domingo, dezembro 13, 2020

Prefeito eleito de Jeremoabo mais uma vez irá enfrentar o desafio de ser minoria na Câmara de Vereadores

 


Logo após o resultado das eleições em Jeremoabo publiquei uma matéria informando que a vitória do prefeito, tinha sido uma " vitória de Pirro, obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis".

Conclui-se que a sua eleição tem o gosto amargo da vitória de Pirro, a começar por ser minoria na Câmara de Vereadores onde com certeza não fará a presidência daquela casa legislativa.

O prefeito reeleito de Jeremoabo ganhou a eleição mas perdeu o governo.

Segundo   o ex-vereador de Paulo Afonso  Mário Galinho,  "Um governo que não tem o respaldo da maioria não é um governo legitimo. A oposição serve para ser o refletor, não só do governo, o refletor da sociedade”.

Antes mesmo de tomar posse para seu segundo (des)governo, a gestão municipal enfrenta pagamentos atrasados, calote em fornecedores, demissões de funcionários, que ele mesmo havia contratado e nomeado, má gestão em quase todas as secretarias do governo, são acontecimentos com origem na sua vitória malfadada principalmente compromissos inconsequentes durante a campanha.

Irá conviver também com quase uma centena de denúncias por suposta improbidades, além de conta rejeitada.

"A formação de uma base de apoio sólida é fundamental, já que o Exe­cutivo depende do Le­gislativo para aprovar projetos de lei como o do orçamento. Em algumas votações, a mai­oria não é suficiente. Boa parte das matérias exi­ge maioria simples ou absoluta para sua apro­vação, mas projetos de maior re­levância, co­mo o do Plano Diretor, exi­ge dois terços dos votos".

O atual sendo minoria só tem uma caminho para governar em benefício da população, ter uma relação transparente com o Legislativo, buscando o diálogo, e sempre apresentando bons projetos para a cidade, caso contrário, a fiscalização e as denúncias continuarão ainda mais aprofundadas e mais eficientes, principalmente porque tanto o prefeito quanto seus fanáticos estão na obrigação de entender que por enquanto, ganhou a prefeitura porém perdeu o governo.

Perda de olfato e paladar pode ser permanente dependendo da causa

 


por Mariana Freire | Folhapress

Perda de olfato e paladar pode ser permanente dependendo da causa
Foto: Alfeu Tavares / Folha de Pernambuco

Comidas sem sabor e perfumes sem aroma. É assim a vida de muitas pessoas que vivem com ageusia e anosmia, distúrbios da gustação e do olfato, respectivamente, que impedem totalmente a percepção desses estímulos. As condições são comuns quando temporárias -- no caso de uma infecção viral como uma gripe, por exemplo --, mas podem ser, em casos raros, permanentes.

Na maior parte dos casos, segundo Fabrizio Romano, presidente da Academia de Rinologia, os distúrbios de olfato acontecem quando alguma condição no nariz, como um inchaço, não permite a passagem de moléculas de odor na região dos nervos olfatórios. É o chamado "nariz entupido".

Outros casos são motivados por uma perda de sensibilidade nos nervos olfatórios: a molécula chega às regiões que deveriam percebê-la, mas o estímulo não é recebido. Esses casos não eram comuns até este ano, quando a Covid-19 trouxe um aumento expressivo do sintoma.

Infecções virais, traumas (físicos ou químicos, pela inalação de substâncias tóxicas), desvio de septo e tumores neurológicos podem ser causas de anosmia permanente. Há, ainda, a hiposmia, que é a perda parcial do sentido. Ocorre de forma súbita ou gradativa.

"Elas podem ser irreversíveis dependendo da causa. Por isso que se recomenda procurar atendimento médico o mais rápido possível", afirma Romano. O ideal, segundo ele, é que o paciente não permaneça com o sintoma sem acompanhamento por mais de três semanas. Quanto maior o tempo para o início do tratamento, menor a chance de regressão.

A perda do olfato pode afetar também a percepção do paladar, já que o aroma dos alimentos tem influência no sabor. Há, porém, pessoas que não têm capacidade de sentir os sabores. "A ageusia de forma pura é bastante rara", afirma o médico Henry Ugadin, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia.

Além da ageusia, que é a perda completa, há outros dois distúrbios da gustação: hipogeusia (perda parcial) e a disgeusia (percepção deturpada dos sabores). As causas são parecidas com as dos distúrbios olfativos: infecções virais, doenças neurológicas e traumas na cavidade oral, como queimaduras, e tabagismo, além do uso de alguns medicamentos.

Os dois distúrbios não representam, diretamente, riscos para os pacientes. Porém, como ambos são importantes para a percepção do exterior, eles podem ter consequências para a saúde.

A perda do olfato, por exemplo, pode impedir que uma pessoa perceba um vazamento de gás ou uma comida estragada. Já a perda da gustação pode fazer com que o prazer da alimentação seja perdido, trazendo prejuízos nutricionais. "No curto prazo, são consequências pequenas, mas, com o tempo, isso pode ser bem prejudicial", afirma Ugadin.

Ainda não há tratamento específico para a recuperação da gustação, segundo o otorrino. Para pacientes que perderam o olfato, há uma espécie de "fisioterapia" do sentido, afirma Romano.

"Nós usamos essências específicas que a pessoa vai cheirando por um período determinado do dia e mentalizando a lembrança de odor que tinha. Com isso, tentamos reconectar o estímulo com a área do cérebro que identificava aquele odor." O treinamento, contudo, pode levar meses para ter efeito.



AÇÃO DA COVID AINDA É POUCO CONHECIDA

Mesmo depois de quase um ano de estudo sobre os efeitos do coronavírus no corpo, a medicina ainda não tem a resposta para como o olfato é prejudicado pela Covid-19. Cerca de dois terços dos pacientes acometidos pela doença apresentam o sintoma, de acordo com André Macedo, neurologista e pesquisador no Hospital das Clínicas e membro da ABN (Associação Brasileira de Neurologia).

"O provável é que o vírus vá no nervo e cause uma inflamação e uma lesão das células de sustentação do nervo olfatório. É pouco provável que seja uma destruição do nervo em si porque sabemos que neurônio é uma célula que não se recupera", afirma o médico. Com isso, o nervo deixa de captar o estímulo ou o faz de forma inadequada.

Segundo Macedo, a maioria dos pacientes volta a sentir cheiros após cerca de um mês, mas há aqueles que têm o sintoma por mais tempo. Entre os pacientes que apresentam anosmia e ageusia como sintoma da Covid-19, 70% são do sexo feminino. Ainda não foi descoberto, de acordo com o neurologista, o motivo para isso.

Fabrizio Romano, presidente da Academia de Rinologia, afirma que mesmo pacientes que tiveram perda olfativa associada à Covid-19 devem investigar a fundo o sintoma. Isso porque a doença pode coincidir com outras causas até mais graves, como um tumor cerebral.



SAIBA MAIS COMO SENTIMOS CHEIROS

Os aromas são formados por sinais químicos que, quando acessam a cavidade nasal, sensibilizam os neurônios olfativos Essas células transformam os sinais químicos em elétricos, que são conduzidos até o córtex cerebral, onde são traduzidos em percepção de cheiro



COMO SENTIMOS SABORES?

A gustação é percebida nas papilas gustativas, que são elevações na língua repletas de células sensoriais que percebem os sinais químicos dos alimentos Esses sinais são conduzidos ao cérebro, onde os sabores são interpretados O paladar está diretamente relacionado ao olfato. Na boca, os alimentos também liberam odores que sensibilizam as células olfativas

Alguns distúrbios podem afetar esses dois sentidos



Olfato:

Anosmia: perda total do olfato

Hiposmia: perda parcial do olfato



Gustação:

Ageusia: perda completa da gustação

Hipogeusia: diminuição da gustação

Disgeusia: distorção do paladar



ANOSMIA E AGEUSIA SÃO DISTÚRBIOS CONSIDERADOS RAROS

A maior parte dos casos de diminuição do paladar se dá por anosmia, e não por ageusia



CAUSAS

Infecções virais respiratórias, inclusive a Covid-19; Traumas na cavidade oral ou na língua (no caso dos distúrbios gustativos) ou no nariz (no caso dos distúrbios olfativos); Traumas cranianos que afetem os nervos que transmitem as informações de gustação e olfato; Tabagismo; Tumores cerebrais; Uso incorreto de medicamentos; Doença de Parkinson.



HÁ CASOS REVERSÍVEIS E PERMANENTES

A maior parte dessas alterações regride depois de cerca de três semanas. Passando disso, a orientação é de que se busque orientação médica



Fontes: André Macedo, neurologista e pesquisador no Hospital das Clínicas da FMUSP, Fabrizio Ricci Romano, presidente da Academia de Rinologia, Henry Ugadin Koishi, médico otorrinolaringologista

Bahia Notícias

Lewandowski dá prazo de 48h para Saúde informar cronograma de vacinação contra a Covid

 

por Constança Rezende

Lewandowski dá prazo de 48h para Saúde informar cronograma de vacinação contra a Covid
Foto: GOVESP

O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski deu neste domingo (13) prazo de 48 horas para que o Ministério da Saúde informe uma data de início e de término de seu plano de vacinação da população contra a Covid-19.

"Intime-se o Senhor Ministro de Estado da Saúde para que esclareça, em 48 (quarenta e oito) horas, qual a previsão de início e término do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid - 19, inclusive de suas distintas fases", escreveu o ministro em seu despacho, endereçado também à Advogacia-Geral da União.

No sábado, o STF divulgou ter recebido um plano de vacinação do governo, mas o documento não apresenta prazo de início e término. A Saúde diz que isso só será possível após aprovação de alguma vacina pela Anivsa.

Bahia Notícias

MPF recorre da decisão que negou o afastamento do ministro Ricardo Salles

 

Publicado em 13 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

O pedido já havia sido negado em por um desembargador do TRF1

Rayssa Motta
Estadão

Em sua sexta manifestação à Justiça desde que entrou com ação de improbidade contra ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o Ministério Público Federal voltou a cobrar seu afastamento cautelar do cargo. O pedido foi anexado nesta sexta-feira, dia 11, ao processo apresentado em julho por ‘desestruturação dolosa’ das políticas ambientais – desde então, o caso já foi remetido para Santa Catarina, voltou para Brasília e ainda não foi julgado em definitivo.

Na avaliação do procurador Ubiratan Cazetta, a permanência de Salles à frente da pasta pode trazer riscos de duas ordens: ao andamento da ação, em razão do poder para interferir na instrução do processo, e ao meio ambiente, em razão de ‘ações nocivas com resultados irreversíveis’.

INDÍCIOS CONCRETOS – “Há indícios concretos de que Ricardo de Aquinno Salles, Ministro do Meio Ambiente, tenha praticado gestão temerária/com desvio de finalidade, ao se valer do poder de comando inerente ao cargo político ocupado para fragilizar a estrutura administrativa dos órgãos federais de proteção/fiscalização ambiental e fragilizar o arcabouço normativo e institucional até então vigente, permitindo/incentivando práticas danosas ao meio ambiente”, registro o agravo.

Cazetta acusa atos de desestruturação normativa, orçamentária, fiscalizatória e dos órgãos de transparência e participação para argumentar sobre o perigo da demora em determinar o afastamento do ministro. Para ilustrar o argumento, o procurador cita, por exemplo, os índices de desmatamento na Amazônia e as portarias revogadas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que derrubou regras de proteção ambiental a áreas de mangues e restingas.

O recurso da Procuradoria foi enviado após ‘vai-e-vem’ judicial na ação de improbidade. O processo foi inicialmente remetido para a 6ª Vara Federal de Florianópolis pelo juiz Márcio de França Moreira, que apontou a competência do juízo catarinense para avaliar o processo por prevenção – uma ação civil semelhante havia sido apresentada contra Salles por lá.

UNANIMIDADE – Os autos voltaram para Brasília após o desembargador federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), atender parcialmente um pedido do Ministério Público Federal, suspender os efeitos da liminar e transferir o caso de volta à 8ª Vara Federal do Distrito Federal. Em novembro, a 3ª Turma do TRF1 referendou a decisão ao reconhecer, por unanimidade, a competência do juízo da capital federal para julgar e processar a ação.

Diante do imbróglio, o pedido de afastamento do ministro em caráter liminar (urgente) levou três meses até que fosse avaliado pela primeira vez. Em outubro, o juiz Márcio de França Moreira negou tirar Salles do Meio Ambiente por considerar que o afastamento só poderia ser determinado caso ficasse provado que o ministro está agindo para obstruir ou atrapalhar a coleta de provas, como por meio de obstáculos para acesso a documentos ou intimidação de testemunhas.

Diante da derrota, o MPF entrou com um agravo de instrumento, com pedido de antecipação da tutela recursal, para tentar reformar a decisão no TRF1, mas o desembargador Ney Bello seguiu o entendimento da primeira instância por considerar que a destituição seria medida excepcional e por não vislumbrar a existência de prova de que a permanência do ministro no cargo comprometeria a instrução processual.

RECONSIDERAÇÃO – No novo recurso, a Procuradoria pede a reconsideração da decisão de Ney Bello ou a submissão do pedido para julgamento colegiado. A ação em questão foi movida na esteira da declaração do ministro na reunião do dia 22 de abril, tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal, em que Salles defendeu que o governo deveria ‘aproveitar’ a pandemia do novo coronavírus para ir ‘passando a boiada’ em regulamentos e normas ambientais. O ministro é acusado pelo MPF de cometer ‘desestruturação dolosa’ e ‘esvaziamento’ de políticas públicas para ‘favorecer interesses que não têm qualquer relação com a finalidade da pasta’.

Salles classifica a ação do Ministério Público Federal como ‘tentativa de interferir em políticas públicas’. “A ação de um grupo de procuradores traz posições com evidente viés político-ideológico em clara tentativa de interferir em políticas públicas do Governo Federal”, afirmou. “As alegações são um apanhado de diversos outros processos já apreciados e negados pelo Poder Judiciário, uma vez que seus argumentos são improcedentes”.

“INCONCLUSIVO” – Em manifestação enviada ao TRF-1, a Advocacia-Geral da União (AGU) alegou que ‘não é possível concluir’ que o aumento do desmatamento no Brasil são reflexos de ações e atos do ministro de Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente.Para a AGU, ‘não há como se presumir’ que os resultados negativos de desmatamento ilegal são relacionados com a política de Salles. A defesa do governo aponta que o aumento do cenário ‘tem ocorrido desde 2012 e a gestão atual teve início somente em 2019’.

“Não é possível se concluir que os resultados do desmatamento no Brasil são em decorrência de atos do atual ministro do Meio Ambiente”, apontou o advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Júnior. “Há uma diversidade de fatores que influenciam no desmatamento, não podendo se atribuir qualquer imputação de responsabilidade pelo resultado ao ministro do Meio Ambiente. Inexiste, nessa circunstância, qualquer domínio de eventual cadeia causal de resultados nocivos ao meio ambiente por parte do ministro, até porque suas funções nem de longe se configuram como atos de execução”, concluiu.

Se a esquerda se unir em 2020, tem chances de vencer, como acontece agora na eleição de Belém do Pará;

Publicado em 13 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Charge do Iotti (Zero Hora)

Roberto Nascimento

Estou decepcionado com o país, que nunca desceu tanto, em toda a sua História Republicana, a um nível tão baixo no que concerne ao caráter, à honestidade, à competência, ao espírito público. O corporativismo é a tônica desses tempos bicudos, de sombras sinistras, em que somente as elites empresariais e públicas têm verdadeiras garantias, à custa do sacrifício da maioria da população.

Jamais se viu tamanha desigualdade social. Mas a nomenklatura está tranquila. Agora mesmo, o Supremo acaba de equiparar os salários dos juízes estaduais e federais. Como pode? Qual doido ainda acredita nesse projeto mentiroso, de pactos dos Poderes e que não está dando em nada?

IMAGEM DEGRADADA – O mundo agora quer ver o Brasil pelas costas, só estão ainda aqui porque são pragmáticos e visam a interesses comerciais. Por isso,  cerca de 80% das 500 maiores multinacionais continuam aqui, para se lambuzar de lucros e enviar às suas matrizes.

De resto, vivem às gargalhadas com as patacotadas do nosso presidente e do chanceler, que veem comunistas até na Lua. A que triste fim estão nos levando. Dá até medo.

Se vier o Arthur Lira na presidência da Câmara, se elegerem esse homem, será o fim da picada. E ainda teimam em dizer que Deus é brasileiro.

AGUENTA, CORAÇÃO – Votamos mal em 2018, agora aguenta, coração. O Executivo quer mandar em tudo, utilizando o rolo compressor da caneta e o suposto apoio das Forças Militares, diante de um Congresso acovardado e de um Supremo dividido.

O país, que se exploda completamente. Quando a coisa aperta, recorrem ao patriotismo. Nada têm de patriotas, não se preocupam com a nação, apenas têm apego a cargos, poder e enriquecimento. Aliás, o patriotismo é o último refúgio do canalha, já dizia o pensador inglês Samuel Johnson, há quase 300 anos. De lá para cá, pouco mudou.

A nação afunda, apodrece, retrocede e não estão bem aí. E mais de 180 mil pessoas já morreram. Nenhuma empatia com isso. O então ministro Luiz Henrique Mandetta estava certo, cantou a pedra e por isso foi demitido.

MAIS DECEPÇÃO – Estou decepcionado com meu país. O PT foi o maior perdedor da eleição municipal. Bolsonaro perdeu também. O presidente não tem um partido para chamar de seu. O governo parece uma âncora atracada no cais, está perdido no tempo e no espaço.

Em 2022 a direita vai se dividir entre vários candidatos. Se a esquerda se unir, como foi feito agora em Belém, terá chance. Caso contrário, vencerá um dos candidatos do centro ou da direita. Bolsonaro vai perdendo pontos e apoiadores envergonhados, a cada dia, mas ainda é um candidato forte, que Deus no proteja.

Na briga eleitoral, Bolsonaro coloca vacinação em risco só para conter atuação de João Dória

Publicado em 13 de dezembro de 2020 por Tribuna da Internet

Charge reproduzida de “The Economist”

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro mandou preparar medida provisória que será publicada na semana que começa amanhã, estabelecendo centralização pelo Ministério da Saúde de todas as vacinas produzidas no país e mesmo as que forem importadas diretamente pelos governos estaduais, no sentido de deixar o comando absoluto do combate a pandemia nas mãos do ministro da Saúde.

Reportagem de Maiá Menezes, Gustavo Maia, Paula Ferreira e Flávio Fernandes, O Globo deste sábado, revela os detalhes do impulso do presidente Bolsonaro, na minha opinião, para evitar que o governador João Dória inicie a vacinação antes do governo federal.

VIDAS HUMANAS – O argumento absurdo é o de que nenhum estado poderá atuar antes da decisão do Palácio do Planalto. O govenador João Dória sustentou que a medida revela um verdadeiro confisco porque o que está em jogo são vidas humanas.

O Ministério da Saúde até hoje não foi capaz de estabelecer um plano para vacinar a população brasileira. Esta dificuldade essencial porque a vacinação em massa exige uma logística que passa, não só pelas vacinas, mas pelas seringas, e locais de vacinação. Portanto o presidente da República, ao assinar a MP estará dificultando a solução e o problema gravíssimo, inclusive a logística inclui os locais da aplicação das vacinas.

ERRO POLÍTICO – Numa entrevista a Andreza Mateus, Felipe Caran e Tânia Monteiro, O Estadão também de sábado, o deputado Rodrigo Maia afirmou que a demora do Governo em liberar a vacinação é o maior erro político de Bolsonaro.

O presidente da Câmara Federal rebateu as declarações do ministro Paulo Guedes, matéria de Daniele Brandt, Folha de São Paulo, que o culpou de obstruir a reforma tributária. Rodrigo Maia acrescentou que na verdade a reforma tributária não sai porque o Ministério da Economia não deseja que seja votado o projeto já elaborado pela Câmara dos Deputados. O ministro Guedes não tem razão em me culpar, ele é que está criando problema, disse Maia.

E matéria de Fabio Pupo, Bernardo Caran e Daniel Carvalho, Folha de São Paulo, revela que Paulo Guedes entrará de férias, uma vez que os projetos de reforma não estarem caminhando no Legislativo. Rodrigo Maia mais uma vez rebate as alegações do ministro da Economia. Com as férias, o próprio governo Bolsonaro vai deixar o debate econômico para 2021.

Afinal, o que é o bom jornalismo?, indaga pesquisa do Reuters Institute e da Universidade de Oxford


Saiba como explorar imagens e charges na prova de redação do vestibular | Guia do Estudante

Charge do Laerte (Arquivo Google)

Madeleine Lacsko
Gazeta do Povo

O Reuters Institute acaba de divulgar o primeiro relatório de um projeto conjunto com a Universidade de Oxford, o “Trust in News Project”, que vai durar 3 anos e analisa Reino Unido, Estados Unidos, Índia e Brasil. Há divergências entre comunicadores, jornalistas e publishers sobre o que é o bom jornalismo. Imagine então entre o público. Aqui não falo de fake news ou de trabalho malfeito, mas da identidade entre os princípios e valores do público com os princípios e valores do veículo e dos comunicadores.

Jornalismo investigativo, por exemplo, não é um tema bem resolvido entre profissionais e o público. Para os jornalistas, geralmente é visto como uma função fundamental, mas é mal recebido pelo público caso coloque em risco sua comunidade.

GOSTOS DISTINTOS – Há pessoas que gostam de diversos pontos de vista entre colunistas de um veículo, outros preferem uma posição bem evidente, sem contraponto. “A confiança é uma relação, é mais do que apenas acreditar no que você está falando, mas que compartilhamos valores”, avalia disse Sally Lehrman do The Trust Project (EUA).

O que, afinal, diferencia um jornalista de alguém com espaço e opinião? Nesse caso, duas discussões são normalmente confundidas, a corporativa e a de reconhecer realidade. Durante muitos anos, sindicatos de jornalistas lutaram para que somente esses profissionais pudessem atuar em veículos de comunicação. Perderam.

Isso é muito diferente de confundir a atuação de um jornalista com a atuação de alguém que não estudou para isso, não tem a prática mas fala bem, tem capacidade analítica e argumentos. É o que diferencia um cirurgião plástico formado do doutor Bumbum do Instagram, mas, nos dois casos, a diferença não é clara fora do meio profissional.

FORMATO NOTICIOSO – Segundo o relatório, o formato noticioso é facilmente confundido com jornalismo, que vai muito além dele, é a metodologia de apuração dos fatos. Muitas pessoas sabem chavões da área, como “sigilo da fonte”, “fontes oficiais”, buscam o link de tal coisa, mas não foram treinadas para o funcionamento conjunto e sistêmico das diversas técnicas de apuração, incluindo o relacionamento com fontes.

É evidente que o produto final do jornalismo profissional e da mimetização do jornalismo terá a diferença de, por exemplo, comprar um bolo de uma confeiteira profissional e mandar seu filho de 5 anos copiar a receita. No entanto, se o público não sabe da existência da diferença, é comum que ele confunda uma coisa com outra.

Os veículos e jornalistas também têm uma grande responsabilidade no fato de o público hoje não compreender a diferença entre uma apuração jornalística e fazer uma live no YouTube.

AS PESSOAS ESTÃO CONFUSAS – As novas tecnologias trouxeram novos formatos que deixam confusas as apresentações de informação e publicidade, de conteúdo editorial e conteúdo factual, de produção jornalística e produção opinativa de outras áreas. QuanTo menos a diferença é salientada, menos o público a percebe e, portanto, natural que se apaixone mais pelo que é mais apaixonante: a defesa de qualquer coisa sem compromisso com os fatos.

No Brasil temos este fenômeno, mas o exemplo do relatório é o da Índia, onde é comum vender espaço de publicações para que políticos publiquem suas opiniões, sem que o público seja informado disso. Há ainda outros obstáculos entre os segmentos da população que conhecem o funcionamento do jornalismo, muitos não entendem o funcionamento das mídias sociais, que hoje são fontes primárias de notícias para a maioria das pessoas. O público lê um jornal, ouve uma rádio ou vê um canal de televisão pelo link das redes sociais.

 NÃO FAZEM DISTINÇÃO – ” Há muitas pessoas que não conseguem distinguir entre um artigo que escrevi e um artigo que compartilhei no Twitter. Embaixadores aposentados, médicos e até cientistas enviam desinformação que é selvagem e maluca. As pessoas que estão tentando lutar contra isso estão tentando salvar o oceano com um dedal”, diz Sadanand Dhume, colunista do Sul da Ásia, Wall Street Journal (EUA / Índia)

Muitos veículos de comunicação sentem-se reféns das plataformas de mídias sociais e não é porque elas dão voz a mais pessoas, é porque pisoteiam todo e qualquer princípio fora do determinado por seus acionistas, que é o lucro. Se, dentro da própria plataforma, um veículo pode ser contra manchetes sensacionalistas ou os chamados “click baits” (manchetes chamativas que não apenas próximas da verdade), ele tem como se sustentar assim na era das redes sociais? Boa parte sucumbiu e isso ainda deixa mais confuso para o público entender qual é a diferença entre este produto e qualquer um gritando no Facebook ou no Whatsapp.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. A autora, Madeleine Lackso, foi Consultora Internacional do Unicef Angola, diretora de comunicação da Change.org e assessora no Supremo Tribunal Federal)

AMANHÃ – Afinal, o público acredita que existe imparcialidade no jornalismo?

Em livro, Barroso diz que ministros cederam à pressão e mudaram voto sobre prisão em segunda instância

 

Placar no STF foi alterado porque Gilmar e Toffoli mudaram o entendimento

Carolina Brígido
O Globo

No livro recém-lançado “Sem data venia: um olhar sobre o Brasil e o mundo”, o ministro Luís Roberto Barroso diz que dois colegas de Supremo Tribunal Federal (STF) que antes haviam votado pela prisão de condenados em segunda instância cederam à pressão “dos que pretendem que tudo permaneça como sempre foi”.

Embora não tenha mencionado os nomes, o placar no STF foi alterado no fim do ano passado, barrando a detenção após sentença de segundo grau, porque Gilmar Mendes e Dias Toffoli mudaram o entendimento que já tinham manifestado em julgamento anterior sobre o assunto.

MUDANÇA DE IDEIA – Se antes tinham votado pelas penas antecipadas, em 2019 mudaram de ideia e votaram pela possibilidade de condenados aguardarem em liberdade até o trânsito em julgado — ou seja, até que o último recurso seja analisado nos tribunais. Em 2016, ambos haviam votado pela prisão depois de condenação por tribunal de segunda instância.

“A mais importante alteração (trazida pelo STF), sem dúvida, foi a possibilidade de execução de decisões penais condenatórias após o julgamento em segundo grau, fechando a porta pela qual processos criminais se eternizavam até a prescrição, dando salvo-conduto aos ladrões de casaca. Essa mudança, todavia, não duraria muito, justamente por haver se revelado extremamente eficaz”, escreveu Barroso.

Segundo o ministro, “a corrupção contra-atacou com todas as suas forças e aliados, até conseguir desfazer a medida. Ressalve-se, com o respeito devido e merecido, o ponto de vista legítimo de quem entende que a Constituição impõe que se aguarde até o último recurso”.

REVANCHE – Ainda no livro, Barroso afirmou que, em seguida, veio “a revanche dos que pretendem que tudo permaneça como sempre foi”. Ele conta que “a articulação para derrubar a possibilidade de execução das condenações criminais após a segunda instância foi o momento mais contundente da reação, logrando obter a mudança de posição de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que, antes, haviam sido enfaticamente favoráveis à medida”.

A obra fala de temas que passaram pelo Supremo, como as decisões recentes no sentido de que o governo federal, os estaduais e as prefeituras têm atribuições no enfrentamento da Covid-19. Segundo o ministro, a pandemia trouxe uma dimensão política que “se manifesta em uma enorme falta de liderança e coordenação no seu enfrentamento no Brasil”.

ESTRATÉGIA – Ele afirma que “União, estados e municípios não foram capazes de construir uma estratégia harmônica, inclusive e sobretudo porque, no plano federal, ignoravam-se as recomendações da ciência e da medicina”. Ainda segundo Barroso, o governo federal é responsável pela crise atual.

“O desacerto político, aliás, trouxe queda vertiginosa do real — moeda que mais se desvalorizou no mundo — num enorme e constrangedor desprestígio internacional. O país teve três ministros da Saúde em curto período e ainda assistiu à queda rumorosa do ministro da Justiça, em meio a outros sobressaltos. Tudo sem mencionar uma furiosa — quando não criminosa — campanha de desinformação por milícias digitais que infestam as redes sociais, produzida por vozes obscurantistas, truculentas e autoritárias”, anotou.

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