O Arrependimento do Voto Apaixonado: Quando a Emoção Supera a Razão
O voto é uma das ferramentas mais poderosas em uma democracia. Com ele, decidimos os rumos da nossa cidade, estado e país. Mas, infelizmente, muitas vezes ele é guiado não pela razão, pelo discernimento ou pela análise crítica dos fatos – e sim pela paixão, pelo fanatismo ou pela simples rejeição a outros nomes. E é exatamente aí que nasce o arrependimento político.
Tem sido cada vez mais comum ouvir frases como: “Eu votei nela, mas já me arrependi”. Mas será mesmo que esse eleitor tem o direito de se queixar? É difícil concordar.
Quando você escolhe um candidato sem analisar seu histórico, sem investigar sua capacidade técnica ou compromisso ético, quando você vota motivado apenas por paixão ou impulso, o resultado costuma ser previsível. É como comprar um carro sem olhar o motor, só porque a lataria brilha. Depois que quebra na estrada, de quem é a culpa?
Há também quem se decepciona com o comportamento da vereadora eleita – por uma fala, uma postura, uma decisão polêmica. Ora, se ela está apenas sendo coerente com tudo que demonstrou durante a campanha ou sua vida pública, qual a surpresa? Quem a escolheu deveria saber disso. E, para ser justo: se ela está dizendo a verdade – mesmo que doa ou incomode – por que julgá-la?
Não adianta, agora, bancar o cidadão revoltado e indignado. Quem achava que “ele poderia ser representado por pessoas melhores”, mas ainda assim optou por quem já deixava claras suas limitações, não tem do que reclamar. Está recebendo exatamente aquilo que defendeu. Votou com o coração, ignorou a razão e agora amarga as consequências.
A democracia garante o direito ao voto – mas também cobra sua responsabilidade. E o arrependimento, nesse caso, não redime. Serve apenas como lição.
Que nas próximas eleições, o eleitor saiba que paixão cega, mas a razão enxerga longe.