
Por: José D.M. Montalvão
Hoje 23/04 – Avaliação Final – Pós-Graduação em Gestão Pública
Tema: Transparência na Gestão Pública – Uma análise crítica baseada na experiência local
Ao longo da minha trajetória na Pós-Graduação em Gestão Pública, compreendi que a transparência é um dos pilares fundamentais para a construção de uma administração pública eficiente, ética e comprometida com o bem-estar coletivo. Por isso, optei por abordar a temática da transparência administrativa tomando como referência a gestão anterior do município de Jeremoabo (BA).
Infelizmente, a prática da transparência naquela gestão se mostrou, muitas vezes, limitada ao papel. Embora o município dispusesse de um portal da transparência, sua funcionalidade era precária: informações incompletas, desatualizadas ou apresentadas de forma técnica e inacessível à maioria da população. Isso evidencia o que muitos estudiosos chamam de "transparência simbólica" — quando se cumpre formalmente a lei, mas sem efetividade na garantia do acesso à informação.
Essa ausência de clareza nas ações governamentais comprometeu diretamente a prestação de contas à sociedade. Casos como denúncias de desvio de recursos públicos, contratos de merenda escolar e transporte com indícios de irregularidades, além da falta de prestação de contas claras sobre obras mal executadas ou abandonadas, são exemplos marcantes. A fragilidade dos mecanismos de controle social, associada à passividade do Legislativo local, agravou ainda mais esse cenário de opacidade administrativa.
Diante disso, reforço que a transparência não pode ser tratada como um simples item de checklist burocrático. Ela deve ser parte de uma cultura organizacional pautada pela ética, pelo respeito ao cidadão e pela responsabilidade com os recursos públicos. A gestão pública, especialmente em cidades do interior como Jeremoabo, precisa dar passos concretos no sentido de transformar a transparência em um valor prático e cotidiano — não apenas em um discurso institucional.
Concluo minha avaliação reforçando a importância de gestores comprometidos com a clareza, o diálogo e a participação popular. Somente assim a transparência deixará de ser um slogan e passará a ser uma ferramenta real de transformação social e administrativa.