quinta-feira, julho 17, 2025

Reações erráticas de Tarcísio o prenderam a uma bizarra armadilha


Tarcísio se reúne com encarregado dos EUA para falar do tarifaço |  Metrópoles

Tarcísio quis ajudar Bolsonaro e acabou se complicando

Dora Kramer
Folha

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) perdeu uma boa oportunidade de exibir credenciais condizentes com o posto de presidente do Brasil.

Ele não passou no teste de se mostrar ao país apto à função e pode ter prejudicado o plano de reeleição em São Paulo ao se render a conveniências de um grupo político em detrimento do interesse nacional.

COMO MILITANTE  – Reagiu como militante de um nicho, não atinou para as consequências da chantagem de Donald Trump e paga o preço por ter se posicionado distante da pretendida condição de estadista.

Quando percebeu o erro, o dano estava feito. Inclusive porque ao calibrar o discurso de apoio a Trump o fez de modo atarantado, pedindo ao Supremo Tribunal Federal autorização para Jair Bolsonaro (PL) ir a Washington negociar recuo no tarifaço e correr a Brasília para uma reunião cenográfica com o encarregado de negócios da embaixada americana.

Tarcísio de Freitas agora tenta aparecer como mediador do confronto, afastando a questão política —cerne da manifestação do celerado do Norte— para dar contornos técnicos ao embate. Diz que o momento “é complicado” e prega que “todos se deem as mãos” para resolver o problema.

CULPA DE QUEM? – A referida complicação foi criada por Bolsonaro, a quem o governador presta reiterada reverência em busca dos votos do inelegível. Do lado de quem confere ao ex-presidente o papel de chefe tampouco as coisas ficaram fáceis para ele.

Os bolsonaretes não gostaram de ver Tarcísio mudando o rumo da prosa. Rechaçam a ideia de tê-lo em posição de destaque na condução da crise, exigem dele dureza nos ataques ao governo e ao STF, além de apoio na cobrança por aprovação da anistia no Congresso.

O governador está entre a cruz do bolsonarismo, já enroscado no golpe atarantado e agora atrapalhado no enrosco das tarifas, e a caldeirinha do eleitorado, atento aos reais propósitos dos pretendentes a presidente. É aquela situação difícil também conhecida como camisa de 11 varas, da qual será trabalhoso Tarcísio se desvencilhar.


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