Tribuna da Bahia Notícias-----------------------
O Governo da Bahia firmou parceria com a Controladoria Geral da União (CGU) e com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para ampliar e dar mais celeridade ao trabalho de correição no serviço público estadual, levado a cabo pela Corregedoria Geral do Estado (CGR), órgão vinculado à Secretaria da Administração (Saeb). Com as parcerias envolvendo a Saeb, a CGU e o INSS, as ações correicionais terão maior volume de informações, o que possibilitará mais agilidade na identificação dos casos de inconformidades por parte de servidores públicos. “Vamos disponibilizar dados e informações da CGU e do INSS que possam subsidiar as atividades da CGR no Estado”, explicou o secretário da Administração, Manoel Vitório. No ano passado, a CGR inspecionou 31.375 funcionários em 349 órgãos públicos. Em relação ao acordo com a CGU, este dará ênfase à proteção do patrimônio público e à capacitação para o trabalho correicional. “Buscaremos o intercâmbio técnico-científico e cultural e o desenvolvimento de competências profissionais para aperfeiçoar as atividades de avaliação do sistema de correição”, explicou o secretário da Administração Manoel Vitório da Silva. A parceira com a CGU terá validade por 60 meses. No que tange ao INSS, a cooperação técnica com o órgão prevê a checagem de dados para a averiguação de acúmulo indevido de cargos e aposentadorias nas diversas esferas do poder público, assim como incompatibilidades de carga horária de servidores. O acordo tem duração de um ano. Segundo Manoel Vitório, há três situações de irregularidade que mais figuram nas apurações da CGR: servidores que pedem licença e assumem cargo em outros estados; os que tiram licença por motivos particulares e, vencida a licença, não retornam aos postos de trabalho; e os que acumulam mais de um vínculo em estados diferentes. Por este último motivo, as ações da CGR não se limitaram às fronteiras da Bahia. Foram realizados batimentos de dados de servidores baianos para detectar mais de uma vinculação nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Espírito Santo, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Ceará. As parcerias efetivadas com os dois órgãos federais ocorrem no momento que o Governo do Estado põe em execução o Sistema de Correição Estadual do Poder Executivo. A iniciativa visa uniformizar as ações correcionais empreendidas pelos diversos órgãos, tanto da administração direta, quanto das autarquias e fundações. O sistema será constituído pela Corregedoria-Geral da Secretaria da Administração, que atuará como órgão central, e pelas corregedorias setoriais instituídas na Administração Pública, assim como as comissões e unidades de apuração de irregularidades que já fazem este trabalho nos órgãos, autarquias e fundações do Estado. No entender de Manoel Vitório, o sistema correicional não pode ater-se apenas a situações punitivas, mas, sobretudo, educativa. “E esse é o aspecto mais importante”, destacou. Segundo ele, as ações devem se cercar de necessárias cautelas. “São situações que têm que ser apuradas com rigor, caso a caso, para que não sejam cometidas injustiças”, afirmou o secretário, que afastou qualquer possibilidade de rito sumário na execução de medidas punitivas. “Tudo está sendo feito estritamente dentro da lei”, garantiu.
Estado não exonera auditores e IAF pode recorrer à Justiça
Se, na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, em 16 de fevereiro, o governo não retirar ou modificar o projeto de lei que iguala agentes de tributos a auditores fiscais, o Instituto dos Auditores Fiscais (IAF) irá impetrar mandado de segurança para obrigar o governador Jaques Wagner a exonerar da Secretaria da Fazenda 16 ocupantes de cargos de confiança na área financeira. Esses profissionais pediram exoneração dos seus cargos em dezembro, protestando contra o que consideram um “trem da alegria”, mas até hoje não foram atendidos. O projeto, apresentado pelo secretário Carlos Martins, autoriza os agentes de tributos, uma categoria de nível médio, a constituir crédito, isto é, aplicar multas a contribuintes infratores, o que é uma prerrogativa dos auditores, que são de nível universitário e precisaram fazer concurso para desempenhar a função. “Ninguém pode ascender no serviço público sem concurso”, advertiu o presidente do IAF, Helcônio Almeida. O sindicalista disse ontem à Tribuna da Bahia que esses ocupantes de cargos de confiança foram nomeados pelo atual governo, mas não concordam com o projeto, que permitiria a mais de 900 agentes de tributos recorrer à Justiça para obter equiparação de direitos com os auditores, especialmente no campo salarial. Apenas com a folha de pagamento, calcula-se um prejuízo aos cofres do Estado da ordem de R$ 80 milhões por ano. “E essa quantia pode ser muito maior, porque nesses processos os agentes pedem o enquadramento retroativo a 1988”, frisou. Segundo Helcônio, está havendo, estimulada pelas centrais sindicais, uma “onda nacional” para esse tipo de mudança, com base num “socialismo utópico, ultrapassado, segundo o qual todos são iguais”. Leis semelhantes foram aprovadas em vários Estados, como Sergipe, Tocantins e, mais recentemente, Ceará, “mas o Supremo Tribunal Federal tem rejeitado todas pela simples razão de que são inconstitucionais”. Professor de Direito Tributário da Faculdade de Direito da Ufba, Helcônio Almeida faz uma comparação para destacar a inconstitucionalidade da iniciativa: “Um agente policial, por mais competente que seja, não pode virar delegado somente porque se formou em Direito. Ele tem de fazer concurso público”. Para ele, pouco importa que o governo não tenha nomes capazes para substituir os auditores demissionários. “Vamos buscar os mandados de segurança para forçar o governo a acatar seus pedidos”, reiterou. (Por Luís Augusto Gomes)
Fonte: Tribuna da Bahia
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Lula discute hoje projeto de bolsa geladeira
Agencia EstadoO presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir hoje à tarde com ministros e empresários para discutir o projeto apelidado de "bolsa geladeira". O objetivo, além de incentivar as famílias carentes a trocarem geladeiras velhas - com alto consumo de energia - por novas - que consomem menos - é estimular o setor de "linha branca", afetado pela crise. Participarão da reunião os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Edison Lobão (Minas e Energia). Também participarão do encontro representantes da Eletrobrás, Caixa Econômica Federal, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil.Lula viaja na manhã de hoje para Brasília. Ele estava no Rio de Janeiro, onde ontem à noite participou de jantar em comemoração ao aniversário do governador Sérgio Cabral (PMDB). Ainda hoje, em Brasília, Lula receberá, em audiências separadas, os novos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que defenderam ontem, na primeira entrevista coletiva como presidentes das duas Casas, restrições na edição de medidas provisórias. A agenda inclui ainda reunião com representantes do Fórum Nacional da Reforma Urbana e despachos com o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado.
Fonte: A Tarde
Fonte: A Tarde
STF rejeita recurso para suspender processo contra baqueiro
Marco Antonio Soalheiro, da Agência BrasilBrasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Eros Grau, rejeitou nesta terça (3) recurso da defesa do banqueiro Daniel Dantas, que visava suspender processo que tramita contra ele na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.Em dezembro de 2008, a Justiça Federal condenou o dono do Opportunity a dez anos de prisão e R$ 12 milhões de multa por corrupção ativa, decisão da qual ele pode recorrer em liberdade. Dantas foi apontado como autor de uma tentativa de suborno a um delegado da PF, na Operação Satiagraha.Grau ressaltou em seu despacho que uma súmula impede o STF de analisar habeas corpus, quando o mesmo assunto já está em análise por tribunais superiores, sem julgamento de mérito. E já há um recurso da defesa de Dantas, semelhante ao que foi rejeitado por Grau, pendente de julgamento de mérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso será analisado pela 5ª Turma do STJ, em data ainda não definida.A defesa do banqueiro alega que a autoridade policial extrapolou limites legais ao realizar buscas na sede do Opportunity e apreender os HDs dos computadores da instituição. Esta ação teria originado a investigação contra Dantas na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Segundo a defesa, o mandado judicial autorizava buscas somente na residência e no escritório de Dantas, mas não no banco.
Fonte: A Tarde
Fonte: A Tarde
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Benefício com dinheiro público
Da Redação
De saída da presidência do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) conseguiu colocar em prática um antigo projeto da Casa de expansão da Rádio Senado pelo país. A primeira cidade contemplada é Natal - o principal colégio eleitoral do senador potiguar. O negócio custou R$ 550 mil em dinheiro público.
A maior parte do valor é referente ao aparelho de transmissão que capta o sinal via satélite da Rádio Senado e o retransmite para a região metropolitana de Natal. A rádio retransmite desde novembro a programação produzida em Brasília.
Garibaldi disse que, depois de assumir a presidência da Casa, solicitou a instalação de um retransmissor em Natal.
- Sobre a rádio, eu juro para você que eu não sabia. Muito menos que Natal era a primeira capital a ter transmissão - disse.
Afirmou que a rádio não lhe traz votos porque tem baixa audiência, pois não é voltada para classes mais populares.
O projeto de expansão da rádio e da TV Senado foi aprovado pela Mesa em 2004. Na época, foi constituída uma comissão formada por 11 servidores do Senado. Eles foram responsáveis por viabilizar a instalação de transmissores em todas as capitais do país. Até então, só o projeto da TV havia conseguido sair do papel. Atualmente, há canais da TV Senado em nove capitais.
Em princípio, o transmissor usado em Natal deveria ser instalado no Rio, que tem 6 milhões de habitantes, contra 798 mil da capital potiguar. Isso não ocorreu devido a desentendimentos com a TV Brasil.
Segundo secretário de Comunicação do Senado, Helival Rios, quem decidiu instalar o transmissor em Natal foi a comissão de servidores.
Fonte: Diário Catarinense (SC)
De saída da presidência do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) conseguiu colocar em prática um antigo projeto da Casa de expansão da Rádio Senado pelo país. A primeira cidade contemplada é Natal - o principal colégio eleitoral do senador potiguar. O negócio custou R$ 550 mil em dinheiro público.
A maior parte do valor é referente ao aparelho de transmissão que capta o sinal via satélite da Rádio Senado e o retransmite para a região metropolitana de Natal. A rádio retransmite desde novembro a programação produzida em Brasília.
Garibaldi disse que, depois de assumir a presidência da Casa, solicitou a instalação de um retransmissor em Natal.
- Sobre a rádio, eu juro para você que eu não sabia. Muito menos que Natal era a primeira capital a ter transmissão - disse.
Afirmou que a rádio não lhe traz votos porque tem baixa audiência, pois não é voltada para classes mais populares.
O projeto de expansão da rádio e da TV Senado foi aprovado pela Mesa em 2004. Na época, foi constituída uma comissão formada por 11 servidores do Senado. Eles foram responsáveis por viabilizar a instalação de transmissores em todas as capitais do país. Até então, só o projeto da TV havia conseguido sair do papel. Atualmente, há canais da TV Senado em nove capitais.
Em princípio, o transmissor usado em Natal deveria ser instalado no Rio, que tem 6 milhões de habitantes, contra 798 mil da capital potiguar. Isso não ocorreu devido a desentendimentos com a TV Brasil.
Segundo secretário de Comunicação do Senado, Helival Rios, quem decidiu instalar o transmissor em Natal foi a comissão de servidores.
Fonte: Diário Catarinense (SC)
PF de MG faz devassa no Rio
Alessandra Mello, Amaury Ribeiro Júnior e Maria Clara Prates
Policiais federais de Minas desembarcam amanhã no Rio de Janeiro para a última etapa de investigação do esquema milionário de fraudes na liberação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que aponta indícios de envolvimento de pelo menos cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas daquele estado. De acordo com o inquérito, o Instituto de Gestão Fiscal (SIM), que presta assessoria na área de administração municipal, também teria pago propina a servidores públicos fluminenses, para garantir a aprovação da contratação dos serviços do grupo com dispensa de licitação.
A devassa teve início a partir da Operação Pasárgada, em abril, que desmontou a organização criminosa em Minas e teria em seus quadros juízes federais, servidores públicos do Judiciário e Tribunal de Contas mineiro, prefeitos, lobistas, gerentes da Caixa Econômica Federal e advogados, responsáveis por um rombo de R$ 200 milhões em apenas oito meses. Um dos suspeitos de envolvimento com as fraudes é o juiz Welinton Militão, da 12ª Vara da Justiça Federal de Minas, que seria o responsável pela concessão de liminares para liberação do FPM.
No Rio, os federais de Minas vão fazer diligências e ainda tomar alguns depoimentos, com a expectativa de conclusão do inquérito entre 30 e 60 dias. De acordo com a PF, as investigações têm como "um dos focos a infiltração do Grupo SIM nos poderes públicos, de forma ilícita, assegurando a manutenção dos contratos mantidos entre aquela empresa e prefeituras de Minas Gerais e Rio de Janeiro". E informa ainda: "A investigação abrange crimes de formação de quadrilha, fraude a licitações, corrupção, prevaricação, crimes contra as finanças públicas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros".
INTELIGÊNCIA As apurações do suposto envolvimento dos conselheiros do TCE fluminense fazem parte do inquérito da Operação Pasárgada, que foi desmembrada para facilitar o trabalho. Um relatório parcial sobre a atuação do Grupo SIM em Minas, onde manteve contrato com cerca de 300 prefeituras, já foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para chegar ao Rio, os federais analisaram vasta documentação e HDs de computadores, apreendidos na sede da empresa, na Região Centro-Sul da capital, que deixam clara a existência de um braço da organização também naquele estado. À época, foram presos os sócios do grupo SIM, Sinval Duarte Andrade e Nelson Batista de Almeida.
No estado fluminense, até agora, a empresa teria trabalhado para as prefeituras de Búzios, São Pedro da União, São Pedro da Aldeia, Carapebus, Macaé, São José da Barra, Campos de Goytacazes e Conceição de Macabu. O contrato de Campos dos Goytacazes, feito com dispensa de licitação, era de R$ 5,1 milhões. Da prefeitura e da Câmara Municipal de Búzios o grupo recebeu R$ 753 mil em um ano. Em Carapebus, o contrato era de R$ 652.350. Todos foram feitos com dispensa de licitação e com o aval do Tribunal de Contas fluminense, nos moldes do que acontecia em Minas Gerais.
AUDITORIA À época da assinatura da maioria dos contratos com as administrações municipais, o tribunal fluminense era comando pelo conselheiro José Gomes Graciosa, sucedido por José Maurício de Lima Nolasco, que assumiu o cargo em 2007, mesmo ano da operação da PF, e determinou auditoria em todos os contratos do SIM com municípios do estado. Documentos apreendidos pela PF revelam que à época da Operação Pasárgada a empresa ainda mantinha contrato com cinco das oito prefeituras. Segundo parte da documentação apreendida na sede do Grupo SIM em Belo Horizonte, alvo de busca e apreensão durante a operação policial, para conseguir aprovar suas contas, a Prefeitura de Carapebus teria de desembolsar cerca de R$ 130 mil, apenas para pagamento de propinas que seriam distribuídas entre conselheiros, intermediários das negociações entre a prefeitura e o TCE e servidores públicos. Relatórios de reuniões mostram como foram planejados o pagamento e os respectivos valores.
Em Minas, as investigações apontam que as cidades às quais o Grupo SIM vendeu sua assessoria, por coincidência ou não, foram beneficiadas com decisões para liberação da Certidão Negativa de Débito (CND), que possibilita o saque dos recursos bloqueados do FPM. Em Juiz de Fora, o ex-prefeito Alberto Bejani foi preso pelos federais com R$ 1 milhão. Em Timóteo, o ex-prefeito Geraldo do Nascimento (PT) também foi detido sob a mesma acusação do colega.
Fonte: Estado de Minas (MG)
Policiais federais de Minas desembarcam amanhã no Rio de Janeiro para a última etapa de investigação do esquema milionário de fraudes na liberação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que aponta indícios de envolvimento de pelo menos cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas daquele estado. De acordo com o inquérito, o Instituto de Gestão Fiscal (SIM), que presta assessoria na área de administração municipal, também teria pago propina a servidores públicos fluminenses, para garantir a aprovação da contratação dos serviços do grupo com dispensa de licitação.
A devassa teve início a partir da Operação Pasárgada, em abril, que desmontou a organização criminosa em Minas e teria em seus quadros juízes federais, servidores públicos do Judiciário e Tribunal de Contas mineiro, prefeitos, lobistas, gerentes da Caixa Econômica Federal e advogados, responsáveis por um rombo de R$ 200 milhões em apenas oito meses. Um dos suspeitos de envolvimento com as fraudes é o juiz Welinton Militão, da 12ª Vara da Justiça Federal de Minas, que seria o responsável pela concessão de liminares para liberação do FPM.
No Rio, os federais de Minas vão fazer diligências e ainda tomar alguns depoimentos, com a expectativa de conclusão do inquérito entre 30 e 60 dias. De acordo com a PF, as investigações têm como "um dos focos a infiltração do Grupo SIM nos poderes públicos, de forma ilícita, assegurando a manutenção dos contratos mantidos entre aquela empresa e prefeituras de Minas Gerais e Rio de Janeiro". E informa ainda: "A investigação abrange crimes de formação de quadrilha, fraude a licitações, corrupção, prevaricação, crimes contra as finanças públicas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros".
INTELIGÊNCIA As apurações do suposto envolvimento dos conselheiros do TCE fluminense fazem parte do inquérito da Operação Pasárgada, que foi desmembrada para facilitar o trabalho. Um relatório parcial sobre a atuação do Grupo SIM em Minas, onde manteve contrato com cerca de 300 prefeituras, já foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para chegar ao Rio, os federais analisaram vasta documentação e HDs de computadores, apreendidos na sede da empresa, na Região Centro-Sul da capital, que deixam clara a existência de um braço da organização também naquele estado. À época, foram presos os sócios do grupo SIM, Sinval Duarte Andrade e Nelson Batista de Almeida.
No estado fluminense, até agora, a empresa teria trabalhado para as prefeituras de Búzios, São Pedro da União, São Pedro da Aldeia, Carapebus, Macaé, São José da Barra, Campos de Goytacazes e Conceição de Macabu. O contrato de Campos dos Goytacazes, feito com dispensa de licitação, era de R$ 5,1 milhões. Da prefeitura e da Câmara Municipal de Búzios o grupo recebeu R$ 753 mil em um ano. Em Carapebus, o contrato era de R$ 652.350. Todos foram feitos com dispensa de licitação e com o aval do Tribunal de Contas fluminense, nos moldes do que acontecia em Minas Gerais.
AUDITORIA À época da assinatura da maioria dos contratos com as administrações municipais, o tribunal fluminense era comando pelo conselheiro José Gomes Graciosa, sucedido por José Maurício de Lima Nolasco, que assumiu o cargo em 2007, mesmo ano da operação da PF, e determinou auditoria em todos os contratos do SIM com municípios do estado. Documentos apreendidos pela PF revelam que à época da Operação Pasárgada a empresa ainda mantinha contrato com cinco das oito prefeituras. Segundo parte da documentação apreendida na sede do Grupo SIM em Belo Horizonte, alvo de busca e apreensão durante a operação policial, para conseguir aprovar suas contas, a Prefeitura de Carapebus teria de desembolsar cerca de R$ 130 mil, apenas para pagamento de propinas que seriam distribuídas entre conselheiros, intermediários das negociações entre a prefeitura e o TCE e servidores públicos. Relatórios de reuniões mostram como foram planejados o pagamento e os respectivos valores.
Em Minas, as investigações apontam que as cidades às quais o Grupo SIM vendeu sua assessoria, por coincidência ou não, foram beneficiadas com decisões para liberação da Certidão Negativa de Débito (CND), que possibilita o saque dos recursos bloqueados do FPM. Em Juiz de Fora, o ex-prefeito Alberto Bejani foi preso pelos federais com R$ 1 milhão. Em Timóteo, o ex-prefeito Geraldo do Nascimento (PT) também foi detido sob a mesma acusação do colega.
Fonte: Estado de Minas (MG)
A Copa da Leviandade
Janio de Freitas
PREFEITOS de capitais e respectivos governadores estão empenhados em uma competição nunca ocorrida por aqui. Para todos os ouvidos públicos, dizem tratar-se da disputa pela inclusão de sua capital entre as 12 que sediarão jogos da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. A verdade é um pouco menos modesta do que os prefeitos e governadores. A conquista que eles buscam é incluir-se entre os 12 prefeitos e outros tantos governadores que vão estourar os cofres e muito futuro de suas capitais, e se necessário os dos Estados também, em benefício de sua popularidade eleitoral. A Copa do Mundo é precedida pela Copa da Leviandade, promovida pelo governo Lula.
A estimativa de custo da Copa entregue a Lula no meio da semana, por suas eminências Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, duas riquezas do peleguismo futebolístico que presidem a Fifa e a CBF, refere-se a R$ 35 bilhões calculados pela Fundação Getúlio Vargas. Se o custo fosse aquele, equivaleria a duas vezes e mais 30% de todo o Orçamento para a Educação como será apresentado, amanhã, na reunião ministerial. Ou quase nove vezes o Orçamento para Ciência e Tecnologia.
Sabe-se, porém, que estimativas de custo de obras, no Brasil, são o que há de mais consagrado na ficção brasileira. Bem, saber, não se sabe: vê-se. Uma das batalhas de Juca Kfouri, a um só tempo inglórias e gloriosas, é a cobrança do relatório do Tribunal de Contas da União sobre o custo, e as mágicas que o fizeram, do Pan no Rio em 2006. Dinheiro do Ministério do Esporte, da Prefeitura do Rio e do governo fluminense. Pois nem o TCU cumpre o mínimo dever legal e público de divulgar suas constatações, quanto mais os que torraram, entre aplicações e divisões, o dinheiro público em que estimativas de R$ 50 milhões chegaram, na realidade, a dez vezes o estimado. Sem explicação.
O que não se sabe, vê-se. O Rio, há muito maltratado, foi abandonado de todo, para a prefeitura pagar o saldo de seus gastos e remendar as contas durante dois anos e meio, como prevenção parcial do risco de inquéritos e processos na sucessão. Isso em uma capital com os recursos do Rio.
Uma cidade como Natal, cujo encanto não se traduz em dinheiro sequer em proporção aproximada, diz o noticiário que está gastando R$ 3,5 milhões só para engambelar a apresentação de sua candidatura. Propõe-se a construir um estádio, com projeto encomendado na Inglaterra, de custo estimado em R$ 300 milhões. Digamos, contra tudo, que a estimativa seja exata. A cidade e a população de Natal não têm carências inatendidas até hoje por falta de R$ 300 milhões? Na concepção eleitoreira e rentável, a continuidade, pelo tempo afora, das carências de Natal e das outras capitais de menor riqueza é compensada por três ou quatro jogos das oitavas da Copa.
O plano da cidade de São Paulo é exuberante. São Paulo pode. Mas seria interessante saber por que os bilhões paulistas, que entusiasmam o prefeito Gilberto Kassab ao se referir às obras para a Copa, não lhe dão o mesmo entusiasmo para usá-los, por exemplo, em obras corajosas que humanizem o neurotizante trânsito paulistano.
Das pequenas capitais à potência de São Paulo, só as quantias variam. O desprezo pelas cidades e suas populações, presentes e futuras, é o mesmo. Expresso na Copa das Leviandades.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
PREFEITOS de capitais e respectivos governadores estão empenhados em uma competição nunca ocorrida por aqui. Para todos os ouvidos públicos, dizem tratar-se da disputa pela inclusão de sua capital entre as 12 que sediarão jogos da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. A verdade é um pouco menos modesta do que os prefeitos e governadores. A conquista que eles buscam é incluir-se entre os 12 prefeitos e outros tantos governadores que vão estourar os cofres e muito futuro de suas capitais, e se necessário os dos Estados também, em benefício de sua popularidade eleitoral. A Copa do Mundo é precedida pela Copa da Leviandade, promovida pelo governo Lula.
A estimativa de custo da Copa entregue a Lula no meio da semana, por suas eminências Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, duas riquezas do peleguismo futebolístico que presidem a Fifa e a CBF, refere-se a R$ 35 bilhões calculados pela Fundação Getúlio Vargas. Se o custo fosse aquele, equivaleria a duas vezes e mais 30% de todo o Orçamento para a Educação como será apresentado, amanhã, na reunião ministerial. Ou quase nove vezes o Orçamento para Ciência e Tecnologia.
Sabe-se, porém, que estimativas de custo de obras, no Brasil, são o que há de mais consagrado na ficção brasileira. Bem, saber, não se sabe: vê-se. Uma das batalhas de Juca Kfouri, a um só tempo inglórias e gloriosas, é a cobrança do relatório do Tribunal de Contas da União sobre o custo, e as mágicas que o fizeram, do Pan no Rio em 2006. Dinheiro do Ministério do Esporte, da Prefeitura do Rio e do governo fluminense. Pois nem o TCU cumpre o mínimo dever legal e público de divulgar suas constatações, quanto mais os que torraram, entre aplicações e divisões, o dinheiro público em que estimativas de R$ 50 milhões chegaram, na realidade, a dez vezes o estimado. Sem explicação.
O que não se sabe, vê-se. O Rio, há muito maltratado, foi abandonado de todo, para a prefeitura pagar o saldo de seus gastos e remendar as contas durante dois anos e meio, como prevenção parcial do risco de inquéritos e processos na sucessão. Isso em uma capital com os recursos do Rio.
Uma cidade como Natal, cujo encanto não se traduz em dinheiro sequer em proporção aproximada, diz o noticiário que está gastando R$ 3,5 milhões só para engambelar a apresentação de sua candidatura. Propõe-se a construir um estádio, com projeto encomendado na Inglaterra, de custo estimado em R$ 300 milhões. Digamos, contra tudo, que a estimativa seja exata. A cidade e a população de Natal não têm carências inatendidas até hoje por falta de R$ 300 milhões? Na concepção eleitoreira e rentável, a continuidade, pelo tempo afora, das carências de Natal e das outras capitais de menor riqueza é compensada por três ou quatro jogos das oitavas da Copa.
O plano da cidade de São Paulo é exuberante. São Paulo pode. Mas seria interessante saber por que os bilhões paulistas, que entusiasmam o prefeito Gilberto Kassab ao se referir às obras para a Copa, não lhe dão o mesmo entusiasmo para usá-los, por exemplo, em obras corajosas que humanizem o neurotizante trânsito paulistano.
Das pequenas capitais à potência de São Paulo, só as quantias variam. O desprezo pelas cidades e suas populações, presentes e futuras, é o mesmo. Expresso na Copa das Leviandades.
Fonte: Folha de S.Paulo (SP)
GUERRA DE TORTAS
Por: Laerte Braga
Eu tenho impressão que dom sílvio berlusconi determinou ao ministério da defesa da itália que prepare um grande estoque de tortas dos mais variados sabores para o ataque ao Brasil. E num lance desses com toques de perversidade maquiavélica, que a cobertura seja atraente e contenha laxantes de amplo espectro e longa duração. Dessa forma pretende conquistar o país e nomear o presidente da vale, o tal agnelli, de família ligada a mussolini, governador geral. ermírio de moraes, gilmar mendes, daniel dantas, arthur vrigílio, esses e outros serão agraciados com a grã cruz da pizza napolitana. Receberão de brinde uma camisa da milan, autografada por kalá, ronaldinho e beckman, propriedades do duce.
Apesar das suspeitas de alguns especialistas, o policial que aparece com o boné tampando os olhos e ocultando parte da face, não é o governador de minas, aécio neves – mora no rio de janeiro –. Nem é sósia, tampouco bombeiro atendendo senhoras em aflitos incêndios nas baterias de escolas de samba. A roupa é relish. O governador josé serra vai ganhar o título de presidente da república sem ser e fhc vira secretário geral da ONU, se não der, emplaca um cargo qualquer de consultor cultural e sobre memoriais na otan. Vai para o departamento bombas sobre Gaza. Uma grife italiana de nome relish – pelo menos soa como relincho de Incitatus – está fazendo sua campanha publicitária em cima de fotos de mulheres sendo revistadas pela polícia do estado do rio de janeiro. Segundo sérgio cabral a empresa está exercendo o direito de livre expressão. E a grife afirma que não pretendeu e nem pretende criar um problema diplomático entre os dois países. Os navios de berlusconi que vão trazer o estoque de tortas têm o formato de pratos de macarronada e os submarinos o de pizza. O duce chega depois da conquista, quando todos estivermos lambuzados e prontos para ajoelharmo-nos ante sua alteza imperial o conquistador. Deve ter sido por premonição que Napoleone Buonaparti foi para a França e virou Napoleón Bonaparte. A forca para que Cesare Battisti seja devidamente justiçado no melhor estilo moral e bons costumes muito bem revelados por Felini, Visconti, Antonioni, etc, vai ser erigida sob um patíbulo imenso na praça dos três poderes em Brasília e a transmissão vai ser exclusiva da globo. Só não pode coincidir, o horário da execução, com o do bbb-9, ou da novela dos oito, ou do jornal nacional. O jornal nacional até é possível, transmissão ao vivo direto da capital da Abissínia, quer dizer Brasil. A repórter vai se emocionar e narrar. “Cesare sobe ao palco, quero dizer, ao patíbulo. O carrasco coloca a corda de cânhamo ao redor de seu pescoço. É um espetáculo terrível e dantesco, as pessoas estão imóveis. O carrasco em seguida vai puxar aquela alavanca ali e pronto. Em três minutos o “terrorista estará morto e a honra nacional salva”. E arremata – “globo e você tudo a ver” –. O deputado pirovano vem na comitiva para escolher “dançarinas”. O governador do estado do rio de janeiro sérgio cabral é um desses desastres anunciados. A não ser que tenha um estilingue para retrucar às tortas, está assentando em cima de uma provocação barata, a revista das mulheres por policiais. No duro mesmo não pode é mostrar o caráter fascista e torturador de sua polícia, corrupta na essência, daí ter que engolir o trem todo. E sem mastigar. É só comer a torta de berlusconi depois que fica tudo resolvido. Ao que parece uma empresa italiana produtora de banheiros públicos vem na esquadra azzurra de berlusconi e vai cobrar apenas dois reais por minuto de ocupação. Com as tortas a média de faturamento atinge a níveis que devem superar os do bordel bbb-9. O impacto econômico e as novas regras seja lá do que for, vão ser objeto de análises e esclarecimentos pela signora miriam leitão. Serão faladas em português para compreensão dos nativos, italiano para os representantes dos donos e legendas em inglês para os donos. O senhor berlusconi chegará de liteira ao paço imperial, será saudado pela multidão devidamente acorrentada e farta distribuição de pizza e macarrão ocorrerá depois das 15 horas à porta do stf dantas incorporation ltd. O cuca é gilmar mendes, concessão feita pelo embaixador de fundos da itália, o que entra e sai pelos fundos. A hipótese de uma narração apoteótica, apopléctica com galvão bueno foi afastada. Pesou o fato que se o signori em questão tiver um microfone perto ninguém mais fala e isso não agrada ao duce berlusconi. O monopólio da palavra é dele. A grife espera faturar uma nota com as “cenas de brutalidade”. Espera-se que milhões de brasileiros tangidos pela globo acorram às lojas e comprem relish. Quem comprar ganha uma torta emagrecedora e direito a personal trainer escolhido a dedo na pm do rio de janeiro. A cabeça de Battisti, para desestimular o “terrorismo” vai ser exposta no carro da Beija-flor.

Foto da dançarina escolhida a dedo para protagonizar a violência policial no rio de janeiro e dar “razão” ao despirocado deputado pirovano. A relish, grife que veste as moças não quer “provocar” um caso diplomático. Só faturar. O policial que imobiliza a moça não é gilmar mendes embora muita gente pense que seja, disfarçado evidente
Eu tenho impressão que dom sílvio berlusconi determinou ao ministério da defesa da itália que prepare um grande estoque de tortas dos mais variados sabores para o ataque ao Brasil. E num lance desses com toques de perversidade maquiavélica, que a cobertura seja atraente e contenha laxantes de amplo espectro e longa duração. Dessa forma pretende conquistar o país e nomear o presidente da vale, o tal agnelli, de família ligada a mussolini, governador geral. ermírio de moraes, gilmar mendes, daniel dantas, arthur vrigílio, esses e outros serão agraciados com a grã cruz da pizza napolitana. Receberão de brinde uma camisa da milan, autografada por kalá, ronaldinho e beckman, propriedades do duce.
Apesar das suspeitas de alguns especialistas, o policial que aparece com o boné tampando os olhos e ocultando parte da face, não é o governador de minas, aécio neves – mora no rio de janeiro –. Nem é sósia, tampouco bombeiro atendendo senhoras em aflitos incêndios nas baterias de escolas de samba. A roupa é relish. O governador josé serra vai ganhar o título de presidente da república sem ser e fhc vira secretário geral da ONU, se não der, emplaca um cargo qualquer de consultor cultural e sobre memoriais na otan. Vai para o departamento bombas sobre Gaza. Uma grife italiana de nome relish – pelo menos soa como relincho de Incitatus – está fazendo sua campanha publicitária em cima de fotos de mulheres sendo revistadas pela polícia do estado do rio de janeiro. Segundo sérgio cabral a empresa está exercendo o direito de livre expressão. E a grife afirma que não pretendeu e nem pretende criar um problema diplomático entre os dois países. Os navios de berlusconi que vão trazer o estoque de tortas têm o formato de pratos de macarronada e os submarinos o de pizza. O duce chega depois da conquista, quando todos estivermos lambuzados e prontos para ajoelharmo-nos ante sua alteza imperial o conquistador. Deve ter sido por premonição que Napoleone Buonaparti foi para a França e virou Napoleón Bonaparte. A forca para que Cesare Battisti seja devidamente justiçado no melhor estilo moral e bons costumes muito bem revelados por Felini, Visconti, Antonioni, etc, vai ser erigida sob um patíbulo imenso na praça dos três poderes em Brasília e a transmissão vai ser exclusiva da globo. Só não pode coincidir, o horário da execução, com o do bbb-9, ou da novela dos oito, ou do jornal nacional. O jornal nacional até é possível, transmissão ao vivo direto da capital da Abissínia, quer dizer Brasil. A repórter vai se emocionar e narrar. “Cesare sobe ao palco, quero dizer, ao patíbulo. O carrasco coloca a corda de cânhamo ao redor de seu pescoço. É um espetáculo terrível e dantesco, as pessoas estão imóveis. O carrasco em seguida vai puxar aquela alavanca ali e pronto. Em três minutos o “terrorista estará morto e a honra nacional salva”. E arremata – “globo e você tudo a ver” –. O deputado pirovano vem na comitiva para escolher “dançarinas”. O governador do estado do rio de janeiro sérgio cabral é um desses desastres anunciados. A não ser que tenha um estilingue para retrucar às tortas, está assentando em cima de uma provocação barata, a revista das mulheres por policiais. No duro mesmo não pode é mostrar o caráter fascista e torturador de sua polícia, corrupta na essência, daí ter que engolir o trem todo. E sem mastigar. É só comer a torta de berlusconi depois que fica tudo resolvido. Ao que parece uma empresa italiana produtora de banheiros públicos vem na esquadra azzurra de berlusconi e vai cobrar apenas dois reais por minuto de ocupação. Com as tortas a média de faturamento atinge a níveis que devem superar os do bordel bbb-9. O impacto econômico e as novas regras seja lá do que for, vão ser objeto de análises e esclarecimentos pela signora miriam leitão. Serão faladas em português para compreensão dos nativos, italiano para os representantes dos donos e legendas em inglês para os donos. O senhor berlusconi chegará de liteira ao paço imperial, será saudado pela multidão devidamente acorrentada e farta distribuição de pizza e macarrão ocorrerá depois das 15 horas à porta do stf dantas incorporation ltd. O cuca é gilmar mendes, concessão feita pelo embaixador de fundos da itália, o que entra e sai pelos fundos. A hipótese de uma narração apoteótica, apopléctica com galvão bueno foi afastada. Pesou o fato que se o signori em questão tiver um microfone perto ninguém mais fala e isso não agrada ao duce berlusconi. O monopólio da palavra é dele. A grife espera faturar uma nota com as “cenas de brutalidade”. Espera-se que milhões de brasileiros tangidos pela globo acorram às lojas e comprem relish. Quem comprar ganha uma torta emagrecedora e direito a personal trainer escolhido a dedo na pm do rio de janeiro. A cabeça de Battisti, para desestimular o “terrorismo” vai ser exposta no carro da Beija-flor.
Foto da dançarina escolhida a dedo para protagonizar a violência policial no rio de janeiro e dar “razão” ao despirocado deputado pirovano. A relish, grife que veste as moças não quer “provocar” um caso diplomático. Só faturar. O policial que imobiliza a moça não é gilmar mendes embora muita gente pense que seja, disfarçado evidente
Itália chama Tarso de sul-americano da esquerda
O ministro de Exteriores italiano Franco Frattini chamou o ministro da Justiça Tarso Genro de um típico político sul-americano ligado à esquerda radical, por conceder asilo político a Cesare Battisti. Em entrevista publicada neste domingo (1/2) pelo Il Giornale, jornal que pertence à família do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, ele ainda acrescentou que Genro vê em Battisti não um terrorista ou um assassino, mas um guerrilheiro da 'liberdade'. O texto foi reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo.
“É uma lástima que (Genro) faça tanto para não lembrar que Battisti atuava de modo criminoso em um país democrático", acrescenta. Em 13 de janeiro, o Governo brasileiro anunciou a decisão de não conceder a extradição de Battisti, à Itália, onde ele foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.
Ele aguarda em uma penitenciária de Brasília até ser posto em liberdade. Esta decisão levou ao Governo italiano a chamar para consultas seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, à espera de que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie sobre o status de refugiado político de Battisti, ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), braço das Brigadas Vermelhas. Frattini afirma que, apesar de ter chamado a consultas a seu embaixador, a Itália sempre tentou manter as boas relações "históricas, políticas e econômicas" com o Brasil. “Mas também não pretendemos fingir que não há nada diante do que consideramos um grave erro cometido por 'uma parte' do Governo brasileiro", diz o ministro italiano, em referência a Tarso Genro.
"Assim, por um lado queremos seguir sendo amigos, até porque em 2009 temos a responsabilidade de liderar o G8 (...) Por outro lado pretendemos usar todos os meios que nos possa levar à extradição de um criminoso, um assassino", acrescenta.
De acordo com o texto, Frattini insiste no pedido de apoio que o ministro de Políticas Européias da Itália, Andrea Ronchi, fez à União Europeia (UE) em carta publicada na quinta-feira no jornal italiano Corriere della Sera.
“Em sentido estritamente jurídico, se pode dizer correta a tese (do presidente) da Comissão (Européia, José Manuel Durão) Barroso sobre sua não-competência em intervir diante do pedido de Ronchi”, afirma Frattini.
“Mas, justo quando a União define os termos de um status de foragido válidos para os 27 (Estados-membros), pode se negar a definir uma postura sobre os assuntos que afetam os europeus frente a outros países?”, se perguntou o ministro italiano.
Segundo ele, Bruxelas perdeu uma ocasião importante para se posicionar a respeito, já que a mesma situação pode acontecer com outros países, “como a Alemanha”, no futuro. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, na sexta-feira, Battisti reiterou sua alegação de inocência em carta e acusou quatro ex-comparsas do PAC, Giuseppe Memeo, Sante Fatone, Sebastiano Masala e Gabriele Grimaldi, pela autoria dos assassinatos que o deram prisão perpétua no julgamento na Itália.
Em declarações neste domingo à imprensa italiana, Memeo e Masala dizem que eles já pagaram pelo que fizeram e que não faz sentido que Battisti volte a citá-los agora.
Fonte: Conjur
“É uma lástima que (Genro) faça tanto para não lembrar que Battisti atuava de modo criminoso em um país democrático", acrescenta. Em 13 de janeiro, o Governo brasileiro anunciou a decisão de não conceder a extradição de Battisti, à Itália, onde ele foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.
Ele aguarda em uma penitenciária de Brasília até ser posto em liberdade. Esta decisão levou ao Governo italiano a chamar para consultas seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, à espera de que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie sobre o status de refugiado político de Battisti, ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), braço das Brigadas Vermelhas. Frattini afirma que, apesar de ter chamado a consultas a seu embaixador, a Itália sempre tentou manter as boas relações "históricas, políticas e econômicas" com o Brasil. “Mas também não pretendemos fingir que não há nada diante do que consideramos um grave erro cometido por 'uma parte' do Governo brasileiro", diz o ministro italiano, em referência a Tarso Genro.
"Assim, por um lado queremos seguir sendo amigos, até porque em 2009 temos a responsabilidade de liderar o G8 (...) Por outro lado pretendemos usar todos os meios que nos possa levar à extradição de um criminoso, um assassino", acrescenta.
De acordo com o texto, Frattini insiste no pedido de apoio que o ministro de Políticas Européias da Itália, Andrea Ronchi, fez à União Europeia (UE) em carta publicada na quinta-feira no jornal italiano Corriere della Sera.
“Em sentido estritamente jurídico, se pode dizer correta a tese (do presidente) da Comissão (Européia, José Manuel Durão) Barroso sobre sua não-competência em intervir diante do pedido de Ronchi”, afirma Frattini.
“Mas, justo quando a União define os termos de um status de foragido válidos para os 27 (Estados-membros), pode se negar a definir uma postura sobre os assuntos que afetam os europeus frente a outros países?”, se perguntou o ministro italiano.
Segundo ele, Bruxelas perdeu uma ocasião importante para se posicionar a respeito, já que a mesma situação pode acontecer com outros países, “como a Alemanha”, no futuro. De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, na sexta-feira, Battisti reiterou sua alegação de inocência em carta e acusou quatro ex-comparsas do PAC, Giuseppe Memeo, Sante Fatone, Sebastiano Masala e Gabriele Grimaldi, pela autoria dos assassinatos que o deram prisão perpétua no julgamento na Itália.
Em declarações neste domingo à imprensa italiana, Memeo e Masala dizem que eles já pagaram pelo que fizeram e que não faz sentido que Battisti volte a citá-los agora.
Fonte: Conjur
Juiz que diz confiar na Justiça como instituição mente
Por Roberto Wanderley Nogueira e Luiz M. Leitão da Cunha
Uma brilhante ministra do Superior Tribunal de Justiça veio a público defender o resgate da respeitabilidade do juiz de primeiro grau como forma de garantia da efetividade da prestação da Justiça no país. Ela dispara: "Enquanto o juiz de primeiro grau não for devidamente respeitado em suas decisões e suas decisões forem sempre reformadas, muitas vezes até sem fundamento, nós teremos mais um fator de inchaço para a Justiça." (Revista Consultor Jurídico, 14/01/2009).
De acordo com a ministra, o passo inicial para essa respeitabilidade passa exatamente pela Escola Nacional de Magistratura, que dará aos magistrados o arcabouço necessário à sua formação e, a partir daí, as instâncias superiores poderão exigir do juiz de primeiro grau uma prestação jurisdicional mais efetiva e, com isso, a respeitabilidade dos próprios tribunais.
Discurso sonoro aos ouvidos dos incautos, mas, afinal, quem se impressiona? Se hoje o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), numa espécie de censura prévia, chega ao requinte de recomendar aos demais juízes que evitem mencionar em suas sentenças os nomes, ainda que de fantasia, das operações da Polícia Federal, como é que se pode falar em independência?
De outro ponto, atuando hipossuficientemente, nega-se a exercitar a própria competência constitucional inscrita no parágrafo 4º, do artigo 103-B, em relação ao Supremo Tribunal Federal que é órgão do Poder Judiciário, submetido como um todo ao seu controle administrativo e financeiro, assim como o atendimento aos deveres funcionais dos juízes, ministros e desembargadores, provendo-lhes a legalidade dos seus atos que não sejam propriamente jurisdicionais. E também em algumas matérias relativas à Justiça Federal, sob o argumento de evitar sobreposição em relação ao Conselho da Justiça Federal.
O resultado desse quadro é que em determinados casos geram-se estados de completa anomia, posto que nem se controla administrativamente uma matéria e nem esta é enfrentada judicialmente pelas razões clássicas ou não tão clássicas da morosidade na Administração da Justiça. Exemplo claro desse expediente é o que se refere à estranha pendência quanto à suposta inaplicabilidade do artigo 93, inc. II, alínea "b", da Constituição, às promoções na carreira da Magistratura Federal comum, ora porque o Supremo não decide pela atuação de seu Plenário, ora porque o CNJ diz que não pode decidir em face disso.
Foi a mesma ministra que, corajosamente, disse na TV Senado que só estava ali graças à interferência de Antônio Carlos Magalhães, à época que o falecido senador mandava e desmandava no Brasil, quem não se lembra? Quando até se lançou à bravata quixotesca e seletiva, dirigida ao próprio Poder Judiciário, mediante a instalação de uma histriônica Comissão Parlamentar de Inquérito que levou muita gente na conversa, nós inclusive - pensamos que seria para valer, e não com o intuito de pilhar meia dúzia de bodes expiatórios.
De fato, a ministra tem umas posições de vanguarda, o que é bom, mas, lamentavelmente, fica nisso. Aliás, não estaria onde está se fosse além. O sistema não lhe permite que materialize suas idéias, se sinceras forem, e não duvidamos que o sejam. Ir além poderia lhe custar o cargo, ou uma enfermidade medonha que causaria o seu afastamento do mesmo modo, haja vista a força das pressões corporativas que haveria de sofrer.
Então, resta-lhe um papel de oxigenadora do próprio sistema, interessante a este que, assim, se apresenta como "modernoso", fleumático, suscetível aos clamores sociais e de justiça sem ter de mudar um grau sequer o seu clássico equilíbrio corporativo que acumula privilégios e prepotências nas mãos das cúpulas — que o jurista Dalmo Dallari, em O poder dos juízes, classifica como o foco de quase todas as mazelas do Poder Judiciário brasileiro — e de seus sucessores, forjados exatamente para dar continuidade ao regime.
Nada obstante, nós ainda nos reservamos o direito a alimentar nossas dúvidas sobre se a ministra estaria realmente disposta a fazer o que diz, ou seja, respeitar a "juizada" do primeiro grau, quando é certa a consciência de que pouquíssimos apenas guardam a independência mais profunda, o autorrespeito, a competência em forma de educação continuada (que não depende de escolas de magistratura, por serem expedientes autárquicos e privilegiadores de alguns e cabide de empregos de outros) e nenhum temor reverencial. Como se pode deduzir, nenhuma escola é por si mesma arcabouço de excelência na arte de julgar. Elas não excluem as misérias humanas de que também são revestidos os juízes e nem tampouco por elas passarão os dignitários da Justiça brasileira, condutores de uma cultura primitiva ainda presente entre nós. A respeitabilidade dos juízes do primeiro grau é, portanto, diretamente proporcional às grandes barreiras comportamentais que contaminam a vida institucional brasileira como um todo e, nesse todo, também a justiça nacional: ignorância extrema, autopromoção e corrupção endêmica. Não há como lutar contra uma alquimia tão explosiva quanto esta: burrice, vaidade e corrupção, juntas.
Por isso, não guardamos alento. O que ouvimos foram apenas palavras sem maior repercussão na vida prática. Tudo continua como sempre esteve e nada sugere que vá mudar. Na Justiça brasileira, como instituição, nós não confiamos. Aliás, o juiz que disser o contrário, mente. A confiança na Justiça é, no país, uma relação estritamente subjetiva que depende superlativamente do ator que exercerá esse papel, e não de sua estrutura funcional, vinculada a outros interesses quase sempre ativados em divergência ao direito posto.
São subsistemas que afetam na prática o sistema jurídico e oprimem a cidadania de forma disfarçada, restando o simbolismo do processo. Quando a Justiça se realiza, nesse contexto, é por acaso, como um simples acidente de percurso ou manifestação milagrosa sempre possível a quem tem fé. Isso é dito e explicado em Justiça acidental nos bastidores do Poder Judiciário (Editora Fabris, Porto Alegre, 1996).
No direito brasileiro, profissionais bem sucedidos são lobistas, e não juristas de formação genuína, que vivem, em geral, muito modestamente. Que o digam, mesmo em sua intimidade mais profunda, os políticos, os "bicheiros", os donos do capital, os juízes das cortes brasileiras e aqueles que, ainda não estando nelas, esmeram-se, parasitários, na arte de adular. Inclusive certas associações de classe de magistrados, cuja tônica é alavancar seus diretivos aos tribunais no rastro de uma infeliz e permanente crise de representatividade. É triste o país que nós temos.
Roberto Wanderley Nogueira é juiz Federal em Recife, doutor em Direito Público e professor-adjunto Faculdade de Direito do Recife e da Universidade Católica de Pernambuco.
Luiz M. Leitão da Cunha é administrador de empresas
Fonte: Conjur
Uma brilhante ministra do Superior Tribunal de Justiça veio a público defender o resgate da respeitabilidade do juiz de primeiro grau como forma de garantia da efetividade da prestação da Justiça no país. Ela dispara: "Enquanto o juiz de primeiro grau não for devidamente respeitado em suas decisões e suas decisões forem sempre reformadas, muitas vezes até sem fundamento, nós teremos mais um fator de inchaço para a Justiça." (Revista Consultor Jurídico, 14/01/2009).
De acordo com a ministra, o passo inicial para essa respeitabilidade passa exatamente pela Escola Nacional de Magistratura, que dará aos magistrados o arcabouço necessário à sua formação e, a partir daí, as instâncias superiores poderão exigir do juiz de primeiro grau uma prestação jurisdicional mais efetiva e, com isso, a respeitabilidade dos próprios tribunais.
Discurso sonoro aos ouvidos dos incautos, mas, afinal, quem se impressiona? Se hoje o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), numa espécie de censura prévia, chega ao requinte de recomendar aos demais juízes que evitem mencionar em suas sentenças os nomes, ainda que de fantasia, das operações da Polícia Federal, como é que se pode falar em independência?
De outro ponto, atuando hipossuficientemente, nega-se a exercitar a própria competência constitucional inscrita no parágrafo 4º, do artigo 103-B, em relação ao Supremo Tribunal Federal que é órgão do Poder Judiciário, submetido como um todo ao seu controle administrativo e financeiro, assim como o atendimento aos deveres funcionais dos juízes, ministros e desembargadores, provendo-lhes a legalidade dos seus atos que não sejam propriamente jurisdicionais. E também em algumas matérias relativas à Justiça Federal, sob o argumento de evitar sobreposição em relação ao Conselho da Justiça Federal.
O resultado desse quadro é que em determinados casos geram-se estados de completa anomia, posto que nem se controla administrativamente uma matéria e nem esta é enfrentada judicialmente pelas razões clássicas ou não tão clássicas da morosidade na Administração da Justiça. Exemplo claro desse expediente é o que se refere à estranha pendência quanto à suposta inaplicabilidade do artigo 93, inc. II, alínea "b", da Constituição, às promoções na carreira da Magistratura Federal comum, ora porque o Supremo não decide pela atuação de seu Plenário, ora porque o CNJ diz que não pode decidir em face disso.
Foi a mesma ministra que, corajosamente, disse na TV Senado que só estava ali graças à interferência de Antônio Carlos Magalhães, à época que o falecido senador mandava e desmandava no Brasil, quem não se lembra? Quando até se lançou à bravata quixotesca e seletiva, dirigida ao próprio Poder Judiciário, mediante a instalação de uma histriônica Comissão Parlamentar de Inquérito que levou muita gente na conversa, nós inclusive - pensamos que seria para valer, e não com o intuito de pilhar meia dúzia de bodes expiatórios.
De fato, a ministra tem umas posições de vanguarda, o que é bom, mas, lamentavelmente, fica nisso. Aliás, não estaria onde está se fosse além. O sistema não lhe permite que materialize suas idéias, se sinceras forem, e não duvidamos que o sejam. Ir além poderia lhe custar o cargo, ou uma enfermidade medonha que causaria o seu afastamento do mesmo modo, haja vista a força das pressões corporativas que haveria de sofrer.
Então, resta-lhe um papel de oxigenadora do próprio sistema, interessante a este que, assim, se apresenta como "modernoso", fleumático, suscetível aos clamores sociais e de justiça sem ter de mudar um grau sequer o seu clássico equilíbrio corporativo que acumula privilégios e prepotências nas mãos das cúpulas — que o jurista Dalmo Dallari, em O poder dos juízes, classifica como o foco de quase todas as mazelas do Poder Judiciário brasileiro — e de seus sucessores, forjados exatamente para dar continuidade ao regime.
Nada obstante, nós ainda nos reservamos o direito a alimentar nossas dúvidas sobre se a ministra estaria realmente disposta a fazer o que diz, ou seja, respeitar a "juizada" do primeiro grau, quando é certa a consciência de que pouquíssimos apenas guardam a independência mais profunda, o autorrespeito, a competência em forma de educação continuada (que não depende de escolas de magistratura, por serem expedientes autárquicos e privilegiadores de alguns e cabide de empregos de outros) e nenhum temor reverencial. Como se pode deduzir, nenhuma escola é por si mesma arcabouço de excelência na arte de julgar. Elas não excluem as misérias humanas de que também são revestidos os juízes e nem tampouco por elas passarão os dignitários da Justiça brasileira, condutores de uma cultura primitiva ainda presente entre nós. A respeitabilidade dos juízes do primeiro grau é, portanto, diretamente proporcional às grandes barreiras comportamentais que contaminam a vida institucional brasileira como um todo e, nesse todo, também a justiça nacional: ignorância extrema, autopromoção e corrupção endêmica. Não há como lutar contra uma alquimia tão explosiva quanto esta: burrice, vaidade e corrupção, juntas.
Por isso, não guardamos alento. O que ouvimos foram apenas palavras sem maior repercussão na vida prática. Tudo continua como sempre esteve e nada sugere que vá mudar. Na Justiça brasileira, como instituição, nós não confiamos. Aliás, o juiz que disser o contrário, mente. A confiança na Justiça é, no país, uma relação estritamente subjetiva que depende superlativamente do ator que exercerá esse papel, e não de sua estrutura funcional, vinculada a outros interesses quase sempre ativados em divergência ao direito posto.
São subsistemas que afetam na prática o sistema jurídico e oprimem a cidadania de forma disfarçada, restando o simbolismo do processo. Quando a Justiça se realiza, nesse contexto, é por acaso, como um simples acidente de percurso ou manifestação milagrosa sempre possível a quem tem fé. Isso é dito e explicado em Justiça acidental nos bastidores do Poder Judiciário (Editora Fabris, Porto Alegre, 1996).
No direito brasileiro, profissionais bem sucedidos são lobistas, e não juristas de formação genuína, que vivem, em geral, muito modestamente. Que o digam, mesmo em sua intimidade mais profunda, os políticos, os "bicheiros", os donos do capital, os juízes das cortes brasileiras e aqueles que, ainda não estando nelas, esmeram-se, parasitários, na arte de adular. Inclusive certas associações de classe de magistrados, cuja tônica é alavancar seus diretivos aos tribunais no rastro de uma infeliz e permanente crise de representatividade. É triste o país que nós temos.
Roberto Wanderley Nogueira é juiz Federal em Recife, doutor em Direito Público e professor-adjunto Faculdade de Direito do Recife e da Universidade Católica de Pernambuco.
Luiz M. Leitão da Cunha é administrador de empresas
Fonte: Conjur
Para cientistas Lula tem grande trunfo após eleições no Congresso
Luciana Abade, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Os resultados das eleições do Congresso Nacional que colocaram na presidência do Senado e da Câmara dos Deputados dois caciques peemedebistas, o senador José Sarney (AP) e o deputado Michel Temer (SP) respectivamente, garantem, na opinião dos cientistas políticos ouvidos pelo JB, um apoio maciço ao candidato lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2010.
Para os entrevistados, nem a hegemonia do PMDB, nem a insatisfação dos petistas com o quadro, representam risco de insurgência das duas maiores legendas contra o candidato de Lula em 2010 porque “seria um suicídio político” ir contra um presidente com tanta popularidade. Principalmente o PMDB, que além de não ter unidade, não tem candidato.
– Lula não governa sem o PMDB – afirma o professor do Instituto Universitário e Pesquisa do Rio de Janeiro, Luis Werneck Viana. – Se Lula não tivesse saído da frente de Sarney, ele não teria vencido. O resultado será muito sentido pelos petistas tradicionais, mas logo mais Lula vai retomar o controle da vida partidária.
Na opinião do cientista político Humberto Dantas, a postura de Lula nessas eleições “foi de uma leitura difícil” porque, ao mesmo tempo em que avisou que não iria se envolver, em uma tentativa de não desgastar sua imagem no Congresso, reuniu alguns senadores para pedir que negociassem com seus partidos, mostrando, mais uma vez, “ter uma relação deslizante com os congressistas”.
Dantas acredita que, apesar de estar iniciando seu terceiro mandato à frente do Senado, Sarney, que rompeu uma aliança entre o governo e o PMDB de troca de apoio nas eleições das duas Casas como ocorreu na legislatura anterior, saiu derrotado:
– Saiu derrotado porque só gosta de unanimidades. Ele esperava um jogo mais tranquilo. Essa deve ter sido sua última grande vitória política. Mas sua volta é o retorno do conservadorismo e a manutenção do Senado submetido ao Poder Executivo.
Werneck vai além:
– Por que um homem de quase 80 anos que já foi presidente da República e já divergiu várias vezes com o Senado se candidatou? O segredo está no Maranhão. Ele que devolver o poder ao seu clã.
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, ao contrário do novo presidente do Senado que será fiel a Lula em 2010, Temer pode dar um pouco de dor de cabeça se resolver apoiar José Serra (PSDB-SP), uma vez que já mostrou ter uma ligação com o governador , ao apoiar Gilberto Kassab (DEM-SP).
– Serão dois pesos pesados trabalhando para lados diferentes. Tratando-se de PMDB, pode dar empate e ele não apoiar ninguém, desde que o partido mantenha suas bancadas na Câmara e no Senado.
Sem garantias
O também cientista político da UnB Octaciano Nogueira, foi o único ouvido pelo JB a discordar que as eleições de ontem começaram a traçar o que será o próximo pleito presidencial. Para o professor, o fato do PMDB ocupar as duas presidências nem chega a ser relevante.
– O PMDB vai apoiar Dilma em 2010? – pergunta Nogueira.– Não necessariamente. O PMDB é o único partido que aceita dissidentes. E distribui apoio de maneira heterogênea nos estados. Qual a ideologia do partido? De quem está no poder.
Nogueira acredita que tanto Temer como Sarney vão apoiar Lula e que nem a decepção do Partido dos Trabalhadores como o novo quadro de comando do Congresso vai gerar insurgências nos próximos anos porque “Lula é muito maior que o PT”.
Fonte: JB Online
BRASÍLIA - Os resultados das eleições do Congresso Nacional que colocaram na presidência do Senado e da Câmara dos Deputados dois caciques peemedebistas, o senador José Sarney (AP) e o deputado Michel Temer (SP) respectivamente, garantem, na opinião dos cientistas políticos ouvidos pelo JB, um apoio maciço ao candidato lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2010.
Para os entrevistados, nem a hegemonia do PMDB, nem a insatisfação dos petistas com o quadro, representam risco de insurgência das duas maiores legendas contra o candidato de Lula em 2010 porque “seria um suicídio político” ir contra um presidente com tanta popularidade. Principalmente o PMDB, que além de não ter unidade, não tem candidato.
– Lula não governa sem o PMDB – afirma o professor do Instituto Universitário e Pesquisa do Rio de Janeiro, Luis Werneck Viana. – Se Lula não tivesse saído da frente de Sarney, ele não teria vencido. O resultado será muito sentido pelos petistas tradicionais, mas logo mais Lula vai retomar o controle da vida partidária.
Na opinião do cientista político Humberto Dantas, a postura de Lula nessas eleições “foi de uma leitura difícil” porque, ao mesmo tempo em que avisou que não iria se envolver, em uma tentativa de não desgastar sua imagem no Congresso, reuniu alguns senadores para pedir que negociassem com seus partidos, mostrando, mais uma vez, “ter uma relação deslizante com os congressistas”.
Dantas acredita que, apesar de estar iniciando seu terceiro mandato à frente do Senado, Sarney, que rompeu uma aliança entre o governo e o PMDB de troca de apoio nas eleições das duas Casas como ocorreu na legislatura anterior, saiu derrotado:
– Saiu derrotado porque só gosta de unanimidades. Ele esperava um jogo mais tranquilo. Essa deve ter sido sua última grande vitória política. Mas sua volta é o retorno do conservadorismo e a manutenção do Senado submetido ao Poder Executivo.
Werneck vai além:
– Por que um homem de quase 80 anos que já foi presidente da República e já divergiu várias vezes com o Senado se candidatou? O segredo está no Maranhão. Ele que devolver o poder ao seu clã.
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, ao contrário do novo presidente do Senado que será fiel a Lula em 2010, Temer pode dar um pouco de dor de cabeça se resolver apoiar José Serra (PSDB-SP), uma vez que já mostrou ter uma ligação com o governador , ao apoiar Gilberto Kassab (DEM-SP).
– Serão dois pesos pesados trabalhando para lados diferentes. Tratando-se de PMDB, pode dar empate e ele não apoiar ninguém, desde que o partido mantenha suas bancadas na Câmara e no Senado.
Sem garantias
O também cientista político da UnB Octaciano Nogueira, foi o único ouvido pelo JB a discordar que as eleições de ontem começaram a traçar o que será o próximo pleito presidencial. Para o professor, o fato do PMDB ocupar as duas presidências nem chega a ser relevante.
– O PMDB vai apoiar Dilma em 2010? – pergunta Nogueira.– Não necessariamente. O PMDB é o único partido que aceita dissidentes. E distribui apoio de maneira heterogênea nos estados. Qual a ideologia do partido? De quem está no poder.
Nogueira acredita que tanto Temer como Sarney vão apoiar Lula e que nem a decepção do Partido dos Trabalhadores como o novo quadro de comando do Congresso vai gerar insurgências nos próximos anos porque “Lula é muito maior que o PT”.
Fonte: JB Online
Não deu no Jornal Naciona! Orçamento: Brasil é o país mais transparente da América Latina
Orçamento: Brasil é o país mais transparente da América Latina
Em uma lista de 85 países de diferentes regiões do mundo, poucos governos são transparentes. Isto é, 80% não fornecem informações adequadas à população sobre como administram o dinheiro público. Apesar de não divulgarem, a maior parte produz informações orçamentárias que permitem à população participar efetivamente no processo orçamentário. No ranking que enumera as nações que fornecem informações sobre como administram as contas públicas, o Brasil está em oitavo lugar. É considerado um país que expõe informações significativas, mas que poderia tornar público um número maior de documentos.As constatações fazem parte da Pesquisa do Orçamento Aberto 2008 da entidade norte-americana International Budget Partnership (IBP), publicada neste fim de semana, que analisa, investiga e produz pesquisas para melhorar processos de orçamento público. Para elaborar o Índice de Orçamento Aberto, que mede o compromisso dos países com a transparência, a IBP enviou um questionário com 123 perguntas a entidades sem vínculos governamentais de cada país. Os dados foram levantados até o final de setembro de 2007.As melhores performances incluem o Reino Unido, África do Sul, França, Nova Zelândia e Estados Unidos, necessariamente nesta ordem. Apenas estes cinco países fornecem informações abrangentes e suficientes ao controle orçamentário por parte da sociedade. São Estados desenvolvidos ou em desenvolvimento. Na outra ponta, os piores desempenhos, aqueles que disponibilizam informação insuficiente ou nenhuma, ficam por conta de São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, República Democrática do Congo, Sudão e Ruanda.A Guiné Equatorial, por exemplo, rica em petróleo, comprou uma casa de férias de (R ou U)$ 35 milhões para o presidente em Malibu, Califórnia, segundo um comitê investigativo do Senado dos Estados Unidos. A compra representa (R ou U)$ 10 milhões a mais do que o orçamento anunciado para a saúde da população naquele país em 1995. Desde 2005, ano do acordo de paz no Sudão, o país deveria divulgar os valores das receitas de petróleo. Mas o governo não forneceu as informações, o que segundo a IBP, levantou a suspeita de que o dinheiro teria sido usado para comprar armas e não para diminuir a pobreza no país.Brasil: Maior transparência da América LatinaApesar de estar na lista dos que fornecem algumas informações, o Brasil é a nação que mais presta contas do dinheiro público a sociedade na América Latina. Os colegas mais próximos são Peru, em 11º lugar, ainda no grupo cujos governos apresentam informações significativas, e a Colômbia, na 18ª colocação, já entre os que apresentam apenas algumas informações.Entre os governo que exibem informações expressivas, o Brasil só perde para a Noruega e Suíça. Já na comparação com os associados ao bloco Mercosul, a Argentina é a mais próxima, em 25º lugar, na lista dos governos com algumas informações. Este grupo abriga 32% do total de países pesquisados. A vizinha Bolívia é a menos transparente e está em 74ª colocação. A Venezuela de Hugo Chávez, que pleiteia uma vaga no bloco econômico, está no 54º lugar.Entre as questões que permeiam o estudo, há problemas de transparência que não são exclusivos do Brasil, como a elaboração do orçamento no Executivo, restrito a técnicas do governo. O Orçamento Geral da União (OGU) em 2009 no Brasil foi aprovado ainda no ano passado. Todavia, o OGU 2008 foi aprovado no final de março do ano passado. A pesquisa apontou que em 24 países o Legislativo recebeu o orçamento seis semanas ou menos do início do ano orçamentário, o que deve ter atrasado também a aprovação.Orçamento Aberto
O estudo é dividido em cinco categorias. Os governos que tiveram pontuação entre 100% e 81% estão no grupo que fornecem extensiva informação. Aqueles com pontuação 80% a 61%, no qual se inclui o Brasil, estão na categoria que fornece informações significativas. Já a pontuação entre 60 e 41% oferece algumas informações. Os governos que receberam pontuação entre 40 e 21% providenciam apenas informações mínimas a população. Aquelas com pontuação de 20 a 0% expõem informações mínimas ou mesmo nenhuma.No momento, 17 países produzem Orçamentos Cidadãos, aqueles apresentados de forma não técnica, de fácil compreensão, inclusive, Angola, Uganda, Gana e Índia, apesar de variar na quantidade de informações que fornecem. Por meio de Orçamentos Cidadãos a população pode aprender como participar no processo orçamentário e entender as escolhas do governo. Na Colômbia, Níger e África do Sul, segundo a IBP, grupos da sociedade civil apresentam regularmente informações orçamentárias atualizadas pelo rádio.De acordo com a International Budget Partnership, todos os governos estudados têm sites próprios ou do parlamento em vigor, nos quais seria possível disponibilizar muito mais informações ao público se assim quisessem. Segundo Warren Krafchik, diretor da entidade, orçamentos abertos permitem o julgamento popular a respeito dos bons e maus gestores dos fundos públicos. “Nosso objetivo é promover maior acesso público às informações orçamentárias do governo”, explica. “Vimos como isso pode levar a melhorias concretas nas vidas das pessoas”, completa.
Amanda Costa
Do Contas Abertas
Em uma lista de 85 países de diferentes regiões do mundo, poucos governos são transparentes. Isto é, 80% não fornecem informações adequadas à população sobre como administram o dinheiro público. Apesar de não divulgarem, a maior parte produz informações orçamentárias que permitem à população participar efetivamente no processo orçamentário. No ranking que enumera as nações que fornecem informações sobre como administram as contas públicas, o Brasil está em oitavo lugar. É considerado um país que expõe informações significativas, mas que poderia tornar público um número maior de documentos.As constatações fazem parte da Pesquisa do Orçamento Aberto 2008 da entidade norte-americana International Budget Partnership (IBP), publicada neste fim de semana, que analisa, investiga e produz pesquisas para melhorar processos de orçamento público. Para elaborar o Índice de Orçamento Aberto, que mede o compromisso dos países com a transparência, a IBP enviou um questionário com 123 perguntas a entidades sem vínculos governamentais de cada país. Os dados foram levantados até o final de setembro de 2007.As melhores performances incluem o Reino Unido, África do Sul, França, Nova Zelândia e Estados Unidos, necessariamente nesta ordem. Apenas estes cinco países fornecem informações abrangentes e suficientes ao controle orçamentário por parte da sociedade. São Estados desenvolvidos ou em desenvolvimento. Na outra ponta, os piores desempenhos, aqueles que disponibilizam informação insuficiente ou nenhuma, ficam por conta de São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, República Democrática do Congo, Sudão e Ruanda.A Guiné Equatorial, por exemplo, rica em petróleo, comprou uma casa de férias de (R ou U)$ 35 milhões para o presidente em Malibu, Califórnia, segundo um comitê investigativo do Senado dos Estados Unidos. A compra representa (R ou U)$ 10 milhões a mais do que o orçamento anunciado para a saúde da população naquele país em 1995. Desde 2005, ano do acordo de paz no Sudão, o país deveria divulgar os valores das receitas de petróleo. Mas o governo não forneceu as informações, o que segundo a IBP, levantou a suspeita de que o dinheiro teria sido usado para comprar armas e não para diminuir a pobreza no país.Brasil: Maior transparência da América LatinaApesar de estar na lista dos que fornecem algumas informações, o Brasil é a nação que mais presta contas do dinheiro público a sociedade na América Latina. Os colegas mais próximos são Peru, em 11º lugar, ainda no grupo cujos governos apresentam informações significativas, e a Colômbia, na 18ª colocação, já entre os que apresentam apenas algumas informações.Entre os governo que exibem informações expressivas, o Brasil só perde para a Noruega e Suíça. Já na comparação com os associados ao bloco Mercosul, a Argentina é a mais próxima, em 25º lugar, na lista dos governos com algumas informações. Este grupo abriga 32% do total de países pesquisados. A vizinha Bolívia é a menos transparente e está em 74ª colocação. A Venezuela de Hugo Chávez, que pleiteia uma vaga no bloco econômico, está no 54º lugar.Entre as questões que permeiam o estudo, há problemas de transparência que não são exclusivos do Brasil, como a elaboração do orçamento no Executivo, restrito a técnicas do governo. O Orçamento Geral da União (OGU) em 2009 no Brasil foi aprovado ainda no ano passado. Todavia, o OGU 2008 foi aprovado no final de março do ano passado. A pesquisa apontou que em 24 países o Legislativo recebeu o orçamento seis semanas ou menos do início do ano orçamentário, o que deve ter atrasado também a aprovação.Orçamento Aberto
O estudo é dividido em cinco categorias. Os governos que tiveram pontuação entre 100% e 81% estão no grupo que fornecem extensiva informação. Aqueles com pontuação 80% a 61%, no qual se inclui o Brasil, estão na categoria que fornece informações significativas. Já a pontuação entre 60 e 41% oferece algumas informações. Os governos que receberam pontuação entre 40 e 21% providenciam apenas informações mínimas a população. Aquelas com pontuação de 20 a 0% expõem informações mínimas ou mesmo nenhuma.No momento, 17 países produzem Orçamentos Cidadãos, aqueles apresentados de forma não técnica, de fácil compreensão, inclusive, Angola, Uganda, Gana e Índia, apesar de variar na quantidade de informações que fornecem. Por meio de Orçamentos Cidadãos a população pode aprender como participar no processo orçamentário e entender as escolhas do governo. Na Colômbia, Níger e África do Sul, segundo a IBP, grupos da sociedade civil apresentam regularmente informações orçamentárias atualizadas pelo rádio.De acordo com a International Budget Partnership, todos os governos estudados têm sites próprios ou do parlamento em vigor, nos quais seria possível disponibilizar muito mais informações ao público se assim quisessem. Segundo Warren Krafchik, diretor da entidade, orçamentos abertos permitem o julgamento popular a respeito dos bons e maus gestores dos fundos públicos. “Nosso objetivo é promover maior acesso público às informações orçamentárias do governo”, explica. “Vimos como isso pode levar a melhorias concretas nas vidas das pessoas”, completa.
Amanda Costa
Do Contas Abertas
O buraco perfeito
Leonardo Boff *
Adital -
Ignace Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique e um dos agudos analistas da situação mundial, chamou a atual crise econômico-financeira de "a crise perfeita". Putin, em Davos, a chamou de "a tempestade pefeita’. Eu, de minha parte, a chamaria de "o buraco perfeito". O grupo que compõe a Iniciativa Carta da Terra (M. Gorbachev, S. Rockfeller, M.Strong e eu mesmo, entre outros) há anos advertia: "não podemos continuar pelo caminho já andado, por mais plano que se apresente, pois lá na frente ele encontra um buraco abissal". Como um ritornello o repetia também o Fórum Social Mundial, desde a sua primeira edição em Porto Alegre em 2001. Pois chegou o momento em que o buraco apareceu. Lá para dentro caíram grandes bancos, tradicionais fábricas, imensas corporações transnacionais e US$50 trilhões de fortunas pessoais se uniram ao pó do fundo do buraco. Stephen Roach, do banco Morgan Stanley, também afetado, confessou: "Errou Wall Street. Erraram os reguladores. Erraram as Agências de Avaliação de risco. Erramos todos nós". Mas não teve a humildade de reconhecer:" Acertou o Fórum Social Mundial. Acertaram os ambientalistas. Acertaram grandes nomes do pensamento ecológico como J. Lovelock, E. Wilson e E. Morin".
Em outras palavras, os que se imaginavam senhores do mundo a ponto de alguns deles decretarem o fim da história, que sustentavam a impossibilidade de qualquer alternativa e que em seus concílios ecumênicos-econômicos promulgaram dogmas da perfeita autoregulação dos mercados e da única via, aquela do capitalismo globalizado, agora perderam todo o seu latim. Andam confusos e perplexos como um bêbado em beco escuro. O Fórum Social Mundial, sem orgulho, mas sinceramente pode dizer: "nosso diagnóstico estava correto. Não temos a alternativa ainda mas uma certeza se impõe: este tipo de mundo não tem mais condiçãoes de continuar e de projetar um futuro de inclusão e de esperança para a humanidade e para toda a comunidade de vida". Se prosseguir, ele pode pôr fim a vida humana e ferir gravemente a Pacha Mama, a Mãe Terra.
Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: "Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa". Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu:"O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais".
Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama consideravel de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.
A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.
Fonte: Adital
Adital -
Ignace Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique e um dos agudos analistas da situação mundial, chamou a atual crise econômico-financeira de "a crise perfeita". Putin, em Davos, a chamou de "a tempestade pefeita’. Eu, de minha parte, a chamaria de "o buraco perfeito". O grupo que compõe a Iniciativa Carta da Terra (M. Gorbachev, S. Rockfeller, M.Strong e eu mesmo, entre outros) há anos advertia: "não podemos continuar pelo caminho já andado, por mais plano que se apresente, pois lá na frente ele encontra um buraco abissal". Como um ritornello o repetia também o Fórum Social Mundial, desde a sua primeira edição em Porto Alegre em 2001. Pois chegou o momento em que o buraco apareceu. Lá para dentro caíram grandes bancos, tradicionais fábricas, imensas corporações transnacionais e US$50 trilhões de fortunas pessoais se uniram ao pó do fundo do buraco. Stephen Roach, do banco Morgan Stanley, também afetado, confessou: "Errou Wall Street. Erraram os reguladores. Erraram as Agências de Avaliação de risco. Erramos todos nós". Mas não teve a humildade de reconhecer:" Acertou o Fórum Social Mundial. Acertaram os ambientalistas. Acertaram grandes nomes do pensamento ecológico como J. Lovelock, E. Wilson e E. Morin".
Em outras palavras, os que se imaginavam senhores do mundo a ponto de alguns deles decretarem o fim da história, que sustentavam a impossibilidade de qualquer alternativa e que em seus concílios ecumênicos-econômicos promulgaram dogmas da perfeita autoregulação dos mercados e da única via, aquela do capitalismo globalizado, agora perderam todo o seu latim. Andam confusos e perplexos como um bêbado em beco escuro. O Fórum Social Mundial, sem orgulho, mas sinceramente pode dizer: "nosso diagnóstico estava correto. Não temos a alternativa ainda mas uma certeza se impõe: este tipo de mundo não tem mais condiçãoes de continuar e de projetar um futuro de inclusão e de esperança para a humanidade e para toda a comunidade de vida". Se prosseguir, ele pode pôr fim a vida humana e ferir gravemente a Pacha Mama, a Mãe Terra.
Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: "Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa". Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu:"O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais".
Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama consideravel de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.
A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.
Fonte: Adital
O presidente Lula em sinuca
Por; Carlos Chagas
BRASÍLIA – Pode o presidente Lula confiar na promessa do senador José Sarney de que apóia a candidatura de Dilma Rousseff ao palácio do Planalto? Afinal, além de jurar que não seria candidato, o novo presidente do Senado e do Congresso também mandou dizer ao governador José Serra não haver-se definido diante da sucessão presidencial, até porque é cedo demais para compromissos. Na presidência da Câmara, o deputado Michel Temer nada tem avançado sobre o tema, lembrando apenas que o PMDB integra a base parlamentar do governo, mas deixando as conclusões para quem quiser.
Vale virar o jogo e lembrar, ao menos para raciocínio teórico, a hipótese de Dilma não decolar como candidata e o presidente Lula ver-se obrigado a ceder ao apelo dos companheiros, contrariando declarações anteriores e aceitando concorrer ao terceiro mandato. Controlado agora pelo PMDB, o Congresso aprovaria a respectiva emenda constitucional tão placidamente quanto aprovou, em 1996, o direito de Fernando Henrique Cardoso disputar o segundo período, quando foi eleito apenas para o primeiro? Pode ser que não, ou, ao menos, o preço se elevará tanto quanto os atuais índices de desemprego.
Numa palavra, apesar da ebulição, das incertezas e das baixarias das últimas semanas, as eleições de ontem para as presidências da Câmara e do Senado deixaram o presidente Lula em sinuca. Quem admitiu foi o ministro da Coordenação Política, José Múcio, para quem sequelas acontecerão na base oficial.
Sarney e Temer são do ramo, provavelmente hoje à tarde, se não tiver sido de madrugada, entoarão cantos de louvor ao presidente Lula. Faltam quase dois anos para a sucessão e nenhum dos dois arriscaria arranhar as relações do partido, detentor de seis ministérios e de centenas de altas funções no governo.
O fundamental, nesse episódio encerrado ontem, envolveu traições, recuos, espertezas e falsos-testemunhos, é que ficam para os próximos meses dúvidas, desconfianças, manobras e até lambanças. Aliás, de parte a parte, porque competência política o presidente Lula possui, e muita. Logo estará recebendo em seu gabinete os novos presidentes da Câmara e do Senado, e tudo serão sorrisos, abraços e apertos de mão.
Acresce continuar o PMDB sendo uma federação de divergências explícitas, não parecendo difícil a qualquer governo entrar em suas bancadas como faca na manteiga. Criará problemas inevitáveis a definição de quem será o peemedebista escolhido pelo Planalto para companheiro de chapa de Dilma. Geddel Vieira Lima? Edison Lobão? Nelson Jobim? Roberto Requião? Sarney e Temer falarão a mesma linguagem na hora da definição? Mesmo no caso da improvável, mas possível reeleição do presidente Lula, será oferecida a vice-presidência ao PMDB?
Em suma, mesmo caracterizado o Congresso como entidade meio amorfa e sujeita a pressões, e não sendo o PMDB propriamente um partido, a sinuca está posta para o chefe do governo.
Que maravilha de crise
Acaba de ser divulgado o lucro do Bradesco: mais de um bilhão de reais em 2008. Menos do que os dois bilhões e picos em 2007, mas, convenhamos, é lucro para ninguém botar defeito. O banco fez o papel dele, dentro das regras financeiras em vigência. Não há que protestar a não ser diante do Banco Central, que permite spreads, taxas sobre qualquer movimentação bancária e juros abusivos sobre empréstimos pessoais, cheque especial e cartões de crédito. Se botam o filet mignon na boca do leão, não haverá como protestarem se ele engole tudo de uma vez.
Terapia administrativa
Tem gente achando não haver sido por coincidência, mas tanto faz. O presidente Lula convocou reunião ministerial para há mesma hora em que Câmara e Senado preparavam-se para eleger seus novos presidentes. O resultado foi os ministros debaterem a crise econômica, o PAC, as contenções e os investimentos enquanto deputados e senadores vibravam-se mutuamente os últimos golpes de tacape e borduna.
Como é proibido participar de reuniões do ministério com os celulares ligados, os ministros mantinham um olho no presidente Lula e na ministra Dilma Rousseff e outro em seus auxiliares, que a todo momento entravam no barracão da Granja do Torto a pretexto de entregar papéis e relatórios, mas, na verdade, informavam sobre o andamento das duas eleições.
Lições de Heródoto
Heródoto, o pai da História, passou anos afastado de Atenas, viajando pelo mundo àquela época conhecido. Deslumbrou-se com o Egito, verificando que dois mil anos o separavam da construção das pirâmides, assim como hoje mais de dois mil anos nos separam dele. O mais singular relato de Heródoto sobre a civilização egípcia, porém, não se referiu à organização social erigida em torno da religião, nem aos fantásticos monumentos que visitou. Ele escreveu para os gregos ressaltando as imensas diferenças culturais que “levavam os homens a fazer pipi sentados, e as mulheres, em pé”...
Com todo o respeito ao tema, conta-se esse capítulo das viagens do historiador a propósito da crise econômica atual. As megaempresas deveriam estar cuidando de retomar a produção, mas apegam-se aos governos de seus países como se tivessem a obrigação de repassar-lhes recursos públicos, enquanto demitem em massa seus trabalhadores. E os governos, que deveriam estar enquadrando as megaempresas, evitando demissões, abrem seus cofres sem fazer quaisquer exigências. Trata-se, realmente, de uma inversão contrária à lógica da cultura atual.
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA – Pode o presidente Lula confiar na promessa do senador José Sarney de que apóia a candidatura de Dilma Rousseff ao palácio do Planalto? Afinal, além de jurar que não seria candidato, o novo presidente do Senado e do Congresso também mandou dizer ao governador José Serra não haver-se definido diante da sucessão presidencial, até porque é cedo demais para compromissos. Na presidência da Câmara, o deputado Michel Temer nada tem avançado sobre o tema, lembrando apenas que o PMDB integra a base parlamentar do governo, mas deixando as conclusões para quem quiser.
Vale virar o jogo e lembrar, ao menos para raciocínio teórico, a hipótese de Dilma não decolar como candidata e o presidente Lula ver-se obrigado a ceder ao apelo dos companheiros, contrariando declarações anteriores e aceitando concorrer ao terceiro mandato. Controlado agora pelo PMDB, o Congresso aprovaria a respectiva emenda constitucional tão placidamente quanto aprovou, em 1996, o direito de Fernando Henrique Cardoso disputar o segundo período, quando foi eleito apenas para o primeiro? Pode ser que não, ou, ao menos, o preço se elevará tanto quanto os atuais índices de desemprego.
Numa palavra, apesar da ebulição, das incertezas e das baixarias das últimas semanas, as eleições de ontem para as presidências da Câmara e do Senado deixaram o presidente Lula em sinuca. Quem admitiu foi o ministro da Coordenação Política, José Múcio, para quem sequelas acontecerão na base oficial.
Sarney e Temer são do ramo, provavelmente hoje à tarde, se não tiver sido de madrugada, entoarão cantos de louvor ao presidente Lula. Faltam quase dois anos para a sucessão e nenhum dos dois arriscaria arranhar as relações do partido, detentor de seis ministérios e de centenas de altas funções no governo.
O fundamental, nesse episódio encerrado ontem, envolveu traições, recuos, espertezas e falsos-testemunhos, é que ficam para os próximos meses dúvidas, desconfianças, manobras e até lambanças. Aliás, de parte a parte, porque competência política o presidente Lula possui, e muita. Logo estará recebendo em seu gabinete os novos presidentes da Câmara e do Senado, e tudo serão sorrisos, abraços e apertos de mão.
Acresce continuar o PMDB sendo uma federação de divergências explícitas, não parecendo difícil a qualquer governo entrar em suas bancadas como faca na manteiga. Criará problemas inevitáveis a definição de quem será o peemedebista escolhido pelo Planalto para companheiro de chapa de Dilma. Geddel Vieira Lima? Edison Lobão? Nelson Jobim? Roberto Requião? Sarney e Temer falarão a mesma linguagem na hora da definição? Mesmo no caso da improvável, mas possível reeleição do presidente Lula, será oferecida a vice-presidência ao PMDB?
Em suma, mesmo caracterizado o Congresso como entidade meio amorfa e sujeita a pressões, e não sendo o PMDB propriamente um partido, a sinuca está posta para o chefe do governo.
Que maravilha de crise
Acaba de ser divulgado o lucro do Bradesco: mais de um bilhão de reais em 2008. Menos do que os dois bilhões e picos em 2007, mas, convenhamos, é lucro para ninguém botar defeito. O banco fez o papel dele, dentro das regras financeiras em vigência. Não há que protestar a não ser diante do Banco Central, que permite spreads, taxas sobre qualquer movimentação bancária e juros abusivos sobre empréstimos pessoais, cheque especial e cartões de crédito. Se botam o filet mignon na boca do leão, não haverá como protestarem se ele engole tudo de uma vez.
Terapia administrativa
Tem gente achando não haver sido por coincidência, mas tanto faz. O presidente Lula convocou reunião ministerial para há mesma hora em que Câmara e Senado preparavam-se para eleger seus novos presidentes. O resultado foi os ministros debaterem a crise econômica, o PAC, as contenções e os investimentos enquanto deputados e senadores vibravam-se mutuamente os últimos golpes de tacape e borduna.
Como é proibido participar de reuniões do ministério com os celulares ligados, os ministros mantinham um olho no presidente Lula e na ministra Dilma Rousseff e outro em seus auxiliares, que a todo momento entravam no barracão da Granja do Torto a pretexto de entregar papéis e relatórios, mas, na verdade, informavam sobre o andamento das duas eleições.
Lições de Heródoto
Heródoto, o pai da História, passou anos afastado de Atenas, viajando pelo mundo àquela época conhecido. Deslumbrou-se com o Egito, verificando que dois mil anos o separavam da construção das pirâmides, assim como hoje mais de dois mil anos nos separam dele. O mais singular relato de Heródoto sobre a civilização egípcia, porém, não se referiu à organização social erigida em torno da religião, nem aos fantásticos monumentos que visitou. Ele escreveu para os gregos ressaltando as imensas diferenças culturais que “levavam os homens a fazer pipi sentados, e as mulheres, em pé”...
Com todo o respeito ao tema, conta-se esse capítulo das viagens do historiador a propósito da crise econômica atual. As megaempresas deveriam estar cuidando de retomar a produção, mas apegam-se aos governos de seus países como se tivessem a obrigação de repassar-lhes recursos públicos, enquanto demitem em massa seus trabalhadores. E os governos, que deveriam estar enquadrando as megaempresas, evitando demissões, abrem seus cofres sem fazer quaisquer exigências. Trata-se, realmente, de uma inversão contrária à lógica da cultura atual.
Fonte: Tribuna da Imprensa
A eleição de Sarney no Senado destrói a conspiração do PSDB
Por: Helio Fernandes
José Sarney foi candidato na base de números, de credenciais, de observação. Só se lançou quando constatou que não perderia. Sempre era considerado eleito.
Os cálculos disparatados levaram emoção para a eleição de presidente do Senado. No final do domingo e no início de ontem, davam para Tião Viana, no mínimo, 49 votos.
Curiosamente, 49 votos foi o que teve o adversário Sarney, ficando o senador do PT-PT, apoiado por um PSDB inesperado, com 32.
Votaram todos os 81 senadores (não é inédito) em 40 minutos. Começou imediatamente a apuração, que levou outros 40 minutos. Mas desde o primeiro voto, Sarney era cumprimentadíssimo.
De qualquer maneira, Tião Viana, derrotadíssimo, comprometeu o PT-PT. Ficou evidente que Tião teria 20 ou 25 votos. Se não fosse o “acordo conspiratório” com o partido de Serra e FHC, não passaria daí. Artur Virgilio estava certo: o PSDB inteiro (12 votos) votará em Tião Viana. Como líder, foi afirmativo.
Sociólogos, cientistas políticos, blogueiros, comentaristas de jornal e televisão foram unânimes: “Quem vencer será por 17, o resultado é irrefutável: 49 a 32. E os “adivinhadores?”
Sarney ganhou (ou melhor, consolidou) a eleição com o discurso de candidato. Muito aplaudido, o que não aconteceu com Tião Viana. Este fez quase o impossível: juntar Pedro Nava, lenda e legenda, com Carcará, que foi popular e até reconhecido por muitos.
No ardor de se colocar como autêntica renovação, o ex-presidente da República, citou Rui Barbosa, duas vezes candidato a presidente. Fala de Sarney: “Rui, com a minha idade, velhinho, ainda pedia votos no interior”.
Sarney está com 79 anos e Rui morreu com 73, tendo abandonado a vida pública aos 68. E Sarney não devia, aos 79 anos, pronunciar a palavra “velhinho”. Podia ser visto como um boomerang.
Na sexta-feira, a análise sobre a eleição de presidente do Senado, concluía de duas maneiras, quase contraditórias.
1 – Sarney será o grande vencedor, por fácil maioria. Ele resistiu desde o dia 17 de dezembro, sempre dizendo, “não serei candidato”.
Disse isso 3 vezes ao próprio Lula. Quando cedeu à pressão do partido (e de aliados) e resolveu ser candidato do PMDB, também falou com Lula. Este disse que Sarney mudava seus planos, mas não podia fazer coisa alguma.
2 – A mesma conclusão dos mesmos analistas: “Só haverá alguma modificação no resultado e na escolha do nome, se houver reviravolta”. Foi a opinião deste repórter, aqui, na sexta e no sábado.
E essa “reviravolta” ocorreu, a partir de São Paulo. Ninguém imaginava que o PSDB pudesse se aliar ao PT-PT, num momento tão importante. Mas, às vezes, a coerência consiste em mudar e não em insistir. Foi o que fez o PSDB, não por generosidade, renovação, grandeza inata e cordial, mas acreditando que com essa reviravolta, se fortaleceria para 2010.
PS – O PSDB se considera vitorioso. Motivo: provou que pode fazer acordo com o Planalto-Alvorada. Foi uma espécie de “tomada de posição de José Serra para 2010”.
Temer, eleito agora, já sonha em repetir o doutor Ulisses
Fonte: Tribuna da Imprensa
José Sarney foi candidato na base de números, de credenciais, de observação. Só se lançou quando constatou que não perderia. Sempre era considerado eleito.
Os cálculos disparatados levaram emoção para a eleição de presidente do Senado. No final do domingo e no início de ontem, davam para Tião Viana, no mínimo, 49 votos.
Curiosamente, 49 votos foi o que teve o adversário Sarney, ficando o senador do PT-PT, apoiado por um PSDB inesperado, com 32.
Votaram todos os 81 senadores (não é inédito) em 40 minutos. Começou imediatamente a apuração, que levou outros 40 minutos. Mas desde o primeiro voto, Sarney era cumprimentadíssimo.
De qualquer maneira, Tião Viana, derrotadíssimo, comprometeu o PT-PT. Ficou evidente que Tião teria 20 ou 25 votos. Se não fosse o “acordo conspiratório” com o partido de Serra e FHC, não passaria daí. Artur Virgilio estava certo: o PSDB inteiro (12 votos) votará em Tião Viana. Como líder, foi afirmativo.
Sociólogos, cientistas políticos, blogueiros, comentaristas de jornal e televisão foram unânimes: “Quem vencer será por 17, o resultado é irrefutável: 49 a 32. E os “adivinhadores?”
Sarney ganhou (ou melhor, consolidou) a eleição com o discurso de candidato. Muito aplaudido, o que não aconteceu com Tião Viana. Este fez quase o impossível: juntar Pedro Nava, lenda e legenda, com Carcará, que foi popular e até reconhecido por muitos.
No ardor de se colocar como autêntica renovação, o ex-presidente da República, citou Rui Barbosa, duas vezes candidato a presidente. Fala de Sarney: “Rui, com a minha idade, velhinho, ainda pedia votos no interior”.
Sarney está com 79 anos e Rui morreu com 73, tendo abandonado a vida pública aos 68. E Sarney não devia, aos 79 anos, pronunciar a palavra “velhinho”. Podia ser visto como um boomerang.
Na sexta-feira, a análise sobre a eleição de presidente do Senado, concluía de duas maneiras, quase contraditórias.
1 – Sarney será o grande vencedor, por fácil maioria. Ele resistiu desde o dia 17 de dezembro, sempre dizendo, “não serei candidato”.
Disse isso 3 vezes ao próprio Lula. Quando cedeu à pressão do partido (e de aliados) e resolveu ser candidato do PMDB, também falou com Lula. Este disse que Sarney mudava seus planos, mas não podia fazer coisa alguma.
2 – A mesma conclusão dos mesmos analistas: “Só haverá alguma modificação no resultado e na escolha do nome, se houver reviravolta”. Foi a opinião deste repórter, aqui, na sexta e no sábado.
E essa “reviravolta” ocorreu, a partir de São Paulo. Ninguém imaginava que o PSDB pudesse se aliar ao PT-PT, num momento tão importante. Mas, às vezes, a coerência consiste em mudar e não em insistir. Foi o que fez o PSDB, não por generosidade, renovação, grandeza inata e cordial, mas acreditando que com essa reviravolta, se fortaleceria para 2010.
PS – O PSDB se considera vitorioso. Motivo: provou que pode fazer acordo com o Planalto-Alvorada. Foi uma espécie de “tomada de posição de José Serra para 2010”.
Temer, eleito agora, já sonha em repetir o doutor Ulisses
Fonte: Tribuna da Imprensa
Para Dilma, 'base do governo foi vitoriosa'
BRASÍLIA - Principal nome do PT para a sucessão presidencial, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, levou ontem ao Congresso Nacional a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que o tema central foi a crise econômica mundial e, ao mesmo tempo, comemorou a vitória do PMDB na Câmara e no Senado. No entanto, baixou o tom de euforia dos peemedebistas. Evitou falar em poderes extremos para o partido nas negociações eleitorais e desvinculou o resultado de hoje da disputa do ano que vem. Por fim, evitou a tese de que o PMDB agora se torna candidato natural a vice na chapa do PT.
"A base do governo foi vitoriosa. Estamos agora falando de 2009, esta vitória é em 2009. A vitória tem de ser vista como uma contribuição à governabilidade", afirmou o ministra, que chamou os eleitos José Sarney e Michel Temer de "dois grandes brasileiros com competência para dirigir a Câmara e o Senado".
Dilma disse acreditar em uma relação melhor do Legislativo com o Executivo. "A disputa é democrática. Acho muito importante que tenham sido eleitos parlamentares que são integrantes da base. Se houver alteração (na relação Executivo-Legislativo), é para melhorar a governabilidade. Vai ser uma relação melhor porque a gente tem que apostar que as pessoas aprendem e progridem. Acredito no aperfeiçoamento", afirmou a ministra, ao deixar a Câmara, depois da sessão do Congresso Nacional.
Na mensagem presidencial, encaminhada todo ano no início dos trabalhos legislativos pelo presidente da República, Lula não minimizou a gravidade da crise. Disse que será "inevitável a economia desacelerar", mas prometeu "todos os esforços para o País continuar crescendo". Afirmou ainda que as reservas de US$ 207 bilhões dão "uma significativa margem de manobra para vencer os desafios" e reiterou que medidas de emergência já foram tomadas para manter o crédito e preservar os setores que mais geram empregos. "A crise, embora séria, deve continuar a ser enfrentada com serenidade", afirmou o presidente na mensagem ao Congresso.
Ao deixar o Congresso, a ministra Dilma Rousseff repetiu o tom da mensagem. "Podemos ter desaceleração no crescimento, mas o governo não está parado. A crise não foi produzida aqui. Estamos em condições melhores para enfrentá-la", declarou Dilma.
Embora tenha ressaltado avanços como o controle da inflação, a redução da pobreza e a expansão da produção e do consumo, como fez em mensagens anteriores, o presidente Lula falou em vários momentos da gravidade da crise. Procurou mostrar otimismo ao dizer que o País tem "todas as condições de enfrentar os períodos mais agudos desta crise internacional".
Na mensagem de 2008, o presidente Lula ressaltou o bom desempenho da economia no ano anterior e o controle da inflação. Também destacou a "consolidação" do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto mais ambicioso do segundo mandato, entregue para a coordenação da ministra Dilma Rousseff, e a criação de mais de 1,6 milhão de empregos. Ontem, voltou a falar do PAC. "Se não tivéssemos criado o PAC em 2007, teríamos que criar agora, em uma conjuntura mais complicada", afirmou.
Em 2007, a mensagem do presidente voltou-se principalmente para a redução da pobreza, para a ampliação dos programas sociais e para o aumento do salário mínimo.
Em 2006, um dos pontos destacados pelo presidente foi o combate à corrupção, depois de um 2005 marcado por escândalos envolvendo parlamentares governistas e ministros, durante a investigação do mensalão.
Fonte: Tribuna da Imprensa
"A base do governo foi vitoriosa. Estamos agora falando de 2009, esta vitória é em 2009. A vitória tem de ser vista como uma contribuição à governabilidade", afirmou o ministra, que chamou os eleitos José Sarney e Michel Temer de "dois grandes brasileiros com competência para dirigir a Câmara e o Senado".
Dilma disse acreditar em uma relação melhor do Legislativo com o Executivo. "A disputa é democrática. Acho muito importante que tenham sido eleitos parlamentares que são integrantes da base. Se houver alteração (na relação Executivo-Legislativo), é para melhorar a governabilidade. Vai ser uma relação melhor porque a gente tem que apostar que as pessoas aprendem e progridem. Acredito no aperfeiçoamento", afirmou a ministra, ao deixar a Câmara, depois da sessão do Congresso Nacional.
Na mensagem presidencial, encaminhada todo ano no início dos trabalhos legislativos pelo presidente da República, Lula não minimizou a gravidade da crise. Disse que será "inevitável a economia desacelerar", mas prometeu "todos os esforços para o País continuar crescendo". Afirmou ainda que as reservas de US$ 207 bilhões dão "uma significativa margem de manobra para vencer os desafios" e reiterou que medidas de emergência já foram tomadas para manter o crédito e preservar os setores que mais geram empregos. "A crise, embora séria, deve continuar a ser enfrentada com serenidade", afirmou o presidente na mensagem ao Congresso.
Ao deixar o Congresso, a ministra Dilma Rousseff repetiu o tom da mensagem. "Podemos ter desaceleração no crescimento, mas o governo não está parado. A crise não foi produzida aqui. Estamos em condições melhores para enfrentá-la", declarou Dilma.
Embora tenha ressaltado avanços como o controle da inflação, a redução da pobreza e a expansão da produção e do consumo, como fez em mensagens anteriores, o presidente Lula falou em vários momentos da gravidade da crise. Procurou mostrar otimismo ao dizer que o País tem "todas as condições de enfrentar os períodos mais agudos desta crise internacional".
Na mensagem de 2008, o presidente Lula ressaltou o bom desempenho da economia no ano anterior e o controle da inflação. Também destacou a "consolidação" do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto mais ambicioso do segundo mandato, entregue para a coordenação da ministra Dilma Rousseff, e a criação de mais de 1,6 milhão de empregos. Ontem, voltou a falar do PAC. "Se não tivéssemos criado o PAC em 2007, teríamos que criar agora, em uma conjuntura mais complicada", afirmou.
Em 2007, a mensagem do presidente voltou-se principalmente para a redução da pobreza, para a ampliação dos programas sociais e para o aumento do salário mínimo.
Em 2006, um dos pontos destacados pelo presidente foi o combate à corrupção, depois de um 2005 marcado por escândalos envolvendo parlamentares governistas e ministros, durante a investigação do mensalão.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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