas, elas é que te salvam a vida. Eu sou um privilegiado não só pela recuperação, mas por ter acesso a todo esse tratamento."

*Texto de Claudia Collucci*

https://www.nsctotal.com.br/


Lava Jato 'ajudou a eleger o Bozo', admitiu procuradora em conversa com Dallagno


Lava Jato 'ajudou a eleger o Bozo', admitiu procuradora em conversa com Dallagnol
Foto: Reprodução/ Jornal de Brasília

Mais conversas dos procuradores da Operação Lava Jato, em Curitiba, vieram à tona agora. Em meio a diálogos entregues nesta segunda-feira (29) pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo Tribunal Federal (STF), um trecho mostra a procuradora Jerusa Viecili falando sobre o impacto da operação na eleição de 2018.

 

"Delta, sobre a reaproximação com os jornalistas, minha opinião é de que precisamos nos desvincular do Bozo [Jair Bolsonaro], só assim os jornalistas vão novamente ver a credibilidade e apoiar a LJ [Lava Jato] ", disse Jerusa ao então coordenador da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol, no dia 28 de março de 2019. Na época, o ex-juiz Sérgio Moro, que foi responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, era ministro da Justiça e Segurança no governo federal.

 

Esse e outros trechos foram publicados pela coluna de Mônica Bergamo, a Folha de S. Paulo. Os advogados do ex-presidente Lula foram autorizados pela Corte a obter acesso ao material da Operação Spoofing, que investiga o hackeamento das conversas e confirma o conteúdo das reportagens da "Vaza Jato", nome dado à série de matérias feitas pelo The Intercept Brasil com outros veículos, expondo diálogos da Lava Jato.

 

"Temos que entender que a FT [força-tarefa] ajudou a eleger Bozo, e que, se ele atropelar a democracia, a LJ [Lava Jato] será lembrada como apoiadora. Eu, pessoalmente, me preocupo muito com isso (vc sabe)", acrescentou Jerusa.

 

Para ela, integrantes da força-tarefa tiveram oportunidades de desvincular a imagem deles da imagem de Bolsonaro, mas desperdiçaram. Por exemplo, ela acredita que as cobranças no "caso Flávio" seriam mais "fortes" se o investigado fosse outro político que não o filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

 

"Veja que, no passado, em pelo menos duas oportunidades poderíamos ter nos desvinculado um pouco do Bozo nas redes sociais", escreve Jerusa ao colega. "1. caso Flavio (se fosse qualquer outro político envolvido, nossa cobrança por apuração teria sido muito mais forte); 2. caso da lei de acesso à informação que o Bozo, por decreto, ampliou rol de legitimados para decretar sigilo e depois a Câmara derrubou o decreto. A TI fez nota técnica e tudo e nossa reação foi bem fraca (meros retweets). (ao lado do caso Flávio, o proprio caso de Onix Lorenzoni [então ministro da Casa Civil])", disse a procuradora.

 

Jerusa criticou ainda o silêncio dos colegas diante dos elogios que o governo federal fazia à ditadura militar. "Agora, com a 'comemoração da ditadura' (embora não tenha vinculação direta com o combate à corrupção), estamos em silêncio nas redes sociais. Não prezamos a democracia? Concordamos, como os defensores de Bozo, que ditadura foram os 13 anos de governo PT? a LJ teria se desenvolvido numa ditadura?", pontuou na ocasião.

 

Além disso, Jerusa disse reconhecer que havia "uma preocupação com a perda do apoio dos bolsominions", mas ponderou que "eles diminuem a cada dia". Chegou a afirmar que poucos admitem ter votado em Bolsonaro. "Não sei como Amoedo não foi eleito no 1º turno porque, ultimamente, só me falam que votaram nele", ironizou.

 

De acordo com a publicação, Dallagnol disse concordar com a colega, mas considerou a publicação de uma nota "esquisita". Ele sugeriu a publicação de artigos de opinião que não atacassem diretamente o governo. "Acho que não dá pra bater, mas dá pra firmar posição numa abordagem mais ampla", resumiu.

Bahia Notícias

Fernando Azevedo e Silva pede demissão do Ministério da Defesa


Fernando Azevedo e Silva pede demissão do Ministério da Defesa
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira (29). A informação é do portal G1. Desta forma, é a segunda baixa da equipe ministerial do governo Bolsonaro em menos de 24h. Pela manhã, Ernesto Araújo já havia pedido desligamento das Relações Exteriores (leia mais aqui).

 

Leia abaixo a nota oficial entregue por Azevedo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido):

 

Agradeço ao Presidente da República, a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao País, como Ministro de Estado da Defesa.

 

Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado.

 

O meu reconhecimento e gratidão aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira.

 

Saio na certeza da missão cumprida.
Fernando Azevedo e Silva

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