segunda-feira, março 29, 2021

Tudo é relativo, só Deus é absoluto: o candidato ideal não existe


Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

A primeira frase do título é de Einstein que pautava a sua visão relativa na ideia de Deus, no qual ele acreditava, embora não acreditasse no livre arbítrio. A segunda frase é do acadêmico Alceu Amoroso Lima, que possuía uma coluna no Jornal do Brasil, sobre o pseudônimo de Tristão de Ataíde.

Ele sintetizou grande parte da questão política e eleitoral ao responder a um grupo de jovens que se surpreenderam com o apoio dele a Negrão de Lima nas eleições de 1965 para o governo da Guanabara, contra o professor Flexa Ribeiro, candidato de Carlos Lacerda.  

QUESTIONAMENTO – Os jovens formaram um grupo, foram a sua casa e o indagaram: “mas professor, o senhor mandar votar em Negrão de Lima? Ele é conservador, foi embaixador em Portugal e era amigo de Marcelo Caetano, Primeiro ministro de Salazar”.  

Amoroso respondeu apenas com uma frase, a meu ver eterna: “meus filhos, o candidato ideal não existe”. Afirmo isso porque li ontem no O Globo, na importante coluna de Merval Pereira, uma opinião do cientista político Carlos Pereira, defendendo como fundamental para o processo brasileiro afastar a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula da Silva.

Desenvolveu a sua teoria, mas na prática, o panorama é outra coisa. Carlos Pereira disse que a luta pelo poder não deve ser marcada pelo ódio recíproco. Porém, a meu ver nesse ponto, ele desfocou sua lente sobre a realidade da política.  Os cientistas políticos, geralmente, esquecem que por trás das candidaturas, existem sempre interesses econômicos gigantescos que fazem com que as tendências partam do princípio da perspectiva de vitória.

CAIXA DE SURPRESAS – Tal perspectiva que Pereira busca não existe de acordo com a situação de hoje. Inclusive é preciso acentuar que a política muda a todo instante e que dois anos, a distância para as urnas, equivale a um centenário. Alguém poderia supor que depois de condenado e preso, afastado das telas e dos palanques, de repente Lula tivesse anuladas as sentenças contra ele e assim voltasse a disputar a sucessão de 2022, podendo retornar ao Palácio?

Os cientistas políticos precisam levar em conta a verdadeira atmosfera que envolve os embates porque sem isso não chegarão a qualquer conclusão real. Quanto à terceira via, vale lembrar que o governador João Doria já retirou a sua pré-candidatura ao Planalto.

DESGASTE – O desgaste de Jair Bolsonaro é tão grande que mesmo, por exemplo, a Fiesp prefere Lula a Bolsonaro. Isso ficou claro no artigo do ex-ministro Delfim Netto há duas semanas na Folha de São Paulo, quando disse que a candidatura Lula não assusta ninguém, sendo natural repetir-se o quadro de suas vitórias em 2002 e 2006. O recado foi dado para o universo empresarial, incluindo os bancos.  

Enquanto isso, reportagem de Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo, O Globo deste domingo, destaca as articulações de generais da reserva descontentes com Bolsonaro que se movimentam em busca de um outro nome. É o caso do general Carlos Alberto Santos Cruz e do general Paulo Chagas que foram ouvidos pelo repórter.  

Mas falei em desgaste. Está aos olhos de todos. Vejam só; o economista Luis Stuhlberger, executivo gestor do Fundo Verde do Itaú Unibanco, afirmou à repórter Cristiane Barbieri , o Estado de São Paulo, manchete em duas linhas do caderno econômico, que “acreditei e votei no Bolsonaro em 2018, mas ele nunca mais terá o meu voto”.

ARTICULAÇÃO – Deputados do Centrão que apoiaram Arthur Lira para a Presidência da Câmara articularam-se com figuras do universo financeiro, reportagem de Filipe Frazão e André Shelders, o Estado de São Paulo, para dar um ultimato a Bolsonaro.  

O ultimato principalmente visa a questão essencial no combate à Covid-19, cujo fracasso está se refletindo nas bases políticas dos parlamentares. O número de mortes já está em 310 mil e o índice de contaminação diário nas últimas 24 horas passou de 70 mil pessoas.

ECONOMIA – A pandemia afeta também diretamente o processo econômico como está refletido no recuo de 4% no Produto Interno Bruto. Não fossem suficientes essas reportagens, a de Aguirre Talento, O Globo, destaca a posição compacta de especialistas condenando a atuação de Jair Bolsonaro.

Ainda por cima, além do deputado Arthur Lira e do senador Rodrigo Pacheco, que se manifestaram pela demissão imediata de Ernesto Araújo, ainda ministro das Relações Exteriores, Patrícia Campos Mello, na Folha de São Paulo, escreve matéria com grande destaque revelando que mais de 300 diplomatas de carreira lançaram um documento dirigido ao governo afirmando que se impõe a demissão do atual titular do Itamaraty.  

O GLOBO A TV BANDEIRANTES – Na edição de ontem de O Globo foi publicada quase em uma página inteira, reportagem de Tatiana Furtado, sobre a corrida da Fórmula-1 de Bahrein, inclusive informando o horário da transmissão pela TV Band.

Jornalista há muitos anos, vejo a evolução nos órgãos de imprensa. Antigamente, citar concorrentes era bloqueado. Agora o jornalismo está muito diferente. Para melhor. Grandes jornais como O Globo, a Folha e o Estado de São Paulo, costumeiramente citam-se uns aos outros.  A TV Globo tem agido assim em relação a Band, ao SBT e a Record. Uma evolução.  

PAN-AMERICANO DE 1952 – Ontem, neste blog, escrevi sobre as reportagens de Bruno Rodrigues, Folha de São Paulo, e de Rafael Oliveira, O Globo, sobre o goleiro Barbosa, que assumiu uma falha que não cometeu no chute de Ghiggia que marcou a nossa derrota.  

Bruno Rodrigues disse, penso eu que por ele ser muito jovem, que a forra brasileira foi em 1951 em um jogo Vasco e Peñarol, time de Obdulio Varela. Foi um equívoco. A forra brasileira foi no Pan-Americano de 1952, em Santiago do Chile, quando derrotamos o Uruguai por 4 a 2, em um confronto em que conseguimos, dois anos depois, reduzir o impacto negativo da perda da Copa no Maracanã.

O treinador vitorioso foi Zezé Moreira e a escalação da equipe foi a seguinte: Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho e Nilton Santos. No meio, Eli do Amparo, Didi e Pinga. Na frente, Julinho Botelho, Baltazar e Rodrigues Tatu, que estava saindo do Fluminense para o Palmeiras. Foi uma vitória histórica. Não sei porque não é muito lembrada como uma das grandes conquistas do futebol brasileiro. 

domingo, março 28, 2021

Adiantamento do 13º salário de aposentados e pensionistas começa a ser pago esta semana


Ministro Paulo Guedes

Paulo Guedes vai liberar o adiantamento em duas etapas

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que estão ansiosos por receberem, antecipadamente, o 13º salário deste ano podem se animar: o anuncio da liberação do dinheiro poderá ser feito nesta segunda-feira (29/03). Com a aprovação do Orçamento 2021, serão liberados R$ 50 bilhões em duas parcelas.

A perspectiva é de que a primeira parte do 13º seja paga em abril e a segunda, em maio. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já deu o aval para a antecipação. Só estava esperando a aprovação do Orçamento da União, o que ocorreu na quinta-feira passado. O ministro anunciou a liberação dos recursos em depoimento do Senado.

HAVIA SINALIZAÇÃO – Muita gente tinha feito planos para receber a antecipação do 13º salário ainda entre fevereiro e março. O governo havia sinalizado o pagamento do benefício a aposentados e pensionistas do INSS. Mas Guedes considerou mais prudente esperar a aprovação do Orçamento para ter a certeza da verba necessária para o salário extra.

Muitos aposentados e pensionistas dizem que estão com o orçamento apertado por causa da pandemia. Há relatos de que os idosos estão tendo de bancar filhos e netos que perderam as fontes de renda por causa da pandemia do novo coronavírus.

Os segurados do INSS já têm papel importante como provedores de renda em boa parte dos lares brasileiros, mas, com a disparada do desemprego, as responsabilidades dos idosos aumentaram muito. Sem falar que boa parte deles está com os contracheques comprometidos com empréstimos consignados.

Quanto mais mortes, mais a Nação se une e o bolsonarismo se isola, tosco e incendiário

Publicado em 28 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nando Mota (Site 247)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Montanhas de fake news desvirtuam a internet, vídeos de sujeitos com boinas militares e caras de milicianos ameaçam guerra à bala, o ministro da Justiça usa a Lei de Segurança Nacional contra críticos do presidente Jair Bolsonaro… Essas investidas, que não são inocentes nem isoladas, fazem parte da alma autoritária do bolsonarismo e enfrentam crescente resistência de todos os lados.

Centenas de banqueiros, empresários e economistas criticam o governo e rechaçam o “falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável”. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pediu aos EUA para negociarem vacinas excedentes com o Brasil. E 62 dos 81 senadores assinaram uma moção liderada por Kátia Abreu (TO) implorando ajuda à comunidade internacional.

COBRIR O VÁCUO – Todos se mexem para cobrir o vácuo do presidente e não dá para acusar de “comunistas”, “esquerdistas” e “petistas” gente como Pacheco e Kátia, Roberto Setúbal, Pedro Moreira Salles, Pedro Malan… Será que são esses os alvos do bolsonarista ignorante, valentão, com pose de militar, mas linguajar de miliciano? Que provoca “esse pessoal da canhota, que quer derrubar o nosso presidente”: “Deixa eu dizer um negocinho pra vocês. Ele não tá sozinho, não, tá? Junta o que vocês tiver de melhor e tenta” (sic sic sic).

Ao falar em “caos”, “ação dura”, “esticar a corda”, Bolsonaro demonstra desespero e tenta radicalizar ainda mais os seus radicais. Isso, porém, equivale a demonstrar fragilidade e a afastar a direita consciente, cada vez mais indignada com ele e seu governo na pandemia.

Se o desespero de Bolsonaro é porque a realidade ameaça seu pescoço e sua reeleição, o do Brasil é por um motivo nada personalista: o pânico por leitos faltando, oxigênio e remédios escasseando, vacinas devagar, quase parando.

CENAS TÉTRICAS – O negacionismo de Bolsonaro e da sua turma não resiste às cenas tétricas de famílias destroçadas pela dor e pelo luto, aos doentes sem leitos e assistência, ao número cada vez maior de jovens mortos, aos cadáveres no chão de hospitais, seja no Piauí, seja no DF, a poucos quilômetros dos palácios de Bolsonaro.

A estratégia dele, porém, continua sendo a de falar absurdos e empurrar a culpa para os outros, insistindo em mentiras: não fez nada (e não fez mesmo…) porque Supremo impediu; só atrapalhou tudo (e atrapalhou muitíssimo…) para tentar salvar a economia; gastou dinheiro público com cloroquina (e gastou bastante, sim…) porque só o “tratamento precoce” salva. O céu está cheio de “salvos” pela cloroquina…

A essa estratégia Bolsonaro adicionou uma aposta: fingir que apoia as vacinas desde criancinha e atrair os louros pelas doses que estão vindo. Como se fosse possível esconder que o Brasil só está realmente vacinando por causa da Coronavac (“a vacina chinesa do Doria”) e que seu governo se pendurou num único imunizante – a Oxford-AstraZeneca, que tem atrasado – e desdenhou de Pfizer, Moderna, Janssen, Sputnik V…

OBA-OBA PATÉTICO – Assim como o governo fez comemoração patética para receber 2 milhões de doses da Oxford, quer fazer oba-oba político por acertar com a Pfizer nove meses depois – e passando ridículo no mundo: não bastasse ter o quarto ministro na pandemia, Bolsonaro agora tem dois ao mesmo tempo. Quem tem dois não tem nenhum. E o que dizer do capitão querendo criando um ministério para premiar o general pelos péssimos serviços prestados?

A divisão do País não é entre Bolsonaro e Lula, direita e esquerda, mas sim entre um bolsonarismo tosco e incendiário e todo o resto que, independentemente de ideologia, usa outro tipo de armas: inteligência, competência, defesa da economia e da vida. Cada um escolhe o seu lado. E que depois preste satisfações à história e ao Brasil.

Vídeo mostra momento em que policial militar 'sob surto' atira e acaba baleado na Barra


Vídeo mostra momento em que policial militar 'sob surto' atira e acaba baleado na Barra
Foto: Leitor BN / WhatsApp

O policial militar que invadiu e ocupou a região do Farol da Barra na tarde deste domingo (28) foi baleado. Após disparar, no início desta noite, contra a barreira policial que negociava com ele, o soldado recebeu três tiros e foi ao chão (confira no vídeo abaixo).

 

O policial foi identificado como o soldado Wesley, da 72ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM de Itacaré). Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), ele estava sob “surto psicológico” (saiba mais aqui e aqui).

 

O soldado dirigiu de Itacaré até Salvador neste domingo e ocupou a região do Farol. Em um certo momento, ele chegou a dizer a seguinte frase: “Seus filhos estão presenciando sua covardia, policiais militares do estado da Bahia”.


Ainda não há detalhes sobre o estado de saúde do soldado Wesley. O Bahia Notícias segue acompanhando o caso e trará mais informações em instantes.



Bolsonaro expôs a população à doença e à morte intencionalmente, cometendo crime contra a humanidade, diz jurista


Deisy e seu grupo analisaram 3.049 normas federais sobre a Covid-19

Roberta Jansen
Estadão

Coordenadora do doutorado de Saúde Global e Sustentabilidade da USP e consultora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a jurista e especialista em ética Deisy Ventura afirma que a forma como o presidente Jair Bolsonaro conduz o enfrentamento da covid-19 se enquadra em crime contra a humanidade.

O Brasil soma mais de 275 mil mortes desde o início da pandemia. Neste momento, segundo a Fiocruz, enfrenta “o maior colapso sanitário e hospitalar da história do País”.

NA CONTRAMÃO – “Mesmo no momento mais agudo da epidemia, o presidente não para de combater a saúde pública, não para de divulgar notícias falsas, não para de incitar a população para que desobedeça às autoridades sanitárias, não para de incitar a população a se expor ao vírus mesmo diante do colapso da saúde pública”, afirmou a especialista, em entrevista ao Estadão. “É um comportamento ilegal que um governante exponha seu povo à doença e à morte intencionalmente.”

O Estatuto de Roma estabeleceu o Tribunal Penal Internacional (TPI) em 1998. Define “crimes contra a humanidade como qualquer um dos seguintes atos quando praticados como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil: homicídio, extermínio, escravidão, deportação, encarceramento, tortura, estupro, desaparecimento forçado, apartheid e outros atos desumanos de caráter similar que causem intencionalmente grande sofrimento ou atentem gravemente contra a integridade física ou a saúde mental e física”.

ATOS DESUMANOS – Para Deisy, a estratégia adotada pelo governo de Jair Bolsonaro frente à pandemia se enquadra no último item. Esse ponto trata dos atos desumanos que atentam contra a integridade física e a saúde, causando intencionalmente grande sofrimento.

De acordo com a jurista, o presidente optou deliberadamente pela estratégia de alcançar o mais rapidamente possível a imunidade de rebanho. O meio para chegar a esse objetivo seria a disseminação intencional do vírus. Assim, poderia haver a retomada da atividade econômica de maneira mais rápida. Mesmo que isso custasse milhares de vidas.

As provas da adoção desta estratégia, segundo ela, se acumulam. O presidente se recusou a comprar vacinas quando ainda havia estoques internacionais disponíveis para venda. Insiste em defender um tratamento precoce que não tem eficácia cientificamente comprovada. Boicota as políticas de isolamento adotadas pelos governos estaduais e municipais. Também estimula aglomerações.

ESTUDO – Para chegar a essa conclusão, Deisy e seu grupo analisaram 3.049 normas federais sobre a covid-19 produzidas ao longo do ano passado. “Nosso estudo mostra que há um plano sistemático de disseminação do novo coronavírus no Brasil promovida pelo governo federal por razões eleitoreiras e econômicas”, disse.

“Trata-se de um crime contra a humanidade por se tratar de um ato desumano, um ataque sistemático contra a população civil. A maioria das mortes seria evitável se uma estratégia de contenção da doença tivesse sido adotada; isso constitui uma violação sem precedentes do direito à vida e do direito à saúde dos brasileiros.”

Deisy Ventura foi uma das signatárias do pedido de impeachment do presidente protocolado no dia 5 de fevereiro pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão e o sanitarista Gonzalo Vecina, fundador da Anvisa. O Palácio do Planalto não quis se manifestar sobre a análise feita pela especialista.

O presidente vem sendo chamado por várias pessoas de “genocida” pela postura que adotou frente à pandemia de covid-19. Como especialista no tema, a senhora diria que os atos de Jair Bolsonaro podem ser enquadrados no crime de genocídio?
É preciso fazer a diferença entre duas coisas. O uso da expressão “genocida” pelo público em geral é em seu sentido leigo, não técnico. A pessoa que exerce um cargo público se expõe ao escrutínio da sociedade. O (youtuber) Felipe Neto (que foi intimado em inquérito por usar a palavra para se referir ao presidente) não é obrigado a ler tratados internacionais para citar uma palavra que existe no sentido leigo também. O objetivo é denunciar algo grave que está acontecendo e proteger os interesses da população.

E do ponto de vista técnico?
No meu entendimento jurídico, o termo genocídio ou incitação ao genocídio se aplica em relação às populações indígenas. (O crime é entendido como o extermínio deliberado de um grupo de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e, por vezes, sociopolíticas. O objetivo final deste crime é o extermínio de todos os indivíduos daquele grupo específico. O exemplo mais conhecido é o extermínio dos judeus pelo regime nazista). Em relação à população em geral, na minha opinião pessoal, não se aplica o crime de genocídio. No que diz respeito à pandemia, do ponto de vista técnico, o que está ocorrendo é um crime contra a humanidade.

Por quê?
Segundo o Estatuto de Roma, crime contra a humanidade é definido “como qualquer um dos seguintes atos quando praticados como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil: homicídio, extermínio, escravidão, deportação, encarceramento, tortura, estupro, desaparecimento forçado, apartheid e outros atos desumanos de caráter similar que causem intencionalmente grande sofrimento ou atentem gravemente contra a integridade física ou a saúde mental e física”. O que está acontecendo agora no Brasil se enquadra nesse último item, que trata dos “outros atos desumanos”.

A senhora poderia citar exemplos nas atitudes do presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia que se enquadre tecnicamente nesse quesito de “atos desumanos”?
A jurisdição internacional é claríssima nesse ponto. Há um plano sistemático de disseminação do novo coronavírus no Brasil por razões eleitoreiras e econômicas. O plano do governo era alcançar a imunidade de rebanho por contágio com o objetivo de fazer com que a crise sanitária fosse mais curta, e a atividade econômica pudesse ser retomada rapidamente (o que garantiria sua reeleição). Mesmo sabendo que isso custaria milhares de vidas. Então, o plano é promover um ato desumano, impingir sofrimento e morte. Bolsonaro não para de oferecer indícios de que existe um plano sistemático, de que é uma política do governo federal, a cada dia há mais elementos que comprovam o crime: a propaganda contra a saúde pública, o estímulo à exposição ao vírus, a grande mentira do tratamento precoce. Não temos uma estratégia de contenção do vírus, mas de disseminação do vírus. Mesmo no momento mais agudo da epidemia, o presidente não para de combater a saúde pública, não para de divulgar notícias falsas, não para de incitar a população para que desobedeça às autoridades sanitárias, não para de incitar a população a se expor ao vírus mesmo diante do colapso da saúde pública. É um comportamento ilegal que um governante exponha seu povo à doença e à morte intencionalmente.

A tentativa do presidente de derrubar o toque de recolher em vários Estados por intermédio do STF também pode ser considerado mais um indício de crime contra a humanidade?
Com certeza. A ação judicial corrobora a intenção de obstruir estratégias eficazes de contenção do vírus; é mais uma prova indiscutível. Inclusive a argumentação desenvolvida na ação é claríssima: é a defesa da liberdade para ficar doente, a defesa da liberdade para morrer, é isso que o presidente da República propõe. Sempre na mesma ideia da imunidade de rebanho por contágio, sempre na mesma ideia de que é preciso que morra esse contingente de pessoas para que a economia, entre aspas, seja salva. E mesmo que a gente constate que essa estratégia do presidente é absolutamente danosa para a economia não se pode esperar que ele tenha a grandeza de voltar atrás, porque não é um governante, é um candidato, não é um presidente da República, é um agitador extremista.

Mas todos os especialistas em saúde pública e a própria OMS já haviam dito que a imunidade de rebanho não funcionaria. Ou seja, não haveria a retomada econômica de forma mais rápida. Qual seria o objetivo de insistir nesse plano?
O problema da ignorância é que tu não sabes o que tu não sabes. No início da pandemia, quando ninguém conhecia ainda a doença, foram feitos cálculos políticos e econômicos que levavam em conta essa estratégia. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o então presidente dos EUA Donald Trump chegaram a flertar com a ideia, mas logo corrigiram o rumo. E ficamos só nós nessa infâmia, nessa toada. Qualquer pessoa com formação em saúde pública  diz que a estratégia não funciona. Em outubro, num claro recado ao Brasil, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, disse sobre a imunidade de rebanho por contágio que a estratégia era, do ponto de vista científico, muito perigosa (porque pode sair do controle, como aconteceu no Brasil); e, do ponto de vista ético, inaceitável. E é isso. Do ponto de vista ético é inaceitável porque não podemos tomar uma decisão sabendo que ela vai matar um contingente enorme de pessoas se essas mortes poderiam ser evitadas com a adoção de outra estratégia. Com a adoção desse plano, ele faz a escolha de matar pessoas que não precisavam morrer.

Ernesto Araújo alega que pressão por sua demissão está relacionada ao 5G, não a vacinas


, ministro das Relações Exteriores Foto: José Cruz/Agência Brasil

Ernesto Araújo inventa histórias para ficar no Itamaraty

Melissa Duarte
O Globo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sugeriu em publicação nas suas redes sociais, neste domingo, que a pressão do Congresso para sua demissão não teria ligação com questões diplomáticas em torno da obtenção de vacinas contra a Covid-19, mas sim com o debate sobre o banimento ou não da empresa chinesa Huawei da implantação da tecnologia 5G no Brasil.

O chanceler afirmou ter sido procurado pela presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), no início do mês e que “pouco ou nada se falou de vacina”.

ARROGÂNCIA SUBALTERNA – Em artigo neste domingo no GLOBO, a senadora aborda a necessidade de apoio internacional para conseguir lidar com a pandemia e afirma que o Itamaraty tem hoje uma “arrogância subalterna”.

“Em 4/3 recebi a Senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: “Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado.” Não fiz gesto algum. Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria”, publicou Ernesto Araújo.

Críticas à política externa e às estratégias adotadas por Araújo incluem a deterioração das relações com a China, principal parceira comercial do Brasil desde 2009. Agora, o país asiático também desponta como fornecedor de insumos para a produção da vacina de Oxford/Astrazeneca, fabricada junto à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e da CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

DURAS CRÍTICAS – Os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), têm feito duras críticas ao chanceler e pressionam Bolsonaro a demiti-lo.

Para o Centrão, o ministro impõe obstáculos à compra de vacinas da China e da Índia. Além disso, a troca no comando do Itamaraty ajudaria a destravar negociações e a agilizar a imunização no país, que caminha a passos lentos em meio ao colapso do sistema de saúde e ao aumento exponencial no número de infectados e vítimas fatais.

O presidente resiste a demitir o chanceler. Na sexta-feira, ele questionou a Pacheco se seria suficiente para acalmar os ânimos a demissão do assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, integrante da ala ideológica do governo que fez um gesto apontado como uma referência a supremacistas brancos durante uma sessão no Senado e desencadeou uma nova crise com o Legislativo.

A violência é o último refúgio do incompetente. Isaac Asimov

 

                                                 Foto Divulgação do Google

                                            


 O autor dessa frase icônica é Isaac Asimov, foi respaldado nela que encontrei o caminho para entender a desonestidade, a perseguição e malvadeza praticada contra servidores do Hospital Municipal de Jeremoabo, principalmente aqueles que estão na linha de frente, no combate ao COVID-19, arriscando a própria vida.

Quando digo servidores da linha de frente estou referindo-me a médicos e paramédicos, inclusive o pessoal de serviços gerais que abrange limpeza e outras categorias.

Pois bem, todo esse pessoal pelo que está estabelecido na lei, tem direito a receber insalubridade, e, quando viajam, tem direito a receber diárias; isso não é favor é obrigação.

Porém, os poderosos chefões, acometidos pela psicose da incompetência, vingam-se dos servidores do hospital como se escravos fossem, não pagando os seus direitos e ainda ameaçando, como se o hospital fosse propriedade particular.

Estou narrando esses fatos porque vários servidores do hospital  procuraram a presidência da ONG-TransparênciaJeremoabo,  narraram o fato, apelando  apenas para o anonimato com receio de maiores represálias.

Inclusive motoristas de ambulâncias quando em viagem expõem a própria vida e dos pacientes, transportando de forma clandestina camburões de combustível.

A pergunta que faço é: por onde andam os vereadores de Jeremoabo que com tantos desmandos ainda não instalaram uma CPI para apurar todas essas irregularidades?

Quero informar a todos os servidores do Hospital que estão com seus direitos usurpados, que confiaram na ONG-Transparência Jeremoabo, que o problema de todos vocês  começaram a ser resolvidos, a demora pela solução está sendo o COVID-19, porém, a ONG já ingressou com uma denúncia perante o MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO,  onde tudo será apurado, é só questão de tempo para a bomba estourar. 

Policial militar invade barreira de proteção do Farol da Barra e dispara tiros para o alto


Policial militar invade barreira de proteção do Farol da Barra e dispara tiros para o alto
Foto: Leitor BN / WhatsApp

Um policial militar fardado, dentro de um veículo Renault Duster marrom, invadiu a barreira de proteção do Farol da Barra, na orla de Salvador, e disparou tiros para o alto, conforme informações de moradores do bairro. A situação ocorreu na tarde deste domingo (28) e assustou transeuntes.

 

Ainda não se tem detalhes sobre as motivações do ato do policial. O Bahia Notícias encaminhou um pedido de informações à Polícia Militar da Bahia (PM-BA). Entretanto, ainda não obteve respostas.

 

 

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