sábado, julho 12, 2025

Se Brasil retaliar com tarifas, impacto no PIB poderá ser ainda pior

Publicado em 12 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Importações crescem e déficit comercial da indústria brasileira é o maior  em 13 anos; entenda - TV Pampa

EUA têm déficit anual de US$ 1,67 bilhão com o Brasil

Priscila Yazbek
da CNN

Se o Brasil de fato recorrer à Lei da Reciprocidade e elevar as tarifas sobre produtos americanos em resposta à taxa de 50% imposta por Donald Trump, o impacto sobre a economia brasileira pode ser ainda mais negativo, de acordo com especialistas consultados pela CNN.

Tanto economistas quanto diplomatas afirmam que o governo brasileiro está de mãos atadas e não tem ferramentas eficazes para pressionar Trump. A saída seria tentar negociar uma redução da tarifa, caso contrário o governo corre o risco de a oposição assumir o papel de negociador, no lugar do Itamaraty.

QUEDA DO PIB – Gabriel Barros, economista-chefe da ARX, projeta que se a tarifa dos EUA ficar em 40%, sem retaliação, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve cair pouco menos de 0,2 ponto percentual.

Já se o Brasil retaliar com suas próprias tarifas, o impacto negativo no PIB seria de 0,3 ponto percentual e haveria pressão inflacionária provocada pelo aumento dos preços e pela volatilidade do dólar.

“Isso poderia levar o Banco Central a elevar os juros em até 0,3 ponto percentual”, diz Barros. Ele acrescenta que, embora a retaliação possa compensar parcialmente a perda nas exportações, ela amplificaria os efeitos negativos sobre o investimento e a inflação, se revelando uma medida contraproducente.

ESCALADA DE TENSÕES – “Seria um erro e acredito que produziria uma nova escalada nas tensões, tornando o tit for tat imprevisível”, diz o economista-chefe da ARX.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, 16% de todos os produtos importados pelo Brasil vieram dos Estados Unidos entre janeiro a junho deste ano, totalizando cerca de R$ 20 bilhões.

Com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 5,35% e a taxa Selic em 15%, os aumentos de preços provocados pela elevação de tarifas para produtos americanos poderiam pressionar ainda mais a inflação e os juros.

PREJUÍZO AO COMÉRCIO – Um eventual aumento de tarifas também tende a prejudicar mais o comércio brasileiro do que o americano. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, tanto em importações quanto em exportações. Já o Brasil é apenas o nono país que mais importa produtos americanos e o 18º país que mais exporta.

Apesar da resposta do presidente Lula, que afirmou que o tarifaço de Trump será respondido com reciprocidade, diplomatas que atuam nas embaixadas brasileiras nos EUA disseram à CNN que não acreditam em uma retaliação tarifária mais significativa.

Eles dizem que o Brasil não está em condições de suportar as consequências de elevar os custos de importações americanas.

BUSCAR O DIÁLOGO – Em entrevista ao Live CNN, o ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington, Rubens Barbosa, afirmou que o governo brasileiro deveria buscar o diálogo com os americanos. Ele avalia que há um “esvaziamento do Itamaraty” e “o partidarismo e a ideologia têm contaminado a política externa”.

“Todos os países que receberam cartas de Trump estão negociando porque não existe mais regra no mercado internacional, não há alternativa. O único país que pôde se opor foi a China, que é a segunda maior economia do mundo e usou os minerais de terras raras e chips como moeda de troca”, afirma Barbosa.

“Ou o Brasil estabelece canais de comunicação e inicia uma negociação comercial, ou os opositores vão pedir a redução tarifária por conta própria, Trump vai conceder e a redução tarifária vai ser feita pela oposição”, afirma Barbosa, que observa que o Brasil não tem diálogo com os EUA, nem com a Casa Branca, nem com o Departamento de Estado.

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