segunda-feira, setembro 22, 2025

Não há censura no Brasil? Posso citar dez casos nos últimos anos

 

Não há censura no Brasil? Posso citar dez casos nos últimos anos

A história está nos detalhes | Censura, censor e humor – Parte 1 – A  história está nos detalhes

Charge do Zé Oliveira (Arquivo |Google)

Fernando Schüler
Estadão

“No Brasil não existe censura”, disse o ministro Barroso, semana passada, na abertura de uma sessão do STF. A declaração me surpreendeu. Tenho apreço pelo ministro, de modo que dou uma resposta popperiana: listo dez casos de censura, no Brasil dos últimos anos. Se eles não existirem, está tudo bem. Mas se eles forem reais, quem sabe vale refletir sobre o que vem se passando, afinal, em nossa democracia.

O primeiro é o ato inaugural. Muita gente acha que os inquéritos surgiram para salvar a democracia, mas não. Foi para censurar uma revista, em 2019.

OUTROS CASOS – Depois vem o caso do PCO. Um tuíte que quase ninguém leu, um “ataque” ao STF, quem sabe em nome da justiça soviética, e o minúsculo partido comunista foi apagado.

O terceiro é o professor Marcos Cintra. Tuíte elegante sobre o resultado de algumas urnas. Nenhum “ódio”. Apenas o direito de questionar alguma coisa, na internet.

O próximo é o deputado Homero Marchese. Divulgou um protesto, em Nova York. Estava no Paraná. Mas foi a pique. Censurado durante meses, recorreu. Sua indenização foi anulada e, o juiz que a concedeu, investigado. Curioso caso em uma democracia onde “não existe censura”.

MAIS CENSURA – Depois vem a turma do WhatsApp. Grupo privado, papo-furado. Um sujeito diz que prefere uma ditadura à eleição de um candidato. Bobagem, não crime. Os demais, nada. Um deles, Luciano Hang. Dois anos de censura por dizer coisa nenhuma, no WhatsApp.

A lista segue com o Monark. Primeiro, censurado por achar que mesmo um partido nazista deveria ter direito à expressão. Princípio elementar da Primeira Emenda Americana. Crime? Foi censurado ainda uma segunda vez por críticas ao STF.

Ameaça nenhuma, apenas uma opinião ácida. Dessas a que estão sujeitos os que ocupam funções públicas.

ABERRAÇÕES – Censurar um documentário sobre o atentado a Bolsonaro, sem conhecer o conteúdo? Caso clássico, e algo ridículo, de censura prévia; Indiciar um deputado, Marcel Van Hatten, por uma denúncia de abuso de poder, na tribuna da Câmara? Um deputado não pode fazer uma denúncia, no Parlamento, se julgar relevante?

E as plataformas digitais obrigadas a apagar sua visão sobre o “PL das Fake News”? E uma autoridade, numa manhã de Brasília, dando ordens para “desmonetizar” revistas? E depois de ouvir que “não tem nada”, que há apenas “matérias jornalísticas”, mandar que se “use a criatividade” para incriminar veículos de comunicação?

COISAS DESAGRADÁVEIS – Desde que o mundo é mundo, liberdade de expressão é para ideias desagradáveis e controversas. Ideias que “odiamos”, como lembrou Oliver Holmes.

Liberdade só para ideias aceitáveis ao poder é democracia café com leite. Ou para as tantas formas do iliberalismo atual. Quero crer que o ministro concorde com isso. Muitos cidadãos foram agredidos, em seus direitos, e isto jamais deveria acontecer em nossa democracia.

Oxalá o tempo e a sabedoria nos ajudem a corrigir essas coisas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É por essas e outras que Musk e Trump conseguiram colecionar provas e argumentos sobre as deformações da democracia à brasileira. Respeitar as liberdades democráticas teria sido muito melhor e mais fácil, mas o Supremo ultrapassou os limites de uma forma ridícula – a pretexto de salvar a democracia, acabou enfraquecendo o próprio regime democrático, o único que funciona. 
(C.N.)

Nota da  Redação Deste Blog: 

Censura em Jeremoabo: A Sombra da Impunidade

A questão da censura no Brasil é complexa, e a história recente mostra que a liberdade de imprensa tem sido ameaçada. Mas em Jeremoabo, a censura parece ter uma face ainda mais preocupante: a de calar quem denuncia.

A imprensa local não é punida por o que diz, mas por reproduzir o que outros dizem, especialmente quando as denúncias de improbidade envolvem servidores do foro. A censura não atinge o autor da frase, mas o jornalista que a publica. O que deveria ser um ato de transparência e de fiscalização se torna um risco.

O caso é ainda mais surreal quando o próprio denunciado supostamente "assume a carapuça", agindo como se fosse o alvo da crítica. A censura baseada no pensamento e na interpretação pessoal é uma afronta à liberdade de expressão e à democracia.


Você acredita que a transparência e a publicidade dos processos judiciais podem ser a única forma de combater a censura?

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