
Michelle candidata poderá facilitar a reeleição de Lula
Roseann Kennedy
Estadão
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro admitiu, pela primeira vez, disputar a eleição em 2026 como potencial sucessora de Jair Bolsonaro, “se for da vontade de Deus”. A declaração foi publicada, na manhã desta quarta-feira, 24, no site do jornal britânico The Telegraph.
Embora tenha ressaltado que sua atenção está dedicada a cuidar das filhas e do marido neste momento, Michelle se apresentou como voz defensora da direita brasileira.
VONTADE DE DEUS – “Eu me levantarei como uma leoa para defender nossos valores conservadores, a verdade e a justiça. Se, para cumprir a vontade de Deus, for necessário assumir uma candidatura política, estarei pronta para fazer o que Ele me pedir.”
Michelle ainda não havia falado com a imprensa, desde a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, por envolvimento e liderança da trama golpista.
Para ela, o que ocorreu na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma “farsa judicial” e as acusações contra Bolsonaro foram fabricadas.
ANTES DE TRUMP – A entrevista foi publicada um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que houve “uma química excelente” entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num encontro de poucos segundos, na Assembleia Geral da ONU, e aberto dialogo com o governo brasileiro para negociar as taxações.
Entretanto, segundo apurou a Coluna do Estadão, a entrevista foi concedida na sexta-feira, 19, bem antes da abertura das sessões da ONU.
Michelle, inclusive, expressou apoio às intervenções de Donald Trump em nome de seu marido. Também acusou o governo de Lula e o ministro Alexandre de Moraes de serem responsáveis pela crise e pelas sanções impostas pelos EUA.
TRÊS EMPECILHOS – A disposição de Michelle para concorrer em 2026 tende a gerar desconforto no núcleo duro do bolsonarismo, por pelo menos três motivos:
Ela enfrenta resistência da família Bolsonaro para uma candidatura presidencial; o deputado Eduardo Bolsonaro insiste em ser o candidato a sucessor do pai nas eleições; e a ala mais ao centro do partido é entusiasta da candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Alguns chegaram a cogitar o nome dela como vice na eventual chapa de Tarcísio ao Planalto. Entretanto, como mostrou a Coluna, os defensores da carreira política de Michelle rechaçam essa ideia.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Vai dar errado. Estão fazendo um esforço danado para eleger Lula. Mas o Brasil não é a Argentina, e Michelle não é Isabelita. Até o momento, Michelle era cotada para concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. E a chapa do DF já estaria com toda a composição negociada. (C.N.)