sexta-feira, março 12, 2021

Bolsonaro adota discurso ameaçador e diz que poderá ocorrer invasão a mercados, fogo em ônibus e greves


Charge do Duke (domtotal.com)

Deu no Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender, nesta quinta-feira, dia 11, a vacinação da população para conter o avanço da covid-19 no Brasil, mas criticou as medidas de isolamento social. Durante participação virtual em reunião da Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas, Bolsonaro citou a possibilidade de invasões e greves em função do lockdown.

Bolsonaro criticou diretamente as medidas adotadas pelos governadores de São Paulo, João Doria, e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Doria anunciou nesta quinta-feira novas restrições, inclusive toque de recolher no Estado, medida também aplicada no Distrito Federal. Bolsonaro comparou o isolamento a um “sapo fervido”, ou seja, depois de aumentada a temperatura, “não sai mais da panela”.

AMEAÇA – “Até quando? Até quando nossa economia vai resistir? Se colapsar, vai ser uma desgraça. O que poderemos ter brevemente? Invasão a supermercado, fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações. Onde vamos chegar? Será tarde para o sapo sair da panela”, disse Bolsonaro. No discurso do presidente da República, enquanto o governo federal combate o desemprego, prefeitos e governadores estão “destruindo” a economia.

Nas últimas duas semanas, o Brasil viu a média diária de óbitos saltar 43%. Em 25 de fevereiro, o número estava em 1.150. Agora está em 1.645, o maior da pandemia. Na quarta-feira, 10, o Brasil registrou 2.349 mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com dados do consórcio formado por veículos de imprensa.

“Lamento todas as mortes que ocorrem, todas as mortes. Lamento essa desgraça que se abateu sobre o mundo, mas nós temos que olhar para frente, buscar minimizar a dor dessas pessoas, buscar minimizá-la com vacina. Toma vacina. Abrimos para comprar praticamente de todos os laboratórios depois de aprovado pela Anvisa.” O presidente afirmou que nunca negou a vacina. Em dezembro, porém, ele afirmou que não tomaria o imunizante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Bolsonaro deveria seguir o exemplo de outros verdadeiros líderes mundo afora que buscam minimizar diferenças e focar na proteção de suas populações, promovendo a coesão. Mas, por aqui, o mandatário mente, defende ações para expor a população ou faz discursos em tom de ameaça para aumentar ainda mais o clima de pavor.  (Marcelo Copelli)

Amigos de Helio Fernandes lembram a combatividade do patrono do moderno jornalismo

  

Morre o jornalista Hélio Fernandes | Jornal Tribuna Ribeirão

Helio Fernandes escreveu diariamente até o fim de sua vida

Vicente Limongi Netto

O Brasil, a democracia e a liberdade de expressão estão de luto, com a morte de Helio Fernandes. Durante a vida inteira o jornalista combateu opressores e falsos patriotas. Tinha a têmpera dos fortes e a energia divina. Foi mestre de gerações de jornalistas. Dezenas deles começaram na Tribuna da Imprensa. Alguns deles omitem o passado. São ingratos sem caráter.

Como salientou o jornalista, professor, historiador e filósofo João Carlos Feichas Martins, com toda certeza, Helio Fernandes foi “o maior símbolo, o verdadeiro Patrono do moderno jornalismo brasileiro”. 

Guardo textos de Helio Fernandes no coração das inesquecíveis lembranças. Recordo um deles, com um oceano de orgulho e satisfação na alma. Como uma condecoração inesquecível e indestrutível, e estímulo para prosseguir na batalha contra os canalhas e covardes. Encastelados em todos os setores de atividades.  Ruminando estupidez, morbidez,  intolerância, oportunismo, torpeza e hipocrisia.

“Limongi, são mais de 40 anos que lutamos lado a lado, e como dizia o apostolo Paulo, “sempre combatendo o bom combate”. Você é o único jornalista que pode dizer que já escreveu em todos os jornais do país. Pois você se habituou a mandar cartas para todos os órgãos. Do Oiapoque ao Chui, fossem de esquerda, de centro ou de direita, publicavam o que você mandava. Tinham a certeza, que tudo que precisava ser dito você dizia, e continua dizendo, sem nenhum interesse oculto. Repetindo você, continuaremos lutando e derrotando os fariseus. Abraços  e saúde. Helio Fernandes”.

Helio partiu encantado e feliz, ao encontro de dona Rosinha, a mulher amada, os filhos adorados, Rodolfo e Helinho e o irmão, Millor Fernandes.

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UM JORNALISTA ACIMA DE TUDO
José Carlos Werneck

Quero hoje aqui lembrar meu grande amigo Helio Fernandes, com quem convivi desde sempre, porque sou primo de Carlos Lacerda. Mas meu relacionamento com ele sempre foi pela paixão que nos uniu – o jornalismo. No final da vida, tendo perdido os dois filhos que abraçaram nossa profissão, Helinho e Rodolfo, e depois sua mulher, Rosinha Fernandes, e o irmão Millôr, Helio praticamente não saia de casa, mas continuamos a nos falar por telefone, porque eu moro em Brasília.

Era impressionante sua disposição, sua voz parecia de um homem de 40 anos. Acompanhava atentamente a evolução da política, assistindo as TVs a cabo especializadas, como GloboNews e CNN.

COMBATIVIDADE – Helio Fernandes sempre foi implacável em seus textos e essa combatividade fazia parte do seu gênio, integrava seu DNA, porque era apaixonado pelo que fazia e adorava polêmicas, neste ponto era muito parecido com Lacerda, seu amigo e outro gênio do jornalismo brasileiro. 

Ele perdia o amigo, mas não abria mão da verdade, embora não guardasse ódios pessoais. Suas divergências eram sempre no campo das ideias.

Era impressionante sua garra. No governo Figueiredo, quando o atentado a bomba destruiu a Tribuna da Imprensa, no dia seguinte o jornal estava nas bancas.  

MOTIVOS DE ORGULHO – Sei que nesta hora quaisquer palavras soam vazias, mas uma coisa é certa: Helio Fernandes só deu motivos de orgulho aos que com ele conviveram.

A este brilhante jornalista, quero aqui deixar minhas sinceras homenagens e grande admiração por sua bonita história de vida, desejando que seu espírito descanse em Paz, em Bom Lugar, dando uma revisada nos textos dos que ainda aqui permanecem.

A perda de um amigo sempre traz um vazio imenso, mas a certeza de que ele viveu plenamente e fazendo o que amava é motivo para preencher muito esta lacuna. Helio Fernandes não passou pela Vida. Viveu a Vida. E isso é fundamental!

Grande abraço, Helio, e continue brilhando como sempre! 

Quem pode aceitar que o STF tenha levado cinco anos até notar que Moro era imparcial?


Lava Jato planejou investigar Gilmar Mendes, revelam novas mensagens | Exame

Gilmar Mendes virou protetor dos fracos e oprimidos do PT

Bruno Boghossian
Folha

Num voto de 102 páginas, Gilmar Mendes disse que a força-tarefa da Lava Jato criou “o maior escândalo judicial” do país. O Supremo conhece há tempos os métodos da operação, mas só se dispôs a passar a história a limpo agora, sete anos depois que a investigação começou.

As últimas 48 horas dão pistas dos motivos do atraso. A manobra de Edson Fachin para evitar o julgamento da suspeição de Sergio Moro reflete a covardia do tribunal na hora de enfrentar os fantasmas da operação. Já o movimento de Gilmar ao reabrir uma ação que dormiu em sua gaveta por dois anos é um exemplo dos desvios da política interna da corte.

OPERAÇÃO SURPRESA – Fachin agiu de surpresa na segunda (8) e anulou os processos da Lava Jato em Curitiba contra Lula. O objetivo do ministro ficou claro no dia seguinte, quando ele citou a própria decisão para tentar barrar o julgamento de uma das ações que questionam a atuação de Moro como juiz.

A estratégia de Fachin só pode ter como base a convicção de que o STF aceitaria uma decisão de alta relevância como artimanha para enterrar outro tema espinhoso. Com tudo o que se sabe atualmente sobre a operação, parte dos ministros ainda se recusa a esmiuçar a atuação da Lava Jato e de seus personagens.

O segundo capítulo ocorreu na terça-feira (9), quando Gilmar reabriu o julgamento da ação que contesta o trabalho de Moro. Desde 2018, o ministro dava sinais de que era favorável à defesa do ex-presidente, mas segurou o voto por temer uma derrota.

ATAQUES DE GILMAR – A mudança na composição da Segunda Turma, a revelação das mensagens da Lava Jato pelo site The Intercept Brasil e a trama de Fachin mudaram o ambiente.

Gilmar citou a condução coercitiva de Lula para dizer que a operação tinha um “modelo hediondo” e chamou a quebra de sigilo de advogados do petista de “coisa de regime totalitário”.

Os adjetivos encobrem o fato de que Moro tomou aquelas decisões em 2016, à luz do dia, e demorou a ser incomodado pelos tribunais. Teve tempo para continuar os processos e virou até ministro da Justiça.


Compra de vacinas pelo governo federal ‘não é nenhum favor’, diz Lewandowski

Publicado em 12 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Lewandowski diz que sociedade espera verdadeiro ‘esforço de guerra’

Pepita Ortega e Rayssa Motta
Estadão

Em meio ao pior momento da pandemia no País, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que a sociedade espera das autoridades um ‘verdadeiro esforço de guerra’ para a compra de vacinas contra a covid-19.

“Isso não é nenhum favor porque a constituição diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. E hoje é um dever prioritário”, afirmou o magistrado, que é relator de ações no Supremo que tratam da vacinação contra o novo coronavírus.

PRIORIDADE –  Lewandowski participou, na manhã desta quinta-feira, dia 11, de uma aula magna do Centro Universitário de Brasília (Ceub) ministrada pela pesquisadora Margareth Pretti Dalcomo. Também participou da discussão virtual o ex-ministro Carlos Ayres Britto, que afirmou que ‘governantes não podem andar de costas para a constituição’ e que ‘saúde é prioridade das prioridades’.

Antes da exposição da cientista, o Lewandowski citou decisões do Supremo que segundo ele, foram ‘importantes para desencadear o marasmo, a perplexidade em que se encontrava o governo federal e das entidades federadas do Brasil’.

IMUNIZAÇÃO – O ministro abordou então os julgamentos sobre a obrigatoriedade da vacina contra a covid-19 e sobre o plano nacional de imunização – coordenado pela União, sem prejuízo da atuação de Estados e municípios.

Ao comentar o objeto das ações do Supremo, Margareth ponderou: “A meu juízo o que precisamos é o entendimento coletivo de quem fez a diferença nas nossas vidas no século XX foram as vacinas”. Lewandowski destacou ainda que a tarefa de combate ao novo coronavírus não é apenas do Estado, mas de toda sociedade.

PGR avalia que será difícil plenário do STF derrubar decisão de Fachin que beneficiou Lula

Publicado em 12 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Decisão de Fachin deve ganhar apoio de Gilmar e Lewandowski

Rafael Moraes Moura
Estadão

A cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que é difícil o plenário da Corte derrubar a decisão do ministro Edson Fachin, que na segunda-feira, dia 8, anulou as condenações do ex-presidente Luiz Inácio da Lula da Silva no âmbito da Lava Jato. A decisão individual do ministro habilitou o petista a disputar eleições, o que redesenhou o cenário político para 2022.

Pelo cálculo de procuradores, a decisão de Fachin deve ganhar o apoio de ministros como Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, dois expoentes da ala contrária à Lava Jato no STF. O julgamento deve “bagunçar” as divisões internas da Corte.

MANIFESTAÇÃO – A PGR tem até a próxima segunda-feira, dia 15, para se manifestar sobre o caso. Depois que o recurso da Procuradoria for formalmente apresentado, Fachin deve liberar o caso para julgamento. Na etapa seguinte, o presidente do Supremo, Luiz Fux, define quando os 11 integrantes da Corte analisam sobre o tema, que já vem sendo avaliado pelos ministros nos bastidores.

O ministro Marco Aurélio Mello já indicou que não aprova o caminho escolhido por Fachin. “Essa decisão foi realmente uma bomba atômica, gerando uma insegurança jurídica muito grande”, disse Marco Aurélio ao Estadão. “Agora, vamos aguardar até o desfecho do caso da suspeição, que está lá na Segunda Turma, no qual o herói nacional, que tem serviços prestados à Pátria, está passando por bandido”, completou ele, numa referência ao ex-juiz Sérgio Moro.

Fachin não avisou aos colegas com antecedência sobre o teor da decisão que tornaria Lula elegível, mas, depois de assiná-la, entrou em contato com Fux por telefone. O Estadão apurou que o presidente do STF viu com bons olhos a manobra do colega para reduzir danos, tentar tirar o foco do ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro e, com isso, tentar preservar outras condenações da operação.

EFETO CASCATA – Fachin optou por se antecipar a uma decisão da Segunda Turma sobre a parcialidade de Moro na condução da Lava Jato. O julgamento pode invalidar as provas contra Lula, provocar um efeito cascata e invalidar outros processos da investigação.

Com a decisão que determinou o envio dos casos à Justiça Federal do Distrito Federal, Fachin queria dar como encerrado o debate sobre a conduta de Moro. Para o relator da Lava Jato, como a condenação de Moro contra Lula na ação do tríplex do Guarujá foi anulada, não haveria mais motivos para se questionar a atuação do ex-juiz.

“ATROPELO” –  Apesar do “atropelo” de Fachin, o ministro do STF Gilmar Mendes contrariou o colega e resolveu levar adiante o julgamento sobre a suspeição de Moro, que acabou interrompido. O placar ficou empatado em 2 a 2 após o pedidopara mais tempo de análise do ministro Kassio Nunes Marques.

Dois ministros ouvidos pelo Estadão observaram que Nunes Marques não deve demorar muito para liberar o caso para julgamento na Segunda Turma. Na prática, o pedido de vista do ministro novato dá tempo para as articulações dos colegas.

Até então, Gilmar e Lewandowski eram resistentes à ideia de apoiar  Fachin devido à tentativa de esvaziar a análiseda suspeição de Moro. Agora, no entanto, a Segunda Turma já decidiu que o julgamento do ex-juiz da Lava Jato será concluído de qualquer jeito, com risco concreto de Moro ser declarado suspeito, ter a conduta repudiada pelo Supremo e até acabar obrigado a pagar os custos processuais do caso de Lula.

PRECEDENTES – Para embasar a sua decisão de 46 páginas, Fachin pesquisou um total de 20 precedentes da Corte, tanto do plenário quanto da Segunda Turma. Neles, casos sem conexão direta com o esquema de corrupção na Petrobrás acabaram tendo outro destino que não Curitiba. Na maioria deles, o relator da Lava Jato foi voto vencido, como fez questão de destacar na decisão.

No ano passado, por exemplo, contra a vontade de Fachin, a Segunda Turma do STF decidiu enviar à Justiça Federal do DF parte do inquérito que investiga os ex-senadores Romero Jucá e Valdir Raupp pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na Transpetro. Depois, Edison Lobão e seu filho, Márcio Lobão, solicitaram o mesmo e o pedido de extensão foi atendido por Gilmar.

DECISÃO INDIVIDUAL – O entendimento da Segunda Turma também levou Fachin a decidir individualmente enviar à Justiça Federal do DF uma ação penal em que os empresários  Germán Efromovich e José Efromovich são investigados, acusados de crimes de corrupção ativa e lavagem de capitais no âmbito da Transpetro.

O relator da Lava Jato decidiu encaminhar os casos de Lula para a Justiça Federal do DF por entender que o petista merecia ter o mesmo tratamento conferido a outros investigados que entraram na mira dos investigadores de Curitiba. “No contexto da macrocorrupção política, tão importante quanto ser imparcial é ser apartidário”, observou Fachin.

Incapaz e sem argumentos, Bolsonaro mente em live , faz menções às Forças Armadas, ataca governadores e Lula


Bolsonaro com sua fatídica ladainha, prova que não tem competência

Daniel Carvalho
Folha

Em uma live que durou mais de uma hora, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mentiu, fez menção às Forças Armadas ao dizer que faz “o que o povo quiser” e atacou governadores e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dentre as mentiras ditas por Bolsonaro nesta quinta-feira, dia 11, ele voltou a afirmar que nunca se referiu à Covid-19 como uma “gripezinha”. Bolsonaro utilizou o termo gripezinha ao menos duas vezes. Em uma entrevista em 20 de março do ano passado, ele disse que “depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não”.

EM CADEIA NACIONAL – Quatro dias depois, desta vez em um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, usou o termo pela segunda vez. “No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”, afirmou em 24 de março de 2020.

O presidente reafirmou que nunca foi contra vacina, o que também não procede. Há diversas manifestações do presidente contra a vacinação.”Ninguém vai tomar tua vacina na marra, não, tá ok? Procura outra. E eu, que sou governo, não vai comprar sua vacina também não. Procura outro pra pagar sua vacina”, disse o presidente em uma live em 29 de outubro do ano passado.

“Eu não vou tomar vacina e ponto final. Minha vida está em risco? O problema é meu”, afirmou em entrevista à TV Bandeirantes em 15 de dezembro de 2020. O presidente estava acompanhado do secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Morales, que integrou a missão que foi a Israel para buscar um spray que ainda está em fase inicial de testes para tratamento de Covid-19. Bolsonaro deixou o médico em saia justa ao questioná-lo sobre a eficácia de lockdowns.

ESQUIVA – “Cada caso é um caso e tem que ser analisado”, esquivou-se o convidado diante da insistência do presidente. Bolsonaro também disse, sem provas, que o governador João Doria (PSDB-SP) promove pancadão em sua residência durante a pandemia. Além de ser negada com veemência pelo tucano, a versão não foi sustentada pela vizinha que deu origem ao boato.

O governo paulista afirmou que a gravação que circulou nas redes sociais foi feita da residência da vizinha Alessandra Maluf. O som mais alto viria de outra casa na mesma rua onde Doria mora, no Jardim Europa, mas não havia nem festa nem aglomeração no local. A assessoria do governador afirma ainda que o filho do governador nem sequer mora no local e não estava em São Paulo na data da gravação.

“ENGANO” – Em depoimento à polícia, a vizinha que gravou o vídeo não sustentou que era, de fato, o filho de Doria quem estava na casa, como afirmou nas imagens que viralizaram na internet. Disse ainda que não tinha a intenção de ofender o governador e que, depois de fazer a filmagem, tomou conhecimento de que um outro vídeo, em que um dos filhos de Doria aparece em uma festa, é antigo e não tem qualquer relação com os que foram gravados por ela, no dia 5.

Bolsonaro também voltou a fazer menção às Forças Armadas e ao período da ditadura militar no Brasil. “Eu faço o que o povo quiser. Digo mais: eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. As Forças Armadas acompanham o que está acontecendo. As críticas em cima de generais, não é o momento de fazer isso. Se um general errar, paciência. Vai pagar. Se errar, eu pago. Se alguém da Câmara dos Deputados errar, pague. Se alguém do Supremo errar, que pague. Agora, esta crítica de esculhambar todo mundo? Nós vivemos um momento de 1964 a 1985, você decida aí, pense, o que que tu achou daquele período. Não vou entrar em detalhe aqui”, disse Bolsonaro.

CRÍTICAS AOS GOVERNADORES – O presidente fez críticas aos governadores — em especial aos de São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul— por causa de medidas restritivas que estão sendo adotadas para tentar conter a disseminação do novo coronavírus.

“O governador fala que não é, mas é estado de sítio”, disse Bolsonaro ao comentar o toque de recolher noturno em vigor no Distrito Federal. Bolsonaro disse ter como “garantir a nossa liberdade” e que é o “garantidor da democracia”, além de ser “a pessoa mais importante neste momento”.

“Usam o vírus para te oprimir, para te humilhar, para tentar quebrar a economia”, afirmou. “Quanto mais atiram em mim, de forma covarde por parte de parte da sociedade, mais você está enfraquecendo quem pode resolver a situação” , acrescentou.

APOIO – “Como é que eu posso resolver a situação? Eu tenho que ter apoio. Se eu levantar minha caneta BIC e falar ‘shazam’, vou ser ditador. Vou ficar sozinho nesta briga?”, indagou Bolsonaro. “O meu exército, que eu tenho falado do tempo todo, é o povo. Eu sempre digo que eu devo lealdade absoluta ao povo brasileiro. E este povo está toda a sociedade, inclusive o Exército fardado. A vocês eu devo lealdade. Eu faço o que vocês quiserem, porque esta é a minha missão de chefe de Estado”, afirmou Bolsonaro, cobrando que as pessoas reconheçam o que ele diz estar fazendo.

“O sacrifício que a gente faz para buscar solução tem que ter reconhecimento. Eu não quero ser tratado com mito, messias, herói nacional. Longe disso. Apenas respeito e entender o que que posso fazer para evitarmos um caos.” Ao longo da live, ele também xingou o ex-presidente Lula, a quem chamou de jumento e carniça. Em discurso na quarta-feira, dia 10, Lula disse que Bolsonaro era terraplanista. Para rebater o petista, o presidente fez a live com um globo terrestre na mesa.

“O carniça ontem falou que eu deveria procurar o Marcos Pontes, que é o nosso ministro da Ciência e Tecnologia, que esteve no espaço, para ele dizer para mim que a Terra é redonda. Olha a qualidade do meu ministro da Ciência e Tecnologia e a qualidade dos ministros do presidiário para depois a gente começar a discutir”, disse Bolsonaro. “Lá atrás, a especialidade era outra. Com cinco dedos. E nós sabemos para onde foi o Brasil”, afirmou.


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