sexta-feira, julho 18, 2025

Procurador Gonet “adaptou” o parecer para não implodir a delação de Cid


Mauro Cid quer fechar delação com a PF; Moraes precisa validar acordo

Delação de Cid tem trechos que não merecem respeito

Rafael Moraes Moura
O Globo

Embora tenha acusado o tenente-coronel Mauro Cid de omitir fatos graves e de adotar uma “narrativa seletiva” nos relatos de sua colaboração premiada, descartando a possibilidade de perdão judicial e pedindo que a redução da pena para o ex-ajudante de Jair Bolsonaro seja a mínima possível, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, incluiu no documento em que pediu a condenação dos réus um “antídoto” para não anular a delação e nem as provas colhidas a partir de sua polêmica delação no caso da trama golpista.

Na última segunda-feira (14), Gonet apontou no parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) as suspeitas de que Cid utilizou um perfil no Instagram para manter contato com a defesa de um dos réus, enquanto se aprofundavam as investigações, “em aparente afronta às restrições” impostas pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes.

AINDA EM APURAÇÃO – Mas em seguida ressalvou que “a questão permanece sob apuração, não sendo possível, neste momento, atribuir ao réu a autoria dos acessos”. E completou:

“De todo modo, eventual comprovação de vinculação do perfil ao nome de Mauro Cid não implicaria, por si só, o esvaziamento da voluntariedade ou da legalidade do acordo de colaboração premiada, cuja regularidade e espontaneidade foram reiteradamente reconhecidas ao longo de toda a instrução”, desconversou.

Os diálogos entre Cid e os representantes dos réus foram citados pela defesa de Bolsonaro no depoimento do ex-ajudante de ordens ao Supremo no mês passado – e se tornaram uma arma do ex-presidente e de outros investigados para reforçar a estratégia de anular a investigação, ao insistir que Cid foi pressionado a fechar o acordo com a Polícia Federal, o que “arranharia” o princípio da voluntariedade.

CID EM RISCO – Mas, para Gonet, o acordo de Cid segue válido, independentemente do desdobramento dessa apuração sobre a utilização de um perfil por parte do militar para se comunicar com a defesa de outros réus.

Na avaliação de Gonet, se há algo sob risco não é o acordo em si, nem as provas colhidas a partir dele, e sim os benefícios acertados com Cid.

“Apenas estaria acentuado o caráter ambíguo da conduta do colaborador, que, por vias paralelas, buscava auferir benefícios premiais e restabelecer canais de interlocução com os demais corréus”, escreveu Gonet.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Num país democrátíco e num tribunal que realmente obedeça as leis, a delação de Cid já teria ido pelo espaço e ele estaria liquidado. Um oficial filho de general de quatro estrelas que mostra ser mentiroso e covarde. (C,N,)

Em destaque

Infraestrutura, Planejamento e Gestão: a nova dinâmica administrativa em Jeremoabo

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Prefeitura de Jeremoabo (@prefjeremoabo) .. Infraestrutura, Planeja...

Mais visitadas