terça-feira, agosto 20, 2019

BNDES divulga lista completa dos donos de jatinhos subsidiados


Nicola Pamplona
Folha
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou na noite desta segunda-feira, dia 19,  lista com 134 contratos de financiamentos de jatos executivos a juros subsidiados, no valor total de R$ 1,921 bilhão. Segundo o banco, o custo com o subsídio às aeronaves chega a R$ 693 milhões, em valores corrigidos.
A possibilidade de divulgação da lista foi anunciada na quinta-feira, dia 15, pelo presidente Jair Bolsonaro, como uma das medidas para “abrir a caixa preta” do banco estatal, uma de suas promessas de campanha. Os contratos foram assinados entre 2009 e 2014. Entre os beneficiados pelos financiamentos, estão o apresentador Luciano Huck, que fez críticas ao governo na última semana, e o governador de São Paulo, João Doria, apontado como candidato à presidência nas próximas eleições.
FINANCIAMENTO – Por meio da empresa Brisair, empresa da qual é sócio junto com Angélica Huck, o apresentador pegou R$ 17,7 milhões com o BNDES em 2013 por meio do  Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame). “Se ele comprou jatinho, ele faz parte do caos”, disse Bolsonaro na sexta-feira, dia 16, em resposta a críticas do apresentador, para quem o governo Bolsonaro “é o último capítulo do caos”.
A assessoria de Luciano Huck diz que “o Finame é um programa do BNDES de incentivo à indústria nacional, por isso financia os aviões da Embraer”. Afirma, também, que Huck usa o avião duas vezes por semana para gravar seu programa para a TV Globo. A matrícula do avião é PP-HUC. Segundo o registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave comporta oito passageiros e pertence atualmente ao Itaú, sendo a Brisair sua operadora.
OUTROS NOMES – Já o governador Doria assinou contrato de empréstimo de R$ 44 milhões por meio da Doria Administração de Bens. A lista mostra também empréstimos à JBS (R$ 39,7 milhões), à família Moreira Salles (R$ 75,5 milhões) e às Lojas Riachuelo, do empresário Flávio Rocha (R$ 55,5 milhões). Os empréstimos foram concedidos pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado pelo governo Lula para retardar os efeitos da crise financeira global, garantindo juros subsidiados na compra de máquinas e equipamentos brasileiros.
O programa oferecia juros subsidiados —ou seja, parte do empréstimo era coberta pelo Tesouro, já que a correção era inferior aos 6,75% da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada até o ano passado nos empréstimos do BNDES. No caso dos jatos executivos, os juros ficaram entre 2,5% a 8,7% ao ano.
“Considerando que o PSI oferecia juros abaixo da taxa básica da economia (Selic) para compra de aeronaves, o custo estimado para o Tesouro Nacional com o subsídio às operações foi de R$ 693 milhões em valores corrigidos”, diz o banco. O Tesouro também bancava a diferença entre a Selic e a TJLP nos empréstimos via PSI. Desde o início do empréstimo para a compra do avião, a Selic foi de 10,8% ao ano em média.
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Veja a lista dos beneficiários e o valor dos empréstimos

Ano aprovaçãoComprador Valor financiado, em milhões de R$ 
2009INOVA INVESTIMENTOS LTDA        6,495
2009U & M MINERACAO E CONSTRUCAO SA        5,955
2009SAVE COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA        4,000
2009BAHIA GOLF AGENCIA DE VIAGEM LTDA        6,114
2009DIMENSAO ENGENHARIA E CONSTRUCAO LTDA        5,843
2009JBS S/A     39,788
2009VIDA BOA SHOWS E EVENTOS LTDA        6,473
2009PAREX SERVICE LTDA        6,564
2009PCM100 PARTICIPACOES LTDA        7,109
2009NORFIL S/A INDUSTRIA TEXTIL        6,300
2009BANANA AIR TAXI AEREO LTDA.        5,660
2009PRIMO TEDESCO S A        6,053
2009CONTROL CONSTRUCOES LTDA        5,931
2009MILANO EMPREENDIMENTOSD E PARTICIPACOES LTDA        5,334
2009AJ MALLS SHOPPINGS E MERCHANDISING LTDA        5,521
2009N P P AGROPECUARIA LTDA        6,504
2009TRACBEL SA        5,280
2009INDUSTRIA SANTA CLARA S A        6,079
2009VIX LOGISTICA S/A        5,347
2009KB PARTICIPACOES LTDA        7,866
2009JFG CONSTRUCOES E PARTICIPACOES LTDA        5,958
2009DAN HERBERT ENGENHARIA S/A        6,191
2009CONSTREMAC CONSTRUCOES LTDA     11,900
2009CONTIL CONSTRUCAO E INCORPORACAO DE IMOVEIS LTDA        7,124
2009LYNX TAXI AEREO LTDA.        6,297
2009NEWLAND VEICULOS LTDA        5,369
2009OURO FINO QUIMICA LTDA.        5,473
2009CONSTRUTORA JUREMA LTDA        6,100
2009PNM ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.        5,677
2009FERREIRA COSTA & CIA LTDA        5,213
2010CONSTRUTORA DADO LTDA        5,717
2010ELETROCAL INDUSTRIA COMERCIO MATERIAIS ELETRICOS LTDA        5,608
2010NOTARO ALIMENTOS LTDA        5,217
2010MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA        5,665
2010SGF PARTICIPACOES LTDA        5,171
2010COPLASA ACUCAR E ALCOOL LTDA.        6,855
2010CURTUME VIPOSA SA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA        4,914
2010USIBRAS USINA BRASILEIRA DE OLEOS E CASTANHA LTDA        6,446
2010CHENDEL PARTICIPACOES S/A        6,103
2010ENSINO SUPERIOR BUREAU JURIDICO S/A        7,045
2010PIRAN PARTICIPACOES E INVESTIMENTOS LTDA        6,455
2010FIAT AUTOMOVEIS SA     14,556
2010DORIA ADMINISTRACAO DE BENS LTDA.     44,039
2010VANTAGE PARTICIPACOES LTDA        5,904
2010MCL EMPREENDIMENTOS E NEGOCIOS LTDA     15,815
2010ERG PROJETOS E CONSTRUCOES LTDA     15,068
2010LAVOURA E PECUARIA IGARASHI LTDA        6,398
2010BRAZIL TRADING LTDA     15,799
2010JOTA ELE CONSTRUCOES CIVIS LTDA        6,490
2010LEASING RENT A CAR LTDA        6,696
2010CIA LATINO AMERICANA DE MEDICAMENTOS        6,833
2010MAHIL AGROP. – COM. IMP. E EMPREEND LTDA     15,033
2010O.V.D. IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA LTDA     15,514
2010AEROMIL TAXI AEREO LTDA     15,865
2010COCAL COM. IND. CANAA AC. E ALCOOL LTDA        6,797
2011ARTHUR LUNDGREN TECIDOS S A CASAS PERNAMBUCANAS        7,738
2011NEO TAXI AEREO LTDA     44,979
2011ESTRE AMBIENTAL S/A     14,266
2011DAN-HEBERT S/A CONST. E INCORPORADORA     12,774
2011PP-LGD ADMINISTRAÇÃO DE BEM PRÓPRIO S.A.     14,067
2011PP-BIO ADMINISTRAÇÃO DE BEM PRÓPRIO S.A.        6,380
2011ANACA ANALISES DE CADASTROS LTDA     16,719
2011SABEMI PARTICIPACOES S/A        5,358
2011TRANSPORTES DELLA VOLPE S A COMERCIO E INDUSTRIA        6,247
2011PATRUS TRANSPORTES URGENTES LTDA        8,181
2011SANEFER CONSTRUCOES E EMPREENDIMENTOS LTDA        4,928
2011R MOTOS LIMITADA        7,908
2011MIL TEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA        6,470
2011TOCANTINS PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS LTDA        5,621
2011LEVANTER NEGOCIOS CORP E ADM DE PARTICIPACOES S/A        5,740
2012ITATIAIA MOVEIS SA        6,273
2012CASA PIO CALCADOS LTDA     13,262
2012AGROPECUARIA UMUARAMA LTDA     18,205
2012ERE ADMINISTRAÇÕES LTDA     15,600
2012WJC EMPREENDIMENTOS AGROPECUARIOS LTDA        8,047
2012HALLEY TRANSPORTES PROPAGANDA E MARKETING     18,199
2012BVAC COMERCIO DE VEÍCULOS LTDA        7,920
2012MCL EMPREENDIMENTOS E NEGOCIOS LTDA        9,411
2012EMBRAED EMP. BRAS DE EDIFICACOES LTDA        7,609
2012PIONEIRA COMERCIO E REP DE PROD AGROPECUARIOS LTDA – ME        9,781
2012TOCANTINS PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS LTDA     17,976
2012DISVECO LTDA        9,087
2012AMERICANPET I. C. I. E. EMB P. LTDA EPP        8,200
2012TELLERINA COMERCIO DE PRESENTES E ARTIGOS PARA DECORAÇÃO     18,082
2012BRASIL JATO TAXI AEREO S/A     18,900
2012CONSTRUTORA ESTRUTURAL LTDA     64,019
2012COLOR VISAO DO BRASIL INDUSTRIA ACRÍLICA LIMITADA        9,411
2012SARUP HE PARTICIPACOES LTDA     17,131
2013BRASIL WARRANT ADM DE BENS E EMPRESAS S/A     75,468
2013LOJAS RIACHUELO SA     55,528
2013HORII COMERCIO E EMPREENDIMENTOS LTDA        8,241
2013MPE S/A PARTICIPACOES E ADMINISTRACAO     18,256
2013AGROPASTORIL FAZENDA CARAMURU LTDA     17,622
2013RIMA INDUSTRIAL S/A        8,525
2013BRISAIR SERVICOS TECNICOS AERONAUTICOS LTDA – EPP     17,712
2013CM HOSPITALAR LTDA     17,680
2013VIA RIO LOGISTICA LTDA     10,418
2013JUIZ DE FORA EMPRESA DE VIGILANCIA LTDA     20,590
2013SPE – HNZ ADMINISTRACAO LTDA        8,419
2013ARCOM S.A.     18,096
2013MARTINS RIBEIRO PARTICIPACOES LTDA     18,099
2013FATO GESTORA DE NEGOCIOS LTDA.        9,278
2013ICON TAXI AEREO LTDA     17,852
2013TAURUS DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA        4,000
2013AJ MALLS SHOPPINGS E MERCHANDISING LTDA     19,488
2013RIO GRANDE COMARCIO DE CARNES LTDA     16,500
2013CONFEDERAL VIGILANCIA E TRANPORTE DE VALORES LTDA     19,453
2013SUMATERA PARTICIPACOES LTDA     65,965
2013PRATI, DONADUZZI & CIA LTDA.        8,477
2013LATICINIOS BELA VISTA LTDA        8,756
2013INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA     59,113
2013TERRA-AZUL ORGANIZACAO ADMINISTRATIVA LTDA     20,995
2013CENTRO SANEAMENTO E SERVICOS AVANCADOS LTDA     21,751
2013CB AIR TAXI AEREO LTDA.     77,786
2013BBMG PARTICIPACOES LTDA     19,000
2013LOJAS AMERICANAS S/A     24,714
2013PEDRO H. XAVIER & ADV. ASSOCIADOS EPP     10,053
2013COMPANHIA BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERACAO     23,686
2013DILENE EMPREENDIMENTOS LTDA     19,785
2013PRIME AVIATION 3 PARTICIPACOES S.A     22,911
2013KARINA INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS LTDA     21,992
2013CONFEDERACAO NACIONAL DO TRANSPORTE     19,990
2013LAVOURA E PECUARIA IGARASHI LTDA     19,832
2013RODOBAN EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA        9,859
2014VALLE SUL INVESTIMENTOS E URBANIZACAO LT        7,181
2014CHIBATAO NAVEGACAO E COMERCIO LTDA     20,000
2014JOHN DEERE BRASIL LTDA     19,007
2014PILLAR EMPREENDIMENTOS LTDA        9,476
2014VERTICE NEGOCIOS E EMPREENDIMENTOS EMPRESARIAIS EIRELI     19,948
2014EUROFARMA LABORATORIOS LTDA.     43,995
2014COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA        9,901
2014NAVERIO NAVEGACAO DO RIO AMAZONAS LTDA        8,285
2014CONSIGNUM-PROGRAMA DE CONTROLE E GEREN DE MARGEM LTDA        9,074
2014SER EDUCACIONAL SA     18,548

Caciques do PSDB pedem impugnação da filiação de Alexandre Frota


Antigas declarações de Frota irritaram ala tradicional 
Igor Gielow
Folha
A filiação do deputado federal Alexandre Frota ao PSDB abriu a primeira disputa direta entre o grupo do governador João Doria (SP) e a velha guarda do tucanato em São Paulo. Na tarde desta segunda-feira, dia 19, o ex-presidente estadual tucano Pedro Tobias e o ex-presidente nacional do partido José Aníbal protocolaram um pedido de impugnação da filiação de Frota (ex-PSL) pois “o postulante possui vasto histórico de hostilidades ao PSDB e suas mais emblemáticas lideranças”.
A resposta do presidente estadual da sigla, Marco Vinholi, foi imediata, indeferindo a solicitação. “Não há fundamento jurídico ou político no pedido”, disse, de forma algo previsível: ele é um dos secretários de estado mais próximos de Doria, que o apadrinhou para comandar o partido em São Paulo. Com isso, a dupla da velha guarda irá levar o caso para a Executiva Nacional do PSDB, que tem uma reunião ordinária marcada para esta quarta-feira, dia 21. Lá a situação pode não ser tão confortável para o governador, a depender de quem estiver presente no encontro.
OFENSA – A base do pedido foi o vídeo que circulou no tucanato no dia da filiação de Frota, que mostra o então pré-candidato a deputado, ainda no PSL de Jair Bolsonaro, ofendendo pessoalmente o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), padrinho político de Doria na disputa municipal de 2016 e hoje seu desafeto. O artigo 7º do Estatuto do PSDB afirma que impugnações podem ser pedidas, entre outros motivos, se houver “notória e ostensiva hostilidade à legenda e atitudes desrespeitosas a dirigentes e lideranças partidárias”.
No vídeo, além de elencar escândalos de corrupção associados ao nome de Alckmin, que havia acabado de fechar o acordo com o chamado centrão para montar sua coalizão fracassada na eleição presidencial vencida por Bolsonaro, Frota diz que o tucano “arriou suas calças e está de quatro dando seu bumbum murcho para quem quiser comer” e usa inúmeros palavrões. Para Tobias e Aníbal, a terminologia é do “antigo ramo profissional do impugnado” —no caso, filmes pornográficos.
“NOVO DISCURSO” – A situação em Brasília é ainda indefinida, porque muitos tucanos se mostraram horrorizados com o vídeo. O presidente nacional Bruno Araújo, que esteve na filiação em São Paulo, já disse a amigos, contudo, que as críticas de Frota eram coisa do passado. Frota, quando inquirido sobre o vídeo na sexta, dia 16, disse que havia mudado de ideia acerca do PSDB. Nesta segunda, escalou seu advogado, Arthur Rollo, para falar sobre o caso.
“Isso é passado e não tem sustentação jurídica alguma. Assim como não haverá nenhum questionamento de perda de mandato que venham a fazer em Brasília por parte do PSL”, afirmou. Doria, por sua vez, cobriu Frota de elogios na sexta. “No novo PSDB, tem espaço para quem toma decisões, tem espaço para quem tem coragem de falar. Não precisamos estabelecer nenhum tipo de antagonismo.” Questionado, ele não comentou o caso nesta segunda.
PRÊMIO – O deputado havia sido expulso do PSL por suas críticas ao governo de Bolsonaro três dias antes. Para Doria, sua filiação é um prêmio, dado que Frota tem causado uma não esperada boa impressão entre os integrantes da equipe econômica por seu desempenho no Congresso, como nos debates da reforma da Previdência. Antes, o ex-ator pornô era um dos mais vocais defensores do bolsonarismo radical. O governador paulista tem se descolado paulatinamente de Bolsonaro, de quem emprestou o nome na campanha do segundo turno de 2018 para surfar num movimento “BolsoDoria”.
Essa aliança inicial, que nunca teve contrapartida explícita do presidente, visava atrair uma faixa semelhante do eleitorado —não só o bolsonarismo antiestablishment a que hoje o mandatário está confinado, mas uma larga fatia da centro-direita que tinha o antipetismo como força motriz. Hoje, Doria tenta fidelizar esse último grupo ao buscar diferenciar-se do titular do Planalto, como no episódio em que Bolsonaro questionou a morte do pai do presidente da OAB na ditadura militar. A filiação de Frota se insere nesse contexto e também no da correlação de forças em São Paulo.
ELEIÇÃO – Frota é próximo de Joice Hasselmann (PSL-SP), deputada que é chamada por desafetos de “líder do governo Doria em Brasília” —ela é líder do governo Bolsonaro no Congresso. Aliados do governador veem na proximidade dele com Joice a enorme possibilidade de um apoio branco caso ela resolva disputar a eleição para a prefeitura paulistana no ano que vem, já que esses mesmos atores são céticos sobre as chances de o titular da cadeira, Bruno Covas (PSDB), vencer.
Covas era o vice de Doria, e ambos mantêm uma relação fria. Ele estava no evento de filiação de Frota, que por sua vez disse que deixaria de apoiar Joice e apoiaria o tucano agora que estava filiado ao PSDB. Poucos acreditaram. A disputa em São Paulo é crítica: se algum adversário de Doria vencer a disputa, trará dificuldades na montagem de palanque de 2022, quando o governador ou enfrentará Bolsonaro ou, hipótese menor, será candidato à reeleição.
EXCESSO – O gesto da velha guarda tucana é o primeiro, mas não deve ser o último. O grupo havia composto com Doria após a vitória do tucano no segundo turno contra Márcio França (PSB), e cessaram as trocas públicas de farpas —as mais notórias entre o governador e o seu antecessor Alberto Goldman. Mas o vídeo com as críticas de Frota foi considerado excessivo pelo grupo, até pelo tom de ofensa pessoal a Alckmin.
O ex-governador não quer falar sobre o assunto, mas interlocutores dele disseram que ele ficou especialmente agastado com a situação, dando a entender que não se oporia a medidas retaliatórias. Há entre alguns integrantes do tucanato a preocupação de que o grupo acabe por sair do partido, desfigurando de vez a sigla formada em 1988 como uma dissidência “ética” do antigo PMDB.
Aliados de Doria dão de ombros, lembrando a falta de votos da ala nos últimos anos, e afirmam que hoje é mais fácil o governador herdar todo o partido do que ser obrigado a procurar outra legenda para manter seus planos eleitorais. Hoje, o tucano tem ascendência sobre Araújo, que esteve na filiação de Frota, e comanda o time de governadores do partido, composto também por Eduardo Leite (RS) e Reinaldo Azambuja (MS).

Lava Jato blindou Paulo Guedes e ignorou denúncia de repasse para empresa de fachada


Na época, o agora ministro integrava a pré-campanha Bolsonaro
Fábio Fabrini
Folha
A Lava Jato descobriu que uma empresa do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, fez pagamento a um escritório de fachada, suspeito de lavar dinheiro para esquema de distribuição de propinas a agentes públicos no governo do Paraná. A força-tarefa da operação em Curitiba apresentou denúncia sobre o caso em abril de 2018 e não incluiu no rol de acusados Guedes ou outros representantes de sua empresa.
Na época, o agora ministro integrava a pré-campanha de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. O repasse de R$ 560,8 mil foi feito em 2007 pela GPG Consultoria — da qual Guedes foi sócio-administrador entre novembro de 2005 e outubro do ano passado— à Power Marketing Assessoria e Planejamento, operada por um assessor do ex-governador Beto Richa (PSDB-PR). Uma citação ao pagamento foi registrada em nota de rodapé da peça de 138 páginas encaminhada à Justiça.
PROVAS – Os responsáveis por outras duas companhias que destinaram recursos ao escritório suspeito foram presos, denunciados e viraram réus de ação penal aberta pelo então juiz Sergio Moro. A Lava Jato afirma que a denúncia focou pessoas e empresas sobre as quais havia “prova robusta”, mas que a investigação prossegue.  Questionado pela Folha, Guedes não informou quais serviços justificaram o desembolso. 
Ao todo, a força-tarefa denunciou em abril do ano passado 18 pessoas, acusadas de participar do suposto esquema de corrupção e desvio de verbas do estado. O propósito, segundo os investigadores, era o de beneficiar a Econorte, do Grupo Triunfo, em concessões de rodovias. O caso foi investigado na Operação Integração, fase da Lava Jato deflagrada em 22 de fevereiro de 2018. Outras quatro denúncias derivadas da mesma investigação, apresentadas posteriormente, não fazem referência à GPG ou seus sócios.
NOTAS FRIAS – Os procuradores de Curitiba sustentam que a Power Marketing era uma das empresas usadas pela Triunfo para simular a prestação de serviços ou a entrega de mercadorias. Essa rede, segundo os investigadores, emitia notas fiscais frias apenas para justificar o recebimento de dinheiro e gerava recursos em espécie para o pagamento de subornos. A Power Marketing era operada por Carlos Felisberto Nasser, que trabalhava na Casa Civil do governo paranaense. Ele foi denunciado, mas morreu em dezembro do ano passado.
Ao todo, a empresa do assessor recebeu R$ 2,9 milhões da Rio Tibagi e da Triunfo Holding Participações (atual Triunfo Participações e Investimentos, TPI), ambas do Grupo Triunfo, entre 2005 e 2015. A empresa não tinha funcionários ou atividade real, segundo aponta o  Ministério Público Federal (MPF).  Quebras de sigilo bancário revelaram um padrão: a maior parte dos recursos depositados na conta da Power Marketing era sacada por Nasser, descrito como operador financeiro do suposto esquema de propinas.
ACIONISTA – O pagamento da empresa de Guedes foi feito em 14 de agosto de 2007. Sete dias depois, Nasser sacou R$ 500 mil da conta da empresa.  Naquela época, além de sócio da GPG, Guedes era acionista e integrante do Conselho de Administração da TPI. Três executivos da Triunfo foram denunciados pela Lava Jato por, supostamente, lavar dinheiro por meio de contratos com a Power Marketing. Um deles, Leonardo Guerra, administrador da Tibagi, confirmou em depoimento a existência da rede de empresas que forneciam notas fiscais frias.
Hélio Ogama, ex-presidente da Econorte, firmou acordo de delação premiada e declarou em julho do ano passado que a prestação de serviços da Power Marketing à Tibagi era fictícia. O próprio Nasser afirmou, em depoimento prestado durante buscas da Polícia Federal em sua casa, que sua empresa não funcionava e que recursos nela aportados foram usados em campanhas políticas.  Mas o depoimento foi anulado por Moro em junho de 2018, acolhendo pedido da defesa do assessor.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS  – O então juiz declarou o interrogatório ilícito, pois o MPF não advertiu Nasser, que era advogado, de que tinha o direito de permanecer em silêncio. Iniciativas para que Guedes explicasse o pagamento partiram dos réus. A defesa de Nasser afirmou que os R$ 560,8 mil foram pagos pela GPG em troca de “serviços prestados” por ele ao indicar Guedes como assessor econômico do processo de abertura de capital (IPO) da Triunfo.
Os advogados do assessor arrolaram como testemunhas o ministro e o irmão dele, Gustavo Guedes, sócio da empresa. Mas desistiram de ouvi-los três dias antes da data marcada para os depoimentos. A audiência estava agendada para 27 de agosto, em meio à campanha presidencial. A defesa do assessor justificou que, a pedido de outro réu, um ofício com questionamentos à GPG já havia sido enviado pela Justiça à empresa, tornando os depoimentos desnecessários naquele momento.
As perguntas nunca foram respondidas, pois a Justiça alegou não ter encontrado a GPG em seu endereço, no Rio, em diligências ao longo de quase um ano. A empresa foi extinta em novembro do ano passado, após seu nome ser citado na Lava Jato. Mas no local funciona a BR Corporate Advisory, cujo diretor é Gustavo Guedes.  A Folha confirmou o endereço por meio de um telefonema para a empresa.
OUTRO LADO –  Procurada pela Folha, a Lava Jato informou, em nota, que a denúncia de abril “teve por objeto empresas e pessoas em relação às quais havia prova robusta dos crimes e de sua autoria”. Segundo a força-tarefa da operação, “a investigação prossegue” em relação às demais empresas e pessoas “sujeitas à competência da Justiça Federal no Paraná”.
Os procuradores não informaram se Paulo Guedes, seu irmão ou algum outro representante da GPG são alvos dessas apurações. Também não responderam se o caso foi remetido para alguma outra unidade do MPF, a exemplo da Procuradoria-Geral da República (PGR). “A força-tarefa não comenta investigações em andamento. Sempre que há indícios de crimes sujeitos a foro privilegiado, as informações são enviadas para a PGR ou o STF [Supremo Tribunal Federal]”, afirma a nota.
LEGALIDADE – Os advogados de Paulo Guedes informaram que desde dezembro de 2018 ele se retirou de atividades empresariais, “como a lei impõe aos ocupantes de cargos públicos”. “Vale destacar ainda a legalidade e correção da atuação das empresas das quais foi sócio antes de assumir o cargo público”, disseram, em nota.  A defesa não deu detalhes sobre serviços prestados pela Power Marketing à GPG.
Gustavo Guedes, procurado, pediu que a Folha entrasse em contato com os advogados do irmão. A TPI afirmou que Guedes integrou seu Conselho de Administração de junho de 2007 a agosto de 2008 e que, naquela época, a legislação exigia que os conselheiros fossem acionistas. Segundo o grupo, o ministro “se desfez da ação” quando deixou o colegiado.
VALORES ILÍCITOS – Sobre a Operação Integração, a TPI informou “que tem prestado as informações solicitadas pelas autoridades”.  A advogada de Nasser, Nicole Trauczynski, afirmou que a empresa de seu cliente obteve das contratantes, entre elas a GPG, valores lícitos, por serviços efetivamente prestados. “Todos os recursos recebidos pelo senhor Carlos Nasser da empresa GPG foram devidos em razão da indicação e da montagem dele da equipe econômica que comandou o IPO da Triunfo.” Segundo a advogada, Nasser participou de várias reuniões com a equipe do IPO, o que comprova a prestação dos serviços.
O advogado de Leonardo Guerra, Rodrigo José Mendes Antunes, negou que seu cliente “tenha participação em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa”. “Leonardo admitiu, no entanto, a realização de emissões de notas fiscais inverídicas no intuito de gerar dinheiro para pagamento de horas extras, ante a realização de um TAC [acordo] com o Ministério Público do Trabalho, a fim de burlar referida fiscalização”, afirmou ele, em nota.
Segundo o advogado, seu cliente disse ter repassado dinheiro a Hélio Ogama, mas sem saber que esses recursos se destinavam a agentes públicos. O advogado de Ogama, Gabriel Bertin, afirmou que seu cliente fez colaboração premiada com a Lava Jato e, em razão disso, a defesa e o acusado “não comentam os casos em andamento”.

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ENTENDA O CASO
GPG Consultoria 
Em agosto de 2007, empresa da qual Paulo Guedes era sócio-administrador repassou R$ 560,8 mil à Power Marketing Assessoria e Planejamento
Empresa de fachada 
Segundo a Procuradoria, a Power Marketing emitia notas fiscais frias e atuava em uma rede de lavagem de dinheiro e repasse de propina a agentes públicos. A empresa não tinha funcionários e não contratava serviços ou fazia despesas para manter suas atividades
Quase R$ 3 mi em dez anos
O esquema beneficiava o Grupo Triunfo, de acordo com o MPF. A Power Marketing recebeu R$ 2,9 mi de empresas do grupo entre 2005 e 2015
Fase da Lava Jato 
O caso foi investigado na Operação Integração, deflagrada em fevereiro de 2018
Assessor de Beto Richa (PSDB)
O operador da Power Marketing era Carlos Felisberto Nasser. Ele trabalhava na Casa Civil do governo do PR e morreu em dezembro de 2018
Lavagem de dinheiro 
Três executivos da Triunfo foram denunciados pela Lava Jato sob acusação de lavagem de dinheiro por meio de contratos com a Power Marketing. Outras 15 pessoas foram alvo de denúncia no âmbito da operação
De junho de 2007 a agosto de 2008
Além de sócio da GPG, Guedes era acionista e integrante do Conselho de Administração da TPI, uma das empresas do Grupo Triunfo envolvidas no esquema
Denúncia tem 138 páginas
O repasse feito pela empresa de Guedes à Power Marketing foi registrado em nota de rodapé da peça encaminhada à Justiça. Ele foi arrolado como testemunha de Nasser, mas a defesa do réu desistiu do depoimento.
Advogados negam irregularidades
Procurada, a defesa de Guedes não informou que serviços foram prestados pela Power Marketing à GPG, mas destacou a “correção da atuação” das empresas das quais o ministro foi sócio

Eleições 2020 já agitam bastidores da política com possíveis candidatos a vereador

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Foto Divulgação do ZAP

  Em Jeremoabo os pré-candidatos já tem muitos que estão de olho nas eleições 2020, quando serão eleitos prefeito e vereadores . E, podem acreditar, já tem muitos que estão de olho nesse pleito. 
FORTES CANDIDATOS
Em Jeremoabo, segundo os comentários de bastidores, dois  prováveis candidatos a vereador em 2020 é a professora Sara e o Espedito mais conhecido por Seu Di.  Segundo comentários são fortes nomes para ocupar uma cadeira na Câmara”.
O eleitor de Jeremoabo reclama muito e diz está decepcionado com muitos dos atuais representantes, e que essa será mais uma vez para as futuras mudanças, evitando assim a competição dominada " por aventureiros políticos", já que pior do que está não fica.


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