domingo, agosto 23, 2020

O QUE CONHECER E ESPERAR DO “PRÉ CANDIDATO” OU DO “POLÍTICO”?



Foto Reprodução do Google

Um conhecedor relações públicas, um cidadão ativo nas causas sociais, conhecedor das necessidades nas diversas comunidades de sua atuação, um cidadão que antes do desejo pessoal enxergue o coletivo e não acredite que o dinheiro pode tudo, pois quem põe preço nos outros, por certo que em algum momento já se colocou à venda!
Apesar de não saber me manter omisso a causa política em meu município, cabe-me a escolha de seguir ou não qualquer das partes, inclusive não seguir nenhuma, mas isto não me afasta da responsabilidade de buscar entender as necessidades do meu município, inclusive diagnosticar omissões e fazer avaliações sobre os mais diversos temas que podem ser abordados, considerando ser este um dos papeis do cidadão em sua coletividade e, quando da emissão de opinião, faze-la com a devida clareza e impessoalidade, para que a sua opinião, embora colocada em primeiro plano, reflita antes de tudo, o interesse e defesa da sua coletividade, deixando a parte, as suas pretensões pessoais.
 É imprescindível lembrar que ninguém muda de forma verdadeira de um momento para outro, fato que se faz presente no comportamento do indivíduo em seu dia a dia, ou seja, se quando os oprimidos clamavam por socorro e você passava ao longe, como mostrar no seu HOJE que amanhã irá proceder de forma diferente, fato é que sua omissão te condena pelas ausências em momentos que muitos pediam ajuda, assim, independente de qual seja a retórica atual para convencer os incautos, o teu passado é o que te julga pelas suas omissões, pois essas se transformaram em seu carrasco, já que cada uma é o reflexo dos próprios atos e ações do seu cotidiano.
Aqui não me refiro a alguém em especial, mas nem por isso a abordagem deixa de ser a CARAPUÇA para muitos.
A evolução do século 21 já não nos permite administrar sem que conheçamos as necessidades levantadas e diagnosticadas, hoje já não podemos agir como agiam os políticos de outrora, onde a prioridade era registrar um feito, mesmo que esse jamais viesse a ser utilizado, assim foram às famosas “casas de farinha” aqui na Bahia, que tão logo fossem concluídas, eram transformadas em elefantes brancos e viravam moradias de morcegos. Fato que demonstra ser prioridade diagnosticar e definir as necessidades de cada comunidade, para, a partir daí, saber estabelecer o que é melhor para local, pois aí estarão inseridas as potencialidades produtivas, cultural e ou ambiental.
É fato que nada nos obriga a prestar ajuda a ninguém, mas não podemos esquecer que a civilidade e o exercício da cidadania nos conduzem a termos um olhar voltado a coletividade, lembrando que se os nossos vizinhos estão bem, melhor estaremos nós pela certeza de não seremos incomodados, mas se preferirmos levantar o nosso muro para nos protegermos desses mesmos vizinhos, mais curiosidade nós estaremos despertando para que eles tentem descobrir o que há do outro lado e que nós tentamos tento esconder, fato que nos mostra que deixamos ter colaboradores para termos alguns possíveis usurpadores dos nossos direitos privados.
Na visão de muitos dentro da coletividade, encontraremos diversos desvios de caráter e manutenção de princípios não republicanos, sejam em razão da sua ignorância nata, seja ainda em razão do próprio procedimento pessoal, quando fundamentado no próprio passado, passou a acreditar que o dinheiro é capaz de tudo comprar, inclusive a dignidade alheia; partindo do princípio muito em voga pelos puxa sacos, alienados e aculturados a este entendimento, ratificam que todo homem tem o seu preço, fato afirmativo para quem tem desvio de caráter, já que apenas demonstra que quem assim pensa, em algum momento já se colocou a venda, assim se mantendo e passando a avaliar a todos por si mesmo, sendo esse procedimento uma das estratégias de Lênin: “Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”.
Num olhar mais abrangente também devemos enxergar outros fatores que devem ser corrigidos, já que não se pode desvincular o político do eleitor, aí perguntamos: por que em uma denúncia de compra de votos, a justiça apenas condena o político? Por que a justiça é paternalista com o corruptor? Por que não se apura a origem da corrupção?
Na busca por respostas a estas perguntas, certamente nos depararíamos com diversas doutrinas justificadoras, mas não esclarecedoras da verdade, até por que, o cidadão consciente que elege aqueles que desfizeram o próprio patrimônio para se eleger, DEIXA exposto e declarado de que chegando ao poder, vai se utilizar e usar do princípio que diz: “CORREIA SE TIRA DO MESMO COURO”, logo, aquele voto vendido por 50 ou 100 reais, ou ainda, trocado por alguns sacos de cimento, uma cesta básica, alguns metros de caibro, ripas, linhas ou algumas centenas de telhas, custarão o seu sacrifício por quatro longos anos de convivência com desmandos administrativos, originando carências diversas, já que o outrora benfeitor é agora, o seu algoz, por VOCÊ ter se vendido por uma esmola que poderia ter recebido por direito, acaso a coisa pública estivesse sendo usada para o bem coletivo.
Cada um em sua individualidade é responsável pelo amanhã coletivo, mas não espere que o outro faça por você, pois enquanto muitos pensam assim, estrutura-se o caminho para que prospere o pior.
O dia 15 de novembro próximo te chama à responsabilidade e você é livre para escolher!
J. M. Varjão
Em 23/08/2020


Nota da redação deste BlogToda regra tem sua exceção! Existem vereadores que correspoderam ao voto recebido, fiscalizando e denunciando as trambicagens de gestores improbos.



Jeremoabo: enquanto prefeitura gasta milhões com cooperativa, milhares com medicamentos na farmácia de seu pre vice prefeito, outros milhares de aluguel de uma caminhonete FIAT/TORO, poços artesianos públicos permanecem em total condições de abandono



Desde o início da gestão atual em Jeremoabo, o município tem gastado valores absurdos com a locação de veículos, empresa de lixo, superfaturamento de mesas, combustível de veículos que não andam, funcionários fantasmas, nepotismo, medicamentos na farmácia do seu pre candidato a vice prefeito et caterva
No entanto, basta dar uma volta rápida pelos bairros da cidade ou pela zona rural  para perceber  verdadeira situação de abandono.
Um exemplo claro desse abandono são  as crateras do bairro romão ou na própria cidade.
 Situação pior é do Posto de Saúde do Povoado Romão bem como a denúncia acima, onde há quase um ano um poço artesiano quebrado sem funcionar.
Em um vídeo gravado por um cidadão da localidade Adriana, o morador relata o retrato do descaso com o patrimônio público que deixa todos sem o líquido precioso, água. 
É por esse e outros motivos que os jeremoabenses se mostram desacreditados na capacidade administrativa dessa atual gestão. E, esse descrédito é publicitado diariamente, através de críticas constantes expressadas pela população através das redes sociais, sites, rádios e Blogs.

Lista de políticos inelegíveis do TCE Bahia para as eleições de 2020

Conheça protocolo de flexibilização para clínicas odontológicas e de estética

Conheça protocolo de flexibilização para clínicas odontológicas e de estética
Foto: Divulgação / Bruno Concha / PMS
As clínicas odontológicas e de estética em Salvador poderão funcionar em horário ampliado a partir desta segunda-feira (24). A Prefeitura publicou, em edição extraordinária do Diário Oficial, o decreto de número 32.734, que altera o protocolo setorial para as duas atividades (saiba mais aqui). 

Em comunicado oficial à imprensa, a prefeitura da capital detalhou as regras para a flexibilização dos espaços.

PROTOCOLO DE FLEXIBILIZAÇÃO
Pacientes que fizerem parte dos grupos de risco devem ser atendidos somente para procedimentos emergenciais e agendados para os primeiros horários;

Acompanhantes somente serão permitidos para crianças, idosos, pacientes especiais e/ou com mobilidade reduzida, sempre utilizando máscaras faciais; 

Deve ser utilizado isolamento com diques de borracha nos procedimentos sempre que possível. Quando o isolamento não for possível, dar preferência a instrumentais manuais para remoção de cáries e uso de extratores de cálculo, ao invés de aparelhos ultrassônicos, para que se minimize a geração de aerossóis e, preferencialmente, não utilizar seringa tríplice;

Deve ser evitado ao máximo o uso da cuspideira, utilizando sistema de aspiração para todos os procedimentos;

Não devem ser utilizadas peças de mão sem sistema antirrefluxo, realizando a descontaminação do sistema de água com hipoclorito de sódio a 1% e drenagem do reservatório, secando-o no final do procedimento;

As peças de mão e os instrumentais odontológicos devem seguir os padrões de esterilização normatizados pelos órgãos sanitários;

Devem ser evitadas radiografias intraorais que estimulam salivação e tosse e adotar preferencialmente as radiografias panorâmicas ou tomografias, utilizando o fluxo digital recomendado pelo CRO-BA por meio da Resolução n° 01/2020;

Os profissionais devem utilizar todos os EPIs, gorro, máscara, óculos ou protetor facial (face shield), avental impermeável e propé durante o atendimento. O paciente deve fazer uso de máscara, assim como seu acompanhante, quando for necessária a presença deste.

Já as clínicas de estética devem seguir o seguinte protocolo setorial:  

Deve ser realizada a higienização com retirada das sujidades e desinfecção do piso, bancadas, cadeiras, macas de atendimento e qualquer outra superfície no posto de trabalho após cada atendimento, com produtos regularizados junto à Anvisa;  

Todos os utensílios não críticos (que entram em contato apenas com pele íntegra) devem seguir os procedimentos de limpeza - remoção das sujidades com água e sabão e escovação do material - e desinfecção com álcool a 70%; 

Todos os utensílios perfurocortantes (alicates de unha, espátula de metal, navalhas, curetas para podologia, etc.) devem ser descartáveis ou de uso pessoal de cada cliente e, em caso de uso de utensílios perfurocortantes reutilizáveis, estes devem ser, obrigatoriamente, lavados com água e sabão e, posteriormente, esterilizados em autoclaves; 

No caso de uso de farda, esta deve ser lavada e desinfetada diariamente. No caso de uso de jaleco de TNT descartável, deve ser trocado a cada cliente, quando o serviço realizado necessite contato físico, a exemplo de massagem;

Os profissionais e auxiliares devem evitar que a roupa e o calçado usados no caminho casa-trabalho-casa sejam os mesmos usados durante o atendimento;

A equipe deve usar, preferencialmente, calçados que possam ser lavados frequentemente com água e sabão.

Bahia Notícias

Mais algumas reflexões sobre Freud, a importância do desejo e as críticas de Popper


TRIBUNA DA INTERNET | Os paradoxos da democracia e da soberania ...Luís Barreiros
Escrevo aqui de Lisboa, onde mais vale tarde que nunca, como dizia o outro. Aproveito também para cumprimentar todos os intervenientes da Tribuna e acrescento algumas observações à excelente discussão até agora entretida após as observações do meu querido amigo prof. Ednei Dutra de Freitas sobre psicanálise.
A resposta do prof. Dutra de Freitas ao artigo do Dr. Christian Cardoso tem o mérito, entre outros, de esclarecer postulados básicos nos quais assenta a psicanálise, pelo menos a ortodoxa freudiana (porque depois de Freud a epistemologia psicanalítica sofreu outras direções e reformulações).
O SER E O ACONTECER – Estes postulados são autênticas categorias ônticas (relativas ao estudo do ser) que ligam o ser ao acontecer psicanalítico, desde o setting psicanalítico até às observações críticas sobre epistemologia da psicanálise.
Sobre o filósofo austro-britânico Karl Popper, gostava de relembrar que a epistemologia popperiana teve essencialmente, pelo menos, segundo alguns autores, três fases distintas: primeiro uma fase caracterizada por uma racionalidade científica onde se tenta demarcar aquilo que pertence à ciência e aquilo que não lhe pertence, depois uma fase de um racionalismo apelidado de “crítico” onde aparece o famoso conceito de “lógica situacional” e, finalmente, uma fase caracterizada por uma epistemologia dita evolucionária onde podemos notar o aparecimento da teoria dos três mundos (de que o Prof. Dutra de Freitas falou e que é aplicada e discutida num dos seus artigos), assim como a ideia dos famosos “programas de pesquisa metafísica” onde seria, segundo Popper, colocada a psicanálise e eventualmente a teoria da seleção natural, de Darwin, numa espécie de cozedura pré-científica.
MELHOR MANEIRA – Deixo aqui uma nota de chamada de atenção para aquilo que, pessoalmente, acho ser a melhor maneira de entendermos as críticas de Popper ao estatuto pretensamente científico (mas na verdade pseudo-científico) da psicanálise e que pode ser encontrado na sua crítica à interpretação dos sonhos, de Freud e, particularmente, na crítica feita à tese freudiana segundo a qual todo o sonho é uma realização de um ou mais desejos.
Popper, K. (1956/1997). O Realismo e o Objectivo da Ciência – Pós-escrito à lógica da descoberta científica (3 ed. Vol. I). Lisboa: Dom Quixote, pp. 182 e ss.

O que comemorar ? Com 113 mil mortes, Bolsonaro participará de “Encontro Brasil vencendo a Covid-19”

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Bolsonaro vai na contramão de medidas apontadas como eficazes
Felipe Amorim
Folha
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participa na segunda-feira, dia 24, do evento “Encontro Brasil vencendo a Covid-19”, que será realizado no Palácio do Planalto. A cerimônia está prevista para ocorrer às 11h, será aberta à imprensa e terá transmissão ao vivo pela TV Brasil, emissora do governo. O Planalto não forneceu mais detalhes sobre o evento.
Na sexta-feira, da 21 , o Brasil alcançou a marca de 113.454 mortes provocadas pelo novo coronavírus. O número de pessoas que já foram infectadas no país é de 3.536.488. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que 2.670.755 pacientes conseguiram se recuperar da doença. Outros 748.217 seguem em acompanhamento.
NÚMEROS – No mundo, apenas os Estados Unidos têm números piores, com quase 175 mil mortos e mais de 5,6 milhões de casos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Logo atrás do Brasil vêm o México, em número de óbitos (59.106); e a Índia, em número de infectados (2,9 milhões).
Bolsonaro e ao menos oito ministros de seu governo foram infectados pelo coronavírus. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também contraiu o vírus. Tanto o presidente quanto a primeira-dama e os ministros não tiveram quadros graves da doença e já se recuperaram. O presidente tem desincentivado medidas apontadas por médicos e cientistas como eficazes para desacelerar a transmissão do vírus. Bolsonaro é um crítico das medidas de isolamento social e, na quarta-feira (19), contestou a eficácia do uso de máscaras de proteção facial.
A afirmação vai na contramão do que dizem autoridades sanitárias de diversos países e das recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde), cujo trabalho se baseia em evidências científicas. O presidente chegou a vetar trecho de uma lei que tornava obrigatório o uso de máscaras em escolas, comércios, indústria e igrejas. O veto foi derrubado pelo Congresso Nacional e o uso da máscara voltou a ser obrigatório nesses estabelecimentos.

Clã Bolsonaro tenta interferir na escolha do novo chefe do MP-RJ que comandará investigações contra Flávio e Carluxo

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Apoiadores sabem ser difícil que escolhido da família seja o mais votado
Catia Seabra e Italo Nogueira
Folha
A família do presidente Jair Bolsonaro decidiu tentar influenciar a escolha do novo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro. O nome a ser escolhido em dezembro comandará o órgão responsável pelas investigações contra o senador Flávio e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).
Flávio aposta que a escolha do novo chefe do Ministério Público estadual será feita pelo atual vice-governador Cláudio Castro (PSC), de quem tem se aproximado. O senador avalia que o afastamento de Wilson Witzel (PSC), ex-aliado e atual adversário, é iminente.
ACENO – Alvo de processo de impeachment, o atual governador já foi aconselhado a sinalizar ao senador que aceita indicar um nome com seu aval a fim de tentar reconstruir pontes com a família presidencial. A negociação também serviria para tentar agradar deputados estaduais, que temem as investigações do órgão.
O último mandato do procurador-geral Eduardo Gussem foi marcado pelas críticas públicas feitas pelo senador à investigação sobre seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa. O filho do presidente é suspeito de recolher parte dos salários de seus funcionários para pagar despesas pessoais, além de criar um esquema de lavagem de dinheiro com imóveis e com uma loja de chocolates.
RACHADINHA – Carlos, por sua vez, é suspeito de empregar funcionários fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal. Investigadores avaliam que a “rachadinha” atribuída a Flávio também pode se estender aos assessores do irmão.O mandato de Gussem termina em dezembro. A campanha para a eleição interna se inicia em setembro.
A Constituição fluminense impede a repetição da estratégia adotada pelo presidente, que ignorou os três nomes mais votados pela categoria ao escolher Augusto Aras para chefiar a Procuradoria-Geral da República. O governador fluminense é obrigado a optar por um nome da lista tríplice eleita internamente.
A interlocutores o senador tem dito não ser necessário interferir na eleição interna, mas considera natural ser consultado pelo governador como num gesto de aproximação com o Palácio do Planalto. Flávio expôs a aliados que o perfil ideal seria um nome que distencione o que considera um clima político no órgão. Aliados dos Bolsonaro, contudo, buscam uma opção própria que consiga votos para entrar na lista.
QUEBRA DE TRADIÇÃO – Ainda assim, atender aos desejos da família presidencial poderá levar à quebra de uma tradição. Há 15 anos o escolhido é o mais votado da lista. Os candidatos também costumam se comprometer, por escrito, a recusar a indicação caso não lidere o pleito entre seus pares.
As pessoas ligadas aos Bolsonaros sabem ser difícil que seu escolhido seja o mais votado, por resistência dentro da categoria.O preferido do grupo do senador é o procurador Marcelo Rocha Monteiro, que em suas redes sociais publica textos alinhados com as bandeiras do presidente. Entre os textos, há críticas abertas aos membros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Monteiro disse à Folha que ainda não se decidiu sobre a candidatura. Afirmou que tem sido estimulado por colegas do próprio MP-RJ, mas negou qualquer contato com a família Bolsonaro. “Não conheço ninguém da família Bolsonaro. Minha dúvida se deve a questões familiares e uma avaliação pessoal”, disse ele.
COMPROMETIMENTO – Questionado se, caso tente o cargo, se comprometeria a apoiar a escolha do mais votado pelo governador, ele respondeu: “Ainda nem decidi sobre a candidatura. Muito menos isso.” Monteiro é também vice-presidente do Conselho de Segurança Pública criado por Witzel, a quem conhece desde os tempos de magistratura.
O governador já recebeu sinalizações de que o procurador é, atualmente, o preferido da família presidencial. Mas prevê dificuldades para o amigo na eleição interna, em razão de seu estilo visto como mais radical. Dentro do MP-RJ são consideradas como postas três pré-candidaturas: a procuradora Leila Costa, e os promotores Virgílio Stavridis e Luciano Mattos. Os dois últimos são apontados como favoritos.
Stavridis é chefe de gabinete de Gussem, de quem tem a simpatia. É visto como um nome mais voltado para a gestão interna do órgão. Mattos, presidente da associação da categoria por seis anos (2013-2018), é considerado um pré-candidato com um perfil mais político, próximo do ex-procurador-geral Marfan Martins Vieira.
PONTE – Pessoas ligadas a Mattos têm tentado estabelecer, por iniciativa própria, uma ponte entre o promotor e Flávio Bolsonaro a fim de que seu nome não enfrente resistência e possa ser uma alternativa sem traumas. Um encontro entre os dois ainda não ocorreu. Mattos negou incentivar qualquer articulação política por sua pré-candidatura e afirmou que defenderá a escolha do mais votado na lista tríplice. Stavridis disse que não poderia comentar em razão do cargo que atualmente ocupa na gestão. Costa não retornou aos contatos da Folha.
O cargo de procurador-geral ganhou mais importância para as investigações sobre Flávio após o Tribunal de Justiça definir que o senador tem direito ao foro especial. Neste caso, é o próprio chefe do MP-RJ quem tem atribuição para conduzir as apurações e oferecer eventual denúncia contra o senador. O MP-RJ também defende junto ao STF a revogação da decisão do tribunal, tese que poderá ser reavaliada pelo novo PGJ.
Carlos, por sua vez, perdeu foro especial após o Supremo considerar suspenso o dispositivo que previa este benefício a vereadores do Rio de Janeiro. O chefe do MP-RJ não tem poder para interferir nas investigações de promotores que atuam na primeira instância. Mas pode desfazer estruturas especializadas criada na atual gestão.
MILÍCIAS – O Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) é o responsável por prestar auxílio aos promotores em investigações consideradas complexas. Ele conta com equipe própria para a realização de diligências. É este o grupo responsável pelas investigações de Flávio e Carlos.Outra estrutura que tem tido destaque nacional é o Gaeco (Grupo de Atuação Especializada contra o Crime Organizado), responsável pela investigação de milícias e do homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL).
A ala do MP-RJ que resiste à interferência externa avalia que um nome com vínculos políticos claros dificilmente teria apoio da categoria. A ausência da assinatura de compromisso de apoio ao mais votado significaria, por esta avaliação, inviabilizar a candidatura.
Esse grupo crê que, caso haja risco de um nome ser escolhido à revelia da corporação, é possível articular outras três candidaturas a fim de excluir um nome da lista a ser submetida ao governador. Na eleição, cada membro pode votar em três nomes, permitindo a estratégia da exclusão.
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ENTENDA AS SUSPEITAS SOBRE FLÁVIO
Como começou a investigação?
A origem foi a Operação Furna da Onça, da Lava Jato do Rio, que apurava o pagamento de propina pelo ex-governador Sérgio Cabral a deputados estaduais. Em meio a essa investigação, o Coaf, órgão de inteligência financeira, encontrou movimentações financeiras atípicas feitas por assessores de deputados. Entre eles estava Fabrício Queiroz, que até 2018 foi funcionário comissionado do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Em janeiro de 2018, o MP-RJ recebeu dados dessa operação e abriu investigações.
O que o Ministério Público concluiu?
Após uma operação feita em dezembro de 2019 que cumpriu mandados de busca e apreensão contra Flávio, Queiroz e outros ex-assessores do gabinete, o Ministério Público disse haver indícios de que Flávio lavou até R$ 2,3 milhões com transações imobiliárias e sua loja de chocolates, mantida em um shopping no Rio. Para os promotores, a origem desses recursos é o esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio, operado por Queiroz.
O que é “rachadinha”?
Nesse tipo de esquema, servidores públicos ou prestadores de serviços da administração são coagidos a repassar parte de seus salários a políticos ou assessores dos gabinetes.
A PF também investigou Flávio? O que concluiu?
Sim. A apuração teve origem em uma queixa-crime baseada na evolução patrimonial de Flávio e mirou negociações de imóveis feitas por ele, para verificar suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. A PF concluiu que não houve irregularidades, diferentemente do MP-RJ.
Quais são as suspeitas sobre Queiroz?
Segundo o MP-RJ, 11 assessores vinculados ao então deputado Flávio repassaram ao menos R$ 2 milhões a Queiroz, de 2007 a 2018, sendo a maior parte por meio de depósitos em espécie. A Promotoria aponta o ex-assessor como o operador do esquema da “rachadinha”.

Bolsonaro é levado a ignorar o iceberg fiscal e seguir no rumo da gastança

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William WaackEstadão
Os brilhantes almirantes junto a Jair Bolsonaro podiam explicar ao capitão do Exército que um azimute constante em relação a um obstáculo (outro navio, por exemplo, que também está se movendo) vai dar em colisão. O presidente quer gastar para manter a popularidade, e está encantado com as vozes (do ministro do Desenvolvimento Regional, mas não só) que lhe dizem que estaria unindo o útil (reeleger-se) ao agradável (fazer o bem para pessoas ainda mais necessitadas).
O obstáculo é o formidável rochedo fiscal, que está aumentando de tamanho. À medida que 2021 se aproxima, fica próximo do irresistível esse canto da sereia de que a excepcionalidade atual imposta pela calamidade pública podia ser esticada um pouquinho mais, só um pouquinho mais, só para algumas obras já orçadas, já iniciadas, necessárias até por razões humanitárias (como levar água para o Nordeste, por exemplo).
NUM PAÍS MISERÁVEL – Sim, esse argumento procede, tem sólidos fundamentos num país miserável no qual metade da população nem esgoto tem. Sim, as circunstâncias da dupla crise de saúde e economia obrigam a mudar os cálculos (políticos, sobretudo), alteram prioridades (como reforma do Estado ou privatizações) e impõem gastar sem olhar para o fundo do cofre.
Afinal, não é o que uma Angela Merkel está fazendo? Deixem os economistas debatendo entre si se esse “novo normal” jogou por terra tudo o que aprenderam na vida acadêmica, pautada ou não pela ortodoxia.
O problema no caso brasileiro, no qual Bolsonaro é uma expressão perfeita de mentalidades e atitudes generalizadas, é o conceito de excepcionalidade.
GASTANDO DEMAIS – Não há nada de novo no fato de a sociedade brasileira conviver com gastos públicos muito acima da capacidade do nosso espaço econômico de financiá-los. Ao contrário, é o que estamos fazendo há décadas. Também não é novidade alguma o fato de que nos acostumamos a acomodar interesses setoriais e regionais espalhando pela nação inteira os custos dessas acomodações – traduzindo: benefícios, renúncias, incentivos, proteções, privilégios, regimes especiais, a gritante diferença entre o emprego público e o privado.
Circulam no Congresso, e no Planalto, números dando conta de que mais da metade dos 60 milhões de brasileiros que recebem ajuda emergencial acredita que ela será permanente e que a quase totalidade dessas pessoas não está preparada para o momento em que essa ajuda cessar.
ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS – Para montar já para o ano que vem um grande programa social para Bolsonaro chamar de seu o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa sentar com o Congresso e decidir no que mexer nos R$ 350 bilhões de isenções tributárias – ou seja, onde cortar nas “acomodações” tão ao gosto de nossa sociedade.
Com TCU, STF e o presidente da Câmara dos Deputados avisando que puxadinho no teto de gastos não passa, e que a abertura de créditos extraordinários via MP também não, é com o Centrão que Bolsonaro terá de se entender.
O começo dessa relação parece auspicioso: as “novas” lideranças políticas abraçadas pelo presidente garantem a ele governabilidade e a agradável sensação de que o pior da crise ficou para trás, agora que vamos gastar. Convenientemente, ignora-se o fato de que o fisiologismo, que azeita o que for necessário em Brasília, é dono de insaciável apetite (o que isso tem de excepcional?).
NÚMERO DE MORTOS – Some-se a isto um fator subjetivo muito elucidativo quando se considera a rapidez com que nos acostumamos ao número de mortos na pandemia (um horror em escala mundial): é a de que estamos aparentemente confortáveis dentro da excepcionalidade. Esses tempos “excepcionais” se parecem tanto à normalidade, deixando de lado a chateação das máscaras e as escolas fechadas, com as crianças azucrinando em casa.
Na ponte de comando em Brasília, muitas vezes paralisada por tantas mãos do Executivo, Legislativo e Judiciário mexendo no leme, traçar um rumo é notoriamente uma questão de alta complexidade e mantê-lo também, ainda mais com um “skipper” errático. Que está correndo o risco de confundir rumo com deriva.

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Por José Montalvão Existe um provérbio clássico, vindo do latim ne sutor ultra crepidam , que diz: "Sapateiro, não vá além da sandália...

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